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A PRIMEIRA INVASÃO BRITÂNICA
Há 64 anos, após a era de ouro do Rock and Roll americano, na vibrante cidade inglesa de Liverpool, quatro jovens visionários – John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Richard Starkey (Ringo Starr) – uniram forças como The Beatles. 
Misturando elementos do Rock, Soul, Country, Folk e até mesmo música Clássica, em 1963, com a ajuda cuidadosamente elaborada de marketing da gravadora Capitol Records, lançaram a música “I Want To Hold Your Hand”, que os catapultou para todo o planeta.
Depois do quarteto estourar e apresentar ao mundo suas canções, abriu-se caminho para bandas como The Rolling Stones, The Who, The Animals e The Kinks, por exemplo, explodirem internacionalmente e invadirem todas as rádios, dando início à um movimento de influência musical na América e no mundo jamais visto anteriormente.
Durante os anos 70, a Grã-Bretanha já dominava as paradas de todo o globo, mas encantou novamente tanto ouvintes quanto críticos quando Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple - surgidos em 1968 - desbravaram os territórios do Hard Rock e do Heavy Metal, onde tudo se encaminhou então para a influência inglesa chegar em seu apogeu no final desta década e ao longo da seguinte, dando margem para outros movimentos florescerem, se ramificarem e se popularizarem, como o Punk Rock, New Wave e até o Pop, entre outros. 
A marca dos britânicos na evolução não somente do Rock and Roll, mas para a sonoridade da música como um todo perante o mundo, é sempre tida por especialistas e até por leigos no assunto como sendo indelével e indiscutível. A Inglaterra pode não ter sido o começo ou o final do Rock, mas foi o meio que o gênero precisava para ser o que foi! 
O camaleão 
Com todo o estrelato americano permeando a Inglaterra e adolescentes criando bandas para seguir o mesmo caminho, inspirado pelos principais ídolos do Rockabilly que ouvia nas rádios, um jovem de nome David Robert Jones começou a imitá-los na escola, e, com 15 anos – em 1962 – deu início à sua primeira banda denominada Konrads, se apresentando em vários eventos. 
Todavia, sem um sucesso real, em 1966 adotou um nome artístico e, em 1969, decidiu tentar a sorte lançando em carreira solo uma demo de música que nomeou de “Space Oddity”, que, para a surpresa de todos, alcançou o 5º lugar nas paradas da Inglaterra, mas, mais do que isso, apresentou ao mundo a primeira de suas personagens: o Major Tom.
Dali em diante, David Bowie se sentiu livre para progredir com sua exuberância única, e, além de investir em novos timbres de Rock e até demais gêneros, por ter estudado artes dramáticas, passou a criar outras personalidades para seus álbuns, sendo sempre muito aclamado tanto pelo público quanto pela crítica. 
A personificação
Em 1972, com medo de que o Major se tornasse uma figura maior que ele próprio, utilizou esse temor para investir em uma glamourosidade inovadora, e então lança o icônico álbum “The Rise And Fall of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars”, aonde surge como a personagem título (Ziggy Stardust) e expressa para o mundo os primeiros traços do Glam Rock, estilo o qual ele seria peça central. Aparece ainda, entre suas principais criações, como Aladdin Sane no álbum homônimo de 1973, se torna Halloween Jack para o disco Diamond Dogs de 1974, vira Pierrot, e The Thin White Duke para outras composições. 
Desde então, David Bowie virou símbolo, personificação e avatar do que foi a Invasão do Rock Britânico no mundo, visto que iniciou a carreira como músico do Pop Psicodélico e Folk, mas, numa mudança, adaptação e evolução que estavam presentes em cada lançamento do cantor, inovou mais e mais, devolvendo para a América e pro mundo um Rock & Roll renovado, tendo tido influência e peso fundamental em diversos movimentos e estilos da música com o passar dos anos, como o Rock Psicodélico, Rock Progressivo, Glam Rock, Pop Rock, Disco music, entre outros inúmeros, onde a cada obra que concebia, se redescobria e renascia um astro maior, como um verdadeiro camaleão.
