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MANUAL DO TDAH © Dr. José Leandro dos Santos 2024 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com MANUAL DO TDAH © Dr. José Leandro dos Santos 2024 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com SOBRE O AUTOR Desde a infância, o Dr. José Leandro nutria o sonho de se tornar médico. Sua habilidade natural em se conectar com as pessoas o levou a perceber gradualmente a importância da saúde mental diante dos desafios da vida. Esse entendimento o levou a escolher a área da Psiquiatria e Saúde Mental, e atualmente é pós-graduando em Psiquiatria pela CETRUS/SANAR e pós-graduando em Terapia Cognitivo Comportamental pela PUC/PR. Aos 31 anos, recebeu o diagnóstico de TDAH, enfrentando desafios significativos. Contudo, sua resiliência o impulsionou. Venceu a depressão. Sua trajetória revela não apenas uma jornada médica notável, mas também destaca sua compreensão da importância da saúde mental na vida das pessoas. O Dr. José Leandro dos Santos não apenas pratica a medicina, mas também se tornou uma inspiração ao superar adversidades e promover o cuidado integral de seus pacientes. Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO AO TDAH................................................................................................... 5 1.1.História do TDAH......................................................................................................... 5 1.2. Características principais............................................................................................ 8 1.3. Estatísticas e prevalência............................................................................................9 2. CAUSAS E FATORES DE RISCO.....................................................................................11 2.1. Teorias Gerais........................................................................................................... 11 2.2. Genética e hereditariedade.......................................................................................12 2.3. Fatores ambientais....................................................................................................12 2.4. Lesões cerebrais e sua relação com o TDAH...........................................................13 3. DIAGNÓSTICO..................................................................................................................15 3.1. Critérios diagnósticos................................................................................................ 15 3.2. Tipos de TDAH..........................................................................................................22 3.3. Processo de avaliação.............................................................................................. 24 3.4. Transtornos frequentemente associados ao TDAH.................................................. 27 4. O TRATAMENTO ADEQUADO.........................................................................................28 4.1. Terapia Farmacológica.............................................................................................. 28 4.2. Terapia Cognitivo Comportamental...........................................................................31 5. IMPACTO DO TDAH NA VIDA DIÁRIA............................................................................ 37 5.1 Escola e aprendizado.................................................................................................37 5.2 Relacionamentos interpessoais................................................................................. 39 5.3 Desafios no ambiente de trabalho..............................................................................40 5.4 Ciclo vigília e Sono.....................................................................................................41 6. ADAPTAÇÕES EDUCACIONAIS......................................................................................44 6.1. Estratégias para professores.................................................................................... 44 7. SUPORTE FAMILIAR........................................................................................................48 7.1 Compreensão e aceitação do TDAH na família.........................................................48 7.2 Estratégias para pais, portadores e cuidadores.........................................................49 1.1. Rede de Apoio...........................................................................................................53 8. MITIGANDO O ESTIGMA E PROMOVENDO A CONSCIENTIZAÇÃO........................... 55 8.1 Desafios enfrentados por pessoas com TDAH.......................................................... 55 8.2 Estratégias para combater o estigma.........................................................................57 9. MATERIAIS ARTÍSTICOS, INFORMAÇÕES E CURIOSIDADES....................................58 9.1 A ABDA...................................................................................................................... 58 9.2 Livros, filmes e materiais............................................................................................58 9.3 Alguns famosos diagnosticados com TDAH.............................................................. 61 REFERÊNCIAS..................................................................................................................... 63 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com PREFÁCIO No cenário contemporâneo, a compreensão dos transtornos mentais se destaca como uma prioridade incontestável, enquanto buscamos desvendar os intricados complexos da mente humana. Dentro desse vasto desafio, o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) emerge como uma área de estudo crucial, exercendo impacto não apenas na vida daqueles que o vivenciam, mas também reverberando por todo o espectro educacional, profissional e social. O manual do TDAH surge como uma ferramenta indispensável para aqueles que buscam explorar os diversos aspectos relacionados a esse transtorno multifacetado. Este ebook científico não apenas ilumina os fundamentos do TDAH, mas também oferece informações essenciais sobre estratégias, abordagens de tratamento e o papel vital da compreensão coletiva na mitigação do estigma associado. Ao longo das páginas que se desenrolam, mergulharemos nas origens e manifestações de vários fatores relacionados ao TDAH, desvendaremos os diferentes tipos que caracterizam esse transtorno e examinaremos seu impacto em áreas cruciais da vida diária, desde a sala de aula, passando pela vida familiar até o ambiente de trabalho. Além disso, exploraremos pesquisas relacionadas ao tratamento, fornecendo uma visão abrangente das opções disponíveis para a gestão eficaz do TDAH. Este livro não visa apenas propagar conhecimento acadêmico, mas sim realizar uma imersão na singularidade humana. Buscamos transcender estigmas e fornecer recursos práticos para a compreensão e apoio aos indivíduos afetados pelo TDAH, assim como às suas famílias, educadores e profissionais de saúde mental. Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com 1. INTRODUÇÃO AO TDAH 1.1.História do TDAH O TDAH não é um fenômeno contemporâneo; evidências históricas apontam para comportamentos estereotipados em crianças ao longo dos séculos. No século XVIII, Alexander Crichton, em sua obra "Uma investigação sobre a natureza e origem do desarranjo mental" (1798), descreveu sintomas de inquietação mental e dificuldade de concentração em meninos, conceitos que se alinham aos contemporâneos do TDAH. Em 1845, o psiquiatra alemão Heinrich Hoffman compilou histórias, incluindo a de Philip the Nerve, que reflete problemas de atenção e intensa atividade, antecipando temas relacionados ao TDAH. No entanto, a publicação formal sobre o TDAH é creditadaa procrastinação e agir de forma mais corajosa e assertiva, ajudando a construir a confiança e a aumentar a produtividade. Além das técnicas apresentadas pela TCC, a abordagem também apoia o processo de psicoeducação, do qual o sujeito compreende sua situação e recebe 35 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com algumas instruções do profissional adequada a questões práticas relacionadas a sua realidade, aqui estão algumas dicas oriundas das pesquisas baseada nela: 1. Estabelecer rotinas e horários: Isso pode ajudar a manter um senso de estrutura e organização. Isso inclui a criação de um cronograma para atividades diárias, estabelecimento de horários específicos para trabalhar ou estudar, e definir horários para atividades recreativas e de lazer. 2. Fazer uma lista de tarefas: Anotar tarefas importantes e classificá-las por ordem de importância pode ajudar a manter o foco e a organização. Marcar as tarefas completadas pode trazer um senso de realização e motivação. 3. Usar ferramentas de organização: Existem muitas ferramentas disponíveis para ajudar com a organização, como aplicativos de lista de tarefas, lembretes de calendário e programas de gerenciamento de tempo. 4. Criar um ambiente propício para o estudo ou trabalho: Um ambiente tranquilo e organizado pode ajudar a reduzir distrações e aumentar a concentração. Isso pode incluir desligar dispositivos eletrônicos que não são necessários para a tarefa em questão. 5. Dividir grandes tarefas em pequenas partes: Dividir grandes projetos em tarefas menores e mais gerenciáveis pode torná-las mais fáceis de realizar e ajudar a evitar a sobrecarga. 6. Exercitar-se regularmente: O exercício físico pode ajudar a aumentar a atenção e reduzir a impulsividade e a hiperatividade. 7. Estabelecer recompensas e consequências: Estabelecer um sistema de recompensas para a conclusão bem-sucedida de tarefas importantes pode ajudar a motivar e reforçar o comportamento positivo. Da mesma forma, estabelecer consequências para o comportamento indesejado pode ajudar a reduzir a impulsividade. 36 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com 5. IMPACTO DO TDAH NA VIDA DIÁRIA 5.1 Escola e aprendizado A pesquisa de Español-Martin et al. (2023) investigou se o TDAH e o Dificuldade de Aprendizagem (SLD) estavam significativamente relacionados ao desempenho acadêmico em disciplinas específicas (ou seja, língua materna, língua estrangeira, matemática) em uma amostra de 1.287 crianças espanholas de uma população de baixa e alta renda, e se essa associação era modificada pelo status socioeconômico (SES), controlando a comorbidade e fatores demográficos que podem influenciar o funcionamento educacional. De acordo com estudos anteriores que embasaram a pesquisa de Español-Martin et al. (2023), observou-se uma maior prevalência de problemas emocionais/comportamentais, dificuldades de aprendizagem e ND (Necessidades Especiais) entre crianças da população de baixa renda, apoiando a hipótese de que o baixo SES estaria associado a resultados de saúde negativos. Além disso, foi constatado que crianças de famílias desfavorecidas estavam em risco de pior saúde mental, conforme evidenciado por escores mais altos em várias subescalas do SDQ (Strengths and Difficulties Questionnaire). A pesquisa também confirmou a relação positiva entre SES e desempenho acadêmico, onde estudantes de famílias de alta renda apresentaram melhores notas em todas as áreas educacionais. Os resultados de Español-Martin et al. (2023) indicaram que o TDAH aumentou o risco de comprometimento acadêmico, confirmando pesquisas anteriores que associam o TDAH a dificuldades acadêmicas. Além disso, pela primeira vez na Espanha, a pesquisa apoiou a associação entre o diagnóstico de TDAH e o desempenho acadêmico, destacando que estudantes com problemas de atenção têm maior probabilidade de ter um desempenho insatisfatório, independentemente de outros 37 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com fatores de risco. O estudo também revelou que SLD contribuiu independentemente para o aumento do risco de subdesempenho acadêmico, especialmente em disciplinas de linguagem, sugerindo que os distúrbios de aprendizagem podem comprometer o desempenho acadêmico ao dificultar ou retardar a aquisição de conhecimentos por meio da leitura. Apesar da influência significativa do SES, a pesquisa não encontrou interações significativas com o SES, indicando que o status socioeconômico não atua como um moderador para atenuar o impacto negativo do TDAH e SLD no desempenho acadêmico. Este achado sugere que, mesmo em contextos socioeconômicos mais elevados, alunos com diagnóstico de TDAH ou SLD têm maior probabilidade de alcançar notas mais baixas em língua materna, língua estrangeira e matemática. Considerando que o TDAH e o SLD são fatores de risco mais facilmente modificáveis em comparação com o SES, os resultados ressaltam a importância da identificação precoce e estratégias de intervenção eficazes para melhorar o funcionamento educacional desses alunos. Ou seja, em linhas gerais, o estudo supracitado demonstra que estudantes com TDAH frequentemente apresentam resultados mais baixos em testes acadêmicos padronizados, médias gerais inferiores, taxas mais altas de absenteísmo, retenção de série, necessidade de educação especial e maior propensão à evasão escolar. Esses fatores colocam essas crianças em risco de enfrentar dificuldades educacionais e profissionais ao longo da vida adulta. Portanto, isso demonstra a importância de intervenções precoces e abordagens multidisciplinares para aprimorar não apenas o desempenho acadêmico, mas também a qualidade de vida desses indivíduos com TDAH. Segundo Belli, Muszkat e Cracasso (2015) a escola, inserida na Rede de Apoio Social, desempenha um papel central na vida da criança com TDAH. Adotar práticas educacionais flexíveis, considerando a singularidade de cada aluno, é crucial. O trabalho interdisciplinar e a formação de uma rede de apoio social eficaz são fundamentais para o tratamento bem-sucedido do TDAH, envolvendo não apenas a criança, mas também seus pais, professores e terapeutas. Essa abordagem integral visa proporcionar uma resposta emocional positiva, promovendo o desenvolvimento saudável desses indivíduos. 