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AULA 4/5
DIREITO INTERNACIONAL
Professora Natálie Vailatti
natalie.vailatti@unoesc.edu.br
AUTO ESTUDO 3: Realizar a leitura integral
da Convenção de Viena sobre o Direito dos
Tratados
AUTO ESTUDO 4: Assistir ao vídeo indicado
sobre o chamado Principado de Sealan
CRONOGRAMA DA AULA
TRATADOS INTERNACIONAIS E SUA
INCORPORAÇÃO AO DIREITO BRASILEIRO
ÁREAS DE DOMÍNIO PÚBLICO INTERNACIONAL
FORMAÇÃO DOS TRATADOS 
Segundo a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, a criação
de um tratado ocorre em algumas etapas:
1. Negociação: Estados discutem o conteúdo do acordo.
2. Adoção do texto: Os Estados aprovam a versão final do tratado.
3. Assinatura: Indica intenção política de aderir ao tratado.
4. Ratificação: Confirmação formal pelo Estado conforme seu direito
interno.
No Brasil, a ratificação envolve:
aprovação pelo Congresso Nacional
promulgação pelo Presidente da República
RATIFICAÇÃO NO BRASIL → ATO FORMAL PELO QUAL O ESTADO
CONFIRMA QUE ACEITA JURIDICAMENTE O TRATADO.
Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que
acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional;
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo
do Congresso Nacional; (...)”
Colaboração entre Executivo e Legislativo: a conclusão de tratados
internacionais exige a soma das vontades do Presidente da República (art. 84,
VIII) e do Congresso Nacional (art. 49, I).
STATUS HIERÁRQUICO DOS TRATADOS
Depende do tipo de tratado:
Tratados comuns → têm status de lei ordinária
Tratados de direitos humanos:
- Se aprovados com quórum qualificado (como emenda
constitucional) → status de emenda constitucional
- Se não → status supralegal (acima das leis, abaixo da
Constituição), conforme entendimento do Supremo Tribunal
Federal
BASE JURÍDICA - CF/88
“Art. 5º 
§ 1º - As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm
aplicação imediata.
§ 2º. Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem
outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos
tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja
parte.
§ 3º. Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos
que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois
turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão
equivalentes às emendas constitucionais. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004); (...)”
HIERARQUIA CONSTITUCIONAL DOS TRATADOS INTERNACIONAIS DE
DIREITOS HUMANOS (FLÁVIA PIOVESAN)
A Constituição de 1988 recepciona os direitos enunciados em tratados internacionais de
que o Brasil é parte, conferindo-lhes natureza de normas constitucionais, que integram e
complementam o catálogo de direitos previsto no art. 5º.
Interpretação consonante com o princípio da máxima efetividade das normas
constitucionais (Jorge Miranda), face ao § 2º do art. 5º.
Os direitos enunciados em tratados internacionais constituem cláusula pétrea, não
podendo ser abolidos por emenda à Constituição (art. 60, § 4º, IV). São, entretanto,
sujeitos à denúncia pelo Estado signatário, por ato privativo do Executivo (natureza
constitucional diferenciada).
Concepção monista (art. 5º, § 1º): com a ratificação, a regra internacional de direitos
humanos passa a vigorar imediatamente no plano internacional e no plano interno, sem
necessidade de uma norma interna que a integre ao sistema jurídico.
HIERARQUIA CONSTITUCIONAL DOS TRATADOS INTERNACIONAIS 
Regra ATUAL (EC 45/2004 – status constitucional)
Tratados de direitos humanos aprovados com quórum qualificado:
Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência
Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência
Regra ANTIGA (antes da EC 45 ou sem quórum qualificado)
Tratados de direitos humanos com status supralegal:
Convenção Americana sobre Direitos Humanos
Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos
Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais
HIERARQUIA INFRACONSTITUCIONAL DOS TRATADOS INTERNACIONAIS 
 (STF antes da EC 45/2004)
CONVENÇÃO Nº 158/OIT - PROTEÇÃO DO TRABALHADOR CONTRA A DESPEDIDA
ARBITRÁRIA OU SEM JUSTA CAUSA 
“(...) No sistema jurídico brasileiro, os tratados ou convenções internacionais estão
hierarquicamente subordinados à autoridade normativa da Constituição da República. Em
conseqüência, nenhum valor jurídico terão os tratados internacionais, que, incorporados ao
sistema de direito positivo interno, transgredirem, formal ou materialmente, o texto da Carta
Política. O exercício do treaty-making power, pelo Estado brasileiro - não obstante o
polêmico art. 46 da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados (ainda em curso de
tramitação perante o Congresso Nacional) -, está sujeito à necessária observância das
limitações jurídicas impostas pelo texto constitucional. (...) Os tratados ou convenções
internacionais, uma vez regularmente incorporados ao direito interno, situam-se, no sistema
jurídico brasileiro, nos mesmos planos de validade, de eficácia e de autoridade em que se
posicionam as leis ordinárias (...).” ADI-MC 1480 / DF, Relator Min. CELSO DE MELLO, DJ
18-05-2001.
