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VÁRIAS HISTÓRIAS (1896), DE MACHADO DE ASSIS 
 
VÁRIAS HISTÓRIAS (1896) 
 
O livro selecionado pela UFRGS como leitura obrigatória para o vestibular 
2023 é o terceiro livro de contos da fase realista de Machado. Nele, há histórias que 
adentram em várias coletâneas de narrativas curtas do autor, como, por exemplo, o 
conto que abre o livro, A Cartomante. Em Várias Histórias, Machado esquadrinha as 
atitudes humanas, distanciando-se da ideia pedagógica. Aliás, a força da sua 
literatura está justamente em sugerir, não explicar. Assim, Machado entrega ao leitor 
a oportunidade de investigar temas como vaidade, obsessão, perversidade, adultério, 
entre outros. Seu pessimismo diante do caminho que a humanidade segue, faz-se 
presente em grande parte dos contos de Várias Histórias. Esse pessimismo é 
construído sempre com certo grau de prazer sarcástico na análise dos equívocos dos 
personagens. Esse contentamento machadiano em cima do sofrimento do outro, 
Olavo Bilac definiu como “espetáculo das torturas alheias”. Abaixo, o resumo das 
curtas, mas profundas histórias desse que é um dos melhores livros escrito por 
Machado. 
 
SOBRE O AUTOR 
 
Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no ano de 1839. Filho de um pintor 
de paredes e de uma imigrante portuguesa, Maria Leopoldina, criou-se no Morro do 
Livramento, realizando em uma escola pública em São Cristóvão os seus primeiros 
estudos. Tornou-se amigo de um padre, Silveira Sarmento, auxiliando-o nas missas, e, 
assim, conhecendo a língua latina. Aos dez anos, sua mãe morreu e Machado mudou-
se com seu pai para São Cristóvão. Em 1854, seu pai casou-se novamente com uma 
doceira, Maria Inês da Silva. Ainda adolescente, Machado já se arriscava escrevendo 
alguns versos. Aos 15 anos, Machado é empregado por Manuel Antônio de Almeida, 
autor de Memórias de um Sargento de Milícias, na Tipografia Nacional. O fato era 
surpreendente, pois em um país escravagista, Machado fora empregado mesmo 
sendo mestiço. Aos 16 anos, um poema seu, Ela, será publicado no jornal Marmota 
Fluminense. Depois disso, nunca mais parou de publicar e se aproximar de 
intelectuais e políticos cariocas. Em 1864, publicou seu primeiro livro, Crisálidas, de 
poesia. Casou-se com Carolina Xavier de Novais em 1869. Entre romances, contos, 
poemas, peças de teatro e contribuições críticas para a literatura, em 1881, Machado 
publica Memórias Póstumas de Brás Cubas e inicia sua fase madura, inaugurando o 
Realismo brasileiro. A partir daí, Machado empilhou uma série de criações que 
modificaram profundamente a história da literatura nacional, vindo a ser considerado 
por grande parte da crítica o maior escritor da história do país. Machado muitas vezes 
foi descrito como alguém de saúde frágil, visto que sofria com epilepsias e outros 
problemas menores. No entanto, em 1908, em sua casa no Cosme Velho, Machado 
 
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acabou falecendo, provavelmente devido a um agravamento de uma úlcera 
cancerosa na boca. 
 
RESUMO DE VÁRIAS HISTÓRIAS (1896), DE MACHADO DE ASSIS 
 
A CARTOMANTE 
 
Narrado em 3ª pessoa, o conto inicia com um diálogo entre dois 
personagens, Rita e Camilo. A moça conta que havia ido fazer uma consulta a uma 
cartomante, pois andava insegura na relação e queria descobrir se um dia seria 
abandonada. Camilo, embora lisonjeado pela preocupação de Rita, desdenha da 
superstição envolvendo a cartomancia. Rita, sem saber, parafraseia o personagem 
Hamlet de William Shakespeare: “havia muita coisa misteriosa e verdadeira neste 
mundo”. 
 Em seguida, o narrador nos informa de outro personagem importante para a 
trama: Vilela. Amigo de infância de Camilo, Vilela havia partido pra província onde 
exercera a magistratura. Lá havia se casado com uma mulher “formosa e tonta”. 
Quando retornou para a capital, Vilela, Camilo e sua esposa tornaram-se íntimos. Aos 
poucos, Camilo e a esposa de Vilela passaram a se gostar além da amizade. Logo 
ficamos cientes que a esposa de Vilela era a personagem já citada: Rita. 
 A situação se torna muito incômoda para Camilo após receber uma carta 
anônimo, que lhe atribuía a categoria de traidor do amigo, além de deixar explícito 
que muita gente já estava à parte da situação. Camilo começa a diminuir as visitas ao 
amigo Vilela. O narrador nos conta que Rita, então, havia ido à cartomante nessa 
época, pois, como já explicado, sentia medo de perder Camilo. A cartomante acalmou 
Rita, dizendo que não corria o risco de perder seu amado. Ainda assim, as cartas 
anônimas seguem sendo enviadas, deixando Camilo e Rita nervosos com o medo de 
Vilela ficar sabendo do romance clandestino. 
 Um dia, Camilo recebe uma carta de Vilela com os seguintes dizeres: “Vem 
já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora”. O nervosismo toma conta de 
Camilo, que se dirige à casa do amigo com medo da descoberta ter se concretizado. 
Aliás, Camilo teme ser assassinado pelo amigo. No caminho, passa pela casa da 
cartomante que Rita havia consultado. O medo faz com que Camilo busque o 
caminho da adivinhação e resolve sondar o que as cartas dizem. A cartomante 
adivinha o motivo de ele ter aparecido e o acalma: “Nada aconteceria nem a um nem 
a outro; ele, o terceiro, ignorava tudo”. Ainda assim, recomendou muita cautela, pois 
havia muita inveja em torno dele e de Rita. Por fim, Camilo pagou um valor acima do 
comum pela consulta e saiu mais tranquilo em direção à casa de Vilela. 
 No caminho, Camilo pensa, inclusive, em retomar as visitas ao amigo com 
mais frequência. Se a cartomante havia adivinhado que ele tinha um caso com a 
mulher de Vilela, seria bem possível que a leitura das cartas, de fato, estivesse 
correta e que nada aconteceria com ele e Rita. Finalmente, estava diante da casa de 
 
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Vilela, que o recebe com um ar transtornado e em silêncio. Quando Camilo chega em 
uma sala interna, não consegue segurar um grito de horror diante da imagem de Rita 
ensanguentada e morta. Então, Vilela o segura pela gola e dispara dois tiros, 
deixando Camilo morto no chão. 
 
