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Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.8, p. 01-15, 2024 
 
Biologia e manejo de Conyza spp. em culturas de interesse econômico 
 
Biology and management of Conyza spp. in crops of economic interest 
 
Biología y gestión de Conyza spp. en cultivos de interés económico 
 
DOI: 10.55905/revconv.17n.8-545 
 
Originals received: 07/26/2024 
Acceptance for publication: 08/16/2024 
 
Antônio Marcos Azevedo Batista 
Doutorando em Agrônomia 
Instituição: Universidade Estadual de Maringá 
Endereço: Maringá – Paraná, Brasil 
E-mail: aazevedobatista@gmail.com 
Orcid: https://orcid.org/0000-0002-4001-7857 
 
Luany Emanuella Araujo Marciano 
Doutoranda em Zootecnia 
Instituição: Universidade Estadual de Maringá 
Endereço: Maringá – Paraná, Brasil 
E-mail: marcianoluany@gmail.com 
Orcid: https://orcid.org/0000-0001-8192-2549 
 
João Vítor da Silva 
Mestrando em Agronomia 
Instituição: Universidade Estadual de Maringá 
Endereço: Maringá – Paraná, Brasil 
E-mail: jvzanquetta@outlook.com 
Orcid: https://orcid.org/0009-0004-8308-9262 
 
Jorge Willian de Souza dos Santos 
Doutorando em Agronomia 
Instituição: Universidade Estadual de Maringá 
Endereço: Maringá – Paraná, Brasil 
E-mail: jorgwillian.ss@gmail.com 
 
Abraão Targino de Sousa Neto 
Mestre em Ciência do Solo 
Instituição: Universidade Federal da Paraíba 
Endereço: Areia -Paraíba, Brasil 
E-mail: abraaosousa97@gmail.com 
 
 
 
 
 
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Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.8, p. 01-15, 2024 
 
Miguel Aparecido Risson Coppo 
Mestrando em Agronomia 
Instituição: Universidade Estadual de Maringá 
Endereço: Maringá – Paraná, Brasil 
E-mail: miguelcoppo@gmail.com 
Orcid: https://orcid.org/0009-0007-0164-7243 
 
Pedro Luan Ferreira da Silva 
Doutorando em Agronomia 
Instituição: Universidade Estadual de Maringá 
Endereço: Maringá – Paraná, Brasil 
E-mail: pedroluanferreira@gmail.com 
Orcid:https://orcid.org/0000-0001-5520-7920 
 
RESUMO 
A Conyza spp. (buva) destaca-se como uma das principais plantas daninhas que representam 
grandes desafios para os produtores, pelo seu elevado potencial de disseminação e difícil 
controle, com isso, essa revisão bibliográfica tem como objetivo apresentar estudos que abordem 
os casos de resistência da Conyza spp., analisando seu histórico, padrões de disseminação e 
métodos de controle. Atualmente, existem três espécies principais de buva encontradas em várias 
partes do mundo: Conyza bonariensis, Conyza canadensis e Conyza sumatrensis. Essas espécies 
possuem alta capacidade de dispersão, resistência a herbicidas e apresentam grande dificuldade 
de manejo no campo. Um aspecto especialmente preocupante dessas espécies é a resistência 
desenvolvida ao herbicida mais amplamente utilizado no mundo, o glifosato, o que torna seu 
controle ainda mais desafiador. Portanto, é crucial adotar medidas cuidadosas durante os períodos 
de controle, observando as janelas de oportunidade e integrando diversas técnicas para o manejo 
eficaz dessa planta daninha. A implementação de estratégias de manejo integrado é essencial 
para minimizar o impacto da buva na agricultura, incluindo a rotação de culturas, o plantio direto 
e o uso de herbicidas com diferentes modos de ação para reduzir a pressão de seleção para 
resistência. 
 
Palavras-chave: buva, plantas daninhas, resistência à herbicidas, glifosato. 
 