HIERARQUIA INFRACONSTITUCIONAL DOS TRATADOS INTERNACIONAIS 
 (STF)
CONVENÇÃO AMERICANA DE DIREITOS HUMANOS (PACTO DE SAN JOSÉ)
“(...) A ordem constitucional vigente no Brasil - que confere ao Poder Legislativo explícita
autorização para disciplinar e instituir a prisão civil relativamente ao depositário infiel (art. 5º,
LXVII) - não pode sofrer interpretação que conduza ao reconhecimento de que o Estado
brasileiro, mediante tratado ou convenção internacional, ter-se-ia interditado a prerrogativa
de exercer, no plano interno, a competência institucional que lhe foi outorgada,
expressamente, pela própria Constituição da República. (...) É irrecusável que os tratados e
convenções internacionais não podem transgredir a normatividade subordinante da
Constituição da República nem dispõem de força normativa para restringir a eficácia jurídica
das cláusulas constitucionais e dos preceitos inscritos no texto da Lei Fundamental (...).
Revela-se altamente desejável, no entanto, "de jure constituendo", que, à semelhança do
que se registra no direito constitucional comparado (Constituições da Argentina, do
Paraguai, da Federação Russa, do Reino dos Países Baixos e do Peru, v.g.), o Congresso
Nacional venha a outorgar hierarquia constitucional aos tratados sobre direitos humanos
celebrados pelo Estado brasileiro.“HC 81319 / GO, Relator Min. CELSO DE MELLO, DJ 19-
08-2005.
RESERVA
Declaração unilateral feita por um Estado ao assinar, ratificar,
aceitar ou aderir a um tratado, com o objetivo de excluir ou
modificar o efeito jurídico de determinada cláusula.
As reservas permitem:
ampliar a participação de Estados em tratados
respeitar diferenças culturais e jurídicas
flexibilizar compromissos internacionais
QUANDO A RESERVA É PERMITIDA?
A reserva é válida quando:
O tratado não a proíbe
O tratado não permite apenas reservas específicas
A reserva não é incompatível com o objeto e finalidade do tratado
Aceitação ou objeção à reserva - Outros Estados podem:
Aceitar a reserva
Silenciar (aceitação tácita)
Objetar à reserva
Consequência:
entre o Estado reservante e o que aceita → tratado vale com a modificação
entre o reservante e quem objeta → pode não produzir efeitos jurídicos
COMPETÊNCIA PARA PROCESSAR E JULGAR
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:
[...]
II - as causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e Município ou pessoa
domiciliada ou residente no País;
III - as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro ou organismo
internacional;
 V - os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a execução no
País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente;V-A as causas relativas a direitos humanos a que se refere o § 5º deste artigo; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 45, de 2004) 
§ 5º Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da República, com a
finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de
direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de
Justiça, em qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de competência
para a Justiça Federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art109
ÁREAS DE DOMÍNIO PÚBLICO INTERNACIONAL
São espaços cujo uso interessa a vários Estados ou à comunidade
internacional, ainda que alguns estejam sob soberania estatal. 
DOMÍNIO MARÍTIMO
DOMÍNIO FLUVIAL
DOMÍNIO AÉREO
ESPAÇO SIDERAL
ANTÁRTIDA E ÁRTICO
DOMÍNIO MARÍTIMO
Abrange: águas internas, mar territorial, zona contígua, zona econômica exclusiva (ZEE),
plataforma continental, alto-mar, estreitos e canais.
Regulamentado pela Convenção da ONU sobre o Direito do Mar (1982).
Mar territorial: até 12 milhas → soberania do Estado.
Zona contígua: +12 milhas → fiscalização (contrabando, imigração).
ZEE: até 200 milhas → exploração de recursos naturais.
Navios:
Regra: submetidos ao Estado onde estão.
Exceção: navios militares → imunidade.
Alto-mar → jurisdição do Estado da bandeira.
Direito de passagem inocente no mar territorial.
No Brasil: Lei 8.617/93 e CF/88 garantem domínio sobre recursos da ZEE e plataforma
continental.
