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ESTÉTICA
ARQUITETURA
Celma Paese
Revisão técnica:
Sabrina Assmann Lücke
Arquiteta
Mestre em Ambiente e Desenvolvimento
Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin - CRB -10/2147
J37e Jardim, Mariana Comerlato.
Estética / Mariana Comerlato Jardim, Celma Paese ; 
[revisão técnica : Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre : 
SAGAH, 2018.
160 p.: il. ; 22,5 cm
ISBN 978-85-9502-416-8
1. Estética – Arquitetura. I. Paese, Celma. II. Título.
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A estética contemporânea 
e o panorama da 
indústria cultural
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Identificar as influências estéticas contemporâneas.
  Descrever as características principais do período.
  Reconhecer como a indústria cultural utiliza-se desses padrões.
Introdução
A estética sofreu diversas influências ao longo dos anos. Entretanto, a 
estética contemporânea é a mais transformadora no que se refere a con-
ceitos e critérios estéticos. Essa transformação da estética é influenciada 
primordialmente por grandes filósofos contemporâneos, como Saussure, 
Foucault, Barthes, entre outros filósofos que você verá neste texto.
Neste capítulo, você vai conhecer as influências estéticas contempo-
râneas, suas principais características e os meios que a indústria cultural 
utiliza para influenciar na criação e difusão desses valores.
As influências estéticas contemporâneas
A estética pós-moderna ou contemporânea transformou para sempre os critérios 
de manifestação e percepção das manifestações estéticas humanas. Segundo 
Barrett (2014), as suas principais infl uências vêm da fi losofi a. Filósofos como 
Ferdinand de Saussure, Michel Foucault, Gilles Deleuze, Félix Guattari, Roland 
Barthes, Jacques Derrida, Zygmunt Bauman e Giorgio Agamben — herdeiros 
diretos dos pensamentos de Nietzsche e Heidegger — derrubam as fronteiras 
entre a cultura popular, a mídia e as manifestações artísticas, afi rmando o 
valor da diversidade.
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A pós-modernidade identifica o diferente, o diverso, o específico, e reco-
nhece a mudança geral na condição humana desses tempos, que velozmente 
abrange os mais diversos setores da vida. As expressões estéticas contem-
porâneas — as obras de arte, a arquitetura, o cinema, a literatura, a dança, 
o teatro e as novas mídias — levam em conta as diferentes origens sociais e 
econômicas de suas produções, assim como a velocidade das mudanças do 
tempo presente, que Bauman (1999) chamou de modernidade líquida. 
Assim, na contemporaneidade, uma verdade nunca é considerada abso-
luta, mas apenas a construção de “expressões de linguagens” criadas por 
indivíduos e grupos que compartilham diferentes formas de conhecimento 
em suas culturas específicas. Essas expressões se manifestam na arquitetura, 
nas artes visuais, no cinema, na literatura e nas novas mídias — conside-
radas a mais pura expressão desses “tempos líquidos”. Elas desconstroem 
paradigmas e pré-conceitos, enquanto recompõem identidades valorizando 
o imaginário social.
O filme sueco The Square: a arte da discórdia, candidato ao Oscar de melhor filme 
estrangeiro em 2018, exemplifica como as expressões estéticas passam do belo ao 
sublime em instantes, enquanto são transformadas em mercadoria de fácil consumo, 
inclusive a vida humana.
Um gerente de museu está usando de todas as armas possíveis para promover o 
sucesso de uma nova instalação e decide contratar uma empresa de relações públicas. 
Porém, isso acaba gerando consequências infelizes e um grande embaraço. 
O ciberespaço e a sua influência na estética 
contemporânea
Em tempos de “modernidade líquida”, o ciberespaço é seu meio natural. 