38 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com 5.2 Relacionamentos interpessoais Lima (2023) expõe acerca da eficácia da terapia comportamental e das intervenções baseadas na escola para aprimorar a sociabilidade e reduzir os sintomas do TDAH. Além disso, apontaram medidas preventivas, como incentivo à prática de atividades em grupo e acompanhamento do desenvolvimento social, como estratégias eficazes para minimizar problemas de sociabilidade. A colaboração entre profissionais de saúde mental, educadores e pais foi ressaltada como crucial para o sucesso do tratamento. A revisão sistemática de Erlandsson et al. (2022) examinou a relação entre o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o apego, com foco no ambiente familiar. Os resultados revelaram diversas maneiras como as dificuldades de apego estão associadas aos sintomas do TDAH em crianças. Crianças com TDAH demonstraram escores mais baixos em testes de apego seguro, maior incidência de apego inseguro ao pai e menor confiança e proximidade com a mãe. Esses padrões de apego também se estenderam ao ambiente escolar, onde os sintomas de TDAH correlacionaram-se com ansiedade de separação. A revisão supracitada destaca discursos divergentes sobre a interação entre TDAH e apego. Alguns estudos sugeriram que padrões relacionais podem ser um precursor para o TDAH, enquanto outros enfatizaram como o TDAH afeta outros aspectos da vida. A relação entre características da criança e dos pais também foi abordada de maneiras distintas, destacando a importância do estilo parentale das habilidades de regulação emocional da mãe. Além disso, Erlandsson et al. (2022) incluiu estudos de caso psicodinâmicos que exploraram as narrativas de laços familiares em pais de crianças com TDAH. Esses estudos destacaram a sensibilidade das famílias às palavras que evocam conflitos internos e como os comportamentos de crianças e pais muitas vezes funcionam como defesas contra emoções desagradáveis ligadas a eventos familiares passados. Os resultados indicaram que a abordagem de tratamento para o TDAH deve considerar não apenas os traços individuais da criança, mas também fatores contextuais, como estresse familiar e desvantagens sociais. A revisão enfatizou a necessidade de uma perspectiva biopsicossocial que reconheça a complexidade das 39 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com relações entre o TDAH e fatores ambientais, em contraste com uma abordagem excessivamente centrada no cérebro. 5.3 Desafios no ambiente de trabalho O estudo de Oscarsson et al. (2022) conduziu uma análise qualitativa de 20 entrevistas, identificando três temas principais relacionados ao trabalho com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). No tocante aos desafios específicos no ambiente profissional, os participantes relataram dificuldades associadas a sintomas característicos do TDAH, como distração, esquecimento, inquietação, impulsividade e impaciência. Além disso, destacou-se a desregulação emocional como uma preocupação significativa, manifestando-se na sensibilidade à crítica, percepção de falhas e variações de humor no ambiente de trabalho. Situações como tarefas monótonas, repetitivas e reuniões foram identificadas como desafios, resultando em sub estimulação, tédio e estresse. Consoante com Oscarsson et al. (2022), no que diz respeito às consequências negativas do TDAH no trabalho, mesmo quando os participantes expressaram satisfação com seus empregos e boas relações com colegas, todos descreveram impactos adversos em suas vidas profissionais. Estes incluíram efeitos prejudiciais nas esferas familiar e de recreação, perda de empregos, desemprego e sintomas de doenças mentais, como ansiedade e exaustão. Quanto às intervenções, apoio e necessidades, foi identificada por Oscarsson et al. (2022) uma falta comum de organização e estrutura nos locais de trabalho, apresentando-se como um desafio recorrente. A importância do apoio gerencial foi ressaltada, com alguns participantes prosperando em ambientes mais estruturados e sob supervisores que ofereciam suporte. Apesar de melhorias observadas com o tratamento farmacológico do TDAH, a falta de suporte em saúde mental além da medicação foi notada, indicando a necessidade de intervenções não farmacológicas e tratamentos multidisciplinares. Estratégias pessoais, como análise formal, solução de problemas e criatividade, foram apontadas como úteis para lidar com os desafios enfrentados no ambiente de trabalho. 40 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com 5.4 Ciclo vigília e Sono Sono é um estado de consciência fundamental para a regulação do metabolismo energético, consolidação da memória, termorregulação e plasticidade neural. Alterações metabólicas, déficit de memória e redução do desempenho cognitivo são algumas das consequências da sua privação. Além do conhecimento sobre as alterações cognitivas e comportamentais decorrentes da privação de sono, as quais têm impacto negativo no desempenho acadêmico de crianças e adolescentes, a redução das horas de sono também tem sido identificada como um dos fatores associados ao transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) em crianças e adolescentes. Segundo Biederman (2005), alterações em vias neurotransmissoras noradrenérgicas e dopaminérgicas e descritas em portadores de TDAH, assim como mudanças metabólicas do córtex pré-frontal, são também encontradas em pacientes com distúrbios de sono. De fato, dificuldades para início e manutenção do sono são frequentemente relatadas em crianças e adolescentes com TDAH; O sono agitado é um dos critérios listados para o diagnóstico do transtorno na terceira edição do Manual Estatístico e Diagnóstico de Transtornos Mentais. Entretanto, esse critério foi eliminado das edições subsequentes do DSM Dessa forma, diversos estudos compararam o sono de crianças com TDAH e sem o transtorno, por meio de medidas objetivas (polissonografia, gravação de vídeo e actimetria) e subjetivas (preenchimento de questionários pelos pais sobre os hábitos de sono da criança). Alguns desses estudos apontaram que crianças com TDAH têm latência de sono aumentada, porcentagem de sono REM diminuída e aumento da atividade motora noturna. Actigrafia é uma tecnologia de avaliação do sono, não invasiva, que acontece através do actígrafo (ou sensor de actimetria), que é normalmente um dispositivo similar a um relógio de pulso. Este dispositivo, através da luz e do movimento, consegue detectar todos os deslocamentos do paciente e enviar relatórios para um computador. Ou seja, o actígrafo é capaz de saber quando você acorda, detectar suas atividades durante o período de sono e gerar dados como: a quantidade de horas que 41 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com você dorme por noite, o tempo total que você fica acordado no dia, o número de vezes que você desperta à noite, entre outras informações relevantes a análises. Por meio do uso de gravação de vídeo e polissonografia, Konofal et al avaliaram os padrões de atividade motora durante o sono de 30 crianças com TDAH e 19 controles saudáveis. A média de duração dos movimentos executados durante o sono foi cerca de duas vezes maior nas crianças com TDAH do que nas crianças saudáveis, para todos os tipos de movimentos. Outro importante achado do mesmo estudo foi a correlação positiva entre a pontuação da escala Conner, por meio da qual pais e professores avaliam a presença de sintomas do TDAH e a duração dos movimentos durante o sono. Crianças mais agitadas durante o dia apresentam elevados padrões de atividade noturna. Dessa forma, o TDAH pode ser um transtorno que afeta não somente o comportamento diário, mas também mecanismos relacionados ao sono. O número de movimentos realizados durante o sono foi significativamente maior em crianças com TDAH. Cortese et al avaliaram todos os artigos que relacionavam TDAH e padrões de sono-vigília em crianças no PubMed entre 1987 (ano da publicação do DSM–III-R) até outubro de 2005 e publicou em 2009 os seguintes achados: ● O número de movimentos realizados durante o sono foi significativamente maior em crianças com TDAH, quando comparadas aos controles nos três estudos nos quais foi realizada essa avaliação. ● Revelou que, segundo relatos dos pais, crianças com TDAH apresentam maior resistência a se deitarem, mais dificuldade para iniciar o sono, maior número de despertares noturnos e mais dificuldade para despertar pela manhã do que crianças que não possuem o transtorno. O que é insônia? A insônia é um distúrbio de sono que pode afetar o antes, o durante e o depois do momento de dormir. Isso porque causa dificuldades para adormecer ou para ter uma boa noite de sono. Então, quando a pessoa acorda, já se sente com mau humor e falta de energia. 42 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com Insônia inicial, onde há uma dificuldade para começar a dormir; uma insônia intermediária, em que há dificuldade em manter o sono; ou uma insônia terminal, onde a pessoa acorda antes do horário e não consegue voltar a dormir. Higiene do sono ● Mantenha uma rotina de sono. ... ● Evite o consumo de bebidas com cafeína. ... ● Evite o consumo de bebidas alcoólicas. ... ● Não vá para cama a não ser que esteja com sono. ... ● Crie no seu quarto um ambiente que induz ao sono. ... ● Não fique monitorando o relógio. ... ● Evite tirar sonecas. ... ● Reduza o consumo dealimentos pesados à noite… 43 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com 6. ADAPTAÇÕES EDUCACIONAIS 6.1. Estratégias para professores Para apoiar indivíduos com TDAH, uma variedade de recursos, incluindo livros, sites e materiais educativos, estão disponíveis. Além disso, grupos de apoio e organizações dedicadas ao TDAH oferecem suporte valioso. Estratégias específicas podem ser implementadas no ambiente escolar para melhorar a experiência educacional das crianças com TDAH. Isso inclui salas de aula estruturadas com menos alunos, rotinas diárias consistentes e métodos de ensino ativo incorporando atividade física. Recomenda-se que o aluno com TDAH esteja próximo ao professor, em um local com menor probabilidade de distração, recebendo atendimento individualizado quando possível. Em casos de diagnóstico em idade precoce, lacunas no aprendizado podem exigir reforço de conteúdo ou acompanhamento psicopedagógico (Polanczyk, 2011). Também é importante realizar alguns ajustes e adaptações básicas, visto que certas configurações são fundamentais para auxiliar crianças com TDAH na sala de aula: ● Redução e divisão de tarefas para torná-las mais curtas e gerenciáveis. ● Minimização de tarefas escritas e de cópia. ● Oferta de alternativas de avaliação, como avaliações orais ou projetos especiais. ● Utilização de suportes adicionais na classe, como gravadores, calculadoras e computadores. ● Anotações claras sobre datas de entrega de tarefas e trabalhos. ● Reforço de instruções verbais com informações visuais. ● Fornece cópias de notas básicas dos capítulos. ● Modificação e simplificação do texto dos livros de exercícios. ● Disponibilização de uma cópia do texto escolar em casa. 44 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com Também é possível realizar alguns ajustes e intervenções específicas, tanto no ambiente como na organização: No Ambiente: ● Posicionamento na frente, próximo ao professor. ● Isolamento de distrações visuais. ● Controle do nível de ruído quando a concentração é necessária. ● Criação de cartazes e guias de referência para o aluno. Na organização: ● Anúncio e explicação oral das tarefas no quadro. ● Uso consistente do calendário diário. ● Esclarecimento das tarefas no final do dia. ● Verificação, junto aos pais ou professores, dos materiais necessários para levar para casa. ● Provisão de materiais prontos para arquivar na pasta. ● Organização de pastas, cadernos, etc., com divisões e cores diferentes. ● Assistência na organização da mesa e materiais. ● Codificação de textos e livros por cor. ● Criação de uma lista na mesa com "Coisas por fazer". ● Divisão de tarefas longas. ● Limitação da quantidade de materiais na mesa do aluno. Na comunicação e trabalho em equipe: ● Comunicações diárias ou semanais assinadas pelos pais, utilizando gráficos e guias específicas para indicar comportamento e conclusão de tarefas. ● Comunicação telefônica frequente com os pais para compartilhar conquistas positivas e preocupações. ● Reuniões mais frequentes com os pais para construir uma equipe de trabalho eficaz. 45 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com ● Compartilhamento com outros professores das conquistas, atividades, disciplina e trabalho em equipe. ● Demonstração ao aluno de interesse em ajudá-lo, incentivando a comunicação aberta. Na gestão em sala de aula: ● Aumento da estrutura e monitoramento de comportamentos específicos. ● Estabelecimento claro de expectativas e consequências, verificando-as frequentemente. ● Proximidade física com o aluno e contato visual constante. ● Ensino apenas quando houver silêncio e todos estiverem atentos. ● Elogio dos comportamentos positivos. ● Utilização de cartas de progresso e contratos para melhorar o comportamento. ● Facilitação de oportunidades de movimento e descansos frequentes. ● Oferta de apoio extra durante transições e mudanças do dia. ● Permissão para o aluno participar da seleção de consequências e prêmios. ● Utilização de períodos de reforço curtos com avaliação constante. No ensino e avaliação: ● Concessão de tempo extra para processar informações, com fala mais lenta e tempo adicional para respostas. ● Aumento da quantidade de exemplos, modelos, demonstrações e prática dirigida. ● Proporcionação de oportunidades frequentes de trabalho com colegas ou em grupos pequenos. ● Estímulo à expressão verbal na aula, criando um ambiente seguro. ● Análise e reforço do progresso em tarefas, trabalhos em classe, etc. ● Utilização de técnicas multissensoriais. ● Proposição de projetos que incentivem a criatividade e expressão. ● Permissão para o uso de computadores, calculadoras, etc. ● Ajustes para dificuldades nos trabalhos escritos, como mais tempo, respostas orais, ditado ou assinatura dos pais após algum tempo. ● Repetição de instruções dadas. 46 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com ● Destaque dos pontos importantes do texto. ● Facilitação com diagramas e resumos da lição. ● Fornecimento de gravações com a leitura do texto. ● Utilização de técnicas de perguntas variadas para oferecer mais oportunidades de resposta. ● Oferta de guias simples, organizados e breves. 