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G. Oliveira

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2 
 
 
Possui graduação em Engenharia Civil 
pela Universidade Federal de Mato Grosso 
do Sul (1993), mestrado em Educação 
pela Universidade Federal de Mato Grosso 
do Sul (2006) e doutorado em Educação 
pela Universidade Federal de Mato Grosso 
do Sul (2011). 
 
Atualmente, é professor EBTT do 
Instituto Federal de Educação, Ciência e 
Tecnologia de Mato Grosso do Sul, 
desempenhando a função de diretor-geral 
do Campus Campo Grande. 
 
Dejahyr Lopes 
Junior 
Gustavo Medina 
Araujo 
 
Possui graduação em História pela 
Universidade Federal de Mato Grosso do 
Sul (2010), Especialização em Novas 
Tecnologias na Educação (Esab). 
Mestrando do programa de pós-
graduação em Educação Profissional e 
Tecnológica (ProfEPT). 
 
Atualmente, é Assistente de Aluno do 
Instituto Federal de Educação, Ciência e 
Tecnologia de Mato Grosso do Sul, 
Campus de Aquidauana. 
 
http://lattes.cnpq.br/5340640937462535
http://lattes.cnpq.br/6904548896539871
 
3 
LO CURSO LIVRE IFMS 
Olá, cursista! 
Seja bem-vindo(a) ao Módulo 1 - Introdu ao E 
É um prazer ter você conosco! 
Esta seção de apresentação traz informações importantes para que você possa 
iniciar, com tranquilidade, seus estudos. 
Vamos a elas! 
ORIENTAÇÕES GERAIS 
Este módulo foi desenvolvido para ser ofertado sem tutoria e tem como 
objetivo oferecer conhecimentos sobre o Transtorno do Espectro Autista. 
O estudo está dividido em três capítulos: Introdução ao TEA; Mas afinal, o 
que é TEA?; e Etiologia, Terapias e Mitos. 
Ao final do Módulo 1, apresentamos um resumo dos capítulos, em seguida, 
elaboramos um questionário de fixação para reflexão e aplicação do seu 
conhecimento adquirido. 
 
Em caso de dúvida, nosso contato é pelo e-mail cursoslivres@ifms.edu.br 
Agora você já pode começar seus estudos! 
É uma imensa satisfação ter você como cursista! 
Bons estudos! 
 
4 
 
 
1. Capítulo 1 – Introdução ao TEA ......................................................06 
2. Capítulo 2 - Mas afinal, o que é TEA?..............................................10 
3. Capítulo 3 - Etiologia, Terapias e Mitos ..........................................19 
4. Síntese do módulo .........................................................................22 
5. Exercício de Fixação do conteúdo ...................................................23 
6. Referência .....................................................................................25 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
5 
 
 
 
 CAPÍTULO 1 
 
6 
CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO AO TEA 
 
Este capítulo tem como objetivo apresentar o processo de categorização 
do diagnóstico do Transtorno do Espectro Autismo (TEA), além disso, 
demostrar, por meio de referências bibliográficas, que o TEA está presente há 
muito tempo, desmistificando conceitos de que o autismo é uma condição 
contemporânea, por exemplo, causada pela alimentação ou modo de vida da 
sociedade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ficou sem entender nada? Bom, esses personagens foram a 
maneira que encontrei para conhecer melhor meu filho, que foi 
diagnosticado com autismo. O Lorde DHAAREDYHWGGHW e o 
Jhonky irão acompanhá-lo no delinear do curso. Este módulo 
possui textos e vídeos embasados em livros e artigos, revisados 
com muito critério científico para proporcionar um conhecimento 
verídico e atual sobre a temática. Vamos começar nossa aventura? 
 
