Logo Passei Direto
Buscar

Direitos da Criança e Adolescente

Ferramentas de estudo

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

DIREITO DA CRIANÇA 
E DO ADOLESCENTE
Professora Marina Schmidlin Sponholz
TEMAS DA AULA
DIREITOS FUNDAMENTAIS
• Direito à vida
• Direito à saúde
• Direito à alimentação
• Direito à educação
• Direito ao lazer
• Direito à profissionalização
• Direito à cultura
• Direito à dignidade
• Direito ao respeito
• Direito à liberdade 
• Direito à convivência familiar
DIREITOS 
FUNDAMENTAIS
• Inatos ao ser humano, mas variáveis ao 
longo da história.
• Previstos na Declaração Universal dos 
Direitos do Homem e do Cidadão.
3
DIREITOS 
FUNDAMENTAIS DE 
CRIANÇAS E 
ADOLESCENTES
Art. 227, caput, CRFB/88: 
aqueles que se mostram 
indispensáveis à formação 
do indivíduo ainda em 
desenvolvimento.
• Caráter universal do sistema de garantia de direitos 
fundamentais estabelecido pelo Estatuto da Criança e do 
Adolescente (art. 3º)
• Todas as crianças e adolescentes – e não apenas aquelas 
em situação irregular.
• Sem discriminação de nascimento, situação familiar, 
etnia, cor, crença, deficiência, condição econômica estão 
abrangidas pelo sistema protetivo implantado.
DIREITO À VIDA
• O mais elementar e absoluto dos direitos.
• Indispensável para o exercício de todos os demais.
• ≠ Sobrevivência
• Direito de viver bem
Ex: se um adolescente estiver à beira da morte, deve-se buscar, minimamente, assegurar 
os recursos para tentar mantê-lo vivo, ou se inevitável a morte, que, ao menos, seja digna, 
com tratamento e apoio.
DIREITO À SAÚDE
• Organização Mundial de Saúde (OMS): saúde “é um estado 
de completo bem-estar físico, mental e social, não apenas 
ausência de doenças”.
• DEVER DOS PAIS: cuidar do bem-estar físico e mental dos 
filhos.
• Não envolve apenas cuidados médicos (saneamento básico, 
alimentação, etc).
O DIREITO DE ALIMENTOS À MULHER 
GESTANTE – ALIMENTOS GRAVÍDICOS
• Tutelar o direito à vida e à saúde do nascituro desde a sua 
concepção.
• Lei n. 11.804/2008
LEI N. 13.257/2016
• Dispõe sobre as políticas públicas da 1ª infância (6 anos completos 
ou 72 meses de vida da criança).
• Ampliou a atenção à gestante.
• Ampliou a abrangência do direito fundamental à vida e à saúde.
• Inseriu no ECA: Humanização do parto, cuidado com a 
parturiente durante todo o período gestacional e pós- parto, assim 
como instruções sobre aleitamento materno, alimentação 
complementar saudável, crescimento e desenvolvimento infantil.
ATENDIMENTO MÉDICO A CRIANÇA E 
ADOLESCENTE DESACOMPANHADOS
• Parecer CFM n. 25/2013:
1. Urgência/emergência: realizar com segurança + comunicar os responsáveis. 
2. Pacientes pré-adolescentes: pode + simultaneamente contato com os responsáveis. 
3. Pacientes adolescentes (12 e 18 anos): têm sua privacidade garantida. 
OBS: Na faixa de 12 a 14 anos e 11 meses: pode ser necessário comunicar os responsáveis 
(maturidade do entendimento e capacidade de compreensão).
• Art. 74, do Código de Ética Médica: é vedado revelar sigilo profissional relacionado a 
paciente criança ou adolescente, desde que estes tenham capacidade de discernimento, 
inclusive a seus pais ou representantes legais, salvo quando a não revelação possa acarretar 
dano ao paciente.
Público Regra de Atendimento
Crianças (até 12 anos 
incompletos)
Devem estar acompanhadas. Em urgência, atende-
se primeiro e busca-se os pais depois.
Adolescentes (12 a 18 anos)
Têm direito à privacidade e podem ser atendidos 
sozinhos se demonstrarem discernimento.
DIREITO A ACOMPANHANTE
• Garante que durante toda a internação hospitalar estejam 
acompanhados por um dos pais ou responsável (art. 12, ECA)
• Art. 12, II, f da Lei n. 9.656/98: Planos de Saúde devem 
assegurar dentro da cobertura mínima a “cobertura de despesas 
de acompanhante, no caso de pacientes menores de 18 anos”.
DIREITO À ALIMENTAÇÃO
• Garantir nutrição adequada.
• Relacionado com o direito à saúde.
• Direito de prevenir doenças decorrentes de 