A palavra ciberespaço foi vista pela primeira vez em 1984, no romance de 
fi cção científi ca Neuromancer, escrito por Willian Gibson, a fi m de designar 
o universo das redes digitais que formavam as novas fronteiras econômicas e 
culturais. Nesse cenário, batalhas entre multinacionais e confl itos mundiais 
desenvolviam-se, e alguns personagens eram capazes de entrar fi sicamente 
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nesse espaço de dados para viver todos os tipos de aventura. O ciberespaço 
de Gibson tornou concreto o mundo móvel da informação — normalmente 
invisível. Assim, o termo foi adotado pelos criadores das redes digitais. Essa 
dimensão, que há menos de um século não passava de um sonho de fi cção, 
hoje atinge a todos de alguma maneira. Em pouco tempo, ela passou a ter uma 
infl uência inegável na vida de todos os seus frequentadores, que se tornaram 
personagens de um mundo virtual, com caminhos que se desdobram em um 
tecido labiríntico e abstrato. O ciberespaço é um meio que interage socialmente, 
por meio das possibilidades abertas pela codifi cação digital. 
As transformações tecnológicas das últimas décadas recriaram os con-
ceitos sobre espaço e hábitat que formam a base da arquitetura. A sinergia 
e a globalização criaram um mundo onde todos os eventos relacionam-se 
tecnologicamente nas redes sociais, nas plataformas de trabalho digitais, nos 
portais ou mesmo na troca de simples e-mails.
Segundo McLuhan (1974), as comunicações de massa são extensões dos 
mecanismos de percepção humana, enquanto imitadores de seus modos de 
compreensão e discernimento do mundo. Com o ciberespaço, não poderia 
ser diferente: o computador tornou-se uma extensão do corpo humano 
quando possibilitou ao ser humano acessar, habitar e transitar pelo cibe-
respaço, no qual passou a agir socialmente. O ciberespaço tornou-se objeto 
de fascínio, desejo e narcose: é o que o teórico chamou de extensão de nós 
mesmos. Assim, utilizar uma tecnologia como extensão de nós mesmos 
implica adotá-la. Fisiologicamente, quem a utiliza é modificado por ela, 
ao mesmo tempo em que passa a encontrar novas maneiras de modificar 
essa tecnologia. 
Paese (2015) considera que o que dá sentido ao ciberespaço são as comuni-
dades virtuais, que formam a megacomunidade protagonista do processo social 
de inteligência coletiva em que vivemos. Assim, esse novo meio possibilita 
colocar em sinergia e interfacear todos os dispositivos de criação, informação, 
gravação, comunicação e simulação das realidades existentes — basta que 
estejam conectadas em rede. Dessa maneira, a perspectiva da digitalização 
e conexão geral das informações tornou o ciberespaço o principal canal de 
comunicação e suporte de memória humana contemporânea. 
Os frequentadores do ciberespaço são personagens de um mundo onde 
os deslocamentos acontecem entre um ponto e outro na velocidade da luz 
e, portanto, em um tempo infinitamente menor do que no tempo físico. Na 
dimensão do ciberespaço, os limites e perímetros do espaço físico não existem. 
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O ponto de partida continua sendo o corpo físico do sujeito, que pode ser 
considerado um centro. Cada ponto virtual acessado é também o centro de 
um evento, que pode ser a ligação para vários outros que acontecem em um 
tecido labiríntico, o qual se desdobra por entre as múltiplas possibilidades de 
acessos, formando assim um imenso rizoma.
Lévy (1996) definiu esse processo como efeito Moebius: como acontece 
com a figura geométrica homônima, os lugares e tempos se confundem nas 
relações ciberespaciais, e as passagens do interior ao exterior (e vice-versa) 
não ficam claras. Em várias ocasiões, o privado e público se misturam, assim 
como o próprio e o comum, o subjetivo e o objetivo. 
O imprevisível é a regra nesse espaço intermediário entre matéria e infinito; 
porém, as possibilidades que a dimensão da hipermídia viabiliza somente são 
vislumbradas quando o sujeito toma consciência da existência da complemen-
taridade organizacional de opostos, comoo simples e o complexo, o rigor e a 
liberdade, a mobilidade e a imobilidade, a solidez e o abstrato. 
