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Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Execução Ágil e Gestão de Resultados Bem-vindo à Unidade 3, o verdadeiro ponto de virada da sua modelagem! Se na Unidade 2 você validou o Product-Market Fit e o MVP, é aqui que a visão tática se impõe. O risco mais perigoso agora não é mais a ideia errada, mas sim a execução desordenada, e a falta de alinhamento e esta unidade é o seu manual para a disciplina de ação. Por isso, vamos traduzir as hipóteses do seu Modelo de Negócios em entregáveis concretos e mensuráveis. Você aprenderá a usar o Canvas de Projeto para delimitar o escopo e gerenciar os riscos de forma visual, o Scrum para garantir a agilidade e a eficiência da equipe de desenvolvimento, e o OKR para assegurar que cada esforço esteja alinhado ao resultado estratégico (o foco da escala). O domínio desses frameworks transforma o sonho de crescimento em um processo disciplinado, transparente e à prova de incertezas. É hora de construir o legado. Objetivo Ao final desta unidade você deverá ser capaz de: • Estruturar a execução do negócio por meio do Canvas de Projeto e do framework Scrum, definindo metas estratégicas e mensuráveis com a metodologia OKR, e promovendo gestão colaborativa e orientada a resultados. Conteúdo Programático Esta unidade está organizada de acordo com os seguintes temas: • Tema 1 – Canvas de Projeto: traduzindo o Modelo de Negócio em Plano de Ação, Escopo e Riscos • Tema 2 – Scrum: o Framework Ágil para Gestão da Execução do MVP • Tema 3 – OKR (Objectives and Key Results): definição de Metas Estratégicas e Indicadores-Chave • Tema 4 – Gestão de Stakeholders e Matriz Poder x Interesse Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Já se perguntou por que alguns projetos fluem e outros travam no caos? Nessa palestra, você verá como a mentalidade "ágil" vai muito além de metodologias: é sobre mudar a forma de pensar para lidar com a incerteza. Essa reflexão é o ponto de partida perfeito para você dominar ferramentas práticas como o Canvas de Projeto e o Scrum, aprendendo a transformar ideias em resultados de forma adaptativa e eficaz. O vídeo A transformação através da metodologia ágil como mudança de cenário vai dar a você uma visão muito interessante desse cenário. https://www.youtube.com/watch?v=1WWsZYfK8NM Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Tema 1 Canvas de Projeto: traduzindo o Modelo de Negócio em Plano de Ação, Escopo e Riscos Como a utilização do Canvas de Projeto pode estruturar a execução de iniciativas estratégicas em ambientes organizacionais orientados à performance? Você deu um passo estratégico gigantesco: as hipóteses de valor (VPDC) e o modelo de negócios (BMC/Lean Canvas) foram desenhados e validados na Unidade 2. Contudo, é nesse exato ponto que a maioria dos empreendedores falha. O risco não está mais na ideia errada, mas na execução desordenada e na falta de disciplina para transformar o Canvas teórico em um produto real que possa ser testado. Esta unidade é o seu manual de execução estratégica e o Canvas de Projeto é a ferramenta que estabelece a ponte lógica entre a arquitetura do seu Modelo de Negócios (o quê e o porquê) e o plano de ação tático (o como). Não basta saber que o seu MVP precisa ser construído; é preciso definir quem irá construir, o que será entregue, quando e quanto custará. Neste tema você aprenderá a usar o Canvas de Projeto como uma ferramenta de clareza de escopo e gestão de riscos (já que as decisões não programadas regem as empresas), garantindo que o seu capital captado seja direcionado à construção de entregáveis concretos que aceleram a validação do Modelo de Negócios. O Canvas de Projeto consolida-se como uma ferramenta estratégica para transformar ideias em planos de execução estruturados, alinhando objetivos, recursos e riscos em uma única visão sistêmica. Diferentemente dos modelos tradicionais de planejamento, baseados em documentos extensos e de difícil atualização, esse framework organiza as informações críticas de forma visual, integrada e dinâmica, permitindo que gestores e equipes compreendam o projeto como um sistema interdependente de variáveis. A lógica estrutural do Canvas de Projeto está baseada em sete grandes dimensões que organizam o raciocínio gerencial de forma integrada: por quê? O quê? Como? Quem? Quando? Quanto? E se? Esse modelo promove uma visão prática da gestão de projetos, conectando estratégia, execução, risco e viabilidade em um único artefato visual. • “Por quê?”: o eixo “Por quê?” corresponde à Justificativa e Objetivos do Projeto, conectando o projeto diretamente às diretrizes estratégicas da organização, assegurando que o projeto exista por uma razão clara de negócio, evitando iniciativas que consomem recursos sem gerar impacto relevante. Um projeto de implantação de um novo sistema de atendimento ao cliente, por exemplo, nasce a partir da necessidade estratégica de elevar índices de satisfação e reduzir tempos de resposta. Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. • “O quê?”: o campo “O quê?” estrutura o Escopo e os Resultados Esperados, delimitando claramente o que será entregue e o que não faz parte do projeto. Essa definição evita o fenômeno conhecido como “crescimento descontrolado de escopo”, uma das principais causas de atraso e falha em projetos. Quando uma organização define, por exemplo, que a primeira versão de um aplicativo corporativo terá apenas funcionalidades essenciais, ela protege o projeto contra dispersão de recursos. • “Como?”: o bloco “Como?” organiza as Estratégias de Execução e Abordagens Técnicas, descrevendo os caminhos que serão utilizados para atingir os objetivos. Esse campo conecta método, tecnologia, processos e escolhas operacionais. Em projetos de transformação digital, por exemplo, esse espaço descreve se serão utilizados métodos ágeis, desenvolvimento incremental ou fases sequenciais. • “Quem?”: o eixo “Quem?” identifica os Papéis, Responsabilidades e Stakeholders, estruturando a governança do projeto. Aqui são definidos patrocinadores, responsáveis, equipes envolvidas e partes interessadas. Esse mapeamento reduz o risco de conflitos, sobreposição de responsabilidades e lacunas de comunicação, especialmente em projetos interdepartamentais. • “Quando?”: o campo “Quando?” corresponde à organização do Tempo e dos Marcos do Projeto, permitindo a visualização de fases, entregas intermediáriase prazos críticos. Em vez de cronogramas excessivamente analíticos, o Canvas trabalha com marcos visuais, facilitando o acompanhamento gerencial e a comunicação de status. • “Quanto?”: o eixo “Quanto?” consolida a Viabilidade Financeira e Orçamentária, conectando custos, recursos financeiros e limitações econômicas. Esse campo reforça a racionalidade na alocação de capital e impede que projetos avancem desconsiderando suas restrições reais. Um projeto de automação de processos, por exemplo, precisa alinhar escopo com a real capacidade de investimento disponível. • “E se?”: por fim, o bloco “E se?” estrutura a Gestão de Riscos e Planos de Contingência, antecipando cenários adversos e definindo respostas estratégicas. Esse elemento transforma o gestor em agente preventivo, e não apenas reativo. A identificação de riscos como dependência de fornecedores, restrições regulatórias ou limitações técnicas permite a construção de planos alternativos antes que o problema se materialize. O grande diferencial do Canvas de Projeto está em seu caráter colaborativo, pois não se trata de uma ferramenta de uso individual, mas sim de um instrumento de construção coletiva. Sua aplicação estimula a participação ativa dos envolvidos, fortalece o senso de pertencimento e amplia a qualidade das decisões, pois incorpora múltiplas perspectivas ao planejamento. Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Framework Canvas de Projeto. É importante abordarmos as diferentes áreas desse Canvas, pois conceitualmente há diferenças dos frameworks anteriores. 1. Objetivo: é algo único e restrito, não permitindo Gold Plating no projeto. Gold Plating é a prática de adicionar funcionalidades extras ou recursos não solicitados ao escopo original. 2. Justificativa: o que motiva o projeto? Quais problemas de negócio ou oportunidades estamos resolvendo com esse projeto? Procure colocar no mínimo duas justificativas, preferencialmente métricas e KPIs. 3. Benefícios: quais são os ganhos do projeto? 4. Características do produto / serviço: em outros frameworks essa parte tem o nome de ESCOPO DO PROJETO. Aqui, será feita a descrição detalhada do que será entregue. 5. Escopo: no Canvas de projeto o ESCOPO significa trabalho a ser realizado, ou seja, todas as ações que, concatenadas irão gerar o produto. 6. Não escopo: representa o que não será incluído no projeto. 7. Stakeholders: representa todas as partes interessadas no projeto (internas e externas). Quem é o dono do projeto? Quem usa? Quem faz? Quem pode atrapalhar? Veremos mais sobre esse assunto no Tema 4. 8. Premissas e restrições: quais as regras e pressupostos que limitam o projeto? Há restrições de orçamento, datas, recursos etc.? O que será necessário para que seja entregue? Quais são as verdades que aceitamos como certas e os limites intransponíveis? A empresa precisará ceder algo? Essa parte é fundamental para definir as “regras do jogo”. Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. 9. Riscos: que fatores podem ameaçar o projeto? Quais são os nossos maiores medos? O que pode atrasar, encarecer ou inviabilizar o projeto? 10. Entregas: na linguagem de gerenciamento de projetos esses são dos “deliverables”, ou seja, quais produtos finais serão gerados? 11. Datas: cada entrega precisa ter uma data associada. 12. Investimento: é possível que algumas entregas precisem de aportes financeiros por parte da empresa ou sponsor do projeto Em organizações contemporâneas, o Canvas de Projeto se consolida como uma alternativa eficiente aos modelos burocratizados de gestão, reduzindo o tempo de planejamento, aumentando a clareza das entregas e fortalecendo a transparência do processo decisório. Sua natureza visual acelera o alinhamento, reduz ruídos de comunicação e fortalece a disciplina de execução. Em síntese, não é apenas uma técnica de planejamento, mas um framework de execução estratégica que conecta propósito, escopo, método, pessoas, tempo, recursos e riscos em uma lógica integrada, fortalecendo a capacidade organizacional de transformar estratégia em entrega concreta, mensurável e sustentável. Para baixar o template oficial do Canvas de projeto, basta acessar: Canvas de Projeto. http://www.canvasdeprojeto.com.br/ http://www.canvasdeprojeto.com.br/ Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Tema 2 Scrum: o Framework Ágil para Gestão da Execução do MVP Como o framework Scrum permite que equipes organizem o trabalho, fortalecendo a capacidade de resposta a mudanças em ambientes organizacionais dinâmicos e de alta complexidade? O Scrum é um framework de gestão ágil que emergiu como resposta à incapacidade dos modelos tradicionais de projeto de lidar com ambientes de alta incerteza, grande complexidade e necessidade de inovação contínua. Em vez de operar com planos detalhados que pressupõem estabilidade, o Scrum parte do reconhecimento de que requisitos mudam, mercados evoluem e o conhecimento sobre o problema e a solução se desenvolve à medida que o trabalho avança. Ele organiza essa realidade dinâmica em um sistema de gestão estruturado, baseado em ciclos curtos, inspeção constante e adaptação rápida. As raízes conceituais do Scrum remontam ao artigo clássico de Hirotaka Takeuchi e Ikujiro Nonaka, publicado em 1986 na Harvard Business Review, intitulado The New New Product Development Game. Nesse estudo, os autores analisaram empresas japonesas inovadoras e observaram que as equipes mais eficazes não seguiam modelos lineares, mas trabalhavam de forma integrada, multidisciplinar e com alto grau de autonomia. A metáfora utilizada foi a do “scrum” no rugby: um bloco compacto que avança em conjunto, com esforço coordenado, em vez de uma sequência isolada de passes. Essa visão de desenvolvimento como processo iterativo, coletivo e interdependente constitui o embrião conceitual do que mais tarde se consolidaria como Scrum. Na década de 1990, Jeff Sutherland e Ken Schwaber deram forma prática a esses conceitos ao aplicá-los ao desenvolvimento de software em contextos corporativos. Eles estruturaram um conjunto de papéis, eventos e artefatos que permitiam operacionalizar essa filosofia em projetos reais. Em 1995, apresentaram o framework na conferência OOPSLA, marco de formalização do Scrum como abordagem gerencial. Posteriormente, em 2001, Schwaber foi um dos signatários do Manifesto Ágil, que consolidou uma nova lógica de gestão baseada em indivíduos e interações, colaboração com o cliente, resposta a mudanças e entrega contínua de valor. Princípios do SCRUM O Scrum se sustenta em um princípio central de controle empírico de processos, ou seja, na ideia de que decisões devem ser tomadas com base em evidências Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataformasão protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. produzidas pelo próprio trabalho em andamento. Esse princípio se desdobra em três pilares: • Transparência: todos os aspectos do processo de desenvolvimento devem ser visíveis e compreensíveis para todos os envolvidos (equipe, stakeholders e investidores). A falta de transparência é o primeiro sinal de que o risco está sendo maquiado. • Inspeção: os usuários devem inspecionar continuamente o produto que está sendo construído (o Incremento) para garantir que ele esteja alinhado com a Proposta de Valor. A inspeção deve ser frequente a fim de evitar grandes desvios. • Adaptação: se a inspeção revelar que o produto ou o processo está se desviando do objetivo estratégico (o feedback do MVP é negativo), a equipe deve adaptar-se rapidamente. Essa é uma decisão baseada em dados e não um ato de desespero. Papéis do SCRUM O Scrum define três papéis específicos que formam o Triângulo de Poder e são essenciais para o sucesso da execução: • Product Owner (PO): o PO tem contato com o cliente externo, sendo o visionário e o estrategista da equipe e único responsável por maximizar o valor do produto resultante do trabalho da Equipe de Desenvolvimento. Ele é o elo entre a Modelagem (o Canvas) e a Execução, gerenciando e priorizando o Product Backlog (o que será construído) com base nas hipóteses de maior valor. • Scrum Master (SM): esse é o líder servidor da equipe. O SM não gerencia pessoas, mas sim o processo. Ele é o responsável por garantir que o Scrum seja compreendido e aplicado corretamente, removendo impedimentos que possam atrasar o desenvolvimento e protegendo a equipe de distrações externas. O SM atua como o coach da agilidade. • Equipe de Desenvolvimento: são os profissionais que executam o trabalho (programadores, designers, analistas). A equipe é auto-organizada e multifuncional, o que significa que eles decidem como transformar os itens do Sprint Backlog em um Incremento (a fatia de produto funcional). Conceitos-chave • Product Backlog: tudo que pode ser feito no produto (responsabilidade do PO). • Sprint: período fixo em que parte do backlog é trabalhada (1 semana a 1 mês). • Sprint Backlog: lista do que será feito na sprint + plano de execução (responsabilidade do time). Operacionalmente, o Scrum organiza o trabalho em ciclos de tempo fixo denominados Sprints, geralmente com duração de duas a quatro semanas. Cada Sprint tem um objetivo claro e resulta em um incremento potencialmente utilizável do produto ou Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. serviço. O ciclo se inicia com o planejamento da Sprint, reunião em que o Product Owner apresenta os itens priorizados do Product Backlog; o time discute capacidade, complexidade e define o que será entregue no Sprint, ou seja, a