ABSTRACT 
Conyza spp. (buva) stands out as one of the main weeds that represent major challenges for 
producers, due to its high potential for dissemination and difficult control. With this in mind, this 
literature review aims to present studies that address cases of Conyza spp. resistance, analysing 
its history, dissemination patterns and control methods. There are currently three main species of 
weeds found in various parts of the world: Conyza bonariensis, Conyza canadensis and Conyza 
sumatrensis. These species have a high dispersal capacity, resistance to herbicides and are very 
difficult to manage in the field. A particularly worrying aspect of these species is the resistance 
they have developed to the most widely used herbicide in the world, glyphosate, which makes 
their control even more challenging. It is therefore crucial to adopt careful measures during 
control periods, observing windows of opportunity and integrating various techniques for the 
effective management of this weed. Implementing integrated management strategies is essential 
to minimise the impact of weeds on agriculture, including crop rotation, no-till farming and the 
use of herbicides with different modes of action to reduce selection pressure for resistance. 
 
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Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.8, p. 01-15, 2024 
 
Keywords: buva, weeds, herbicide resistance, glyphosate. 
 
RESUMEN 
Conyza spp. (buva) se destaca como una de las principales malezas que representan grandes 
desafíos para los productores, debido a su alto potencial de diseminación y difícil control. 
Teniendo esto en cuenta, esta revisión bibliográfica tiene como objetivo presentar estudios que 
aborden casos de resistencia de Conyza spp., analizando su historia, patrones de diseminación y 
métodos de control. En la actualidad existen tres especies principales de malas hierbas que se 
encuentran en diversas partes del mundo: Conyza bonariensis, Conyza canadensis y Conyza 
sumatrensis. Estas especies tienen una gran capacidad de dispersión, resistencia a los herbicidas 
y son muy difíciles de manejar en el campo. Un aspecto especialmente preocupante de estas 
especies es la resistencia que han desarrollado al herbicida más utilizado en el mundo, el 
glifosato, lo que dificulta aún más su control. Por lo tanto, es crucial adoptar medidas cuidadosas 
durante los periodos de control, observando las ventanas de oportunidad e integrando diversas 
técnicas para la gestión eficaz de esta mala hierba. La aplicación de estrategias de gestión 
integrada es esencial para minimizar el impacto de las malas hierbas en la agricultura, incluyendo 
la rotación de cultivos, la siembra directa y el uso de herbicidas con diferentes modos de acción 
para reducir la presión de selección de resistencias. 
 
Palabras clave: buva, malas hierbas, resistencia a herbicidas, glifosato. 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
As plantas daninhas têm sido uma preocupação constante para os produtores desde o 
início da agricultura, quando o homem se fixou para produzir seu próprio alimento. Essas plantas 
causam diversos danos e prejuízos às culturas de interesse econômico em várias partes do mundo, 
como, inibição de crescimento, competição por água, luz e nutrientes, contaminação na colheita, 
além de comprometer a produção agrícola sustentável devido ao uso intensivo de herbicidas para 
controlar as populações infestantes. Nesse contexto, a buva (Conyza spp.) destaca-se como uma 
das principais plantas daninhas, causando significativos danos econômicos em diversas áreas 
produtivas, principalmente devido ao seu difícil controle e resistência a vários herbicidas (Wu, 
2007). 
A buva (Conyza spp.) é uma planta daninha amplamente distribuída em praticamente 
todas as regiões agrícolas do Brasil e do mundo. Sua importância está diretamente relacionada 
ao aumento da pressão de seleção, causada pelo uso contínuo e intensivo de herbicidas, seja de 
um único tipo ou de diferentes sítios de ação, mas com mecanismos semelhantes (Circunvis et 
al., 2014). 
 
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Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.8, p. 01-15, 2024 
 
Anteriormente considerada uma espécie secundária e de pouco impacto nas lavouras, a 
buva ganhou destaque com a descoberta de biótipos resistentes ao glifosato, um dos herbicidas 
mais eficientes do mundo, tornando seu controle um desafio para produtores e empresas do setor 
de defensivos agrícolas (Vargas et al., 2007). E conduzindomuitos produtores a investir em 
outras técnicas e manejos para o controle dessa planta (Heap, 2024). 
As espécies mais relevantes do gênero Conyza são: Conyza bonariensis, Conyza 
canadensis e Conyza sumatrensis, que possuem grande importância no Brasil e no mundo. Essas 
espécies são morfologicamente semelhantes, o que torna sua diferenciação a olho nu difícil. 
Assim, a distinção entre as espécies geralmente é realizada em laboratório por métodos 
moleculares. Desde os anos 90, essas plantas têm chamado a atenção por proliferarem em locais 
desocupados, pastagens, culturas perenes como citros e café, bem como em plantações anuais de 
algodão, milho, soja e trigo (Horvath et al., 2023). 
Diante disso, é crucial integrar uma variedade de métodos de controle e adaptar as 
estratégias de acordo com as características individuais de cada local e o grau de infestação das 
plantas daninhas. Além disso, a prevenção de futuras infestações por meio de práticas de manejo 
apropriadas e vigilância regular é igualmente indispensável para um controle eficaz das espécies. 
Objetiva-se com esta revisão bibliográfica, apresentar trabalhos que abordem os casos de 
resistência da Conyza spp., analisando seu histórico, disseminação e formas de controle. 
 
