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UNIVERSIDADE PAULISTA CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM GESTÃO FINANCEIRA PROJETO INTEGRADO MULTIDISCIPLINAR IV CIMED Karyna dos Santos P. Pereira - RA: F357EH4 Kimberly Almeida de Souza - RA: G9848D1 Sheila Batista M. Orlando - RA: G96GCG5 São Paulo 2025 UNIVERSIDADE PAULISTA CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM GESTÃO FINANCEIRA PROJETO INTEGRADO MULTIDISCIPLINAR IV CIMED Trabalho Interdisciplinar do Projeto Integrado Multidisciplinar IV, apresentado como exigência parcial para conclusão do 4º semestre do Curso Superior de Tecnologia em Gestão Financeira, da Universidade Paulista – UNIP, sob a Coordenação da Professora Orientadora Valdice Pólvora. São Paulo 2025 RESUMO O presente Projeto Integrado Multidisciplinar IV tem como objetivo analisar o processo de gestão da CIMED, uma das maiores indústrias farmacêuticas do Brasil, sob sete dimensões organizacionais fundamentais. Na Administração Estratégica, a empresa demonstra forte posicionamento competitivo, com crescimento orgânico acima da média do mercado e estrutura verticalizada que favorece a eficiência operacional. A Controladoria é evidenciada por práticas rigorosas de controle de custos e gestão de portfólio, com foco em rentabilidade e expansão. No âmbito de Crédito e Cobrança, a CIMED adota estratégias regionais com relacionamento direto com o varejo, garantindo controle do acesso ao crédito e alta rentabilidade. A Educação Ambiental é integrada à cultura organizacional, refletida em ações sustentáveis e protocolos rigorosos de saúde e segurança. A adoção de tecnologias da Indústria 4.0 fortalece a automação e inovação nos processos produtivos. No Mercado de Capitais, a empresa se destaca pela solidez financeira e crescimento contínuo, com CAGR de 26% nos últimos três anos. Por fim, a TI Aplicada à Área Financeira é utilizada para otimizar processos, integrar dados e apoiar decisões estratégicas. A análise revela uma gestão robusta, inovadora e alinhada às melhores práticas do setor. Palavras-chave: Gestão Estratégica. Inovação Tecnológica. Eficiência Operacional SUMÁRIO INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 5 1. ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA................................................................................................. 6 2. CONTROLADORIA............................................................................................................................10 3. CRÉDITO E COBRANÇA..................................................................................................................12 4. EDUCAÇÃO AMBIENTAL ............................................................................................................ 14 5. INDÚSTRIA 4.0 E TECNOLOGIAS ............................................................................................... 15 6. MERCADO DE CAPITAIS ............................................................................................................. 17 7. TI APLICADA À ÁREA FINANCEIRA ........................................................................................... 20 CONCLUSÃO ....................................................................................................................................... 24 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................................... 26 5 INTRODUÇÃO Este Projeto Integrado Multidisciplinar IV (PIM IV) tem como foco a análise do processo de gestão da empresa CIMED, uma das maiores indústrias farmacêuticas do Brasil, reconhecida por sua atuação estratégica, inovação tecnológica e crescimento acelerado no mercado nacional. Fundada em 1977, a CIMED consolidou-se como referência no setor, com um portfólio diversificado de medicamentos e suplementos, estrutura verticalizada e presença em todo o território brasileiro. A empresa se destaca por sua capacidade de adaptação às transformações do mercado, investimento em tecnologia e práticas sustentáveis, o que a torna um objeto de estudo relevante para a compreensão da gestão financeira moderna. O PIM IV conecta-se diretamente às disciplinas do curso de Gestão Financeira, abordando várias dimensões organizacionais essenciais: Administração Estratégica, Controladoria, Crédito e Cobrança, Educação Ambiental, Indústria 4.0 e Tecnologias, Mercado de Capitais e TI Aplicada à Área Financeira. Cada uma dessas áreas será explorada com base na realidade da CIMED, permitindo uma análise integrada e multidisciplinar que reflete os conhecimentos adquiridos ao longo da formação acadêmica. A realização deste PIM IV é de extrema importância para o desenvolvimento profissional do acadêmico, pois proporciona a aplicação prática dos conceitos teóricos estudados, estimula o pensamento crítico e fortalece a capacidade analítica diante de cenários empresariais reais. Ao investigar os processos de gestão da CIMED, o acadêmico tem a oportunidade de compreender como as decisões estratégicas e operacionais impactam diretamente os resultados financeiros e a sustentabilidade da organização. O principal objetivo deste PIM IV é descrever e analisar o processo de gestão da CIMED sob as dimensões propostas, identificando práticas, estratégias e tecnologias que contribuem para sua performance no mercado. Busca-se Compreender como a empresa integra diferentes áreas da gestão financeira para alcançar eficiência, inovação e competitividade. A justificativa para a escolha da CIMED como objeto de estudo reside em sua relevância no cenário nacional, sua postura inovadora e sua capacidade de alinhar