Figura 1 - Personagem Jhonky 
Fonte: Elaborado pelo autor- software makehuman-community 
 
7 
 
 Você sabia? Podemos perceber que o autismo se tornou 
uma temática muito abordada pelas pessoas ao redor do mundo, 
apesar de o assunto ser atual, há registro de pessoas com autismo 
em uma época que não havia diagnóstico, há mais de 300 anos! 
Vamos viajar nessa história? 
 Pois bem, é interessante saber, antes de “embarcar nesta 
viagem”, sobre o termo “autismo”, essa palavra vem sendo usada há quase 
100 anos, incorporada à raiz “autos”, que significa “eu”, fazendo uma 
associação ao isolamento social como a principal manifestação do distúrbio 
(GROGAN, 2015 apud FISCHER, 2019). Esse termo é oficialmente usado como 
preferência em favor do Transtorno Espectro Autista (TEA), que é um conjunto 
de sintomas que afeta a área da socialização, comunicação e comportamento 
(TEIXEIRA, 2018). 
Agora sim! Podemos discorrer sobre a 
história das pessoas com TEA, começamos no 
início do séc. XVIII, com o nobre Escocês Hugh 
Blair de Borgue. Apesar de toda sua 
dificuldade em interação social, o nobre foi 
inserido em um casamento arranjado pela mãe 
por motivos de herança. Naquela época, as leis 
na Escócia sobre a herança favoreciam ao 
descendente casado e mais velho, assim 
sendo, Hugh foi beneficiado com o casamento. 
Mas, seu irmão mais novo reivindicou a 
herança alegando que Hugh Blair era incapaz 
de escolher se casar. Neste julgamento, é 
descrito o comportamento de Hugh por 29 
testemunhas, podemos exemplificar: Olhar 
demasiado fixo, falta de tato e repetição de 
frases de modo persistente. Quando Blair 
recebia uma pergunta, ao invés de responder, ele as repetia, mostrando 
dificuldade em entender o que desejavam dele. Algo que chamou a atenção 
das testemunhas no julgamento, foi que Hugh tinha interesses restritos, como 
em funerais, não importava quem morria, ele sempre estava lá observando o 
enterro em sua região. O resultado do julgamento foi a anulação do casamento 
do nobre Escocês Hugh Blair de Borgue. 
 O documento dessa história foi levantado pelo historiador Rab 
Houston e trabalhado pela psicóloga Uta Frith, uma das mais renomadas 
profissionais sobre autismo, concluindo que Hugh Blair de Borgue era uma 
pessoa com autismo (LACERDA, 2017). 
Figura 2 
Fonte: Peopl
e illustrations by Storyset. 
Figura 3 - Casamento Hugh 
Fonte: imagem 
do canva.com 
 
8 
 
 Com avanço dos estudos sobre TEA, essas e outras histórias 
tornaram-se possíveis para os especialistas pressuporem a presença de 
autismo nessas pessoas, visto que, na época, eram tratadas como deficientes 
intelectuais profundos. 
Mas, a pergunta que não quer calar: quando o autismo foi 
identificado como uma condição específica? Ou seja, quem 
descobriu o autismo? 
Os primeiros estudos científicos que reconheceram a específica 
condição do autismo foram descritos pelo médico psiquiatra infantil Leo 
Kanner, em 1943, com sua observação comportamental de 11 crianças, 
publicando o artigo - Distúrbios autísticos do contato afetivo, onde relata três 
características em comum destes indivíduos: linguagem verbal marcada por 
ecolalia, estereotipia e inversão pronominal. A psiquiatra Lorna Wing 
contribuiu com seus estudos na observação de três características: prejuízo 
na socialização (dificuldade de entender emoções e pensamentos dos outros), 
linguagem e comportamento repetitivos ou estereotipados (movimento de 
balançar as mãos e o tronco para frente e para trás). Já o médico Hans 
Asperger, contribuiu com o estudo denominado síndrome de Asperger, no qual 
descreveu o comportamento de 4 crianças que conversavam em determinados 
assuntos com riqueza de detalhes e uma linguagem formal incomum para sua 
idade. Esses três profissionais formam a base de estudo moderno do TEA 
(TEIXEIRA, 2018). 
 Gostou da história? Vimos que o psiquiatra infantil Leo Kanner teve 
um papel importante dentro do Transtorno do Espectro Autismo, no entanto, 
não podemos deixar de relatar que o psiquiatra sugeriu que uma das causas 
do autismo era falta de afetividade das mães, ficando conhecida como “mães 
geladeiras”. Esse fato foi publicado por Bruno Bettelheim no livro “A Fortaleza 
Vazia” (1967), causando diversos transtornos para mães de autistas e 
iniciando uma luta por direitos (LACERDA, 2017). 
 