Os diferentes processos, tanto mentais, quanto corporais, agora também 
podem ser vividos nesse espaço multidimensional. As reações corporais 
ainda continuam individualizadas, apesar da interação propiciada pelos vários 
recursos de som e imagem, e o que existe são os intercâmbios de sensações. 
Paese (2015) compara o ciberespaço a um espelho do mundo físico de 
hoje. O jovem Narciso tomou o seu reflexo na água por outra pessoa, e a 
sua extensão embotou de tal maneira a sua consciência, que ele se tornou 
servomecânico da própria imagem. Ao lembrar o mito de Narciso, McLuhan 
(1974) chamou atenção ao fascínio que o homem tem por qualquer extensão 
de si mesmo, em qualquer material que não seja dele próprio. Ao tornar-se 
um servomecanismo de sua imagem prolongada no espelho, passando a 
ser um sistema fechado, o mundo ficou fascinado pelo ciberespaço: por 
ser um espaço em formação, lá é possível encontrar as primeiras tentativas 
dos mapeamentos territoriais que aconteciam com a Terra, antes de ela ser 
totalmente explorada e conhecida. Ao mesmo tempo, em termos sociais, as 
grandes organizações comerciais mundiais de hoje, as minorias, os bandos 
e as famílias lá estão representados. 
Como o ciberespaço, as cidades se tornam cada vez mais policêntri-
cas: é difícil saber quem imita quem. Nas periferias e zonas nobres (essas 
últimas cada vez mais muradas), as ilhas de habitação e serviços flutuam 
em um grande oceano, cada vez mais carente de identidade, que tende a se 
transformar em um grande vazio. Os habitantes urbanos pouco utilizam 
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as praças e ruas como espaços públicos. Os shoppings, postos de gasolina 
e, em alguns casos, as estações de transporte já os substituíram. Alguns 
parques privados, ou mesmo algum espaço vazio na periferia, talvez sirvam 
como uma zona pública de lazer, para proporcionar algum contato com a 
natureza. Provavelmente esses espaços vazios, sem identidade definida, já 
são consequências da cultura da hipermídia.
O virtual talvez possa ajudar a humanidade a continuar a cumprir o seu 
destino comum. Nessa era em que o bando retoma a sua importância por meio 
das comunidades virtuais e tribos urbanas, o trabalho sedentário se extingue, 
dando lugar à coleta de informações, lembrando o pescador e o caçador do 
paleolítico. O ciberespaço é o lugar dessa coleta abundante, no qual todas as 
informações estão disponíveis. O nômade que percorre esses caminhos pro-
vavelmente os considera bem mais interessantes do que os pontos de chegada 
e partida, como acontece na dimensão física. 
Podemos dizer que, com o advento do ciberespaço, a sociedade está se 
tornando cada vez mais nomádica. O ciberespaço foi o que extinguiu para 
sempre as distâncias entre continentes, mentes e conteúdos. Consequentemente, 
a cultura da informação globalizada, que interliga tempos, espaços e funções, 
coloca a especialização de funções em rota de extinção.
 Teoricamente, tudo funciona muito bem: hoje todas as pessoas têm acesso 
à multiplicidade cultural em lugares que nunca seriam acessados, se não 
houvesse o recurso da rede. Como já foi dito, existe outro lado da história: 
apesar da cultura globalizada, é necessário que haja cada vez mais cuidado 
com a preservação da diversidade cultural. O sedutor reino espetacular, junto 
com o lifestyle do consumo, está ao alcance em qualquer lugar do planeta, 
para quem puder comprar.
Carter (1997) analisa a importância de explorar as oportunidades ofere-
cidas com os novos recursos tecnológicos da informática e da comunicação, 
para ajudar no desenvolvimento urbano e na regeneração econômica de 
nossas cidades. Buscar maneiras de esses recursos se tornarem acessíveis 
democraticamente a todos os cidadãos é um dos cernes dessa questão. Na 
verdade, toda essa tecnologia só está à disposição de uma “aristocracia 
da informática”. 