crescimento econômico com responsabilidade social e ambiental. A pesquisa contribui 6 para a prática profissional ao oferecer um panorama realista e atual das exigências do mercado, além de servir como referência para futuras decisões estratégicas em ambientes corporativos. A metodologia adotada neste trabalho é baseada em pesquisa secundária e estudo de caso. Foram utilizadas fontes como relatórios institucionais, artigos acadêmicos, notícias de mercado disponibilizadas em entrevistas com executivos da empresa e dados públicos disponíveis em plataformas confiáveis. Essa abordagem permite uma análise aprofundada e contextualizada, sem a necessidade de coleta de dados primários. A estrutura do relatório está organizada em capítulos que abordam cada uma das dimensões propostas. O primeiro capítulo trata da Administração Estratégica, seguido pela Controladoria, Crédito e Cobrança, Educação Ambiental, Indústria 4.0 e Tecnologias, Mercado de Capitais e, por fim, TI Aplicada à Área Financeira. Cada capítulo apresenta uma análise específica, interligada ao contexto geral da empresa, culminando em uma conclusão que sintetiza os principais achados e reflexões do estudo. 1. ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA A administração estratégica é um processo sistêmico que envolve o planejamento, execução e controle de ações voltadas ao alcance dos objetivos organizacionais. Segundo Maximiano (2011), “a administração estratégica é o conjunto de decisões e ações que resultam na formulação e implementação de planos destinados a alcançar os objetivos da empresa”. No contexto da CIMED, esse processo é 7 essencial para sustentar sua posição como uma das maiores indústrias farmacêuticas do Brasil. O modelo de negócio da CIMED é verticalizado, ou seja, a empresa controla todas as etapas da cadeia produtiva, desde afabricação até a distribuição. Isso permite maior controle de custos, agilidade operacional e diferenciação competitiva. De acordo com Osterwalder e Pigneur (2011), “um modelo de negócio descreve a lógica de criação, entrega e captura de valor por parte de uma organização”. A CIMED aplica esse conceito ao integrar produção, logística e comercialização, o que lhe confere vantagem estratégica. A empresa utiliza ferramentas como a Análise SWOT, que permite identificar forças, fraquezas, oportunidades e ameaças. Conforme o Sebrae (2022), “a matriz FOFA é uma ferramenta estrutural da administração que sistematiza a análise do cenário interno e externo”. A CIMED também emprega o Balanced Scorecard (BSC) para alinhar indicadores financeiros e operacionais com sua estratégia de crescimento. A utilização de ferramentas como SWOT e Balanced Scorecard indica que a empresa não apenas planeja, mas também monitora e ajusta suas ações com base em indicadores concretos. Isso demonstra maturidade estratégica e capacidade de adaptação às mudanças do mercado. No entanto, a forte dependência de grandes redes varejistas e o foco em produtos populares podem limitar a diversificação e a inovação em segmentos de maior valor agregado. A análise estratégica da CIMED, embora robusta, poderia se beneficiar de uma maior atenção à internacionalização e à ampliação de seu portfólio para nichos especializados. A estratégia da CIMED está centrada em crescimento orgânico, inovação e expansão de portfólio. A empresa investe em marketing agressivo e parcerias com grandes redes varejistas. Segundo Porter (1986), “a vantagem competitiva surge da criação de valor para o cliente, que excede o custo de produção”. A CIMED aplica essa lógica ao oferecer produtos acessíveis e de qualidade, com forte presença em farmácias populares. O posicionamento estratégico da CIMED é pautado na liderança de mercado e na eficiência operacional. A empresa ocupa o 4º lugar no ranking nacional de indústrias farmacêuticas e possui mais de 600 produtos registrados na Anvisa. 8 Segundo a própria empresa, seu crescimento médio anual é de 26% desde 2020. Esse desempenho é resultado de uma estratégia focada em escala, inovação e controle de distribuição. A análise estratégica da CIMED considera fatores internos e externos. Internamente, destaca-se a capacidade de produção de mais de 500 milhões de unidades por ano. Externamente, a empresa monitora tendências de mercado, regulamentações sanitárias e comportamento do consumidor. Conforme Chiavenato (2005), “a análise estratégica é o processo de avaliação do ambiente organizacional para identificar oportunidades e ameaças que possam impactar os objetivos da empresa”. A figura 1 representa o crescimento da receita líquida da CIMED entre 2020 e 2023: Figura 1 – Crescimento CIMED (2020 a 2023) ANO RECEITA LÍQUIDA (R$ BILHÕES) 2020 1.314 2021 1.45 2022 1.8 2023 2.251 Fonte: Relatório Institucional CIMED, 2024 Esse crescimento reflete a eficácia da administração estratégica adotada pela empresa, que combina inovação, controle de processos e expansão de mercado. Entre os anos de 2020 e 2023, a CIMED apresentou um crescimento expressivo em sua receita líquida, refletindo a eficácia de sua administração estratégica e o fortalecimento de seu modelo de negócio verticalizado. Em 2020, a empresa registrou receita líquida de R$ 1,314 bilhão, que evoluiu para R$ 2,251 bilhões em 2023, representando um aumento de aproximadamente 71% no período. Esse desempenho foi impulsionado por investimentos em inovação, ampliação do portfólio de produtos e expansão da capacidade produtiva. A empresa também se beneficiou da alta demanda por medicamentos e suplementos durante o período pandêmico, além de consolidar sua presença em 9 farmácias populares e redes varejistas, o