desnutrição, carência de algum nutriente ou 
obesidade infantil.
DIREITO À EDUCAÇÃO
• Garantir que tenham acesso ao processo 
educacional, qual seja, o processo de 
desenvolvimento da capacidade física, intelectual 
e moral visando à sua melhor integração 
individual e social.
• Possibilita que cada um se dê conta do seu papel 
social, de ser tratado e respeitado como cidadão. 
DEVER :
- dos pais: matrícula na rede de ensino (crime de 
abandono intelectual); 
- da sociedade: fiscalização do Conselho Tutelar, 
profissionais de educação (ou qualquer outro), 
de evasão ou não ingresso na escola;
- do Poder Público: oferta de vagas que permita 
o livre e irrestrito acesso à educação (acesso e 
permanência);
Educação básica é obrigatória dos 4 aos 17 anos (art. 208, 
I, CRFB/88). 
Educação básica se divide em: 
a) educação infantil: ministrada em creches ou 
equivalentes (até 3 anos de idade) e pré-escolas (4-5 
anos de idade); 
OBS: a obrigatoriedade só começa nos 4 anos! O acesso à 
creche é um direito da criança, mas não é obrigatório 
que os pais matriculem a criança nessa fase.
b) ensino fundamental: duração mínima de 9 anos, 
iniciando-se aos 6 anos de idade e tendo por objetivo a 
formação básica do cidadão; 
c) ensino médio: tem duração de três anos e nessa fase 
final deve enfatizar a profissionalização, buscando 
preparar o adolescente para a escolha de sua profissão. 
• A educação básica obrigatória é direito público 
subjetivo indisponível, líquido, certo e exigível do 
Poder Público e dos pais. 
• O Poder Público tem de assegurar vagas suficientes e 
um serviço de qualidade, com o respeito aos 200 dias-
aulas determinados pela LDB (art. 32).
• Homeschooling:
Tema 822 STF (leading case RExt 888.815/RS): Tese 
firmada de que “Não existe direito público subjetivo do aluno 
ou de sua família ao ensino domiciliar, inexistente na 
legislação brasileira”. Assim:
• Homeschooling:
Tema 822 STF (leading case RExt 888.815/RS): 
“Não existe direito público subjetivo do aluno ou de sua família ao 
ensino domiciliar, inexistente na legislação brasileira”. Assim:
Inconstitucionais: desescolarização radical, desescolarização 
moderada e homeschooling puro.
Constitucionalidade do Homeschooling utilitarista: 
regulamentação legislativa (Projeto de Lei nº 1.338/2022) + 
sejam cumpridos os requisitos:
✓ obrigatoriedade de 4 a 17 anos
✓ o núcleo básico de matérias acadêmicas
✓ supervisão, avaliação e fiscalização pelo Poder Público,
✓ garantida a socialização do indivíduo, por meio de ampla convivência 
familiar e comunitária.
✓ Etc.
19
• ALUNO INTERNADO PARA 
TRATAMENTO DE SAÚDE EM REGIME 
HOSPITALAR OU DOMICILIAR: 
assegurado o exercício do seu direito à educação (Lei 
n. 13.716/2018). Educação hospitalar prevista no art. 
4-A da Lei de Diretrizes e Bases da Educação.
• ADOLESCENTES INFRATORES: educação como 
parte integrante do processo de ressocialização.
DIREITO À CULTURA , ESPORTE E 
LAZER
• Importantes para o desenvolvimento.
• CULTURA: estimula o pensamento de maneira diversa da 
educação formal.
• ESPORTE: desenvolve as habilidades motoras, socializa e pode 
ser o início da vida profissional da criança e do adolescente.
• LAZER: brincar, se divertir e também não fazer nada. 
Importante para a felicidade, descanso e criação de relações 
interpessoais.
DIREITO À PROFISSIONALIZAÇÃO
• Regime especial de trabalho:
Aprendiz (art. 428, CLT) = a partir 14 anos
Trabalho regular (urbano e rural) = a partir 16 anos
Noturno, perigoso ou insalubre = vedado menores 18 anos.
• Art. 405, § 3º, da CLT: locais de trabalho prejudiciais à 
moralidade do adolescente.
Art. 406 CLT: possibilidade de autorização se não prejudicial à formação moral.
• Atores-mirins: não regido pela CLT. Contrato de participação 
em obra televisiva, teatral ou cinematográfica, dependente de 
alvará judicial e sujeito a um regime especial, de acordo com a 
portaria do juízo da infância e juventude.
• Desporto educacional x Desporto de 
rendimento (Lei n. 9.615, de 24 de março de 