Com o tempo, as ideias de McLuhan de interatividade e intercâmbio de 
culturas entre os povos por meio das novas mídias mostraram-se mais inte-
ressante do que verdadeiras. O que é visto na mídia é filtrado por quem capta 
as imagens a serem distribuídas pelos canais pagos, que chegam para quem 
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também pagou para ver. O que é de interesse é divulgado. É preciso tomar 
consciência de que, se não for encontrado um meio de todas as pessoas, de 
alguma maneira, terem acesso às novas estruturas da tecnologia e da infor-
mação e se beneficiarem delas, o resultado será o reforço e o aumento da 
fissura social, tendo a tecnologia como coadjuvante. A exclusão digital traz à 
luz, mais uma vez, os monstros que os nossos sistemas econômicos criaram: 
seres humanos que ficam à margem desse processo. 
O que é modernidade líquida?
Para Bauman (apud JUNIOR, 2016; ABRASUAMENTE1, 2012):
A modernidade imediata é “leve”, “líquida”, “f luida” e mais dinâmi-
ca que a modernidade “sólida” que suplantou. A passagem de uma 
a outra acarretou mudanças em todos os aspectos da vida humana. 
Nesta obra, o autor procura esclarecer como se deu essa transição 
e auxiliar o leitor a repensar os conceitos e esquemas cognitivos 
usados para descrever a experiência individual humana e sua his-
tória conjunta, fazendo uma análise das condições cambiantes da 
vida social e política.
Acesse os links a seguir para ver os conceitos de mundo líquido e outros valores 
contemporâneos definidos por Bauman:
https://goo.gl/P5N32l
https://goo.gl/Ogfu1k
Principais características do período
As manifestações estéticas contemporâneas rompem com os credos e as 
posturas modernistas, na quebra de fronteiras entre tempo e espaço, entre 
público e privado e entre paradigmas: hoje tudo o que está dentro está fora. 
Na arquitetura, podemos citar Robert Venturi, Peter Eisenmann, Bernard 
Tschumi e Frank Ghery; na música, John Cage e os happenings de Laurie 
Anderson; no cinema, David Linch e o seu Veludo Azul; nas artes, Bárbara 
A estética contemporânea e o panorama da indústria cultural6
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https://goo.gl/P5N32l
https://goo.gl/Ogfu1k
Kruger, que, segundo Barrett (2014), utiliza as estratégias linguísticas da 
propaganda comercial para transformar a arte socialmente crítica em cultura 
popular. A liquidez dos tempos está presente nas novas mídias, assim como 
na arquitetura efêmera e na cultura da performance, das raves e das tribos 
urbanas. Para Rizolli (2005), no contemporâneo, a estética dos escombros 
valoriza o abandono, os restos, os dejetos do pensamento e da matéria que a 
sociedade pós-industrial produz. As estéticas neoclassicizantes valorizam a 
arte popular, a beleza clássica, o fazer manual, enquanto as estéticas sensoriais 
recondicionam o sensível por meio da Land Art, da Body Art, da performance 
e dos novos meios.
As principais características da estética contemporânea 
na arquitetura e os seus paradigmas
Em termos de arquitetura, o pós-modernismo começou “ofi cialmente” em 
1972, com a demolição do conjunto habitacional de Pruitt-Igoe, em St. Louis 
(Missouri) — fato reconhecido como o marco do fracasso das concepções 
modernistas de habitação social. Nesbit (2013) considera que tal espetáculo de 
demolição deliberada de uma obra de arquitetura celebrada na sua inauguração 
serviu como um claro sinal de alerta para os arquitetos; apesar de a publicação 
do livro pós-moderno Complexidade e Contradição na Arquitetura, de Robert 
Venturi (1966), já ser considerada emblemática, em conjunto com a Arquitetura 
da Cidade, de Aldo Rossi. Em 1977, o crítico de arquitetura Charles Jencks 
publicou A Linguagem do Pós-Modernismo, na qual ele classifi cou o movi-
mento como um estilo dotado de certas características. O autor popularizoua expressão “pós-modernismo”, que, a partir da arquitetura, disseminou-se 
para as demais artes.