que contribuiu para o ganho de participação de mercado. Em 2023, a CIMED obteve um crescimento orgânico de 16,2% em sua receita líquida, superando em 2,5 vezes o crescimento médio do mercado farmacêutico nacional. Esse resultado foi alcançado por meio da execução de sua estratégia “CIMED é líder todos os dias”, que envolveu ações de marketing agressivas, aumento da eficiência produtiva e fortalecimento da distribuição direta. A empresa também atingiu um marco histórico ao produzir 48,6 milhões de unidades em um único mês, evidenciando sua capacidade de escalar operações com qualidade e agilidade. Esses indicadores demonstram que a administração estratégica da CIMED está alinhada com práticas de alto desempenho, consolidando sua posição como uma das líderes do setor farmacêutico no Brasil A administração estratégica da CIMED revela uma abordagem sólida e bem estruturada, alinhada aos princípios clássicos da gestão moderna. O modelo de negócio verticalizado adotado pela empresa demonstra uma clara intenção de controlar todas as etapas da cadeia de valor, o que contribui para a redução de custos, aumento da eficiência e maior agilidade nas decisões operacionais. Essa estratégia, embora eficaz, exige investimentos contínuos em tecnologia e logística, o que pode representar riscos em cenários de instabilidade econômica. Ainda assim, a CIMED tem conseguido manter um crescimento consistente, evidenciado pelo aumento da receita líquida nos últimos anos, o que reforça a eficácia de sua estratégia de integração. Por fim, o posicionamento da CIMED como líder em eficiência operacional e marketing agressivo é coerente com sua proposta de oferecer medicamentos acessíveis e de qualidade. Contudo, essa estratégia exige constante investimento em branding e relacionamento com o consumidor, o que pode se tornar oneroso a longo prazo. A administração estratégica da empresa é claramente orientada para resultados, mas o equilíbrio entre crescimento acelerado e sustentabilidade organizacional será um desafio contínuo. A capacidade da CIMED de manter sua vantagem competitiva dependerá de sua habilidade em inovar, diversificar e responder rapidamente às demandas de um mercado cada vez mais dinâmico e regulado. 10 2. CONTROLADORIA A controladoria é uma área essencial da gestão empresarial, responsável por fornecer suporte técnico e estratégico à tomada de decisões, por meio da geração, análise e interpretação de informações econômicas e financeiras. Segundo Padoveze (2014), “a controladoria é o conjunto de conhecimentos que dá suporte à gestão, com foco na eficácia organizacional e na maximização dos resultados”. Na CIMED, essa função é desempenhada por uma estrutura integrada ao setor financeiro, com forte atuação no planejamento orçamentário e no controle de custos. A controladoria pode ser dividida em duas grandes áreas: a contábil-fiscal e a de planejamento e controle. A primeira é responsável pelas obrigações legais e societárias, enquanto a segunda atua diretamente na elaboração de orçamentos, projeções e análises de desempenho. O controller, profissional à frente da área, tem como função principal garantir a confiabilidade das informações gerenciais e apoiar a alta administração na definição de estratégias. De acordo com Frezatti et al. (2009), “o controller é o elo entre os dados contábeis e a estratégia organizacional, sendo responsável por transformar números em decisões”. O orçamento empresarial é uma das ferramentas mais importantes da controladoria. Ele permite à empresa planejar suas receitas, despesas e investimentos, além de estabelecer metas e acompanhar resultados. Para Gitman (2010), “o orçamento é um plano detalhado que expressa, em termos quantitativos, como os recursos serão adquiridos e utilizados durante um período específico”. Na CIMED, o orçamento é elaborado anualmente com base em projeções de mercado, metas de produção e estratégias comerciais. A estrutura de controladoria da CIMED está integradaao departamento financeiro e atua de forma colaborativa com as áreas de produção, logística e comercial. A empresa utiliza sistemas de gestão ERP para consolidar dados em tempo real, permitindo análises precisas e rápidas. Segundo Pontotel (2024), “a controladoria 11 funciona como o cérebro financeiro da empresa, traduzindo dados em ações estratégicas”. O processo de gestão orçamentária na CIMED envolve múltiplas etapas: coleta de dados históricos, análise de tendências, definição de metas por unidade de negócio e acompanhamento mensal dos resultados. A empresa adota o modelo de orçamento matricial, que permite o cruzamento de dados por centro de custo e por projeto. Conforme Treasy (2019), “o planejamento orçamentário é a base para decisões assertivas e para a sustentabilidade financeira das organizações”. A figura 2 apresenta a dados do Orçamento Operacional da empresa CIMED: Figura 2 (Grafico) - Evolução do Orçamento Operacional da CIMED (2020–2023) Fonte: Relatório Institucional CIMED, 2024 Na figura 2 (Grafico) percebe-se o crescimento no orçamento operacional que reflete a expansão das atividades da empresa e o fortalecimento de sua capacidade de planejamento. A controladoria tem papel central nesse processo, garantindo que os recursos sejam alocados de forma eficiente e alinhada às estratégias corporativas. O orçamento cresce de forma consistente a cada ano, com um aumento médio de cerca de 213 unidades por ano. Se essa progressão continuar, 2024 pode ultrapassar os 1.800 facilmente. A ausência de informações públicas detalhadas sobre práticas específicas de controladoria, como auditorias internas, gestão orçamentária e análise de desempenho por centros de custo, limita a transparência e dificulta uma avaliação mais profunda da maturidade do sistema de controle gerencial. Esse aspecto representa uma oportunidade de aprimoramento, especialmente considerando o porte e a relevância da Cimed no setor farmacêutico nacional. 