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CENTRO UNIVERSITÁRIO MAURÍCIO DE NASSAU 
GRADUAÇÃO EM DIREITO 
 
 
 
 
Anderson Correia de Oliveira - 01810665 
Giovanna Rebeca Oliveira de Lucena - 01814115 
 
 
 
 
 
O Concurso de Pessoas no Direito Penal: Análise de Casos Concretos do 
Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN): À luz da teoria do domínio do 
fato de Claus Roxin e sua aplicação na jurisprudência 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NATAL/RN 
2026 
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Anderson Correia de Oliveira - 01810665 
Giovanna Rebeca Oliveira de Lucena - 01814115 
 
 
 
 
 
 
 
O Concurso de Pessoas no Direito Penal: Análise de Casos Concretos do 
Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN): À luz da teoria do domínio do 
fato de Claus Roxin e sua aplicação na jurisprudência 
 
 
Atividade Avaliativa do Curso de 
Graduação em Direito do Centro 
Universitário Maurício de Nassau, como 
requisito parcial para a obtenção de nota 
sob orientação do Professor José Luciano 
da Silva Cruz. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NATAL/RN 
2026 
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1 INTRODUÇÃO 
 
 
O fato social é a referência inicial do Direito Penal, pois esse ramo do direito 
público advém de fatos sociais, contudo o Direito surge das necessidades 
fundamentais das sociedades humanas e por ele são reguladas para nosso equilíbrio 
e sobrevivência. O Estado define normas jurídicas para combater o crime e 
estabelecer sanções e penas. Essas normas jurídicas que protegem o cidadão e seus 
bens jurídicos fundamentais dá-se o nome de Direito Penal. 
 
O “concurso de pessoas” é um instituto jurídico do Direito Penal que se apoia 
em como responsabilizar vários indivíduos que cometeram o mesmo crime com dolo, 
consciência e de forma associada. Desse modo, um dos principais problemas do 
entendimento do “concurso de pessoas” é quem delas foi o autor e quem foram os 
partícipes, como e quais penas aplicar diretamente para cada agente, pois cada 
agente contribui de forma diferente para o mesmo crime diante de sua própria conduta. 
No fim das contas, o concurso de pessoas se justifica pela necessidade de punir todos 
os que participam de um mesmo crime. A ideia é que, se houve vontade compartilhada 
e todo mundo colaborou para que o resultado acontecesse, cada um deve responder 
pela sua parcela de contribuição na infração, aplicando-se geralmente uma das três 
teorias: Teoria Monista; Teoria Dualista ou Teoria Pluralista. 
 
O objetivo deste estudo é entender como funciona, na prática, o concurso de 
pessoas e quais sanções podem ser aplicadas em cada situação. A ideia é analisar 
como o juiz avalia o caso, quais teorias definem quem é o autor e de que maneira a 
dosimetria da pena é calculada para cada um dos envolvidos, respeitando a 
participação individual de cada agente. 
 
 
 
 
 
 
 
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2 DESENVOLVIMENTO 
 
Não se pode definir o concurso de pessoas apenas pelo fato de dois ou mais 
indivíduos estarem no mesmo local cometendo um crime. Para a sua configuração, é 
fundamental que haja a comprovação do vínculo entre as partes, que devem atuar 
com dolo, consciência e vontade livre para agirem em conjunto. Além disso, quando 
essa união ocorre para cometer uma infração que poderia ser praticada por uma 
pessoa sozinha, tem-se o chamado “concurso eventual”. 
 
 Ao analisar a estrutura da codelinquência, Claus Roxin, em estudo republicado 
pela Cadernos ESMAPE (2025) define que: 
 
A eventual participação ou cooperação de dois ou mais agentes para uma 
mesma finalidade delitiva afigura-se na codelinquência como crime de 
concurso eventual. (ROXIN, Claus. Cadernos ESMAPE Série Teses e 
Dissertações Online, A Teoria do Domínio do Fato, 2025, p. 27). 
 
A partir desse pressuposto, o Direito Penal entende que a cooperação de dois 
ou mais agentes que cometem o mesmo crime, com a mesma intenção e completo 
dolo, deve responder pelo mesmo ato ilícito na medida de sua culpabilidade. Assim, 
aplica-se a teoria monista, que não diferencia autor de partícipe, mas estabelece que 
todos são autores da mesma infração penal, apenas diferenciando a aplicação da 
pena; dependendo da situação, um dos agentes pode ter pena menor ou maior que o 
outro, aplicando-se a medida da culpabilidade, a dosimetria da pena e, se 
necessárias, outras aplicações jurídicas. 
 
2.1 Caso jurisprudencial do TJRN - processo nº 0801419-83.2023.8.20.5110 
Este processo trata-se de concurso de pessoas e aplica a Teoria Monista 
adotada pelo Código Penal Brasileiro. Foi observado a aplicação prática dos requisitos 
para ser considerado concurso de pessoas, conforme o art. 29 do Código Penal. Para 
a qualificação codelinquência, o juiz identificou a pluralidade de agentes, o liame 
subjetivo, a notabilidade das condutas e o crime. 
 