ENTRE SANTOS 
 
 Narrado em 1ª pessoa por um padre ancião, a narrativa gira em torno de um 
evento passado em sua época de capelão. O padre nos conta que, em uma noite, 
quando se recolhia pra dormir, fez, como de costume, a verificação do fechamento 
das portas da igreja. Extraordinariamente, percebeu que havia uma luz incomum por 
baixo das portas. Tenso, resolveu verificar o que se passava. O medo tomou conta do 
jovem sacerdote, principalmente de encontrar algum tipo de ladrão. Depois, sentiu 
certo receio dos espíritos, pois, na época, os cadáveres eram sepultados dentro da 
igreja. A tensão vai crescendo cada vez que o padre adentra mais na igreja. De 
repente, começa a escutar vozes, ainda que não consiga compreender o teor das 
conversas. Percebe que a luz e o som têm origem no centro da igreja. Benze-se e 
adentra no local. Então, encontra uma cena que jamais esquecerá: alguns santos 
haviam descido de seus nichos para conversar. Suas proporções não mantinham o 
tamanho escultural: tinham tamanho de homens. 
 São José, São Miguel, São João Batista e São Francisco Sales falavam 
rodeados pela luz misteriosa que parecia vir de parte alguma. Completamente 
assustado, o narrador encontra um dos poucos locais escuros e resolve se refugiar ali 
para escutar mais atentamente o diálogo. Entende, então, que os santos tinham a 
plena capacidade de adentrar na alma e nos pensamentos dos fiéis. Por isso, São José 
andava muito descrente dos frequentadores da igreja. São Francisco Sales, por sua 
vez, contradiz São José ao afirmar que, naquele mesmo dia, teve um bom exemplo da 
bondade que ainda habita nos homens. Todos os santos, incluindo o narrador espião, 
resolvem prestar atenção na história. 
 São Francisco Sales diz que um fiel com seu mesmo nome, Sales, apareceu 
na igreja clamando por uma intervenção na situação de sua mulher. A consorte 
encontrava-se em um estado de saúde grave, sendo a morte um evento iminente. 
Acontece que ninguém acredita na tristeza de Sales, poisele só pensava em dinheiro. 
São Francisco não nega que o fiel fosse avaro e usurário, mas acreditou em seu 
sofrimento e no amor pela mulher enferma. A primeira prova estava no primeiro 
pensamento do fiel: caso curasse a sua esposa, São Francisco Sales receberia uma 
perna de cera. No entanto, a promessa não era nunca concretizada, pois, no 
momento de efetuá-la, a imagem da perna surgia ao lado da quantia de dinheiro que 
seria gasto nessa recompensa. 
 A primeira tentativa de pedido de intervenção a São Francisco Sales não saiu 
da boca do marido sofrido pavor de pensar no valor de uma mísera perna de cera. 
Porém, a ideia de que sua mulher poderia estar naquele momento expirando de vez, 
 
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fez o homem se precipitar: “que lhe salvasse a mulher, e prometia-me trezentos, - 
não menos, - trezentos padre-nossos e trezentas ave-marias”. De repente, subiu o 
número para quinhentos. Um pouco depois, chegou a mil padre-nossos e mil ave-
marias. O que mais chamou atenção nessa promessa é que ele via a imagem da 
quantia em algarismos e repetia sem cessar: “mil, mil, mil, mil...”. Francisco Sales, 
então, diz aos santos que eles estão autorizados a rir. Consequentemente todos 
acabam a história sorrindo. O narrador, por sua vez, no fim da história, acabou caindo 
no chão e acordando somente no outro dia para abrir novamente a igreja. 
 
UNS BRAÇOS 
 
 Narrado em 3ª pessoa, o conto aborda a história envolvendo Inácio, um 
menino de 15 anos, que o pai havia colocado para ser auxiliar do autoritário 
solicitador Borges com a esperança de um dia ver o filho trabalhando no foro. Nos 
intervalos para as refeições, Inácio se juntava ao patrão e sua esposa, Dona Severina. 
À noite, dormia em um quarto na casa do patrão. Desde sempre, o menino não 
conseguia deixar de notar que Dona Severina trazia sempre os braços à mostra, o que 
causava certos pensamentos eróticos em Inácio. 
 Inácio tomava cuidado para não se mostrar interessado por aqueles braços, 
pois, além de não querer ser desrespeitoso com Dona Severina, temia o raivoso 
patrão. No entanto, certa feita, Dona Severina notou os olhares do auxiliar de seu 
marido. Primeiramente, resolveu tratar de forma ainda mais fria o garoto, mas depois 
passou a ter umas atitudes mais atenciosas e meigas, causando certa agitação em 
Inácio: não conseguia mais tirar aquela senhora de seu pensamento. Incomodado 
com a situação, Inácio resolveu ir embora da casa de Borges pra nunca mais voltar, 
mas não conseguia cumprir com esse desejo. 
Em uma tarde de domingo, Inácio, cansado da vida, resolveu esticar-se na 
rede e acabou dormindo. Dona Severina foi até o quarto do rapaz e, vendo o menino 
dormir, sentiu uma excitação. Encantada, fitou Inácio por um certo tempo. O 
narrador, então, lamenta o fato de que não possamos ver os sonhos uns dos outros, 
pois, se isso fosse possível, Dona Severina teria visto que o menino sonhava 
exatamente com a imagem dela vendo-o dormir ali na rede, pegando as mãos jovens 
do rapaz e colocando em seu peito até que tocasse sua boca nos lábios de Inácio em 
um beijo proibido. 
O sonho de Inácio, de forma extraordinária, havia coincidido com a 
realidade. Dona Severina, depois do ocorrido, transformou-se em uma pessoa 
preocupada. Temia que o menino não estivesse dormindo quando resolveu lhe beijar. 
À noite, quando Inácio acordou, juntou-se ao casal para jantar e reparou que, pela 
primeira vez, Dona Severina usava um xale cobrindo os braços. O clima da casa estava 
diferente, alguma coisa havia acontecido naquele domingo, mas o garoto não sabia 
dizer. No sábado seguinte, Borges chamou Inácio e comunicou que ele estava 
 
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despedido. Ainda que não fique evidente, tudo indica que seu desligamento do 
serviço foi realizado por influência de Dona Severina. 
 
