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PROCESSO DE CONFORMAÇÃO Marcelo Quadros Forjamento Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir os processos de forjamento direto e indireto. Reconhecer as variáveis do processo de forjamento. Identificar as aplicações do processo de forjamento. Introdução O processo de forjamento, um dos mais antigos e importantes processos de conformação mecânica, teve início há muitos anos, com os ferreiros. Atualmente, está presente nas indústrias mecânica, automotiva, agrícola, naval, aeroespacial, etc. Essa tecnologia mecânica é capaz de produzir peças dos mais variados tamanhos e formatos. São forjados desde os componentes mais simples, como parafusos e chaves de boca, até os mais complexos, como grandes eixos e rotores. O forjamento pode ser efetuado de forma direta ou indireta, por meio de martelamento ou prensagem em matrizes abertas ou fechadas. Embora certos metais possam ser forjados a frio, como peças de pequeno porte, a maioria das operações de forjamento é feita a quente, por meio do esforço de compressão sobre um material dúctil, de tal modo que o seu produto final assuma o contorno ou o perfil das ferramentas de trabalho. Neste capítulo, você vai aprender a identificar as variáveis e particula- ridades de cada método, como o material a ser forjado, a resistência me- cânica do material, a quantidade de peças a serem forjadas, a precisão de dimensionamento e de acabamento superficial, e as máquinas e matrizes a serem utilizadas no processo. Ainda, você vai estudar a aplicabilidade do forjamento em comparação a outros processos. Ao final, deverá ser capaz de determinar qual é o melhor processo a ser desenvolvido para a manufatura de cada produto, levando em conta a sua aplicabilidade, viabilidade técnica-econômica e eficiência produtiva, atentando para fatores econômicos, técnicos, operacionais, dimensionais e tecnológicos. Processo de forjamento O processo de forjamento inicialmente parece simples: consiste em pegar um lingote e deformá-lo plasticamente entre duas matrizes para obter a confi gu- ração fi nal desejada. Porém, na prática, não é tão simples. Nesse processo, se apenas uma das escolhas de método, tipo ou temperatura for realizada de forma errônea, teremos um produto com um custo altíssimo, sem precisão nas medidas, com péssimo acabamento, ou com falhas internas, porosidades e trincas. Dependendo do tipo de processo adotado no forjamento, pode-se gerar mínima perda de material, bom acabamento superficial e ótima precisão dimensional. Diversas técnicas produtivas são adotadas para forjar peças e melhorar as suas características metalúrgicas. Algumas dessas técnicas são executadas por meio de um simples forjamento, enquanto outras utilizam máquinas e processos de última geração. Para que nosso processo seja viável, precisamos entender e otimizar os métodos de forjamento, classificando-os de maneira sistemática, como veremos a seguir. Quanto à temperatura da peça de trabalho Com relação à temperatura de trabalho do produto a ser forjado, o processo de forjamento é classifi cado em forjado a quente (mais comum) e forjado a frio. Veremos ambos a seguir. Forjado a quente A maioria das operações de forjamento de metal é realizada a quente, devido à necessidade de se produzir uma grande quantidade de deformação plástica no produto e de eliminar o problema da deformação do metal. O forjamento a quente tem como vantagens a maior ductilidade e a menor resistência do material de trabalho. A temperatura de trabalho nesse tipo de forjado está acima da zona de recristalização do material. Essa temperatura é variável, sendo diretamente relacionada à estrutura do aço que desejamos forjar (Figura 1). Forjamento2 Figura 1. Peça sendo forjada a quente. Fonte: SvedOliver/Shutterstock.com. Nesse processo, é extremamente necessário conhecer detalhadamente as tensões de escoamento e de tração e as zonas de transformação de fase em função da temperatura. Uma vez ajustados os parâmetros do forjamento, evitamos defeitos e otimizamos todo o processo. Forjado a frio Apesar de o processo se chamar forjado a frio, o material também é aquecido, mas abaixo da temperatura de recristalização. Nos casos em que é desejável criar um endurecimento de tensão favorável da peça, além de precisão nas medidas e no acabamento superfi cial, o forjamento a frio é o processo mais aconselhável. Esse método, embora exija forças mais altas, tem uma grande vantagem: o material, depois de forjado, apresenta um ótimo acabamento superficial, bem como mantém a exatidão das medidas geradas no processo (Figura 2). 