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Conforme demonstrado nos autos, ambos participaram ativamente do crime, 
cada um contribuindo de alguma forma para que ele ocorresse. Um deles utilizava a 
arma para intimidar a vítima, enquanto o outro dava suporte à execução do roubo, o 
que evidencia a atuação conjunta. Durante a ação, derrubaram a vítima no chão, 
efetuaram disparo de arma de fogo contra ela e subtraíram sua motocicleta, que foi 
localizada dias depois no estado da Paraíba. 
As provas, especialmente os depoimentos da vítima e das testemunhas, 
deixaram claro que havia um acordo entre eles, ou seja, uma vontade de agir em 
conjunto, o que caracteriza o vínculo necessário para o reconhecimento do concurso 
de pessoas. Com base nisso, o juiz aplicou o art. 29 do Código Penal, considerando 
que havia mais de um agente, participação relevante de cada um e atuação voltada 
ao mesmo objetivo. Além disso, incidiu a causa de aumento prevista no art. 157, §2º, 
II, do Código Penal, já que o crime foi praticado em conjunto. Mesmo que apenas um 
dos envolvidos estivesse armado, ambos responderam pelo crime, pois a lei entende 
que todos os participantes respondem pelo resultado. 
O réu que portava a arma de fogo foi condenado à pena de 8 anos, 10 meses 
e 20 dias de reclusão, com acréscimo de 1/6, enquanto o outro recebeu 4 anos e 8 
meses, também com acréscimo de 1/6. O juiz entendeu que, embora apenas um deles 
tenha portado a arma de forma ilegal, o segundo também contribuiu com a intimidação 
da vítima, cooperando de forma relevante para a prática do crime. Por isso, ambos 
foram condenados pelo mesmo delito, porém com penas diferentes, respeitando a 
proporcionalidade da conduta de cada um. Por fim, os dois também foram condenados 
pela adulteração do sinal identificador do veículo, que foi posteriormente encontrado 
na Paraíba. 
 
2.2 Caso Jurisprudencial do TJRN – processo n° 0003983-74.2012.8.20.0124 
Este caso envolve concurso de pessoas, com base no art. 29 do Código Penal, 
aplicado ao crime de furto qualificado pelo concurso de agentes, conforme previsto no 
art. 155, §4º, IV. De acordo com os registros do processo, os réus agiram em conjunto 
ao subtrair baterias de uma empresa de telefonia. Eles usaram ferramentas para 
remover os itens e um veículo para transportá-los. Após a venda, dividiram os lucros. 
No caso em questão, constata-se a existência dos requisitos do concurso de pessoas, 
incluindo a pluralidade de agentes, o vínculo subjetivo e a contribuição de cada 
indivíduo para o resultado, uma vez que todos estiveram envolvidos na prática 
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criminosa. Nessa perspectiva, o art. 29 do Código Penal é aplicado, e também a 
qualificadora estabelecida no art. 155, §4º, IV. 
Apesar disso, não houve aplicação de pena, pois a prescrição da pretensão 
punitiva foi reconhecida. Isso ocorreu porque o fato ocorreu em 2008 e, 
independentemente de a denúncia ter sido aceita em 2012, a decisão só foi emitida 
em 2026, excedendo o prazo previsto no art. 109, III, do Código Penal. Além disso, 
considerando que os envolvidos eram menores de 21 anos na época dos fatos, o 
prazo de prescrição foi reduzido pela metade, de acordo com o art.115, o que fez com 
que a prescrição acontecesse muito mais cedo. Portanto, a punibilidade foi extinta, 
impedindo o desenvolvimento da ação penal. 
 
3 CONCLUSÃO 
 
Conclui-se, então, que o concurso de pessoas ocorre quando dois ou mais 
agentes atuam em conjunto, com cooperação e vontade voltada ao mesmo resultado 
previsto na lei. No entanto, nem sempre todos respondem pelo mesmo crime, já que 
pode acontecer de um dos envolvidos agir com uma intenção diferente no momento 
da ação, que não foi compartilhada com os demais. Além disso, para que o concurso 
de pessoas seja reconhecido, é necessário que estejam presentes alguns requisitos, 
como a pluralidade de agentes, o vínculo entre eles e o liame subjetivo. 
 
O Brasil adota a Teoria Unitária ou Monista, que, em sua visão tradicional, não 
diferencia o autor do partícipe, reconhecendo todos os agentes como autores da 
mesma prática criminosa, ainda que exista diferença na aplicação da pena. Assim, 
mesmo que dois agentes pratiquem a mesma conduta, a pena pode variar conforme 
a participação de cada um no fato. Atualmente, percebe-se uma maior diferenciação 
entre autor e partícipe, o que mostra que, apesar de ser um tema já consolidado, ainda 
existem discussões na doutrina e na prática sobre o concurso de pessoas. 
 
Desta forma, percebe-se que o concurso de pessoas não é apenas mais um 
artigo do Código Penal Brasileiro, mas algo que vai além da simples compreensão e 
se torna uma ferramenta imprescindível para o Direito, a sociedade e a democracia 
brasileira. Por isso, sua aplicação deve ser feita com atenção, considerando as 
particularidades de cada caso, para não ferir os direitos das pessoas. 
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REFERÊNCIAS 
 
SOUZA, José Lucimário de. A teoria do domínio do fato de Claus Roxin: estudo sobre 
a responsabilidade penal individual do agente nos crimes cometidos em virtude de 
aparatos organizados de poder. Recife: ESMAPE, ano 1, n. 12, 2025. (Cadernos 
ESMAPE: Série Teses e Dissertações). Disponível em: 
https://portal.tjpe.jus.br/web/escolajudicial/biblioteca/boletim-das-normas-internas-do-
tjpe/-
/document_library/1akEetMT47wF/view_file/7582167?_com_liferay_document_librar
y_web_portlet_DLPortlet_INSTANCE_1akEetMT47wF_fileEntryId=7582167. Acesso 
em: 28 mar. 2026. 
 
NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de direito penal: parte geral, parte especial. 2. 
ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006. Disponível em: 
https://bibliotecadigital.stf.jus.br/xmlui/handle/123456789/8323. Acesso em: 28 mar. 
2026.

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