Mais tarde, em 1988, a primeira edição de Chora L Works é a obra que 
marca a integração — até então sem precedentes — entre as linguagens da 
arquitetura e da filosofia. O livro documenta a colaboração entre o arquiteto 
Peter Einseman e o filósofo da desconstrução Jacques Derrida, no projeto dos 
jardins do Parc de La Villette, em Paris, iniciada em 1985 (Figura 1).
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Figura 1. Projeto do Parc de La Villette, em Paris (França). O site 
do portal Archdaily mostra o projeto do parque em detalhes.
Fonte: Souza (2013).
Portanto, a principal característica é a coexistência de tendências estéticas 
contraditórias no contemporâneo. Em arquitetura, tal fenômeno se mostra 
para além da ruptura com os valores modernistas: trata-se de uma crise de 
sentido na disciplina. Para Nesbit (2013, p. 16): “[...] o pós-modernismo não é 
um estilo singular, mas, antes, a percepção de integrar um período marcado 
pelo pluralismo”. A autora de Uma Nova Agenda para a Arquitetura nomeia, 
em sua obra, os principais paradigmas estéticos da arquitetura contemporânea.
Fenomenologia
Destaca a questão estética fundamental do efeito que uma arquitetura produz 
no observador. A relação corporal e inconsciente com a arquitetura voltou a 
ser objeto de estudo para alguns teóricos, por meio da fenomenologia, que 
tomou o lugar do formalismo e preparou terreno para a estética contemporâ-
nea do sublime. A corrente fenomenológica tem como base o pensamento de 
Heidegger sobre arquitetura, expresso em sua obra Construir, habitar, pensar. 
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Norberg-Schultz interpreta o pensamento de Heidegger de habitar como 
estar “[...] em paz em um lugar protegido” (NESBIT, 2013, p. 32), concretizando 
assim o espaço existencial pela formação de lugares, onde a tectônica tem o 
seu papel na explicação do ambiente e da expressão de seu caráter. 
Pérez-Gomez afirma que uma arquitetura, para ter significado, requer 
uma dimensão metafísica que revele a presença do invisível no cotidiano. O 
sentido do invisível deve exprimir-se numa arquitetura simbólica (NESBIT, 
2013), sendo, portanto, prescritivo na representação.
Juhani Pallasmaa estuda a apreensão psíquica da arquitetura, buscando 
em uma “[...] arquitetura do silêncio” uma abertura de visão para a percepção 
dos sonhos, da imaginação e das vivências esquecidas (NESBIT, 2013, p. 33). 
Estética do sublime
É a principal categoria estética surgida no período pós-moderno, encontrada 
nos fundamentos das demais vertentes estéticas — principalmente na des-
construção. Tomando como modelo a psicanálise e a desconstrução, teóricos 
como Anthony Vadler sustentam que a melhor estratégia para revitalizar 
a arquitetura é desvendar os seus aspectos reprimidos, como o que Freud 
denominou de estranhamente familiares (uncanny), e os aspectos grotescos 
do sublime. O teórico afi rma que o grotesco desafi a o predomínio continuado 
do belo, que o reprime desde o Renascimento. 
Ao estudar a relação entre o belo e o sublime, Peter Eisenman constata que 
a beleza ressurge em oposição ao sublime (grotesco). O arquiteto propõe uma 
“[...] contenção dentro de si”, em vez da inversão da hierarquia vigente, de forma 
que o grotesco continue a reprimir o belo (NESBIT, 2013, p. 35). Portanto, a 
experiência espacial humana em arquiteturas dessa natureza depara-se com 
diálogos constantes entre o sublime e o belo.