Conteúdo complementar 
2 minutos de história - “Mães geladeira” Convido você a 
ver esta animação de 2 minutos sobreo tema. Ah! por gentileza, 
não se esqueça de deixar seu comentário sobre o vídeo.1 
https://youtu.be/WWRSxanunAI 
 
 
1 Fonte: Vídeo elaborado pelo autor com conceitos de LACERDA (2017) 
Figura 4 
Fonte: 
imagem do 
canva.com 
Figura 5 
Fonte: Social media illustrations by Storyset 
Fonte: imagem 
do canva.com Figura 6 
https://youtu.be/WWRSxanunAI
 
9 
 
 CAPÍTULO 2 
 
10 
CAPÍTULO 2 - MAS AFINAL, O QUE É TEA? 
 
 
O objetivo desta unidade é mostrar as 
principais características do autismo, 
ou seja, as áreas do 
neurodesenvolvimento que apresentam 
déficit. Esse conhecimento vai ajudar o 
cursista a interagir com melhor 
qualidade com as pessoas com TEA. 
Como profissional da educação, abre a 
oportunidade de contribuir com projetos 
e atividades, na vida pessoal, ajudar 
com um diagnóstico ou terapias. É um 
conhecimento básico, que apresenta 
caminhos para aquisição de novas 
oportunidades sobre a temática. 
 
Como você pôde ver no capítulo anterior, o médico psiquiatra infantil 
Leo Kanner foi o pioneiro a diagnosticar a condição específica do autismo, 
publicando seu artigo “Distúrbios Autísticos do Contato Afetivo”. Atualmente, 
os profissionais de saúde mental, como Neurologistas ou Psiquiatras, seguem 
o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtorno Mentais) para 
orientar no diagnóstico de TEA. O DSM tem como objetivo fornecer uma fonte 
segura e científica para pesquisas e práticas clínicas, sendo um livro 
atualizado constantemente pela Associação Americana de Psiquiatria. No 
Manual, constam os critérios clínicos, sinais e sintomas necessários para o 
diagnóstico de cada transtorno mental. A última edição é o DSM-5, do ano de 
2013, que trouxe grandes modificações na estrutura diagnóstica do autismo, 
uma vez que aboliu o termo “transtorno global do desenvolvimento”, em que o 
autismo era dividido em 5 categorias (DSM-4): transtorno autista, transtorno 
de Rett, transtorno desintegrativo da infância, transtorno de Asperger e 
transtorno invasivo do desenvolvimento sem outra especificação. No DSM-5, 
essas categorias deixaram de existir ficando caracterizado como Transtorno 
Espectro Autista – TEA como diagnóstico (LIBERALESSO, 2020). 
 Uma outra inclusão no DSM-5 são os níveis de autismo, diferenciando 
no diagnóstico entre autismo leve, ou Nível 1, moderado, Nível 2 e severo, Nível 
3. Mas, como são mensurados os níveis de autismo? Pois bem, os níveis de 
autismo não estão relacionados à gravidade dos sintomas. O que é levado em 
conta é a ajuda de que a pessoa com autismo necessita, além do que, focar no 
nível de apoio, fica mais claro, pois, antes do TEA, o estudante é um ser 
Fonte: Elaborado pelo autor - software 
makehuman-community 
 
Figura 7 Personagem Jhonky 
 
about:blank
 
11 
Fonte: Elaborado no Canva com conceitos de APA (2014, p.92). 
Figura 8: Níveis do TEA 
humano, e os níveis são passíveis de mudança. Nessa direção, classificados 
os níveis, como: Leve - necessita de ajuda; Moderado - ajuda substancial e o 
Grave é completamente dependente (LACERDA, 2017). 
Observe na figura os níveis do TEA sobre o viés dos déficits da 
comunicação social: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
Outro material cientifico que é utilizado pelos médicos para orientar no 
diagnóstico do TEA é a tabela CID 11 (Classificação Internacional de Doenças) 
desenvolvida e atualizada pela Organização Mundial da Saúde, que reúne 
cerca de 55 mil códigos únicos para lesões, doenças e causas de morte. Nessa 
versão, o CID 11 une os transtornos do espectro num só diagnóstico - TEA, 
com isso, definindo um único código 6A02, acrescentado por subdivisões 
associadas a linguagem funcional e a deficiência intelectual (TISMOO, 2022). 
Veja como ficou: 
 