2 REFERENCIAL TEÓRICO 
 
2.1 HISTÓRICO DE DISSEMINAÇÃO 
 
A buva (Conyza spp.) é uma espécie nativa do continente americano, originalmente uma 
planta indígena, que se espalhou para outros países, incluindo Canadá, Brasil, Argentina, 
Austrália, China, e países europeus, como mostrado na Figura 1 (Pieterse, 2010). Ela é conhecida 
por se espalhar rapidamente devido à sua alta capacidade de reprodução, produzindo grande 
quantidade de sementes que são facilmente dispersas pelo vento. 
 
 
 
 
 
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Figura 1. Surgimento e disseminação da buva pelo resto do mundo. 
 
Fonte. Pieterse (2010). 
 
No que se refere ao histórico e às características das principais espécies, pode-se concluir 
que Conyza bonariensis é nativa da América do Sul, podendo atingir entre 40 e 120 cm de altura, 
com ramificações na parte superior do caule que excedem o topo da planta, assim como a 
inflorescência. As folhas dessa espécie apresentam margens lisas ou com pequenos dentes 
(Manalil et al., 2017). Já Conyza canadensis, nativa da América do Norte, pode crescer entre 80 
e 150 cm de altura, com folhas denteadas e ramos superiores que não ultrapassam o topo da 
planta. Esta espécie apresenta uma ampla panícula terminal no ramo principal (Horvath et al., 
2023). 
 
2.2 BIOLOGIA E MORFOLOGIA DA CONYZA SPP. 
 
Battaglin et al. (2014) definem Conyza spp. como pertencentes à família Asteraceae, 
popularmente conhecida como "buva". Essa planta daninha comum é encontrada em diversas 
regiões do mundo, dependendo da espécie, especialmente em áreas agrícolas. As plantas 
apresentam folhas alternadas, lanceoladas e com bordas serrilhadas. As flores são pequenas, 
podendo ser brancas, amareladas ou rosadas, dependendo da espécie (Figura 2). 
 
 
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Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.8, p. 01-15, 2024 
 
Figura 2. Planta da buva com flores 
 
Fonte: Up. Herb – Academia das Plantas Daninhas. https://upherb.com.br/int/buva. 
 
Lorenzetti et al. (2024) destacam que a reprodução por sementes dessa espécie é 
extremamente eficaz, garantindo sua perpetuação por muito tempo. A morfologia das sementes 
aladas e dos frutos de aquênio permite fácil dispersão pelo vento, conferindo à buva uma 
vantagem evolutiva em relação a outras plantas. Uma única planta pode produzir entre 50 mil e 
200 mil sementes. As inflorescências são do tipo capítulo com flores terminais em panículas, 
medindo cerca de 3-5 mm, como pode ser obervada na Figura 3 (Santos, 2012). 
 
Figura 3. Tipos de Inflorescência da Conyza spp. (A) Piramidal a losangular; (B) Cilíndrico folhoso; (C) 
Ramificada; (D) Brácteas da inflorescência ramificada.
 
Fonte: Adaptada de Santos (2012). 
 
 
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Santos (2012), ciente da dificuldade de identificação das diferentes espécies de Conyza 
spp., elaborou uma tabela (Figura 4) que auxilia na identificação para um possível controle 
eficiente da planta daninha, mostrando suas características, origens e aspectos gerais como 
inflorescência, ramificações e caule. 
 
Figura 4. Tabela de identificação de espécies de Conyza spp.
 
