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1 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.8, p. 01-15, 2024 Biologia e manejo de Conyza spp. em culturas de interesse econômico Biology and management of Conyza spp. in crops of economic interest Biología y gestión de Conyza spp. en cultivos de interés económico DOI: 10.55905/revconv.17n.8-545 Originals received: 07/26/2024 Acceptance for publication: 08/16/2024 Antônio Marcos Azevedo Batista Doutorando em Agrônomia Instituição: Universidade Estadual de Maringá Endereço: Maringá – Paraná, Brasil E-mail: aazevedobatista@gmail.com Orcid: https://orcid.org/0000-0002-4001-7857 Luany Emanuella Araujo Marciano Doutoranda em Zootecnia Instituição: Universidade Estadual de Maringá Endereço: Maringá – Paraná, Brasil E-mail: marcianoluany@gmail.com Orcid: https://orcid.org/0000-0001-8192-2549 João Vítor da Silva Mestrando em Agronomia Instituição: Universidade Estadual de Maringá Endereço: Maringá – Paraná, Brasil E-mail: jvzanquetta@outlook.com Orcid: https://orcid.org/0009-0004-8308-9262 Jorge Willian de Souza dos Santos Doutorando em Agronomia Instituição: Universidade Estadual de Maringá Endereço: Maringá – Paraná, Brasil E-mail: jorgwillian.ss@gmail.com Abraão Targino de Sousa Neto Mestre em Ciência do Solo Instituição: Universidade Federal da Paraíba Endereço: Areia -Paraíba, Brasil E-mail: abraaosousa97@gmail.com 2 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.8, p. 01-15, 2024 Miguel Aparecido Risson Coppo Mestrando em Agronomia Instituição: Universidade Estadual de Maringá Endereço: Maringá – Paraná, Brasil E-mail: miguelcoppo@gmail.com Orcid: https://orcid.org/0009-0007-0164-7243 Pedro Luan Ferreira da Silva Doutorando em Agronomia Instituição: Universidade Estadual de Maringá Endereço: Maringá – Paraná, Brasil E-mail: pedroluanferreira@gmail.com Orcid:https://orcid.org/0000-0001-5520-7920 RESUMO A Conyza spp. (buva) destaca-se como uma das principais plantas daninhas que representam grandes desafios para os produtores, pelo seu elevado potencial de disseminação e difícil controle, com isso, essa revisão bibliográfica tem como objetivo apresentar estudos que abordem os casos de resistência da Conyza spp., analisando seu histórico, padrões de disseminação e métodos de controle. Atualmente, existem três espécies principais de buva encontradas em várias partes do mundo: Conyza bonariensis, Conyza canadensis e Conyza sumatrensis. Essas espécies possuem alta capacidade de dispersão, resistência a herbicidas e apresentam grande dificuldade de manejo no campo. Um aspecto especialmente preocupante dessas espécies é a resistência desenvolvida ao herbicida mais amplamente utilizado no mundo, o glifosato, o que torna seu controle ainda mais desafiador. Portanto, é crucial adotar medidas cuidadosas durante os períodos de controle, observando as janelas de oportunidade e integrando diversas técnicas para o manejo eficaz dessa planta daninha. A implementação de estratégias de manejo integrado é essencial para minimizar o impacto da buva na agricultura, incluindo a rotação de culturas, o plantio direto e o uso de herbicidas com diferentes modos de ação para reduzir a pressão de seleção para resistência. Palavras-chave: buva, plantas daninhas, resistência à herbicidas, glifosato. ABSTRACT Conyza spp. (buva) stands out as one of the main weeds that represent major challenges for producers, due to its high potential for dissemination and difficult control. With this in mind, this literature review aims to present studies that address cases of Conyza spp. resistance, analysing its history, dissemination patterns and control methods. There are currently three main species of weeds found in various parts of the world: Conyza bonariensis, Conyza canadensis and Conyza sumatrensis. These species have a high dispersal capacity, resistance to herbicides and are very difficult to manage in the field. A particularly worrying aspect of these species is the resistance they have developed to the most widely used herbicide in the world, glyphosate, which makes their control even more challenging. It is therefore crucial to adopt careful measures during control periods, observing windows of opportunity and integrating various techniques for the effective management of this weed. Implementing integrated management strategies is essential to minimise the impact of weeds on agriculture, including crop rotation, no-till farming and the use of herbicides with different modes of action to reduce selection pressure for resistance. 