3Forjamento Figura 2. Peças de grande precisão e acabamento forjadas a frio. Fonte: Aumm graphixphoto/Shutterstock.com. Alguns processos específicos de forjamento de metal são sempre exe- cutados a frio, como a cunhagem, o recalque e a extrusão. Outros exemplos bem conhecidos de forjamento a frio são as peças produzidas para a indústria automotiva, produzidas em enormes lotes. Elas requerem grande precisão, ótimo acabamento e resistências mecânicas compatíveis às suas funções. Quanto ao tipo de matriz de forjamento Com relação à matriz de forjamento, podemos escolher entre a matriz aberta e a matriz fechada. Matriz aberta Nesse tipo de forjamento, o material é conformado entre matrizes planas de formatos geralmente simples, conforme mostra a Figura 3. Também podemos forjar utilizando mandris, pinos, matrizes de forma e ferramentas independen- tes, que normalmente não se fecham completamente. Dessa forma, o processo faz com que o material seja deformado livremente nas direções laterais da carga aplicada. Forjamento4 Figura 3. Exemplo de matriz aberta. As matrizes abertas são utilizadas geralmente para fabricar peças de grande porte, com formatos relativamente simples (Figuras 4 e 5), em pe- quena quantidade. Figura 4. Exemplo de matriz aberta para peças de grandes dimensões. Fonte: Milos Zvicer/Shutterstock.com. 5Forjamento Figura 5. Exemplo de matriz aberta para peças de grandes dimensões. Fonte: Khrushchev Georgy/Shutterstock.com. Como exemplos, temos eixos navais e aeroespaciais, turbinas, ganchos, correntes, âncoras e ferramentas agrícolas. Também é realizada por esse processo a pré-conformação de peças que serão submetidas posteriormente a operações de forjamento mais complexas. Mesmo sendo o processo mais sim- ples de forjamento, esse método exige uma grande habilidade dos operadores. Matriz fechada Nesse tipo de forjamento, a matriz possui o formato da peça a ser forjada (Figura 6), ocorrendo a deformação sob alta pressão em cavidades. Figura 6. Exemplo de matriz fechada. Forjamento6 Figura 7. Processo de forjamento utilizando matriz fechada. Fonte: Aumm graphixphoto/Shutterstock.com. O processo de forjamento em matriz fechada requer extrema precisão nos cálculos de volume, pois o material deverá preencher completamente as cavidades da matriz. Erros nos cálculos podem gerar quantidade insuficiente de material da peça, ou ainda excesso de material, gerando sobrecarga na força aplicada pela máquina e, consequentemente, sua possível quebra, além de danos na matriz. Quanto aos equipamentos de forjamento O forjamento pode ser dividido em dois métodos, com relação à aplicação de carga sobre o produto a ser desenvolvido: por impacto, conhecido como martelamento, ou por pressão. Nesse tipo de prensagem, os componentes forjados são moldados por martelos ou por prensas mecânicas e hidráulicas, que veremos a seguir. Martelamento O forjamento com martelamento é realizado com a aplicação de golpes rápidos e sucessivos no metal, tendo pressão máxima no primeiro contato do martelo 7Forjamento com a peça. Em seguida, rapidamente se normalizam a força e a intensidade do golpe, gerando uma deformação direcionada às camadas superfi ciais da peça, conforme mostra a Figura 8. Figura 8. Material sendo martelado. Fonte: OSDG/Shutterstock.com.Nesse método, é aplicada uma força de 200 Kgf até 3.000 Kgf. O marte- lamento pode ocasionar deformações irregulares caso os parâmetros de força e posição estejam fora dos parâmetros do processo. A qualidade final do produto, o custo e a produtividade desse método dependem do ferramental e da habilidade do operador. Peças como pontas de eixo, virabrequins e discos de turbinas utilizam esse tipo de forjamento. Os requisitos desse processo devem ser compatíveis com as características de carga, energia, tempo e precisão do martelo de forjamento. Prensagem A prensagem é realizada com a aplicação de uma única ação de compressão contínua, em menor velocidade, se comparada ao martelamento. É realizada por meio de prensas mecânicas, que atingem forças entre 100 Kgf e 8.000 Kgf, e prensas hidráulicas, que exercem forças bem superiores, podendo chegar até 50.000 toneladas-força. Nessas