UM HOMEM CÉLEBRE 
 
 Narrado em 3ª pessoa, o conto aborda a história de Pestana, um pianista 
compositor de músicas de ritmos populares. Por onde passa, Pestana se sente 
incomodado ao ser aclamado por fãs, escutar pessoas assoviando a melodia de suas 
quadrilhas, polcas etc. As pinturas que decoram a casa de Pestana, em parte, 
explicam a irritabilidade com seu sucesso como músico popular: pelas paredes, há 
retratos de Beethoven, Mozart, Bach, Schumann, entre outros. Por isso, podemos 
concluir que, embora seja um aclamado compositor de música popular, seu apreço se 
dá pela música erudita. Seu sonho é compor sonatas, suítes, tocatas ou algo parecido, 
que tenha valor fora do âmbito popular. Para isso, insiste diariamente em sentar-se 
ao piano à espera da criatividade, mas sem sucesso. 
 Em contraste à resistência criativa para as músicas consideradas elevadas 
por ele, quando Pestana se sentava ao piano, as polcas, como Senhora Dona, Guarde 
o Seu Balaio, título dado pelo editor de todas suas polcas, saiam facilmente e logo 
faziam um tremendo sucesso. Pestana não conseguia ficar por muito tempo 
contente, logo pegava um ódio de si mesmo, da sua falta de capacidade para a arte 
clássica: “- As polcas que vão para o inferno fazer dançar o diabo, disse ele um dia, de 
madrugada, ao deitar-se”. Certo feita, resolveu se casar com Maria, uma viúva de 
vinte e sete anos, que era cantora e tísica. Por trás desse seu ato, estava a crença de 
que seu celibato era o responsável pela falta de capacidade criativa para as “obras 
sérias” 
 Logo nos primeiros dias após o casamento, Pestana resolveu compor um 
noturno que se intitularia Ave, Maria. O processo de criação é acompanhado pela 
esposa, que, chamada pelo marido para ouvir sua composição, indaga: “- Acaba, disse 
Maria, não é Chopin?”. Pestana havia sido traído pela memória. Acreditou, como em 
outras vezes, ter criado algo que já existia. Triste, pensa até mesmo em cometer 
suicídio. No entanto, desistiu da morte e continuou, escondido da mulher, compondo 
polcas publicadas, agora, com pseudônimos, enquanto as tosses de Maria pioravam. 
Em uma noite de natal, Maria morre nos braços do marido desesperado. A dor 
aumenta, pois, na casa ao lado, uma festa acontecia ao som das polcas de Pestana. 
 Agora viúvo, Pestana toma uma decisão: iria compor um Réquiem no 
primeiro aniversário de morte de Maria e depois abandonaria a “arte assassina e 
surda”. A missão não é realizada, mesmo que sua dedicação tenha sido descomunal. 
Dois anos depois da morte da esposa, o editor de suas polcas resolve fazer um novo 
contrato para que o compositor retome suas criações: vinte polcas durante doze 
meses, mas com uma porcentagem maior na venda. Pestana aceita e se consolida 
como o maior compositor de polcas, “mas o primeiro lugar da aldeia não contentava 
 
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a este César, que continuava a preferir-lhe, não o segundo, mas o centésimo em 
Roma”. 
 No mesmo ano que assinou o contrato com o editor, Pestana contraiu uma 
febre, que, aos poucos, foi evoluindo. O editor, que não sabia da doença, certa feita, 
foi à casa do músico cobrar-lhe o trabalho firmado. Quando percebeu a situação, não 
quis cobrar música alguma, mas Pestana insistiu e soube do que se tratava. O editor 
estava ali para pedir uma polca em alusão à subida dos conservadores ao poder. 
Pestana, que nunca fizera uma única brincadeira em sua vida, disparou de forma 
sarcástica: “Olhe, como é provável que eu morra por estes dias, faço-lhe logo duas 
polcas; a outra servirá para quando subirem os liberais”. Na madrugada seguinte, 
Pestana, que viu durante a vida inteira sua ambição perder para a vocação, acabou 
falecendo. 
 
A DESEJADA DAS GENTES 
 
 A narração apresenta estrutura de diálogo, recorrente em alguns contos do 
autor. Em A Desejada das Gentes, um conselheiro conta a um amigo a sua história 
com uma moça de nome Quintília. Inicia lembrando que a moça morreu em 1855 
quando tinha cerca de trinta anos. Quintília era uma mulher que chamava muita 
atenção pela beleza, riqueza e elegância. No entanto, era considerada uma fortaleza, 
pois muitos apaixonados tentaram cortejá-la, mas sem sucesso. Foi então que João 
Nóbrega, um amigo do conselheiro, propôsuma tentativa de assalto à fortaleza. 
Iniciaram de forma amigável a experiência de conquistar Quintília, mas, enfeitiçados 
pelo poder da moça, acabaram brigando um mês depois. Logo depois da briga, 
Nóbrega partiu a trabalho para os sertões da Bahia, onde morreu como um Werther, 
completamente apaixonado. 
 O conselheiro seguiu suas tentativas de conquista, mas sentia muito ciúmes 
de tantos pretendentes. Ainda assim, sentia que ela lhe dava preferência. Suas 
investidas não pareciam vãs, pois, volta e meia, a moça parecia amolecer o coração 
diante do conselheiro. Quando um tio muito querido de Quintília faleceu, o 
conselheiro viu no triste ocorrido muitas semelhanças com a morte de seu pai e, por 
isso, padeceu muito. Quintília notou e entendeu o duplo motivo da tristeza do 
conselheiro. Após esse episódio, acreditando que o momento havia chegado, o 
conselheiro fez o pedido de casamento a Quintília. A resposta da moça foi negativa, 
pois não via motivos para modificar a relação que era amizade, além de se sentir 
velha. A conversa prosseguiu e o conselheiro resolveu contar da sua briga com seu 
falecido amigo Nóbrega. Quintília escutou tudo e lamentou o ocorrido, dizendo não 
ter valido a pena o conflito. 
 Tempos depois, o conselheiro recebeu uma carta de Quintília, querendo 
reestabelecer o contato. A esperança de casar com a moça surgiu novamente no 
coração do conselheiro. Eis que Quintília adoeceu e teve a companhia do fiel 
conselheiro sempre ao lado de seu leito. A intimidade ia crescendo cada vez mais 
 
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justamente nesse momento dramático. Certa da sua morte, Quintília resolveu ceder e 
informou o conselheiro que aceitava o casamento. Dois dias depois, logo após o 
casamento no leito de morte, Quintília faleceu. O primeiro abraço de casados ocorreu 
em um momento em que a moça já havia se tornado um cadáver. Por fim, o 
conselheiro conclui que, muito provavelmente, Quintília tinha uma aversão física ao 
casamento, pois isso se casou meio defunta. 
 
