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História do SUS:
· História do SUS:
· Período pré-colonial, Brasil colônia e Brasil império:
· É o período mais inicial da história do SUS.
· Período pré-colonial:
· Antes do descobrimento do novo mundo e a vinda dos primeiros europeus para o Brasil, não havia qualquer delineamento para soluções de saúde para a população ou conformação de algum sistema de saúde específico.
· A população nativa indígena fazia-se uso da experiência de especialistas nos cuidados de saúde e doença, ou seja, os anciões, sábios, pajés ou curandeiros.
· A solução dessas autoridades era baseada em suas crenças e culturas, não em reconhecimento da medicina baseada em evidências.
· Logo, nesse período, predominava o modelo mágico ou xamanístico com uso de ervas medicinais e rituais de caráter místico, espiritual ou religioso.
· Brasil colônia e Brasil império:
· Com a chegada das caravanas portuguesas, houve a importação de alguns graves problemas sanitários e doenças até então desconhecidas para os nativos, que geraram grandes tragédias da história nacional, com a dizimação de populações inteiras de indígenas sul-americanos.
· Doenças europeias como malária, gripe, sífilis, varíola, dentre outras, dizimaram grande parte da população indígena, que não tinha um sistema de defesa imunológico adequada contra esses patógenos.
· Outra grande fonte de problemas veio da prática da escravidão, com o início do tráfico de escravos da África, trazidos por navios negreiros, que as transportavam em condições sanitárias e de higiene precárias.
· As condições miseráveis oferecidas a população negra nos campos brasileiros foram uma fonte de rápida propagação de diversas doenças, como dengue, tracoma, dracunculose e diversas outras relacionadas a condições de insalubridade e de privações desumanas.
· Nesse período, não havia qualquer delineamento, um norte para as políticas de saúde pública no país. O acesso a cuidados médicos dependia das posses, ou seja, os ricos tinham acesso aos tratamentos disponíveis, enquanto os pobres lutavam para sobreviver ou buscavam auxílio de curandeiros.
· A filantropia dominava o conceito de atuação em saúde coletiva no período. Desde a colonização, percebia-se forte ligação das entidades religiosas com os tratamentos de saúde, com o papel dos jesuítas e das freiras como figuras adaptadas na função de profissionais de saúde. 
· Nesse contexto, as Santas Casas de Misericórdia foram entidades religiosas de caridade que se destinaram a prestar assistência de saúde às pessoas, por décadas, a única opção de tratamento para os pobres.
· República Velha (1889 a 1930):
· Com a Proclamação da República, em 15/11/1988, o Marechal Manuel Deodoro da Fonseca, torna-se o primeiro presidente do Brasil (1889-1891) e inicia-se no país um período chamado de República Velha.
· Nesse período, a saúde da população, ou melhor, a falta dela, era considerada um fator de grande atraso ao desenvolvimento das indústrias e ao crescimento nacional. 
· As doenças tropicais, a alta taxa de mortalidade materna e infantil, baixa expectativa de vida e as frequentes epidemias assolavam os brasileiros e os recém-chegados estrangeiros.
· Logo, havia um importante problema a ser resolvido com urgência para que a nação pudesse prosperar. Por isso, o presidente Rodrigues Alves (1902-1906), convidou o médico sanitarista Oswaldo Cruz para a Direção Geral de Saúde Pública.
· Ele tinha como grandes objetivos erradicar a varíola peste bubônica e febre amarela, que arrasavam o RJ, capital da República (1889-1960), e afastavam os navios que traziam imigrantes para os campos na América do Sul.
· Logo, ele instituiu a campanha de imunização compulsória contra a varíola e no ano seguinte, pela Lei 1261 de 31/10/1903, instituiu-se a obrigatoriedade vacinal em todo país, com retaliações e punições às pessoas que não se vacinassem (proibição de trabalho formal ou outros direitos relacionados à cidadania).
· Essas ações coercitivas, que envolviam poder de polícia aos agentes de saúde, que podiam fiscalizar residências, emitir ordens de despejo e internar involuntariamente os pacientes, chamada de polícia médica.
· Nesse momento, ocorreu a Revolta da Vacina, movimento de cunho social, que ocorreu após a determinação da vacinação obrigatória contra a varíola. Uma parte da população rebelou-se em um motim que durou 01 semana. Com isso, ocorreram quase 1000 prisões, 500 manifestantes foram deportados, além de muitos feridos e 30 mortos. No fim do conflito, o presidente decidiu revogar a lei da vacinação obrigatória.
· Com a política imposta por Oswaldo Cruz, que controlou diversas epidemias com sucesso, passou a vigorar no país um formato assistencial tipo campanhista e sanitarista, em que as ações de saúde eram feitas com objetivo de manter a higiene sanitária dos portos e o controle de epidemias. Esse modelo também chamado de campanhista, pois tais ações eram realizadas em campanhas, como a vacinação para varíola.