prensas, são realizados tanto o forjado a quente quanto o forjado a frio, devido à sua capacidade de carga. A Figura 9 mostra os diferentes equipamentos de forjamento. Forjamento8 Figura 9. Equipamentos de forjamento: a) martelo pneumático, b) prensa mecânica e c) prensa hidráulica. Fonte: a) Alibaba (2018, documento on-line); b) SARIN KUNTHONG/Shutterstock.com; c) Prabhjit S. Kalsi/Shutterstock.com. Na prensagem, a pressão máxima é atingida gradativamente; dessa forma, a deformação se torna mais regular, porém tem um custo inicial maior que o do processo de martelamento. Como exemplo de aplicação desse método temos as peças de grande porte, como mostra a Figura 10. Na escolha da prensa para esse processo devemos levar em consideração a flexibilidade, a capacidade, 9Forjamento a velocidade e o custo. A prensa hidráulica tem as vantagens de flexibilidade e capacidade, já a prensa mecânica tem como vantagens ser uma máquina mais rápida e de menor custo. Figura 10. Prensagem de uma peça de grande porte. Fonte: Milos Zvicer/Shutterstock.com. Variáveis do processo No forjamento, como em qualquer outro processo de conformação e transfor- mação de metais, existem inúmeras variáveis a serem verifi cadas, das quais destacam-se, pela sua importância: o material a ser forjado; a resistência mecânica do material; a quantidade de peças a serem forjadas; a precisão do dimensionamento e do acabamento superficial; as máquinas e matrizes a serem utilizadas no processo de forjamento. Levando-se em consideração essas características, teremos um processo que garante a qualidade do produto forjado e melhora a sua microestrutura, mantendo resistências mecânicas aptas à função das peças obtidas e respeitando as especificações de dimensões e acabamento superficial do projeto. Forjamento10 Material a ser forjado Um dos fatores determinantes do forjamento é o material que será forjado. Praticamente todos os materiais metálicos podem ser forjados. Em alguns casos, as ligas metálicas são ajustadas em função da conformabilidade do material, pois todos os outros fatores dependem desse quesito. Para cada tipo de material teremos uma temperatura diferente, conforme mostra a Tabela 1. Fonte: Adaptada de Chiaverini (1986). Metais ou ligas Faixa aproximada de temperatura de forjamento, em C° Ligas de alumínio 400–550 Ligas de cobre 600–900 Aços carbono e de baixa liga 850–1.150 Aços inoxidáveis martensíticos 1.100–1.250 Aços maraging 1.100–1.250 Aços inoxidáveis austeníticos 1.100–1.125 Ligas de níquel 1.000–1.150 Aços inoxidáveis semiausteníticos PH 1.100–1.250 Ligas de titânio 700–950 Superligas à base de ferro 1.050–1.180 Superligas à base de cobalto 1.180–1.250 Ligas de nióbio 950–1.150 Ligas de tântalo 1.050–1.350 Ligas de molibdênio 1.150–1.350 Superligas à base de níquel 1.050–1.200 Ligas de tungstênio 1.220–1.300 Tabela 1. Faixa de temperatura de forjamento No forjamento, o material bruto terá sempre uma geometria relativamente sim- ples. Esse material deve ser plasticamente deformado em uma ou mais operações quando necessitamos de um produto final de configuração relativamente complexa. 11Forjamento Resistência mecânica do material O processo de forjamento produz peças com propriedades mecânicas superiores em relação a outros processos, com o mínimo desperdício de material. Apli- cações que demandam elevada resistência mecânica, ductilidade, resistência à fl uência e tenacidade dependerão do tipo de aço e suas ligas. Quantidade de peças a serem forjadas A quantidade de peças a serem forjadas é um dos fatores determinantes do tipo de processo dentro do forjamento — a frio ou a quente, em matriz aberta ou matriz fechada. Dessa forma, o processo se tornará economicamente atra- ente quando um grande número de peças for produzido ou, ainda, quando as propriedades mecânicas exigidas no produto fi nal puderem ser obtidas em um processo simples de forjamento. Precisão do dimensionamento e acabamento superficial Entre as variáveis mais importantes do processo estão a precisão no dimen- sionamento, o grau de acabamento superfi cial e a precisão geométrica da peça obtida. As tabelas das Figuras 11 e 12 apresentam um demonstrativo desses parâmetros em comparação a outros processos mecânicos. Figura 11. Tolerâncias de precisão e de acabamento conforme o processo empregado. Fonte: Esperança (c2018, documento on-line). Forjamento12 Figura 