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AULA 1 Tema da aula teórica: Modelo de aplicação a partir do modelo conceitual e filosófico. Bibliografia Básica: SAMPAIO, A. A. S.; ANDERY, M. A. P. A. Seleção por consequências como modelo de causalidade e a clínica analítico-comportamental. Em: BORGES, N. B.; CASSAS, F. A. Clínica analítico-comportamental: aspectos teóricos e práticos. Porto Alegre: ARTMED, 2012, p. 77-86. 1. Introdução geral: Por que esse modelo importa para a clínica? O texto começa apresentando três situações clínicas: ● Paula → “ciúme doentio” ● Rodrigo → perda de interesse, isolamento ● Lígia → compulsão alimentar + vômitos (bulimia) Esses exemplos mostram problemas diferentes, mas, para a Análise do Comportamento, a explicação segue uma lógica comum: → todos os comportamentos são produtos de contingências. Isso significa que: ● nenhum comportamento surge do nada, ● nenhum comportamento depende de “querer”, “escolher”, “personalidade”, ● todos são resultado de história de interação com o ambiente. 2. O que é um modelo de causalidade? Um modelo de causalidade é a “lente” que uma ciência usa para explicar como os fenômenos se formam. • Um modelo de causalidade envolve: ● como o fenômeno é constituído ● quais fatores são considerados “causas” ● como esses fatores se relacionam • Por que isso importa? Porque sem um modelo claro, cada profissional inventaria uma explicação diferente. Na psicologia: ● alguns usam mente, intenção, vontade; ● outros usam traços de personalidade; ● outros fatores biológicos internos; ● a Análise do Comportamento usa seleção por consequências. A causalidade em Análise do Comportamento não é mecânica nem teleológica. É histórica e probabilística. 3. O modelo de seleção por consequências Skinner toma como base Darwin. Darwin mostrou que espécies mudam por: ● variação (indivíduos diferentes dentro da mesma espécie) ● seleção (algumas características aumentam chances de sobrevivência) Ex.: Girafas → pescoço maior não surgiu porque “elas queriam”, mas porque variações maiores foram selecionadas por permitirem alcançar alimento. Skinner propõe um paralelo: O comportamento também evolui dessa forma. ➜ 1. Variação comportamental Pessoas emitem respostas diferentes: ● várias formas de pedir algo ● vários jeitos de se acalmar ● várias estratégias para lidar com um conflito ➜ 2. Seleção Algumas respostas produzem consequências reforçadoras → aumentam sua probabilidade futura. ➜ Por isso: → Comportamento não é empurrado por uma causa passada → Nem puxado por propósito futuro → Ele é selecionado por suas consequências passadas 4. O que o modelo substitui? O modelo substitui: 1. Agentes iniciadores internos Explicações do tipo: ● “fez isso porque quis” ● “era sua personalidade” ● “era sua intenção” Essas explicações são circulares e não permitem previsão nem intervenção. 2. Explicações teleológicas Do tipo: ● “ele fez isso para conseguir atenção” ● “ela agiu assim porque queria emagrecer” O modelo de seleção não busca propósito; ele analisa o que, no passado, fez aquele comportamento ser reforçado. 5. Unidades populacionais e históricas Assim como a espécie é a unidade da biologia evolutiva… O operante é a unidade da evolução comportamental. O que é um operante? Uma classe de respostas que produz a mesma consequência. Exemplo: Operante “ir para casa” Inclui: ● pegar ônibus ● ir a pé ● pedir carona ● ir de bicicleta Todas essas respostas: ● são diferentes fisicamente ● mas produzem a mesma consequência: chegar em casa O operante é histórico e distribuído no tempo. Isso significa que: ● inclui respostas emitidas há dias, meses, anos ● inclui as respostas que serão emitidas no futuro ● nunca é uma “coisa” isolada: é uma população de comportamentos 6. Duas funções do ambiente: Selecionador e Instanciador O ambiente opera de dois modos diferentes, e isso é central para a clínica. A) Ambiente como SELECIONADOR → Quando reforça (ou pune), selecionando ou extinguindo operantes. Exemplo: o ciúme de Paula Se Paula sente ciúme → o namorado dá atenção → ela se sente “aliviada”. ● A atenção funciona como reforçador ● O alívio também ● Resultado: a resposta “expressar ciúme” é selecionada e tende a aumentar B) Ambiente como INSTANCIADOR → Quando estímulos antecedentes evocam respostas já aprendidas. Exemplo: convite ao futebol (caso de Rodrigo) Rodrigo: ● já tem o operante “jogar futebol” instalado ● mas só joga quando alguém o convida Portanto: ● convite = estímulo instanciador ● não cria o comportamento ● apenas evoca o operante já selecionado anteriormente 7. Dois níveis de intervenção clínica O terapeuta pode trabalhar em dois níveis: 