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Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 
1 
 
PMSUS 
Situação da infância e adolescência no 
Brasil e Estatuto da Criança e do 
Adolescente (ECA) 
Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA 
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), 
instituído pela Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, 
que regulamenta os direitos de crianças e 
adolescentes no Brasil 
Ele representa uma mudança de paradigma na forma 
como o Estado e a sociedade enxergam a infância e a 
juventude 
Contexto histórico 
Antes do ECA, vigorava o chamado Código de 
Menores (1979). Esse código tinha uma visão 
assistencialista e punitiva, voltada apenas para o 
menor em situação irregular (abandono ou ato 
infracional) 
Com a Constituição Federal de 1988, surge o artigo 
227, que estabelece que: 
Crianças e adolescentes são sujeitos de direitos e 
devem receber proteção integral 
O ECA nasce para regulamentar esse artigo 
constitucional 
O princípio central é a Doutrina da Proteção Integral 
A criança e o adolescente passam a ser considerados: 
➢ Sujeitos de direitos 
➢ Pessoas em condição peculiar de 
desenvolvimento 
➢ Destinatários de prioridade absoluta 
prioridade absoluta significa que: 
➢ Devem ter preferência em políticas públicas 
➢ Têm atendimento prioritário em serviços 
➢ Recebem proteção especial do Estado, família 
e sociedade 
O ECA define: 
➢ Criança: até 12 anos incompletos 
➢ Adolescente: de 12 a 18 anos 
Em alguns casos, o Estatuto pode se aplicar até os 21 
anos (ex em medidas socioeducativas) 
Direitos fundamentais garantidos pelo ECA 
Direito à vida e à saúde 
➢ Atendimento pré-natal 
➢ Vacinação 
➢ SUS obrigatório 
➢ Proteção contra negligência 
Direito à liberdade, respeito e dignidade 
➢ Liberdade de opinião 
➢ Respeito à integridade física e moral 
➢ Proibição de tratamento cruel ou degradante 
Direito à convivência familiar e comunitária 
Criança deve crescer no seio da família 
Se isso não for possível: Guarda, tutela ou adoção 
A institucionalização (abrigo) é medida excepcional e 
temporária 
Direito à educação, cultura, esporte e lazer 
➢ Ensino obrigatório e gratuito 
➢ Igualdade de acesso 
➢ Direito de contestar critérios avaliativos 
➢ Participação na vida escolar 
Direito à profissionalização e proteção no trabalho 
➢ Proibição de trabalho antes dos 16 anos 
➢ Permitido a partir dos 14 anos apenas como 
aprendi 
O artigo 4º do ECA estabelece que é dever: Da família, 
Estado e da sociedade 
 
 Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 
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Garantir os direitos da criança e do adolescente 
Medidas de proteção, usadas quando os direitos são 
ameaçados 
Se a criança estiver em situação de risco (abandono, 
maus-tratos, negligência), podem ser aplicadas 
medidas como: 
➢ Orientação aos pais 
➢ Inclusão em programas sociais 
➢ Acolhimento institucional 
➢ Colocação em família substituta 
O conselho tutelar aplica essas medidas 
Ato infracional, que é quando o adolescente comete 
crime 
➢ Criança (menos de 12 anos) não responde 
por ato infracional — recebe medida de 
proteção 
➢ Adolescente (12–18 anos) pode receber 
medidas socioeducativas, como: Advertência, 
prestação de serviços à comunidade, 
liberdade assistida, semiliberdade, internação 
Objetivo não é punição pura, mas ressocialização 
Conselho Tutelar é um Órgão permanente e 
autônomo que: Zela pelo cumprimento dos direitos, 
aplica medidas de proteção e atua em casos de 
violação 
Ele não julga nem prende, ele atua na proteção 
Artigos do ECA 
Artigos 1º a 6º – Princípios Fundamentais 
Os artigos iniciais do ECA estabelecem a base 
principiológica da proteção à criança e ao 
adolescente no Brasil 
Doutrina da Proteção Integral (Art. 1º): Esta Lei 
dispõe sobre a proteção integral à criança e ao 
adolescente 
 
A criança e o adolescente são reconhecidos como 
sujeitos de direitos, e não como objetos de 
intervenção do Estado 
Conceito de criança e adolescente (Art. 2º): 
Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a 
pessoa até doze anos de idade incompletos, e 
adolescente aquela entre doze e dezoito anos de 
idade 
 
➢ Criança: até 12 anos incompletos 
➢ Adolescente: entre 12 e 18 anos 
➢ Casos expressos em leis, aplica-se entre 18 e 
21 anos de idade 
Direitos fundamentais assegurados (Art. 3º): A 
criança e o adolescente gozam de todos os direitos 
fundamentais inerentes à pessoa humana, sem 
prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, 
assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, 
todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes 
facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, 
espiritual e social, em condições de liberdade e de 
dignidade 
 
Garantia de todos os direitos fundamentais inerentes 
à pessoa humana, com proteção especial devido à 
condição peculiar de desenvolvimento 
Prioridade Absoluta (Art. 4º): É dever da família, da 
comunidade, da sociedade em geral e do poder 
público assegurar, com absoluta prioridade, a 
efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à 
alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à 
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, 
à liberdade e à convivência familiar e comunitária. 
 
É dever da: Família, comunidade, sociedade e poder 
Público, assegurar com prioridade absoluta: vida, 
saúde, educação, dignidade e convivência familiar 
Isso significa preferência na formulação de políticas 
públicas e atendimento 
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Princípio da não discriminação (Art. 5º): Nenhuma 
criança ou adolescente será objeto de qualquer forma 
de negligência, discriminação, exploração, violência, 
crueldade e opressão, punido na forma da lei 
qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus 
direitos fundamentais 
 
Nenhuma criança ou adolescente pode sofrer 
negligência, discriminação, violência, crueldade ou 
opressão 
Interpretação teleológica (Art. 6º): Na interpretação 
desta Lei levar-se-ão em conta os fins sociais a que 
ela se dirige, as exigências do bem comum, os direitos 
e deveres individuais e coletivos, e a condição 
peculiar da criança e do adolescente como pessoas 
em desenvolvimento 
A aplicação do ECA deve considerar: 
➢ Os fins sociais, o bem comum e a condição 
peculiar de desenvolvimento 
Esses artigos estruturam o ECA como um 
instrumento de proteção integral e prioridade 
absoluta 
 