Semiótica ou semiologia
Trata-se do estudo científi co da linguagem como sistema de signos, composta 
de duas dimensões: estrutural (sintática) e de signifi cação (semântica). Relações 
estruturais vinculam os signos e os seus componentes (signifi cante/signifi cado), 
e relações sintáticas se estabelecem entre os signos.
As aulas de semiologia proferidas por Ferdinand de Saussure, entre 1906 e 
1911, foram traduzidas para o inglês em 1959, fazendo renascer o interesse por 
sua obra. Foi o criador dos conceitos de significante e significado, cujas relações 
constituem os signos linguísticos. A sua principal contribuição foi o estudo 
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sincrônico da linguagem (seu uso correto) e a análise de suas inter-relações e 
partes construtivas (NESBIT, 2013). Em arquitetura, podemos ver essa teoria 
estética aplicada nas obras enfaticamente sintáticas de Peter Eisenman e na 
produção fortemente semântica de Michael Graves.
Estruturalismo
Explica os eventos pelas relações entre diferentes fenômenos culturais. Cons-
truído por linguagens que são formadas por relações signifi cativas entre signos 
arbitrários, considera que a verdadeira natureza das coisas está nas relações que 
construímos e percebemos entre elas. O estruturalismo focaliza os códigos, as 
convenções e os processos responsáveis pela maneira como uma obra produz 
um signifi cado socialmente inteligível. Como metodologia, ocupa-se das “[...] 
condições da signifi cação” da arquitetura (NESBIT, 2013, p. 37). 
Pós-estruturalismo
Derruba as fronteiras entre as ciências sociais, as artes e a fi losofi a, levantando 
duas questões fundamentais, pertinentes à arquitetura pós-moderna: a do esta-
tuto do sujeito como linguagem e a do estatuto da história e sua representação 
(NESBIT, 2013). O objetivo dos pós-estruturalistas é mostrar que a realidade 
é produzida e sustentada por suas representações. Nesbit (2013) toma como 
exemplo a história: em sua narrativa, sempre encontramos elementos subjetivos 
do narrador, tornando-a frequentemente próxima da fi cção. 
O movimento questiona ainda o status e o poder do sujeito como autor, 
em escritos como A morte do autor, de Roland Barthes (1968), e O que é um 
autor, de Michel Foucault (1969). Ambos afirmam que o “indivíduo autor” 
situa-se em um sistema de convenções que fala por seu intermédio, como 
se fosse alguém que tivesse a função de caracterizar o modo de existência, 
funcionamento e expressão de um discurso em determinada sociedade. “Quais 
são os modos de existência deste discurso? Onde tem sido usado, como circula 
e quem pode apropriar-se dele?” (NESBIT, 2013, p. 40).
Desconstrução
Questiona o logocentrismo, deslocando a sua análise para relações entre 
pares binários, como ausência/presença, ser/aparência, forma/conteúdo, 
com o objetivo de libertar a arquitetura dos conceitos até então construídos, 
mas sem a intenção de destruí-los. Desconstrução não é a destruição, e 
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sim a revisão de valores tidos como verdades absolutas até então. Para o 
fi lósofo Derrida, cuja obra é associada à desconstrução e à arquitetura, a 
desconstrução apresenta-se como retórica (oratória), pois “[...] nada está fora 
do texto” (DERRIDA, 1973). 
Esse movimento vê a arquitetura como acontecimento. Solis (2009) coloca 
que, para Derrida, a desconstrução não é um método, mas um conjunto de 
procedimentos, que levam a um acontecimento arquitetônico. Esses aconte-
cimentos são previamente assumidos pelo arquiteto, durante o ato projetual, 
como se o processo de projeto fosse uma narrativa textual que culminasse 
no objeto arquitetônico construído, aberto à marca do outro, pois, para a 
desconstrução, tudo o que está fora está dentro.
A definição do arquiteto Bernard Tschiumi sobre o objetivo da arquitetura 
é muito próxima à de Derrida: “[...] (realizar a construção das) condições que 
deslocarão os aspectos mais tradicionais e regressivos de nossa sociedade e 
simultaneamente reorganizarão esses elementos da forma mais libertadora 
possível” (apud NESBIT, 2013, p. 41).
