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PERÍCIA SOCIAL, EXAME
CRIMINOLÓGICO E PRODUÇÃO
DE DOCUMENTOS TÉCNICOS EM
SERVIÇO SOCIAL
CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL
PROFESSORA: LUCIANA PRATES
05/11/2025
LUCIANA
PRATES
I. Formação Acadêmica:
Mestrado em Serviço Social - PUC/SP
Pós-graduação em Gestão Pública - UFSCar
Residência Multiprofissional em Saúde da Família e
Comunidade - UFSCar
Graduada em Serviço Social - UNESP (Franca)
II. Experiências Profissionais:
CREAS - SUAS (5 anos);
NAI - Núcleo de Atendimento ao Adolescente (2 anos);
CAPS-AD (Saúde Mental) (1ano);
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) - 11 anos
Docente em diversos cursos e faculdades (Grupo Cruzeiro do
Sul, Grupo Anhanguera, AASPsi-Brasil, Esperançar, SS para
Concursos e Catarse)
Coordenadora do Grupo Formativo sobre Famílias na Área
Sociojurídica
III. Consultoria
Diagnóstico Nacional da Primeira Infância - Eixo 2: Proteção da
criança na dissolução da sociedade conjugal;
Capacitação sobre Violência Doméstica aos colaboradores
da Associação Fala Mulher (SP);
Vendas e apresentação no
CBAS 2025
“Serviço Social,
Judicialização das
relações familiares e a
Visitação assistida”
Autora: Luciana Prates
MÓDULO 6
SERVIÇO SOCIAL E DIREITO DE
FAMÍLIA: NOVAS REQUISIÇÕES
DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL
Famílias - casas, projetos de vida, dinâmicas e
(re)organizações, conjugalidades e parentalidades;
Pluralidade das composições familiares: monoparentais,
biparentais ou coparentais, multiparentais, reconstituídas,
entre outras;
Parentalidade em contexto contemporâneo
1. RELAÇÕES DE FILIAÇÃO E PARENTALIDADE
1.1. Concepções, contextos e tensões atuais
Quando o Judiciário pergunta ‘quem deve exercer a guarda?’, o Serviço Social precisa responder: ‘em
quais condições essa guarda se sustenta na realidade?
1.2 TENSÕES ATUAIS DA JUSTIÇA DE FAMÍLIA
Quem tem razão? Quem é o(a) melhor
responsável?
Quem protege
mais?
Na Justiça de Família, a disputa jurídica é geralmente apresentada assim:
Mas, para o Serviço Social, a pergunta é outra:
Quais condições sociais estruturam as relações de gênero, cuidado, proteção, afeto e
convivência familiar?
Décadas após a guarda compartilhada, o
cuidado ainda é majoritariamente feminino.
Litígios podem se transformar em instrumentos
para controle da vida da mulher.
A literatura e os
documentos técnicos
mostram que:
1.3 Centralidade do cuidado e desigualdades de gênero
2. TUTELA NO DIREITO DE FAMÍLIA BRASILEIRO
Tutela é a medida judicial (e protetiva)
pela qual um adulto plenamente capaz é
nomeado para proteger a criança e/ou
adolescente em administrar seus bens
quando não há exercício do poder familiar
(morte, ausência, perda/suspensão).
A regra-matriz está no Código Civil, arts.
1.728 e seguintes.
No Estatuto da Criança e do
Adolescente (1990), a tutela é
uma das modalidades de
colocação em família substituta
(ao lado de guarda e adoção)
para assegurar a proteção
integral e melhor interesse das
crianças e adolescentes.
2.1 O que é tutela e quando se aplica
Adoção: rompe
vínculos jurídicos
anteriores e
estabelece filiação
plena com a nova
família; é outra via
de família substituta
e segue rito próprio
no ECA.
2.2 Tutela x Guarda x Adoção
Guarda:
organiza a posse de
fato e os cuidados
cotidianos; pode
existir sem perda do
poder familiar (regra
das disputas entre
genitores).
Tutela: supre a falta do
poder familiar
(morte/ausência/decad
ência), transferindo ao
tutor deveres de
assistência integral e
administração
patrimonial, inclusive
com prestações de
contas.
Pessoa: zelar pela saúde, educação, convivência familiar e comunitária,
matricular em escola, autorizar tratamentos, representar o tutelado em
atos da vida civil que exigem representação.
