Prévia do material em texto
Gestão de Suprimentos e Logistica Sistemas de Estocagem e de Manuseio Disciplina: Gestão de Suprimentos e Logística Prof. Me. Gilberto Ranalli. - 2026 Em contraste com o transporte, a estocagem e o manuseio do produto ocorrem primeiramente nos pontos nodais da rede da cadeia de suprimentos. A estocagem é referenciada como o transporte a zero milhas por hora. Estima-se que essas atividades podem absorver 26% de todos os custos de operações logísticas de uma empresa portanto merece uma consideração cuidadosa. AS EMPRESAS NECESSITAM REALMENTE DA ESTOCAGEM E DO MANUSEIO DE MATERIAIS COMO PARTE DO SEU SISTEMA LOGÍSTICO? • Se a demanda para produtos de uma empresa fosse conhecida com certeza e os produtos pudessem ser fornecidos imediatamente para satisfazê-la, teoricamente a estocagem seria desnecessária e nenhum estoque seria mantido. Entretanto não é prático e nem econômico administrar uma empresa dessa maneira, uma vez que a demanda não pode ser prevista com exatidão. • as empresas usam estoques para coordenar a oferta-procura e reduzir os custos totais. •Então, a manutenção de estoques produz a necessidade de armazenagem e, consequentemente o manuseio de materiais. •A estocagem transforma-se em uma conveniência econômica mais do que uma necessidade. • a questão é usar apenas armazenagem suficiente de forma que um bom equilíbrio econômico entre custos de armazenagem, produção e transporte possam ser alcançados. ✓ Uma indústria mantém estoque de materiais; ✓ Um escritório contábil mantém estoque de informações; e ✓ Um parque temático (Hopi Hari por exemplo), mantém estoques de consumidores – as filas de espera para as atrações oferecidas. Tipo de Operação: Estoques mantidos em operações Hotel Alimentos, material de limpeza, hóspedes. Hospital Gaze, instrumentos, sangue, remédios, alimentos. Loja de Varejo Itens à venda, material de empacotamento e transporte. Armazém Itens armazenados, material de embalagem. Loja de autopeças Autopeças em depósito. Fábrica de televisores Componentes, matéria prima, televisores. Metais preciosos Materiais (ouro, prata) aguardando processamento. Sua casa Papel higiênico, sabonete, pasta de dente, etc. Ao se adentrar em qualquer indústria de transformação, vemos muitos tipos de materiais armazenados: Exemplos de estoques Fonte: SLACKS, Nigel e outros. Administração da produção É quase evidente que existe grande diferença no valor mantido em estoque por cada operação. Pode ser pequeno para algumas organizações, quando comparado com os custos dos insumos totais da operação. Pode ser muito alto, por exemplo em organizações que tem por negócio a armazenagem, onde o montante em estoque ultrapassa em muito os custos com mão-de- obra, aluguéis e custos operacionais. As várias razões que geram o desequilíbrio entre quantidade fornecida e quantidade consumida em diferentes estágios do processo produtivo, leva a observarmos quatro tipos diferentes de estoques: ❖ Estoque isolador ou de segurança – serve para compensar as incertezas comuns a fornecimento e demanda; ❖ Estoque de ciclo ou em processo – ocorre porque os diferentes estágios ou processos de fabricação na operação não conseguem produzir todos os itens simultaneamente; ❖ Estoque de antecipação – ocorre quando existe, por exemplo, a produção para produtos sazonais (ovos de páscoa, por exemplo), onde as fábricas produzem chocolate ao longo do ano, ao invés de fazer somente quando necessário; Estoques no canal de distribuição – obviamente os materiais não podem ser transportados instantaneamente entre o ponto de fornecimento e o de demanda e dessa forma, para evitar o desabastecimento, os produtos são enviados aos componentes da rede de distribuição, a fim de garantir entrega mais imediata que os demais concorrentes. Do momento da reserva do estoque no fornecedor até a entrega do mesmo ao varejista, temos o estoque no canal de distribuição. Modelos de planejamento Os gerentes de produção são envolvidos em três principais tipos de decisões: Quanto pedir: cada vez que um pedido de reabastecimento é colocado, de que tamanho ele deve ser – decisão de volume de ressuprimento; Quando pedir: em que momento, ou quando o estoque chegar a que nível, o pedido de reabastecimento deve ser colocado – decisão do momento de reposição; Como controlar o sistema: que procedimentos e rotinas devem ser implementados para ajudar a tomar as decisões? Diferentes prioridades devem ser dadas a diferentes itens do estoque? Como a informação sobre estoque deve ser armazenada? As decisões de volume de ressuprimento – quanto pedir – pode ser bem explicada com as situações que vivemos em nossas casas, com nossos estoques de comida e provisões. Para tomar a decisão, são considerados dois conjuntos de custos: o custo associado com sair para comprar os itens de comida, e os custos associados com a manutenção do estoque. Os mesmos princípios da situação que vivemos em nossas casas aplica-se às decisões de pedidos comerciais. Ao tomar decisões, os gerentes de produção devem conhecer