12 3. CRÉDITO E COBRANÇA O crédito é definido como a confiança que uma parte deposita em outra para o cumprimento de uma obrigação futura. Segundo Gitman (2010), “crédito é a capacidade de um cliente adquirir bens ou serviços com pagamento diferido, baseado na confiança de que o pagamento será realizado posteriormente”. Já a cobrança refere-se ao conjunto de ações destinadas à recuperação de valores devidos por clientes inadimplentes. Para Camargo (2024), “a política de cobrança visa garantir uniformidade e clareza, tanto para os responsáveis pela cobrança quanto para os clientes”. A política de crédito é o conjunto de diretrizes que orienta a concessão de crédito, considerando o perfil de risco do cliente. Conforme Bispo (2024), “as alterações nas políticas de crédito resultam em elevação das taxas de juros, dificultando o acesso ao crédito para consumidores e pequenas empresas”. Indiretamente, isso evidencia a importância de uma política bem estruturada para a sustentabilidade financeira. A Cimed, empresa do setor farmacêutico, adota práticas rigorosas de análise de crédito, com foco na sustentabilidade financeira e na mitigação de riscos. Sua política é caracterizada por critérios conservadores, como análise de histórico financeiro, capacidade de pagamento e perfil de risco. Segundo relatório da Moody’s Local (2024), “a Cimed dispõe de uma política financeira bem estabelecida e liquidez adequada”. A cobrança é realizada de forma estruturada, com etapas definidas para negociação, aplicação de multas e eventual protesto. A empresa prioriza a recuperação de crédito sem comprometer o relacionamento com o cliente. Indiretamente, essa abordagem reflete o modelo de negócio verticalizado da Cimed, que permite maior controle sobre os processos operacionais e financeiros. A Cimed utiliza indicadores financeiros para monitorar o risco de crédito. Esses indicadores demonstram a solidez da empresa e sua capacidade de manter o risco de crédito sob controle. Indiretamente, a diversificação de produtos e presença nacional contribuem para essa estabilidade. A figura 3 apresenta os principais indicadores financeiros da CIMED com base no ano de 2023: 13 Figura 3 (Grafico) – Indicadores Financeiros CIMED (2023) Fonte: Relatório de Crédito da Moody’s Local Brasil sobre a empresa Cimed Na figura 3 (Grafico) os valores foram convertidos em proporções para ilustrar visualmente como cada indicador contribui para o perfil financeiro da empresa. O gráfico mostra que o EBIT / Despesa Financeira tem o maior peso relativo, indicando boa capacidade de pagamento dos encargos financeiros, enquanto o CFO / Dívida Bruta representa uma menor parcela, refletindo a geração de caixa frente à dívida. Dívida Bruta / EBITDA: Mede a alavancagem financeira. Em 2023, foi de 1,6x, com projeção de queda para 1,0x–1,5x. EBIT / Despesa Financeira: Avalia a capacidade de pagamento dos encargos financeiros. Em 2023, foi de 2,4x, com tendência de aumento. CFO / Dívida Bruta: Indica a geração de caixa operacional em relação à dívida. Em 2023, foi de 23%. No entanto, embora a empresa apresente liquidez adequada e baixo risco de inadimplência, a rigidez nos critérios de concessão pode limitar oportunidades de expansão comercial em segmentos menos capitalizados. Assim, o equilíbrio entre segurança financeira e flexibilidade comercial continua sendo um desafio estratégico relevante para a Cimed. 14 4. EDUCAÇÃO AMBIENTAL A educação ambiental empresarial está diretamente ligada à responsabilidade ambiental, à gestão ambiental e à sustentabilidade. A responsabilidade ambiental é definida como o conjunto de atitudes voltadas à preservação do meio ambiente, considerando os impactos das ações humanas e empresariais. Segundo o portal Integridade ESG, “responsabilidade ambiental é um conjunto de atitudes, individuais ou empresariais, voltado para o desenvolvimento sustentável do planeta”. A gestão ambiental, por sua vez, é o processo de planejamento, execução e monitoramento de práticas que visam reduzir os impactos ambientais das atividades produtivas. Mafra et al. (2025) afirmam que “a gestão ambiental emerge como disciplina fundamental para a promoção do desenvolvimento sustentável, consolidando-se como instrumento indispensável à construção de sociedades mais conscientes e responsáveis”. Já a sustentabilidade é o princípio que busca o equilíbrio entre crescimento econômico, preservação ambiental e justiça social. Indiretamente, o modelo dos “3Ps”, planeta, pessoas e lucro, citado por Integridade ESG (2025), reforça a ideia de que empresas devem integrar esses pilares em suas decisões estratégicas. A Cimed, uma das maiores indústrias farmacêuticas do Brasil, adota práticas ambientais consistentes e certificadas. A empresa possui estação própria de tratamento de efluentes, realiza gestão eficiente de resíduos sólidos com foco na economia circular, e investe em meios de produção e transporte menos poluentes. Sua política ambiental é orientada pela certificação ISO 14001/2015, que atesta o compromisso com a proteção ambiental e a gestão de impactos. Segundo o site institucional da Cimed, há investimentos em meios de produção e de transporte menos poluentes e rígido controle no uso racional dos recursos hídricos e energéticos. Além disso, a Cimed busca alternativas para otimizar o consumo de água e energia, assim como as emissões atmosféricas da frota utilizada na distribuição nacional de seus produtos. Vale destacar que a empresa mantém boas práticas ambientais e sociais, o que fortalece sua imagem corporativa e diferencia sua atuação no mercado. A adoção de práticas sustentáveis também é vista como estratégia de inovação e competitividade, conforme apontado por Integridade ESG (2025). 