 Tabela 1 
TEA NO CID-11: CÓDIGO 6A02 
6A02.0 Transtorno do Espectro do Autismo sem deficiência 
intelectual (DI) e com comprometimento leve ou 
ausente da linguagem funcional; 
6A02.1 Transtorno do Espectro do Autismo com deficiência 
intelectual (DI) e com comprometimento leve ou 
ausente de linguagem funcional; 
6A02.2 Transtorno do Espectro do Autismo sem deficiência 
intelectual (DI) e com linguagem funcional prejudicada; 
6A02.3 Transtorno do Espectro do Autismo com deficiência 
intelectual (DI) e com linguagem funcional prejudicada; 
6A02.5 Transtorno do Espectro do Autismo com deficiência 
intelectual (DI) e com ausência de linguagem funcional; 
6A02.Y Outro Transtorno do Espectro do Autismo 
especificado; 
6A02.Z Transtorno do Espectro do Autismo, não especificado. 
 Fonte: adaptado, TISMOO (2022). 
 
 
13 
Agora que você já sabe sobre a 
origem do TEA, vamos para 
definição: 
O TEA é um distúrbio do 
neurodesenvolvimento, compreende 
um grupo de sintomas que se 
manifesta entre os 3 anos de idade e 
se prolonga por toda a vida. Podemos 
dividir esses sintomas em duas áreas 
centrais que o autista apresenta 
déficits, a primeira refere-se a 
prejuízos na interação social e 
comunicação, adiante, disfunções 
comportamentais (APA, 2014). 
 Nessa definição, observamos que os sintomas são natos, 
desmistificando que pessoas adquirem TEA ao longo da vida adulta. Outro 
ponto para destacar são as definições dos sintomas que vamos comentar em 
detalhes adiante. 
CARACTERÍSTICAS DIAGNÓSTICA DO TEA 
 
 Em consonância com DSM-5, dividimos duas áreas centrais que o 
autista apresenta déficits, são elas: Prejuízos na interação social e 
comunicação, além de disfunções comportamentais. 
 Você já percebeu? Nós, seres humanos, 
somos de essência sociável, participamos de 
grupos, relacionando-nos com diversas 
pessoas, através desta interação são 
passadas regras de convívio, como 
comunicar-se, de aprender e de desenvolver 
de maneira adequada. Para uma interação 
de fato são necessárias habilidades sociais 
que envolvam adaptação em diferentes 
contextos, como por exemplo, ajustar-se em 
uma sala de aula ou trabalho e, ainda, 
interpretar pensamentos e desejos dos 
outros. As pessoas com TEA apresentam 
dificuldades em adquirir essas habilidades, 
prejudicando sua interação social, com isso ficam isoladas, sendo descritas 
pelos outros como estranhas ou nerds (KHOURY et al, 2014). 
Figura 9 
Figura 8 
Fonte: People 
illustrations by Storyset 
Fonte: Celeb
ration illustrations by Storyset 
 
14 
 Vejamos algumas áreas que são prejudiciais aos autistas que os 
impedem de uma interação efetiva: 
Dificuldade na interação socioemocional 
Para o DSM-5, interação socioemocional é a capacidade de envolvimento 
com outros e compartilhamento de ideias e sentimentos. Crianças pequenas 
com TEA, podem apresentar dificuldade em iniciar interações sociais e de 
compartilhar emoções, havendo linguagem, costuma ser unilateral, sem 
reciprocidade social, usada mais para solicitar ou rotular do que para 
comentar, compartilhar sentimentos ou conversas (APA, 2014). Além disso, 
crianças com autismo, muitas vezes, buscam contatos sociais, mas não sabem 
exatamente o que fazer para mantê-los, podem até chamar os coleguinhas a 
irem em suas casas, mas as brincadeiras não costumam durar muito tempo; 
elas acabam deixando o grupo de lado para brincarem sozinhas, evidenciando 
a dificuldade de compartilhar momentos de interesses com o outro (KHOURY 
et al, 2014). 
 Nos adultos sem deficiência intelectual ou atrasos de linguagem, os 
déficits nesta área podem aparecer mais em dificuldades de processamento e 
resposta às pistas sociais complexas (p. ex., quando e como entrar em uma 
conversa, o que não dizer). Adultos que desenvolveram estratégias 
compensatórias para alguns desafios sociais ainda enfrentam dificuldadesem 
situações novas ou sem apoio, sofrendo com o esforço e a ansiedade para, de 
forma consciente, calcular o que é socialmente intuitivo para a maioria dos 
indivíduos. Outro ponto que podemos destacar é a falta de qualidade na 
interação social, evitando saudações, p. ex., não falando "Oi" quando é 
cumprimentado (APA, 2014). 
As pessoas com autismo apresentam dificuldades em interpretar sinais 
(expressões faciais, expressões verbais), vejamos um exemplo: 
Em uma roda de conversa de diversos temas de um 
grupo de amigos, João (autista) começa a articular 
sobre carro, insistentemente, as pessoas ficaram com 
uma expressão irritada e deram sinais para cessar a 
conversa, mas, com a dificuldade de interpretar 
sinais, João continuou o assunto sobre carros, assim, 
as pessoas se afastaram. 
 