Fonte: Elaborada por Santos (2012). 
 
Meesaragandla et al. (2024) afirmam que um controle efetivo da buva requer 
conhecimento prévio sobre sua morfologia, biologia e fisiologia, para que se possam aplicar 
técnicas eficazes baseadas em resultados. 
 
3 METODOLOGIA 
 
Esta revisão narrativa busca identificar e analisar estudos realizados sobre a planta 
daninha buva (Conyza spp.) em casos de resistência a herbicidas na agricultura. Espera-se, por 
meio desta revisão, obter dados bibliográficos que proporcionem um panorama geral dessa planta 
daninha, estudada em diversos territórios, e identificar em quais culturas ela está causando danos, 
além de quais mecanismos de ação estão apresentando resistência. Ademais, busca-se identificar 
quais países, revistas ou jornais estão publicando mais sobre essa temática. 
 
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Espera-se também encontrar respostas e esclarecimentos para algumas questões de 
pesquisa, tais como: quais são as explicações para os casos de resistência da buva; como esses 
estudos estão distribuídos geograficamente pelo mundo; qual o perfil bibliométrico dos estudos 
encontrados; quais territórios, populações e atividades são impactados pelos estudos; e quais os 
desafios e dificuldades enfrentados durante os estudos em relação ao método. 
A população considerada foi composta por pesquisas sobre os casos de resistência da 
Conyza spp. em diferentes sistemas agrícolas. Os resultados abrangem o perfil das pesquisas 
desenvolvidas até o momento sobre resistência a herbicidas em diferentes culturas de interesse 
econômico. Foram utilizadas como fontes de controle as publicações encontradas no Scopus, na 
Web of Science e no Google Scholar, com o tema "casos de resistência da Conyza spp.", em um 
vasto intervalo de tempo até 2024. 
A busca das fontes foi definida de acordo com os critérios de disponibilidade para 
consulta via web, presença de mecanismos de busca por palavras-chave, garantia de resultados 
únicos quando buscados com o mesmo conjunto de palavras-chave, e a inclusão de artigos 
científicos publicados em periódicos das áreas de meio ambiente e agrárias, ou em periódicos 
interdisciplinares que abordem o assunto tratado. 
 
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES 
 
A resistência de certas plantas à herbicidas é um fenômeno natural que surge 
espontaneamente dentro das populações. Nesse contexto, o herbicida não causa a resistência, mas 
atua como um agente seletor dos indivíduos resistentes, que inicialmente se encontram em baixa 
frequência. No entanto, quando herbicidas com o mesmo mecanismo de ação são aplicados 
repetidamente ao longo de vários anos, ocorrem mudanças na composição da flora infestante 
(Tahmasebi et al. 2018). 
O controle da buva na agricultura é complexo devido à sua rápida dispersão e capacidade 
de desenvolver resistência a herbicidas. Assim, estratégias de controle integrado são essenciais 
para minimizar seu impacto. Embora a erradicação completa possa ser difícil, é possível amenizar 
e controlar sua influência negativa na produção agrícola. Entre essas estratégias, incluem-se 
métodos culturais, como rotação de culturas e plantio direto, que podem reduzir a infestação de 
 