15 Figura 4 – Práticas Ambientais da Cimed Prática Sustentável DescriçãoTratamento de Efluentes Estação própria para tratamento de resíduos líquidos industriais Gestão de Resíduos Sólidos Foco na economia circular e reciclagem Transporte Menos Poluente Frota com controle de emissões atmosféricas Uso Racional de Recursos Monitoramento do consumo de água e energia Certificação ISO 14001/2015 Sistema de gestão ambiental reconhecido internacionalmente Fonte: Site oficial da Cimed A figura 4 evidencia que a Cimed adota uma abordagem integrada de gestão ambiental, com foco em eficiência operacional e mitigação de impactos. A Cimed possui uma estação própria de tratamento de efluentes, realiza gestão eficiente de resíduos sólidos com foco na economia circular, e promove o uso racional de recursos hídricos e energéticos. A presença de certificações internacionais, como a ISO 14001/2015, reforça o compromisso da empresa com padrões elevados de responsabilidade ambiental. As ações voltadas ao uso racional de recursos e à economia circular demonstram alinhamento com os princípios da sustentabilidade e da governança ambiental. Apesar dos avanços da Cimed em práticas ambientais, o acesso público a dados quantitativos sobre metas, resultados e indicadores de desempenho ambiental ainda é limitado. A transparência nesse aspecto poderia fortalecer a credibilidade da empresa e permitir uma avaliação mais precisa de sua contribuição para o desenvolvimento sustentável. Além disso, a ampliação de ações educativas internas e externas poderia consolidar a educação ambiental como parte estratégica da cultura organizacional. 5. INDÚSTRIA 4.0 E TECNOLOGIAS A Indústria 4.0 representa a Quarta Revolução Industrial, marcada pela integração de tecnologias digitais avançadas nos processos produtivos. Segundo o Sebrae (2025), “Indústria 4.0 é um conceito que representa a automação industrial e 16 a integração de diferentes tecnologias, como inteligência artificial, robótica, internet das coisas, aumentando a produtividade e eficiência”. A inteligência artificial (IA) é a capacidade de sistemas computacionais de simular o raciocínio humano, permitindo decisões automatizadas com base em dados. Conforme o eCycle (2025), “máquinas e robôs inteligentes melhoram o desempenho e a produtividade nas grandes empresas, poupando mão de obra”. Já a Internet das Coisas (IoT) refere-se à conexão de dispositivos físicos à internet, permitindo coleta e troca de dados em tempo real. Indiretamente, o portal DocuSign (2025) destaca que a IoT, aliada à IA e ao big data, transforma os processos fabris ao permitir decisões mais precisas e preditivas. A Cimed tem investido fortemente em automação e transformação digital. Em parceria com a Akquinet Brasil, a empresa está implementando a solução MDM+ BRO, integrada ao SAP S/4HANA, com o objetivo de automatizar mais de 80% dos processos de cadastro, antes realizados manualmente. Segundo Libardi, CEO da Akquinet, “diversas áreas que hoje operam tarefas manuais serão totalmente automatizadas”. Essa automação melhora a governança de dados, reduz redundâncias e aumenta a confiabilidade das informações, essenciais para futuras aplicações de IA. Além disso, a tecnologia aplicada aos produtos e serviços da Cimed inclui rastreabilidade digital, controle de qualidade automatizado e logística inteligente. Indiretamente, o portal Saúde Digital News (2025) aponta que a transformação digital da Cimed tem impacto transversal, beneficiando todas as áreas da empresa. A empresa também utiliza sensores e algoritmos para monitorar processos produtivos, o que permite ajustes em tempo real e maior eficiência operacional. Indiretamente, essa abordagem está alinhada aos pilares da Indústria 4.0, como integração de sistemas e análise de dados preditiva. Figura 5 – Aplicações da Indústria 4.0 na CIMED Tecnologia Aplicada Descrição Automação de Cadastros 80% dos processos automatizados com MDM+ BRO e SAP S/4HANA Inteligência Artificial Planejamento de uso futuro para decisões baseadas em dados confiáveis Internet das Coisas (IoT) Monitoramento em tempo real de processos produtivos e logísticos Governança de Dados Padronização, controle e eliminação de redundâncias Logística Inteligente Otimização de distribuição com controle digital de frota e estoque Fonte: PFarma 17 A Figura 5 mostra que a CIMED está alinhada com os principais pilares da Indústria 4.0, adotando tecnologias que promovem eficiência, precisão e escalabilidade. A automação de processos administrativos e produtivos, aliada à governança de dados e à aplicação de IoT, posiciona a empresa como referência em inovação no setor farmacêutico. Essas iniciativas não apenas reduzem custos operacionais, mas também preparam a organização para o uso estratégico de inteligência artificial. Embora a CIMED demonstre avanços significativos na adoção de tecnologias da Indústria 4.0, ainda há espaço para maior transparência sobre os resultados concretos dessas iniciativas. A divulgação de indicadores de desempenho, como redução de erros, aumento de produtividade ou impacto ambiental, poderia fortalecer a credibilidade da empresa e inspirar outras organizações do setor. Além disso, a integração de IA em processos decisórios ainda está em fase de planejamento, o que indica que a maturidade digital da CIMED, embora promissora, está em desenvolvimento. 