 
 
Figura 10 
Fonte: 
People illustrations by Storyset 
 
15 
 Déficit no contato visual e comunicação 
 
Devido a um funcionamento da 
mente, os autistas são incapazes 
de manter, por período 
prolongado, focando suas pupilas 
nos olhos de outro indivíduo. A 
falta de contato visual direto 
prejudica a interação social das 
pessoas com autismo, pois é no 
olhar que mostramos a intenção 
de nos comunicarmos, o indivíduo 
que não olha no olho do outro pode 
passar a falsa impressão de 
descaso ou pouco interesse pelo 
interlocutor (SILVA, 2014). 
 
 
Já na comunicação verbal e não verbal, os autistas apresentam 
prejuízos. Em geral, manifestam dificuldades em comunicar-se, entender 
expressões faciais e metáforas (KHOURY et al, 2014). Vejamos algumas 
características: 
1. Dificuldade de manter e iniciar uma conversa - repete assunto do seu 
interesse. 
2. Uso estereotipado e repetitivo da linguagem - decoram texto, voz 
infantilizada. 
Exemplo: Decoram fala de personagens e repetem com a entonação de 
voz. 
3. Dificuldade em engajar em brincadeiras imaginativas - interpreta as 
situações de maneira literal. 
4. Inversão de pronome (1ª para 3ª pessoa) 
Exemplo: Antônio quer a bola. (Correto: Eu quero a bola). 
5. Falam a verdade sem pensar nas consequências, mas não têm intenção 
de magoar (SILVA, 2012). 
 
Fonte: People 
vector created by storyset - www.freepik.com 
FIGURA 11 
 
16 
As pessoas com TEA apresentam Disfunções Comportamentais. Veja 
alguns exemplos listados: 
 
 
 
 
 
 
 
2. Apego à rotina, fazem sempre do mesmo jeito, sistematicamente (ritualizado 
como se fossem "manias"). Para os autistas, a rotina acalma e protege, pois 
torna seu dia mais previsível. 
3. Movimentos estereotipados e repetitivos, como: balançar o corpo, bater 
palmas, pular, torcer os dedos, abanar as mãos. 
4. Valorizam mais a parte do que o todo, perdendo a noção do conjunto. 
Demorando mais tempo para mudar o foco. 
Exemplo: no rosto da mãe, fica olhando seu nariz, boca e perde a 
expressão, como: raiva, tédio, alegria. Ele demora em ver as expressões das 
pessoas, assim, perde o entendimento. 
5. Hipersensibilidade ao toque (não gosta de ser tocado). 
6. Andam nas pontas dos pés (nos primeiros anos de vida, algumas crianças 
autistas andam na ponta dos pés, devido à hipersensibilidade ao toque no 
solo). 
7. Autoagressões – podem se bater e morder em situação de stress. 
8. Gostam de objetos que giram, exemplo: ventilador, roda e trenzinho. Por 
terem movimentos lógicos e previsíveis (SILVA, 2012). 
 