Entre todas as suas personagens, sua maior criação foi ser o franzino David Robert Jones, que, com toda a imaginação, talento e aparente falta de personalidade própria, foi ícone do universo da música e o “Starman” que transformou o mundo! 
Curiosidades 
Deixou claro uma vez em rara entrevista para Joe Smith – ex presidente da Capitol Records - que não achava sincero escrever para si mesmo:
[…] Escrever uma música para mim nunca soava sincero … Eu não tinha problema em escrever algo para Iggy Pop, Lou Reed ou Mott the Hoople, eu conseguia entrar no mundo deles, no que eles queriam passar, mas eu achava extremamente difícil escrever para mim mesmo. [...]
Muitos pensam que seus olhos de cores diferentes eram lentes ou se deviam a uma doença chamada Heterocromia Iridis, mas o próprio astro revelou que na verdade se chama Anisocoria – condição em que a pupila fica permanentemente dilatada e não reflete a luz da cor correta da íris como no outro olho - e ganhou essa característica depois de uma briga com o amigo George Underwood por causa de uma garota que ambos gostavam. Disse também que sua visão nunca se recuperou totalmente.
Para se distanciar do vocalista do The Monkees chamado David Thomas Jones - conhecido como Davy Jones - e também criar uma identidade própria, se inspirou nas histórias do contrabandista e soldado americano Jim Bowie, mas, mais especialmente, escolheu este sobrenome pelas facas homônimas criadas pelo pirata, pois, segundo David, é o símbolo de algo que “corta para os dois lados”, ponto que fez questão de exaltar para simbolizar sua androginia e, principalmente, sua bissexualidade. 
MÚSICAS PARA A PLAYLIST
Moonage Daydream
Ziggy Stardust
Space Oddity
Starman
Life on Mars
Changes
Hang on to Yourself
Watch That Man
The Width of a Circle
The Jean Genie
Cracked Actor
The Prettiest Star
Diamond Dogs
Rebel Rebel 
Rock and Roll with me
Let’s Dance
Heroes
Golden Years
The Man Who Sold the World
Young Americans
Modern Love
Under Pressure
Vinícius de Moraes e Carlos Lyra ícones do Rock and Roll!?
Deep Purple lançou em 1972, a música Smoke on the Water, uma das introduções mais lendárias da história do Rock, com linhas bem marcantes criadas por Ritchie Blackmore na guitarra, se tornando um hino atemporal do Rock Clássico.
Para a criação do Riff, o baixista da banda, diz que Blackmore quis reinterpretar a 5ª Sinfonia de Beethoven depois de se inspirar nas canções de Led Zeppelin. O guitarrista confirmou a ideia em entrevista e mostrou as etapas controversas para chegar ao resultado.
No entanto, aqui no Brasil, em 1964, o já conceituado Vinícius de Moraes se une ao artista Carlos Lyra, e juntos compõem a música “Maria Moita” para a cantora Nara Leão, com sonoridade inteiramente imersa na Bossa Nova. No ano de 1966, Astrud Gilberto lança sua versão internacional com o nome de “Maria Quiet”, alcançando enorme sucesso fora do país.
Estranhamente, quando comparadas as versões brasileiras - inclusive a de Astrud - com a música do Deep Puple, as melodias se tornam assustadoramente semelhantes, e contradizem muitas das afirmações do guitarrista britânico, o que até hoje gera acaloradas discussões sobre provável plágio por parte da banda inglesa e consequente direito autoral de uma das maiores canções do Rock and Roll pertencerem aos compositores brasileiros. Vale ressaltar, porém, que nenhum dos artistas que se envolveram com a música Maria Moita jamais reivindicou nada através de processos jurídicos.

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