6. MERCADO DE CAPITAIS O Sistema Financeiro Nacional (SFN) é o conjunto de instituições responsáveis pela intermediação financeira no Brasil, promovendo o encontro entre agentes superavitários (poupadores) e deficitários (tomadores de recursos). Segundo o Banco Central do Brasil, “o SFN é formado por um conjunto de entidades e instituições que promovem a intermediação financeira, isto é, o encontro entre credores e tomadores de recursos”. Dentro do SFN, o mercado de capitais se destaca como um dos principais mecanismos de financiamento empresarial. Ele permite que empresas captem recursos por meio da emissão de títulos, como ações e debêntures. Conforme aponta JusBrasil, “o mercado de valores mobiliários se destaca como um componente 18 essencial para a alocação eficiente de recursos, possibilitando que empresas captem financiamento e investidores busquem oportunidades de retorno”. A bolsa de valores, por sua vez, é o ambiente onde ocorre a negociação desses títulos. No Brasil, a principal bolsa é a B3. Ela viabiliza o mercado secundário, permitindo a compra e venda de ativos entre investidores. Indiretamente, pode-se afirmar que a bolsa de valores é um pilar da liquidez e da transparência do mercado de capitais, contribuindo para o desenvolvimento econômico e a governança corporativa. A CIMED, uma das maiores farmacêuticas do Brasil, tem se movimentado estrategicamente para consolidar sua presença no mercado de capitais. Desde 2021, a empresa se apresenta como companhia de capital aberto, preparando-se para uma futura oferta pública de ações (IPO). Segundo João Adibe Marques, CEO da empresa, “a gente se apresenta como uma empresa de capital aberto desde 2021 para os analistas de mercado entenderem a indústria farmacêutica”. A estrutura para o IPO já está montada, embora a empresa ainda não tenha definido uma data para a operação. A estratégia inclui a venda de uma fatia minoritária para fundos institucionais, como forma de captar recursos e fortalecer sua governança. De acordo com o portal Pipeline Valor, “a Cimed planeja investir R$ 3,6 bilhões entre 2024 e 2025, incluindo expansão do parque fabril”. Indiretamente, observa-se que a empresa adota práticas de transparência e gestão eficiente, fatores que aumentam sua atratividade no mercado financeiro. A diversificação de produtos, o investimento em inovação e a governança corporativa são pilares que sustentam sua estratégia de capitalização. A Figura 6 expressa a distribuição dasestratégias da CIMED relacionadas ao mercado de capitais, com base nas informações disponíveis: 19 Figura 6 (Grafico) - Estratégias de Capitalização da CIMED Fonte: Pipeline Valor e VEJA A Figura 6 (Grafico) mostra que a Preparação para IPO é a principal estratégia da empresa, ocupando 35% do foco. Em seguida, a Venda de participação minoritária representa 25%, sinalizando uma busca por investidores institucionais sem diluição de controle. A Expansão do parque fabril aparece com 20%, evidenciando o compromisso com o aumento da capacidade produtiva. Já os Investimentos em inovação e Governança corporativa dividem igualmente os 10%restantes, reforçando o cuidado com competitividade e transparência. A expansão fabril e os investimentos em inovação reforçam o compromisso com o crescimento sustentável e a competitividade no setor farmacêutico. A movimentação da CIMED no mercado de capitais é estratégica e coerente com seu porte e ambições. No entanto, a ausência de uma data definida para o IPO pode gerar incertezas entre investidores. Além disso, a avaliação elevada da empresa pode dificultar a entrada de sócios minoritários, como apontado por analistas. Para garantir sucesso na abertura de capital, será essencial equilibrar expectativas de valuation com práticas de governança que ofereçam segurança aos investidores. 20 7. TI APLICADA À ÁREA FINANCEIRA A tecnologia da informação (TI) tem papel estratégico na gestão financeira das empresas modernas. Os Sistemas de Informação Gerencial (SIG) são ferramentas que coletam, processam, armazenam e distribuem dados para apoiar a tomada de decisões. Segundo Rocha (2024), “os sistemas de informação coletam, processam, armazenam e distribuem informações para apoiar a tomada de decisões e a execução de tarefas dentro de uma organização”. Esses sistemas são compostos por hardware, software, pessoas e processos, e permitem que gestores planejem, organizem e controlem atividades com maior precisão. Indiretamente, pode-se afirmar que os SIG promovem a inovação ao facilitar a análise de dados e a automação de processos, contribuindo para decisões mais estratégicas. Já os bancos de dados na gestão financeira são essenciais para consolidar informações como fluxo de caixa, contas a pagar e receber, e projeções orçamentárias. De acordo com TOTVS (2024), “um sistema de gestão financeira é uma ferramenta digital projetada para organizar, monitorar e automatizar processos financeiros de uma empresa”. Indiretamente, observa-se que a centralização de dados permite maior controle e previsibilidade, reduzindo riscos operacionais. 