47 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com 7. SUPORTE FAMILIAR 7.1 Compreensão e aceitação do TDAH na família Os desafios apresentados pelo TDAH parecem derivar de uma interação complexa entre três categorias inter relacionadas: baixa inibição de respostas, baixo autocontrole e problemas nas funções executivas (Benczik; Casella, 2015). A baixa inibição está associada à dificuldade de interromper impulsos sem uma pausa para reflexão, prejudicando o exercício do autocontrole. Este último refere-se à capacidade de direcionar reações para si mesmo, resistindo aos impulsos iniciais e tomando decisões conscientes. As funções executivas, por sua vez, englobam habilidades como inibição, memória de trabalho, controle emocional, planejamento e atenção, desempenhando um papel crucial durante a pausa proporcionada pela inibição. Segundo Benczik e Casella (2015) a criança com TDAH exibe prejuízo na auto regulação, uma integração bem-sucedida entre emoção e cognição que resulta em comportamentos apropriados. As funções executivas, responsáveis por ações direcionadas e específicas, são essenciais para o controle comportamental durante essa pausa. Entretanto, sua utilização demanda esforço e força de vontade. As dificuldades nesses aspectos afetam significativamente o bem-estar da criança e da família, impactando diversos domínios da qualidade de vida e fatores psicossociais. A influência do TDAH nas interações familiares é considerável, resultando em experiências mais negativas e estressantes para todos os membros. Para Benczik e Casella (2015) a criança com TDAH não existe isoladamente, ocupando papéis específicos na família e na escola. Apesar da predisposição biológica do TDAH, as interações sociais desempenham um papel significativo na expressão do transtorno na criança. As dificuldades enfrentadas pelos outros membros da família impactam diretamente a percepção, criação e condução da criança com TDAH, moldando seu desenvolvimento até a vida adulta. 48 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com Ou seja, as interações familiares em contextos onde há crianças com TDAH são marcadas por conflitos, coerção e estresse. E o comportamento dos pais, suas características e padrões ocupacionais também contribuem para essas interações problemáticas. Por isso Benczik e Casella (2015) consideram que para compreender o TDAH é necessário adotar uma análise holística, considerando o ambiente familiar e as interações sociais, sendo crucial desenvolver intervenções que minimizem o impacto do transtorno na qualidade de vida e saúde mental de todos os membros familiares.Considerando isso, a seguir são apresentadas algumas estratégias que podem ser aplicadas pelo próprio portador enquanto sujeito adulto ou pelos pais/responsáveis enquanto criança. 7.2 Estratégias para pais, portadores e cuidadores Ao organizar rotinas com base em princípios de neurociência, é possível promover um ambiente propício para o bem-estar e o desempenho cognitivo. Adaptar a rotina às necessidades naturais do cérebro pode resultar em maior eficiência e satisfação pessoal. A organização de rotinas para pessoas com TDAH pode ser especialmente desafiadora, mas também é crucial para gerenciar os sintomas. Aqui estão algumas sugestões baseadas em princípios de neurociência que podem ser úteis para organizar rotinas para pessoas com TDAH: Padronização de Horários: Neurociência: O cérebro tem um relógio biológico interno, conhecido como ritmo circadiano, que regula funções como sono e alerta. Exemplo: Estabeleça horários fixos para acordar, trabalhar, fazer pausas e dormir para otimizar o alinhamento com o ritmo circadiano. Priorização de Tarefas: 49 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com Neurociência: O cérebro tem uma capacidade limitada de processamento de informações. Exemplo: Identifique e priorize as tarefas mais importantes no início do dia, quando a mente está mais fresca e capaz de lidar com desafios complexos. Intervalos e Pausas: Neurociência: A atenção sustentada pode levar à fadiga mental. Exemplo: Faça pausas regulares durante o dia para evitar a sobrecarga cognitiva, promovendo melhor retenção de informações e aumento da produtividade. Exercício Físico: Neurociência: O exercício promove a liberação de neurotransmissores como endorfinas, melhorando o humor e a concentração. Exemplo: Inclua atividades físicas na rotina diária para melhorar o desempenho cognitivo e reduzir o estresse. Sono Adequado: Neurociência: O sono é crucial para a consolidação da memória e a regeneração cerebral. Exemplo: Mantenha um horário consistente de sono, criando um ambiente propício para uma boa qualidade de descanso. Organização Visual: Neurociência: O cérebro processa informações visuais de forma eficiente. Exemplo: Use métodos visuais, como listas, gráficos ou calendários, para organizar tarefas e metas, facilitando o processamento e a compreensão. Ambiente Limpo e Organizado: Neurociência: Um ambiente organizado reduz a sobrecarga sensorial e promove a clareza mental. 50 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com Exemplo: Mantenha seu local de trabalho limpo e organizado para minimizar distrações e facilitar a concentração. Variedade e Novidade: Neurociência: A exposição a novidades estimula a liberação de dopamina, associada à motivação e ao aprendizado. Exemplo: Introduza elementos novos em sua rotina regularmente, como desafios diferentes ou atividades estimulantes, para manter o cérebro engajado. Estabeleça Rotinas Consistentes: Neurociência: A repetição e consistência ajudam a criar padrões mentais. Exemplo: Crie rotinas diárias e semanais previsíveis, incluindo horários fixos para acordar, comer, trabalhar e dormir. Divida Tarefas em Etapas Menores: Neurociência: A divisão de tarefas complexas em partes menores facilita o processamento cerebral. Exemplo: Divida grandes projetos em tarefas menores e concentre-se em uma etapa de cada vez para evitar sobrecarga cognitiva. Use Lembretes Visuais e Auditivos: Neurociência: Estímulos visuais e auditivos podem ser mais eficazes para pessoas com TDAH. Exemplo: Utilize alarmes, lembretes visuais, e aplicativos de gerenciamento de tarefas para lembrar compromissos e prazos. Incorpore Pausas Estratégicas: Neurociência: Pausas regulares ajudam a manter a atenção e reduzem a fadiga mental. Exemplo: Integre pausas curtas entre as tarefas para evitar a exaustão e melhorar a capacidade de concentração. 51 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com Priorize Tarefas com Base em Interesse e Urgência: Neurociência: A motivação é impulsionada pelo interesse e pela sensação de urgência. Exemplo: Comece com tarefas que despertem seu interesse e, em seguida, aborde as mais urgentes, mantendo uma lista de prioridades. Estimule a Prática Regular de Exercícios: Neurociência: O exercício físico aumenta a produção de neurotransmissores relacionados à atenção. Exemplo: Integre atividades físicas regularmente na sua rotina para melhorar o foco e reduzir a hiperatividade. Crie Ambientes Organizados e Livres de Distrações: Neurociência: Ambientes organizados facilitam o processamento de informações. Exemplo: Mantenha seu espaço de trabalho limpo, organize objetos e minimize distrações para promover a concentração. Estabeleça Metas Realistas e Mensuráveis: Neurociência: Metas claras e alcançáveis ativam áreas do cérebro associadas à recompensa. Exemplo: Defina metas específicas, mensuráveis e realistas para manter o foco e proporcionar um senso de realização. Utilize Técnicas de Mindfulness e Meditação: Neurociência: A prática de mindfulness pode ajudar a melhorar a regulação emocional e a atenção. Exemplo: Reserve alguns minutos por dia para praticar técnicas de respiração ou meditação, promovendo a calma e o equilíbrio mental. Lembre-se de que cada pessoa com TDAH é única, e diferentes abordagens podem funcionar para diferentes indivíduos. Experimentar e ajustar essas sugestões de acordo com as necessidades pessoais pode ser fundamental para criar uma rotina 52 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com eficaz. O apoio profissional também desempenha um papel importante no desenvolvimento de estratégias personalizadas. 1.1. Rede de Apoio Pesquisas indicam que aqueles que contam com uma sólida rede de apoio familiar apresentam uma melhor capacidade de lidar com o estresse, além de evidenciarem níveis mais baixos de problemas de saúde associados ao estresse. Além disso, a presença de uma rede de apoio familiar robusta fomenta um sentimento de pertencimento e segurança. A importância das redes de apoio social transcende o âmbito individual, estendendo-se à promoção da resiliência em níveis familiar e comunitário. Essas redes desempenham um papel crucial na redução do impacto de riscos, mitigando reações adversas decorrentes da exposição a situações de risco. Elas também contribuem para a construção e manutenção da autoestima e autoeficácia, ao mesmo tempo em que oferecem oportunidades para reverter os efeitos do estresse. Considerando uma rede de apoio mais ampla, Belli, Muszkat e Cracasso (2015) afirmam que o entendimento de que o ambiente pode modular as manifestações do TDAH destaca a importância da intervenção precoce, alinhada ao paradigma da neuroplasticidade. Considerando esses aspectos supracitados e a associação deles com os desafios do TDAH, tanto para a pessoa afetada quanto para seus familiares e amigos. Se faz necessário realizar algumas sugestões para facilitar a convivência e oferecer suporte a pessoa TDAH, são exemplos do que você enquanto rede de apoio pode fazer é: ● Incentivar Conquistas: Apoie os pequenos objetivos da pessoa com TDAH e reconheça suas realizações, mesmo nas tarefas mais simples. Incentivar o progresso pode fortalecer a autoconfiança. ● Simplificar Tarefas: Tarefas do cotidiano podem parecer complexas para quem tem TDAH. Aborda as instruções de maneira objetiva e prática, ajudando a pessoa a entender claramente o que precisa ser feito. 53 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com ● Exercer Paciência: O TDAH muitas vezes leva a impulsividade. É crucial que as pessoas ao redor ajam com calma e paciência, respeitando limites e evitando pressões excessivas. ● Aceitar o Ritmo Individual: Cada pessoa com TDAH pode abordar as atividades de maneira única. Compreenda que o desempenho pode evoluir gradualmente, respeitando o ritmoindividual de cada um. ● Demonstre Apoio: Deixe claro que você acredita na pessoa com TDAH, torcendo por seu sucesso. Ofereça apoio constante e esteja disposto a auxiliar no enfrentamento dos desafios. 54 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com 8. MITIGANDO O ESTIGMA E PROMOVENDO A CONSCIENTIZAÇÃO 8.1 Desafios enfrentados por pessoas com TDAH Imagine não conseguir ler um parágrafo ou acompanhar uma conversa sem que sua mente divague. De acordo com Lovering (2022), perder a noção do tempo é algo pelo qual você é conhecido entre familiares e amigos, e parece impossível cumprir prazos, apesar de seus melhores esforços. A tendência de falar sem pensar às vezes machuca sentimentos, podendo interromper pessoas ocasionalmente para não esquecer o que deseja dizer. Agora, imagine seus amigos e familiares dizendo que o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) não é uma condição real, e você deveria apenas se esforçar mais. O estigma associado ao TDAH, como exposto por Lovering (2022), envolve estereótipos negativos ou percepções errôneas, frequentemente baseadas em desinformação. Isso pode resultar em consequências prejudiciais, especialmente quando se trata de saúde mental. Apesar do aumento do conhecimento público e conscientização sobre condições de saúde mental, persistem vários equívocos comuns sobre o TDAH que perpetuam o estigma. De acordo com a organização Children and Adults with Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder (CHADD), Lovering (2022) destaca mitos como a não existência real do transtorno, seu impacto apenas em crianças, a ideia de que afeta mais gravemente meninos do que meninas, diagnósticos excessivos, associação com má parentalidade e a crença de que as pessoas com TDAH são excessivamente medicadas. O estigma pode tornar desafiador viver com o TDAH, afetando negativamente áreas sociais, profissionais e acadêmicas. Além disso, pode influenciar a autoimagem de 55 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com uma pessoa com TDAH, especialmente se ela passa a acreditar nos estereótipos negativos associados ao transtorno, um fenômeno chamado de estigma internalizado ou autoestigma. Os sintomas do TDAH, como impulsividade e falta de atenção, afetam o funcionamento diário e as interações sociais, levando, segundo uma pesquisa de 2019, a percepções negativas, como ser considerado mal-educado, pouco confiável, imaturo, fraco de caráter e emocionalmente disfuncional. Para Lovering (2022), o estigma também pode levar as pessoas com TDAH e seus cuidadores a evitar buscar cuidados, resultando em diagnósticos e tratamentos tardios, o que, por sua vez, está associado a diversos resultados negativos, como ansiedade, depressão, distúrbios de personalidade, baixa autoestima, instabilidade profissional, dificuldades nas relações familiares, transtornos de uso de substâncias, maior taxa de criminalidade e acidentes de trânsito, além de uma maior taxa de mortalidade. O estigma em relação ao tratamento do TDAH com medicamentos também é uma realidade. A má compreensão sobre os medicamentos como uma "solução fácil" ou uma compensação para uma parentalidade inadequada pode desencorajar as pessoas com TDAH a procurar tratamento. O estigma afeta diferentes grupos etários, já que o TDAH é uma condição que impacta pessoas de todas as idades. Por exemplo, adultos com TDAH podem temer revelar seu diagnóstico no trabalho devido ao estigma, enquanto crianças podem sentir-se julgadas por seus colegas na escola, o que torna difícil se integrar e fazer amigos. Para os cuidadores de crianças com TDAH, o estigma pode se manifestar como um escrutínio por parte de outros pais, professores e profissionais de saúde. O estigma afeta as escolhas de cuidados e tratamentos, como a decisão de permitir que a criança tome medicamentos. 