 
 
 
 
 
Figura 12 
Fonte: Foto de cottonbro no 
Pexels 
Fonte: Social media illustrations by Storyset 
Figura 13 
F
o
n
t
e
Social media 
illustrations by Storyset 
https://www.youtube.com/watch?v=Oo6HGAFoRJ0
 
18 
 
 
 
 
 
 CAPÍTULO 3 
 
19 
CAPÍTULO 3 - ETIOLOGIA, TERAPIAS E MITOS 
 
Este capítulo tem a intenção de expor conceitos sobre as causas do TEA 
(etiologia), utilizando pesquisas recentes sobre o assunto. No decorrer do 
texto, apresentamos exemplos de terapias para pessoas com TEA. Por fim, 
comentamos sobre mitos alusivos às causas do autismo. 
Na medicina, a palavra etiologia refere-se ao estudo das causas das 
disfunções (MESQUITA, DUARTE, 1996). Nessa direção, Girodo, Neves e 
Correa (2008) definem a etiologia do autismo como heterogênea, multifatorial, 
com indicações de uma forte e complexa influência genética. 
Estudos indicando causas do autismo a fatores genéticos não é recente, 
a primeira colocação provém de 1977 com psiquiatra britânico Michael Rutter 
e a psicóloga americana Susan Folstein com uma pesquisa em gêmeos, esse 
estudo foi importante para compreensão do autismo como um transtorno com 
forte componente genético (DONVAN; ZUCKER, 2017). 
Seguindo esse princípio, estudo mais recente foi realizado no ano de 
2019 em 5 países (Dinamarca, Finlândia, Suécia, Israel e Austrália Ocidental) 
com mais de 2 milhões de indivíduos, crianças nascidas entre 1º de janeiro de 
1998 e 31 de dezembro de 2011 e acompanhadas até os 16 anos, confirmou 
que mais de 90% dos casos de autismo possuem causa genética sendo, 
aproximadamente, 80% hereditário (SANDIN; NOBELS, 2019). 
Teixeira (2016) salienta que, apesar de manifestar forte presença 
genética, existem um pequeno percentual de fatores ambientais como causa 
do autismo, estes fatores estão relacionados ao ambiente de gestação que 
podem vir a prejudicar o cérebro do feto neste período, exemplos são as 
doenças congênitas, como a rubéola, encefalite, meningite, por mais, o uso de 
drogas e má nutrição da mãe. Outros estudos, comprovam que pais de 
autistas possuem 10% de probabilidade de ter segundo filho com a condição. 
No que tange a filhos gêmeos, se um irmão possuir TEA, há possibilidade entre 
36% a 95% de o outro ser autista. 
 
ACOMPANHAMENTO 
O acompanhamento do autismo envolve terapias comportamentais 
especializadas e é multidisciplinar, podendo incluir vários especialistas, entre 
eles: Neurologista, Psicólogo e Fonoaudiólogo (SILVA; GAIATO; REVELES, 
2012). Teixeira (2016) destaca que o acompanhamento moderno do TEA é 
realizado por meio de vários anos de estudos científicos nos centros de 
pesquisas renomados dosEstados Unidos, Canadá e Europa. Nessa direção, 
os autores citam 15 intervenções utilizadas no acompanhamento do TEA na 
atualidade, entre elas: 
 
20 
Orientação familiar e psicoeducação: É a primeira intervenção terapêutica, 
o médico informa sobre o diagnóstico do TEA e orienta e acolhe os pais com 
informações sobre a importância do acompanhamento. 
Enriquecimento do ambiente: Proporcionar e estimular a criança diversas 
sensações em um ambiente doméstico. 
Medicação: Não existe medicação específica para autismo, os remédios 
receitados são para controlar aspectos associados a sintomas 
comportamentais, como ansiedade, agressividade e déficit de atenção. 
Terapia Cognitiva - Comportamental: auxilia no convívio social, o 
conhecimento e controle do seu sentimento, controle da ansiedade, 
impulsividade e raiva, além do comportamento repetitivo e estereotipado. 
Treinamento em habilidades sociais: auxilia na interação e comunicação 
social, por exemplo, desenvolvimento de conversas e o olhar nos olhos. 
Método ABA: "Praticado por psicológicos experientes e consiste no estudo e 
na compreensão do comportamento da criança, de sua interação com o 
ambiente e com as pessoas com quem se relaciona". 
Fonoaudiologia: Importante no desenvolvimento da comunicação verbal e 
não verbal do autista. 
Terapia Ocupacional: Ensina atividades do dia-dia com objetivo de tornar a 
criança mais independente. 
Terapia de Integração Sensorial: Ajuda o autista a lidar com componentes 
sensoriais do ambiente, como o som, luzes e odores. 
Método TEACCH (Acompanhamento e Educação de Crianças com Autismo e 
Dificuldades de Comunicação): Ensina habilidades através de recursos visuais 
(cartão ilustrativo ou figura). 
Método PECS: Sistema de comunicação por troca de figuras. 
Professor de Apoio: profissional que trabalha no processo pedagógico do 
autista na escola, fazendo a conexão entre o professor, família e o estudante, 
buscando desenvolver a independência no ambiente escolar. 
Esporte: importante para saúde e desenvolve habilidades motoras e 
consciência corporal. 
Grupos de apoio: buscam orientar, apoiar as famílias e lutar pelos direitos 
dos autistas. São compostos por pais, profissionais e pesquisadores. Podemos 
citar a AMA (Associação de Amigos do Autista) e a Autismo e Realidade, são 
instituições sem fins lucrativos de destaque no Brasil. 
 