21 A CIMED, reconhecida por sua estrutura industrial robusta e crescimento acelerado, utiliza ferramentas de TI para otimizar sua gestão financeira. A empresa adota sistemas integrados para controle de fluxo de caixa, emissão de notas fiscais, gestão de contas e planejamento orçamentário. Entre as ferramentas utilizadas, destacam-se os sistemas ERP e BPMS. O ERP centraliza dados financeiros, enquanto o BPMS automatiza fluxos de pagamento e controle de documentos fiscais. Segundo Zeev (2024), “um BPMS permite controlar as notas fiscais de maneira automática e criar portais para pagamentos e reembolsos”. Além disso, o uso de ECM (Enterprise Content Management) facilita o gerenciamento de documentos sensíveis, como contratos e comprovantes de pagamento. Indiretamente, percebe-se que a CIMED investe em soluções escaláveis e amigáveis, permitindo que colaboradores da área financeira operem sistemas sem necessidade de conhecimento técnico avançado. Isso promove agilidade, reduz erros e fortalece a governança financeira. A Figura 7 expressa a aplicação das ferramentas de TI na gestão financeira da CIMED: Figura 7 – Ferramentas de TI aplicadas na CEMED Ferramenta de TI aplicada Área da Gestação Financeira Finalidade Principal ERP (Sistema Integrado) Controle de fluxo de caixa Centralização de dados e previsibilidade BPMS (Automatização de processos) Pagamentos e recebimentos Redução de erros e agilidade operacional ECM (Gestão de documentos) Contas a pagar e contratos Segurança e rastreabilidade documental Dashboard Financeiro Planejamento estratégico Visualização de indicadores e metas Fonte: Zeev e TOTVS2 A tabela mostra que a CIMED aplica diferentes ferramentas de TI conforme as necessidades específicas de cada área financeira. O ERP é utilizado para consolidar dados e garantir previsibilidade, enquanto o BPMS automatiza tarefas repetitivas, como pagamentos. O ECM garante segurança documental, e os dashboards permitem análise estratégica em tempo real. Essa integração tecnológica fortalece a eficiência e a tomada de decisões. A aplicação de TI na gestão financeira da CIMED revela uma postura moderna e orientada por dados. No entanto, a dependência de sistemas automatizados exige constante atualização e capacitação dos colaboradores. Além disso, a empresa 22 poderia ampliar o uso de inteligência artificial para prever cenários econômicos e otimizar investimentos. A TI, quando bem aplicada, não apenas organiza, mas transforma a gestão financeira em um diferencial competitivo. DISCUSSÃO Gestão de Crédito e Cobrança na CIMED A disciplina de Crédito e Cobrança se concentra na gestão do capital de giro e na minimização do risco de perdas por inadimplência, garantindo a liquidez e a rentabilidade da organização. No caso da CIMED Indústria Farmacêutica, a análise do tema revela uma gestão financeira disciplinada, que se traduz em métricas de crédito sólidas e uma política financeira bem estabelecida (MOODY'S LOCAL, 2024). Análise da Política de Crédito e Risco A CIMED opera com uma estrutura de gestão de risco de crédito que é reconhecida pela sua solidez, refletida em um rating de crédito de AA+ (Fitch), que atesta sua saúde financeira e alto nível de governança (CIMED, 2025). Fatores-Chave da Gestão de Crédito na CIMED: Métricas Financeiras Sólidas: A empresa mantém uma alavancagem bruta ajustada (Dívida Bruta/EBITDA) baixa a moderada, com tendência de queda, atingindo 1,6x em 2023 (MOODY'S LOCAL, 2024). Indicadores de baixa alavancagem sugerem que a CIMED tem maior capacidade de absorver eventuais perdas por crédito e honrar seus compromissos, minimizando o risco sistêmico. Geração de Caixa Consistente: A CIMED demonstrou uma boa geração de Fluxo de Caixa Operacional (CFO), permitindo flexibilidade financeira (MOODY'S LOCAL, 2024). Além disso, ações estratégicas resultaram na melhoria do Capital de Giro, mantendo o Fluxo de Caixa Livre (FCL) em patamares consistentes (R$ 419 milhões em 2021, por exemplo) (CIMED, 2025; CIMED, 2021). Um FCL robusto é o pilar de uma política de crédito saudável, pois garante que a empresa possa financiar suas vendas a prazo sem comprometer a liquidez. Política Documentada e Monitoramento: A CIMED declara possuir uma política de crédito, contas a receber e cobrança que estabelece limites e procedimentos claros. O monitoramento contínuo das exposições e a tomada de ações de cobrança e proteção do crédito são práticas essenciais (CIMED INDÚSTRIA S.A.). 23 Pontos de Discussão e Riscos a Serem Gerenciados Embora a CIMED apresente um quadro de gestão de crédito eficiente, existem pontos cruciais que devem ser considerados na discussão, em linha com a estratégia do PIM: Risco de Concentração em Partes Relacionadas (Contas a Receber): Uma questão estrutural relevante é que "parte substancial das operações de vendas da Companhia é realizada com partes relacionadas" (CIMED INDÚSTRIA S.A., 2023; CIMED INDÚSTRIA S.A., 2024). Este fato, explicitado nas demonstrações financeiras, exige uma leitura contextualizada do saldo de Contas a Receber. Discussão: Embora as transações intercompany garantam a fluidezdo capital dentro do grupo, elas representam um risco de crédito concentrado. A CIMED precisa garantir que sua política de crédito interna para partes relacionadas seja tão rigorosa quanto a aplicada ao mercado, para que os prazos e condições comerciais não se tornem um passivo oculto, comprometendo o Capital de Giro. Risco Cambial e de Insumos (Impacto Indireto no Crédito): O setor farmacêutico brasileiro é dependente de insumos importados (cerca de 95% da matéria-prima) (SINDUSFARMA, 2022). A inflação e o impacto cambial podem sensibilizar os resultados e os níveis de rentabilidade (MOODY'S LOCAL, 2024). Discussão: O risco cambial impacta o Custo das Mercadorias Vendidas (CMV), comprimindo as margens da CIMED. Uma margem menor reduz a capacidade de absorver perdas por inadimplência (risco de crédito). A empresa mitiga isso com uma política de exposição cambial para um horizonte de até 12 meses (CIMED, 2025; CIMED, 2021), mas a