56 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com 8.2 Estratégias para combater o estigma A redução do estigma associado ao TDAH pode ser alcançada por meio da educação. Pesquisas indicam que o contato pessoal com pessoas que têm TDAH e a informação sobre os mitos relacionados ao transtorno são duas maneiras eficazes de diminuir o estigma. A partilha de histórias pessoais, a divulgação de informações sobre tratamento e os achados de pesquisas recentes também podem contribuir para combater o estigma. Anderson (2022) destaca a importância de enfrentar o estigma associado ao TDAH por meio de uma abordagem aberta e honesta. Ele sugere estratégias como compartilhar informações precisas e baseadas em evidências, promover a auto aceitação e autocompaixão entre os indivíduos com TDAH, participar de grupos de apoio e estimular o diálogo sincero sobre transtornos mentais. Além disso, ressalta a necessidade de desafiar estereótipos equivocados, como a crença de que o TDAH não é real, afeta apenas crianças, é diagnosticado em excesso, é causado por má educação, resulta em supermedicação, ou que os sintomas são reflexo de falhas pessoais. A autora enfatiza que a educação é uma ferramenta poderosa para combater o estigma do TDAH. Recomenda-se a busca por informações precisas e baseadas em evidências sobre o transtorno e seus sintomas. Além disso, destaca a importância de ser um defensor, corrigindo estereótipos prejudiciais, promovendo a conscientização e incentivando o diálogo aberto sobre questões de saúde mental. Anderson sugere a formação de parcerias com outras pessoas que enfrentam desafios semelhantes, participando de grupos de apoio para compartilhar experiências e lidar com o estigma de forma coletiva. Outro ponto destacado por Anderson (2022) é a necessidade de reduzir o auto estigma. Isso envolve promover a aceitação pessoal e autocompaixão entre aqueles com TDAH, incentivando a busca por ajuda adequada, a participação em grupos de apoio e a partilha de experiências para diminuir sentimentos de vergonha, isolamento e culpa. Essas estratégias, segundo o autor, contribuem significativamente para enfrentar o estigma associado ao TDAH. 57 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com 9. MATERIAIS ARTÍSTICOS, INFORMAÇÕES E CURIOSIDADES 9.1 A ABDA A ABDA, fundada em 1999, é uma organização sem fins lucrativos dedicada à divulgação de informações precisas e baseadas em pesquisas científicas sobre o TDAH. Seu principal propósito é oferecer suporte a indivíduos com esse transtorno e a seus familiares. A associação alcança esse objetivo por meio de grupos de apoio, atendimento telefônico e resposta a e-mails, além de disponibilizar conteúdo em seu site, reconhecido como uma referência nacional na web. 9.2 Livros, filmes e materiais O livro O impacto do TDAH no casamento, escrito por Melissa Orlov, aborda as complexidades das relações conjugais afetadas pelo Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH). A autora destaca as dificuldades frequentes em casamentos nos quais um ou ambos os cônjuges lidam com o TDAH, observando que essas uniões muitas vezes enfrentam crises repetidas, podendo resultar em divórcio. A obra destaca a existência de padrões consistentes em casamentos prejudicados pelo TDAH, ressaltando a importância de identificar esses aspectos para desenvolver estratégias de tratamento que melhorem a convivência. Casamentos impactados pelo TDAH têm uma tendência maior de enfrentar desafios significativos e maior probabilidade de terminar em divórcio, gerando desgaste emocional. A dinâmica desses casamentos pode levar a sentimentos de solidão, frustração e insatisfação, tanto por parte do cônjuge com TDAH quanto do outro. A falta de compreensão dos sintomas do TDAH pode resultar em um ciclo negativo de expectativas não atendidas, cobranças constantes e desempenho aquém do esperado. 58 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com Estudos indicam que pessoas com TDAH têm uma probabilidade duasvezes maior de enfrentar divórcio em comparação com aquelas sem o transtorno. No entanto, a autora destaca que a capacidade de estabelecer relacionamentos afetivos saudáveis não está fora do alcance de indivíduos com TDAH. A falha muitas vezes reside na falta de compreensão mútua e em respostas inadequadas aos sintomas do TDAH. O livro propõe estratégias para casais reconstruírem seus relacionamentos, destacando a necessidade de ambos os cônjuges estarem dispostos a buscar tratamento especializado e fazer mudanças. A compreensão do papel do TDAH na dinâmica do relacionamento é crucial para melhorar a comunicação e evitar respostas prejudiciais repetitivas. O foco em estratégias benéficas inclui o cultivo da empatia, a interrupção de padrões negativos de resposta, o apoio ao cônjuge com TDAH em vez de críticas agressivas e a busca de tratamento especializado. O livro oferece uma visão abrangente e prática para casais que buscam reconstruir relacionamentos afetados pelo TDAH. Para aqueles interessados, o livro "The ADHD Effect on Marriage: Understand and Rebuild Your Relationship in Six Steps" O impacto do TDAH no casamento de Melissa Orlov está disponível em www.amazon.com. Mommy (2014) é um filme de Xavier Dolan que conta a história de Die e seu filho Steve, que vive com TDAH, ambos em busca de algum equilíbrio emocional. Viúva já há alguns anos, Die vive uma relação conturbada com o filho, um verdadeiro mar de instabilidades e agressões, pois o adolescente de 17 anos oscila entre o afeto e a violência em um piscar de olhos. É no meio dessas idas e vindas que a vizinha Kyla surge, presenteando ambos com uma amizade imprevisível. O filme nos dá uma visão tocante sobre o que é viver com TDAH. Em Impulsividade (2005) Justin Cobb é um adolescente com TDAH, algo facilmente notável por sua mania de chupar o dedo. Aos 17 anos, tenta de tudo para se livrar deste costume, mas, no processo, acaba enfrentando dificuldades para encontrar um novo hábito mais saudável. Filho de pais imaturos, ele é forçado a aprender a crescer sozinho. “Impulsividade” (Thumbsucker) é um retrato forte do amadurecimento que é perfeitamente possível para aqueles que vivem com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. 59 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001) e Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (2004), apesar das tramas desses filmes serem de uma abordagem mais romântica do TDAH, indo por um caminho mais lúdico, eles podem dar uma dimensão do quão sonhadores e pouco atentos podem ser alguém com o transtorno. Os dois personagens centrais, Amélie Poulain e Ed Bloom, passam o dia em outro mundo, sendo capazes de jurar que viveram o que não viveram. Com muito lirismo, “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” (Le fabuleux destin d'Amélie Poulain) e “Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas” (Big Fish) auxiliam a entender e a interpretar o TDAH, dando aos espectadores mais empatia com relação às pessoas que sofrem do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Com abordagens distintas, esses filmes podem ajudar tanto a pessoa com TDAH quanto seus familiares e entes queridos a terem uma visão mais compreensiva sobre o transtorno. Tudo em todo lugar ao mesmo tempo (2022) é um dos filmes mais famosos atualmente. Isso porque, na recente premiação do Oscar e Globo de Ouro, o filme levou quase todas as premiações. Com um roteiro que brinca com uma ruptura interdimensional em várias realidades paralelas, acompanhamos a história central de Evelyn, a única capaz de, em todas as realidades, conseguir combater os perigos do multiverso. De forma metafórica, o filme fala sobre depressão, TDAH e a ânsia de nunca sentir-se suficiente ou capaz. Daniel Kwan, um dos diretores do filme, descobriu que também vivia com o transtorno enquanto pesquisava sobre para dirigir a protagonista. Transtorno este que, mais tarde, foi confirmado por um psiquiatra. Dennis, o Pimentinha (1993) que é um grande sucesso nas telinhas da sessão da tarde, Dennis, o Pimentinha fala sobre um menino que inferniza a vizinhança, tendo alguns alvos específicos, que são seus favoritos. Como a fama de Dennis é notória, nenhuma babá quer cuidar da criança, devido a seu comportamento hiperativo e desatento. Demonstrando sempre um garoto super elétrico e impulsivo, com comportamentos que influenciavam o convívio familiar, social e rendimento escolar, Dennis, o Pimentinha é um dos filmes que retratam a figura de uma criança com todos os sintomas mais gritantes de TDAH. Outro programa é o Young Royals que é uma série recente da Netflix, de origem sueca, com um roteiro que gira em torno de um príncipe que envolve-se em um escândalo e é mandado para um colégio interno, onde acaba vivendo um romance com 60 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com um personagem bolsista. O TDAH é presente na série através de uma personagem, Sara, interpretada por Frida Argento, que apresenta o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e asperger. É uma nova série que está rendendo muitos elogios pelo público. Outra obra é o filme O som do coração, este filme também a partir da perspectiva da saúde mental, e o no comportamento de Evan, é possível perceber sinais de falta de atenção, agitação, dificuldade de ficar parado, atitudes impulsivas. É curioso notar que sua mãe também apresenta tais características, o que pode ser algo herdado. Os sintomas relatados indicam que pode se tratar do TDAH. Além desses, outros sintomas comuns são os esquecimentos contínuos, a hiperatividade, dificuldade de se concentrar e de organizar ou planejar, problemas para manter o foco por muito tempo, distrações frequentes. Como causas, o transtorno pode estar atrelado a condição genética, como no filme, mas outras causas que podem aumentar os riscos são as influências do ambiente em que a criança vive, como conflitos familiares, algumas substâncias utilizadas na gravidez (como álcool e nicotina), entre outros 9.3 Alguns famosos diagnosticados com TDAH Bill Gates, Jennifer Lawrence, Will Smith, Adam Levine, Michael Phelps, Justin Timberlake, Simone Biles, Paris Hilton, Emma Watson, Jamie Oliver, Jim Carey, Ryan Gosling, Lily Allen, Richard Branson, Walt Disney, Trevor Noah, Johnny Depp, Channing Tatum, Justin Timberlake, Dave Grohl, Sam Fender, Scott Kelly, Mark "Markiplier" Fischbach, Sabrina Sato, Suzana Alves, Fiuk, Tatá Werneck, David Neeleman, Tallis Gomes. 61 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com https://vtmneurodiagnostico.com.br/perguntas_respostas/5-dicas-para-quem-tem-filho-com-transtorno-do-deficit-de-atencao-com-hiperatividade-tdah/ https://tdah.org.br/cientistas-identificam-genes-envolvidos-no-tdah/ “(...) Não é muito fácil. Como eu passei muito tempo com TDAH, criei o hábito de fazer coisas picadas. Isso é muito ruim quando preciso concluir alguns projetos maiores que necessariamente você não dá para fazer um sprint. Quem tem TDAH como eu, se a pessoa vai bem, ela aprende a fazer as coisas muito rapidamente e aprende a ser muito eficiente. Mas têm coisas que não tem como, que são projetos maiores. Precisa ter etapas e a gente tem muita dificuldade em cumprir isso. É um trabalho quase que interno, de eu me policiar, ser meu próprio chefe, de conseguir e falar, “você precisa cumprir essa etapa”. É um desafio muito grande, eu brigo comigo mesmo o tempo inteiro.” Tallis Gomes Founder Easy Taxi e Singu 62 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com REFERÊNCIAS AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. Tradução: Maria Inês Corrêa Nascimento et al. Revisão técnica: Aristides Volpato Cordioli et al. 5. ed. 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A construção da história desse diagnóstico é permeada por diferentes perspectivas, especialmente no que diz respeito à sua relação com o espaço epistêmico e social, bem como às influências morais, sociais, políticas, econômicas e institucionais. Caliman (2010) destaca a existência de duas visões predominantes na abordagem histórica do TDAH. A primeira, denominada oficial e dominante, isola o diagnóstico de seu contexto mais amplo, conferindo-lhe uma autonomia divina e protegendo a ciência que o originou. Esta visão tende a desconsiderar aspectos éticos, sociais e políticos que contribuem para a construção do fenômeno patológico, além de negligenciar o diálogo complexo entre as demandas políticas e ideológicas subjacentes 5 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com à pesquisa científica. Na segunda visão, críticos e defensores da abordagem neurológica do TDAH baseiam-se nos marcos e classificações psiquiátricas da história dominante. Críticos apontam a volatilidade do transtorno ao longo do tempo, com mudanças frequentes em sua classificação. Argumentam que a diversidade de sintomas do TDAH não pode ser unificada sem uma redução indevida. No entanto, Caliman ressalta que essa crítica muitas vezes falha em considerar o que essas patologias têm em comum, não explorando o substrato compartilhado. Caliman (2010) prossegue abordando a história oficial do TDAH, destacando os diagnósticos guarda-chuva que contribuíram para sua constituição. Cita a síndrome da encefalite letárgica e o dano cerebral mínimo como exemplos, observando suas transformações ao longo do tempo e as mudanças nas ênfases diagnósticas, como a transição da hiperatividade para a desatenção nas décadas de 70 e 80. O ponto central da análise histórica, segundo Caliman, está na ênfase na interpretação de Russell A. Barkley, um proeminente defensor da perspectiva neurológica cognitiva do TDAH. Barkley, juntamente com figuras como George Still e Virgínia Douglas, sustenta que o TDAH resulta de um defeito da inibição e do autocontrole, relacionando-o a um déficit no desenvolvimento moral. Caliman (2010) destaca a importância de situar o trabalho de George Still no contexto histórico da virada do século XX, onde a preocupação com a infância moralmente defeituosa era evidente. Still, ao descrever a condição mórbida, baseou suas análises em analogias teóricas e pressupostos metafísicos, não se apoiando em descobertas científicas específicas. A história da patologização da infância amoral remonta ao século XIX, com discussões sobre crianças criminosas e deficientes moralmente. Duas variáveis históricas fundamentais destacadas por Caliman (2010) são a educação infantil e a medicalização do comportamento. Ele aponta que, no final do século XIX, a preocupação científica e social com a infância, combinada com o fortalecimento da psicologia e pedagogia do desenvolvimento, influenciou a busca por uma função reguladora natural. A neurofisiologia da vontade inglesa refletiu uma tentativa de resolver o problema metafísico e social da vontade por meio do reducionismo fisiológico. 