12. Graus de tolerância geométrica conforme o processo empregado. Fontes: Grupo Setorial de Metalurgia do Pó (2011). Máquinas e matrizes utilizadas no processo de forjamento As máquinas utilizadas no processo de forjamento são o martelo e as prensas — subdivididas em prensa mecânica e prensa hidráulica. Uma vez determinada a máquina, teremos que desenvolver a matriz de forjamento. O primeiro passo é a seleção do material da matriz, que depende principalmente do tamanho, da composição e das propriedades da peça a serem forjadas. Em seguida, devemos verificar a complexidade da forma da matriz e, a seguir, o número de etapas de execução e o número de peças a serem forjadas. Outros fatores de extrema importância são a temperatura de forjamento e o tipo de operação a ser realizado. Para se aprofundar no conhecimento de projetos de matrizes, consulte o livro Tecnologia Mecânica V. 2: Processos de Fabricação e Tratamento, de Vicente Chiaverini. 13Forjamento Selecionado o material da matriz e as suas características iniciais, o conhecimento da força e da ductilidade do material, da taxa de deformação e das características de resistência mecânica e térmica, como desgaste, atrito, compressão e elasticidade, deve ser levado em consideração durante o processo. A Figura 13 mostra as matrizes empregadas em cada método de forjamento. Figura 13. Matrizes de forjamento: a) martelamento, b) matriz aberta e c) matriz fechada. Fonte: Adaptada de Aumm graphixphoto/Shutterstock.com. Aplicações do forjamento O processo de forjamento é aplicado em vários segmentos industriais. A correta aplicação do método e, principalmente, a escolha desse processo em detrimento de outros, como fundição, usinagem e metalurgia do pó, são desafi os para o profi ssional que trabalha no desenvolvimento de produtos. Veremos a seguir as vantagens de aplicação do forjamento em relação a outros processos de fabricação. Forjamento14 Forjamento ou fundição? O produto forjado, sem dúvidas, oferece uma resistência maior do que a peça fundida, em função dos efeitos dos trabalhos a quente e a frio na estrutura, que fortalecem o material, vedam fi ssuras, fecham espaços vazios e refi nam os grãos, deixando-os corretamente orientados. A Figura 14 mostra uma comparação da estrutura interna dos materiais de acordo com o processo a que foram submetidos. Figura 14. Estrutura interna do material: a) forjado e b) fundido. Com o refinamento dos grãos, cria-se alta resistência e ductilidade, deixando os produtos forjados mais confiáveis e oferecendo melhor performance no tratamento térmico. O material fundido não tem fibramentoe resistência dire- cional. Consequentemente, a fundição ocasiona alguns defeitos metalúrgicos. Outra vantagem de utilizar o processo de forjamento é que os custos de produção para peças em série e o controle do processo são mais flexíveis, gerando uma redução do custo conforme a demanda. Em alguns processos de fundição, como os de performance especial, são necessários materiais de alto custo e maior controle do processo. Por fim, as grandes vantagens do processo de forjamento em relação à fundição, em especial do forjado a frio, são a precisão no dimensionamento e o melhor acabamento superficial do produto gerado. Atualmente os avan- ços tecnológicos do forjamento de metal e do projeto de matriz permitem o desenvolvimento do chamado de forjamento de precisão. 15Forjamento A desvantagem do forjamento de precisão é a necessidade de maquinário especial, de matriz e de um controle extremo do processo de fabricação. O posicionamento da peça de trabalho na cavidade deve ser realizado de forma precisa, e a quantidade de material de trabalho e o fluxo desse material no molde devem ser determinados com precisão. Por essas razões, o processo de forjamento de metal proporciona vantagens distintas nas propriedades mecânicas, menor custo em produções seriadas e melhores tolerâncias dimensionais e geométricas e de acabamento superfícial em relação ao processo de fundição. Forjamento ou usinagem? É difícil descrever qual desses processos é o melhor, pois, na maioria das vezes eles se completam: várias peças produzidas iniciam pelo forjamento e depois passam pela usinagem de precisão. Porém a grande vantagem das peças forjadas é ter seu grão orientado ao perfil, gerando maior resistência. As barras e tarugos usinados são mais suscetíveis à fadiga e à corrosão, em função