· Lei Eloy Chaves – surgimento das Caixas de Aposentadoria e Pensões:
· No fim da República Velha, é sancionado pelo presidente Arthur Bernardes a Lei Eloy Chaves, com a criação das Caixas de Aposentadoria e Pensões (CAP), inicialmente para trabalhadores do ramo das ferrovias (mas depois foi difundida para trabalhadores de outros ramos, como marítimos e portuários).
· Essa lei foi considerada um marco histórico por consolidar a base do sistema previdenciário brasileiro. As CAP eram iniciativas dos próprios trabalhadores junto a seus patrões, que se organizavam para recolher e financiar (bipartite - empregados e patrões) o atendimento em saúde e a assistência médica deles e de suas famílias. 
· Era Vargas (1930 a 1945):
· Foi durante esse período que surgiu o Estado Novo, juntamente com a Constituição brasileira de 1937.
· Em 1933, o governo Vargas resolveu intervir nas organizações das CAP, que foram substituídas pelos Institutos de Aposentadoria e Pensões (IAP), autarquias nacionais centralizadas pelo governo federal.
· Enquanto as CAP eram organizadas por empresas, as IAP era por categoria profissional
· Logo, cada categoria tinha seu próprio sistema de previdência social e assistência à saúde.
· O financiamento dos IAP passou a ser tripartite, envolvendo empregador, empregado e Estado, enquanto sua administração ficava sob responsabilidade de um representante determinado pelo governo.
· Regime militar (1964 a 1985):
· Nesse governo, ocorreu a unificação de todos os IAP, e então surge o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) em 1966.
· O INPS unificou todas as categorias em um único sistema, com a gestão do Governo Federal, que passou a financiar a assistência hospitalar da iniciativa privada por linhas de crédito específicas, com juros baixos e subsidiados pelo Estado.
· Os hospitais privados passaram a atender os integrantes do INPS por contratos e convênios
· Com o tempo essa centralização incorporou outras parcelas da população que não participavam do sistema como trabalhadores rurais, empregadas domésticas e os autônomos.
· Em 1977, pela lei 6439, instituiu-se o SINPAS (sistema nacional de previdência e assistência social). Com esse sistema, o INPS foi desdobrado em 03 segmentos: um de mesmo nome, INPS, voltado para previdência social, o Instituto de Administração da Previdência Social (IAPAS) e o Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS), que prestava os serviços de saúde. O INAMPS continuou prestando assistência à saúde apenas para os trabalhadores formais e seus dependentes, pelas instituições públicas e convênios com a rede particular, sendo extinto oficialmente em 1993, pela consolidação do SUS.
· Movimento da reforma sanitária brasileira:
· Esse movimento nasceu na década de 1970, pela luta popular contra o regime militar que governava um Brasil assolado por epidemias e pela insatisfação com a precária prestação de serviços públicos em saúde. O movimento reformista contou com grupos (vertentes), que defenderam as pautas da saúde como direito de todos e dever do Estado e levantaram a bandeira da lutapela saúde, direitos civis, democracia e da liberdade.
· O movimento sanitarista teve participação de profissionais de saúde e pessoas vinculadas aos setores políticos, sociais e de saúde. Essas classes entendiam que era fundamental uma nova abordagem dos problemas de saúde da população, que deviam partir de um referencial médico-social e defendiam a transformação do setor da saúde, para melhorar as condições e a atenção à saúde da população.
· VIII Conferência Nacional de Saúde de 1986:
· A 8ª CNS, realizada entre 17 e 21 de março de 1986, foi um momento fundamental para definir as bases da construção do SUS.
· Essa foi a primeira conferência a contar com a participação popular e de movimentos da sociedade civil. As conferências anteriores só contemplavam participantes do Estado (deputados e senadores), além de autoridades do setor de saúde, sendo intraministeriais, ou seja, a participação era mediante convite de secretarias e intelectuais do MS.
· Os principais objetivos dessa conferência, nos 05 dias de trabalhos e de amplos debates, para a formulação de um novo sistema de saúde democrático e acessível.
· Esse evento foi decisivo para o planejamento do SUS que temos hoje, e o debate girou em 03 pontos-chave:
· O financiamento setorial
· A saúde como dever do Estado e direito do cidadão
· A reformulação do Sistema Nacional de Saúde
· O resultado desses debates foi compilado em um relatório final, que defendia a formação de um sistema único de saúde, que deveria estar separado da previdência, sendo coordenado por um ministério único em nível federal. Outro concenso proposto foi a integralização das ações, regionalização e hierarquização das unidades de saúde e o fortalecimento do município como gestor local. Também falava da importância da participação popular na formulação das políticas, no planejamento, na gestão e na avaliação do sistema, que deveria ocorrer pelas entidades federativas.
· Ela também definiu diversas diretrizes que mais tarde foram implementadas e garantidas legalmente, como a descentralização de saúde e da instituição desta como dever do Estado e direito de todos.