6 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com No século XX, o TDAH foi oficialmente reconhecido em 1968, no DSM-2, como a "Reação Hipercinética da Infância", anteriormente conhecida como síndrome da criança hiperativa. O DSM-3, em 1980, introduziu a terminologia "Transtorno do TDAH com ou sem hiperatividade". Em 1994, o DSM-4 reconheceu a possibilidade de classificar o TDAH em três subtipos: predominante desatento, predominante hiperativo-impulsivo e predominante combinado, uma classificação que persiste no DSM-5 de 2013. Essa evolução na terminologia e classificação reflete a compreensão em constante aprimoramento do TDAH ao longo do tempo. Atualmente, Viégas e Oliveira (2014) criticam a condução do TDAH, questionando a interpretação da diversidade como doença, especialmente com abordagens neurológicas. Eles levantam a questão dos interesses políticos e financeiros por trás da manutenção dos diagnósticos e tratamentos para o TDAH, destacando o benefício financeiro da indústria farmacológica com a venda de medicamentos para transtornos como esse. Esses teóricos também criticam como as ciências, ao dominarem a vida cotidiana nas sociedades capitalistas, transformam a visão biologicista do ser humano em um discurso social predominante. No contexto do TDAH no século XXI, Viégas e Oliveira (2014) enfatizam a conceituação vaga, os critérios diagnósticos imprecisos e a falta de consenso entre os profissionais da área. Ao mesmo tempo, observam a crescente adoção do diagnóstico e tratamento, incluindo o medicamento metilfenidato, cujas consequências a longo prazo demandam estudos mais aprofundados. O debate proposto por esses autores visa resistir ao reducionismo da vida a aspectos orgânicos e promover novas perspectivas que respeitem a diversidade. Entretanto, ressalta-se a necessidade de uma abordagem unificada diante dos distúrbios mentais, como no caso do TDAH. O texto de Sampaio et al (2023) destaca a importância de reconhecer os prejuízos que podem surgir na ausência de assistência coordenada. O papel essencial do ensino superior, com ênfase em ensino, pesquisa e extensão, é enfatizado como crucial para abordar questões complexas, como o TDAH. Além disso, o texto demonstra a importância da disseminação de informações sobre o TDAH para a população leiga, utilizando uma abordagem didática e acessível. 7 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com 1.2. Características principais De acordo com Sulkes (2022), o Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é um distúrbio do neurodesenvolvimento que pode se manifestar desde o nascimento ou desenvolver-se logo após. Crianças afetadas podem apresentar dificuldades em áreas como atenção prolongada, concentração e conclusão de tarefas, sendo algumas delas hiperativas e impulsivas. O diagnóstico, muitas vezes, é realizado por meio de questionários preenchidos por pais e professores, juntamente com a observação do comportamento da criança. Sulkes (2022) destaca a necessidade frequente de medicamentos psicoestimulantes, além de intervenções como ambientes estruturados, rotinas, planos de intervenção escolar e ajustes nas técnicas de educação dos pais. É ressaltado que o TDAH não é um distúrbio de comportamento, embora comportamentos hiperativos e impulsivos sejam frequentes. É observado por Sulkes (2022) que características do TDAH frequentemente se manifestam antes dos quatro anos, mas podem não impactar significativamente o desempenho acadêmico e social até os anos escolares intermediários. Anteriormente chamado apenas de Transtorno do Déficit de Atenção (TDA), a inclusão da hiperatividade levou à alteração da terminologia. O autor destaca que, em ambientes estruturados, como escolas, os sintomas do TDAH podem se tornar mais evidentes, enquanto em gerações passadas, com diferentes expectativas sobre o comportamento infantil, esses sintomas poderiam passar despercebidos. Mesmo que alguns sintomas possam ocorrer em crianças sem o transtorno, eles são mais frequentes e graves naqueles com o déficit. Sulkes (2022) ressalta que o TDAH não é exclusivo da infância e pode persistir na adolescência e idade adulta. Adultos com TDAH podem apresentar dificuldades de concentração, habilidades executivas prejudicadas, inquietação, oscilações de humor, impaciência, dificuldade em manter relacionamentos e outros sintomas. Diagnosticar o TDAH em adultos pode ser desafiador, pois os sintomaspodem se sobrepor a outros transtornos mentais. 8 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com As funções executivas e a atenção desempenham papéis cruciais no TDAH, refletindo alterações nas funções neuropsicológicas. O córtex pré-frontal, uma área-chave do cérebro, estabelece conexões com diversas regiões, incluindo o lobo parietal, temporal e occipital, estruturas subcorticais como o tálamo, e o sistema límbico. Ele é subdividido em três regiões distintas: ● Córtex Pré-frontal Lateral: Responsável pelo armazenamento de informações, manipulação da memória de trabalho, atenção seletiva, controle inibitório e flexibilidade cognitiva. ● Córtex Pré-frontal Ventromedial: Relacionado às emoções. ● Córtex Cingulado Anterior: Associado a tarefas cognitivas, atenção dividida e ao sistema de supervisão de atenção. Quatro habilidades executivas foram identificadas, destacando aspectos cruciais do funcionamento cognitivo no TDAH: ● Memória Operacional ou de Trabalho: Envolvendo a manutenção de representação mental, retrospecção, prospecção e orientação temporal. ● Fala Internalizada: Correspondente ao comportamento encoberto, incluindo auto-instrução, definição de regras e raciocínio matemático. ● Auto-regulação: Envolvendo a ativação, motivação e controle sobre o afeto. ● Reconstituição: Desempenhando uma função de sintaxe comportamental, abrangendo fluência e criatividade. Os componentes das funções executivas englobam diversas áreas, como planejamento, controle inibitório, tomada de decisão, flexibilidade cognitiva, memória de trabalho, atenção, categorização e fluência. Essas características refletem as complexas interações neurais que contribuem para as manifestações clínicas do TDAH. 1.3. Estatísticas e prevalência O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um desafio complexo que atravessa as fronteiras entre neurociência e psiquiatria, exigindo uma análise aprofundada das estatísticas e prevalência para compreender verdadeiramente sua extensão e impacto nas populações. 9 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com Estudos recentes apontam um aumento consistente na prevalência do TDAH nas últimas décadas, transformando-o em um fenômeno global que transcende barreiras culturais e socioeconômicas. Aproximadamente 5 a 7% das crianças em idade escolar são afetadas por esse transtorno, com muitos casos persistindo na adolescência e na vida adulta. Já para Sulkes (2022) existe na verdade uma controvérsia quanto à prevalência do TDAH, enquanto outros estudos vão até 7% outros fazem estimativas de que afeta de 5% a 15% das crianças, sendo mais comum em meninos. Pesquisas indicam que 67% das crianças diagnosticadas com TDAH continuam a enfrentar os sintomas na idade adulta, afetando aspectos acadêmicos, profissionais, afetivos e sociais. Atualmente, estima-se que 60% a 70% das pessoas que tiveram TDAH na infância continuam a enfrentar o transtorno na vida adulta, conforme Amaral (2001), Barkley (2002), Risueño (2001), Souza, Serra, Mattos e Franco (2001) Na neurociência, investigações revelam alterações estruturais e funcionais em regiões cerebrais associadas ao controle da atenção e impulsividade em indivíduos com TDAH. Estudos de neuroimagem destacam diferenças na atividade do córtex pré-frontal, núcleo estriado e cerebelo, sugerindo bases biológicas para as características observadas. Além disso, a influência genética é evidente, com estudos indicando uma hereditariedade em torno de 75%. No entanto, o entendimento do TDAH vai além das bases biológicas, incluindo fatores ambientais como exposição a toxinas durante a gravidez, complicações no parto e experiências traumáticas, que interagem de maneira complexa com a predisposição genética. Embora o TDAH seja frequentemente associado à infância, estudos recentes destacam a persistência de sintomas na vida adulta. A incapacidade de gerenciar atenção e impulsividade pode impactar significativamente o desempenho acadêmico, as relações interpessoais e a carreira profissional, ressaltando a importância de intervenções precoces e abordagens terapêuticas abrangentes. 10 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com 2. CAUSAS E FATORES DE RISCO 2.1. Teorias Gerais Existem três grandes teorias explicativas para o TDAH, como é possível ver na tabela a seguir: Tabela 1 - Teorias explicativas para o TDAH TEORIA DESCRIÇÃO Teoria do Déficit de Maturação Sugere que o TDAH pode resultar de um atraso no desenvolvimento do sistema nervoso central, refletindo-se em um desenvolvimento mais lento em áreas específicas do cérebro que influenciam a regulação do comportamento. Teoria da Regulação do Estímulo Destaca a busca por estimulação e um déficit na capacidade de regulação do estímulo como características fundamentais do TDAH. Indivíduos com TDAH podem ser propensos a buscar constantemente atividades estimulantes devido a dificuldades na autorregulação. Teoria da Execução Deficiente Alguns pesquisadores propõem que o TDAH pode estar relacionado a uma deficiência nas funções executivas do cérebro, como a capacidade de planejar, organizar e iniciar tarefas. Essa deficiência pode contribuir para as dificuldades no controle do comportamento e da atenção associadas ao TDAH. 11 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com 2.2. Genética e hereditariedade A hereditariedade desempenha um papel significativo no TDAH. Estudos com gêmeos e famílias mostraram uma forte influência genética. Vários genes estão associados ao TDAH, e as variações genéticas podem contribuir para a suscetibilidade ao transtorno. Medeiros et al. (2023) exploram as mutações genéticas como possíveis contribuintes para o TDAH. O grupo de genes RFX, incluindo RFX3, RFX4 e RFX7, localizados no córtex cerebral, é apontado como influente na cognição e comportamento social. Além disso, o gene SLC9A9, parte da família de trocadores de Na+/H+, é associado a distúrbios neuropsiquiátricos, incluindo o TDAH, devido à sua função no pH endossomal e regulação sináptica. Estudos indicam que mutações no SLC9A9 estão relacionadas a fenótipos autísticos, alterando a expressão gênica em sinapses. A análise de variantes do número de cópias (VNC) nos cromossomos 16p11.2 e 22q11.2 revela sua associação com riscos elevados de TDAH, afetando a conectividade funcional. A revisão de Medeiros et al. (2023) também destaca a correlação entre vulnerabilidades genéticas ao TDAH, Transtorno Depressivo Maior (TDM) e transtornos de ansiedade com distúrbios do sono em crianças. Ao abordar estudos genéticos em fetos humanos, o texto de Medeiros et al. (2023) destaca genes e transcritos associados ao TDAH, evidenciando a complexidade genética desse transtorno. A conclusão ressalta a relação etiológica genética entre o TDAH, com genes do grupo RFX, SLC9A9 e VNCs desempenhando papéis distintos. No entanto, enfatiza a necessidade de mais estudos para avançar no entendimento e tratamento dessa condição. 2.3. Fatores ambientais O TDAH pode ser influenciado por diversos fatores ambientais, incluindo exposição a substâncias durante a gravidez, complicações pré e perinatais, deficiência de nutrientes, presença de aditivos alimentares, adversidade familiar, falta de suporte parental, coesão familiar e o uso de álcool/drogas pelos pais. Ceretta (2022) afirma que 12 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com o fumo durante a gestação, por exemplo, é considerado um dos fatores não genéticos mais significativamente associados ao TDAH, aumentando a chance de ocorrência em filhos de mães fumantes em comparação com não fumantes. Complicações como prematuridade e baixo peso ao nascer, deficiência de nutrientes como ácidos graxos, zinco e ferro, assim como a presença de aditivos alimentares, também são considerados elementos influentes. Além disso, Serra(2015) destaca fatores relacionados ao ambiente familiar, como adversidade, falta de suporte parental, coesão familiar comprometida e o uso de substâncias pelos pais, demonstram associação direta com casos de TDAH. O estresse e os problemas psiquiátricos dos pais também desempenham um papel significativo, contribuindo para a presença de autorregulação emocional deficiente em crianças com TDAH. Embora o TDAH tenha uma componente genética, é importante reconhecer a influência substancial dos fatores ambientais, alguns dos quais podem ser prevenidos para mitigar o risco de desenvolvimento desse transtorno. 2.4. Lesões cerebrais e sua relação com o TDAH Ademais, o TDAH está associado a anormalidades em regiões cerebrais específicas, incluindo o córtex pré-frontal, o núcleo estriado e o cerebelo. A implicação de neurotransmissores como dopamina e noradrenalina, que desempenham papel crucial na regulação da atenção e do comportamento impulsivo, é evidenciada no quadro do TDAH. O diagnóstico psiquiátrico do TDAH teve seu início vinculado ao conceito de "lesões cerebrais mínimas". Silveira e Rodrigues (2021) destacam que crianças diagnosticadas com TDAH apresentam sintomas notáveis, como dificuldade de concentração, agitação psicomotora e impulsividade. De acordo com estudos mencionados por França (2012), fatores genéticos e alterações nos neurotransmissores, especialmente dopamina e noradrenalina, são identificados como causas principais do TDAH. Essas substâncias desempenham um papel crucial na conexão entre neurônios na região frontal do cérebro. A predisposição genética destaca-se como um elemento significativo na manifestação do transtorno, enquanto as modificações nos neurotransmissores, essenciais para a comunicação neural, são apontadas como contribuintes para os sintomas observados no TDAH. 13 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com Além disso, os autores supracitados ciram Mclean et al (2004) destacando que disfunção do córtex pré-frontal pode resultar em sintomas semelhantes ao TDAH, como prejuízo na inibição comportamental, reversão de recompensa em memória de trabalho, dificuldade de concentração, distração fácil e impulsividade quando afeta o hemisfério direito. Outra região cerebral discutida é o cerebelo, tradicionalmente considerado como centro de equilíbrio. Estudos citados por Silveira e Rodrigues (2021) relatam a redução de seus lóbulos VI, VII, VIII, IX e X em várias pesquisas. Alterações no corpo estriado e seus núcleos, como caudado, putâmen, núcleo accumbens e globus pallidus, também estão relacionadas aos sintomas do TDAH, pois desempenham papel vital na regulação da atenção, ação e comportamento. A regulação dopaminérgica nessa região é crucial para o estabelecimento da atenção, com conexões estriado-corticais desempenhando um papel chave no TDAH. Para Ducan e Owen (2000) citados por Silveira e Rodrigues (2021) o córtex cingulado anterior dorsal, associado à cognição, controle motor e estado de excitação, também é prejudicado em pacientes com TDAH, apresentando diminuição no volume e espessura, conforme evidenciado por neuroimagens funcionais (DUNCAN; OWEN, 2000). Loo et al (2003) citado por Silveira e Rodrigues (2021) destacam que o envolvimento da dopamina na etiopatogenia do TDAH é evidenciado pela disfunção dopaminérgica nas regiões mesocorticais, mesolímbicas e vias nigroestriatais, impactando funções cognitivas e motivacionais. Polimorfismos genéticos, regulando a densidade dos transportadores de dopamina, também são associados à susceptibilidade ao TDAH. Entretanto, especificamente quanto à relação entre lesões cerebrais e TDAH, a literatura ainda carece de consenso claro. Contudo, a perspectiva inicial associada às "lesões cerebrais mínimas" sugere uma possível conexão entre disfunções neurológicas e o transtorno. Ampliar a compreensão dessas relações demanda investigações mais aprofundadas, considerando múltiplos aspectos neurobiológicos e genéticos envolvidos no contexto do TDAH. 14 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com 3. DIAGNÓSTICO 3.1. Critérios diagnósticos Os critérios diagnósticos do DSM-5 (2014) estabelecem 9 sinais de desatenção e 9 de hiperatividade e impulsividade. O diagnóstico requer a presença de pelo menos 6 sinais e sintomas de um ou ambos os grupos, sendo necessário que esses sintomas estejam presentes por pelo menos 6 meses, sejam mais acentuados do que o esperado para o nível de desenvolvimento, ocorram em pelo menos 2 situações diferentes, iniciem antes dos 12 anos e interfiram no funcionamento diário. Sintomas de Desatenção: 1. Não presta atenção a detalhes ou comete erros descuidados. 