volatilidade do custo de produção ainda exige que a gestão de crédito e cobrança seja impecável para evitar o efeito cascata de perdas. Proposta de Solução/Foco Estratégico (Inovação em Crédito) Com o objetivo de triplicar o faturamento (meta de R$ 10 bilhões) (CIMED, 2025) e com um modelo de distribuição que atende a 98% das 80 mil farmácias no Brasil (SINDUSFARMA, 2022), a CIMED não pode ver o crédito apenas como risco, mas como uma alavanca de vendas. Proposta (Crédito como Vantagem Competitiva): A CIMED já demonstrou uma estratégia de integrar o crédito à venda por meio de parcerias. A aliança com a SafraPay para proporcionar crédito aos varejistas (farmácias) e, assim, impulsionar as vendas (O ESPECIALISTA, 2025), é um exemplo prático. Essa estratégia pode ser consolidada através de: Customização do Crédito: Utilizar os dados de compra e histórico de pagamento da vasta rede de farmácias atendidas diretamente para criar um score de crédito interno mais preciso que o mercado tradicional. Isso permite oferecer prazos e 24 descontos mais agressivos (e competitivos) para clientes com baixo risco de inadimplência. Crédito Pontual para a Cadeia de Valor: A CIMED, por meio da parceria (ou de uma fintech interna), pode oferecer linhas de capital de giro específicas para seus clientes (farmácias) para que estes mantenham os estoques de produtos CIMED, transformando o "contas a receber" tradicional em uma solução financeira integrada que garante a venda e fideliza o ponto de venda, blindando a cadeia de distribuição. Dessa forma, a CIMED consegue sustentar seu crescimento orgânico e agressivo (CIMED, 2024) utilizando a gestão de Crédito e Cobrança não apenas para proteger o caixa, mas para gerar novas oportunidades de receita e fortalecer sua posição de liderança no mercado. CONCLUSÃO Este Projeto Integrado Multidisciplinar IV permitiu identificar que a integração entre áreas estratégicas e operacionais é essencial para o fortalecimento da gestão organizacional da CIMED. A aplicação de conceitos de Administração Estratégica e Controladoria revelou a importância do alinhamento entre planejamento e execução, permitindo maior controle sobre os indicadores financeiros e operacionais. As práticas de Crédito e Cobrança, quando apoiadas por ferramentas de TI, demonstraram potencial para reduzir inadimplência e aumentar a eficiência dos fluxos financeiros. A inserção da Educação Ambiental como eixo transversal reforçou o compromisso da empresa com a sustentabilidade e com os princípios ESG, cada vez mais valorizados no Mercado de Capitais. A preparação da CIMED para o IPO evidenciou a necessidade de transparência, governança e inovação, aspectos que se conectam diretamente com a adoção de tecnologias da Indústria 4.0, como sistemas ERP, BPMS e dashboards inteligentes. 25 Entre os principais resultados obtidos, destaca-se a constatação de que a CIMED já possui uma base sólida para implementar um modelo de gestão integrada, capaz de unir eficiência financeira, responsabilidade ambiental e inovação tecnológica. A análise dos dados mostrou que a empresa investe estrategicamente em ferramentas digitais e práticas de mercado, o que a posiciona de forma competitiva no setor farmacêutico. No entanto, algumas limitações foram observadas, como a escassez de dados públicos detalhados sobre os processos internos da organização e a ausência de indicadores ambientais consolidados. Essas lacunas dificultam uma avaliação mais precisa do impacto das ações sustentáveis e tecnológicas no desempenho financeiro da empresa. A principal contribuição deste projeto está em oferecer uma visão sistêmica e fundamentada sobre como diferentes disciplinas podem convergir para fortalecer a gestão empresarial. Ao propor uma solução integrada, o estudo aponta caminhos para que a CIMED amplie sua eficiência, sua atratividade no mercado de capitais e seu compromisso com a sustentabilidade. A mensagem final que este projeto deseja transmitir é clara: a competitividade das organizações modernas depende da capacidade de integrar conhecimento estratégico, financeiro, ambiental e tecnológico. A CIMED, ao investir nesses pilares, não apenas se prepara para o futuro, ela o constrói. 26 REFERÊNCIAS BANCO CENTRAL DO BRASIL. Sistema Financeiro Nacional. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/sfn. Acesso em: 04 set. 2025. BISPO, Pedro. Política de crédito e cobrança: tudo o que você precisa saber. Consumidor Moderno, 2024. Disponível em: https://consumidormoderno.com.br/politica-de-credito-e-cobranca. Acesso em: 12 set. 2025. BRASIL ESCOLA. Estrutura hierárquica da controladoria nas organizações. Disponível em: https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/administracao/estrutura- hierarquica-da-controladoria-nas-organizacoes.htm. Acesso em: 07 set. 2025. CAMARGO, Laura. Política de Crédito e Cobrança: Como Criar a Sua + Modelo Pronto. Neofin, 2024. Disponível em: https://www.neofin.com.br/blog/politica- credito-e-cobranca. Acesso em: 07 set. 2025. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. CIMED. 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Desde 2021, a empresa se apresenta como companhia de capital aberto, preparando-se para uma futura oferta públi... Figura 6 (Grafico) - Estratégias de Capitalização da CIMED Fonte: Pipeline Valor e VEJA A movimentação da CIMED no mercado de capitais é estratégica e coerente com seu porte e ambições. No entanto, a ausência de uma data definida para o IPO pode gerar incertezas entre investidores. Além disso, a avaliação elevada da empresa pode dificult... 7. TI APLICADA À ÁREA FINANCEIRA CONCLUSÃO REFERÊNCIAS