de a usinagem cortar o formato do grão do material, conforme mostra a Figura 15. Na maioria dos casos, o forjado gera uma estrutura de grão orientada pela forma da peça, resultando em maior ductilidade e resistência ao impacto e à fadiga. Figura 15. Estrutura do material: a) forjado e b) usinado. Forjamento16 O processo de forjamento é mais econômico do que a usinagem, em função de resultar em uma peça com formato aproximado ao desejado, evitando a presença de material onde não é solicitado. Já o processo de usinagem consome mais material que o necessário na remoção de cavaco, aumentando os custos de produção, em função do tempo maior de usinagem, e os desgastes de ferramentas e máquinas. Como exemplo de peças que passam por esses processos temos os anéis, os virabrequins e as bielas. Outra grande vantagem do forjamento em peças é que este requer menos operações secundárias. Dessa forma, as peças não necessitam de opera- ções como torneamento, fresamento, furação ou retificação para remover irregularidades de superfície e gerar o acabamento desejado, respeitando as tolerâncias dimensionais, geométricas e de acabamento superficial. Entretanto, quando necessitamos de peças extremamente precisas e com grande resistência aos esforços (como peças automotivas como juntas homocinéticas, cardans e virabrequins), é preciso utilizar os dois processos concomitantemente, para que se obtenha o melhor de cada um deles. Nesse caso, obtêm-se peças com grande resistência mecânica, tolerâncias dimensionais e geométricas garantidas e um excelente aca- bamento superficial. Forjamento ou metalurgia do pó? O refi namento e a orientação dos grãos nos pontos críticos de tensão de uma peça forjada asseguram maior resistência do que o processo de meta- lurgia do pó, uma vez que as propriedades mecânicas como a tenacidade e a ductilidade são muito baixas nas peças produzidas por meio desse último. Outro fator que devemos levar em consideração é que o processo de forjamento utiliza materiais menos dispendiosos; a matéria prima para peças de metalurgia do pó de alta qualidade tem um custo bem maior do que a dos materiais forjados. Assim como na comparação com o processo de usinagem, os forjados requerem menos operações secundárias do que a metalurgia do pó. No mé- todo de metalurgia do pó, furos H7 e rosqueamento necessitam de usinagens externas especiais; já no forjamento, seus acabamentos superficiais se tornam excelentes e consistentes, principalmente no forjado a frio, como verificamos nos comparativos anteriores. 17Forjamento A grande vantagem do forjamento frente à metalurgia do pó é a flexibi- lidade, já que as peças da metalurgia têm suas formas limitadas àquelas que podem ser ejetadas na direção de prensagem. Forjamento ou soldagem? O produto forjado sem dúvida oferece uma resistência maior do que as peças soldadas, devido à uniformidade do grão e às suas propriedades metalúrgicas, consequentemente mais consistentes. O excesso de calor no aquecimento em determinados pontos seletivos e o resfriamento não uniforme que ocorrem no processo de soldagem provocam propriedades metalúrgicas indesejáveis, como estrutura de grão inconsistente. Essa inconsistência, na prática, gera uma união soldada que pode conduzir a uma falha da peça nesse determi- nado ponto. Isso não acontece no processo de forjamento, pois as peças não apresentam defeitos internos, o que elimina possíveis falhas causadas por impactos e sobretensões da peça em campo. Outra desvantagem da soldagem é que o processo de inspeção deve ser rigoroso. Uniões soldadas podem gerar trincas e porosidade. Nesse caso, o processo de inspeção se torna mais dispendioso em comparação ao forjamento. Além disso, temos um elevado custo no processo de soldagem em função da escolha do tipo de união e devido aos materiais sólidos e gasosos aplicados ao processo e aos riscos de explosão. Embora o forjamento origine um produto de resistência superior se comparado a outros processos de fabricação, como fundição, soldagem, usinagem e metalurgia do pó, podem ocorrer algumas falhas ou defei- tos, se não forem tomados os devidos cuidados no projeto e no processo de forjamento. São elas: a falta de redução, as trincas superficiais, as trincas internas, as rebarbas, as gotas frias, as incrustações de óxido e a descarbonetação. Forjamento18 1. Quando é utilizado o processo de forjamento a frio? a) No forjamento de peças simples. b) No forjamento de peças de grandes dimensões. c) No forjamento de peças de grande precisão e acabamento. d) No forjamento de peças não metálicas. e) Somente nos processos de cunhagem e recalque. 