2. Dificuldade em manter a atenção em tarefas. 3. Não parece prestar atenção quando abordado diretamente. 4. Não segue instruções ou completar tarefas. 5. Dificuldade em organizar tarefas e atividades. 6. Evita tarefas que exigem esforço mental prolongado. 7. Perde frequentemente objetos necessários. 8. Distrai-se facilmente. 9. Esquecido em atividades diárias. 15 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com Sintomas de Hiperatividade e Impulsividade: 1. Movimentar ou torcer mãos e pés com frequência. 2. Movimenta-se excessivamente em situações inapropriadas. 3. Corre e escala frequentemente quando não apropriado. 4. Dificuldade em brincar calmamente. 5. Movimentos frequentes, como se estivesse "ligado na tomada". 6. Fala demasiadamente. 7. Responde abruptamente antes que perguntas sejam completadas. 8. Dificuldade em aguardar sua vez. 9. Intromissão frequente em conversas alheias. O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) vai muito além do estereótipo comumente associado à desatenção. No contexto da desatenção, os pacientes podem enfrentar cansaço crônico, distratibilidade, falhas de memória, perda de detalhes, hiperfoco, pensamento associativo, inquietação mental, atrasos, indecisão, dificuldade de organização e desafios para iniciar ou concluir tarefas. Quanto à hiperatividade, o TDAH também se manifesta com dificuldade para ficar parado, inquietação interna, fala excessiva, sensação de ter o "motor ligado", terminar as frases de outras pessoas, dificuldade para relaxar, dificuldade em esperar, fala em excesso e movimentos repetitivos com mãos e pés. No que se refere à impulsividade, os pacientes com TDAH podem exibir comportamentos como compulsão alimentar, busca por sensações, agir sem pensar, interromper outros, terminar as frases de outras pessoas, comportamento de risco, falta de atraso na gratificação, irritabilidade em esperar, iniciar rapidamente relacionamentos e sair rapidamente de empregos. A desregulação emocional é outra faceta do TDAH, evidenciada por reatividade emocional, flutuação emocional, mudanças exageradas após gatilhos emocionais, 16 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com irritabilidade, impulsividade emocional, explosões de raiva, baixa tolerância à frustração e aumento pré-menstrual dos sintomas. O DSM-5 (2014) destaca considerações diagnósticas, alertando para a diferenciação entre TDAH e outras condições. A avaliação médica deve investigar fatores pré-natais, complicações perinatais, infecções, traumatismos, doenças cardíacas, respiração durante o sono, hábitos alimentares e história familiar de TDAH. A avaliação também inclui aspectos do desenvolvimento, histórico educacional e revisão de registros, com o cuidado de não depender apenas de escalas isoladas para o diagnóstico. A partir da participação em algumas palestras, no tocante aos critérios para diagnósticos para TDAH em adolescentes foi possível identificar que a partir dos 17 anos, apenas cinco sintomas em cada domínio são necessários para confirmar o diagnóstico. A presença de sintomas subsindrômicos, combinada com prejuízo funcional, valida a necessidade de intervenção terapêutica. É crucialressaltar que o diagnóstico não deve depender exclusivamente da observação clínica, já que crianças podem controlar sintomas em situações específicas. Testes neuropsicológicos são informativos, mas não obrigatórios, enquanto exames de neuroimagem não têm relevância clínica. Durante a infância, os indícios do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) podem apresentar-se de maneiras diversas. Isso inclui situações em que a criança aparenta estar frequentemente perdida em seus próprios pensamentos, o estudante que enfrenta dificuldades para concentrar-se nas aulas e nos estudos em casa, demonstrando uma mente propensa a divagações constantes. Além disso, há casos em que a energia excessiva se manifesta, resultando em inquietude mesmo durante atividades cotidianas simples, transformando a criança em alguém agitado no ambiente escolar. Na fase adulta, as complexidades do TDAH se refletem nas dificuldades de concentração no ambiente de trabalho, impulsividade nas relações pessoais e a constante batalha para manter um nível mínimo de organização. Esses aspectos tornam-se comuns para aqueles que lidam com essa condição ao longo da vida adulta. 17 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com De acordo com as observações de Miranda (2023), é relevante notar que o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) em adultos frequentemente apresenta uma melhora nos sintomas de hiperatividade/impulsividade ao longo do desenvolvimento. Isso pode resultar na transição de uma apresentação combinada na infância para uma predominância de sintomas desatentos na vida adulta, enquanto o quadro clínico torna-se mais semelhante entre os sexos nessa fase. Ao contrário da maioria dos transtornos psiquiátricos, o diagnóstico de TDAH não se fundamenta na alteração de um estado prévio, pois os sintomas são sutis e duradouros. Muitas vezes, o impacto funcional não é percebido pelo paciente, destacando a importância da coleta de histórico colateral, preferencialmente com familiares. Evidências indicam que relatos de informantes, como os pais, são mais precisos do que autorrelatos, pois os adultos tendem a subestimar seus próprios sintomas. No contexto adulto, o TDAH transcende um mero déficit sustentado na atenção, assemelhando-se a uma incapacidade de modular efetivamente as habilidades de atenção. Situações que demandam esforço mental, como leitura, participação em reuniões e realização de tarefas desafiadoras, tornam-se difíceis e frequentemente são adiadas. A distraibilidade excessiva a estímulos internos e externos é evidente, sendo que na idade adulta, os sintomas de hiperatividade muitas vezes se manifestam de forma mais cognitiva do que na infância, apresentando-se como ideias difíceis de controlar. A divagação excessiva, caracterizada pelo afastamento da mente de uma tarefa para focar em pensamentos internos não relacionados, é comum no TDAH adulto. Essa divagação é distinguível por pensamentos distrativos e desfocados de curta duração, sem um padrão repetitivo ou conteúdo anormal. A instabilidade motora na infância evolui para uma propensão excessiva a movimentar-se e realizar atividades na vida adulta. A dificuldade em relaxar, recusar solicitações ou manter-se cuidadoso em situações apropriadas torna-se evidente. A impulsividade manifesta-se como dificuldade em esperar ou impaciência, incluindo uma tendência a interromper as pessoas ou responder de maneira precipitada. 18 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com Outros sintomas relevantes no TDAH adulto incluem dificuldades com funções executivas, como inibição e memória de trabalho, além de desregulação emocional. Esta última se traduz na dificuldade em gerenciar intensidade e duração das emoções, refletindo-se em instabilidade de humor, baixa tolerância à frustração e expressões excessivas de raiva. Miranda (2023) destaca que alguns sintomas não incluídos nos critérios diagnósticos são frequentemente observados em pacientes adultos com TDAH. Alterações no sono são relatadas por mais de 70% dos adultos diagnosticados. A busca prévia por auxílio psiquiátrico para tratar transtornos comórbidos é comum entre os pacientes com TDAH. O diagnóstico em si pode ser desafiador, uma vez que o indivíduo desenvolve estratégias compensatórias para lidar com as dificuldades impostas pelo transtorno. À medida que as tarefas se tornam mais complexas e o suporte estruturado de ambientes familiares e escolares diminui, os prejuízos associados ao TDAH se tornam mais evidentes em diversos aspectos da vida. A seguir são apresentadas algumas características clínicas relacionadas ao diagnóstico, a tabela destaca três aspectos importantes do TDAH: Tabela 2 - Algumas características clínicas e diagnóstico Início na Infância Os sintomas podem surgir na primeira infância, manifestando-se em lactentes ativos, com padrões de sono reduzidos e maior propensão ao choro. Manifestações Comuns Hiperatividade, déficit de atenção, distração, perseverança, dificuldade em concluir tarefas e desatenção são características frequentemente observadas. 19 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com Comorbidades Associadas TDAH está frequentemente associado a deficiências motoras perceptivas, instabilidade emocional e transtornos de coordenação do desenvolvimento. Comportamentos desafiadores e agressivos são comuns. Na tabela a seguir também são apresentadas as comorbilidades que estão associadas e fatores correlatos: Tabela 3 - Investigação Clínica e Comorbidades Avaliação Cardíaca Antes do início do tratamento, é essencial uma avaliação cardíaca completa, incluindo exame cardiológico e ECG. Comorbidades Frequentes Além das mencionadas, o TDAH frequentemente coexiste com transtornos de ansiedade e transtorno disruptivo de desregulação do humor. Fatores Médicos Sobrepostos Epilepsia de petit mal, deficiências sensoriais, alterações tireoidianas e hipoglicemia são condições médicas que podem apresentar sintomas sobrepostos ao TDAH. Essas orientações apresentadas na tabela 3 visam aprimorar a compreensão diagnóstica, considerando para além dessas informações as faixas etárias específicas, critérios distintos e diferenciação cuidadosa para evitar diagnósticos inadequados. 20 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com Dessa forma, será possível reduzir as chances do paciente obter um diagnóstico equivocado. Além dessas questões, vale ressaltar aspectos relacionados aos diagnósticos diferenciais no tocante ao Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), portanto, é crucial destacar suas distinções em relação a outros transtornos, conforme definido pelo DSM-V (2014). Segundo o DSM-V (2014) o Transtorno de Oposição Desafiante (TOD), por exemplo, caracteriza-se pela resistência a tarefas que exigem autodeterminação, apresentando sintomas como negatividade, hostilidade e desafio. Esta diferenciação se torna essencial para evitar confusões com aversão escolar ou tarefas de alta demanda associadas ao TDAH. O DSM-V (2014) também destaca que o caso do Transtorno Explosivo Intermitente, embora compartilhe comportamentos impulsivos com o TDAH, se distingue pela presença de agressividade dirigida a outros, algo atípico no TDAH. É uma condição rara na infância, mas pode coexistir com o TDAH. Outros Transtornos do Neurodesenvolvimento também requerem diferenciação. Segundo o DSM-V (2014) a atividade motora aumentada no TDAH deve ser distinguida do comportamento motor repetitivo observado no Transtorno do Movimento Estereotipado e em alguns casos de Transtorno do Espectro Autista. O TDAH envolve inquietação generalizada, enquanto outros transtornos podem apresentar movimentos estereotipados fixos. O Transtorno Específico da Aprendizagem é outro ponto de diferenciação. Crianças com este transtorno podem parecer desatentasdevido à frustração ou falta de interesse, mas a desatenção não acarreta prejuízos fora do ambiente acadêmico (DSM-V, 2014). Além disso, é crucial distinguir o TDAH de condições como deficiência intelectual. Embora sintomas semelhantes possam surgir em ambientes acadêmicos inadequados, o diagnóstico de TDAH exige que a desatenção ou hiperatividade seja excessiva para a idade mental. 21 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com No contexto do Transtorno do Espectro Autista, o DSM-V (2014) destaca que apesar da partilha de desatenção e disfunção social, é necessário diferenciar a rejeição social característica do autismo da disfunção social encontrada no TDAH. Essas diferenciações se estendem a transtornos depressivos, bipolares, de ansiedade, entre outros, assegurando uma compreensão clara e precisa dos sintomas e características específicas de cada condição. Isso porque muitas vezes é fácil de acabar confundindo diagnósticos, portanto, é extremamente necessário realizar uma análise aprofundada para que seja possível descartar cada um dos transtornos com características e sintomatologias parecidas ou idênticas. 