A CAUSA SECRETA 
 
Narrado em 3ª pessoa, a história aborda a relação de um jovem médico 
chamado Garcia com um casal composto por Fortunato e Maria Luísa. Quando ainda 
era estudante de Medicina, Garcia viu seu vizinho, Gouvêa, que havia sido 
esfaqueado por capoeiras, ser auxiliado por um capitalista benevolente. Esse 
capitalista era Fortunato, que se prestou a levar amparar Gouvêa, levá-lo pra casa e 
chamar um médico. Após o ocorrido, Garcia, que já conhecia Fortunato de vista, ficou 
extremamente curioso para entender melhor quem era Fortunato. Esse interesse se 
deu porque seu vizinho Gouvêa, após melhorar, dirigiu-se a Catumbi para agradecer 
Fortunato. O capitalista recebeu Gouvêa e ouviu com ar de entediado. Por fim, para 
mortificar de vez Gouvêa, ainda disse sorrindo: “- Cuidado com os capoeiras”. 
Tempos depois, já formado, Garcia encontrou Fortunato na rua. Os dois 
conversaram brevemente. Por fim, Fortunato convidou o mais novo médico a jantar 
em sua casa. No dia combinado, Garcia conheceu Maria Luísa, esposa de Fortunato. A 
diferença de personalidade entre marido e esposa, chamou a atenção de Fortunato: 
enquanto o capitalista apresentava um ar sempre frio, Maria Luísa era delicada e 
bela. Nessa mesma noite, Fortunato propôs abrir uma casa de saúde. Garcia, sem 
saber como agir, acabou recusando, mas Fortunato tinha o traço da obsessão em sua 
personalidade e acabou investindo nessa empreitada. Maria Luísa, uma mulher frágil 
e nervosa, não pode esconder o descontentamento de saber que o marido estaria, a 
partir daquele momento, em contato direto com enfermidades humanas. 
Fortunato passou a ter uma dedicação extraordinária com os enfermos de 
sua clínica. Maria Luísa, por sua vez, passou a desenvolver um aspecto mais triste e 
enfermiço. Garcia, desde que iniciou os trabalhos na clínica de Fortunato, tornou-se 
um frequentador assíduo da casa do casal. Dessa forma, apaixonou-se de forma 
profunda e calada por Maria Luísa. Fortunato não percebeu nada disso. Sua obsessão 
em estudar doenças e tratamentos, em uma tentativa de auxiliar os médicos, fez com 
que sua esposa fosse se tornando cada vez mais frágil. Inclusive, certa feita, 
Fortunato iniciou estudos de anatomia e passou a envenenar cães e gatos. Maria 
Luísa pediu para Garcia interceder. Prontamente, os estudos cessaram. 
Certa noite, Garcia foi jantar com o casal. Assim que chegou, viu Maria Luísa 
extremamente nervosa fugindo do gabinete de Fortunato. Garcia se aproximou do 
local e assistiu estarrecido Fortunato torturar um rato em cima de uma espiriteira. 
Seu sadismo era visível em seu rosto cada vez que cortava uma a uma as patas do 
 
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animal, o focinho, até que, finalmente, acabou com aquele horror ao lançar o roedor 
dentro das chamas. Garcia concluiu prontamente que Fortunato castigava pelo prazer 
perverso de ver a dor alheia. A cena pavorosa tocou profundamente a alma de Maria 
Luísa, que havia adquirido uma tosse frequente. 
Garcia, ao assistir o padecimento de Maria Luísa, concluiu que sua paixão 
platônica estava desenvolvendo alguma doença pela convivência com o marido. Logo 
veio um diagnóstico: Maria Luísa estava com uma doença tísica. O empenho do 
marido para reverter o quadro foi em vão. Maria Luísa acabou falecendo 
rapidamente. No velório, Garcia, em um determinado momento, ficou sozinho com o 
cadáver, enquanto Fortunato descansava em cômodo ao lado. Quando acordou, 
dirigiu-se novamente à sala, mas estacou na porta, pois deparou-se com Garcia 
contemplando profundamente o rosto de Maria Luísa. Calado viu mais: o médico, 
extremamente emocionado, entre lágrimas, tirou o véu da defunta e beijou-lhe a 
testa. Fortunato pensou em um caso adúltero em que ele seria a vítima, mas, mesmo 
assim, não se indignou: “à porta, onde ficara, saboreou tranquilo essa explosão de 
dor moral que foi longa, muito longa, deliciosamente longa”. 
 
TRIO EM LÁ MENOR 
 
O conto presente é narrado em 3ª pessoa e é dividido em quatro 
movimentos musicais. A primeira parte chama-se Adagio Cantabile (referência a um 
andamento musical lento) e apresenta Maria Regina, uma jovem moça que morava 
com sua avó e era considerada esquisita e desmiolada pelas amigas de colégio. Sua 
característica principal era ser sensual e cobiçosa. A parte inicial do conto foca 
justamente nas lembranças da jovem acerca da visita de Maciel (27 anos) e Miranda 
(50 anos). Cada um tinha suas qualidades segundo Maria Regina. Ambos cortejavam a 
moça. Em meio à conversação, Maria Regina executou uma sonata, que fez a avó 
cochilar. 
A segunda parte intitula-se Allegro Ma Non Troppo (referência a um 
movimento musical razoavelmente mais rápido). Nela, Maria Regina e sua avó, que 
haviam visitado uma amiga na Tijuca, retornavam para casa quando uma criança 
quase foi atropelada pelos cavalos da carruagem que as conduzia. A sorte dessa 
criança é que havia um herói por perto, que se atirou, arriscando sua vida, para salvá-
la. Esse herói era Maciel. Maria Regina e sua avó admiraram muito a atitude do moço 
e o convidaram a jantar. Na janta, em meio às falas de admiração tanto da avó como 
da neta, Maria Regina olhava apaixonada para Maciel. 
A terceira parte leva o título de Allegro Appassionato (referência a um 
movimento musical leve e ligeiro). Aqui, o jantar com Maciel é pormenorizado. As 
conversas banais entre o mancebo e a avó de Maria Regina fluem naturalmente até 
que Maciel resolve ir embora. Quando está saindo, chega Miranda. Nota-se a 
diferença de idade entre ambos. Miranda é marcado por rugas e por uma 
consequente expressão cansada. Ainda assim, combina muito com Maria Regina, pois 
 