· Sistemas unificados e descentralizados de saúde (SUDS) – 1987:
· Os SUDS foram criados em 1987, como uma estratégia de ponte, para realizar uma transição entre os modelos, enquanto se elaboravam as bases de um futuro sistema único e verdadeiramente universal de saúde
· Ele prestava serviços através de parcerias e convênios entre os Estados e o Governo Federal, ampliando muito o acesso aos serviços de saúde prestados pelo INAMPS, que passou a ser gerido nos estados conveniados, por suas secretarias de saúde. O SUDS, portanto, formava as bases para a implantação do SUS, que foi criado pela CF 1988
· Sistema único de saúde (SUS) – 1988:
· Com a Constituinte de 88 ocorre a promulgação da 7ª constituição brasileira, a Constituição Federal de 1988, e surge o SUS.
· Em 1990, o governo federal publica as Leis Orgânicas da Saúde: Lei 8.080 e lei 8.142, regulando o funcionamento do SUS e garantindo definidamente a saúde como dever do Estado e direito de todos.
· A iniciativa privada pode prestar serviços de saúde em caráter complementar
· Linha do tempo das políticas públicas de saúde no Brasil:
· Documentos internacionais relevantes:
· Carta de Ottawa:
· Foi o documento resultante da Primeira Conferência Internacional sobre Promoção de Saúde, realizada em Ottawa, e novembro de 1986.
· Definição de promoção à saúde:
· É o nome dado ao processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo.
· Esse documento é o marco conceitual da Promoção da Saúde e fala sobre 05 pilares fundamentais, descritos abaixo:
· Declaração de Alma-Ata:
· A conferência internacional de cuidados primários em saúde de Alma-Ata, ocorreu em dezembro de 1978 e recebeu esse nome por ter sido feita pela OMS em Alma-Ata, na República do Cazaquistão
· Reuniu 134 países e 67 organismos internacionais, que se comprometeram com a meta de garantir saúde para todos até o ano 2000.
· Essa declaração influenciou diversos países a desenvolverem políticas públicas de saúde, sendo uma das principais referências globais na evolução dos modelos de sistema de saúde. No Brasil, o resultado foi observado na Constituição Federal de 1988, que definiu a saúde como direito de todos e dever do Estado e o acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.
· Declaração de Astana:
· Em 2018, foi realizada uma nova conferência sobre Atenção Primária à Saúde, em Astana.
· Essa nova declaração enfatizou o papel da atenção primária à saúde em todo o mundo e realçou a importância dos cuidados primários de saúde.
· Relatório Flexner:
· Enfatiza o modelo biomédico, hospitalocêntrico e centrado na doença, o que resultou em programas educacionais médicos com uma visão reducionista.
· Ele concluiu que o padrão ideal de ensino médico era aquele fundamentado na universalidade e com bases científicas. O tempo de formação deveria ser o mesmo para todas as universidades (04 anos). O currículo deveria ser dividido em ciclo básico e profissional, sendo que o ciclo profissionalizante deveria ser realizado em hospitais.
· Flexner não se aprofundou na avaliação de outras dimensões que influenciam a saúde das pessoas, como os aspectos sociais, políticos, culturais, psicológicos e econômicos.
· Relatório Dawson:
· Foi publicado no Reino Unido em 1920.
· Esse relatório foi o primeiro documento a propor a organização de um sistema de saúde na forma de rede de atenção à saúde, tendo como porta de entrada um modelo parecido como a atenção primária à saúde.
· Esse documento trouxe à tona diversas noções de saúde que aplicamos hoje no SUS, como território, territorialização, populações adscritas, porta de entrada, referência e atenção primária como coordenadora do cuidado.
· Relatório de Lalonde:
· Foi produzido pelo governo canadense, em 1974, e propunha 04 componentes para o conceito de campo da saúde. São eles: biologia humana, meio ambiente, estilo de vida e organização da atenção à saúde.
· Sistema de saúde e modelos assistenciais de saúde:
· Modelo de Beveridge ou sistema de saúde Beveridgeanos:
· Fundamentado na cobertura universal e financiado pela sociedade através da arrecadação de impostos e tributos.
· Esse sistema nasceu no Reino Unido, mas foi difundido para outros países como Suécia, Dinamarca, Finlândia e Portugal.
· É o modelo do SUS no Brasil.
· Modelo de Bismarck ou sistema bismarckiano:
· Base em seguros sociais obrigatórios.
· O financiamento ocorre por meio de fundos sem fins lucrativos, pela contribuição de empregados e empregadores
· É o sistema da Alemanha, existindo ainda em países como Suíça, França, Holanda e Japão.
· Foi o modelo no Brasil na época das CAP.
· Modelo de Smith ou sistema smithianos ou baseados no mercado:
· A base de seu financiamento são as contribuições voluntárias de indivíduos e empregadores.
· O acesso à saúde é mais restrito, pois os serviços de saúde são predominantemente privados.
· Um dos países representados por esse sistema são os EUA.
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