própria equipe chega a um consenso quanto ao que precisa ser feito primeiro. O resultado é a formação do Sprint Backlog, o plano de trabalho de curto prazo da equipe. Esse momento é crítico, pois transforma prioridades estratégicas em compromissos concretos. A figura a seguir ilustra a metodologia SCRUM. Metodologia SCRUM. Fonte: SCRUM Academy (2025). Para exemplificar melhor, vamos imaginar que o projeto seja a abertura de uma nova filial de um restaurante. O PO traz o backlog do projeto, que é o seguinte: 1. Local e estrutura • Identificar regiões estratégicas para expansão. • Analisar fluxo de pessoas e concorrência. • Selecionar ponto comercial. • Negociar contrato de locação. • Elaborar projeto arquitetônico. • Aprovar orçamento da obra/reforma • Executar obra civil e elétrica. • Adquirir móveis e equipamentos. Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. 2. Fornecedores e insumos • Mapear fornecedores de alimentos e bebidas. • Selecionar fornecedores de insumos de cozinha e descartáveis. • Negociar contratos de fornecimento • Definir sistema de logística e armazenamento. 3. Pessoas • Definir cargos e perfil da equipe (cozinha, atendimento, limpeza, gerência). • Recrutar candidatos. • Selecionar e contratar equipe. • Realizar treinamento inicial (cardápio, atendimento, boas práticas sanitárias). • Preparar plano de escalas de trabalho. 4. Marketing e inauguração • Criar identidade visual e material de divulgação da nova unidade. • Planejar campanha de pré-lançamento (redes sociais, panfletagem, parcerias locais). • Definir estratégia de inauguração (soft opening x grande evento). • Executar campanha de marketing. • Realizar inauguração oficial. 5. Operações e ajustes • Definir cardápio inicial. • Testar processos operacionais (atendimento, cozinha, caixa). • Validar fluxo de pedidos e pagamentos. • Ajustar cardápio e preços conforme feedback inicial. • Monitorar indicadores de desempenho (vendas, custos, satisfação dos clientes). O Scrum Master apresenta esse Backlog para a equipe de desenvolvimento e a PRÓPRIA EQUIPE define o que será feito e entregue na SRINT. Eles podem executar tarefas de várias partes do backlog, desde que as entreguem dentro da SRINT e que cada etapa seguinte complemente a anterior (iteração). Você pode se perguntar qual a diferença entre SCRUM e Gerenciamento de projetos tradicional. E, para lhe responder, preparei uma tabela que compara as duas metodologias. Veja a seguir. Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Finalizamos o tema com a certeza de que o Scrum é a arte de fazer o dobro do trabalho na metade do tempo. Você dominou os pilares (Transparência, Inspeção, Adaptação), os papéis e os rituais que transformam a incerteza do desenvolvimento em uma rotina de eficiência. No próximo tema daremos o salto da gestão do trabalho (Scrum) para a gestão das metas (OKR). DIMENSÃO SCRUM (ABORDAGEM ÁGIL) GERENCIAMENTO TRADICIONAL DE PROJETOS FILOSOFIA DE GESTÃO ADAPTATIVA, ITERATIVA E INCREMENTAL, ORIENTADA À ENTREGA CONTÍNUA DE VALOR PREDITIVA, SEQUENCIAL E ORIENTADA AO CUMPRIMENTO DE PLANOS DEFINIDOS PLANEJAMENTO PLANEJAMENTO CONTÍNUO E PROGRESSIVO A CADA SPRINT PLANEJAMENTO DETALHADO REALIZADO MAJORITARIAMENTE NO INÍCIO DO PROJETO FLEXIBILIDADE A MUDANÇAS ALTA – MUDANÇAS SÃO ESPERADAS E INCORPORADAS DE FORMA NATURAL BAIXA – MUDANÇAS SÃO TRATADAS COMO EXCEÇÕES E GERAM RETRABALHO FORMAL ESTRUTURA DE TRABALHO CICLOS CURTOS DE DESENVOLVIMENTO (SPRINTS) COM ENTREGAS FREQUENTES FASES LINEARES (INICIAÇÃO, PLANEJAMENTO, EXECUÇÃO, MONITORAMENTO E ENCERRAMENTO) GESTÃODO ESCOPO ESCOPO É AJUSTADO DINAMICAMENTE CONFORME FEEDBACK DO MERCADO ESCOPO É RIGIDAMENTE DEFINIDO E CONTROLADO POR PROCESSOS FORMAIS DE MUDANÇA PAPEL DO GERENTE NÃO EXISTE GERENTE TRADICIONAL – ATUAÇÃO DO SCRUM MASTER É DE FACILITADOR GERENTE DE PROJETOS COM AUTORIDADE FORMAL E FOCO EM CONTROLE PARTICIPAÇÃO DO CLIENTE CONTÍNUA E ATIVA DURANTE TODO O PROCESSO PONTUAL, GERALMENTE RESTRITA AO INÍCIO E ENTREGA FINAL FORMA DE CONTROLE BASEADA EM TRANSPARÊNCIA, INSPEÇÃO E ADAPTAÇÃO BASEADA EM RELATÓRIOS FORMAIS, CRONOGRAMAS E MARCOS FIXOS GESTÃO DE RISCOS CONTÍNUA, COM MITIGAÇÃO PROGRESSIVA A CADA SPRINT FORMAL, ESTRUTURADA EM PLANOS DE RISCO DEFINIDOS NO INÍCIO MEDIÇÃO DE DESEMPENHO FOCO EM VALOR ENTREGUE E FEEDBACK DO USUÁRIO FOCO EM PRAZO, CUSTO E ESCOPO (TRIPLA RESTRIÇÃO CLÁSSICA) DOCUMENTAÇÃO ESSENCIAL E ENXUTA, ORIENTADA À FUNCIONALIDADE DO PRODUTO EXTENSA, DETALHADA E FORMALIZADA TOMADA DE DECISÃO DESCENTRALIZADA E COLABORATIVA CENTRALIZADA NA FIGURA DO GERENTE DE PROJETOS TIPO DE AMBIENTE MAIS ADEQUADO AMBIENTES VOLÁTEIS, INOVADORES E DE ALTA INCERTEZA AMBIENTES ESTÁVEIS, COM REQUISITOS BEM DEFINIDOS Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Tema 3 OKR (Objectives and Key Results): definição de Metas Estratégicas e Indicadores-Chave Como a utilização da metodologia OKR alinha estratégia e execução, traduzindo metas organizacionais em resultados mensuráveis? O OKR (Objectives and Key Results) é um sistema de gestão de metas concebido para transformar a estratégia organizacional em resultados concretos, mensuráveis e alinhados em todos os níveis da organização. Diferentemente dos modelos tradicionais de definição de metas, o OKR não se limita à cobrança de desempenho, mas estabelece uma lógica estruturada de