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Grupo vip – Prof Nailson 
 
 
 
 
 
 
LIPEDEMA E EXERCÍCIOS FÍSICOS: QUAIS SÃO 
OS MAIS INDICADOS? 
 
 Recentemente, o lipedema tem ganhado destaque nas discussões sobre saúde. 
Essa condição crônica e progressiva do tecido adiposo afeta principalmente mulheres 
e pode ocasionar uma série de sintomas, envolvendo inchaço, dor nas áreas 
acometidas, cansaço, facilidade para desenvolver hematomas e baixa autoestima. 
Apesar de não ser uma doença nova, ainda há muitas dúvidas sobre as formas de 
tratamento do lipedema, e quais atividades podem auxiliar ou agravar o quadro. 
Nesse sentido, será que os exercícios físicos podem ajudar a aliviar esses sintomas? E, 
mais importante, existem atividades que devem ser evitadas por quem tem lipedema? 
Afinal: o que é o lipedema? 
 O lipedema é uma doença crônica e inflamatória do tecido adiposo 
subcutâneo, caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura. Embora afete 
principalmente os membros inferiores, também pode acometer os braços, se 
manifestando através do aumento simétrico dos membros, sem afetar as mãos, o 
tronco ou os pés. A condição predomina no sexo feminino, acometendo cerca de 11% 
das mulheres após a puberdade. O diagnóstico em homens não é comum, e 
 
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geralmente está associado a quadros de hipogonadismo ou doenças hepáticas, em 
que ocorre aumento dos níveis de estrogênio e queda de testosterona. 
 
Quais os graus do Lipedema? 
 
O Lipedema acompanha graus (ou estágios), entre eles, muda a forma como a doença 
se manifesta e quais as indicações para solucionar a condição. São eles: 
Grau 1 – Fase inicial 
No primeiro estágio, há um pouco mais de gordura nas pernas e quadris, e às vezes é 
possível sentir pequenos nódulos sob a pele. As pernas podem parecer pesadas, haver 
um pouco de dor ao tocá-las e, às vezes, podem aparecer hematomas leves. 
 
Quais os sintomas do Lipedema? 
De modo geral, esse acúmulo de gordura 
pode causar como principais consequências 
os seguintes problemas: 
- Peso e desconforto 
- Formas e contorno irregulares 
- Propensão a contusões 
- Alterações na textura da pele 
- Impacto emocional e/ou psicológico 
- Reduzir e/ou comprometer a mobilidade 
- Variação hormonal 
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Grau 2 – Evolução do quadro inicial 
A quantidade de gordura nas pernas e quadris aumenta bastante. Fazendo com que 
as pernas pareçam ter um formato de “culote”. 
A sensibilidade e a dor ficam mais fortes e é possível ter hematomas mesmo com 
pequenos machucados. Nesse grau, a mobilidade já começa a adquirir dificuldades 
por causa do aumento de gordura. 
Grau 3 – Evolução significativa do quadro 
A doença avança junto à quantidade de gordura, deixando a pele com a aparência 
que chamamos de “casca de laranja”. 
No grau 3, as dificuldades para se movimentar ficam sérias, e a sensibilidade e a dor se 
tornam intensas. Estágio em que a qualidade de vida já é muito afetada devido aos 
sintomas da Lipedema. 
Grau 4 – Diagnóstico avançado 
No estágio mais avançado, o quarto grau, a doença tem um impacto muito forte na 
vida do paciente. O acúmulo de gordura é extremamente alto, causando 
deformidades e limitando muito a capacidade de se movimentar a ponto de ser difícil 
realizar as mais simples atividades diárias. 
Áreas do corpo 
 