A utilização desses padrõespela indústria cultural
Uma cultura começa a ser divulgada por veículos de comunicação com o 
objetivo de atingir um maior número de pessoas. Os valores éticos da pre-
servação de uma sociedade humana e inclusiva são deixados de lado, em 
troca de interesses econômicos: a industrialização da cultura, via meios de 
comunicação, transforma valores e hábitos, enquanto cria necessidades inúteis. 
Segundo Adorno (1970), o que caracteriza a indústria cultural é a comer-
cialização de suas mercadorias visando deliberadamente o lucro. Por sua vez, 
a pós-modernidade é um fenômeno cultural no qual o diferente, o diverso 
e o específico estão presentes como uma contínua mudança desses tempos 
líquidos. Portanto, a relação entre as expressões estéticas contemporâneas e a 
indústria cultural tem como característica principal o consumo descartável de 
toda e qualquer manifestação estética: o que ontem era considerado à margem 
da sociedade, hoje se transforma em espetáculo. 
A busca pelo reconhecimento perante a sociedade tem feito com que as pes-
soas consumam desmedidamente os produtos ofertados pela indústria cultural. 
Isso se dá, entre outros fatores, pela constante evolução e pelo aprimoramento 
de tecnologias de comunicação, que possibilitam a circulação de informações 
de forma rápida e abrangente. A difusão de valores estéticos realizada pelas 
mídias — e em especial pela TV aberta — torna-se essencial para o sustento 
11A estética contemporânea e o panorama da indústria cultural
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da mercadoria descartável, que faz com que o indivíduo, na necessidade de 
ser reconhecido como parte de um todo, frequentemente absorva tais valores 
sem questionamentos. 
A indústria cultural vem se estabelecendo a partir do processo da industrialização, com 
a preocupação de atingir o maior público e, com isso, buscar o máximo de lucro. Para 
tal, serve-se dos meios de comunicação de massa e da cultura de massa. A lógica é 
oferecer uma produção cultural fácil de agradar à maioria dos consumidores, fazendo 
com que se adaptem e consumam rapidamente a cultura imposta. 
Assista ao vídeo O que é indústria cultural? Por Theodor Adorno e Max Horkheimer, 
disponível no link a seguir
https://goo.gl/7nMEfc
A indústria cultural na arquitetura
A arquitetura pós-moderna, ao mesmo tempo em que rompeu com os pre-
ceitos da arquitetura moderna e os substituiu pelo conceito de diversidade 
estética e cultural, estreitou ainda mais os vínculos entre a produção ar-
quitetônica e o mercado cultural. Embora sustentada por um discurso de 
revalorização das culturas locais, a arquitetura contemporânea carece de 
comprometimento ético, quando comunga com o ecletismo descompromis-
sado e utiliza o pastiche histórico e/ou a alta tecnologia sem comprometimento 
com a qualidade fi nal. 
Tal arquitetura — que assim serve ao mercado — converte-se em pro-
duto de consumo e passa a ser objeto de fetiche. Segundo Alves (2006), a 
produção arquitetônica encontra-se agora inserida na dinâmica da indústria 
cultural global (Figura 2), cuja manipulação ideológica das massas assume 
o caráter transnacional. Nesse sentido, seja por meio da construção de 
cenários ou assumindo o lugar de suporte da vasta simbologia que sustenta 
a lógica do consumo, essa produção arquitetônica tem apresentado uma 
posição estratégica, na medida em que é capaz de fornecer modelos de 
comportamento, padrões estéticos, modos de vida “adequados” e vendáveis 
ao mundo todo.
A estética contemporânea e o panorama da indústria cultural12
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https://goo.gl/7nMEfc
Figura 2. Indústria cultural global.
Fonte: Leite (2015).