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ama música. Inclusive, Maria Regina encerra a noite sentada ao piano para executar 
uma sonata, um sonífero para a avó. 
A quarta e última parte chama-se Minueto (referência a esse tipo de dança 
graciosa, como a valsa, de compasso ternário). Aos poucos, Maciel e Miranda 
passaram a se odiar. A falta de decisão de Maria Regina levou os dois namorados aodiarem também a situação. Assim, aos poucos foram abandonando Maria Regina. 
No dia em que percebeu que havia perdido os dois, a jovem havia lido que existem 
estrelas duplas, que parecem apenas uma. Como não viu nenhuma no céu nublado 
da noite, pôs-se a pensar nessas duas estrelas. Ficou encantada com elas separadas, 
mas ainda mais com elas juntas formando um único astro. Dormiu pensando nessas 
estrelas e sonhou que morria. No sonho, uma voz surgia dizendo: “- É a tua pena, 
alma curiosa de perfeição, a tua pena é oscilar por toda a eternidade entre dois 
astros incompletos, ao som dessa velha sonata do absoluto: lá, lá, lá...”. 
 
ADÃO E EVA 
 
 A história é narrada em 3ª pessoa e se passa na Bahia do século XVIII. Uma 
senhora de engenho, Dona Leonor, anuncia à mesa, em meio aos convidados, a um 
certo doce. Um homem guloso quer logo saber do que se trata. Assim, inicia-se uma 
discussão acerca da responsabilidade da perda do paraíso. Quem seria o culpado: 
Adão ou Eva? Todos davam sua opinião. As mulheres acusavam Adão e os homens 
Eva. O juiz de fora, Sr. Veloso, e Frei Bento eram os únicos que se mantinham quietos 
na discussão. 
 Após um silêncio, o juiz de fora resolve falar. Inicia dizendo que sabe a 
versão original. Começa, para espanto de todos, dizendo que fora o Diabo quem criou 
o mundo. Deus, nesse caso, tem apenas o trabalho de atenuar a obra. Segue 
exemplificando: no primeiro dia, o Tinhoso criou as trevas e Deus a luz. O sexto dia 
apresenta uma informação muito importante para a tese do Sr. Veloso: no sexto dia 
foi criado o homem, mas somente com maus instintos. Deus, então, infundiu-lhes a 
alma. Então o senhor informou que ali viveriam, podendo comer todos os frutos, 
menos o de determinada árvore, que á da ciência do Bem e do Mal. 
 No Jardim das Delícias, Adão e Eva contemplavam tudo com muito prazer 
expressando encanto e prazer. Essa atmosfera era avessa às ideias do Diabo. Foi por 
isso que chamou uma serpente para ser sua embaixatriz. O diabo, então, instrui a 
serpente a ir até Adão e Eva e fazê-los comer do fruto proibido. A serpente já 
mostrara ódio mortal ao casal, mas gostava ainda menos de Eva. Logo Eva surge e a 
serpente faz o convite para que ela coma o fruto que lhe dar o segredo da vida. Eva 
nega, assim como Adão, que chega logo depois. 
 Deus, que via tudo, chama o anjo Gabriel para que desça ao paraíso e traga 
Adão e Eva para a bem-aventurança eterna após terem frustrado o plano diabólico. 
Assim, Adão e Eva foram levados à estância eterna. A terra ficara entregue ao reinado 
da serpente maléfica. Quando Veloso encerrou sua fala, Dona Leonor desdenhou e se 
 
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dirigiu ao Frei Bento como quem clama por uma intervenção verdadeira em cima de 
uma mentira. Frei Bento, sorrindo, disse que quem sabia era o juiz. O conto se 
encerra com Veloso comendo o doce e dizendo que acredita que nada daquilo que 
disse tenha acontecido. Ainda que, se tivesse acontecido, não estariam todos ali 
saboreando o delicioso doce de Dona Leonor. 
 
O ENFERMEIRO 
 
Narrada em 1ª pessoa por Procópio José Gomes Valongo, essa história, 
segundo o narrador, poderá ser divulgada somente após a sua morte. O ocorrido se 
deu no ano de 1860 quando o narrador tinha quarenta e dois anos. Morava de favor 
na casa de um padre de Niterói, antigo colega de colégio. O benefício da morada era 
retribuído pelo narrador, que copiava os exercícios de teologia do dono da casa. Até 
que, um dia, chegou uma carta ao padre, questionando se não havia uma pessoa 
conhecida que pudesse trabalhar como enfermeiro para um tal de Coronel Felisberto. 
Informado da carta, o narrador, que já andava cansado de citações latinas e fórmulas 
eclesiásticas, resolveu encarar essa nova aventura. 
Segundo Valongo, o coronel não lhe tratou mal quando chegou, embora 
Felisberto tivesse uma má fama: homem insuportável até para os amigos, gastava 
mais com enfermeiros, que tratava muito mal, do que com remédios. No entanto, as 
animosidades começaram no oitavo dia. As inúmeras doenças que Felisberto 
carregava eram desculpa para que tratasse Valongo com humilhação. A gota d’água 
se deu no dia em que Felisberto jogou em Valongo sua bengala, fazendo com que o 
narrador da história decidisse ir embora definitivamente do local. No entanto, o 
coronel, ao receber a informação da partida de Valongo, acabou fazendo-o ficar com 
argumentos, que, à primeira vista, carregavam um teor cínico. 
O tempo foi passando e nada se modificou. As agressões continuaram, 
incluindo um arremesso de moringa no rosto de Valongo. Essa agressão perturbou a 
razão do narrador, que se jogou contra o coronel doente, lutando e, por fim, 
matando-o esganado. Quando percebeu que o velho havia falecido, atordoado, saiu 
do quarto. Esperava que tudo fosse um sonho ou um pesadelo, mas não era. Logo 
passou a ouvir vozes que lhe chamavam de assassino. Enxergou vultos que pareciam 
criar uma emboscada para prendê-lo. 
No dia seguinte, voltou ao quarto do falecido coronel e mandou chamar um 
homem escravizado para avisar que a morte havia vencido a guerra contra Felisberto. 
Ficou para todos os preparativos funerários. Auxiliou, observou as pessoas no intuito 
de capturar algum grau de desconfiança, mas nada encontrou. No dia do enterro, 
Valongo fechou o caixão com as mãos trêmulas e foi notado por uma pessoa que 
comentou: “- Coitado do Procópio! Apesar do que padeceu, está muito sentido”. 
Sete dias após retornar para casa, Valongo recebeu uma carta: fora achado o 
valioso testamento do coronel, que havia lhe deixado como herdeiro universal. 
Pensou em recusar, mas não quis levantar suspeitas. Então resolveu que aceitaria, 
 