1. Nível de seleção Objetivo: ● desenvolver operantes novos ● fortalecer alguns ● enfraquecer outros Ferramenta central: → Reforçamento diferencial (positivo, negativo, extinção, punição ética, modelagem, etc.) Exemplo: Lígia tenta interromper os episódios de compulsão. A terapeuta pode trabalhar mudando as consequências desses episódios, como: ● treinar estratégias alternativas de alívio emocional ● reduzir reforçadores da purgação ● construir novos reforçadores sociais 2. Nível de instanciação Objetivo: → aumentar a probabilidade de respostas já aprendidas ocorrerem na situação desejada. Ferramentas: ● manipulação de estímulos discriminativos ● redução de operações aversivas ● criação de rotinas evocadoras Exemplo: Rodrigo sabe jogar futebol, mas não pratica. Intervenção: ● estimular colegas da academia ou trabalho a convidarem mais ● criar lembretes e eventos como “sexta da pelada” 8. Multideterminação do comportamento humano (detalhamento máximo) Skinner afirma que o comportamento é determinado por três níveis de seleção: FILOGENÉTICO (seleção natural) Inclui: ● reflexos ● tendências inatas (ex.: fuga de dor) ● capacidade de aprender (respondente e operante) Exemplo: ● humanos são sensíveis a reforço social → isso é fruto da evolução ● bebês buscam rostos → comportamento filogenético ONTOGENÉTICO (história individual de reforçamento) É o mais importante para a clínica. Inclui: ● hábitos ● habilidades ● padrões emocionais ● estratégias de enfrentamento ● autogoverno Exemplo: Paula aprendeu que demonstrar ciúme gera atenção → isso moldou seu repertório. CULTURAL (práticas sociais) Inclui: ● valores ● normas ● papéis sociais ● ideologias ● linguagem ● padrões estéticos Exemplo: Lígia está exposta a um padrão cultural de corpo magro → isso influencia seu comportamento alimentar. 9. A clínica precisa dos três níveis Para compreender plenamente um comportamento-problema, o terapeuta precisa: ● reconhecer limites biológicos (nível filogenético) ● analisar contingências pessoais (nível ontogenético) ● entender pressões sociais (nível cultural) Exemplo integrado: bulimia de Lígia ● Filogenético: corpo reage a dietas com aumento de fome, impulsividade alimentar ● Ontogenético: alivio após vômito funciona como reforço negativo ● Cultural: pressão estética reforça dietas restritivas e insatisfação corporal 10. Conclusão — A sofisticação do modelo O autor alerta: ● comportamento é extremamente complexo ● a seleção é lenta e distribuída no tempo ● se o terapeuta não dominar o modelo, tende a inventar “explicações internas” ● isso atrapalha a intervenção Skinner afirma: “Enquanto acharmos que a pessoa é um agente iniciador, negligenciarmos as condições que precisam ser modificadas.” Ou seja: A terapia analítico-comportamental modifica contingências, não intenções. O terapeuta analisa relações, não “motivações internas”. A mudança comportamental é construída, não descoberta. Bibliografia complementar: ANDERY, M. A.; MICHELETTO, N.; SÉRIO, T. M. Modo causal de seleção por consequências e a explicação do comportamento. Comportamento e Causalidade, 2006, p.31-48.Disponível em: https://www.pucsp.br/sites/default/files/download/posgraduacao/programas/psicologi a-experimental/comportamento_causalidade_2009.pdf AULA 2 Tema da aula: O modelo de seleção por consequências e sua implicação para a compreensão do comportamento humano. Sugestão para discussão: Análise de temáticas clínicas a partir do modelo de seleção por consequências. https://www.pucsp.br/sites/default/files/download/posgraduacao/programas/psicologia-experimental/comportamento_causalidade_2009.pdf https://www.pucsp.br/sites/default/files/download/posgraduacao/programas/psicologia-experimental/comportamento_causalidade_2009.pdf Bibliografia Básica: SAMPAIO, A. A. S.; ANDERY, M. A. P. A. Seleção por consequências como modelo de causalidade e a clínica analítico-comportamental. Em: BORGES, N. B.; CASSAS, F. A. Clínica analítico-comportamental: aspectos teóricos e práticos. Porto Alegre: ARTMED, 2012, p. 77-86. Bibliografia complementar: ANDERY, M. A.; MICHELETTO, N.; SÉRIO, T. M. Modo causal de seleção por consequências e a explicação do comportamento. Comportamento e Causalidade, 2006, p. 31-48. Disponível em: https://www.pucsp.br/sites/default/files/download/posgraduacao/programas/psicologi a-experimental/comportamento_causalidade_2009.pdf AULA 3 Tema da aula: Operações motivadoras e suas funções. Tipos de operações motivadoras: estabelecedoras, abolidoras, condicionais e incondicionais. Sugestão para discussão: Diferenças entre a abordagem da motivação no senso comum e na Análise do Comportamento. Bibliografia Básica: AURELIANO, L.F.G.; BORGES N.B. Operações motivadoras. Em: BORGES, N. B.; CASSAS, F. A. Clínica analítico-comportamental: aspectos teóricos e práticos. Porto Alegre: ARTMED, 2012, p. 33-39. Bibliografia complementar: MIGUEL, C. F.O conceito de operação estabelecedora na análise do comportamento. Psicologia: Teoria e Pesquisa [online]. 