3 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.8, p. 01-15, 2024 Keywords: buva, weeds, herbicide resistance, glyphosate. RESUMEN Conyza spp. (buva) se destaca como una de las principales malezas que representan grandes desafíos para los productores, debido a su alto potencial de diseminación y difícil control. Teniendo esto en cuenta, esta revisión bibliográfica tiene como objetivo presentar estudios que aborden casos de resistencia de Conyza spp., analizando su historia, patrones de diseminación y métodos de control. En la actualidad existen tres especies principales de malas hierbas que se encuentran en diversas partes del mundo: Conyza bonariensis, Conyza canadensis y Conyza sumatrensis. Estas especies tienen una gran capacidad de dispersión, resistencia a los herbicidas y son muy difíciles de manejar en el campo. Un aspecto especialmente preocupante de estas especies es la resistencia que han desarrollado al herbicida más utilizado en el mundo, el glifosato, lo que dificulta aún más su control. Por lo tanto, es crucial adoptar medidas cuidadosas durante los periodos de control, observando las ventanas de oportunidad e integrando diversas técnicas para la gestión eficaz de esta mala hierba. La aplicación de estrategias de gestión integrada es esencial para minimizar el impacto de las malas hierbas en la agricultura, incluyendo la rotación de cultivos, la siembra directa y el uso de herbicidas con diferentes modos de acción para reducir la presión de selección de resistencias. Palabras clave: buva, malas hierbas, resistencia a herbicidas, glifosato. 1 INTRODUÇÃO As plantas daninhas têm sido uma preocupação constante para os produtores desde o início da agricultura, quando o homem se fixou para produzir seu próprio alimento. Essas plantas causam diversos danos e prejuízos às culturas de interesse econômico em várias partes do mundo, como, inibição de crescimento, competição por água, luz e nutrientes, contaminação na colheita, além de comprometer a produção agrícola sustentável devido ao uso intensivo de herbicidas para controlar as populações infestantes. Nesse contexto, a buva (Conyza spp.) destaca-se como uma das principais plantas daninhas, causando significativos danos econômicos em diversas áreas produtivas, principalmente devido ao seu difícil controle e resistência a vários herbicidas (Wu, 2007). A buva (Conyza spp.) é uma planta daninha amplamente distribuída em praticamente todas as regiões agrícolas do Brasil e do mundo. Sua importância está diretamente relacionada ao aumento da pressão de seleção, causada pelo uso contínuo e intensivo de herbicidas, seja de um único tipo ou de diferentes sítios de ação, mas com mecanismos semelhantes (Circunvis et al., 2014). 4 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.8, p. 01-15, 2024 Anteriormente considerada uma espécie secundária e de pouco impacto nas lavouras, a buva ganhou destaque com a descoberta de biótipos resistentes ao glifosato, um dos herbicidas mais eficientes do mundo, tornando seu controle um desafio para produtores e empresas do setor de defensivos agrícolas (Vargas et al., 2007). E conduzindomuitos produtores a investir em outras técnicas e manejos para o controle dessa planta (Heap, 2024). As espécies mais relevantes do gênero Conyza são: Conyza bonariensis, Conyza canadensis e Conyza sumatrensis, que possuem grande importância no Brasil e no mundo. Essas espécies são morfologicamente semelhantes, o que torna sua diferenciação a olho nu difícil. Assim, a distinção entre as espécies geralmente é realizada em laboratório por métodos moleculares. Desde os anos 90, essas plantas têm chamado a atenção por proliferarem em locais desocupados, pastagens, culturas perenes como citros e café, bem como em plantações anuais de algodão, milho, soja e trigo (Horvath et al., 2023). Diante disso, é crucial integrar uma variedade de métodos de controle e adaptar as estratégias de acordo com as características individuais de cada local e o grau de infestação das plantas daninhas. Além disso, a prevenção de futuras infestações por meio de práticas de manejo apropriadas e vigilância regular é igualmente indispensável para um controle eficaz das espécies. Objetiva-se com esta revisão bibliográfica, apresentar trabalhos que abordem os casos de resistência da Conyza spp., analisando seu histórico, disseminação e formas de controle. 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 HISTÓRICO DE DISSEMINAÇÃO A buva (Conyza spp.) é uma espécie nativa do continente americano, originalmente uma planta indígena, que se espalhou para outros países, incluindo Canadá, Brasil, Argentina, Austrália, China, e países europeus, como mostrado na Figura 1 (Pieterse, 2010). Ela é conhecida por se espalhar rapidamente devido à sua alta capacidade de reprodução, produzindo grande quantidade de sementes que são facilmente dispersas pelo vento. 5 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.8, p. 01-15, 2024 Figura 1. Surgimento e disseminação da buva pelo resto do mundo. Fonte. Pieterse (2010). No que se refere ao histórico e às características das principais espécies, pode-se concluir que Conyza bonariensis é nativa da América do Sul, podendo atingir entre 40 e 120 cm de altura, com ramificações na parte superior do caule que excedem o topo da planta, assim como a inflorescência. As folhas dessa espécie apresentam margens lisas ou com pequenos dentes (Manalil et al., 2017). Já Conyza canadensis, nativa da América do Norte, pode crescer entre 80 e 150 cm de altura, com folhas denteadas e ramos superiores que não ultrapassam o topo da planta. Esta espécie apresenta uma ampla panícula terminal no ramo principal (Horvath et al., 2023). 2.2 BIOLOGIA E MORFOLOGIA DA CONYZA SPP. Battaglin et al. (2014) definem Conyza spp. como pertencentes à família Asteraceae, popularmente conhecida como "buva". Essa planta daninha comum é encontrada em diversas regiões do mundo, dependendo da espécie, especialmente em áreas agrícolas. As plantas apresentam folhas alternadas, lanceoladas e com bordas serrilhadas. As flores são pequenas, podendo ser brancas, amareladas ou rosadas, dependendo da espécie (Figura 2). 6 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.8, p. 01-15, 2024 Figura 2. Planta da buva com flores Fonte: Up. Herb – Academia das Plantas Daninhas. https://upherb.com.br/int/buva. Lorenzetti et al. (2024) destacam que a reprodução por sementes dessa espécie é extremamente eficaz, garantindo sua perpetuação por muito tempo. A morfologia das sementes aladas e dos frutos de aquênio permite fácil dispersão pelo vento, conferindo à buva uma vantagem evolutiva em relação a outras plantas. Uma única planta pode produzir entre 50 mil e 200 mil sementes. As inflorescências são do tipo capítulo com flores terminais em panículas, medindo cerca de 3-5 mm, como pode ser obervada na Figura 3 (Santos, 2012). Figura 3. Tipos de Inflorescência da Conyza spp. (A) Piramidal a losangular; (B) Cilíndrico folhoso; (C) Ramificada; (D) Brácteas da inflorescência ramificada. Fonte: Adaptada de Santos (2012). 7 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.8, p. 01-15, 2024 Santos (2012), ciente da dificuldade de identificação das diferentes espécies de Conyza spp., elaborou uma tabela (Figura 4) que auxilia na identificação para um possível controle eficiente da planta daninha, mostrando suas características, origens e aspectos gerais como inflorescência, ramificações e caule. Figura 4. Tabela de identificação de espécies de Conyza spp. Fonte: Elaborada por Santos (2012). Meesaragandla et al. (2024) afirmam que um controle efetivo da buva requer conhecimento prévio sobre sua morfologia, biologia e fisiologia, para que se possam aplicar técnicas eficazes baseadas em resultados. 3 METODOLOGIA Esta revisão narrativa busca identificar e analisar estudos realizados sobre a planta daninha buva (Conyza spp.) em casos de resistência a herbicidas na agricultura. Espera-se, por meio desta revisão, obter dados bibliográficos que proporcionem um panorama geral dessa planta daninha, estudada em diversos territórios, e identificar em quais culturas ela está causando danos, além de quais mecanismos de ação estão apresentando resistência. Ademais, busca-se identificar quais países, revistas ou jornais estão publicando mais sobre essa temática. 8 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.8, p. 01-15, 2024 Espera-se também encontrar respostas e esclarecimentos para algumas questões de pesquisa, tais como: quais são as explicações para os casos de resistência da buva; como esses estudos estão distribuídos geograficamente pelo mundo; qual o perfil bibliométrico dos estudos encontrados; quais territórios, populações e atividades são impactados pelos estudos; e quais os desafios e dificuldades enfrentados durante os estudos em relação ao método. A população considerada foi composta por pesquisas sobre os casos de resistência da Conyza spp. em diferentes sistemas agrícolas. Os resultados abrangem o perfil das pesquisas desenvolvidas até o momento sobre resistência a herbicidas em diferentes culturas de interesse econômico. Foram utilizadas como fontes de controle as publicações encontradas no Scopus, na Web of Science e no Google Scholar, com o tema "casos de resistência da Conyza spp.", em um vasto intervalo de tempo até 2024. A busca das fontes foi definida de acordo com os critérios de disponibilidade para consulta via web, presença de mecanismos de busca por palavras-chave, garantia de resultados únicos quando buscados com o mesmo conjunto de palavras-chave, e a inclusão de artigos científicos publicados em periódicos das áreas de meio ambiente e agrárias, ou em periódicos interdisciplinares que abordem o assunto tratado. 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES A resistência de certas plantas à herbicidas é um fenômeno natural que surge espontaneamente dentro das populações. Nesse contexto, o herbicida não causa a resistência, mas atua como um agente seletor dos indivíduos resistentes, que inicialmente se encontram em baixa frequência. No entanto, quando herbicidas com o mesmo mecanismo de ação são aplicados repetidamente ao longo de vários anos, ocorrem mudanças na composição da flora infestante (Tahmasebi et al. 2018). O controle da buva na agricultura é complexo devido à sua rápida dispersão e capacidade de desenvolver resistência a herbicidas. Assim, estratégias de controle integrado são essenciais para minimizar seu impacto. Embora a erradicação completa possa ser difícil, é possível amenizar e controlar sua influência negativa na produção agrícola. Entre essas estratégias, incluem-se métodos culturais, como rotação de culturas e plantio direto, que podem reduzir a infestação de 9 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.8, p. 01-15, 2024 buva ao interromper seu ciclode vida e criar condições desfavoráveis para seu crescimento (Baylis 2000). Horvath et al. (2023) sugerem que estratégias como rotação de culturas e plantio direto, embora possam colaborar para o envolvimento da buva em alguns casos, ajudam a controlar essa planta daninha e dificultam sua proliferação em sistemas agrícolas. Além disso, o uso de herbicidas com diferentes mecanismos de ação, em combinação com práticas agrícolas sustentáveis, é essencial para gerenciar a resistência e controlar a buva de maneira eficaz. González-Torralva et al. (2012) afirmam que o controle químico ainda é amplamente utilizado, mesmo com o desenvolvimento de resistência em algumas espécies. No entanto, novas estratégias de rotação de herbicidas com diferentes modos de ação e o uso de doses adequadas são fundamentais para manter a eficácia dos herbicidas químicos no controle da buva. O glifosato se destaca nesse contexto, pois seu mecanismo de ação interrompe a via do ácido chiquímico, que é responsável pela produção dos aminoácidos aromáticos fenilalanina, tirosina e triptofano (Hess, 1994). De acordo com Horvath et al. (2023), as espécies de buva, devido ao seu rápido crescimento e capacidade de formar densas populações, pode impedir o crescimento das culturas na área de produção, competindo intensamente com culturas agrícolas por recursos como luz solar, água, CO2 e nutrientes do solo. (Garcia et al., 2013). Ainda segundo Horvath et al. (2023), diversos fatores contribuem para a disseminação e perpetuação das espécies de buva, com destaque para distúrbios e estresse. O distúrbio, em particular, desempenha um papel crucial na disseminação e resistência adquirida por essas plantas. Constantin et al. (2013) ressaltam que o uso do sistema de plantio direto em larga escala, especialmente no sul do Brasil, pode proporcionar maior cobertura ao solo, melhor umidade, criando condições ideais para a emergência de plântulas de buva, graças à umidade e temperatura adequadas. No entanto, a buva é uma planta fotoblasta positiva, ou seja, necessitam diretamente da luz no seu processo de germinação, sendo assim, é possível que a palhada formda pelo plantio ditero forme uma barreira, impedindo o seu desenvolvimento. Heap (2014) destaca que o uso contínuo de glifosato em cultivares resistentes, como soja e milho, nos sistemas de sucessão soja/milho, onde há uma necessidade constante de controle de plantas daninhas, levou ao uso intensivo desse herbicida pós-emergente seletivo em diversas 10 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.8, p. 01-15, 2024 regiões produtoras. Isso, por sua vez, gerou uma forte pressão de seleção, resultando no surgimento de biótipos resistentes a essa molécula. A resistência da buva (Conyza spp.) a herbicidas não é um problema recente. Os primeiros casos documentados de resistência da Conyza spp. a herbicidas datam de 1980, no Japão e em Taiwan, especificamente na espécie C. canadensis ao herbicida paraquat, um inibidor do fotossistema I. Desde então, C. canadensis desenvolveu resistência em 18 países, com 64 casos registrados, abrangendo cinco mecanismos de ação diferentes (Silva Santos et al., 2020). Outra espécie resistente é C. bonariensis, que se espalhou por 12 países e apresenta 20 casos de resistência a quatro mecanismos de ação. A C. sumatrensis, por sua vez, apresenta 16 casos de resistência a cinco mecanismos de ação em oito países da Europa, com os primeiros casos documentados na década de 1980, aos herbicidas inibidores da fotossíntese (PSI) (Danilussi et al., 2023). Segundo Heap (2024), no Brasil, a buva adquiriu resistência primeiramente ao herbicida glifosato nas espécies C. bonariensis e C. canadensis em 2005. Já para a espécie C. sumatrensis, a resistência foi observada apenas em 2010, com múltipla resistência a glifosato e chlorimuron identificada em 2011. Madureira e Silva (2012) destacam que o glifosato [N-(fosfonometil)-glicina] é um herbicida pós-emergente não seletivo, amplamente utilizado no mundo, sendo absorvido pelas folhas e outros tecidos jovens da planta, e translocado através do floema para os tecidos meristemáticos. Seu modo de ação é baseado na inibição da enzima 5-enolpiruvilshikimato-3- fosfato sintase (EPSPS), que é crucial na via do chiquimato, bloqueando a biossíntese de fenilalanina, triptofano, tirosina e outros compostos aromáticos em plantas suscetíveis. No entanto, algumas plantas, como Conyza spp., adquiriram resistência ao glifosato, tornando difícil o controle das plantas infestantes (Zheng et al., 2011). No estudo de Okumu et al. (2019), realizado na África do Sul, os efeitos fitotóxicos do glifosato foram detectados entre 5 e 14 dias após o tratamento, observando-se amarelecimento e clorose nas folhas. No entanto, nas plantas resistentes, observou-se atrofiamento e pouca clorose, além de pequenas lesões necróticas, sem prejuízo significativo para a recuperação dos efeitos provocados pelo herbicida. Moreira et al. (2007) explicam que a resistência aos herbicidas inibidores da ALS é geneticamente determinada por mutações no gene responsável pela codificação dessa enzima, crucial na biossíntese de aminoácidos como leucina, isoleucina e valina. Essas mutações em 11 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.8, p. 01-15, 2024 locais distintos provavelmente são responsáveis pelos diferentes padrões de resistência cruzada aos herbicidas inibidores da ALS, conforme observado por Manalil et al. (2017). Estudos relacionados à resistência de plantas daninhas indicam que essa elevada resistência aos inibidores de ALS pode ter sido provocada pelo uso exaustivo de controle químico, sem as devidas precauções, como aplicação de doses elevadas e em condições ambientais inadequadas (Heap, 2024). Outros fatores, como redução na concentração do herbicida, absorção foliar reduzida, metabolização intensa do herbicida