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mas doaria, aos poucos, toda a quantia. Antes de buscar a herança, tentou se acertar 
com a própria consciência, criando justificativas e suposições que lhe isentavam do 
crime. No local, todos os moradores da região que conheciam o coronel passaram a 
contar histórias perversas do falecido. De fato, Felisberto era muito malvisto por 
todos, o que fez Valongo modificar seu estado de espírito. Passou a ter um certo 
prazer no que fizera e restringiu o plano de doar toda a herança: distribuiu uma 
pequena parte aos pobres, fez doações a um hospital, mandou levantar um belo 
túmulo ao coronel e o resto pegou para si. 
 
O DIPLOMÁTICO 
 
 Narrado em 3ª pessoa, a história se inicia na casa de João Viegas em uma 
noite de São João no ano de 1854 na rua das Mangueiras, zona oeste da cidade do 
Rio de Janeiro. João Viegas era escrivão, marido de Dona Adelaide com quem tinha 
uma filha chamada Joaninha. Toda noite de São João, ele se reunia com pessoas do 
seu círculo social para comer, beber, brincar e tirar a sorte em um livro adivinhatório. 
A maioria das sortes tiradas diziam respeito às relações amorosas. Sr. Rangel, 
conhecido como O Diplomático, era, para sua desilusão, solteiro aos 41 anos. Sonhou 
acordado inúmeras vezes com seu grande amor, mas nunca fizera nada 
objetivamente para tê-lo. Era ele quem lia o livro e, como o narrador nos relata, há 
alguns meses, andava completamente apaixonado por Joaninha, filha de João. 
 Nessa noite, Rangel trazia consigo uma carta de amor para entregar para 
Joaninha. O tempo foi passando naquela noite e nada da entrega da carta acontecer. 
Para piorar, um belo rapaz chamado Queirós, empregado da Santa Casa, de mais ou 
menos vinte e seis anos, passou a roubar a atenção de todos, incluindo de Joaninha. 
Rangel, enciumado, não conseguiu esconder seu desconforto nem do próprio 
Queirós. Na ceia, Rangel conseguiu colocar-se em frente a Joaninha, afugentando a 
imagem de Queirós. A imaginação de Rangel então voou alto: imaginou Joaninha 
casada com ele, vivendo uma bela vida feliz e abastada. No momento de fazer uma 
saudação antes do início da comilança, Rangel foi convocado por todos, pois era 
costume seu falar à beira da mesa saudando à família de João Veiga. No entanto, no 
momento de falar notou que todos olhavam para ele, menos Joaninha, que desviava 
os olhospara Queirós. A voz ficou emperrada na garganta e o discurso não saiu 
grandioso como gostaria. 
 No fim da festa, inicia-se um jogo de cartas. Rangel, que estava muito 
desanimado e pensando em deixar a festa, é convidado por Joaninha para montarem 
um par no jogo. Sua animação foi recobrada logo. Ambos, durante o jogo, olhavam as 
cartas um do outro, cochichavam, trapaceavam. Assim, não aguentando mais, Rangel 
pegou Joaninha pela cintura e saiu dançando uma valsa apaixonada acompanhados 
apenas das estrelas. Pena que a valsa era apenas parte da imaginação de Rangel. 
Logo a festa acabou e ele partiu para casa chorar desgraçado por mais um amor 
malsucedido. Seis meses depois, ainda teve que assistir ao casamento de Joaninha e 
 
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Queirós. Nem esse fato fez o diplomático homem mudar suas atitudes. Quando 
rompeu a Guerra do Paraguai, Rangel pensou em se alistar como voluntário. “Não o 
fez nunca; mas é certo que ganhou algumas batalhas e acabou brigadeiro”. 
 
MARIANA 
 
O conto é narrado em 3ª pessoa e é dividido em três capítulos. O primeiro 
narra o retorno de Evaristo ao Brasil em 1889. Dezoito anos antes, ele havia partido 
pra Europa pra uma breve visita de conhecimento, mas, em Paris, acabou ficando. 
Quando o Brasil se torna uma república, ele resolve voltar pra presenciar as 
mudanças ocorridas, mas algo a mais lhe despontava curiosidade: “Que será feito de 
Mariana?”. Mariana tinha sido um amor seu, que ele havia deixado no ano de 1872. 
Descobre que ela se localizava no Engenho Velho, região entre a zona sul e oeste da 
cidade do Rio de Janeiro. Há meses que não era vista por causa de uma doença letal 
que seu marido enfrentava. 
 No segundo capítulo, Evaristo vai à casa de Mariana. É encaminhado pelo 
criado da moça à sala para que aguarde a chagada da antiga amada. Ali, fita um 
retrato de Mariana, que logo se materializa em sua frente. O reencontro é 
emotivamente intenso. Mesmo após dezoito anos, ambos ainda se amam. No 
entanto, Mariana é casada com Xavier e a comunhão desse casal foi conquistada com 
muita luta devido à resistência dos pais da moça. No início, Mariana e Xavier se 
amaram loucamente, mas logo a apatia tomou conta da relação. Foi nesse momento 
que Evaristo surgiu e roubou o coração da moça para depois partir para a Europa. 
Agora, de volta ao Brasil, Xavier e Mariana fazem juras de amor. A moça nega amar o 
marido e promete amar Evaristo. Os dois se beijam, olham-se profundamente, 
trocam frases de amor, mas são interrompidos pelo criado de Mariana, que 
convidava alguém para adentrar na casa. 
 No terceiro e último capítulo, entende-se que o reencontro era somente 
fruto da imaginação de Evaristo, pois, naquele exato momento, o criado convidava 
Evaristo para adentrar no quarto de Xavier, que estava, de fato, à beira da morte. 
Rapidamente, a memória de seu caso com Mariana veio à mente. Os seus ciúmes de 
Xavier, os encontros clandestinos, a descoberta do caso pela mãe da moça, a 
separação de ambos, seguida de uma tentativa de suicídio de Mariana. As 
lembranças são deixadas pra trás e a realidade do momento apresenta, ao pé do leito 
de morte de Xavier, Mariana, que mal interage com Evaristo. O semblante da moça é 
de profunda tristeza. Entende que o amor de Mariana por ele acabara, então retira-
se do local e retorna uma semana depois em tempo de ver a morte de Xavier. Após o 
fatídico desfecho de seu antigo rival, Evaristo tenta fazer visitas à moça, que se nega 
a receber qualquer pessoa devido à tristeza da morte do marido. Por fim, menos de 
um mês depois, Evaristo deixa novamente o Brasil e retorna à capital francesa. 
 