2000, v. 16, n. 3, p. 259-267. Disponível em: AULA 4 Tema da aula: Compreensão comportamental das emoções. Funções de estímulo, ansiedade e supressão condicionada. Sugestão para discussão: Análise comportamental de situações e casos do dia a dia envolvendo ansiedade. Bibliografia Básica: BANACO, R. A. O acesso a eventos encobertos na prática clínica: um fim ou um meio? Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, v. 2, n. 2, 1999, p. 135-142. THOMAZ, C.R.C. Episódios Emocionais como interações entre operantes e respondentes. Em: BORGES, N. B.; CASSAS, F. A. Clínica analítico-comportamental: aspectos teóricos e práticos. Porto Alegre: ARTMED, 2012, p. 40- 48. Bibliografia Complementar: BARBOSA, J. I. C.; MARQUES, N. S. Em: BORGES, N. B.; CASSAS, F. A. Clínica analítico-comportamental: aspectos teóricos e práticos. Porto Alegre: ARTMED, 2012, Cap. 19, p. 178-185. AULAS 5, 6 e 7 Tema das aulas: Entender problemas de comportamento por meio da análise funcional. Definição de análise funcional, passos e diretrizes para compor uma análise funcional. Sugestão de metodologia: Apresentação de um caso clínico e proposição aos alunos para que se organizem em subgrupos para elaborar uma análise funcional. O professor revisa junto com a turma a análise funcional do caso proposto realizada pelos subgrupos para discussão e compreensão ao final da aula. Sugestão para discussão: Possibilidades para o uso de avaliação funcional na prática do psicólogo comportamental. Bibliografia Básica: NERY, L. B.; FONSECA, F. N. (2018). Análises funcionais moleculares e molares: um passo a passo. In: FARIA, A. K. C. R.; NERY, L. B.; FONSECA, F. N. (Orgs.), Teoria e formulação de casos em análise comportamental clínica. Porto Alegre: Artmed, p. 22-54. COSTA, S. E.; MARINHO, M. L. Um modelo de apresentação de análise funcional do comportamento. Revista de Estudos de Psicologia (Campinas), 19(3), 43-54, 2002.Disponível em: http://www.puc-campinas.edu.br/centros/ccv/estudos psicologia/artigos/5-19-3.pdf> Bibliografia complementar: LEONARDI, J. L.; BORGES, N. B.; CASSAS, F. A. Avaliação funcional como ferramenta norteadora da prática clínica. Em: BORGES, N. B.; CASSAS, F. A. Clínica analítico-comportamental: aspectos teóricos e práticos. Porto Alegre: ARTMED, 2012, Cap. 10, p. 105-109. AULA 8 Tema da aula:Determinismo. Liberdade e as alternativas ao uso da coerção. Liberdade como autoconhecimento. Sugestão para discussão: Liberdades e ausências de liberdade na sociedade atual. Bibliografia Básica: DITTRICH, A. O conceito de liberdade e suas implicações para a clínica. Em: BORGES, N. B.; CASSAS, F. A. Clínica analítico-comportamental: aspectos teóricos e práticos. Porto Alegre: ARTMED, 2012, p. 87-94. Bibliografia complementar: BRANDENBURG, O. J.; WEBER, L. N. D. Autoconhecimento e liberdade no behaviorismo radical. Psico-USF [online]. 2005, v. 10, n. 1, p. 87-92. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1413-82712005000100011 1. Introdução geral: Por que esse modelo importa para a clínica? 2. O que é um modelo de causalidade? Um modelo de causalidade é a “lente” que uma ciência usa para explicar como os fenômenos se formam. • Um modelo de causalidade envolve: • Por que isso importa? 3. O modelo de seleção por consequências Darwin mostrou que espécies mudam por: Skinner propõe um paralelo: ➜ 1. Variação comportamental ➜ 2. Seleção ➜ Por isso: 4. O que o modelo substitui? O modelo substitui: 1. Agentes iniciadores internos 2. Explicações teleológicas 5. Unidades populacionais e históricas Assim como a espécie é a unidade da biologia evolutiva…O operante é a unidade da evolução comportamental. O que é um operante? Exemplo: 6. Duas funções do ambiente: Selecionador e Instanciador O ambiente opera de dois modos diferentes, e isso é central para a clínica. A) Ambiente como SELECIONADOR Exemplo: o ciúme de Paula B) Ambiente como INSTANCIADOR Exemplo: convite ao futebol (caso de Rodrigo) 7. Dois níveis de intervenção clínica O terapeuta pode trabalhar em dois níveis: 1. Nível de seleção Exemplo: 2. Nível de instanciação Exemplo: 8. Multideterminação do comportamento humano (detalhamento máximo) FILOGENÉTICO (seleção natural) CULTURAL (práticas sociais) 9. A clínica precisa dos três níveis Exemplo integrado: bulimia de Lígia 10. Conclusão — A sofisticação do modelo