na planta e variabilidade genética, também podem ter contribuído para a pressão de seleção das plantas daninhas (Oliveira et al., 2011). Para aumentar a eficiência no controle das plantas daninhas, pesquisadores desenvolveram períodos de manejo específicos com o objetivo de aprimorar o controle e evitar gastos desnecessários (Kruse et al., 2000; Magalhães et al., 2001). Os estudos sobre a interferência das plantas daninhas em culturas agrícolas visam determinar os períodos críticos de interação entre culturas e comunidades infestantes. Esses períodos foram definidos como: período total de prevenção à interferência (PTPI), período anterior à interferência (PAI) e período crítico de prevenção à interferência (PCPI), que refletem a adequação das condições de implantação e manejo das culturas (Biffe et al., 2018). O período crítico de prevenção à interferência (PCPI) das plantas daninhas foi identificado como ocorrendo próximo à 5ª semana (35 dias), quando as plantas daninhas começam a reduzir drasticamente a produtividade da cultura. É crucial tomar medidas de controle antes que as plantas daninhas atinjam esse estágio para evitar perdas significativas na cultura (Horvath et al., 2023). Na revisão realizada por Horvath et al. (2023), os autores exploram um novo paradigma no estudo das perdas de produtividade causadas por plantas daninhas em culturas agrícolas. Eles destacam que as perdas de rendimento devido às plantas daninhas têm sido historicamente subestimadas e subavaliadas. Os autores argumentam que as plantas daninhas não apenas competem por recursos com as culturas, mas também afetam negativamente sua fisiologia e desenvolvimento, incluindo a competição por água, nutrientes e luz solar, além da liberação de substâncias químicas que inibem o crescimento das plantas cultivadas. Bajwa et al. (2016) ressaltam a importância da conscientização e educação dos agricultores sobre a identificação precoce dabuva e a implementação de medidas de controle 12 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.8, p. 01-15, 2024 eficazes. Para o manejo bem-sucedido dessa planta daninha, é necessária uma abordagem integrada que combine diferentes métodos de controle, minimizando assim seu impacto nas culturas. A implementação eficaz dessas estratégias pode ajudar a reduzir os prejuízos causados pela buva e promover a produtividade agrícola. 5 CONCLUSÃO Sendo assim, a conyza spp., popularmente conhecida como Buva, representa um desafio significativo para a agricultura devido à sua capacidade de competir com as culturas por recursos essenciais, como nutrientes, água e luz solar. Além disso, sua rápida dispersão e a habilidade de desenvolver resistência a herbicidas tornam seu controle ainda mais complexo. A implementação de estratégias de manejo integradas é essencial para minimizar o impacto da Buva na agricultura. Isso inclui o uso de métodos culturais, como rotação de culturas e plantio direto, bem como o emprego de herbicidas com diferentes modos de ação para reduzir a pressão de seleção para resistência. Além disso, é fundamental investir em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias e abordagens de manejo para lidar com os desafios apresentados pela buva. Isso inclui o desenvolvimento de cultivares resistentes, o uso de bioherbicidas e a integração de técnicas de controle biológico. 13 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.8, p. 01-15, 2024 REFERÊNCIAS ALI, A. B; Sehrish, S.; Hafiz, H. A.; Khawar, J.; Arslan, M. P.; Bhagirath, S. C. Biology and management of two important Conyza weeds: a global review. Environmental Science and Pollution Research, v. 23, p. 24694-24710, 2016. BATTAGLIN, W. A.; MEYER, M. T.; KUIVILA, K. M.; DIETZE, J. E. Glyphosate and its degradation product AMPA occur frequently and widely in US soils, surface water, groundwater, and precipitation. JAWRA Journal of the American Water Resources Association, v. 50, n. 2, p. 275-290, 2014. BAJWA, A. A.; SADIA, S.; ALI, H. H.; JABRAN, K.; PEERZADA, A. M.; CHAUHAN, B. S. Biology and management of two important Conyza weeds: a global review. Environmental Science and Pollution Research, v. 23, p. 24694-24710, 2016. BIOLCHINI, J. C. 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