3.2. Tipos de TDAH O diagnóstico do TDAH pode ser classificado em três tipos principais, cada um centrado na predominância de sintomas específicos, considera-se o seguinte: ● Tipo Desatento: ≥ 6 sinais de desatenção. ● Tipo Hiperativo/Impulsivo: ≥ 6 sinais de hiperatividade e impulsividade. ● Tipo Combinado: ≥ 6 sinais de ambos os critérios. O Tipo Desatento é estabelecido quando há a presença de pelo menos seis sinais relacionados à desatenção, como dificuldade de manter a atenção e esquecimento de tarefas. Indivíduos com o subtipo desatento do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) frequentemente enfrentam desafios em manter a concentração, apresentando dificuldades para concluir tarefas e sendo facilmente distraídos. Essas pessoas necessitam de supervisão adicional para realizar suas atividades, muitas vezes mudando de uma tarefa para outra antes de concluí-las. Essa falta de foco pode levar a uma aparência de confusão e sonhando acordado. Além disso, 22 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com a desorganização é uma característica marcante, e esses indivíduos têm dificuldade em seguir adequadamente as regras estabelecidas. O subtipo desatento também pode manifestar sintomas físicos, como hipoatividade e problemas de coordenação motora. Há déficits observados na memória de trabalho e nas funções executivas, conforme discutido por Dias (2009) e mencionado por Barkley (2008). Outras características associadas a esse subtipo incluem timidez e passividade social, conforme destacado por Fuentes et al. (2014), citado por Barkley (2008). Indivíduos desatentos são propensos a descuidos com seus pertences, frequentemente esquecem itens relacionados a tarefas e têm a tendência de procrastinar o início de uma atividade. Esses traços combinados contribuem para a complexidade da apresentação clínica do TDAH desatento. No caso do Tipo Hiperativo/Impulsivo, o diagnóstico requer a manifestação de pelo menos seis sinais de hiperatividade e impulsividade, incluindo agitação excessiva e dificuldade em esperar a vez. Diamond (2005) citado por Barkley (2008) destacam que esses sujeitos apresentam uma notável falta de inibição, associada à hiperatividade e impulsividade. Essas pessoas enfrentam dificuldade em esperar para obter algo, demonstram agitação constante e têm problemas em cumprir regras estabelecidas. A capacidade de concluir uma tarefa sem supervisão é limitada, e são caracterizados por comportamentos falantes, falta de autocontrole, imaturidade, egocentrismo, irresponsabilidade, preguiça percebida e rudeza. A agitação é evidente nas mãos e nos pés, indicando um padrão de hiperatividade. Além disso, apresentam déficits de memória de trabalho seletiva, tornando a execução de funções executivas desafiadoras. Esses indivíduos podem ser percebidos como desprovidos de autocontrole, resultando em um comportamento impulsivo e desastrado. A combinação dessas características compõem a apresentação clínica específica do TDAH hiperativo/impulsivo. Já o Tipo Combinado é atribuído quando há seis ou mais sinais tanto de desatenção quanto de hiperatividade/impulsividade, abrangendo uma variedade mais ampla de sintomas que caracterizam ambos os domínios do TDAH. Essa classificação ajuda a compreender a natureza única da apresentação de sintomas em cada indivíduo diagnosticado com TDAH. Ainda para Diamond (2005) citado por Barkley (2008), os indivíduos com esse subtipo enfrentam significativas dificuldades em cumprir regras e 23 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com respeitar limites estabelecidos. Tendem a ser opositores, apresentando comportamentos rudes e insensíveis, o que contribui para desafios na socialização. De acordo com o teórico supracitado, essas pessoas caracterizam-se por serem hiperativas tanto verbal quanto motora, expressando-se excessivamente e demonstrando inquietude por meio de movimentos repetitivos. Além disso, exibem desorganização e impaciência em suas atividades cotidianas. A tendência a responder antes de ouvir completamente uma pergunta é comum, assim como uma resistência marcante às regras e à rotina. Essas características compõem a apresentação clínica específica do TDAH do subtipo combinado. 3.3. Processo de avaliação A forma mais adequada de conduzir um processo de avaliação em prol de um diagnóstico de TDAH deve ser a partir de um trabalho elaborado, construído e desenvolvido a duas mãos, por um lado o médico psiquiatra é o único que autorizado a realizar uma terapia farmacológica, por outro, o psicólogo é o único autorizado pelos órgãos a utilizarem testes psicológicos aprovados pelo CFP em prol da elaboração de uma avaliação psicológica. Trata-se de um trabalho multiprofissional, prolongado e multifacetado que exige dos profissionais uma observação muito delicada e profunda. Lopes et al. (2005) destacam que o processo de avaliação do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) em adultos é predominantemente clínico, seguindo critérios adaptados do DSM-IV para a vida adulta. O diagnóstico é desafiador devido à presença de sintomas comuns a outros transtornos, exigindo uma abordagem multifatorial para coletar e analisar informações relevantes. O procedimento abrange diversos componentes, conforme delineado por Gallagher e Blader (citados por Marks, 2004), que incluem a revisão de preocupações atuais, avaliação do funcionamento na infância e na vida adulta, histórico psiquiátrico, adaptação psicossocial, diagnóstico diferencial, avaliação física, funções executivas, avaliação neurológica, psicoeducação e planejamento do tratamento. 24 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com A avaliação adequada, conforme Lopes et al. (2005), envolve a colaboração de psicólogos, neurologistas ou psiquiatras. O uso de escalas de sintomas e testes psicológicos é recomendado para identificar deficiência cognitiva e coletar dados históricos, avaliando a persistência das dificuldades desde a infância. A investigação minuciosa da história, incluindo entrevistas com familiares, destaca-se, dada a tendência dos pacientes em subestimar seu comportamento. A vida escolar e profissional é examinada para compreender o impacto dos sintomas, considerando a capacidade de concentração, distração e memória de curto prazo. A complexidade do quadro clínico muitas vezes requer o uso de instrumentos psicológicos para auxiliar na avaliação. Dentre esses instrumentos, destacam-se o AHA (Assessment of Hyperactivity and Attention), WCST-Wisconsin, D-2 Teste de Atenção Concentrada, Teste Stroop de Cores e Palavras, Figuras Complexas de Rey, MINI International Neuropsychiatric Interview, Torre de Londres, Torre de Hanói, Torre de Toronto,Teste Visomotor de Bender, IMO (Índice de Memória de Operacional do WAIS III), Tavis 2-R e Escalas Beck. A utilização desses instrumentos visa avaliar aspectos neuropsicológicos relevantes para o diagnóstico, considerando a disfunção executiva associada ao TDAH. Psiquiatras frequentemente requisitam avaliações psicológicas para confirmar ou descartar a suspeita de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) e obter informações adicionais para uma avaliação mais abrangente. Mesmo após o diagnóstico, a avaliação neuropsicológica continua sendo valiosa, fornecendo dados cruciais para orientar estratégias terapêuticas mais eficazes. Embora os testes psicológicos, como o WISC-III, tenham mostrado resultados significativos na discriminação do TDAH, é fundamental interpretá-los em conjunto com entrevistas psicológicas e outros procedimentos. Segundo Graeff e Vaz (2008) o WISC-III, aprovado no Brasil, destaca-se por sua capacidade de avaliar a distratibilidade, indicando possíveis problemas de atenção e contribuindo para o diagnóstico diferencial, especialmente em relação ao retardo mental. Os Testes de Desempenho Contínuo (CPT) oferecem uma avaliação mais precisa da capacidade atencional, embora não tenham poder de diagnóstico isolado. Outros testes neuropsicológicos, como o Teste de distribuição de cartas Wisconsin e o Stroop 25 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com Test, complementam eficazmente a avaliação neuropsicológica, proporcionando uma visão mais abrangente do TDAH, conforme destacado por Graeff e Vaz (2008). Ferreira e Amaral (2023) concentra-se no desenvolvimento e aplicação do instrumento ETDAH-PAIS, que visa avaliar os comportamentos de crianças e adolescentes no ambiente familiar. Este instrumento utiliza os pais como fonte de informação para compreender possíveis impactos relacionados à atenção, hiperatividade, impulsividade, além de dificuldades emocionais e comportamentais, proporcionando uma análise da intensidade desses prejuízos. Por isso a colaboração entre médicos psiquiatras e psicólogos clínicos é crucial, visto que encaminhamentos para avaliações psicológicas podem fornecer embasamento palpável em questões comportamentais, enriquecendo o processo em prol de fechar o diagnóstico do TDAH. Além disso, outros profissionais da saúde podem adentrar para contribuir tanto em outros aspectos, por exemplo, abrangendo terapias como fonoaudiologia, terapia corporal, ludoterapia e abordagens psicopedagógicas para melhorar o desempenho e comportamento Lopes et al. (2005) também ressaltam a importância da entrevista e da coleta de informações junto a familiares para compor uma avaliação completa. Além disso, mencionam a possível complementação com exames de neuroimagem, embora o eletroencefalograma não apresente anormalidades específicas para o diagnóstico do TDAH. O desafio reside na identificação de comorbidades que compartilham sintomas semelhantes, tornando crucial uma abordagem abrangente e integrada no processo de avaliação. Ferreira e Amaral (2023) ressaltam a relevância da abordagem neuropsicológica e da Psicoterapia Cognitivo-Comportamental na identificação e tratamento eficaz desse transtorno. A ênfase no papel dos pais como informantes-chave destaca a importância de considerar o ambiente familiar na compreensão e intervenção relacionadas ao Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH). Esses achados reforçam a necessidade de estratégias terapêuticas que abordem não apenas os sintomas do TDAH, mas também as dinâmicas familiares que podem influenciar o seu desenvolvimento. 26 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com 3.4. Transtornos frequentemente associados ao TDAH É relevante destacar que estudos evidenciam uma considerável taxa de comorbidade entre o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) e transtornos disruptivos do comportamento, como o transtorno de conduta e o transtorno opositor desafiante, situada entre 30% e 50%. Além disso, o TDAH está associado, em uma parcela significativa, a outras condições, incluindo depressão (15% a 20%), transtornos de ansiedade (aproximadamente 25%) e transtornos de aprendizagem (10% a 20%) (Polanczyk, 2011). Na infância, o TDAH se configura como um fator de risco para o uso ou dependência de substâncias na adolescência e na idade adulta. A presença de comorbidades relacionadas ao TDAH, como transtorno do humor bipolar, depressão, transtornos de ansiedade e abuso de álcool e drogas, amplifica o grau de comprometimento em uma parcela significativa de indivíduos. Um estudo conduzido por Silvestri et al. (2009) examinou 55 crianças com TDAH, submetendo-as a video polissonografia para investigar distúrbios do sono. Dentre essas crianças, 14 apresentaram a síndrome das pernas inquietas (SPI), caracterizada por uma notável necessidade de movimentação das pernas, especialmente durante o repouso, conforme pontuado por Picchetti e Picchetti (2008). A correlação positiva observada entre a presença da SPI e o comportamento hiperativo destaca-se, principalmente, em crianças diagnosticadas com TDAH do subtipo hiperativo ou combinado, indicando uma maior gravidade da síndrome nesse grupo em comparação com aqueles diagnosticados com TDAH do subtipo desatento. Esses achados convergem com resultados semelhantes de estudos anteriores, como o de Chervin et al. (2002), que avaliou as associações entre hiperatividade, desatenção, SPI e movimentação periódica das pernas em crianças. Do ponto de vista bioquímico, a associação entre a síndrome das pernas inquietas e o TDAH pode ser explicada pela presença de alterações dopaminérgicas, que são identificadas em ambos os casos. Além disso, há sugestões de que a deficiência de ferro pode estar relacionada a ambos os problemas, visto que o íon ferro desempenha um papel como cofator na enzima tirosina hidroxilase, envolvida na síntese de dopamina. 27 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com 4. O TRATAMENTO ADEQUADO 4.1. Terapia Farmacológica A integração do tratamento farmacológico com o tratamento comportamental não apresentou eficácia significativamente superior na redução dos sintomas do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) em comparação com o tratamento farmacológico isolado. No entanto, análises de subgrupos indicam que o TDAH associado a comorbidades psiquiátricas, especialmente transtornos de ansiedade ou outros transtornos disruptivos, pode responder de maneira mais positiva ao tratamento combinado. As diretrizes tanto norte-americanas quanto europeias preconizam o uso de estimulantes, como o metilfenidato, como a primeira escolha no tratamento do TDAH. Recentemente, a lisdexanfetamina também foi aprovada para essa finalidade, sendo considerada uma opção de primeira linha em vários países, com possíveis efeitos clínicos superiores, mantendo padrões de segurança semelhantes ao metilfenidato. No que diz respeito a preocupações específicas relacionadas ao tratamento farmacológico, estudos prospectivos não indicaram um aumento significativo no risco de abuso de substâncias no uso de estimulantes. Quanto a possíveis interferências no crescimento, observou-se uma associação dose-dependente entre o tratamento com estimulantes e a redução do apetite, bem como nas expectativas de peso e altura. Entretanto, essas reduções, em média, são pequenas e frequentemente atenuadas ao longo do tempo. Considerando efeitos cardiovasculares, o uso de estimulantes se associou a aumentos pequenos e clinicamente pouco significativos nos níveis de pressão arterial e frequência cardíaca. Em relação a tiques e epilepsia, a contraindicação formal para o tratamento com estimulantes em pacientes com síndrome de Tourette não é direta, 28 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com sendo uma monitorização clínica atenta o suficiente,mesmo em casos de epilepsia sob controle. O início do tratamento de pacientes com TDAH deve contemplar uma dose inicial com base no peso do indivíduo, com aumentos graduais a cada 1 a 3 semanas até a remissão dos sintomas, o aparecimento de efeitos adversos ou o alcance da dose máxima. O teste farmacogenético é uma abordagem que avalia os efeitos moderados de genes específicos, como SLC6A3, DRD4, SNAP25 e ADGRL3, na resposta ao metilfenidato. Esses resultados corroboram estudos anteriores que também destacaram a