1998 – Lei Pelé):
-14 anos: desporto educacional, em escolinhasde 
futebol, com finalidade lúdica, recreativa e 
educacional.
= ou + 14 anos: podem integrar centros de 
formação das categorias de base desde que 
assegurado o previsto no art. 29, § 2º, da Lei Pelé
DIREITO AO RESPEITO E À DIGNIDADE
• Deve ser mantido um tratamento atencioso, digno enquanto pessoa 
humana em processo de desenvolvimento.
• Inviolabilidade da integridade física, psíquica, moral e 
intelectual: preservação da imagem, identidade, autonomia, 
valores, crenças, ideias, espaços e objetos.
• Lei Menino Bernardo: alterou art. 18 do ECA. Direito criação e 
correção sem o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou 
degradante.
DIREITO À LIBERDADE 
• Art. 16 do ECA.
• IR e VIR = RESTRIÇÕES LEGAIS.
• NÃO HÁ AUTODETERMINAÇÃO ABSOLUTA. Liberdade autocontida.
✓ busca pela construção de sua identidade, 
✓ liberdade de opinião, expressão, crença e culto religioso
✓ liberdade para brincar, praticar esportes, divertir-se, 
✓ participar da vida em família, na sociedade e vida política
✓ buscar refúgio, auxílio e orientação. 
LIBERDADE PARA SER CRIANÇA!
24
DIREITO À CONVIVÊNCIA 
FAMILIAR
• Direito de viver junto à família (natural, extensa, socioafetiva, 
substituta etc.) em ambiente de afeto e de cuidado mútuos.
• Direito de permanecer no meio a que pertence.
• É sinônimo de segurança e estabilidade para o desenvolvimento 
de um ser em formação.
• Prioriza a recuperação do ambiente familiar vulnerável.
• Visitas aos que estão em cumprimento de medida de internação.
• Garantia de convívio com pais privados de liberdade (Lei n. 
12.962/2014)
25
SITUAÇÕES JURÍDICAS 
ESPECÍFICAS
26
O EMANCIPADO
• Capacidade civil ≠ maturidade fisiológica.
• Direitos fundamentais e normas de garantia à 
formação do adolescente = até maturidade 
fisiológica = continuam aplicáveis ao menor 
emancipado. 
• Emancipação = capacidade civil. 
• Não afasta ECA e direitos específicos (critério 
biológico).
27
CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM 
DEFICIÊNCIA
• Lei nº 13.146/2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência)
• Atenção integral à saúde em todos os níveis de complexidade: SUS e 
de instituições privadas.
• Sistema educacional inclusivo: art. 28 da Lei nº 13.146/2015.
Caso não seja possível a integração em classes comuns: em classes, escolas ou serviços 
especializados, sempre levando em conta as condições específicas do aluno (art. 58, § 2º, da 
Lei de Diretrizes e Bases da Educação).
• Política nacional de proteção dos direitos da pessoa com transtorno 
do espectro autista: Lei n. 12.764/2012 e regulamentada pelo Decreto n. 
8.368, de 2 de dezembro de 2014.
• Direito do autista a profissional de auxílio criado pelo art. 3º, §2º, Lei. 
12.764: indiscutível quando indispensável no processo educacional e em 
algumas decisões judiciais como norma obrigatória independente do caso.
(Vide TJRJ – Agravo de Instrumento nº 0026819-76.2017.8.19.0000 - Des(a). Helda Lima Meireles - 
Julgamento: 02/08/2017 - Segunda Câmara de Direito Privado (antiga 3ª Câmara Cível).
Escolas públicas = dever de ofertar com fulcro no art. 28, XVII, Lei 
13.146/2015.
Escolas privadas = o custo deve ser assumido pela instituição de ensino, com 
fulcro no art. 28, §1º, Lei 13.146/2015. 
OBS: Lei 12.764/2012 (Berenice Piana) cria o direito, mas quem proíbe 
expressamente a cobrança é o Estatuto da Pessoa com Deficiência.
• Lei n. 12.764/2012: Vedada a negativa de matrícula de aluno com 
transtorno do espectro autista, ou qualquer outro tipo de deficiência.
DIREITOS DO NASCITURO
• Um ser em expectativa...
• Direito à vida: arts. 124-126 do CP, ressalvando-se os 
casos do art. 128 + Pacto de São José da Costa Rica (art. 
4º).
• Reconhecimento de filiação: art. 1609, CC.
• Nomeação de curador: art. 1779, CC.
• Pode ser donatário: art. 542, CC.
• Legitimidade sucessória: art. 1798, CC.
30
De acordo com Andréa Rodrigues Amin:
Sistema jurídico atual
 