1. As principais influências do 
pensamento pós-moderno são 
dos filósofos estruturalistas e dos 
pós- estruturalistas. A principal 
característica do pensamento 
pós-estruturalista é:
a) afirmar que a interpretação 
de signos, imagens e sistemas 
de significação explicam 
os fenômenos sociais.
b) derrubar as fronteiras entre 
as ciências sociais, as artes 
e a filosofia para explicar 
os fenômenos culturais.
c) acreditar que a cultura de uma 
sociedade se organiza por 
meio dos fenômenos sociais.
d) valorizar a transdisciplinaridade, 
mostrando que a cultura de 
uma sociedade se organiza pela 
interpretação de signos, imagens 
e sistemas de significação 
traduzidos em uma linguagem.
e) explicar os fenômenos sociais 
pelas relações entre diferentes 
fenômenos culturais.
2. A pós-modernidade é, antes de 
tudo, um fenômeno cultural. Ela 
reconhece a mudança geral na 
condição humana desses tempos, 
que abrange os mais diversos 
setores da vida. As expressões 
estéticas contemporâneas, como 
as obras de arte, a arquitetura, 
o cinema, a literatura e as novas 
mídias, levam em conta:
a) a identificação e a valorização do 
diferente, do diverso, do específico 
e das diferentes origens sociais e 
econômicas, invocando o sublime.
b) a identificação e a valorização 
do belo como expressão de 
linguagem da sociedade culta.
c) o rompimento com os credos 
e as posturas diferentes, 
respeitando paradigmas.
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d) a condição humana privilegiada.
e) a beleza das relações entre 
diferentes fenômenos culturais.
3. A principal característica do 
contemporâneo é a coexistência de 
tendências estéticas contraditórias. 
Nesse sentido, a estética do 
sublime é considerada a principal 
categoria estética, pois:
a) uma arquitetura, para ter 
significado, requer uma 
dimensão metafísica que 
revele a presença do 
invisível no cotidiano.
b) é encontrada nos fundamentos 
das demais vertentes 
estéticas, principalmente 
na desconstrução.
c) trata da sublime destruição 
dos paradigmas arquitetônicos 
modernistas.
d) a sua principal contribuição foi o 
estudo sincrônico da linguagem.
e) a melhor estratégia para 
revitalizar a arquitetura é 
desvendar a sua beleza.
4. A arquitetura pós-moderna 
rompeu com os preceitos 
da arquitetura moderna e os 
substituiu pelo conceito de 
diversidade estética e cultural, 
bem como estreitou ainda mais 
os vínculos entre a produção 
arquitetônica e o mercado 
cultural. Embora sustentada por 
um discurso de revalorização 
das culturas locais, a arquitetura 
contemporânea carece de:
a) comprometimento com 
o mercado, pois valoriza 
antes de tudo a diversidade 
de seus consumidores.
b) comprometimento com 
a diversidade, quando 
comunga com os preceitos 
históricos elitistas.
c) comprometimento ético, 
quando comunga com o 
ecletismo descompromissado 
e utiliza o pastiche histórico 
e/ou a alta tecnologia, 
sem comprometimento 
com a qualidade final.
d) comprometimento com a 
dinâmica da indústria cultural 
global, cuja manipulação 
ideológica das massas assume 
o caráter transnacional.
e) comprometimento com a 
difusão de valores estéticos 
realizada pelas mídias e, em 
especial, pela TV aberta.
5. Para Derrida, a desconstrução é 
um conjunto de procedimentos 
que levam a um acontecimento 
arquitetônico, os quais são 
previamente assumidos pelo 
arquiteto durante o ato projetual. 
Para a desconstrução, tudo o que 
está fora está dentro e, portanto, 
ela vê a arquitetura como:
a) fenômeno.
b) estrutura.
c) produto da indústria cultural.
d) acontecimento.
e) sintática e semântica.
A estética contemporânea e o panorama da indústria cultural14
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https://www.youtube.com/watch?v=i_
https://www.youtube.com/watch?v=Rx91qvuWsks
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esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.

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