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buva ao interromper seu ciclode vida e criar condições desfavoráveis para seu crescimento 
(Baylis 2000). 
Horvath et al. (2023) sugerem que estratégias como rotação de culturas e plantio direto, 
embora possam colaborar para o envolvimento da buva em alguns casos, ajudam a controlar essa 
planta daninha e dificultam sua proliferação em sistemas agrícolas. Além disso, o uso de 
herbicidas com diferentes mecanismos de ação, em combinação com práticas agrícolas 
sustentáveis, é essencial para gerenciar a resistência e controlar a buva de maneira eficaz. 
González-Torralva et al. (2012) afirmam que o controle químico ainda é amplamente 
utilizado, mesmo com o desenvolvimento de resistência em algumas espécies. No entanto, novas 
estratégias de rotação de herbicidas com diferentes modos de ação e o uso de doses adequadas 
são fundamentais para manter a eficácia dos herbicidas químicos no controle da buva. O glifosato 
se destaca nesse contexto, pois seu mecanismo de ação interrompe a via do ácido chiquímico, 
que é responsável pela produção dos aminoácidos aromáticos fenilalanina, tirosina e triptofano 
(Hess, 1994). 
De acordo com Horvath et al. (2023), as espécies de buva, devido ao seu rápido 
crescimento e capacidade de formar densas populações, pode impedir o crescimento das culturas 
na área de produção, competindo intensamente com culturas agrícolas por recursos como luz 
solar, água, CO2 e nutrientes do solo. (Garcia et al., 2013). 
Ainda segundo Horvath et al. (2023), diversos fatores contribuem para a disseminação e 
perpetuação das espécies de buva, com destaque para distúrbios e estresse. O distúrbio, em 
particular, desempenha um papel crucial na disseminação e resistência adquirida por essas 
plantas. 
Constantin et al. (2013) ressaltam que o uso do sistema de plantio direto em larga escala, 
especialmente no sul do Brasil, pode proporcionar maior cobertura ao solo, melhor umidade, 
criando condições ideais para a emergência de plântulas de buva, graças à umidade e temperatura 
adequadas. No entanto, a buva é uma planta fotoblasta positiva, ou seja, necessitam diretamente 
da luz no seu processo de germinação, sendo assim, é possível que a palhada formda pelo plantio 
ditero forme uma barreira, impedindo o seu desenvolvimento. 
Heap (2014) destaca que o uso contínuo de glifosato em cultivares resistentes, como soja 
e milho, nos sistemas de sucessão soja/milho, onde há uma necessidade constante de controle de 
plantas daninhas, levou ao uso intensivo desse herbicida pós-emergente seletivo em diversas 
 
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regiões produtoras. Isso, por sua vez, gerou uma forte pressão de seleção, resultando no 
surgimento de biótipos resistentes a essa molécula. 
A resistência da buva (Conyza spp.) a herbicidas não é um problema recente. Os primeiros 
casos documentados de resistência da Conyza spp. a herbicidas datam de 1980, no Japão e em 
Taiwan, especificamente na espécie C. canadensis ao herbicida paraquat, um inibidor do 
fotossistema I. Desde então, C. canadensis desenvolveu resistência em 18 países, com 64 casos 
registrados, abrangendo cinco mecanismos de ação diferentes (Silva Santos et al., 2020). Outra 
espécie resistente é C. bonariensis, que se espalhou por 12 países e apresenta 20 casos de 
resistência a quatro mecanismos de ação. A C. sumatrensis, por sua vez, apresenta 16 casos de 
resistência a cinco mecanismos de ação em oito países da Europa, com os primeiros casos 
documentados na década de 1980, aos herbicidas inibidores da fotossíntese (PSI) (Danilussi et 
al., 2023). 
Segundo Heap (2024), no Brasil, a buva adquiriu resistência primeiramente ao herbicida 
glifosato nas espécies C. bonariensis e C. canadensis em 2005. Já para a espécie C. sumatrensis, 
a resistência foi observada apenas em 2010, com múltipla resistência a glifosato e chlorimuron 
identificada em 2011. 
Madureira e Silva (2012) destacam que o glifosato [N-(fosfonometil)-glicina] é um 
herbicida pós-emergente não seletivo, amplamente utilizado no mundo, sendo absorvido pelas 
folhas e outros tecidos jovens da planta, e translocado através do floema para os tecidos 
meristemáticos. Seu modo de ação é baseado na inibição da enzima 5-enolpiruvilshikimato-3-
fosfato sintase (EPSPS), que é crucial na via do chiquimato, bloqueando a biossíntese de 
fenilalanina, triptofano, tirosina e outros compostos aromáticos em plantas suscetíveis. 
No entanto, algumas plantas, como Conyza spp., adquiriram resistência ao glifosato, 
tornando difícil o controle das plantas infestantes (Zheng et al., 2011). No estudo de Okumu et 
al. (2019), realizado na África do Sul, os efeitos fitotóxicos do glifosato foram detectados entre 
5 e 14 dias após o tratamento, observando-se amarelecimento e clorose nas folhas. No entanto, 
nas plantas resistentes, observou-se atrofiamento e pouca clorose, além de pequenas lesões 
necróticas, sem prejuízo significativo para a recuperação dos efeitos provocados pelo herbicida. 
Moreira et al. (2007) explicam que a resistência aos herbicidas inibidores da ALS é 
geneticamente determinada por mutações no gene responsável pela codificação dessa enzima, 
crucial na biossíntese de aminoácidos como leucina, isoleucina e valina. Essas mutações em 
 