Fundado no reconhecimento da dignidade do ser 
humano como valor fundamental.
 
 Recepciona doutrina concepcionista.
(reconhece direitos ao nascituro; personalidade civil).
OBS: não é a corrente doutrinária que vem sendo adotada 
pelo Supremo Tribunal Federal (natalista)
31
	Slide 1: Direito da criança e do adolescente 
	Slide 2: TEMAS DA AULA
	Slide 3: DIREITOS FUNDAMENTAIS
	Slide 4: Direitos fundamentais de crianças e adolescentes
	Slide 5
	Slide 6: Direito à vida 
	Slide 7: Direito à saúde
	Slide 8: o direito de alimentos à mulher gestante – alimentos gravídicos
	Slide 9: Lei n. 13.257/2016
	Slide 10: Atendimento médico a criança e adolescente desacompanhados
	Slide 11
	Slide 12: Direito a acompanhante
	Slide 13: Direito à alimentação
	Slide 14: Direito à educação
	Slide 15
	Slide 16
	Slide 17
	Slide 18
	Slide 19
	Slide 20: Direito à cultura , esporte e lazer
	Slide 21: Direito à profissionalização 
	Slide 22
	Slide 23: Direito AO RESPEITO E À DIGNIDADE 
	Slide 24: Direito à liberdade 
	Slide 25: Direito à convivência familiar 
	Slide 26: Situações jurídicas específicas
	Slide 27: o emancipado
	Slide 28: Crianças e adolescentes com deficiência
	Slide 29
	Slide 30: Direitos do nascituro
	Slide 31

Mais conteúdos dessa disciplina