Artigos 7º a 9º – Direito à Vida, Saúde e Nascimento 
Seguro 
Esses artigos reforçam que o direito à vida começa 
antes mesmo do nascimento 
Direito à vida e à saúde (Art. 7º): A criança e o 
adolescente têm direito a proteção à vida e à saúde, 
mediante a efetivação de políticas sociais públicas 
que permitam o nascimento e o desenvolvimento 
sadio e harmonioso, em condições dignas de 
existência 
A criança e o adolescente têm direito à proteção à 
vida e à saúde mediante políticas públicas que 
permitam: 
➢ Desenvolvimento físico, mental, moral, 
espiritual e social 
Atendimento pré e perinatal (Art. 8º): É assegurado a 
todas as mulheres o acesso aos programas e às 
políticas de saúde da mulher e de planejamento 
reprodutivo e, às gestantes, nutrição adequada, 
atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao 
puerpério e atendimento pré-natal, perinatal e pós 
natal integral no âmbito do Sistema Único de Saúde 
(Redação dada pela Lei nº 13.257, de 2016) 
➢ Assistência à gestante pelo SUS 
➢ Atendimento humanizado 
➢ Direito ao acompanhante no parto 
➢ Orientação sobre aleitamento maternos 
Condições adequadas ao nascimento (Art. 9º): O 
poder público, as instituições e os empregadores 
propiciarão condições adequadas ao aleitamento 
materno, inclusive aos filhos de mães submetidas a 
medida privativa de liberdade. 
O poder público deve garantir condiçõesdignas ao 
nascimento, promovendo políticas de apoio à 
gestante 
O ECA entende que a proteção começa no período 
gestacional, assegurando nascimento seguro e digno 
Artigos 10º a 14º – Direito à Saúde e Medidas 
Protetivas 
Esses dispositivos detalham obrigações dos serviços 
de saúde 
Responsabilidades dos hospitais (Art. 10º) 
➢ Registro de nascimento obrigatório 
➢ Identificação do recém-nascido 
➢ Manutenção de prontuários 
➢ Comunicação de suspeitas de maus-tratos 
Comunicação obrigatória (Art. 13º): Os casos de 
suspeita ou confirmação de castigo físico, de 
tratamento cruel ou degradante e de maus-tratos 
contra criança ou adolescente serão 
obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar 
da respectiva localidade, sem prejuízo de outras 
providências legais. 
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Casos de: Maus-tratos, violência e abusos, devem ser 
comunicados ao Conselho Tutelar 
Vacinação obrigatória (Art. 14º): O Sistema Único de 
Saúde promoverá programas de assistência médica e 
odontológica para a prevenção das enfermidades que 
ordinariamente afetam a população infantil, e 
campanhas de educação sanitária para pais, 
educadores e alunos 
➢ É obrigatória a vacinação das crianças nos 
casos recomendados pelas autoridades 
sanitárias 
Capítulo IV – Direito à Educação, Cultura, Esporte e 
Lazer 
O ECA reconhece a educação como instrumento de 
desenvolvimento pleno e cidadania 
Finalidade da educação 
Visa: Pleno desenvolvimento da pessoa, preparo para 
o exercício da cidadania e qualificação para o 
trabalho 
Garantias asseguradas: Ensino obrigatório e gratuito, 
igualdade de condições para acesso e permanência, 
direito de contestar critérios avaliativos, participação 
dos pais na vida escolar 
Cultura, esporte e lazer: São reconhecidos como 
direitos fundamentais, pois contribuem para o 
desenvolvimento físico e psicológico 
Cenário da Infância e Adolescência no Brasil (2024) 
Principais indicadores da infância e adolescência: 
ODS 1 ➙ Erradicação da pobreza, que consiste em 
acabar com a pobreza em todas suas formas, em 
todos os lugares (Renda) 
ODS 2 ➙ Fome zero e agricultura sustentável, acabar 
com a fome e alcançar a segurança alimentar e a 
melhoria da nutrição, e promover a agricultura 
sustentável (Nutrição) 
As regiões do Brasil mais afetadas com esse problema 
é a Região Norte, Nordeste e Sudeste 
 
 
Não são todos os estabelecimentos públicos de 
educação básica que oferecem alimentos aos alunos 
 
 
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ODS 3 ➙ Saúde e bem-estar, assegurar uma vida 
saudável e promover bem-estar para todos, em todas 
as idades 
Aqui como meta, eles querem até 2030, enfrentar as 
mortes evitáveis de recém-nascidos e crianças 
menores de 5 anos de idade ➙ reduzir a mortalidade 
neonatal (no máximo 5 para 1000 nascidos vivos) e 
com até 5 anos (no máximo 8 para 1000 nascidos 
vivos) 
 
 
Como outra meta, querem até 2030 reduzir a razão 
de mortalidade materna para no máximo 30 para 
cada 100 mil nascidos vivos 
 
Até 2030, assegurar o acesso universal aos serviços e 
insumos de saúde sexual e reprodutiva, incluindo o 
planejamento reprodutivo, a informação e educação 
➙ Evitar gravidez na adolescência 
 
 
ODS 4 ➙ Educação de qualidade, assegurar a 
educação inclusive e equitativa de qualidade, e 
promover oportunidades de aprendizagem ao longo 
da vida para todos (Educação infantil, fundamental e 
médio) 
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Meta: Até 2030, assegurar todas as meninas e 
meninos o desenvolvimento integral e acesso à 
educação infantil de qualidade 
 
 
 
A taxa de abandono é maior no ensino médio 
 
ODS 5 ➙ Igualdade de Gênero, alcançar a igualdade 
de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas 
Meta: Eliminar todas as formas de violência de 
gênero nas esferas públicas e privada (violência 
sexual, tráfico de pessoas, homicídios) 
 
ODS 6 ➙ Água potável e saneamento, assegurar a 
disponibilidade e o manejo sustentável da água e do 
saneamento para todos 
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ODS 8 ➙ Trabalho decente e crescimento econômico, 
promover o crescimento econômico sustentado, 
inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo, e 
trabalho decente para todos 
Até 2025! Erradicar o trabalho em condições 
análogas às de escravos, o tráfico de pessoas e o 
trabalho infantil 
 
 
ODS 10 ➙ Redução das desigualdades, reduzir a 
desigualdade dentro dos países e entre eles 
ODS 11 ➙ Cidades e comunidades sustentáveis, 
tornas as cidades e os assentamentos humanos 
inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis 
➢ Garantir acesso a todos à moradia digna, 
adequada e preço acessível (até 2030) 
ODS 16 ➙ Paz, justiça e instituições eficazes, 
promover sociedades pacíficas e inclusivas para o 
desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso 
à Justiça para todos e construir instituições eficazes, 
responsáveis e inclusivas em todos os níveis 
Declaração universal dos direitos da criança 
Aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU) 
em 20 de novembro de 1959 
Todas as crianças têm direito: 
 
Em 12 de outubro de 1990, entrou em vigor o 
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), marco 
histórico na garantia dos direitos da criança e do 
adolescente no Brasil 
Principais Indicadores de Saúde 
Indicadores da infância 
Taxa de mortalidade infantil 
Óbitos menores de 1 ano / nascidos vivos × 1000 
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É um dos melhores indicadores de qualidade do pré-
natal, assistência ao parto, condições 
socioeconômicas, saneamento, cobertura vacinal 
Mortalidade na infância (Nacional de Atenção 
Integral à Saúde da Criança 
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Eixos: 
➢ atenção humanizada ao parto 
➢ aleitamento materno 
➢ crescimento e desenvolvimento 
➢ prevenção de violências 
➢ atenção à criança com deficiência 
➢ vigilância do óbito infantil 
Na adolescência: PNAISAJ (Política Nacional de 
Atenção Integral à Saúde de Adolescentes e Jovens) 
Política voltada a: 
➢ saúde sexual e reprodutiva 
➢ prevenção de ISTs 
➢ saúde mental 
➢ prevenção do uso de drogas 
➢ cultura de paz 
➢ prevenção de violências 
Principal sistema para nascidos vivos: SINASC 
Principal órgão de proteção imediata: Conselho 
Tutelar. 
Direito central do ECA: Proteção integral com 
prioridade absoluta 
Suspeita de violência exige o quê: Notificação 
compulsória e acionamento da rede 
 