2.3 Atribuições do/a tutor(a)
Bens: administrar patrimônio do menor; prestar contas
periodicamente ao juízo; pedir autorização para atos de
alienação/gravação; observar o melhor interesse do tutelado.
(Código Civil, 2002 e CPC, 2015).
Limites profissionais: assistentes sociais não podem
administrar bens ou assumir encargos de tutela/curatela
sem nomeação legal; isso fere a ética e expõe o profissional
a responsabilização. Como referência, utilize o Parecer
Jurídico CFESS n.º 42/2017 e a Nota Técnica para embasar
seus documentos técnicos.
Relatórios/pareceres: foque em condições objetivas (rede,
renda, moradia, vínculos, escola, saúde), viabilidade do
cuidado e ausência/presença de risco, sempre articulando
políticas públicas (SUAS/SUS/Educação) — e explique limites
quando dados não forem fornecidos.
2.4 Implicações para o Serviço Social (campo pericial e técnico)
3. CURATELA
“A interdição é um estatuto jurídico que implica proibição,
impedimento e privação legal do exercício de direitos”
(MEDEIROS, 2006).
“A interdição civil oficializa a exclusão social e tolhe a
cidadania e autonomia.”
(PEREIRA, 2013).
3.1 Mudança de paradigma no ordenamento jurídico
3.1 Mudança de paradigma no ordenamento jurídico
Com o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015), houve uma virada:
O foco deixa de ser proibição de
atos e passa a ser proteção e
apoio para o exercício de direitos.
A curatela passa a incidir apenas
sobre os aspectos patrimoniais e
negociais, mantendo-se os
demais direitos da personalidade
A curatela passa
a incidir apenas
sobre os aspectos
patrimoniais e
negociais,
mantendo-se os
demais direitos da
personalidade.
(CFESS, 42/2017, p. 5)
O que é Curatela
Definição
atualizada
A curatela é encargo atribuído
legalmente a uma pessoa para
cuidar de outra, geralmente maior
de idade, porém considerada
incapaz de administrar seus bens
Trata-se de medida de proteção para
atos patrimoniais e negociais, não
alcançando os direitos existenciais.”
(CFESS, 42/2017)
direito de votar
Na Tomada de Decisão Apoiada, a pessoa não perde direitos
existenciais:
direito de casar
direito de decidir sobre o próprio corpo e vida
Como era antes ("interdição") Como é hoje ("curatela")
Suprimia direitos civis Protege direitos
Incapacidade total Atos específicos
Invisibilização social Autonomia preservada
Controle da vida da pessoa Suporte à tomada de decisão
DIFERENÇA ENTRE INTERDIÇÃO E CURATELA
Curatela e Tomada de Decisão Apoiada
Quando o juiz pergunta se a
pessoa pode ser
curatelada, nossa resposta
não é ‘sim’ ou ‘não’.
É como apoiar essa pessoa
a exercer seus direitos
“Cabe ao assistente social
produzir estudo social que
revele a pessoa como sujeito
de direitos, não como objeto
de tutela.”
(MEDEIROS, 2006)
4. PERÍCIA SOCIAL NO DIREITO DE FAMÍLIA:
ESPECIFICIDADES DO CAMPO
Função probatória e abordagem sociojurídica
Evite “capturas” típicas do litígio
Perícia social não é ‘quem tem razão’, e sim o que as
evidências sociais mostram sobre condições de
cuidado, vínculos, riscos e garantias de direitos
OBRIGADA!
@aslucianaprates
contato@pratessconsultoria.com
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CORDEIRO, Luciana Prates. Serviço Social, judicialização das relações familiares e a visitação assistida: um estudo com base na
prática forense. Curitiba: Editora CRV, 2024.
GOIS, Dalva Azevedo; OLIVEIRA, Rita C. S. Serviço Social na Justiça de Família: demandas contemporâneas do exercício profissional.
São Paulo: Cortez, 2019. (Coleção Temas Sociojurídicos).v
BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente: Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 16 jul. 1990.
BRASIL. Código Civil: Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 11 jan. 2002.
CFESS – Conselho Federal de Serviço Social. Parecer Jurídico nº 42/2017: considerações sobre o instituto jurídico da tutela e
curatela e a administração de bens sem nomeação legal e implicações para o trabalho do Serviço Social. Brasília, DF, 2017.
MEDEIROS, Maria Bernadette de Moraes. Interdição civil, curatela e Serviço Social. In: II Encontro Nacional do Serviço Social no
Ministério Público. Brasília: Ministério Público do Estado do RS, 2008.