DOMÍNIO FLUVIAL
Rios internacionais: limítrofes (fronteira) ou sucessivos (atravessam
países).
Não há convenção global → regulados por tratados específicos.
Princípios:
Soberania estatal sobre o trecho do rio.
Uso não pode prejudicar outros Estados.
Proibição de causar danos ambientais a países vizinhos.
Navegação pode ser livre, se acordada, mas não exclui a jurisdição
do Estado.
DOMÍNIO AÉREO
O Estado tem soberania total sobre seu espaço aéreo.
Não existe direito de passagem inocente.
Regulamentação: Convenção de Chicago (1944).
Regras:
Sobrevoo depende de autorização (especialmente voos comerciais).
Aeronaves seguem a jurisdição do Estado onde estão.
Aeronaves militares → imunidade.
No alto-mar → jurisdição do Estado de matrícula.
ESPAÇO SIDERAL
Considerado patrimônio comum da humanidade.
Não pode ser apropriado por Estados.
Uso deve ser pacífico (proibidas armas nucleares).
Regulamentado por tratados internacionais (ex: Tratado do
Espaço de 1967).
Prevê responsabilidade por danos e regras sobre objetos
espaciais.
ANTÁRTIDA E ÁRTICO
Antártida: 
Regida pelo Tratado da Antártida.
Princípios: 
Uso exclusivamente pacífico. 
Suspensão de disputas territoriais.
Liberdade de pesquisa científica.
Proteção ambiental (Protocolo de 1991).
Proibição de exploração mineral (exceto pesquisa).
Ártico
Oceano coberto de gelo com interesse econômico e científico.
Países reivindicam áreas (EUA, Rússia, Canadá etc.).
Conflitos com: 
Convenção do Direito do Mar. 
Princípio da liberdade do alto-mar.
AUTO ESTUDO 5
Siga as orientações e faça as atividades programadas até o dia 30/03/26.
Assistir ao vídeo indicado sobre o chamado Principado de Sealan - Embora hoje não seja
reconhecido como país pela comunidade internacional, o local possui uma história curiosa
quando se refere às questões de soberania e território, e já realizou diversos esforços para se
apresentar como um Estado soberano. Essa narrativa permite observar de forma concreta
como surgem reivindicações territoriais fora do modelo tradicional e como o reconhecimento
internacional é fundamental no Direito Internacional.
 Após a visualização, registrar em seu material próprio:
Qual é a alegação de soberania feita pelos fundadores de Sealand e quais argumentos eles
utilizam para sustentar essa posição.
Por que a mudança no Direito do Mar, feita pelo Tratado de Montego Bay, elimina qualquer
possibilidade jurídica de Sealand ser interpretado como Estado independente.
AUTO ESTUDO 6
Prova (A1/1) com 10 (dez) questões sobre os conteúdos
abordados em aulas e nos autoestudos da Unidade 1 trabalhados
até a aula de hoje.
Após o início, o tempo é de 3 horas para finalizar.
	AULA 4/5 DIREITO INTERNACIONAL
	AUTO ESTUDO 3: Realizar a leitura integral da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados
	AUTO ESTUDO 4: Assistir ao vídeo indicado sobre o chamado Principado de Sealan
	CRONOGRAMA DA AULA
	FORMAÇÃO DOS TRATADOS
	RATIFICAÇÃO NO BRASIL → ATO FORMAL PELO QUAL O ESTADO CONFIRMA QUE ACEITA JURIDICAMENTE O TRATADO.
	STATUS HIERÁRQUICO DOS TRATADOS
	BASE JURÍDICA - CF/88
	HIERARQUIA CONSTITUCIONAL DOS TRATADOS INTERNACIONAIS DE DIREITOS HUMANOS (FLÁVIA PIOVESAN)
	Regra ATUAL (EC 45/2004 – status constitucional)
	Regra ANTIGA (antes da EC 45 ou sem quórum qualificado)
	HIERARQUIA INFRACONSTITUCIONAL DOS TRATADOS INTERNACIONAIS (STF antes da EC 45/2004)
	HIERARQUIA INFRACONSTITUCIONAL DOS TRATADOS INTERNACIONAIS (STF)
	RESERVA
	QUANDO A RESERVA É PERMITIDA?
	ÁREAS DE DOMÍNIO PÚBLICO INTERNACIONAL
	DOMÍNIO MARÍTIMO DOMÍNIO FLUVIAL DOMÍNIO AÉREO ESPAÇO SIDERAL ANTÁRTIDA E ÁRTICO
	DOMÍNIO MARÍTIMO
	Ártico
	AUTO ESTUDO 5
	AUTO ESTUDO 6