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USP BIOQUIMICA VIAS METABOLICAS
44 pág.

Bioquímica Universidade Federal do Rio de JaneiroUniversidade Federal do Rio de Janeiro

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## Resumo sobre Gliconeogênese, Glicogênio e Regulação MetabólicaA aula de Bioquímica II ministrada pelo Prof. Dr. Júlio César Borges aborda detalhadamente os processos de gliconeogênese, glicogenólise, síntese de glicogênio e sua regulação, com foco especial na síntese de glicose a partir de precursores não glicídicos. A gliconeogênese é um mecanismo metabólico essencial para a manutenção dos níveis de glicose sanguínea, especialmente durante o jejum, quando a glicose proveniente da dieta não está disponível. O cérebro, por exemplo, consome cerca de 120 g de glicose diariamente, e outros tecidos como eritrócitos, testículos, medula renal e tecidos embrionários também dependem desse açúcar. A glicose disponível no organismo é armazenada principalmente na forma de glicogênio, que pode ser mobilizado via glicogenólise para suprir as necessidades energéticas.### Gliconeogênese: Precursores e Etapas PrincipaisA gliconeogênese ocorre em diversos organismos, incluindo animais, plantas, fungos e microrganismos, e utiliza precursores específicos para a síntese de glicose. Os principais precursores são o piruvato, o oxaloacetato e o di-hidroxiacetona fosfato, que podem derivar de compostos como lactato, aminoácidos glicogênicos e glicerol. É importante destacar que ácidos graxos e aminoácidos cetogênicos não são utilizados para a síntese de glicose, pois seus esqueletos carbônicos não entram na via gliconeogênica.Os aminoácidos glicogênicos são aqueles que, após desaminação na mitocôndria, geram intermediários do ciclo do ácido cítrico (Krebs), como o oxaloacetato, que é um ponto de entrada crucial para a gliconeogênese. Alguns aminoácidos são tanto glicogênicos quanto cetogênicos, compartilhando carbonos com corpos cetônicos.A gliconeogênese não é simplesmente a reversão da glicólise, pois três reações da glicólise são irreversíveis e precisam ser contornadas por vias alternativas. Essas etapas são:1. Formação do fosfoenolpiruvato (PEP) a partir do piruvato, que ocorre em duas etapas enzimáticas envolvendo a piruvato carboxilase e a PEP carboxiquinase.2. Conversão da frutose 1,6-bisfosfato em frutose 6-fosfato, catalisada pela frutose 1,6-bisfosfatase.3. Formação de glicose a partir da glicose 6-fosfato, catalisada pela glicose 6-fosfatase.### Detalhes das Reações e RegulaçãoA primeira etapa da formação de PEP a partir do piruvato é particularmente complexa. A piruvato carboxilase, uma enzima mitocondrial que contém biotina como grupo prostético, catalisa a carboxilação do piruvato para formar oxaloacetato, consumindo ATP. A atividade dessa enzima é ativada alostericamente pela acetil-CoA, que sinaliza o uso de ácidos graxos como combustível. O oxaloacetato, por sua vez, não atravessa diretamente a membrana mitocondrial, sendo convertido em malato para sair da mitocôndria, processo conhecido como lançadeira de malato, que também transporta poder redutor para o citoplasma.A segunda reação, catalisada pela PEP carboxiquinase, converte oxaloacetato em PEP, consumindo GTP e liberando CO2. Essa reação é termodinamicamente favorável devido à descarboxilação concomitante, que impulsiona a reação para frente.A conversão da frutose 1,6-bisfosfato em frutose 6-fosfato é um ponto chave de regulação alostérica, controlado pela frutose 1,6-bisfosfatase. Já a última etapa, a formação de glicose a partir da glicose 6-fosfato, ocorre principalmente no fígado, rins e intestino, onde a glicose 6-fosfatase está presente no retículo endoplasmático. Tecidos como cérebro e músculo não possuem essa enzima, portanto não liberam glicose para a circulação.### Aspectos Energéticos e Regulação Recíproca com a GlicóliseA síntese de glicose via gliconeogênese é energeticamente custosa, consumindo 4 moléculas de ATP por molécula de glicose produzida a partir de 2 piruvatos. Isso ocorre porque a simples reversão da glicólise é termodinamicamente desfavorável, exigindo o acoplamento de reações exergônicas para contornar os passos irreversíveis da glicólise.Glicólise e gliconeogênese são vias reciprocamente reguladas para evitar o desperdício energético. Em condições normais, uma via está ativa enquanto a outra está inibida. A regulação depende da carga energética da célula (níveis de ATP e AMP), disponibilidade de glicose e blocos de construção metabólicos. A enzima bifuncional fosfofrutoquinase-2/frutose bisfosfatase-2 (PFK-2/FBPase-2) desempenha papel central nessa regulação, modulando os níveis de frutose 2,6-bisfosfato, um potente regulador alostérico que ativa a glicólise e inibe a gliconeogênese.Além disso, a regulação hormonal ajusta essas vias conforme o estado nutricional e energético do organismo. A presença de glicose estimula a glicólise, enquanto sua escassez favorece a gliconeogênese.### Ciclos Metabólicos e Implicações FisiológicasApesar da regulação, glicólise e gliconeogênese podem ocorrer simultaneamente em níveis diferentes, formando ciclos de substratos que foram inicialmente considerados "ciclos fúteis" devido ao consumo energético sem produção líquida de trabalho. No entanto, esses ciclos funcionam como amplificadores de sinal e mecanismos finos de controle metabólico. Por exemplo, durante o início de atividade física, a glicólise pode aumentar drasticamente para suprir a demanda energética e produzir calor.No metabolismo anaeróbico, especialmente no músculo e hemácias, a glicólise gera lactato, que é transportado para o fígado para ser convertido novamente em glicose via gliconeogênese, formando o Ciclo de Cori. Esse ciclo é fundamental para a reciclagem da glicose e manutenção da homeostase energética durante o exercício e jejum. Além disso, o aminoácido alanina também pode ser convertido em glicose no fígado, contribuindo para a manutenção dos níveis glicêmicos.---### Destaques- A gliconeogênese é a síntese de glicose a partir de precursores não glicídicos, essencial durante o jejum para suprir o cérebro e outros tecidos.- Precursores principais incluem piruvato, oxaloacetato, lactato, aminoácidos glicogênicos e glicerol; ácidos graxos e aminoácidos cetogênicos não participam.- A gliconeogênese contorna as três reações irreversíveis da glicólise por vias alternativas envolvendo piruvato carboxilase, PEP carboxiquinase, frutose 1,6-bisfosfatase e glicose 6-fosfatase.- Glicólise e gliconeogênese são reciprocamente reguladas por mecanismos alostéricos, hormonais e pela enzima bifuncional PFK-2/FBPase-2, evitando desperdício energético.- O Ciclo de Cori exemplifica a integração metabólica entre músculo e fígado, reciclando lactato em glicose para manter a homeostase energética.

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