 
21 
Figura 16- síntese 
Fonte: Imagem de OpenClipart-Vectors por Pixabay 
Mito 
 
Como vimos, as causas do autismo estão relacionadas à genética e a 
multifatores ambientais (gestação), não existe comprovação científica de que 
alimentação, vitaminas, parto cesariana e vacina são fatores de risco para o 
desenvolvimento do autismo. Seguindo esse princípio, com o passar dos anos, 
alguns mitos foram surgindo sobre a origem do autismo, podemos citar a 
história da vacina no final do séc. XX na Inglaterra. Na manhã de 26 de 
fevereiro de 1998, em Londres, na Inglaterra, foi anunciada no Hospital Royal 
Free pelo pesquisador gastroenterologista Andrew Wakefield a hipótese de que 
a vacina tríplice aplicada com uma só injeção, direcionada para três doenças 
diferentes: sarampo, rubéola e caxumba, era responsável do aumento das 
incidências de autismo na Inglaterra. Para Wakefield, em sua investigação 
com doze crianças, oito delas estavam desenvolvendo-se normalmente, no 
entanto, dias depois de tomar a vacina começaram a apresentar sintomas de 
autismo, perdendo até a fala. Conforme o médico britânico, as crianças 
imunizadas com a vacina tríplice viral, em que o princípio era injetar o vírus 
vivo do sarampo poderia provocar inflamação no intestino, desenvolvendo por 
consequência uma inflamação no cérebro, ocasionando autismo (DONVAN; 
ZUCKER, 2017). 
Resumindo a história, Teixeira (2016) menciona que, ao longo do tempo, 
foram encontrados diversos erros nos artigos escritos por Andrew Wakefield, 
como falhas metodologias e violações éticas. Como punição dada pela 
comunidade acadêmica, sua licença médica foi cassada e seu artigo foi 
desqualificado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Chegou a hora! 
Relembrar conceitos 
do Módulo 1: 
 
Para finalizar o 
módulo, 
apresentamos uma 
síntese de conceitos 
abordados nos 
capítulos. 
 
 
22 
SÍNTESE DO MÓDULO 
 
Capítulo 1 
 
Palavra autismo - raiz “autos” que significa “eu”. Refere-se à falta de 
interação social do indivíduo e a impressão de sentir-se bem só. 
Primeira descrição do autismo - iniciou-se pelo médico psiquiatra 
infantil Leo Kanner, em 1943, com sua observação comportamental de 11 
crianças. Adiante, a psiquiatra Lorna Wing contribuiu com seus estudos na 
observação de três características: prejuízo na socialização (dificuldade de 
entender emoções e pensamentos dos outros), linguagem e comportamento 
repetitivos ou estereotipados (movimento de balançar as mãos e o tronco para 
frente e para trás). Por fim, o médico Hans Asperger contribuiu com o estudo 
denominado síndrome de Asperger. 
Mães geladeiras: Leo Kanner sugeriu que uma das causas do autismo 
era falta de afetividade das mães, ficando conhecida como “mães geladeiras”. 
Este fato foi publicado por Bruno Bettelheim no livro A Fortaleza Vazia (1967). 
Capítulo 2 
 