Política Nacional de Atenção Integral à 
Saúde da Criança (PNAISC) e Atenção à saúde 
da criança na Rede Alyne 
A PNAISC é uma política pública nacional de saúde 
instituída pela Portaria nº 1.130, de 5 de agosto de 
2015, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). 
Seu objetivo central é promover e proteger a saúde da 
criança inclusive o aleitamento materno, por meio de 
cuidados integrados e contínuos da gestação até os 9 
anos de idade, com foco especial na primeira infância 
e na redução de vulnerabilidades sociais e de saúde 
Isso significa que ela não trata apenas de doenças, 
mas considera a criança em sua integralidade ->, ou 
seja, em seus aspectos biológicos, psicológicos, 
sociais, familiares e ambientais, além de articular 
serviços, programas e ações para atender às 
necessidades de saúde desse grupo populacional 
 
Princípios da PNAISC 
A PNAISC está orientada por princípios que refletem 
direitos constitucionais e diretrizes do SUS, tais 
como: 
 
➢ Direito à vida e à saúde -> Reconhece a saúde 
como direito fundamental da criança e dever 
do Estado, conforme a Constituição Federal e 
o Estatuto da Criança e do Adolescente 
➢ Prioridade absoluta da criança -> A criança 
deve receber prioridade na formulação e 
execução de políticas públicas, na destinação 
de recursos e no acesso aos serviços 
➢ Acesso universal à saúde ->Todas as crianças 
devem ter acesso aos serviços do Sistema 
Único de Saúde (SUS), sem discriminação 
➢ Integralidade do cuidado -> A atenção deve 
abranger promoção, prevenção, tratamento e 
reabilitação, considerando a criança de forma 
biopsicossocial 
➢ Equidade em saúde -> Reconhece que 
crianças em situação de maior 
vulnerabilidade (social, econômica, biológica 
ou cultural) precisam de maior atenção e 
estratégias diferenciadas 
➢ Ambiente facilitador à vida -> Promoção de 
condições que favoreçam o desenvolvimento 
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infantil saudável, incluindo ambiente familiar 
seguro, saneamento básico, alimentação 
adequada e proteção social 
➢ Humanização da atenção -> Cuidado 
acolhedor, respeitoso, centrado na criança e 
na família, valorizando vínculo, escuta 
qualificada e dignidade 
➢ Gestão participativa e controle social -> 
Envolve a participação da comunidade, 
profissionais e conselhos de saúde na 
formulação, implementação e avaliação das 
ações 
Diretrizes da PNAISC 
Diretrizes orientam a organização, planejamento e 
execução das ações voltadas à saúde da criança 
As diretrizes são o como fazer 
 
1. Gestão interfederativa das ações de saúde da 
criança -> Refere-se à articulação entre: 
União, estados e municípios 
Como o SUS é descentralizado, a política só funciona 
se houver cooperação técnica, financeira e 
administrativa entre os entes federativos 
Ex: financiamento compartilhado de programas de 
atenção neonatal 
2. Organização das ações e dos serviços na Rede 
de Atenção -> As ações devem estar 
organizadas em rede, garantindo: 
Atenção Primária (porta de entrada), média 
complexidade e alta complexidade -> Isso evita 
fragmentação do cuidado 
Exemplo: criança detectada com atraso no 
desenvolvimento na UBS → encaminhada para 
neuropediatria → retorno com plano compartilhado 
3. Promoção da Saúde -> Vai além de tratar 
doenças. Envolve: 
Incentivo ao aleitamento maternos, alimentação 
saudável, vacinação, prevenção de acidentes e 
estímulo ao desenvolvimento infantil 
É uma abordagem preventiva e educativa 
4. Fomento à autonomia do cuidado e 
corresponsabilidade da família -> A família é 
protagonista do cuidado 
A diretriz busca: Educação em saúde, 
Empoderamento familiar e Orientação sobre sinais 
de risco -> A ideia é sair do modelo paternalista e 
promover corresponsabilização 
 
5. Qualificação da força de trabalho do SUS -> 
Capacitação contínua dos profissionais: 
➢ Atualização científica 
➢ Protocolos clínicos 
➢ Humanização do cuidado 
➢ Identificação precoce de agravos 
Sem profissionais capacitados, a política não se 
concretiza 
6. Planejamento e desenvolvimento de ações -> 
As ações devem ser: 
Baseadas em diagnóstico situacional, adaptadas à 
realidade local e integradas ao Plano Municipal e 
Estadual de Saúde -> Ou seja, não é improvisado é 
planejamento estruturado 
7. Incentivo à pesquisa e produção de 
conhecimento -> Estimula: 
Estudos epidemiológicos, Avaliação de políticas 
públicas e produção científica em saúde infantil 
Isso fortalece decisões baseadas em evidência 
8. Monitoramento e avaliação -> Avaliação 
contínua por meio de: 
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Indicadores de mortalidade infantil, Cobertura 
vacinal, Aleitamento materno e Internações por 
causas evitáveis 
9. Intersetorialidade -> A mais importante 
A saúde da criança não depende só do setor saúde, 
Envolve: Educação, Assistência social, Saneamento 
básico, Segurança alimentar e Direitos humanos 
Ex: criança com desnutrição → articulação com CRAS 
e programas de transferência de renda 
 
➢ Princípios → valores éticos 
➢ Diretrizes → como organizar e executar 
➢ Eixos estratégicos → áreas práticas de 
atuação 
A política considera duas definições fundamentais: 
Criança: pessoa de 0 (zero) a 9 (nove) anos de idade 
Primeira infância: período de 0 (zero) a 5 (cinco) 
anos, etapa vital para o desenvolvimento físico, 
cerebral, emocional e social 
Eixos estratégicos da PNAISC 
A política é organizada em sete eixos estratégicos, 
que definem as áreas de ação essenciais: 
 
 
1. Atenção humanizada e qualificada à gestação, 
parto, nascimento e recém-nascido – conexão 
entre pré-natal, parto, nascimento e cuidados 
neonatais com articulação da rede de 
atendimento 
 
 
2. Aleitamento materno e alimentação 
complementar saudável – apoio ao 
aleitamento materno exclusivo e à 
alimentação adequada conforme as fases de 
desenvolvimento 
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As equipes da atenção básica devem estar 
capacitadas para acolher precocemente a gestante -> 
Garantindo orientação apropriada quanto aos 
benefícios da amamentação para mãe, criança, família 
e sociedade 
3. Promoção e acompanhamento do 
crescimento e desenvolvimento integral – 
vigilância contínua para garantir que a 
criança atinja marcos de saúde e 
desenvolvimento 
 
 
4. Atenção integral a crianças com agravos 
prevalentes e doenças crônicas – 
acompanhamento de condições de saúde que 
exigem cuidados prolongados 
 
Últimas décadas mudou-se o perfil de 
morbimortalidade da população brasileira -> 
Transição epidemiológica -> Redução das doenças 
infectocontagiosase aumento das doenças crônicas 
não transmissíveis e aumento dos casos de anomalias 
congênitas 
5. Atenção integral a crianças em situação de 
violências, prevenção de acidentes e 
promoção da cultura de paz – proteção contra 
lesões, violência e situações de risco 
 
 
 
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6. Atenção à saúde de crianças com deficiência 
ou em situações específicas e de 
vulnerabilidade – identificação e suporte com 
foco em equidade 
 
 
7. Vigilância e prevenção do óbito infantil, fetal e 
materno – monitoramento contínuo de 
indicadores e definição de ações para redução 
dos óbitos evitáveis 
 
 
Implementação e articulação com outras políticas 
A PNAISC não age isoladamente. Ela se conecta com 
outras iniciativas nacionais: 
➢ Rede Cegonha que virou Rede Alyne — que 
qualifica o cuidado no ciclo gestante-bebê até 
os dois primeiros anos de vida 
➢ Programas de vigilância de saúde infantil, 
vacinação e triagem neonatal 
➢ Estratégias de atenção básica e redes 
temáticas do SUS 
Redes de Atenção à Saúde (RAS) e PNAISC 
As RAS são um modelo organizativo do SUS criado 
para superar a fragmentação do cuidado -> Elas 
funcionam como uma rede integrada de serviços, 
articulando: 
 
➢ Atenção Primária à Saúde (APS) → porta de 
entrada 
➢ Atenção Secundária → especialidades 
➢ Atenção Terciária → alta complexidade 
➢ Apoio diagnóstico e terapêutico 
➢ Vigilância em saúde 
O objetivo é -> Garantir continuidade, integralidade e 
coordenação do cuidado 
A PNAISC não é uma rede -> Ela é uma política 
orientadora que determina como a rede deve cuidar 
da criança 
➢ A RAS é a estrutura organizacional 
➢ A PNAISC define como essa estrutura deve 
funcionar para garantir cuidado integral à 
criança 
Ela funciona como um eixo transversal dentro das 
redes 
A PNAISC exige que a criança seja acompanhada de 
forma contínua dentro da rede 
Exemplo: 
Gestação -> Pré-natal na Atenção Primária e 
encaminhamento para maternidade de referência 
(Rede Materno-Infantil) 
Nascimento -> Atenção neonatal, Testes de triagem, 
Classificação de risco 
Se houver intercorrência -> Encaminhamento para 
UTI neonatal (alta complexidade) 
Alta hospitalar -> Retorno programado à APS, 
Puericultura, Vigilância do desenvolvimento 
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A criança transita na rede -> A PNAISC garante que 
esse trânsito seja: Organizado, Protocolado e Sem 
ruptura do cuidado 
 
PNAISC e os Componentes das RAS 
A integração acontece em três níveis estruturantes: 
Coordenação pela Atenção Primária (APS) 
A APS é a porta de entrada preferencial do SUS e o 
nível responsável pelo cuidado longitudinal 
Na lógica da PNAISC: A criança deve ter 
acompanhamento contínuo desde o nascimento — e 
quem garante essa continuidade é a Atenção Primária 
APS é o gestor do cuidado da criança, significa que 
ela: 
➢ Acompanha crescimento e desenvolvimento 
(puericultura) 
➢ Mantém calendário vacinal atualizado 
➢ Identifica sinais precoces de risco 
➢ Coordena o cuidado nos outros níveis da rede 
➢ Recebe a contrarreferência e continua o 
seguimento 
Ex: Criança de 1 ano com atraso na fala: 
1. UBS identifica atraso na consulta de 
puericultura 
2. Classifica risco ->Encaminha para 
neuropediatria -> Recebe devolutiva do 
especialista 
3. Mantém acompanhamento do 
desenvolvimento 
Isso é coordenação de cuidado. 
Integração com Redes Temáticas -> As Redes de 
Atenção à Saúde são organizadas em redes temáticas, 
que estruturam áreas prioritárias 
A PNAISC atravessa essas redes, garantindo que a 
criança seja atendida em todas elas de forma 
integrada 
➢ Rede Materno-Infantil 
Inclui pré-natal, parto, nascimento e atenção neonatal 
 
A PNAISC dialoga diretamente aqui porque: 
➢ Redução da mortalidade infantil começa na 
gestação 
➢ O cuidado neonatal precisa estar articulado 
com a APS 
Rede de Urgência e Emergência -> A criança com 
agravo agudo deve: 
➢ Ser atendida rapidamente 
➢ Ter acesso à referência hospitalar 
➢ Retornar à APS após estabilização 
Sem integração, a criança interna repetidamente sem 
acompanhamento 
Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) 
➢ Transtornos do neurodesenvolvimento 
➢ Sofrimento psíquico infantil 
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➢ Violência 
A APS identifica → encaminha ao CAPS infantil → 
mantém seguimento conjunto 
Rede de Atenção à Pessoa com Deficiência -> A 
PNAISC determina: 
➢ Identificação precoce 
➢ Encaminhamento para reabilitação 
➢ Acompanhamento longitudinal 
Exemplo -> Paralisia cerebral → fisioterapia → 
fonoaudiologia → apoio familiar → seguimento na 
UBS 
Linha de Cuidado da Criança -> É a organização 
lógica e protocolada do percurso da criança dentro da 
rede 
Inclui: Fluxos assistenciais definidos, protocolos 
clínicos, critérios de encaminhamento, sistema de 
referência e contrarreferência e continuidade do 
acompanhamento 
sem linha de cuidado a rede se fragmenta: 
➢ Encaminhamento sem retorno 
➢ Especialista sem comunicação com APS 
➢ Repetição de exames 
➢ Internações evitáveis 
APS 
Coordena e acompanha 
longitudinalmente 
Redes temáticas Oferecem suporte especializado 
Linha de 
cuidado 
Organiza o fluxo entre os serviços 
 
 
Portaria GM/MS nº 5.350, de 12 de setembro de 2024 
A Portaria GM/MS nº 5.350, de 12 de setembro de 
2024 altera a Portaria de Consolidação GM/MS nº 3, 
de 28 de setembro de 2017, para incluir a Rede Alyne 
como uma das Redes Temáticas de Atenção à Saúde 
no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) 
➢ A Rede Alyne é formalmente reconhecida 
como Rede Temática de Atenção à Saúde no 
SUS 
➢ A portaria define que a Rede Alyne deve 
organizar a oferta de ações e serviços de 
atenção materna e infantil de forma contínua 
e integrada, considerando o planejamento 
regional e a capacidade de cada território 
➢ A norma estabelece que a rede deve articular 
os pontos de atenção, sistemas de apoio, 
logísticos e de governança com o objetivo de 
promover cuidado integral e reduzir a 
mortalidade materna e infantil, com ênfase 
em populações vulneráveis, como negras e 
indígenas 
Em suma, a portaria institui e organiza formalmente 
a Rede Alyne como estrutura prioritária no SUS, 
estabelecendo seu papel essencial na atenção à saúde 
da mulher e da criança 
A Rede Alyne é a rede temática de atenção à saúde 
materna e infantil do SUS que substitui e amplia a 
antiga Rede Cegonha 
Ela tem objetivos estruturados em torno de: 
➢ Cuidado integral para mulheres durante o 
ciclo reprodutivo (gestação, parto e pós-
parto) 
➢ Atenção à saúde da criança, desde o 
nascimento até os primeiros anos de vida 
➢ Redução da mortalidade materna e infantil, 
com foco especial na população negra e 
indígena 
➢ Equidade no acesso ao cuidado, tratamento 
humanizado e asseguramento de direitos em 
saúde 
O nome Alyne é uma homenagem a Alyne Pimentel, 
mulher negra que morreu por desassistência 
 Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 
16 
 
obstétrica, e cujo caso desencadeou uma condenação 
internacional por violação de direitos humanos 
Organização da Rede Alyne: seus seis componentes 
A portaria e os documentos de implementação 
estruturam a Rede Alyne em seis componentes 
principais: 
 
1. Pré-natal 
2. Parto e nascimento 
3. Puerpério e atenção integral à saúde da 
criança 
4. Sistema logístico 
5. Sistema de apoio 
6. Sistema de governança 
Pré-natal, parto e nascimento -> Organizamtodo o 
cuidado desde a captação da gestante, realização de 
consultas e exames, até garantia de atendimento 
qualificado no parto e nascimento 
Puerpério e saúde da criança -> Abrange o cuidado 
pós-parto para a mãe e o acompanhamento do bebê, 
incluindo crescimento e desenvolvimento, 
imunizações, aleitamento materno e ações 
preventivas 
Sistema logístico -> Garante que haja fluxo adequado 
de insumos, leitos, transporte inter-unidades e 
articulação entre serviços. 
Sistema de apoio -> Inclui informações, redes de 
referência e contrarreferência, apoio diagnóstico e 
terapêutico 
Sistema de governança -> Relaciona-se à 
coordenação, pactuação, monitoramento, avaliação e 
planejamento regional da rede 
atenção integral à saúde da criança de 0 a 
2 anos na Rede Alyne – Puericultura e 
desenvolvimento neuropsicomotor 
A chegada da Criança à Família 
O profissional da saúde ao atender uma criança não 
pode vê-la como um ser isolado, mas como parte de 
seu contexto familiar, com características e 
funcionamento próprio 
➢ Importante prestar atenção na relação que os 
membros familiares possuem com aquela 
criança 
 
Fatores determinantes da saúde mental de crianças 
referem-se, em sua maioria, a fatores familiares: 
➢ história de doença mental materna 
➢ níveis elevados de ansiedade materna 
➢ perspectivas parentais limitadas 
➢ interação limitada entre a criança e a mãe 
➢ chefe de família sem ocupação qualificada 
➢ baixa escolaridade materna 
➢ famílias de grupos étnicos minoritários 
➢ famílias monoparentais 
➢ presença de eventos estressantes 
➢ famílias com quatro ou mais filhos 
Visitar Domiciliar para a Família do Recém-nascido 
Instrumento importante para a troca de informações 
vinculadas às necessidades particulares de cada 
indivíduo, favorecendo atividades educativas e mais 
humanizadas 
➢ Realizada pelo agente comunitário da saúde -
>, porém toda equipe pode realizar, podendo 
a primeira consulta do RN e da puérpera 
ocorrer em domicílio pelo médico ou 
enfermeiro 
➢ São recomendadas às famílias de gestantes e 
de crianças na primeira semana pós-parto e, 
posteriormente a esse período, a 
periodicidade deve ser pactuada com a 
família a partir das necessidades 
 Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 
17 
 
evidenciadas e considerando-se os fatores de 
risco e de proteção 
Benefícios de visitas durante os períodos pré e pós-
natal: 
➢ Desenvolvimento da parentalidade 
➢ Melhoria de alguns problemas de 
comportamento da criança (segundo os pais) 
➢ Melhoria no desenvolvimento cognitivo de 
grupos específicos, tais como os prematuros e 
os recém-nascidos de baixo peso 
➢ Redução de lesões não intencionais 
➢ Melhoria na detecção e no manejo da 
depressão pós-parto 
➢ Melhoria na prática da amamentação 
É fundamental que o profissional de saúde saiba 
identificar em todas as visitas domiciliares sinais de 
perigo à saúde da criança 
Sinais que indicam a necessidade de 
encaminhamento da criança ao serviço de referência 
com urgência 
➢ Recusa alimentar (a criança não consegue 
beber ou mamar) 
➢ Vômitos importantes (ela vomita tudo o que 
ingere) 
➢ Convulsões ou apneia (a criança fica em torno 
de 20 segundos sem respirar) 
➢ Frequência cardíaca abaixo de 100bpm 
➢ Letargia ou inconsciência 
➢ Respiração rápida (acima de 60mrm) 
➢ Atividade reduzida (a criança movimenta-se 
menos do que o habitual) 
➢ Febre (37,5ºC ou mais) 
➢ Hipotermia (menos do que 35,5ºC) 
➢ Tiragem subcostal 
➢ Batimentos de asas do nariz 
➢ Cianose generalizada ou palidez importante 
➢ Icterícia visível abaixo do umbigo ou nas 
primeiras 24 horas de vida 
➢ Gemidos 
➢ Fontanela (moleira) abaulada 
➢ Secreção purulenta do ouvido 
➢ Umbigo hiperemiado (hiperemia estendida à 
pele da parede abdominal) e/ou com 
secreção purulenta 
➢ Pústulas na pele (muitas e extensas) 
➢ Irritabilidade ou dor à manipulação 
Para a criança com tosse ou dificuldade para respirar 
-> verificar se a frequência respiratória está 
intensificada -> Se a criança apresenta sibilos 
(chiado) ou estridor e se apresenta tiragem subcostal 
Para a criança com diarreia -> identificar sinais de 
gravidade de desidratação, como: letargia, 
inconsciência, inquietude, irritação, olhos fundos, 
sinal da prega presente ou se a criança não consegue 
mamar ou beber líquidos 
 
Objetivos da primeira visita domiciliar ao recém-
nascido e à sua família: 
➢ Observar as relações familiares 
➢ Facilitar o acesso ao serviço de saúde 
➢ Possibilitar ou fortalecer o vínculo das 
famílias com as equipes de saúde 
➢ Escutar e oferecer suporte emocional nessa 
etapa de crise vital da família (nascimento de 
um filho) 
➢ Estimular o desenvolvimento da 
parentalidade 
➢ Orientar a família sobre os cuidados com o 
bebê 
➢ Identificar sinais de depressão puerperal 
➢ Promover o aleitamento materno exclusivo 
até o 6º mês de vida 
➢ Prevenir lesões não intencionais 
➢ Identificar sinais de perigo à saúde da criança 
A primeira Consulta do Recém-Nascido 
Primeira consulta do recém-nascido deverá ocorrer 
na sua primeira semana de vida -> momento 
propício para estimular/auxiliar a família nas 
dificuldades do aleitamento materno exclusivo, para 
orientar e realizar imunizações, para verificar a 
realização da triagem neonatal (teste do pezinho) e 
para estabelecer ou reforçar a rede de apoio à família 
Anamnese 
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18 
 
Procura-se avaliar principalmente as condições do 
nascimento da criança: 
➢ Tipo de parto 
➢ Local do parto 
➢ Peso ao nascer 
➢ Idade gestacional 
➢ Índice de Apgar 
➢ Intercorrências clínicas na gestação, no parto, 
no período neonatal e nos tratamentos 
realizados) 
➢ Antecedentes familiares (as condições de 
saúde dos pais e dos irmãos, o número de 
gestações anteriores, o número de irmãos) 
Exame Físico completo 
Exame físico completo deve ser realizado na primeira 
consulta de puericultura 
 
 
 
 
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19 
 
 
 
Situações de vulnerabilidade 
➢ Criança residente em área de risco 
➢ Baixo peso ao nascer (inferior a 2.500g) 
➢ Prematuridade (menos de 37 semanas 
gestacionais) 
➢ Asfixia grave ou Apgar menor do que 7 no 5º 
minuto 
➢ Internações/intercorrências 
➢ Mãe com menos de 18 anos de idade 
➢ Mãe com baixa escolaridade (menos de oito 
anos de estudo) 
➢ História familiar de morte de criança com 
menos de 5 anos de idade 
Anamnese, Exame Físico e Aconselhamento 
Antecipado nas Consultas Subsequentes 
Sobre a caderneta de Saúde da Criança -> deve 
preencher em todas as consultas de puericultura e 
preferir usar termos não técnicos (que só são 
entendidas pelos profissionais de saúde) -> para que 
os familiares consigam ler e interagir 
Frequência de consultas por faixa etária 
Ministério da Saúde recomenda sete consultas de 
rotina no primeiro ano de vida (na 1ª semana, no 1º 
mês, 2º mês, 4º mês, 6º mês, 9º mês e 12º mês), além 
de duas consultas no 2º ano de vida (no 18º e no 24º 
mês) e, a partir do 2º ano de vida, consultas anuais, 
próximas ao mês do aniversário -> faixas etárias são 
selecionadas porque representam momentos de 
oferta de imunizações e de orientações de promoção 
de saúde e prevenção de doenças 
Crianças que necessitam de maior atenção -> devem 
ser vistas com mais frequência -> princípio da 
equidade 
Dados antropométricos -> Entre os 2 e os 10 anos de 
idade, deve-se aferir o peso e a altura e plotá-los no 
gráfico nas consultas realizadas 
Ausculta cardíaca 
 
Realização da ausculta cardíaca e da palpação de 
pulsos no mínimo três vezes no primeiro semestrede 
vida 
Monitorização do Crescimento 
Crescimento é um processo dinâmico e contínuo, 
caracterizado pelo aumento do tamanho corporal 
Influenciado por fatores intrínsecos (genéticos) e 
extrínsecos (ambientais), entre os quais se destacam: 
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20 
 
➢ Alimentação 
➢ Saúde 
➢ Higiene 
➢ Habitação 
➢ cuidados gerais com a criança 
Monitorização e Avaliação do Crescimento 
Melhor método de acompanhamento do crescimento 
infantil é o registro periódico do peso, da estatura e 
do IMC da criança na Caderneta de Saúde da Criança 
 
 
Importância da puericultura 
A puericultura é o acompanhamento periódico, 
sistemático e longitudinal da criança saudável, com 
foco em promoção da saúde, prevenção de agravos, 
vigilância do crescimento, vigilância do 
desenvolvimento, imunização, nutrição, vínculo 
familiar e detecção precoce de sinais de risco 
Na Rede Alyne, a puericultura é a principal 
ferramenta do componente: puerpério e atenção 
integral à saúde da criança até 24 meses 
0–2 anos é tão importante porque corresponde à 
janela de maior: 
➢ plasticidade cerebral 
➢ mielinização 
➢ formação sináptica 
➢ aquisição de linguagem 
➢ organização motora 
➢ formação do apego 
Os primeiros 1000 dias são a fase mais crítica para o 
desenvolvimento físico, cognitivo e socioemocional 
Calendário de consultas de Puericultura segundo o 
Ministério da Saúde 
Primeira semana: 3º ao 5º dia de vida, idealmente até 
7 dias 
Primeiro ano: 1 mês, 2 meses, 4 meses, 6 meses, 9 
meses, 12 meses 
Segundo ano: 18 meses e 24 meses 
Terceiro ano: anual 
 
Caderneta da Criança 
A caderneta é o principal instrumento longitudinal de 
vigilância 
funciona como: 
➢ prontuário portátil 
➢ instrumento de educação em saúde 
➢ vigilância epidemiológica individual 
➢ comunicação entre maternidade, UBS e 
especialistas 
deve ser preenchido: 
Identificação 
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21 
 
➢ dados do RN 
➢ tipo de parto 
➢ Apgar 
➢ peso, comprimento, PC ao nascer 
➢ idade gestacional 
Triagens neonatais 
➢ pezinho 
➢ orelhinha 
➢ olhinho 
➢ coraçãozinho 
➢ linguinha 
Crescimento 
➢ peso 
➢ comprimento/estatura 
➢ perímetro cefálico 
➢ IMC 
➢ gráficos por idade 
Desenvolvimento 
➢ marcos esperados 
➢ interação social 
➢ linguagem 
➢ motricidade 
➢ cognição 
Outros: vacinação, suplementação de ferro, vitamina 
A, saúde bucal e orientações familiares 
Desenvolvimento Neuropsicomotor 
A vigilância do DNPM deve ser feita em TODA 
consulta 
Avaliar 4 domínios: 
➢ motor grosseiro 
➢ motor fino 
➢ linguagem 
➢ social 
Marcos do DNPM (Principais) 
1 mês 
➢ fixa olhar 
➢ reage ao som 
➢ levanta discretamente a cabeça em prono 
 
2 meses 
➢ sorriso social 
➢ vocaliza 
➢ acompanha objetos 
 
4 meses 
➢ sustenta cabeça 
➢ leva mãos à boca 
➢ rola parcialmente 
 
6 meses 
➢ senta com apoio 
➢ transfere objetos 
➢ balbucia 
9 meses 
➢ senta sem apoio 
➢ engatinha 
➢ pinça inicial 
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22 
 
➢ estranha pessoas 
 
12 meses 
➢ anda com apoio ou sozinho 
➢ pinça fina 
➢ 1–3 palavras 
➢ dá tchau 
 
18 meses 
➢ corre 
➢ empilha cubos 
➢ aponta partes do corpo 
➢ 10–25 palavras 
24 meses 
➢ corre bem 
➢ sobe escadas 
➢ frases de 2 palavras 
➢ brincadeira simbólica 
Alertas: 
➢ não fixa olhar 
➢ não sorri aos 2 meses 
➢ não sustenta cabeça aos 4 meses 
➢ não senta aos 9 meses 
➢ não anda aos 18 meses 
➢ não fala palavras aos 18 meses 
➢ perda de habilidades 
➢ assimetria motora 
➢ preferência manual antes de 1 ano 
➢ hipotonia 
➢ hipertonia 
➢ ausência de contato visual 
➢ ausência de atenção compartilhada 
Perda de marcos = sinal vermelho absoluto: pensar 
TEA, paralisia cerebral, doenças neuromusculares, 
regressão neurológica 
Caso 1: Lactente 6 meses sem sustentar tronco 
→ atraso motor grosseiro 
→ investigar tônus, visão, audição, PC, prematuridade 
Caso 2: RN 5 dias com perda de 12%. (Normal é até 
10% se for a termo), alerta para dificuldade de 
aleitamento 
Caso 3 18 meses sem palavras, atraso de linguagem 
audição + TEA + interação social + estimulação 
Principal instrumento da puericultura: Caderneta da 
criança. 
Principal idade da 1ª consulta: 3º–5º dia 
Domínios do DNPM: Motor, fino, linguagem e social. 
Maior sinal de alerta neurológico: Perda de marcos. 
Medida mais importante até 2 anos além do peso: 
Perímetro cefálico 
Transtornos nutricionais 
nutrição infantil sustenta crescimento linear, ganho 
ponderal, mielinização, imunidade, microbiota 
intestinal, neurodesenvolvimento, formação de 
hábitos alimentares e prevenção de DCNT na vida 
adulta 
Primeiros 6 meses 
Aleitamento materno exclusivo 
É a conduta padrão-ouro: 
➢ até 6 meses exclusivo 
➢ manter até 2 anos ou mais 
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23 
 
 
Benefícios: reduz diarreia e pneumonia, reduz 
obesidade futura, reduz alergias, melhora microbiota, 
protege contra desnutrição, melhora cognição 
Leite materno reduz tanto desnutrição quanto 
obesidade futura 
Após 6 meses 
Introdução alimentar 
 
➢ comida de verdade 
➢ variedade 
➢ consistência progressiva 
➢ ferro-heme (carne) 
➢ frutas 
➢ legumes 
➢ feijão 
➢ ovos 
➢ cereais 
Evitar: açúcar, ultraprocessados, sucos 
industrializados, refrigerantes, melalimentar: Não é imunológica, 
dificuldade em digerir certos alimentos, por 
deficiência enzimática (sintomas tendem a ser menos 
graves e podem demorar de aparecer) 
Exemplo: intolerância à lactose -> causa distensão, 
flatulência, diarreia osmótica, desconforto após 
lactose 
A amamentação previne desnutrição, obesidade, 
APLV, diarreia, constipação, anemia indireta (por 
menor infecção), morte súbita e alergias 
Distúrbios do desenvolvimento na infância 
São condições do neurodesenvolvimento que alteram 
a aquisição esperada de habilidades em um ou mais 
domínios: linguagem, atenção, cognição, interação 
social, comportamento, aprendizagem, motricidade e 
funções executivas 
principais são: 
➢ TEA 
➢ TDAH 
➢ distúrbios específicos de aprendizagem 
➢ transtorno do desenvolvimento da linguagem 
➢ deficiência intelectual 
➢ transtorno do desenvolvimento da 
coordenação 
Nem todo atraso é um transtorno. O diagnóstico 
depende de persistência, prejuízo funcional, contexto, 
exclusão de privação ambiental e análise do 
desenvolvimento global 
TDAH: Transtorno de déficit de atenção e 
hiperatividade 
O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento 
caracterizado por desatenção, hiperatividade e 
impulsividade desproporcionais para a idade, com 
prejuízo funcional 
 
Tríade clássica 
1) Desatenção 
➢ perde objetos, esquece tarefas, erra por 
descuido, não termina atividades, dificuldade 
de organização, parece “não ouvir” 
2) Hiperatividade 
➢ não para sentado, corre excessivamente, sobe 
em móveis, fala demais, inquietação motora 
3) Impulsividade 
➢ interrompe, responde antes da pergunta 
terminar, dificuldade de esperar, age sem 
prever consequência 
TEA: Transtorno do espectro autista 
O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento 
que afeta comunicação, interação social, flexibilidade 
comportamental e processamento sensorial 
Dois grandes domínios 
1) Déficits de comunicação/interação social 
➢ pouco contato visual 
➢ não aponta para mostrar 
➢ não compartilha interesse 
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25 
 
➢ dificuldade de reciprocidade 
➢ atraso de linguagem pragmática 
➢ pouca atenção compartilhada 
2) Padrões restritos e repetitivos 
➢ alinhar objetos 
➢ ecolalia 
➢ movimentos estereotipados 
➢ hipersensibilidade sensorial 
➢ apego rígido à rotina 
➢ interesses restritos 
A APS tem papel central no rastreio precoce. O MS 
recomenda vigilância em todas as consultas de 
puericultura e rastreio estruturado entre 16–30 
meses com M-CHAT 
 
Alerta de 0–12 meses 
➢ pouco sorriso social, não sustenta contato 
visual, não responde ao nome, pouco 
balbucio, não imita 
Alertas de 12–24 meses 
➢ não aponta, não fala palavras, não mostra 
objetos, não brinca de faz-de-conta, regressão 
da fala, brincadeira repetitiva 
Distúrbios de Aprendizagem 
São transtornos em habilidades acadêmicas 
específicas, com inteligência global preservada. 
Principais: 
Dislexia: Déficit em leitura, decodificação, fluência, 
compreensão fonológica 
Disgrafia: dificuldade motora da escrita, grafia 
ilegível, lentidão 
Discalculia: dificuldade com número, magnitude, 
cálculo, sequência lógica 
Diferença entre TDAH e distúrbios de aprendizagem 
TDAH: O problema principal é atenção + controle 
inibitório 
➢ A criança erra porque não sustenta foco, não 
revisa e não termina 
Distúrbio de aprendizagem: O problema é o 
processamento específico da habilidade 
➢ Ex: não consegue ler adequadamente mesmo 
atento, dificuldade persistente em cálculos 
apesar de ensino adequado 
Na prática podem coexistir 
Papel do Médico na APS 
ele é a porta de entrada, o coordenador do cuidado e 
o profissional da longitudinalidade 
Escuta qualificada 
A queixa costuma chegar como: 
➢ “não para quieto” 
➢ “não fala” 
➢ “não aprende” 
➢ “só vive no mundo dele” 
➢ “a escola reclamou” 
Toda consulta deve revisar: marcos do DNPM, 
linguagem, interação, comportamento, desempenho 
escolar, sono, rotina, telas, ambiente familiar 
Rastreio -> Ferramentas úteis: 
➢ Caderneta da criança 
➢ M-CHAT para TEA 
➢ SNAP-IV para TDAH 
➢ escalas escolares 
➢ observação em múltiplos contextos 
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26 
 
Inferência em epidemiologia 
Estudos Epidemiológicos 
Conceitos importantes 
➢ Variável independente é aquela que 
independe de um fator anterior, sendo 
considerada o fator de risco ou a possível 
causa da variável dependente 
➢ Variável dependente depende de um fator 
anterior, sendo considerada o desfecho ou a 
possível consequência da variável 
independente 
Ex: Estudo que avalia o surgimento de câncer de 
pulmão em pacientes tabagistas 
O estudo quer avaliar se a presença do tabagismo 
influencia o risco de desenvolvimento de câncer de 
pulmão. O câncer de pulmão é a variável que depende 
da presença do tabagismo para existir 
Tabagismo será nossa variável independente, 
enquanto o câncer será a variável dependente, a 
consequência, o desfecho, aquela que depende da 
presença da outra variável estudada para existir 
 