 
 
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CONTO DE ESCOLA 
 
Em uma segunda-feira de maio de 1840, o narrado da história, Pilar, um 
jovem estudante, que reflete sobre o local que gostaria de brincar pela manhã. Após 
breve ponderação, desiste e se dirige para a escola onde estudava. O motivo da 
desistência se deu porque Pilar havia levado uma surra após o pai, um velho 
empregado do Arsenal de Guerras, descobrir que, na semana anterior, ele havia 
matado aula duas vezes para se divertir na rua. O sonho paterno era ver Pilar 
bemsucedido no comércio, por isso corrigia violentamente as peraltices do filho. 
Na escola, o narrador imagina os amigos na rua e se arrepende de ter ido à 
aula. No entanto, algo fora da ordem corriqueira ocorreria naquele dia. Durante aula 
do mestre Policarpo, seu colega Raimundo, que também era filho desse professor, 
lhe oferece uma moeda de prata em troca de lições sobre sintaxe. Policarpo era um 
professor rude, tendo sempre a palmatória à mão para repreender alunos 
considerados malcriados. Imagina-se, portanto, o que Raimundo não sofria nas mãos 
do pai e mestre malvado. 
 Pilar aceitou a moeda pelos ensinamentos. No entanto, havia um obstáculo: 
Curvelo, mais velho e conhecido pelas maldades. Enquanto Pilar escrevia em bilhetes 
as explicações sobre as lições, Curvelo observava a dupla de forma maligna. 
Inesperadamente, o professor Policarpo invocou o nome de Pilar, que erguei a 
cabeça e viu Curvelo ao pé de sua mesa. Chamado pelo professor, o narrador foi 
interrogado em frente a todos os alunos: “- Então o senhor recebe dinheiro para 
ensinar as lições aos outros?”. Policarpo lançou uma série de impropérios, jogou a 
moeda pela janela e logo chamou seu filho para cumprir o terrível castigo junto a 
Pilar em frente a toda a turma: 12 bolos na palma da mão. 
 O castigo se deu e a raiva de Pilar floresceu grandiosamente. Planejou, na 
saída da aula, castigar Curvelo. No entanto, o delator foi mais esperto e conseguiu 
desaparecer da visão de Pilar. Em casa, sonhou com a moedinha de prata. Foi até à 
escola no outro dia com intenção de encontrá-la na rua. No entanto, na rua, ouviu 
um tambor marcial e logo viu soldados marchando. Pilar sentiu uma comichão nos 
pés e inconscientemente entrou a marchar junto aos soldados, faltando mais uma vez 
à aula. Voltou pra casa sem moeda nem ressentimentos. “E contudo, a pratinha era 
bonita e foram eles, Raimundo e Curvelo, que me deram o primeiro conhecimento, 
um da corrupção, outro da delação, mas o diabo do tambor”. 
 
UM APÓLOGO 
 
Narrado em 3ª pessoa, o apólogo, história moral com personagens 
inanimados, centra-se em um diálogo entre uma agulha e um novelo de linha. A 
discussão se dá através de acusações vaidosas: quem, de fato, cose? A agulha que 
fura o pano ou a linha que une os pedaços do tecido? Essa discussão se dava na casa 
de uma baronesa. Logo a costureira dos nobres chegou ao local e iniciou o trabalho 
 
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com os dois objetos orgulhosos. O vestido foi sendo cosido em silêncio, pois o novelo 
de linha havia parado de responder às provocações da agulha. 
Após o término do vestido, a costureira guardou os utensílios de trabalhos. 
Mas, antes disso, a linha trabalhada no vestido, cheia de si, disparou para o agulha: 
“Ora, agora, diga-me quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte 
do vestido e da elegância?”. Não houve resposta, mas um alfinete, de cabeça grande, 
murmurou à agulha: “Anda, aprende, tola”. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela 
é que vai gozar da vida enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que 
não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico”. 
 
D. PAULA 
 
 Narrado em 3ª pessoa, o conto traz a personagem central, D. Paula, que vivia 
no alto da Tijuca e descia raramente para visitar amigos e familiares. Em uma dessas 
vezes, mais precisamente em maio de 1882, visitou a irmã e, logo depois, se dirigiu à 
casa da sobrinha. Chegando no local, Venancinha chorava de soluçar, pois ela e seu 
marido, Conrado, havia brigado feio. Na noite anterior, em um baile, Venancinha 
dançou muito alegre com um homem que o marido time ciúmes doentios. Foi o 
bastante para, em casa, uma série de impropérios serem desferidos de ambas as 
partes. D. Paula, informada do caso, resolve sair e ir até o escritório de Conrado para 
acalmar a situação. 
 Na conversa com Conrado, D. Paula descobre que esse não erao primeiro 
alvoroço por causa do homem que alimentava ciúmes no marido da sobrinha. Várias 
brigas já haviam se dado e Conrado tinha certeza que Venancinha e o tal homem 
eram namorados. D. Paula foi acalmando a fera aos poucos até que resolveu propor 
um acordo numa tentativa de regeneração da relação: levaria Venancinha consigo 
por um ou dois meses. Nesse tempo, daria os melhores conselhos para a sobrinha. 
Conrado aceita, não sem antes revelar o nome do homem que supostamente 
cobiçava e era cobiçado por Venancinha: Vasco Maria Portela. D. Paula, quando 
escuta esse nome, empalidece, pois conhecera o pai desse rapaz. 
 Vasco Maria Portela, o velho, fora um amor arrebatador de D. Paula. Ambos 
se amaram clandestinamente, distante dos olhos do falecido marido de D. Paula. As 
memórias dos bailes, dos beijos escondidos, dos afagos passam a vir na cabeça da tia 
de Venancinha. Essas lembranças atrapalhavam seu projeto de reparação da 
sobrinha, pois, como comenta o narrador: “na constância do pecado é que se pode 
desejar que os outros pequem também, para descer de companhia ao purgatório”. 
No entanto, D. Paula recompõe-se e passa a trabalhar em cima da reestruturação de 
Venancinha e Conrado. 
 Certo dia, no portão da chácara, quando tia e sobrinha estavam prontas para 
um passeio, Venancinha avistou um rapaz, deu um grito e correu para se esconder. D. 
Paula entendeu tudo e resolveu conferir as feições do moço: elegante, ombros largos, 
olhos redondos e profundos, exatamente como o pai. À noite, tocada pela emoção, 
 