os custos que serão afetados por sua decisão, tais como: ✓ Custo de colocação de pedido: a preparação do pedido formal, os documentos técnicos envolvidos, o arranjo para a entrega, o procedimento de pagamento e a manutenção de todas as informações; ✓ Custos de desconto de preços: grandes quantidades resultam em geral em descontos de preços, assim como pequenas quantidades podem ter custos extras; ✓ Custo de falta de estoque: Uma decisão errada de quantidade de pedido resulta falta de estoque, resultando em falha no fornecimento; ✓ Custo de capital de giro: quando compramos, nossos fornecedores solicitam o pagamento. Quanto faturamos a nosso clientes, vamos nós, dessa vez, solicitar o pagamento. Porém entre o pagamento do fornecedor e o recebimento de nosso cliente há um espaço de tempo, e durante esse tempo precisamos de dinheiro para os custos de manter os estoques e produzir. Esse dinheiro recebe o nome de capital de giro. Os custos associados a ele são os juros pagos a bancos por empréstimos, ou custos de oportunidade por não reinvestirmos em outros lugares; ✓ Custo de armazenagem: que são os custos da armazenagem física dos estoques. Localização, climatização e iluminação do armazém podem ser caros, principalmente nos casos onde se exige baixa temperatura ou alta segurança; ✓ Custos de obsolescência: pedidos de grandes quantidades, que podem ficar em estoques armazenados por longo período, geram o risco de que os itens venham a se tornar obsoletos ou perderem o prazo de validade; ✓ Custos de ineficiência de produção: altos níveis de estoques em geral escondem as ineficiências na produção, que deixa de ser eficiente. LEI DE PARETO CURVA ABC Em qualquer estoque que contenha mais de um item, alguns serão mais importantes que outros para a organização. Taxa de uso alta, valores muito altos unitários, entre outros fatores podem ajudar a identificar quais são os itens realmente importantes. VILFREDO PARETO, cientista político, sociólogo e economista italiano (1848-1923) Uma forma comum de separar os itens de estoque é fazer uma lista dos mesmos, de acordo com sua movimentação de valor (sua taxa de uso multiplicado por seu valor unitário). Itens com movimentação de valor alto requerem atenção especial, enquanto que os de valor baixo não exigem o mesmo nível de atenção. Em geral poucos itens em estoque representam uma grande parte do valor do estoque. Esse fenômeno que se repete em praticamente todas as industrias é chamado de Lei de Pareto, também chamada de regra 80 / 20: 80% do valor de estoque de uma operação é responsável por somente 20% de todos os itens estocados. Isso permite que os gerentes de estoque concentrem seus esforços no controle dos itens mais significativos do estoque: ✓Itens classe A: são os 20% dos itens de alto valor, que representam 80% do valor total do estoque; ✓ Itens classe B: são aqueles itens de valormédio, usualmente os seguintes 30% dos itens que representam cerca de 10%-15% do valor total do estoque; ✓ Itens classe C: são os itens de baixo valor que, apesar de corresponder a 50% do total dos itens estocados, representam somente 5%-10% do valor total de itens estocados. Centralização e Descentralização: a localização dos estoques na cadeia de suprimentos Na dinâmica atual do mercado, a gestão de estoques desempenha um papel crucial no sucesso operacional das empresas. Com o aumento da complexidade nas cadeias de suprimentos, as organizações enfrentam o desafio de escolher entre manter um estoque centralizado ou descentralizado. Neste contexto, entender as características, vantagens e desvantagens de cada modelo de estoque torna-se essencial para alinhar as operações de armazenamento com os objetivos de negócios, buscando otimização de custos e agilidade no atendimento às demandas do mercado. Dessa forma, exploraremos o que é o estoque centralizado e descentralizado, suas vantagens e desvantagens. O Que é Estoque Centralizado? Estoque centralizado refere-se ao armazenamento de produtos em um único local ou armazém, esse método permite uma gestão mais unificada e simplificada do inventário, facilitando processos como reabastecimento, distribuição e controle de qualidade. Benefícios do Estoque Centralizado Redução de Custos Operacionais Uma das principais vantagens do estoque centralizado é a significativa redução de custos operacionais. Ao concentrar os produtos em um único local, as empresas podem economizar em aluguel, infraestrutura, equipamentos e pessoal, otimizando assim o uso de recursos. Melhoria na Eficiência da Cadeia de Suprimentos A centralização facilita o gerenciamento de pedidos, a coordenação de envios e recebimentos, e a implementação de sistemas automatizados de gestão de estoque, resultando em processos mais ágeis e menos propensos a erros. Controle de Inventário Aprimorado Com todos os itens armazenados em uma única localidade, o monitoramento e a análise do estoque tornam-se mais diretos, permitindo uma visão mais clara da disponibilidade de produtos, necessidades de reabastecimento e identificação rápida