foco, alinhamento e transparência. Sua aplicação fortalece a disciplina estratégica ao conectar propósito, prioridade e execução em um único sistema gerencial. A origem conceitual do OKR remonta à década de 1970, quando Andy Grove, então CEO da Intel, desenvolveu um sistema de gestão baseado em objetivos claros e resultados verificáveis, denominado inicialmente como “gestão por objetivos de alta performance”. Esse modelo foi posteriormente difundido por John Doerr, que levou o conceito ao Google no fim da década de 1990, consolidando o OKR como uma das ferramentas mais relevantes para empresas de crescimento acelerado. Esse histórico revela que o OKR nasceu como resposta à necessidade de manter foco estratégico em ambientes de rápida expansão. Um dos grandes diferenciais do OKR é sua lógica de alinhamento estrutural. O modelo foi concebido para operar em dois eixos simultâneos. No eixo vertical, os OKRs organizacionais são desdobrados em OKRs de áreas, equipes e indivíduos, criando coerência estratégica em toda a hierarquia. No eixo horizontal, os OKRs são visíveis entre equipes, estimulando colaboração intersetorial e reduzindo a fragmentação organizacional. Esse duplo alinhamento transforma o OKR em um mecanismo de governança da execução. Estrutura dos OKRs • Objetivo: representa uma declaração qualitativa, inspiradora e direcionadora, que descreve o que se deseja alcançar em determinado período. Diferentemente de metas operacionais, o Objective comunica direção estratégica e sentido de propósito. Ele deve ser claro, desafiador e alinhado às prioridades organizacionais. Um bom objetivo mobiliza as equipes, direciona o esforço coletivo e fortalece o senso de prioridade dentro da organização. • Resultado chave (Key Result): traduz o objetivo em métricas quantitativas e verificáveis. Enquanto o Objective responde “aonde queremos chegar”, o Key Result responde “como saberemos que chegamos lá”. Esses resultados-chave Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. são expressos de forma mensurável, com indicadores claros, prazos definidos e critérios objetivos de avaliação. Essa estrutura reduz subjetividade, fortalece a meritocracia e amplia a transparência na performance organizacional. • Cadência: a cadência de funcionamento do OKR opera em ciclos curtos, normalmente trimestrais, em vez de em metas anuais, que em geral são definidas no início e encerradas ao final do ano. Nota Os OKRs têm ciclo padrão de três meses. Isso permite a adequação das metas de acordo com as mudanças constantes do mercado, uma vez que o período de três meses pode ser customizado conforme a necessidade da empresa. O ideal é encontrar a periodicidade adequada, porém, é preciso que ocorram em ciclos curtos de validação. Essa periodicidade reduz o risco de obsolescência estratégica, permitindo revisões frequentes de prioridades. Além disso, a dinâmica do modelo é sustentada por check- ins periódicos, por meio dos quais líderes e equipes revisam progresso, analisam obstáculos e redefinem planos de ação. Esses rituais transformam a gestão em um processo contínuo de aprendizado e ajuste, reduzindo a distância entre planejamento e execução. Diferença entre KPI e OKR Os KPIs (Key Performance Indicators) e os OKRs (Objectives and Key Results) possuem finalidades distintas, embora complementares na gestão organizacional. Os KPIs monitoram a eficiência de processos recorrentes e estáveis, como taxa de conversão de vendas, índice de inadimplência ou nível de satisfação do cliente (NPS). Já os OKRs são voltados à transformação estratégica, estabelecendo objetivos ambiciosos e resultados-chave mensuráveis, como “Expandir a atuação nacional” com resultados-chave como “Aumentar faturamento em 30%” ou “Abrir operações em três novos estados”. KPIs, por sua vez, mantêm a organização operando bem, enquanto os OKRs impulsionam a organização a evoluir. Definição dos objetivos na construção dos OKRs Os Objetivos têm que ser inspiradores e engajar emocionalmente as equipes, sendo ambiciosos e baseados na linguagem que elas utilizam. Deve-se considerar a cultura da organização ao escrevê-los e não devem conter números, pois são ideias gerais. Em suma, eles precisam ser: • Inspiradores (aspiracional) Engajados emocionalmente. • Não numéricos. • Devem conter a linguagem da organização. • Devem ser ambiciosos. Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Exemplo Objetivo do Google: "Organizar toda a Informação do Mundo, e fazê-la universalmente acessível e útil.” Erros mais comuns em OKRs 1. Métrica de vaidade disfarçada de OKR. OKR errado Objetivo: fortalecer a marca digital. KR: atingir 100.000 seguidores no Instagram. Problema estratégico: foca em volume superficial, sem correlação direta com geração de valor ou receita. Versão corrigida KR: gerar 500 leads qualificados via Instagram. Ou: converter 5% dos seguidores em oportunidades comerciais. 2. KR sem mensurabilidade real. OKR errado Objetivo:melhorar a experiência do cliente. KR: deixar os clientes mais satisfeitos. Problema estratégico: resultado subjetivo, sem métrica nem instrumento de avaliação. Versão corrigida KR: elevar o NPS de 45 para 65 em 90 dias. KR: reduzir reclamações registradas em SAC em 30%. 