2. Quando é utilizado o processo de forjamento em matriz fechada? a) Nos processos de forjamento a quente, em peças simples e de pequenas dimensões. b) Quando é necessário evitar excesso de material no forjamento. c) Quando a peça tem grandes dimensões e precisa estar em uma matriz fechada. d) Quando se deseja diminuir os custos de produção. e) Nos processos de maior exatidão e formato complexo. 3. Quais são as variáveis do processo de forjamento que o profissional precisa conhecer? a) Material a ser forjado, resistência à fadiga do material, precisão do dimensionamento e acabamento, precisão do acabamento superficial, máquinas e matrizes a serem utilizadas no processo de forjamento. b) Material a ser forjado, resistência à oxidação do material, quantidade de peças a serem forjadas, precisão do dimensionamento e acabamento superficial, máquinas e matrizes a serem utilizadas no processo de forjamento. c) Material a ser forjado, resistência mecânica do material, quantidade de peças a serem forjadas, precisão do dimensionamento e acabamento superficial, máquinas e matrizes a serem utilizadas no processo de forjamento. d) Tipo de forjamento, resistência mecânica do material, número de peças a serem forjadas, precisão do dimensionamento e acabamento superficial, máquinas e matrizes a serem utilizadas no processo de forjamento. e) Tipo de forjamento, resistência mecânica do material, quantidade de peças a serem forjadas, precisão do dimensionamento e acabamento superficial,temperaturas a serem utilizadas no processo de forjamento. 4. Quando comparamos o processo de forjamento ao de fundição, por que escolhemos aplicar o forjamento? 19Forjamento a) A aplicação do processo de forjamento é favorável, nesse caso, porque a estrutura dos grãos forma sulcos internos que reforçam a dureza do material. b) A aplicação do processo de forjamento é favorável, nesse caso, porque a matriz fechada tem baixo custo; porém, a produção deve ser baixa. c) A aplicação do processo de forjamento é favorável quando necessitamos de peças que não exijam precisão. d) A aplicação do processo de forjamento é favorável, nesse caso, devido às propriedades mecânicas, ao menor custo em produções seriadas e às melhores tolerâncias dimensionais e geométricas. e) A aplicação do processo de forjamento é favorável, nesse caso, porque o processo de fundição requer altas temperaturas no processo, gerando alto risco de explosão. 5. Quando comparamos o processo de forjamento ao de usinagem, por que escolhemos aplicar o forjamento? a) A aplicação do processo de forjamento é favorável, nesse caso, porque há um rompimento da estrutura do material, auxiliando nas resistências à flexão dos materiais. b) A aplicação do processo de forjamento é favorável, nesse caso, devido à necessidade de vários processos posteriores, garantindo as dimensões e a qualidade do produto. c) A aplicação do processo de forjamento é favorável, nesse caso, porque produz economicamente componentes com forma muito próxima à forma final, evitando a presença de material onde não é solicitado. d) A aplicação do processo de forjamento é favorável, nesse caso, devido à simplicidade do processo, pois todas as peças são simples de forjar e não requerem maquinário. e) A aplicação do processo de forjamento é favorável, nesse caso, porque a mão de obra não precisa ser especializada, pois todas operações são automatizadas. Forjamento20 ALIBABA. Martelo de ar C41-250Kg. c2018. Disponível em: . Acesso em: 2 jul. 2018. CHIAVERINI, V. Tecnologia mecânica. 2. ed. São Paulo: McGraw-Hill, 1986. ESPERANÇA. Forjados: acabamento de precisão. c2018. Disponível em: . Acesso em: 02 jul. 2018. GRUPO SETORIAL DE METALURGIA DO PÓ. A metalurgia do pó: alternativa econômica com menor impacto ambiental. São Paulo: Metallum Eventos Técnicos e Científicos, 2009. Disponível em: . Acesso em: 27 maio 2018. HELMAN, H.; CETLIN, P. R. Fundamentos da conformação mecância dos metais. 2. ed. São Paulo: Artliber, 2005. 21Forjamento https://portuguese.alibaba/ http://rancaforjados.com.br/acabamento.php http://www.metalurgiadopo.com.br/Downloads/Metalur- Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra.