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Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 1 PMSUS Situação da infância e adolescência no Brasil e Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), instituído pela Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, que regulamenta os direitos de crianças e adolescentes no Brasil Ele representa uma mudança de paradigma na forma como o Estado e a sociedade enxergam a infância e a juventude Contexto histórico Antes do ECA, vigorava o chamado Código de Menores (1979). Esse código tinha uma visão assistencialista e punitiva, voltada apenas para o menor em situação irregular (abandono ou ato infracional) Com a Constituição Federal de 1988, surge o artigo 227, que estabelece que: Crianças e adolescentes são sujeitos de direitos e devem receber proteção integral O ECA nasce para regulamentar esse artigo constitucional O princípio central é a Doutrina da Proteção Integral A criança e o adolescente passam a ser considerados: ➢ Sujeitos de direitos ➢ Pessoas em condição peculiar de desenvolvimento ➢ Destinatários de prioridade absoluta prioridade absoluta significa que: ➢ Devem ter preferência em políticas públicas ➢ Têm atendimento prioritário em serviços ➢ Recebem proteção especial do Estado, família e sociedade O ECA define: ➢ Criança: até 12 anos incompletos ➢ Adolescente: de 12 a 18 anos Em alguns casos, o Estatuto pode se aplicar até os 21 anos (ex em medidas socioeducativas) Direitos fundamentais garantidos pelo ECA Direito à vida e à saúde ➢ Atendimento pré-natal ➢ Vacinação ➢ SUS obrigatório ➢ Proteção contra negligência Direito à liberdade, respeito e dignidade ➢ Liberdade de opinião ➢ Respeito à integridade física e moral ➢ Proibição de tratamento cruel ou degradante Direito à convivência familiar e comunitária Criança deve crescer no seio da família Se isso não for possível: Guarda, tutela ou adoção A institucionalização (abrigo) é medida excepcional e temporária Direito à educação, cultura, esporte e lazer ➢ Ensino obrigatório e gratuito ➢ Igualdade de acesso ➢ Direito de contestar critérios avaliativos ➢ Participação na vida escolar Direito à profissionalização e proteção no trabalho ➢ Proibição de trabalho antes dos 16 anos ➢ Permitido a partir dos 14 anos apenas como aprendi O artigo 4º do ECA estabelece que é dever: Da família, Estado e da sociedade Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 2 Garantir os direitos da criança e do adolescente Medidas de proteção, usadas quando os direitos são ameaçados Se a criança estiver em situação de risco (abandono, maus-tratos, negligência), podem ser aplicadas medidas como: ➢ Orientação aos pais ➢ Inclusão em programas sociais ➢ Acolhimento institucional ➢ Colocação em família substituta O conselho tutelar aplica essas medidas Ato infracional, que é quando o adolescente comete crime ➢ Criança (menos de 12 anos) não responde por ato infracional — recebe medida de proteção ➢ Adolescente (12–18 anos) pode receber medidas socioeducativas, como: Advertência, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade, internação Objetivo não é punição pura, mas ressocialização Conselho Tutelar é um Órgão permanente e autônomo que: Zela pelo cumprimento dos direitos, aplica medidas de proteção e atua em casos de violação Ele não julga nem prende, ele atua na proteção Artigos do ECA Artigos 1º a 6º – Princípios Fundamentais Os artigos iniciais do ECA estabelecem a base principiológica da proteção à criança e ao adolescente no Brasil Doutrina da Proteção Integral (Art. 1º): Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente A criança e o adolescente são reconhecidos como sujeitos de direitos, e não como objetos de intervenção do Estado Conceito de criança e adolescente (Art. 2º): Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade ➢ Criança: até 12 anos incompletos ➢ Adolescente: entre 12 e 18 anos ➢ Casos expressos em leis, aplica-se entre 18 e 21 anos de idade Direitos fundamentais assegurados (Art. 3º): A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade Garantia de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, com proteção especial devido à condição peculiar de desenvolvimento Prioridade Absoluta (Art. 4º): É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária. É dever da: Família, comunidade, sociedade e poder Público, assegurar com prioridade absoluta: vida, saúde, educação, dignidade e convivência familiar Isso significa preferência na formulação de políticas públicas e atendimento Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 3 Princípio da não discriminação (Art. 5º): Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais Nenhuma criança ou adolescente pode sofrer negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão Interpretação teleológica (Art. 6º): Na interpretação desta Lei levar-se-ão em conta os fins sociais a que ela se dirige, as exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento A aplicação do ECA deve considerar: ➢ Os fins sociais, o bem comum e a condição peculiar de desenvolvimento Esses artigos estruturam o ECA como um instrumento de proteção integral e prioridade absoluta Artigos 7º a 9º – Direito à Vida, Saúde e Nascimento Seguro Esses artigos reforçam que o direito à vida começa antes mesmo do nascimento Direito à vida e à saúde (Art. 7º): A criança e o adolescente têm direito a proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência A criança e o adolescente têm direito à proteção à vida e à saúde mediante políticas públicas que permitam: ➢ Desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social Atendimento pré e perinatal (Art. 8º): É assegurado a todas as mulheres o acesso aos programas e às políticas de saúde da mulher e de planejamento reprodutivo e, às gestantes, nutrição adequada, atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério e atendimento pré-natal, perinatal e pós natal integral no âmbito do Sistema Único de Saúde (Redação dada pela Lei nº 13.257, de 2016) ➢ Assistência à gestante pelo SUS ➢ Atendimento humanizado ➢ Direito ao acompanhante no parto ➢ Orientação sobre aleitamento maternos Condições adequadas ao nascimento (Art. 9º): O poder público, as instituições e os empregadores propiciarão condições adequadas ao aleitamento materno, inclusive aos filhos de mães submetidas a medida privativa de liberdade. O poder público deve garantir condiçõesdignas ao nascimento, promovendo políticas de apoio à gestante O ECA entende que a proteção começa no período gestacional, assegurando nascimento seguro e digno Artigos 10º a 14º – Direito à Saúde e Medidas Protetivas Esses dispositivos detalham obrigações dos serviços de saúde Responsabilidades dos hospitais (Art. 10º) ➢ Registro de nascimento obrigatório ➢ Identificação do recém-nascido ➢ Manutenção de prontuários ➢ Comunicação de suspeitas de maus-tratos Comunicação obrigatória (Art. 13º): Os casos de suspeita ou confirmação de castigo físico, de tratamento cruel ou degradante e de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providências legais. Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 4 Casos de: Maus-tratos, violência e abusos, devem ser comunicados ao Conselho Tutelar Vacinação obrigatória (Art. 14º): O Sistema Único de Saúde promoverá programas de assistência médica e odontológica para a prevenção das enfermidades que ordinariamente afetam a população infantil, e campanhas de educação sanitária para pais, educadores e alunos ➢ É obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias Capítulo IV – Direito à Educação, Cultura, Esporte e Lazer O ECA reconhece a educação como instrumento de desenvolvimento pleno e cidadania Finalidade da educação Visa: Pleno desenvolvimento da pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho Garantias asseguradas: Ensino obrigatório e gratuito, igualdade de condições para acesso e permanência, direito de contestar critérios avaliativos, participação dos pais na vida escolar Cultura, esporte e lazer: São reconhecidos como direitos fundamentais, pois contribuem para o desenvolvimento físico e psicológico Cenário da Infância e Adolescência no Brasil (2024) Principais indicadores da infância e adolescência: ODS 1 ➙ Erradicação da pobreza, que consiste em acabar com a pobreza em todas suas formas, em todos os lugares (Renda) ODS 2 ➙ Fome zero e agricultura sustentável, acabar com a fome e alcançar a segurança alimentar e a melhoria da nutrição, e promover a agricultura sustentável (Nutrição) As regiões do Brasil mais afetadas com esse problema é a Região Norte, Nordeste e Sudeste Não são todos os estabelecimentos públicos de educação básica que oferecem alimentos aos alunos Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 5 ODS 3 ➙ Saúde e bem-estar, assegurar uma vida saudável e promover bem-estar para todos, em todas as idades Aqui como meta, eles querem até 2030, enfrentar as mortes evitáveis de recém-nascidos e crianças menores de 5 anos de idade ➙ reduzir a mortalidade neonatal (no máximo 5 para 1000 nascidos vivos) e com até 5 anos (no máximo 8 para 1000 nascidos vivos) Como outra meta, querem até 2030 reduzir a razão de mortalidade materna para no máximo 30 para cada 100 mil nascidos vivos Até 2030, assegurar o acesso universal aos serviços e insumos de saúde sexual e reprodutiva, incluindo o planejamento reprodutivo, a informação e educação ➙ Evitar gravidez na adolescência ODS 4 ➙ Educação de qualidade, assegurar a educação inclusive e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos (Educação infantil, fundamental e médio) Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 6 Meta: Até 2030, assegurar todas as meninas e meninos o desenvolvimento integral e acesso à educação infantil de qualidade A taxa de abandono é maior no ensino médio ODS 5 ➙ Igualdade de Gênero, alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas Meta: Eliminar todas as formas de violência de gênero nas esferas públicas e privada (violência sexual, tráfico de pessoas, homicídios) ODS 6 ➙ Água potável e saneamento, assegurar a disponibilidade e o manejo sustentável da água e do saneamento para todos Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 7 ODS 8 ➙ Trabalho decente e crescimento econômico, promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo, e trabalho decente para todos Até 2025! Erradicar o trabalho em condições análogas às de escravos, o tráfico de pessoas e o trabalho infantil ODS 10 ➙ Redução das desigualdades, reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles ODS 11 ➙ Cidades e comunidades sustentáveis, tornas as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis ➢ Garantir acesso a todos à moradia digna, adequada e preço acessível (até 2030) ODS 16 ➙ Paz, justiça e instituições eficazes, promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à Justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis Declaração universal dos direitos da criança Aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 20 de novembro de 1959 Todas as crianças têm direito: Em 12 de outubro de 1990, entrou em vigor o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), marco histórico na garantia dos direitos da criança e do adolescente no Brasil Principais Indicadores de Saúde Indicadores da infância Taxa de mortalidade infantil Óbitos menores de 1 ano / nascidos vivos × 1000 Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 8 É um dos melhores indicadores de qualidade do pré- natal, assistência ao parto, condições socioeconômicas, saneamento, cobertura vacinal Mortalidade na infância (Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 9 Eixos: ➢ atenção humanizada ao parto ➢ aleitamento materno ➢ crescimento e desenvolvimento ➢ prevenção de violências ➢ atenção à criança com deficiência ➢ vigilância do óbito infantil Na adolescência: PNAISAJ (Política Nacional de Atenção Integral à Saúde de Adolescentes e Jovens) Política voltada a: ➢ saúde sexual e reprodutiva ➢ prevenção de ISTs ➢ saúde mental ➢ prevenção do uso de drogas ➢ cultura de paz ➢ prevenção de violências Principal sistema para nascidos vivos: SINASC Principal órgão de proteção imediata: Conselho Tutelar. Direito central do ECA: Proteção integral com prioridade absoluta Suspeita de violência exige o quê: Notificação compulsória e acionamento da rede Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC) e Atenção à saúde da criança na Rede Alyne A PNAISC é uma política pública nacional de saúde instituída pela Portaria nº 1.130, de 5 de agosto de 2015, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Seu objetivo central é promover e proteger a saúde da criança inclusive o aleitamento materno, por meio de cuidados integrados e contínuos da gestação até os 9 anos de idade, com foco especial na primeira infância e na redução de vulnerabilidades sociais e de saúde Isso significa que ela não trata apenas de doenças, mas considera a criança em sua integralidade ->, ou seja, em seus aspectos biológicos, psicológicos, sociais, familiares e ambientais, além de articular serviços, programas e ações para atender às necessidades de saúde desse grupo populacional Princípios da PNAISC A PNAISC está orientada por princípios que refletem direitos constitucionais e diretrizes do SUS, tais como: ➢ Direito à vida e à saúde -> Reconhece a saúde como direito fundamental da criança e dever do Estado, conforme a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente ➢ Prioridade absoluta da criança -> A criança deve receber prioridade na formulação e execução de políticas públicas, na destinação de recursos e no acesso aos serviços ➢ Acesso universal à saúde ->Todas as crianças devem ter acesso aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), sem discriminação ➢ Integralidade do cuidado -> A atenção deve abranger promoção, prevenção, tratamento e reabilitação, considerando a criança de forma biopsicossocial ➢ Equidade em saúde -> Reconhece que crianças em situação de maior vulnerabilidade (social, econômica, biológica ou cultural) precisam de maior atenção e estratégias diferenciadas ➢ Ambiente facilitador à vida -> Promoção de condições que favoreçam o desenvolvimento Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 10 infantil saudável, incluindo ambiente familiar seguro, saneamento básico, alimentação adequada e proteção social ➢ Humanização da atenção -> Cuidado acolhedor, respeitoso, centrado na criança e na família, valorizando vínculo, escuta qualificada e dignidade ➢ Gestão participativa e controle social -> Envolve a participação da comunidade, profissionais e conselhos de saúde na formulação, implementação e avaliação das ações Diretrizes da PNAISC Diretrizes orientam a organização, planejamento e execução das ações voltadas à saúde da criança As diretrizes são o como fazer 1. Gestão interfederativa das ações de saúde da criança -> Refere-se à articulação entre: União, estados e municípios Como o SUS é descentralizado, a política só funciona se houver cooperação técnica, financeira e administrativa entre os entes federativos Ex: financiamento compartilhado de programas de atenção neonatal 2. Organização das ações e dos serviços na Rede de Atenção -> As ações devem estar organizadas em rede, garantindo: Atenção Primária (porta de entrada), média complexidade e alta complexidade -> Isso evita fragmentação do cuidado Exemplo: criança detectada com atraso no desenvolvimento na UBS → encaminhada para neuropediatria → retorno com plano compartilhado 3. Promoção da Saúde -> Vai além de tratar doenças. Envolve: Incentivo ao aleitamento maternos, alimentação saudável, vacinação, prevenção de acidentes e estímulo ao desenvolvimento infantil É uma abordagem preventiva e educativa 4. Fomento à autonomia do cuidado e corresponsabilidade da família -> A família é protagonista do cuidado A diretriz busca: Educação em saúde, Empoderamento familiar e Orientação sobre sinais de risco -> A ideia é sair do modelo paternalista e promover corresponsabilização 5. Qualificação da força de trabalho do SUS -> Capacitação contínua dos profissionais: ➢ Atualização científica ➢ Protocolos clínicos ➢ Humanização do cuidado ➢ Identificação precoce de agravos Sem profissionais capacitados, a política não se concretiza 6. Planejamento e desenvolvimento de ações -> As ações devem ser: Baseadas em diagnóstico situacional, adaptadas à realidade local e integradas ao Plano Municipal e Estadual de Saúde -> Ou seja, não é improvisado é planejamento estruturado 7. Incentivo à pesquisa e produção de conhecimento -> Estimula: Estudos epidemiológicos, Avaliação de políticas públicas e produção científica em saúde infantil Isso fortalece decisões baseadas em evidência 8. Monitoramento e avaliação -> Avaliação contínua por meio de: Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 11 Indicadores de mortalidade infantil, Cobertura vacinal, Aleitamento materno e Internações por causas evitáveis 9. Intersetorialidade -> A mais importante A saúde da criança não depende só do setor saúde, Envolve: Educação, Assistência social, Saneamento básico, Segurança alimentar e Direitos humanos Ex: criança com desnutrição → articulação com CRAS e programas de transferência de renda ➢ Princípios → valores éticos ➢ Diretrizes → como organizar e executar ➢ Eixos estratégicos → áreas práticas de atuação A política considera duas definições fundamentais: Criança: pessoa de 0 (zero) a 9 (nove) anos de idade Primeira infância: período de 0 (zero) a 5 (cinco) anos, etapa vital para o desenvolvimento físico, cerebral, emocional e social Eixos estratégicos da PNAISC A política é organizada em sete eixos estratégicos, que definem as áreas de ação essenciais: 1. Atenção humanizada e qualificada à gestação, parto, nascimento e recém-nascido – conexão entre pré-natal, parto, nascimento e cuidados neonatais com articulação da rede de atendimento 2. Aleitamento materno e alimentação complementar saudável – apoio ao aleitamento materno exclusivo e à alimentação adequada conforme as fases de desenvolvimento Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 12 As equipes da atenção básica devem estar capacitadas para acolher precocemente a gestante -> Garantindo orientação apropriada quanto aos benefícios da amamentação para mãe, criança, família e sociedade 3. Promoção e acompanhamento do crescimento e desenvolvimento integral – vigilância contínua para garantir que a criança atinja marcos de saúde e desenvolvimento 4. Atenção integral a crianças com agravos prevalentes e doenças crônicas – acompanhamento de condições de saúde que exigem cuidados prolongados Últimas décadas mudou-se o perfil de morbimortalidade da população brasileira -> Transição epidemiológica -> Redução das doenças infectocontagiosase aumento das doenças crônicas não transmissíveis e aumento dos casos de anomalias congênitas 5. Atenção integral a crianças em situação de violências, prevenção de acidentes e promoção da cultura de paz – proteção contra lesões, violência e situações de risco Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 13 6. Atenção à saúde de crianças com deficiência ou em situações específicas e de vulnerabilidade – identificação e suporte com foco em equidade 7. Vigilância e prevenção do óbito infantil, fetal e materno – monitoramento contínuo de indicadores e definição de ações para redução dos óbitos evitáveis Implementação e articulação com outras políticas A PNAISC não age isoladamente. Ela se conecta com outras iniciativas nacionais: ➢ Rede Cegonha que virou Rede Alyne — que qualifica o cuidado no ciclo gestante-bebê até os dois primeiros anos de vida ➢ Programas de vigilância de saúde infantil, vacinação e triagem neonatal ➢ Estratégias de atenção básica e redes temáticas do SUS Redes de Atenção à Saúde (RAS) e PNAISC As RAS são um modelo organizativo do SUS criado para superar a fragmentação do cuidado -> Elas funcionam como uma rede integrada de serviços, articulando: ➢ Atenção Primária à Saúde (APS) → porta de entrada ➢ Atenção Secundária → especialidades ➢ Atenção Terciária → alta complexidade ➢ Apoio diagnóstico e terapêutico ➢ Vigilância em saúde O objetivo é -> Garantir continuidade, integralidade e coordenação do cuidado A PNAISC não é uma rede -> Ela é uma política orientadora que determina como a rede deve cuidar da criança ➢ A RAS é a estrutura organizacional ➢ A PNAISC define como essa estrutura deve funcionar para garantir cuidado integral à criança Ela funciona como um eixo transversal dentro das redes A PNAISC exige que a criança seja acompanhada de forma contínua dentro da rede Exemplo: Gestação -> Pré-natal na Atenção Primária e encaminhamento para maternidade de referência (Rede Materno-Infantil) Nascimento -> Atenção neonatal, Testes de triagem, Classificação de risco Se houver intercorrência -> Encaminhamento para UTI neonatal (alta complexidade) Alta hospitalar -> Retorno programado à APS, Puericultura, Vigilância do desenvolvimento Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 14 A criança transita na rede -> A PNAISC garante que esse trânsito seja: Organizado, Protocolado e Sem ruptura do cuidado PNAISC e os Componentes das RAS A integração acontece em três níveis estruturantes: Coordenação pela Atenção Primária (APS) A APS é a porta de entrada preferencial do SUS e o nível responsável pelo cuidado longitudinal Na lógica da PNAISC: A criança deve ter acompanhamento contínuo desde o nascimento — e quem garante essa continuidade é a Atenção Primária APS é o gestor do cuidado da criança, significa que ela: ➢ Acompanha crescimento e desenvolvimento (puericultura) ➢ Mantém calendário vacinal atualizado ➢ Identifica sinais precoces de risco ➢ Coordena o cuidado nos outros níveis da rede ➢ Recebe a contrarreferência e continua o seguimento Ex: Criança de 1 ano com atraso na fala: 1. UBS identifica atraso na consulta de puericultura 2. Classifica risco ->Encaminha para neuropediatria -> Recebe devolutiva do especialista 3. Mantém acompanhamento do desenvolvimento Isso é coordenação de cuidado. Integração com Redes Temáticas -> As Redes de Atenção à Saúde são organizadas em redes temáticas, que estruturam áreas prioritárias A PNAISC atravessa essas redes, garantindo que a criança seja atendida em todas elas de forma integrada ➢ Rede Materno-Infantil Inclui pré-natal, parto, nascimento e atenção neonatal A PNAISC dialoga diretamente aqui porque: ➢ Redução da mortalidade infantil começa na gestação ➢ O cuidado neonatal precisa estar articulado com a APS Rede de Urgência e Emergência -> A criança com agravo agudo deve: ➢ Ser atendida rapidamente ➢ Ter acesso à referência hospitalar ➢ Retornar à APS após estabilização Sem integração, a criança interna repetidamente sem acompanhamento Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) ➢ Transtornos do neurodesenvolvimento ➢ Sofrimento psíquico infantil Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 15 ➢ Violência A APS identifica → encaminha ao CAPS infantil → mantém seguimento conjunto Rede de Atenção à Pessoa com Deficiência -> A PNAISC determina: ➢ Identificação precoce ➢ Encaminhamento para reabilitação ➢ Acompanhamento longitudinal Exemplo -> Paralisia cerebral → fisioterapia → fonoaudiologia → apoio familiar → seguimento na UBS Linha de Cuidado da Criança -> É a organização lógica e protocolada do percurso da criança dentro da rede Inclui: Fluxos assistenciais definidos, protocolos clínicos, critérios de encaminhamento, sistema de referência e contrarreferência e continuidade do acompanhamento sem linha de cuidado a rede se fragmenta: ➢ Encaminhamento sem retorno ➢ Especialista sem comunicação com APS ➢ Repetição de exames ➢ Internações evitáveis APS Coordena e acompanha longitudinalmente Redes temáticas Oferecem suporte especializado Linha de cuidado Organiza o fluxo entre os serviços Portaria GM/MS nº 5.350, de 12 de setembro de 2024 A Portaria GM/MS nº 5.350, de 12 de setembro de 2024 altera a Portaria de Consolidação GM/MS nº 3, de 28 de setembro de 2017, para incluir a Rede Alyne como uma das Redes Temáticas de Atenção à Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) ➢ A Rede Alyne é formalmente reconhecida como Rede Temática de Atenção à Saúde no SUS ➢ A portaria define que a Rede Alyne deve organizar a oferta de ações e serviços de atenção materna e infantil de forma contínua e integrada, considerando o planejamento regional e a capacidade de cada território ➢ A norma estabelece que a rede deve articular os pontos de atenção, sistemas de apoio, logísticos e de governança com o objetivo de promover cuidado integral e reduzir a mortalidade materna e infantil, com ênfase em populações vulneráveis, como negras e indígenas Em suma, a portaria institui e organiza formalmente a Rede Alyne como estrutura prioritária no SUS, estabelecendo seu papel essencial na atenção à saúde da mulher e da criança A Rede Alyne é a rede temática de atenção à saúde materna e infantil do SUS que substitui e amplia a antiga Rede Cegonha Ela tem objetivos estruturados em torno de: ➢ Cuidado integral para mulheres durante o ciclo reprodutivo (gestação, parto e pós- parto) ➢ Atenção à saúde da criança, desde o nascimento até os primeiros anos de vida ➢ Redução da mortalidade materna e infantil, com foco especial na população negra e indígena ➢ Equidade no acesso ao cuidado, tratamento humanizado e asseguramento de direitos em saúde O nome Alyne é uma homenagem a Alyne Pimentel, mulher negra que morreu por desassistência Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 16 obstétrica, e cujo caso desencadeou uma condenação internacional por violação de direitos humanos Organização da Rede Alyne: seus seis componentes A portaria e os documentos de implementação estruturam a Rede Alyne em seis componentes principais: 1. Pré-natal 2. Parto e nascimento 3. Puerpério e atenção integral à saúde da criança 4. Sistema logístico 5. Sistema de apoio 6. Sistema de governança Pré-natal, parto e nascimento -> Organizamtodo o cuidado desde a captação da gestante, realização de consultas e exames, até garantia de atendimento qualificado no parto e nascimento Puerpério e saúde da criança -> Abrange o cuidado pós-parto para a mãe e o acompanhamento do bebê, incluindo crescimento e desenvolvimento, imunizações, aleitamento materno e ações preventivas Sistema logístico -> Garante que haja fluxo adequado de insumos, leitos, transporte inter-unidades e articulação entre serviços. Sistema de apoio -> Inclui informações, redes de referência e contrarreferência, apoio diagnóstico e terapêutico Sistema de governança -> Relaciona-se à coordenação, pactuação, monitoramento, avaliação e planejamento regional da rede atenção integral à saúde da criança de 0 a 2 anos na Rede Alyne – Puericultura e desenvolvimento neuropsicomotor A chegada da Criança à Família O profissional da saúde ao atender uma criança não pode vê-la como um ser isolado, mas como parte de seu contexto familiar, com características e funcionamento próprio ➢ Importante prestar atenção na relação que os membros familiares possuem com aquela criança Fatores determinantes da saúde mental de crianças referem-se, em sua maioria, a fatores familiares: ➢ história de doença mental materna ➢ níveis elevados de ansiedade materna ➢ perspectivas parentais limitadas ➢ interação limitada entre a criança e a mãe ➢ chefe de família sem ocupação qualificada ➢ baixa escolaridade materna ➢ famílias de grupos étnicos minoritários ➢ famílias monoparentais ➢ presença de eventos estressantes ➢ famílias com quatro ou mais filhos Visitar Domiciliar para a Família do Recém-nascido Instrumento importante para a troca de informações vinculadas às necessidades particulares de cada indivíduo, favorecendo atividades educativas e mais humanizadas ➢ Realizada pelo agente comunitário da saúde - >, porém toda equipe pode realizar, podendo a primeira consulta do RN e da puérpera ocorrer em domicílio pelo médico ou enfermeiro ➢ São recomendadas às famílias de gestantes e de crianças na primeira semana pós-parto e, posteriormente a esse período, a periodicidade deve ser pactuada com a família a partir das necessidades Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 17 evidenciadas e considerando-se os fatores de risco e de proteção Benefícios de visitas durante os períodos pré e pós- natal: ➢ Desenvolvimento da parentalidade ➢ Melhoria de alguns problemas de comportamento da criança (segundo os pais) ➢ Melhoria no desenvolvimento cognitivo de grupos específicos, tais como os prematuros e os recém-nascidos de baixo peso ➢ Redução de lesões não intencionais ➢ Melhoria na detecção e no manejo da depressão pós-parto ➢ Melhoria na prática da amamentação É fundamental que o profissional de saúde saiba identificar em todas as visitas domiciliares sinais de perigo à saúde da criança Sinais que indicam a necessidade de encaminhamento da criança ao serviço de referência com urgência ➢ Recusa alimentar (a criança não consegue beber ou mamar) ➢ Vômitos importantes (ela vomita tudo o que ingere) ➢ Convulsões ou apneia (a criança fica em torno de 20 segundos sem respirar) ➢ Frequência cardíaca abaixo de 100bpm ➢ Letargia ou inconsciência ➢ Respiração rápida (acima de 60mrm) ➢ Atividade reduzida (a criança movimenta-se menos do que o habitual) ➢ Febre (37,5ºC ou mais) ➢ Hipotermia (menos do que 35,5ºC) ➢ Tiragem subcostal ➢ Batimentos de asas do nariz ➢ Cianose generalizada ou palidez importante ➢ Icterícia visível abaixo do umbigo ou nas primeiras 24 horas de vida ➢ Gemidos ➢ Fontanela (moleira) abaulada ➢ Secreção purulenta do ouvido ➢ Umbigo hiperemiado (hiperemia estendida à pele da parede abdominal) e/ou com secreção purulenta ➢ Pústulas na pele (muitas e extensas) ➢ Irritabilidade ou dor à manipulação Para a criança com tosse ou dificuldade para respirar -> verificar se a frequência respiratória está intensificada -> Se a criança apresenta sibilos (chiado) ou estridor e se apresenta tiragem subcostal Para a criança com diarreia -> identificar sinais de gravidade de desidratação, como: letargia, inconsciência, inquietude, irritação, olhos fundos, sinal da prega presente ou se a criança não consegue mamar ou beber líquidos Objetivos da primeira visita domiciliar ao recém- nascido e à sua família: ➢ Observar as relações familiares ➢ Facilitar o acesso ao serviço de saúde ➢ Possibilitar ou fortalecer o vínculo das famílias com as equipes de saúde ➢ Escutar e oferecer suporte emocional nessa etapa de crise vital da família (nascimento de um filho) ➢ Estimular o desenvolvimento da parentalidade ➢ Orientar a família sobre os cuidados com o bebê ➢ Identificar sinais de depressão puerperal ➢ Promover o aleitamento materno exclusivo até o 6º mês de vida ➢ Prevenir lesões não intencionais ➢ Identificar sinais de perigo à saúde da criança A primeira Consulta do Recém-Nascido Primeira consulta do recém-nascido deverá ocorrer na sua primeira semana de vida -> momento propício para estimular/auxiliar a família nas dificuldades do aleitamento materno exclusivo, para orientar e realizar imunizações, para verificar a realização da triagem neonatal (teste do pezinho) e para estabelecer ou reforçar a rede de apoio à família Anamnese Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 18 Procura-se avaliar principalmente as condições do nascimento da criança: ➢ Tipo de parto ➢ Local do parto ➢ Peso ao nascer ➢ Idade gestacional ➢ Índice de Apgar ➢ Intercorrências clínicas na gestação, no parto, no período neonatal e nos tratamentos realizados) ➢ Antecedentes familiares (as condições de saúde dos pais e dos irmãos, o número de gestações anteriores, o número de irmãos) Exame Físico completo Exame físico completo deve ser realizado na primeira consulta de puericultura Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 19 Situações de vulnerabilidade ➢ Criança residente em área de risco ➢ Baixo peso ao nascer (inferior a 2.500g) ➢ Prematuridade (menos de 37 semanas gestacionais) ➢ Asfixia grave ou Apgar menor do que 7 no 5º minuto ➢ Internações/intercorrências ➢ Mãe com menos de 18 anos de idade ➢ Mãe com baixa escolaridade (menos de oito anos de estudo) ➢ História familiar de morte de criança com menos de 5 anos de idade Anamnese, Exame Físico e Aconselhamento Antecipado nas Consultas Subsequentes Sobre a caderneta de Saúde da Criança -> deve preencher em todas as consultas de puericultura e preferir usar termos não técnicos (que só são entendidas pelos profissionais de saúde) -> para que os familiares consigam ler e interagir Frequência de consultas por faixa etária Ministério da Saúde recomenda sete consultas de rotina no primeiro ano de vida (na 1ª semana, no 1º mês, 2º mês, 4º mês, 6º mês, 9º mês e 12º mês), além de duas consultas no 2º ano de vida (no 18º e no 24º mês) e, a partir do 2º ano de vida, consultas anuais, próximas ao mês do aniversário -> faixas etárias são selecionadas porque representam momentos de oferta de imunizações e de orientações de promoção de saúde e prevenção de doenças Crianças que necessitam de maior atenção -> devem ser vistas com mais frequência -> princípio da equidade Dados antropométricos -> Entre os 2 e os 10 anos de idade, deve-se aferir o peso e a altura e plotá-los no gráfico nas consultas realizadas Ausculta cardíaca Realização da ausculta cardíaca e da palpação de pulsos no mínimo três vezes no primeiro semestrede vida Monitorização do Crescimento Crescimento é um processo dinâmico e contínuo, caracterizado pelo aumento do tamanho corporal Influenciado por fatores intrínsecos (genéticos) e extrínsecos (ambientais), entre os quais se destacam: Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 20 ➢ Alimentação ➢ Saúde ➢ Higiene ➢ Habitação ➢ cuidados gerais com a criança Monitorização e Avaliação do Crescimento Melhor método de acompanhamento do crescimento infantil é o registro periódico do peso, da estatura e do IMC da criança na Caderneta de Saúde da Criança Importância da puericultura A puericultura é o acompanhamento periódico, sistemático e longitudinal da criança saudável, com foco em promoção da saúde, prevenção de agravos, vigilância do crescimento, vigilância do desenvolvimento, imunização, nutrição, vínculo familiar e detecção precoce de sinais de risco Na Rede Alyne, a puericultura é a principal ferramenta do componente: puerpério e atenção integral à saúde da criança até 24 meses 0–2 anos é tão importante porque corresponde à janela de maior: ➢ plasticidade cerebral ➢ mielinização ➢ formação sináptica ➢ aquisição de linguagem ➢ organização motora ➢ formação do apego Os primeiros 1000 dias são a fase mais crítica para o desenvolvimento físico, cognitivo e socioemocional Calendário de consultas de Puericultura segundo o Ministério da Saúde Primeira semana: 3º ao 5º dia de vida, idealmente até 7 dias Primeiro ano: 1 mês, 2 meses, 4 meses, 6 meses, 9 meses, 12 meses Segundo ano: 18 meses e 24 meses Terceiro ano: anual Caderneta da Criança A caderneta é o principal instrumento longitudinal de vigilância funciona como: ➢ prontuário portátil ➢ instrumento de educação em saúde ➢ vigilância epidemiológica individual ➢ comunicação entre maternidade, UBS e especialistas deve ser preenchido: Identificação Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 21 ➢ dados do RN ➢ tipo de parto ➢ Apgar ➢ peso, comprimento, PC ao nascer ➢ idade gestacional Triagens neonatais ➢ pezinho ➢ orelhinha ➢ olhinho ➢ coraçãozinho ➢ linguinha Crescimento ➢ peso ➢ comprimento/estatura ➢ perímetro cefálico ➢ IMC ➢ gráficos por idade Desenvolvimento ➢ marcos esperados ➢ interação social ➢ linguagem ➢ motricidade ➢ cognição Outros: vacinação, suplementação de ferro, vitamina A, saúde bucal e orientações familiares Desenvolvimento Neuropsicomotor A vigilância do DNPM deve ser feita em TODA consulta Avaliar 4 domínios: ➢ motor grosseiro ➢ motor fino ➢ linguagem ➢ social Marcos do DNPM (Principais) 1 mês ➢ fixa olhar ➢ reage ao som ➢ levanta discretamente a cabeça em prono 2 meses ➢ sorriso social ➢ vocaliza ➢ acompanha objetos 4 meses ➢ sustenta cabeça ➢ leva mãos à boca ➢ rola parcialmente 6 meses ➢ senta com apoio ➢ transfere objetos ➢ balbucia 9 meses ➢ senta sem apoio ➢ engatinha ➢ pinça inicial Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 22 ➢ estranha pessoas 12 meses ➢ anda com apoio ou sozinho ➢ pinça fina ➢ 1–3 palavras ➢ dá tchau 18 meses ➢ corre ➢ empilha cubos ➢ aponta partes do corpo ➢ 10–25 palavras 24 meses ➢ corre bem ➢ sobe escadas ➢ frases de 2 palavras ➢ brincadeira simbólica Alertas: ➢ não fixa olhar ➢ não sorri aos 2 meses ➢ não sustenta cabeça aos 4 meses ➢ não senta aos 9 meses ➢ não anda aos 18 meses ➢ não fala palavras aos 18 meses ➢ perda de habilidades ➢ assimetria motora ➢ preferência manual antes de 1 ano ➢ hipotonia ➢ hipertonia ➢ ausência de contato visual ➢ ausência de atenção compartilhada Perda de marcos = sinal vermelho absoluto: pensar TEA, paralisia cerebral, doenças neuromusculares, regressão neurológica Caso 1: Lactente 6 meses sem sustentar tronco → atraso motor grosseiro → investigar tônus, visão, audição, PC, prematuridade Caso 2: RN 5 dias com perda de 12%. (Normal é até 10% se for a termo), alerta para dificuldade de aleitamento Caso 3 18 meses sem palavras, atraso de linguagem audição + TEA + interação social + estimulação Principal instrumento da puericultura: Caderneta da criança. Principal idade da 1ª consulta: 3º–5º dia Domínios do DNPM: Motor, fino, linguagem e social. Maior sinal de alerta neurológico: Perda de marcos. Medida mais importante até 2 anos além do peso: Perímetro cefálico Transtornos nutricionais nutrição infantil sustenta crescimento linear, ganho ponderal, mielinização, imunidade, microbiota intestinal, neurodesenvolvimento, formação de hábitos alimentares e prevenção de DCNT na vida adulta Primeiros 6 meses Aleitamento materno exclusivo É a conduta padrão-ouro: ➢ até 6 meses exclusivo ➢ manter até 2 anos ou mais Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 23 Benefícios: reduz diarreia e pneumonia, reduz obesidade futura, reduz alergias, melhora microbiota, protege contra desnutrição, melhora cognição Leite materno reduz tanto desnutrição quanto obesidade futura Após 6 meses Introdução alimentar ➢ comida de verdade ➢ variedade ➢ consistência progressiva ➢ ferro-heme (carne) ➢ frutas ➢ legumes ➢ feijão ➢ ovos ➢ cereais Evitar: açúcar, ultraprocessados, sucos industrializados, refrigerantes, melalimentar: Não é imunológica, dificuldade em digerir certos alimentos, por deficiência enzimática (sintomas tendem a ser menos graves e podem demorar de aparecer) Exemplo: intolerância à lactose -> causa distensão, flatulência, diarreia osmótica, desconforto após lactose A amamentação previne desnutrição, obesidade, APLV, diarreia, constipação, anemia indireta (por menor infecção), morte súbita e alergias Distúrbios do desenvolvimento na infância São condições do neurodesenvolvimento que alteram a aquisição esperada de habilidades em um ou mais domínios: linguagem, atenção, cognição, interação social, comportamento, aprendizagem, motricidade e funções executivas principais são: ➢ TEA ➢ TDAH ➢ distúrbios específicos de aprendizagem ➢ transtorno do desenvolvimento da linguagem ➢ deficiência intelectual ➢ transtorno do desenvolvimento da coordenação Nem todo atraso é um transtorno. O diagnóstico depende de persistência, prejuízo funcional, contexto, exclusão de privação ambiental e análise do desenvolvimento global TDAH: Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por desatenção, hiperatividade e impulsividade desproporcionais para a idade, com prejuízo funcional Tríade clássica 1) Desatenção ➢ perde objetos, esquece tarefas, erra por descuido, não termina atividades, dificuldade de organização, parece “não ouvir” 2) Hiperatividade ➢ não para sentado, corre excessivamente, sobe em móveis, fala demais, inquietação motora 3) Impulsividade ➢ interrompe, responde antes da pergunta terminar, dificuldade de esperar, age sem prever consequência TEA: Transtorno do espectro autista O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta comunicação, interação social, flexibilidade comportamental e processamento sensorial Dois grandes domínios 1) Déficits de comunicação/interação social ➢ pouco contato visual ➢ não aponta para mostrar ➢ não compartilha interesse Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 25 ➢ dificuldade de reciprocidade ➢ atraso de linguagem pragmática ➢ pouca atenção compartilhada 2) Padrões restritos e repetitivos ➢ alinhar objetos ➢ ecolalia ➢ movimentos estereotipados ➢ hipersensibilidade sensorial ➢ apego rígido à rotina ➢ interesses restritos A APS tem papel central no rastreio precoce. O MS recomenda vigilância em todas as consultas de puericultura e rastreio estruturado entre 16–30 meses com M-CHAT Alerta de 0–12 meses ➢ pouco sorriso social, não sustenta contato visual, não responde ao nome, pouco balbucio, não imita Alertas de 12–24 meses ➢ não aponta, não fala palavras, não mostra objetos, não brinca de faz-de-conta, regressão da fala, brincadeira repetitiva Distúrbios de Aprendizagem São transtornos em habilidades acadêmicas específicas, com inteligência global preservada. Principais: Dislexia: Déficit em leitura, decodificação, fluência, compreensão fonológica Disgrafia: dificuldade motora da escrita, grafia ilegível, lentidão Discalculia: dificuldade com número, magnitude, cálculo, sequência lógica Diferença entre TDAH e distúrbios de aprendizagem TDAH: O problema principal é atenção + controle inibitório ➢ A criança erra porque não sustenta foco, não revisa e não termina Distúrbio de aprendizagem: O problema é o processamento específico da habilidade ➢ Ex: não consegue ler adequadamente mesmo atento, dificuldade persistente em cálculos apesar de ensino adequado Na prática podem coexistir Papel do Médico na APS ele é a porta de entrada, o coordenador do cuidado e o profissional da longitudinalidade Escuta qualificada A queixa costuma chegar como: ➢ “não para quieto” ➢ “não fala” ➢ “não aprende” ➢ “só vive no mundo dele” ➢ “a escola reclamou” Toda consulta deve revisar: marcos do DNPM, linguagem, interação, comportamento, desempenho escolar, sono, rotina, telas, ambiente familiar Rastreio -> Ferramentas úteis: ➢ Caderneta da criança ➢ M-CHAT para TEA ➢ SNAP-IV para TDAH ➢ escalas escolares ➢ observação em múltiplos contextos Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 26 Inferência em epidemiologia Estudos Epidemiológicos Conceitos importantes ➢ Variável independente é aquela que independe de um fator anterior, sendo considerada o fator de risco ou a possível causa da variável dependente ➢ Variável dependente depende de um fator anterior, sendo considerada o desfecho ou a possível consequência da variável independente Ex: Estudo que avalia o surgimento de câncer de pulmão em pacientes tabagistas O estudo quer avaliar se a presença do tabagismo influencia o risco de desenvolvimento de câncer de pulmão. O câncer de pulmão é a variável que depende da presença do tabagismo para existir Tabagismo será nossa variável independente, enquanto o câncer será a variável dependente, a consequência, o desfecho, aquela que depende da presença da outra variável estudada para existir Características dos estudos epidemiológicos Objetivo do estudo: Descritivo X Analítico Descritivo São aqueles que simplesmente descrevem uma realidade, a prevalência ou evolução de uma determina situação (doença, agravo...) ➢ Relato de caso -> descrição de um caso de um paciente ➢ Série de casos -> descrição de casos de pacientes Estudos descritivos apenas geram hipóteses Analítico ➢ Não se limita a descrever o ocorrido, existe análise do processo saúde e doença em que são feitas associações entre variáveis Ex: Se observamos pacientes expostos e não expostos a determinado fator de risco e analisamos o surgimento de uma doença (coorte), ou se tratamos um grupo com determinado medicamento e outro grupo com placebo para ver se o medicamento tem algum resultado no desfecho da doença (ensaio clínico) Dica importante: se há associação entre grupos ou se tem alguma medida de associação descrita (RR, ódios ratio, NNT) provavelmente é estudo analítico Eles testam hipóteses Distinção de indivíduos: Agregado X Individual Agregado -> Avaliamos grupos ou populações, é impossível distinguir indivíduos ➢ Estudo ecológico é um tipo de estudo agregado Individuado -> Cada indivíduo é importante como objeto de estudo, ex: se um paciente desenvolver câncer de pulmão, temos como saber se ele era fumante ou não Análise temporal: Transversal X Longitudinal Transversal -> São simplesmente fotografias, não há nenhuma análise de temporalidade, sabemos apenas dados do presente naquele momento ➢ Estudos transversais não podem estabelecer causalidade Longitudinais -> Há informações dos pacientes referentes a mais de um momento ➢ Iniciar com pacientes do presente e ver como eles se comportarão no futuro (coorte e ensaio clínico -> estudo prospectivo) Ou Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 27 ➢ Avaliar o histórico médio pregresso realizando uma análise temporal voltada ao passado (caso controle ou coorte histórica -> estudo retrospectivo) Prospectivo: risco -> desfecho ➢ O que define um estudo prospectivo é o fato de ele começar com a exposição e avaliar o surgimento do desfecho ➢ Exemplo -> estudo que seleciona pacientes tabagistas (exposição é o cigarro) e avalia o surgimento de câncer de pulmão (consequência/desfecho) ➢ Divide-se a amostra entre expostos e não expostos Retrospectivo: desfecho -> risco ➢ pacientes que já têm a doença, ou o desfecho ➢ Procuramos em pacientes que já desenvolveram o câncer de pulmão se há registrosde tabagismo no passado ➢ Partimos do desfecho e avaliamos a presença prévia do fator de risco ➢ Dividimos a amostra entre doentes e não doentes (ou qualquer que seja o desfecho), e não entre expostos e não expostos Papel do pesquisador: Observacional X Intervenção Observacional -> Pesquisador não realiza nenhum tipo de intervenção (Apenas se observam os indivíduos ou populações, sem realizar intervenção neles) Intervenção -> Realizam intervenções nos indivíduos ou populações (Se o pesquisador está dando algum medicamento ou realizando algum tipo de intervenção nos indivíduos) ➢ Exemplo -> ensaio clínico Estudos Epidemiológicos Estudos Ecológicos São agregados, observacionais e transversais fato de ser um estudo agregado é o mais importante Ele enxerga populações ou grupos inteiros sem distinção de indivíduos Razão de prevalência É uma medida de associação utilizada nos estudos transversais A RP compara a prevalência de um desfecho entre expostos e não expostos Ou seja, responde a frequência atual do desfecho é maior em quem está exposto? Ela é a melhor medida quando o estudo é uma fotografia do momento, ou seja, estudo transversal Na tabela 2x2: Com doença Sem doença Total Expostos a b a+b Não expostos c d c+d matematicamente ela parece o RR, mas a interpretação é diferente ➢ RR = risco futuro ➢ RP = prevalência atual Imagine um estudo transversal com 200 crianças Sedentárias 100 crianças 40 obesas Ativas 100 crianças 20 obesas prevalência entre expostas Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 28 Prevalência entre não expostas Passo 3: Razão de prevalência crianças sedentárias têm 2 vezes a prevalência de obesidade em relação às ativas RP = 1: Sem associação (prevalência é igual nos grupos) RP > 1: Fator associado ao aumento do desfecho Ex: RP=3 → prevalência 3x maior RP 1: Fator de risco RR risco futuro ➢ RP: fala de prevalência -> frequência atual Estudos de Caso - Controle São analíticos, individuais, longitudinais, observacionais e retrospectivos Importante é lembrar que são estudos retrospectivos No caso-controle, separamos os pacientes em dois grupos distintos: um com a doença e um sem a doença. Olhamos para o passado desses pacientes Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 30 Odds-Ratio Medida de associação do estudo de caso-controle é o odds-ratio, razão de chances ou razão de possibilidades Conceito por trás do odds-ratio é semelhante ao do RR: ele informa quantas vezes a mais – ou a menos – um evento ocorre em um grupo em relação a outro Antes do OR, você precisa dominar odds = chance A fórmula da odds é: odds = 𝑝 1 − 𝑝 Exemplo: se a probabilidade de obesidade é 20% 𝑝 = 0,2 odds = 0,2 0,8 = 𝟎, 𝟐𝟓 Ou seja: para cada 1 criança obesa, 4 não são obesas Probabilidade! Fórmula: Caso (com doença) Controle (sem doença) Expostos a b Não expostos c d Exposição: atividade física Desfecho: obesidade Crianças ativas ➢ 20 obesas Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 31 ➢ 80 não obesas Sedentárias ➢ 40 obesas ➢ 60 não obesas OR=0,375 crianças fisicamente ativas têm 0,375 vezes a chance de obesidade em relação às sedentárias Como fica mais intuitivo: 1-0,375=0,625 redução de 62,5% na chance (odds) de obesidade atividade física = fator protetor Interpretação ➢ OR = 1: Sem associação ➢ OR > 1: Maior chance do desfecho ➢ ORRR (risco relativo) ➢ RRR (redução relativa do risco) Absolutas ➢ RRA (redução absoluta do risco) ➢ NNT (número necessário para tratar Redução Relativa do risco (RRR) RRR=1-RR Redução absoluta do risco (RRA) RRA: Risco no grupo controle – Risco no grupo tratado/intervenção Número necessário para tratar (NNT) Mariana Jaques – 3 Fase Medicina (2026.1) – PMSUS D1 32 Interpretação Ex: preciso tratar 10 pacientes para evitar 1 AVC