Lipedema nos Joelhos 
Nos joelhos, o Lipedema se manifesta geralmente com o acúmulo de gordura ao redor 
da rótula, formando um contorno irregular. Em termos, a aparência indesejada pode 
se assemelhar ao formato de uma pêra ou colchão dependendo da região. 
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Desse modo, o Lipedema acaba causando sensação de peso e desconforto nos joelhos 
e em alguns casos mais avançados, pode afetar a mobilidade. 
Lipedema nas Pernas 
As pernas são frequentemente as áreas mais afetadas pelo Lipedema. Com o aumento 
desproporcional de gordura vindo desde as coxas até as panturrilhas. O contorno 
irregular característico nas pernas pode vir acompanhado de sensibilidade, dor e 
maior facilidade em sofrer contusões. 
Lipedema nas Coxas 
Por consequência das pernas, outra região muito afetada são as coxas. 
A gordura excessiva nas coxas se acumula de modo a conferir uma aparência 
característica com inchaços, uma pele mais seca e vários hematomas. Aqui, essa 
distribuição de gordura desproporcional deixa clara as áreas afetadas e não afetadas 
do corpo, o que pode evidenciar o diagnóstico de Lipedema. Outra indicação é o 
paciente que apresenta uma cicatriz preexistente na linha mediana abdominal 
(comum nas cirurgias bariátricas abertas ou cirurgias abdominais). 
Lipedema nos Braços 
Embora o Lipedema seja mais associado às pernas, ela também afeta os braços, 
especialmente a parte superior, ou seja, entre ombros e cotovelos. Nessa parte do 
corpo, a gordura excessiva dá aquela aparência de pele esticada ou “derretida”. Além 
disso, nos braços, o Lipedema pode ser sensível ao toque. 
DETALHE 
 O lipedema é frequentemente subdiagnosticado, pois pode ser confundido com 
obesidade. No entanto, a histologia do tecido adiposo em pacientes com lipedema 
apresenta diferenças marcantes em comparação com o tecido adiposo subcutâneo 
comum. Essas pacientes frequentemente apresentam uma expressão anormal de 
receptores de estrogênio no tecido adiposo, e o ambiente estrogênico alterado 
favorece o armazenamento de lipídios de forma irregular, resultando no aumento 
significativo dos adipócitos. O tecido adiposo anormal em pacientes com lipedema 
parece não responder a dietas com déficit calórico nem à prática de exercícios físicos. 
Portanto, o IMC pode não ser um parâmetro confiável para o controle da doença, uma 
vez que o acúmulo desse tipo de tecido adiposo não parece estar diretamente 
relacionado ao percentual de gordura corporal total. Mesmo em pacientes que não 
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apresentam obesidade, o tecido adiposo dessas mulheres demonstra sinais de 
inflamação, com infiltração de macrófagos, angiogênese (formação de novos vasos 
sanguíneos) e fibrose. A presença de estruturas semelhantes a coroas nesse tecido 
adiposo sugere que é metabolicamente disfuncional (Al-Ghadban et al., 2019). 
Quais são as evidências do exercício físico nesse tipo de doença? 
Autor e ano 
Atan T et al. (2020) 
 
Desenho do estudo 
 
Ensaio Clínico Randomizado com objetivo de investigar se um programa de exercícios 
aliado a Terapia Descongestiva Completa (CDT) ou a Terapia de Compressão 
Pneumática Intermitente (IPCT) apresenta resultados melhores do que apenas o 
Programa de exercícios. 
3 grupos separados aleatoriamente receberam programa de exercícios (incluindo 
aeróbico, de força e alongamento). 2 desses grupos adicionalmente receberam 
tratamento de terapia descongestiva completa (CDT) ou terapia de compressão 
pneumática intermitente (IPCT), além do programa de exercícios. 
Grupo 1: CDT + programa de exercícios (11 participantes) 
Grupo 2: IPCT + programa de exercícios (10 participantes) 
Grupo 3: Controle – somente programa de exercícios (10 participantes) 
Intervenção 
Grupo 1: Recebeu Terapia descongestiva completa (CDT). 30 sessões, 5x por semana 
durante 6 semanas, além da intervenção do programa de exercícios. 
Grupo 2: Recebeu Terapia de compressão pneumática intermitente (IPCT) também 30 
sessões, 5x por semana durante 6 semanas, além da intervenção do programa de 
exercícios 
Grupo 3: apenas intervenção do programa de exercícios. 
Programa de exercícios: Todos os participantes realizaram o mesmo programa. 5 dias 
por semana, durante 6 semanas. O programa consistiu em: 
5-10 minutos de aquecimento ativo, incluindo exercícios de flexibilidade. 
20-25 minutos de exercício aeróbico na esteira. 
10-15 minutos de exercícios de força trabalhando os maiores grupamentos 
musculares. Exercícios como Desenvolvimento, Supino com halter, elevação de 
ombros, rosca bíceps, agachamentos, flexão eextensão de quadril, e exercícios de 
quadril em pé. 
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5-10 minutos de volta a calma envolvendo alongamento passivo. 
 