 TEA? É um distúrbio do neurodesenvolvimento, compreende um grupo 
de sintomas que se manifesta entre os 3 anos de idade e se prolonga por toda 
a vida. Podemos dividir esses sintomas em duas áreas centrais que o autista 
apresenta déficits, a primeira refere-se a prejuízos na interação social e 
comunicação, adiante, disfunções comportamentais. 
Capítulo 3 
 
Etiologia do TEA - heterogênea, multifatorial, com indicações de uma 
forte e complexa influência genética. Mais de 90% dos casos de autismo 
possuem causa genética, sendo, aproximadamente, 80% hereditário. 
Acompanhamento TEA, 15 exemplos – 1) Orientação familiar e 
psicoeducação, 2) Enriquecimento do ambiente, 3) Medicação, 4) Terapia 
Cognitiva, 5) Treinamento em habilidades sociais, 6) Método ABA, 7) 
Fonoaudiologia, 8) Terapia Ocupacional, 9) Terapia de Integração Sensorial, 
10) Método TEACCH, 11) Método PECS, 12) Método Floortime, 13) Mediador 
Escolar, 14) Esporte, 15) Grupos de apoio. 
Mito - Hipótese do pesquisador gastroenterologista Andrew Wakefield, 
em seu artigo do ano 1998, relata que a Vacina tríplice viral causa autismo. 
 
23 
 Esperamos que o conteúdo destas 3 unidades possa contribuir com o 
seu processo de aprendizagem sobre a temática. Parabéns! Agora partimos 
para o exercício de fixação 
 
Exercício de fixação de conteúdo 
1. Assinale a alternativa Incorreta sobre Transtorno Espectro Autista 
 
A. ( ) O TEA é um distúrbio do neurodesenvolvimento, compreende um 
grupo de sintomas que se manifesta precocemente e estende-se por toda 
a vida do indivíduo; 
B. ( ) Hipersensibilidade ao toque (não gosta de ser tocado); 
C. ( ) As pessoas com autismo apresentam dificuldades em interpretar 
sinais (expressões faciais, expressões verbais); 
D. ( ) Apesar de déficit na linguagem e comportamental, as pessoas com 
autismo não apresentam dificuldades na interação social. 
2. Leia atentamente o texto da questão: 
Em um campus do Instituto Federal do Mato Grosso do Sul (IFMS), o 
Napne (Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas), 
realizou algumas ações para auxiliar professores no aprendizado do estudante 
Cristian, com TEA, como: palestras, reuniões e diversos e-mails. Em um 
desses e-mails, orientava no que considerar para elaboração de atividades ao 
estudante com déficit na linguagem verbal e não verbal. 
Analise as afirmações e marque a(s) alternativa(s) correta: 
A. ( ) Emprego de frases simples e diretas para facilitar o seu 
entendimento; 
B. ( ) Não há necessidade de adaptação, pois, o estudante com TEA tem o 
direito de receber a mesma atividade dos demais educandos; 
C. () Evitar o uso de instruções verbais em excesso e de figuras de 
linguagem, como as metáforas ou ironias, tornam a recepção da 
informação pouco clara ou, até mesmo, completamente 
incompreendida; 
D. ( ) Quando o jovem com TEA apresentar dificuldades em interpretação 
de texto, substituir por desenhos, assim, ao menos, desenvolve seus 
dons artísticos. 
 
 
24 
 
 
3. Leia atentamente o texto da questão: 
João, servidor público do IFMS, em um dia de rotina de trabalho, 
observou um grupo de pessoas conversando sobre o tema autismo, um dos 
integrantes ponderou que o TEA virou uma epidemia, e está ligado à 
vacinação, tanto da Influenza quanto do COVID- 19. João aproximou-se e 
relatou sua opinião. O que ele deverá responder? 
Escolha uma opção: 
A. ( ) Você está atualizado, pois visualizei essa informação nas redes 
sociais; 
B. ( ) Acho que vi algo parecido no jornal, mas não lembro; 
C. ( ) Você está enganado, pois somente a vacina tríplice viral causa 
autismo; 
D. ( ) Você está enganado, as causas do TEA são de predominância 
genética. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Acesso: 01 jul. 2022 
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