de itens obsoletos ou de movimento lento. Desafios do Estoque Centralizado Dependência de um Único Local A dependência de um único ponto de armazenamento pode representar um risco. Problemas como desastres naturais, interrupções logísticas ou falhas operacionais em um local centralizado podem impactar toda a cadeia de suprimentos. Custos de Transporte Embora o estoque centralizado possa reduzir vários custos operacionais, ele pode aumentar os custos de transporte, especialmente se os clientes estiverem dispersos geograficamente. O Que é Estoque Descentralizado? Estoque descentralizado é a prática de distribuir produtos em múltiplos locais ou armazéns, em vez de mantê-los em um único ponto central. Essa estratégia permite que as empresas estejam mais próximas dos pontos de venda ou consumo, agilizando a entrega e reduzindo o tempo de resposta ao cliente. Benefícios do Estoque Descentralizado Proximidade com os Clientes A descentralização do estoque posiciona os produtos mais perto dos clientes consumidor, o que pode significar entregas mais rápidas e satisfação aprimorada do cliente. Flexibilidade na Gestão de Estoque As empresas podem adaptar-se melhor às flutuações da demanda regional, evitando excessos ou faltas de produtos em determinadas áreas. Desvantagens do Estoque Descentralizado Custos Operacionais Mais Altos Manter vários armazéns implica em maiores custos com aluguel, infraestrutura, pessoal e manutenção, aumentando o investimento operacional. Desafios de Gestão Gerenciar múltiplos estoques requer sistemas sofisticados e integração entre as localidades, o que pode aumentar a complexidade operacional. COMPARATIVO: ESTOQUE CENTRALIZADO X ESTOQUE DESCENTRALIZADO CENTRALIZADO DESCENTRALIZADO Custos Operacionais Redução de custos (única instalação) Aumento de custos (múltiplas instalações) Eficiência na Entrega Aumento dos custos e tempo de transporte. Melhoria (produtos mais perto dos clientes) Riscos e Flexibilidade Riscos associados a um único ponto Maior flexibilidade e menor risco de interrupção completa da cadeia de suprimentos. Ao escolher entre estoque centralizado e descentralizado, as empresas devem avaliar fatores como custos operacionais, eficiência na entrega, gestão de riscos e necessidades específicas de seus negócios e clientes. A decisão deve alinhar-se com os objetivos estratégicos, garantindo eficácia e eficiência na gestão de estoques e na satisfação do cliente. VIII – BIBLIOGRAFIA BÁSICA: BALLOU, Ronald H. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos – Planejamento, Organização e Logística Empresarial. 4ª Edição. São Paulo, BooKman: 2001. BOWERSOX, Donald J., CLOSS, David J., COOPER, M. Bixby, BOWERSOX, John C. Gestão Logística da Cadeia de Suprimentos. 4 ed. São Paulo, Bookman: 2014. CHOPRA, Sunil, MEINDL, Peter. Gerenciamento da cadeia de suprimentos. 8 ed. Reimp. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. FLEURY, Paulo F., WANKE, Peter, FIGUEIREDO, Kleber F. (org .). Logística Empresarial: a perspectiva brasileira. São Paulo: Atlas, 2013. VIRTUAL CHOPRA, Sunil, MEINDL, Peter. Gestão da cadeia de suprimentos, 4 ed. São Paulo: Pearson – Prentice Hall, 2011. GONÇALVES, Paulo Sergio, Administração de materiais, 3 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. LEITE, Paulo Roberto. Logística reversa: Meio Ambiente e Competitividade. 2a. Edição. São Paulo: Pearson – Prentice Hall, 2009. NOVAES, Antonio Galvão, Logística e gerenciamento da cadeia de distribuição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007. TAYLOR, David A. Logística na cadeia de suprimentos: uma perspectiva gerencial. São Paulo: Pearson – Prentice Hall, 2005. COMPLEMENTAR CORRÊA, Henrique Luiz. Gestão de Redes de Suprimentos: Integrando cadeias de suprimento no mundo globalizado. São Paulo: Atlas, 2010. CHOPRA, Sunil, MEINDL, Peter. Gestão da cadeia de suprimentos, 6 ed. São Paulo: Pearson – Prentice Hall, 2016. PIRES, Sílvio R. I. Gestão da Cadeia de Suprimentos (Supply Chain Management): Conceitos, estratégias, Práticas e casos. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2009. SLACK, Nigel, CHAMBERS, Stuart, JOHNSTON, Robert. Administração da Produção. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2009 MARTINS, Petrônio G., ALT, Paulo Renato Campos. Administração de materiais e recursos patrimoniais. 3 ed. São Paulo: Saraiva. 2009. PERIODICOS E REVISTAS ELETRÔNICAS Editora HSM do Brasil: Revista HSM Management. Editora Segmento: Harvard Business Review Brasil. IMAM Editora: Revista Logística - http://www.revistalogistica.com.br/ MAG Editora: Revista MundoLogística - http://www.revistamundologistica.com.br/ RAE: revista de administração de empresas - http://rae.fgv.br/ RAUSP: revista de administração da Universidade de São Paulo - http://www.rausp.usp.br/ Slide 1: Gestão de Suprimentos e Logistica Slide 2 Slide 3 Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21 Slide 22 Slide 23 Slide 24 Slide 25 Slide 26 Slide 27 Slide 28 Slide 29 Slide 30 Slide 31 Slide 32 Slide 33 Slide 34 Slide 35 Slide 36