3. Confusão entre tarefa e resultado. OKR errado Objetivo: modernizar o marketing da empresa. KR: criar campanhas no Instagram. KR: fazer postagens semanais. Problema estratégico: atividades operacionais confundidas com resultados. Versão corrigida KR: gerar aumento de 20% no volume de leads. KR: elevar taxa de conversão de campanhas de 2% para 5%. Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. 4. OKR “manutenção do status quo” OKR errado Objetivo: manter a carteira de clientes. KR: continuar atendendo bem os clientes atuais. Problema estratégico: não promove evolução, inovação ou ganho competitivo. Versão corrigida Objetivo: aumentar a fidelização da base de clientes. KR: elevar taxa de retenção de 82% para 92%. KR: reduzir churn em 40%. 5. OKR sem conexão estratégica OKR errado Objetivo: tornar a empresa mais digital. KR: comprar novos computadores. Problema estratégico: a ação não garante transformação digital real. Versão corrigida KR: automatizar 60% dos processos administrativos. KR: reduzir tempo de processamento de pedidos em 35%. 6. OKR com excesso de foco operacional. OKR errado Objetivo: melhorar o desempenho da equipe. KR: realizar reuniões semanais. KR: fazer treinamentos mensais. Problema estratégico: foco em meios, não em impacto. Versão corrigida KR: aumentar a produtividade da equipe em 25%. KR: reduzir retrabalho em 30%. 7. Falta de baseline (linha de base). OKR errado Objetivo: Aumentar vendas KR: Vender mais Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Problema estratégico: não há ponto de partida claro, nem meta quantificada. Versão corrigida KR: aumentar faturamento mensal de R$ 500 mil para R$ 650 mil. KR: expandir ticket médio de R$ 1.000 para R$ 1.300,00. Em contextos de crise e alta incerteza — como observado em estudos de aplicação durante a pandemia de covid-19 — a integração entre OKR e métodos ágeis demonstrou forte capacidade de sustentação da performance organizacional, mesmo em ambientes adversos, ampliando o engajamento de equipes e a continuidade operacional de portfólios críticos. Casos práticos demonstram que organizações que implementam OKR de forma estruturada conseguem ganhos relevantes em foco estratégico, engajamento, disciplina de execução e cultura de dados. Ambientes públicos e educacionais também passaram a adotar o framework com resultados expressivos, especialmente em estruturas complexas e multifuncionais. Contudo, a aplicação eficaz do OKR exige maturidade organizacional. Entre os principais riscos de implementação estão: excesso de objetivos, confusão entre tarefas e resultados-chave, ausência de rituais de acompanhamento e cultura resistente à transparência. Esses fatores, quando não gerenciados, podem transformar o OKR em mera ferramenta burocrática, descaracterizando seu potencial estratégico. De forma consolidada, o OKR deve ser compreendido como um sistema de gestão estratégica dinâmica, capaz de transformar visão em execução mensurável, estratégia em rotina organizacional e metas em aprendizagem contínua. Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Tema 4 Gestão de Stakeholders e Matriz Poder x Interesse Como o empreendedor pode mapear e gerenciar os interesses de stakeholders para garantir o alinhamento e o sucesso da execução do projeto? Ao observar projetos que fracassam, é comum atribuir a causa a falhas técnicas, metodológicas ou de planejamento. No entanto, quando se realiza uma análise mais profunda, percebe-se que, na maioria dos casos, o fator determinante foi a incapacidade de gerenciar pessoas, expectativas, influências e relações de poder. A Gestão de Stakeholders emerge exatamente como a disciplina que lida com essa camada invisível do projeto: o sistema de forças humanas que sustenta ou inviabiliza qualquer iniciativa organizacional. Stakeholders são todos os indivíduos, grupos ou organizações que podem influenciar ou ser influenciados pelas decisões e resultados de um projeto. Essa definição amplia radicalmente a visão tradicional de gestão, pois desloca o foco do cronograma e do orçamento para o ambiente relacional do projeto. A partir dessa perspectiva, o gestor deixa de ser apenas um administrador de tarefas e passa a ser um mediador de interesses, um estrategista político e um arquiteto de confiança. A importância dessa abordagem está no fato de que nenhuma organização opera em isolamento, sendo que cada projeto efetivamente impacta rotinas, fluxos de trabalho, relações de poder, expectativas profissionais e dinâmicas informais. Ignorar isso significa criar soluções tecnicamente perfeitas que são rejeitadas na prática; logo, a gestão de stakeholders não é uma habilidade acessória, mas uma competência central do gestor contemporâneo. Mapeamento dos stakeholders Não se trata apenas de listar nomes ou cargos, mas de compreender quem tem poder real de influência, quem possui legitimidade informal, quem pode criar resistências e quem pode se tornar aliado estratégico. Esse processo exige leitura organizacional profunda, uma vez que o poder raramente está apenas nos organogramas, pois muitas vezes, se manifesta nas relações de confiança, nas redes informais e nos círculos de influência não oficiais. É nesse ponto que se insere a Matriz Poder x Interesse, uma das ferramentas mais consistentes para transformar a complexidade relacional em um mapa estratégico utilizável. Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Essa matriz organiza os stakeholders a partir de dois eixos centrais: • O nível de poder: entendido como a capacidade de influenciar decisões, aprovar, vetar ou bloquear iniciativas. • O nível de interesse: entendido como o grau de envolvimento emocional, político, financeiro ou funcional com o projeto. A força da matriz não está no desenho em si, mas na racionalidade gerencial que ela impõe, pois no cruzamento entre poder e interesse, o gestor passa a enxergar o cenário relacional de forma estratégica, abandonando a gestão intuitiva e improvisada. A matriz estrutura quatro quadrantes que direcionamdecisões sobre comunicação, frequência de interação, nível de transparência e grau de envolvimento de cada stakeholder. Quadrante de Alto Poder e Alto Interesse Representa os stakeholders mais críticos, aqueles que possuem influência real e estão diretamente envolvidos no sucesso ou fracasso do projeto. Aqui normalmente se encontram: • Sponsor. • Diretores. • Gestores-chave. • Clientes estratégicos. Esses atores precisam ser gerenciados de perto, envolvidos nas decisões relevantes e mantidos constantemente informados, pois qualquer negligência nesse grupo normalmente resulta em impactos imediatos, como paralisação de recursos, deslegitimação do projeto ou conflito político. Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Quadrante de Alto Poder e Baixo Interesse Nesse grupo encontram-se aqueles que não acompanham o dia a dia do projeto, mas possuem capacidade real de interferência. Normalmente, são: • Executivos. • Conselhos. • Áreas de auditoria. • Poder público. • Órgãos reguladores. A estratégia aqui não é envolvimento constante, mas manutenção do nível de satisfação e confiança. Subestimar esse grupo pode gerar rupturas súbitas, especialmente quando esses stakeholders são surpreendidos por decisões que impactam seu campo de influência. Quadrante de Baixo Poder e Alto Interesse Reúne stakeholders que vivenciam o impacto do projeto diretamente, mas não possuem autoridade formal para decidir. Normalmente, são: • Equipes operacionais. • Usuários finais. • Pessoas impactadas diretamente. Mantê-los informados e engajados é essencial para reduzir resistência, evitar sabotagem passiva e gerar feedbacks estratégicos para melhoria contínua. Quadrante de Baixo Poder e Baixo Interesse Reúne os stakeholders periféricos, que, mesmo exigindo menor esforço gerencial, não devem ser ignorados. O risco está no dinamismo dos contextos organizacionais, pois mudanças estruturais podem deslocar atores de um quadrante para outro. Um departamento antes irrelevante pode se tornar central após uma mudança regulatória, um grupo externo pode ganhar notoriedade pública e alterar o cenário político do projeto. A Matriz Poder x Interesse permite, portanto, a construção de estratégias diferenciadas de influência, pois cada quadrante exige um plano específico de comunicação, periodicidade de contato, profundidade de informação e grau de proximidade gerencial e isso eleva o nível de maturidade da gestão, uma vez que substitui o improviso por decisão estruturada. Vale ressaltar que a gestão de stakeholders não se resume apenas à classificação das partes, pois o ponto mais sensível é a gestão de expectativas, porque cada stakeholder carrega uma definição própria de sucesso: para um investidor, sucesso Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. pode significar retorno financeiro; para um colaborador, pode significar estabilidade e reconhecimento; para um órgão regulador, pode significar conformidade legal. Quando essas expectativas não são explicitadas, os conflitos surgem de forma silenciosa, manifestando-se como atrasos, retrabalho, baixa adesão ou resistência difusa. Esse fenômeno aproxima a gestão de stakeholders da própria gestão de riscos. Riscos organizacionais raramente são exclusivamente técnicos. Eles são, em sua maioria, humanos, políticos e relacionais. A Matriz Poder x Interesse permite antecipar esses riscos ao evidenciar zonas de tensão, áreas de potencial conflito e pontos de atenção gerencial. É importante reconhecer que engajar não é apenas informar; é gerar senso de pertencimento. A transição de stakeholders resistentes para neutros e de neutros para apoiadores ativos é um dos maiores diferenciais de projetos bem- sucedidos, exigindo coerência, escuta ativa, consistência de discurso e prática contínua de negociação. Sob a ótica da governança corporativa, a gestão de stakeholders fortalece a legitimidade das decisões ao assegurar que as escolhas organizacionais não sejam apenas tecnicamente viáveis, mas também socialmente aceitas e institucionalmente sustentáveis, reduzindo a exposição a crises reputacionais e ampliando os níveis de adesão interna e externa. Nesse cenário, projetos que estruturam adequadamente sua dimensão relacional demonstram maior resiliência frente a ambientes de mudança contínua, especialmente quando a gestão de stakeholders é integrada de forma sistêmica aos demais instrumentos da organização. Como exemplo temos o Canvas de Projetos, que sustenta a lógica do empreendimento; as metodologias ágeis, que organizam a execução e os OKRs, que direcionam os objetivos estratégicos, criando uma arquitetura coerente de tomada de decisão e execução. Adicionalmente, os stakeholders passam a ser tratados como fontes estratégicas de inteligência organizacional, uma vez que clientes revelam necessidades latentes, colaboradores identificam ineficiências operacionais, comunidades antecipam riscos reputacionais e reguladores sinalizam tendências normativas. Assim, deixam de atuar como meros fatores de pressão e assumem o papel de ativos estratégicos de aprendizagem e adaptação, o que consolida a gestão de stakeholders como um verdadeiro sistema de governança relacional capaz de transformar a complexidade humana em estrutura decisória. Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Encerramento Como a utilização do Canvas de Projeto pode estruturar a execução de iniciativas estratégicas em ambientes organizacionais orientados à performance? O Canvas de Projeto permite estruturar iniciativas estratégicas ao organizar visualmente objetivos, entregáveis, recursos e riscos, promovendo alinhamento entre stakeholders, clareza de escopo e foco em resultados, aumentando a previsibilidade da execução e a coerência entre planejamento e performance organizacional. Como o framework Scrum permite que equipes organizem o trabalho, fortalecendo a capacidade de resposta a mudanças em ambientes organizacionais dinâmicos e de alta complexidade? O Scrum fortalece a capacidade adaptativa das equipes ao estruturar ciclos curtos de entrega, promover transparência, inspeção contínua e adaptação rápida, permitindo que organizações reajam de forma ágil a mudanças de contexto, reduzam desperdícios e aumentem a previsibilidade dos resultados. Como a utilização da metodologia OKR alinha estratégia e execução, traduzindo metas organizacionais em resultados mensuráveis? A metodologia OKR alinha estratégia e execução ao transformar objetivos estratégicos em resultados-chave mensuráveis, criando foco, disciplina de acompanhamento e clareza de prioridades, além de promover alinhamento vertical e horizontal, garantindo que esforços operacionais sustentem a visão organizacional.Como o empreendedor pode mapear e gerenciar os interesses de stakeholders para garantir o alinhamento e o sucesso da execução do projeto? O empreendedor pode mapear e gerenciar stakeholders por meio da identificação de poder, interesse e expectativas, utilizando ferramentas como a Matriz Poder x Interesse para definir estratégias de engajamento, minimizar conflitos, fortalecer alianças estratégicas e sustentar a legitimidade das decisões do projeto. Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. Resumo da Unidade A Unidade 3 consolida uma visão sistêmica de execução estratégica ao integrar instrumentos de modelagem, agilidade e governança relacional, permitindo que projetos sejam concebidos e operacionalizados com maior coerência e previsibilidade. O Canvas de Projetos estrutura a lógica das iniciativas a partir de objetivos claros, entregáveis consistentes e gestão de riscos, enquanto o Scrum organiza a execução em ciclos curtos, promovendo adaptabilidade e aprendizagem contínua em ambientes complexos. A metodologia OKR atua como mecanismo de alinhamento entre estratégia e operação, traduzindo ambições organizacionais em resultados mensuráveis e disciplina de acompanhamento. De forma complementar, a gestão de stakeholders, apoiada pela Matriz Poder x Interesse, fortalece a governança relacional ao mapear interesses, mitigar conflitos e sustentar a legitimidade das decisões, criando um ecossistema de execução mais resiliente, transparente e orientado à alta performance organizacional. Referências da Unidade • BROWN, T. Design thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias. Rio de Janeiro: Campus-Elsevier, 2010. • DOERR, J. Avalie o que importa: OKRs — A metodologia que revolucionou o mercado. Rio de Janeiro: Alta Books, 2019. • FREEMAN, R. E. Strategic management: a stakeholder approach. Boston, MA: Pitman, 1984. • KAPLAN, R. S.; NORTON, D. P. A estratégia em ação: Balanced Scorecard. Rio de Janeiro: Campus-Elsevier, 1997. • OSTERWALDER, A. Value proposition design: como construir propostas de valor inovadoras. São Paulo: Alta Books, 2014. • OSTERWALDER, A.; PIGNEUR, Y. Business model generation: inovação em modelos de negócios. São Paulo: Alta Books, 2011. • PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos (Guia PMBOK). 7. ed. Newton Square: PMI, 2021. • RIES, E. A startup enxuta. São Paulo: LeYa, 2012. • SUTHERLAND, J. Scrum: a arte de fazer o dobro do trabalho na metade do tempo. Rio de Janeiro: LeYa, 2016. Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. • TAKEUCHI, H.; NONAKA, I. The new product development game. Harvard Business Review, Boston, MA, v. 64, n. 1, p. 137–146, 1986. • TEIXEIRA, T. M.C., VALENTIM, M. L.P. Informação como insumo para a inteligência organizacional. Marília: Oficina Universitária; São Paulo: Cultura Acadêmica, 2015, pp. 195-214. ISBN: 9786559541317. • WOMACK, J. P.; JONES, D. T. Lean thinking: elimine o desperdício e crie riqueza na sua empresa. New York: Simon & Schuster, 1996. Para aprofundar e aprimorar os seus conhecimentos sobre os assuntos abordados nessa unidade, não deixe de consultar as referências bibliográficas básicas e complementares disponíveis no plano de ensino publicado na página inicial da disciplina. https://books.scielo.org/id/4rwps/pdf/valentim-9786559541317-09.pdf https://books.scielo.org/id/4rwps/pdf/valentim-9786559541317-09.pdf