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Venancinha resolveu contar o que aconteceu com Vasco Maria Portela. Então, D. 
Paula escuta a sobrinha falar de encantamentos, olhares ardentes, encontros e 
declarações de amor. As palavras da sobrinha acendiam a memória de um passado 
ardente vivido pela tia. Por fim, D. Paula torna-se séria e fala para Venancinha sobre 
castidade, respeito público, amor ao marido, entre outras sugestões de ajustes 
morais. Culpada, Venancinha escuta tudo melancolicamente e se retira pro quarto. D. 
Paula fica ali saboreando o chá e lembrando do passado secreto e prazeroso. 
 
VIVER! 
 
O conto é apresentado por uma voz em 3ª pessoa, mas é sustentado quase 
que inteiramente no formato de diálogo. A conversação se dá entre dois personagens 
mitológicos: Ahasverus, o judeu errante, e Prometeu, o titã. No fim dos tempos, 
Ahasverus, sentado em uma rocha, acredita ser o último homem vivo na terra, 
permitindo-se, por isso, ir de encontra à morte. No entanto, escuta a voz de 
Prometeu, que quer saber o motivo da pressa para Ahasverus acabar com sua vida. O 
judeu diz seu nome e explica que vivia em Jerusalém na época de Cristo, que, quando 
estava prestes a ser crucificado, passou em frente à sua casa, momento em que 
afrouxou o passo. Ahasverus, então, empurrou Jesus e bradou-lhe que permanecesse 
andando até a colina onde seria crucificado. Por isso, uma voz dos céus anunciou que 
aquele ato lhe renderia a eterna penitência de permanecer andando até o fim dos 
tempos. 
Prometeu acha grave a culpa de Ahasverus, mas crê que a pena foi benéfica, 
pois, por mais que tenha visto muito sofrimento, Ahasverus viveu infinitos capítulos 
belos da história. O judeu errante trata com indiferença as palavras de Prometeu 
acusando-o de não saber nada da vida humana, pois, ao viver a história da 
humanidade, os acontecimentos acabaram por cansá-lo. O tédio e a ociosidade são 
seus maiores carmas. Prometeu, então, mais uma vez, diz ter sido leve o seu castigo, 
pois ele, foi condenado por Júpiter a ficar acorrentado contra uma rocha. Para piorar, 
uma águia uma águia, todos os dias, aparece para comer parte do seu fígado sem 
nunca o consumir por completo. Tudo isso apenas porque criou a existência humana 
e, depois, roubou o fogo dos deuses e para dar aos homens. 
O judeu errante, indignado, diz que Prometeu deveria estar cumprindo até 
hoje o castigo, pois foi o criador dos homens. Por mais que careça de piedade, 
segundo Ahasverus, Prometeu foi o culpado pela existência humana, e, 
consequentemente, da sua desgraçada penitência de ter que viver caminhando até o 
fim dos tempos. Ahaverus descobre que Hércules havia soltado os grilhões que 
prendiam Prometeu à rocha. Então, num ato de ódio, resolve prender novamente o 
titã. Prometeu deixa-se prender, mas tenta dizer algumas frases que Ahasverus não 
compreende direito. 
Quando o judeu vingativo termina o trabalho, Prometeu diz que tem o cargo 
de escolher quem será o homem que fará o elo entre o divino e o humano, pois uma 
 
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nova raça povoará a terra e há necessidade de um representante. Prometeu, após 
essa breve explicação, diz que o escolhido é Ahasverus para ser o rei, o governante 
dos homens que irão povoar novamente a terra. Ahasverus, arrependido, passa 
desata as correntes de Prometeu, que, enquanto isso, vai explicando ao pobre 
errante quais serão suas missões como governante dos novos homens. Extasiado, 
Ahasverus vê-se recompensado por todo seu sofrimento e pede para que Prometeu o 
siga falando sobre seu futuro reinado. Enquanto sonha, duas águias se aproximam. 
Uma delas, diz que Ahasverus está morrendo e ainda sonha com a vida. A outra águia 
responde que ele não odiou a vida, senão porque a amava muito. 
 
O CÔNEGO OU METAFÍSICA DO ESTILO 
 
 Narrado em 3ª pessoa, a narrativa concentra-se em Cônego Matias, 
quarenta anos de idade, pregador efetivo. A história começa quando uma festa 
religiosa está próxima e os organizadores encomendam a Matias um sermão. A 
princípio o cônego nega, mas devido às insistências, acaba aceitando. Os festeiros, 
então, mandam avisar nos jornais que o sermão estava na mão de um dos maiores 
ornamentos do clero brasileiro. Cônego Matias ao ver a expectativa, ficou irritado e 
passou a trabalhar em cima do sermão. Primeiro com impaciência, mas logo com 
amor. 
 O problema se dá quando o cônego escreveu um adjetivo e apagou. 
Escreveu outro e apagou novamente. As tentativas de criar um adjetivo para 
complementar um substantivo vão se sucedendo, por isso, o narrador convida a nós 
leitores para que adentramos na cabeça de Matias. No cérebro do cônego, o narrador 
nos apresenta uma grande descoberta: a divisão dos vocábulos, dentro da cabeça, 
faz-se por motivo de diferença sexual. Ou seja, as palavras se aproximam por atração, 
casando-se. Os adjetivos ficam em um hemisfério, enquanto os substantivos em 
outro. 
 O substantivo, então, é batizado de Sílvio, enquanto o adjetivo de Sílvia. O 
amor entre ambos é predestinado, mas é necessário certo esforço do cônego para 
que eles se unam. Após reflexões, tentativas e descansos, Cônego Matias, após ir até 
a janela espairecer, senta-se novamente para continuar as tentativas. Sílvio e Sílvia 
estão muito próximos e, enfim, ofegantes, encontram-se em um abraço de amor. 
Assim, a pena completa o substantivo com o adjetivo. Sílvio e Sílvio poderão ir ao 
prelo juntinhos no momento da pregação. Isso se o cônego conseguir concluir o 
sermão.

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