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locais distintos provavelmente são responsáveis pelos diferentes padrões de resistência cruzada 
aos herbicidas inibidores da ALS, conforme observado por Manalil et al. (2017). 
Estudos relacionados à resistência de plantas daninhas indicam que essa elevada 
resistência aos inibidores de ALS pode ter sido provocada pelo uso exaustivo de controle 
químico, sem as devidas precauções, como aplicação de doses elevadas e em condições 
ambientais inadequadas (Heap, 2024). Outros fatores, como redução na concentração do 
herbicida, absorção foliar reduzida, metabolização intensa do herbicida na planta e variabilidade 
genética, também podem ter contribuído para a pressão de seleção das plantas daninhas (Oliveira 
et al., 2011). 
Para aumentar a eficiência no controle das plantas daninhas, pesquisadores 
desenvolveram períodos de manejo específicos com o objetivo de aprimorar o controle e evitar 
gastos desnecessários (Kruse et al., 2000; Magalhães et al., 2001). Os estudos sobre a 
interferência das plantas daninhas em culturas agrícolas visam determinar os períodos críticos de 
interação entre culturas e comunidades infestantes. Esses períodos foram definidos como: 
período total de prevenção à interferência (PTPI), período anterior à interferência (PAI) e período 
crítico de prevenção à interferência (PCPI), que refletem a adequação das condições de 
implantação e manejo das culturas (Biffe et al., 2018). 
O período crítico de prevenção à interferência (PCPI) das plantas daninhas foi 
identificado como ocorrendo próximo à 5ª semana (35 dias), quando as plantas daninhas 
começam a reduzir drasticamente a produtividade da cultura. É crucial tomar medidas de controle 
antes que as plantas daninhas atinjam esse estágio para evitar perdas significativas na cultura 
(Horvath et al., 2023). 
Na revisão realizada por Horvath et al. (2023), os autores exploram um novo paradigma 
no estudo das perdas de produtividade causadas por plantas daninhas em culturas agrícolas. Eles 
destacam que as perdas de rendimento devido às plantas daninhas têm sido historicamente 
subestimadas e subavaliadas. Os autores argumentam que as plantas daninhas não apenas 
competem por recursos com as culturas, mas também afetam negativamente sua fisiologia e 
desenvolvimento, incluindo a competição por água, nutrientes e luz solar, além da liberação de 
substâncias químicas que inibem o crescimento das plantas cultivadas. 
Bajwa et al. (2016) ressaltam a importância da conscientização e educação dos 
agricultores sobre a identificação precoce dabuva e a implementação de medidas de controle 
 
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Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.8, p. 01-15, 2024 
 
eficazes. Para o manejo bem-sucedido dessa planta daninha, é necessária uma abordagem 
integrada que combine diferentes métodos de controle, minimizando assim seu impacto nas 
culturas. A implementação eficaz dessas estratégias pode ajudar a reduzir os prejuízos causados 
pela buva e promover a produtividade agrícola. 
 
5 CONCLUSÃO 
 
Sendo assim, a conyza spp., popularmente conhecida como Buva, representa um desafio 
significativo para a agricultura devido à sua capacidade de competir com as culturas por recursos 
essenciais, como nutrientes, água e luz solar. Além disso, sua rápida dispersão e a habilidade de 
desenvolver resistência a herbicidas tornam seu controle ainda mais complexo. 
A implementação de estratégias de manejo integradas é essencial para minimizar o 
impacto da Buva na agricultura. Isso inclui o uso de métodos culturais, como rotação de culturas 
e plantio direto, bem como o emprego de herbicidas com diferentes modos de ação para reduzir 
a pressão de seleção para resistência. Além disso, é fundamental investir em pesquisa e 
desenvolvimento de novas tecnologias e abordagens de manejo para lidar com os desafios 
apresentados pela buva. Isso inclui o desenvolvimento de cultivares resistentes, o uso de 
bioherbicidas e a integração de técnicas de controle biológico. 
 
 
 
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