Resultados 
A medida primária de observação foi medida de volume dos membros afetados. 
Secundariamente foram medidas antropomórficas (peso, índice de massa corporal, 
medidas relativas de proporção cintura-altura e cintura-quadril), teste de caminhada 
de 6 minutos, escala visual analógica de dor, escala de fadiga, escala de depressão de 
Beck e questionário de 36 itens qualidade de vida (SF-36). 
Todos os grupos apresentaram melhora nos indicadores após as intervenções. Grupo 
1 com intervenção CDT apresentou melhoras mais significativas do que os outros nas 
medidas de volume dos membros. 
Considerações finais 
Os resultados deste estudo indicam que a prática de um programa estruturado de 
exercícios pode ajudar na qualidade de vida das mulheres com Lipedema, melhorando 
aspectos como volume dos membros afetados, capacidade funcional, nível de dor e 
fadiga e até aspecto psicológico como depressão. 
 
Autor e ano 
Podda, M et al. (2021) 
Desenho do estudo 
Ensaio Clínico randomizado com objetivo de investigar e avaliar se tratamento 
cirúrgico de Lipoaspiração é melhor do que o tratamento tradicional de Terapia 
descongestiva completa (CDT) com relação a redução no nível de dor dos membros 
afetados 
Intervenção 
Estudo dividido em 3 fases: 
1ª fase: intervenção de CDT em todos os participantes durante 4 semanas para 
eliminar possíveis edemas. 
2ª fase: intervenção de CDT para todos os participantes durante 6 meses para 
manutenção da fase 1. 
3ª fase: Participantes divididos aleatoriamente em 2 grupos. Tratamento A: grupo com 
intervenção de CDT durante ao menos 12 meses 
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Tratamento B: grupo com intervenção de Lipoaspiração no máximo de 4 cirurgias 
realizadas, mantendo a Terapia de Descongestiva (CDT) completa quando necessária. 
Resultados 
(últimas visitas de participantes são esperadas em meados de 2025) 
Considerações finais 
(últimas visitas de participantes são esperadas em meados de 2025) 
 
Autor e ano 
Szolnoky, G et al. (2008) 
Desenho do estudo 
Ensaio Clínico randomizado com objetivo de comparar o resultado do tratamento 
através apenas de Terapia descongestiva completa (CDT) com o resultado do 
tratamento adicionando também Terapia de compressão pneumática (IPCT) junto. 
Intervenção 
Os participantes foram divididos em 2 grupos. 
Grupo 1 (11 participantes) receberam apenas a intervenção CDT numa sessão de 60 
minutos. 
Grupo 2 (13 participantes) receberam a intervenção de CDT numa sessão de 30 
minutos mais uma sessão de IPCT de também 30 minutos. 
Ambos os grupos realizaram as intervenções 1x ao dia, durante 5 dias. 
Resultados 
O volume das pernas foi considerado como indicador de resultado com medições 
realizadas antes e depois das intervenções. 
Foram percebidas reduções de volume em ambos os grupos. E na comparação entre 
grupos não foram identificadas diferenças. 
Considerações finais 
Os resultados de Terapias descongestivas e de compressão parecem apresentar 
resultados positivos e são considerados como forma de tratamento tradicional 
principalmente na redução do volume dos membros através da melhora do sistema 
vascular linfático. 
 