Características dos estudos epidemiológicos 
Objetivo do estudo: Descritivo X Analítico 
Descritivo 
São aqueles que simplesmente descrevem uma 
realidade, a prevalência ou evolução de uma 
determina situação (doença, agravo...) 
➢ Relato de caso -> descrição de um caso de um 
paciente 
➢ Série de casos -> descrição de casos de 
pacientes 
Estudos descritivos apenas geram hipóteses 
Analítico 
➢ Não se limita a descrever o ocorrido, existe 
análise do processo saúde e doença em que 
são feitas associações entre variáveis 
Ex: Se observamos pacientes expostos e não expostos 
a determinado fator de risco e analisamos o 
surgimento de uma doença (coorte), ou se tratamos 
um grupo com determinado medicamento e outro 
grupo com placebo para ver se o medicamento tem 
algum resultado no desfecho da doença (ensaio 
clínico) 
Dica importante: se há associação entre grupos ou se 
tem alguma medida de associação descrita (RR, ódios 
ratio, NNT) provavelmente é estudo analítico 
Eles testam hipóteses 
Distinção de indivíduos: Agregado X Individual 
Agregado -> Avaliamos grupos ou populações, é 
impossível distinguir indivíduos 
➢ Estudo ecológico é um tipo de estudo 
agregado 
Individuado -> Cada indivíduo é importante como 
objeto de estudo, ex: se um paciente desenvolver 
câncer de pulmão, temos como saber se ele era 
fumante ou não 
Análise temporal: Transversal X Longitudinal 
Transversal -> São simplesmente fotografias, não há 
nenhuma análise de temporalidade, sabemos apenas 
dados do presente naquele momento 
➢ Estudos transversais não podem estabelecer 
causalidade 
Longitudinais -> Há informações dos pacientes 
referentes a mais de um momento 
➢ Iniciar com pacientes do presente e ver como 
eles se comportarão no futuro (coorte e 
ensaio clínico -> estudo prospectivo) 
Ou 
 Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 
27 
 
➢ Avaliar o histórico médio pregresso 
realizando uma análise temporal voltada ao 
passado (caso controle ou coorte histórica -> 
estudo retrospectivo) 
Prospectivo: risco -> desfecho 
➢ O que define um estudo prospectivo é o fato 
de ele começar com a exposição e avaliar o 
surgimento do desfecho 
➢ Exemplo -> estudo que seleciona pacientes 
tabagistas (exposição é o cigarro) e avalia o 
surgimento de câncer de pulmão 
(consequência/desfecho) 
➢ Divide-se a amostra entre expostos e não 
expostos 
Retrospectivo: desfecho -> risco 
➢ pacientes que já têm a doença, ou o desfecho 
➢ Procuramos em pacientes que já 
desenvolveram o câncer de pulmão se há 
registrosde tabagismo no passado 
➢ Partimos do desfecho e avaliamos a presença 
prévia do fator de risco 
➢ Dividimos a amostra entre doentes e não 
doentes (ou qualquer que seja o desfecho), e 
não entre expostos e não expostos 
Papel do pesquisador: Observacional X Intervenção 
Observacional -> Pesquisador não realiza nenhum 
tipo de intervenção (Apenas se observam os 
indivíduos ou populações, sem realizar intervenção 
neles) 
Intervenção -> Realizam intervenções nos indivíduos 
ou populações (Se o pesquisador está dando algum 
medicamento ou realizando algum tipo de 
intervenção nos indivíduos) 
➢ Exemplo -> ensaio clínico 
Estudos Epidemiológicos 
Estudos Ecológicos 
São agregados, observacionais e transversais 
fato de ser um estudo agregado é o mais importante 
Ele enxerga populações ou grupos inteiros sem 
distinção de indivíduos 
Razão de prevalência 
É uma medida de associação utilizada nos estudos 
transversais 
A RP compara a prevalência de um desfecho entre 
expostos e não expostos 
Ou seja, responde a frequência atual do desfecho é 
maior em quem está exposto? 
Ela é a melhor medida quando o estudo é uma 
fotografia do momento, ou seja, estudo transversal 
Na tabela 2x2: 
 Com doença Sem doença Total 
Expostos a b a+b 
Não expostos c d c+d 
 
 
 
matematicamente ela parece o RR, mas a 
interpretação é diferente 
➢ RR = risco futuro 
➢ RP = prevalência atual 
Imagine um estudo transversal com 200 crianças 
Sedentárias 
100 crianças 
40 obesas 
Ativas 
100 crianças 
20 obesas 
prevalência entre expostas 
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28 
 
 
Prevalência entre não expostas 
 
Passo 3: Razão de prevalência 
 
crianças sedentárias têm 2 vezes a prevalência de 
obesidade em relação às ativas 
RP = 1: Sem associação (prevalência é igual nos 
grupos) 
RP > 1: Fator associado ao aumento do desfecho 
Ex: RP=3 → prevalência 3x maior 
RP 1: Fator de risco 
RR risco futuro 
➢ RP: fala de prevalência -> frequência atual 
Estudos de Caso - Controle 
São analíticos, individuais, longitudinais, 
observacionais e retrospectivos 
Importante é lembrar que são estudos retrospectivos 
No caso-controle, separamos os pacientes em dois 
grupos distintos: um com a doença e um sem a 
doença. Olhamos para o passado desses pacientes 
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30 
 
 
 
Odds-Ratio 
Medida de associação do estudo de caso-controle é o 
odds-ratio, razão de chances ou razão de 
possibilidades 
Conceito por trás do odds-ratio é semelhante ao do 
RR: ele informa quantas vezes a mais – ou a menos – 
um evento ocorre em um grupo em relação a outro 
 
Antes do OR, você precisa dominar odds = chance 
A fórmula da odds é: 
odds =
𝑝
1 − 𝑝
 
 
Exemplo: se a probabilidade de obesidade é 20% 
𝑝 = 0,2 
odds =
0,2
0,8
= 𝟎, 𝟐𝟓 
 
Ou seja: para cada 1 criança obesa, 4 não são obesas 
Probabilidade! 
Fórmula: 
 
Caso (com 
doença) 
Controle (sem 
doença) 
Expostos a b 
Não 
expostos 
c d 
 
 
 
 
Exposição: atividade física 
Desfecho: obesidade 
Crianças ativas 
➢ 20 obesas 
 Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 
31 
 
➢ 80 não obesas 
Sedentárias 
➢ 40 obesas 
➢ 60 não obesas 
 
OR=0,375 
crianças fisicamente ativas têm 0,375 vezes a chance 
de obesidade em relação às sedentárias 
Como fica mais intuitivo: 1-0,375=0,625 
redução de 62,5% na chance (odds) de obesidade 
atividade física = fator protetor 
Interpretação 
➢ OR = 1: Sem associação 
➢ OR > 1: Maior chance do desfecho 
➢ ORRR (risco relativo) 
➢ RRR (redução relativa do risco) 
Absolutas 
➢ RRA (redução absoluta do risco) 
➢ NNT (número necessário para tratar 
Redução Relativa do risco (RRR) 
RRR=1-RR 
Redução absoluta do risco (RRA) 
RRA: Risco no grupo controle – Risco no grupo 
tratado/intervenção 
Número necessário para tratar (NNT) 
 Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 
32 
 
 
Interpretação 
Ex: preciso tratar 10 pacientes para evitar 1 AVC

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