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O ideal é que inicie com uma atividade mais leve e que, ao longo das semanas, 
aumente gradualmente a intensidade. É importante também que seja uma atividade 
que lhe dê PRAZER. 
A atividade física faz parte do tratamento do lipedema para reduzir inflamação, 
controle ou perda de peso e melhora da circulação venosa e linfática. 
DE MANEIRA GERAL, DEVE-SE: 
- Realizar atividade aeróbia de preferência de 3 a 6 vezes na semana, de intensidade 
leve a moderado e em pessoas mais condicionadas, mais intensa, de 30 a 60 minutos 
ou mais por sessão. 
- O treinamento resistido (musculação) também deverá fazer parte do tratamento, 
sendo de 8 a 10 exercícios para os principais grupos musculares, com intensidade de 
40 a 60% de 1RM ou 5 a 6 na escala de omni, entre 8 a 15 repetições, sem manobra da 
valsalva ativa. 
Obs: evitar contração isométrica por longos períodos. 
 São inúmeros benefícios além de 
atuar na prevenção de diferentes doenças. 
A atividade física ajuda a melhorar o 
humor, o sono, nos deixa mais felizes e 
manter-se ativo ainda ajuda muito a 
circulação venosa e linfática reduzindo dor 
e inchaço das pernas. 
 Alguns exercícios estão mais 
indicados para mulheres com lipedema, 
principalmente para as que ainda não 
fazem nenhuma atividade física e irão 
começar ou estão com muitos sintomas da 
doença. 
 Os mais indicados para esses casos 
são exercícios na água (hidroginástica, 
natação ou caminhar na água), ioga, 
ciclismo, pilates e caminhada. 
 
Sabe porque os exercícios na água são tão bons 
para o lipedema? Porque não tem tanto impacto 
e protege as articulações, é um exercício leve, em 
grupo (o que pode deixar mais divertido) e a água 
ainda ajuda a estimular o sistema venoso e 
linfático. 
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Principais Pontos 
- Os exercícios físicos são essenciais no manejo do Lipedema, ajudando a melhorar a 
circulação, reduzir o acúmulo de gordura e promover a saúde geral. 
- É crucial adaptar os exercícios às necessidades individuais e evitar atividades de alto 
impacto, que podem causar danos adicionais. 
- Uma abordagem multidisciplinar, incluindo dieta, terapia física, e uso de roupas de 
compressão, é fundamental no tratamento do Lipedema. 
- O apoio nutricional e emocional são componentes importantes do tratamento, 
ajudando a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. 
- A educação do paciente e a conscientização sobre o Lipedema são essenciais para a 
implementação de um plano de exercícios eficaz e para a gestão geral da condição. 
 
SUGESTÃO DE UMA SESSÃO DE TREINO COMBINADO 
NO TRATAMENTO DA LIPEDEMA PARA ALUNA INTERMEDIÁRIA 
Nº Exercício Volume Intensidade 
1 Leg-press horizontal 3 x 12 a 15 5 a 6 PSE 
2 Supino sentado horizontal 3 x 12 a 15 5 a 6 PSE 
3 Step (subir e descer degraus) 3 x 12 a 15 5 a 6 PSE 
4 Puxada alta 3 x 12 a 15 5 a 6 PSE 
5 Bicicleta vertical 5 a 10 min 5 a 6 PSE 
6 Cross-over 3 x 12 a 15 5 a 6 PSE 
7 Flexora em Pé 3 x 12 a 15 5 a 6 PSE 
8 Spress militar + panturrilha 3 x 12 a 15 5 a 6 PSE 
9 Remada articulada 3 x 12 a 15 5 a 6 PSE 
10 Esteira na horizontal 10 a 15 min 5 a 6 PSE 
PSE = percepção subjetiva de esforço 
Fonte: 
VEIGA, Hugo; CHAIA, Mariana; SCHUBACH, Rafaela. Treinamento resistido como alternativa de intervenção sobre 
os sintomas de Lipedema. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Educação Física). Centro Universitário 
IBMR, 2024. 
Entendendo os temas emergentes em treinamento, atividade física e saúde [recurso eletrônico] / organizadores: 
Antônio Roberto Doro ... [et al.]. - Santo Ângelo: Metrics, 2024. v. 2 
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