influência desses genes na resposta ao tratamento. Além disso, foram identificadas interações entre a resposta ao tratamento ao longo de 12 meses e os genótipos de SLC6A3 e DRD2. No entanto, é importante observar que, mesmo considerando todas as variáveis, os modelos explicam apenas cerca de 20% da variabilidade na resposta ao metilfenidato. Isso sugere que outros fatores, tanto genéticos quanto não genéticos, desempenham um papel significativo na determinação da resposta individual a esse medicamento. No processo de decisão sobre a medicação, vários fatores devem ser considerados, como o composto em si, a forma de administração, a duração da ação, o sistema ou tecnologia de entrega, a dosagem adequada, a preferência do paciente, subsídios do seguro e custos associados. Esses elementos compõem uma abordagem abrangente para escolher a terapia mais adequada, levando em consideração as necessidades individuais, a eficácia do tratamento e a viabilidade financeira. A indicação de tratamento farmacológico em pacientes menores de 6 anos é controversa, com preferência geralmente dada ao tratamento não farmacológico como primeira escolha. Em situações de longos períodos assintomáticos ou redução significativa na sintomatologia, a suspensão do tratamento para avaliação da necessidade de continuidade pode ser considerada. Além dos estimulantes, fármacos como atomoxetina, antidepressivos (especialmente imipramina, nortriptilina e bupropiona), agonistas dos receptores alfa-2 (clonidina e guanfacina) e modafinila são opções para o tratamento do TDAH. O metilfenidato, um medicamento amplamente empregado no tratamento do Transtorno de 29 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), exerce sua ação ao bloquear a reabsorção de dopamina e noradrenalina no terminal pré-sináptico, mantendo níveis mais elevados dessas substâncias no espaço extracelular. A abordagem psicofarmacológica pode demandar monitoramento contínuo por tempo indeterminado, sendo crucial avaliar a resposta à medicação e a adesão ao tratamento. O objetivo dessa terapia é reduzir a impulsividade e promover melhorias no humor, conforme discutido por Kaplan & Sadock (1993) e Kaplan, Sadock, & Grebb (1997). Fernández (2018) destaca que a relação entre psicoestimulantes e comportamentos de abuso, uso não autorizado e venda ilegal dessas substâncias já era conhecida. Dados recentes indicam um aumento desses fenômenos em adultos, coincidindo com o aumento do consumo desses medicamentos por razões médicas. De acordo com um estudo nos Estados Unidos em 2016, utilizando dados da Encuesta Nacional de Uso de Medicamentos y Salud, observou-se um aumento nos usos não médicos e visitas à emergência relacionadas a medicamentos estimulantes em adultos jovens. O uso mais comum foi do Adderall®, uma mistura de sais de anfetaminas, utilizado como potencializador cognitivo, sendo que os problemas mais comuns nas emergências foram ansiedade, agitação e insônia. Ainda para o teórico supracitado, a percepção dos jovens sobre as consequências do uso indevido de estimulantes é notável. Um estudo com jovens americanos que faziam uso irregular do Adderall® justificava o consumo por diferentes motivos, incluindo a comparação de drogas ilícitas com medicamentos prescritos, a autopercepção de consumo controlado e moderado, autodiagnóstico como provável portador de TDAH necessitando de medicação, entre outros argumentos de racionalização do comportamento. Quanto aos tratamentos farmacológicos do TDAH na infância e seu possível vínculo com comportamentos de abuso na adolescência, a evidência é divergente e inconclusiva. Em jovens com histórico de abuso de substâncias, é comum apresentar sintomas compatíveis com um possível diagnóstico de TDAH. Parece adequado abordar inicialmente esse contexto de abuso e, se persistir, lidar com qualquer sintomatologia residual. No contexto do tratamento farmacológico em adultos, mesmo com a autorização para iniciar o tratamento da atomoxetina, o metilfenidato e a lisdexanfetamina são 30 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com autorizados apenas para a continuação do tratamento de adolescentes quando se estima que continuarão se beneficiando. Em relação à eficácia, o metilfenidato mostrou uma redução estatisticamente significativa dos sintomas de TDAH em comparação com o placebo em um estudo de seis meses. No entanto, a taxa de resposta no grupo controle foi alta, e o metilfenidato não demonstrou vantagens em relação ao placebo em termos de abandono do tratamento. Fernandez (2018) destacou que a atomoxetina apresentou resultados modestos em comparação com o placebo em diversos estudos financiados pelo fabricante, enquanto a lisdexanfetamina mostrou uma redução significativa dos sintomas de TDAH em estudos de curta duração financiados pela empresa. Com relação ao metilfenidato, Maurílio e Camargo (2023) destacam que embora a eficácia do metilfenidato a curto prazo seja amplamente apoiada pela maioria dos estudos, a questão da durabilidade e benefícios de longo prazo do tratamento permanece incerta. De acordo com a avaliação da qualidade das evidências científicas disponíveis, não se pode afirmar com certeza que o metilfenidato resulta em melhorias significativas na vida das pessoas com TDAH. 4.2. Terapia Cognitivo Comportamental A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é comumente organizada em fases distintas para enfrentar eficazmente as questões do paciente. As três etapas principais previamente mencionadas são amplamente reconhecidas na prática da TCC. Em sua fase inicial, o terapeuta e o paciente colaboram para estabelecer uma aliança terapêutica sólida e identificar os sintomas específicos que causam angústia, visando ao alívio imediato desses sintomas. A fase intermediária envolve uma exploração mais profunda das crenças centrais e intermediárias, com o terapeuta auxiliando na identificação de pensamentos automáticos negativos e crenças limitadoras, utilizando técnicas cognitivas para promover mudanças positivas. Na fase final, concentra-se na consolidação dos progressos, preparando o paciente para a conclusão do tratamento e discutindo estratégias para enfrentar desafios futuros, incluindo a prevenção de recaídas. Essa abordagem em fases proporciona uma intervenção sistemática e progressiva ao longo do tempo, sendo crucial destacar que a TCC é flexível, 31 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com adaptando-se às necessidades individuais. A preferência pela TCC é respaldada por alguns motivos, como seu enfoque na resolução de problemas, a estrutura clara e direcionada que oferece, a evidência empírica que respalda sua eficácia no tratamento da depressão e sua natureza de curto prazo em comparação com abordagens mais longas, como a psicanálise. Na reestruturação cognitiva, o psicólogo tececista desempenha um papel crucial ao auxiliar o indivíduo na identificação e contestação de pensamentos disfuncionais relacionados aos sintomas do TDAH. Por exemplo, um pensamento como "Eu sou um fracasso porque não consigo me concentrar" pode ser desafiado, evidenciando sua irracionalidade e destacando que a dificuldade de concentração não define o valor do indivíduo. Para Beck (2014) a reestruturação cognitiva compreende quatro etapas fundamentais no processo terapêutico. Na primeiraetapa, denominada identificação dos pensamentos automáticos, o terapeuta auxilia o paciente na identificação desses pensamentos por meio de técnicas como auto registro, onde o paciente é orientado a registrar seus pensamentos, sentimentos e comportamentos em situações específicas. Após a identificação, a segunda etapa consiste na avaliação dos pensamentos automáticos quanto à sua veracidade, utilidade e validade. Ainda consoante com a autora supracitada, o tececista guia o paciente no questionamento desses pensamentos, visando identificar possíveis erros de pensamento. A terceira etapa envolve a geração de pensamentos alternativos. Aqui, uma vez identificados e avaliados, o paciente é instruído a criar pensamentos alternativos que sejam mais realistas, úteis e válidos do que os pensamentos automáticos originais. Finalmente, na última etapa, os pensamentos alternativos são testados na prática. O paciente é orientado a aplicar esses novos pensamentos e observar os resultados. O treino de habilidades na TCC envolve a instrução específica de técnicas que ajudam o paciente a gerenciar os sintomas do TDAH, incluindo organização, gestão do tempo, práticas de atenção plena e resolução de problemas. Adicionalmente, o treino de habilidades sociais visa desenvolver competências sociais impactadas pelo TDAH, como a capacidade de fazer amizades, comunicar-se eficientemente e resolver conflitos. 32 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com Del Prette e Del Prette (2005) destacam que o aprimoramento das habilidades sociais geralmente requer uma abordagem metodológica abrangente, envolvendo diversas atividades estruturadas. Esse processo compreende a modelagem de comportamentos desejados, instrução em técnicas específicas, simulações de situações por meio de role-playing, feedback construtivo e prática ativa em ambientes cotidianos, podendo ir além desses aspectos. De acordo com Del Prette e Del Prette (2005), o psicólogo facilitador desempenha um papel crucial ao ajudar os indivíduos a identificar suas dificuldades sociais, orientando a criação de estratégias para aprimorar essas habilidades e promovendo a prática deliberada em contextos apropriados. Esse processo busca não apenas o desenvolvimento de competências sociais mais eficazes, mas também proporciona oportunidades para a aplicação prática dessas habilidades na vida real, contribuindo assim para um crescimento contínuo e uma melhoria significativa nas interações sociais. Essas intervenções da TCC são aplicáveis a todas as faixas etárias, abrangendo crianças, adolescentes e adultos. As sessões individuais, com duração média de 50 minutos, são conduzidas ao longo de um período que varia conforme as necessidades específicas do paciente, geralmente entre 12 a 24 semanas. É válido ressaltar que a TCC é uma abordagem orientada para soluções, proporcionando aos pacientes ferramentas práticas para lidar com sintomas depressivos, e sua eficácia é respaldada por estudos clínicos e meta-análises, bem como, através de estudos científicos que indicam a redução significativa dos sintomas do transtorno, a melhoria do desempenho social e acadêmico, e o aumento da qualidade de vida para aqueles que enfrentam o TDAH. Além delas, podem ser realizadas as seguintes atividades comportamentais: ● Exercícios físicos em grupo: O exercício físico pode ser uma ótima maneira de liberar energia e reduzir a hiperatividade associada ao TDAH. Participar de exercícios em grupo, como aulas de dança ou esportes em equipe, pode ajudar a desenvolver habilidades sociais e a aumentar a motivação. ● Mindfulness e Yoga: Práticas como mindfulness associadas a TCC de quarta onda e yoga podem ajudar as pessoas a desenvolver a consciência do momento presente e a reduzir a distração. Essas práticas podem ajudar a melhorar a 33 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com atenção e reduzir a impulsividade, o que pode ser particularmente útil para pessoas com TDAH. ● Treinamento de atenção: O treinamento de atenção pode ajudar as pessoas a melhorar sua capacidade de se concentrar, aumentando sua atenção e reduzindo a distração. Isso pode incluir exercícios de meditação, jogos de atenção ou treinamento de biofeedback. Especificamente sobre o treinamento de atenção, ele pode ser realizado de várias maneiras, mas aqui estão algumas sugestões de como você pode começar: 1. Prática de meditação: A meditação é uma forma popular de treinamento de atenção e pode ser feita de muitas maneiras diferentes. Uma técnica comum é a meditação mindfulness, que envolve focar a atenção na respiração ou em um objeto específico, como uma vela ou uma imagem. Comece com apenas alguns minutos por dia e vá aumentando gradualmente o tempo à medida que se sentir mais confortável. 2. Jogos de atenção: Existem muitos jogos de atenção que podem ajudar a melhorar a capacidade de concentração e a reduzir a distração. Jogos de memória, jogos de quebra-cabeça e jogos de palavras são exemplos de jogos que podem ajudar a desenvolver a atenção. Você também pode encontrar aplicativos de jogos de atenção em lojas de aplicativos em seu celular. 3. Treinamento de biofeedback: O biofeedback é uma técnica que envolve o uso de sensores para monitorar as ondas cerebrais e fornecer feedback em tempo real sobre o desempenho. Isso pode ajudar a desenvolver a capacidade de se concentrar e reduzir a hiperatividade associada ao TDAH. O treinamento de biofeedback geralmente é realizado com um terapeuta que pode fornecer orientação e feedback personalizado. 4. Exercícios de respiração: A respiração profunda pode ajudar a acalmar a mente e reduzir a ansiedade, o que pode melhorar a capacidade de concentração. Experimente fazer exercícios de respiração profunda por alguns minutos todos os dias para ajudar a desenvolver a atenção. 34 Licenciado para - C lara O liveira - 36700934869 - P rotegido por E duzz.com 5. Treinamento de Mindfulness: O treinamento de mindfulness pode ajudar a desenvolver a consciência do momento presente e a reduzir a distração. Existem muitas formas de treinamento de mindfulness, incluindo a prática de atenção plena ao comer, ao caminhar ou ao realizar outras atividades cotidianas. Lembre-se de que o treinamento de atenção pode levar tempo e prática, então comece com pequenos passos e vá aumentando gradualmente a duração e a intensidade das atividades. É importante também ser gentil consigo mesmo e não se julgar caso sinta dificuldade em manter a atenção no início. Com prática constante e perseverança, você pode desenvolver habilidades para lidar com os desafios do TDAH. Outra técnica, é a regra dos 5 segundos é uma técnica simples que pode ajudar a superar a procrastinação e a impulsividade. Foi popularizada pela autora e palestrante motivacional Mel Robbins em seu livro "The 5 Second Rule: Transform Your Life, Work, and Confidence with Everyday Courage". A regra dos 5 segundos funciona da seguinte maneira: quando você se depara com uma tarefa que precisa ser feita, mas que você está relutante em fazer, você conta mentalmente de cinco a zero e toma uma ação imediatamente assim que chegar a zero. A ideia é que, ao fazer isso, você impeça que a sua mente comece a criar desculpas ou se preocupe com possíveis obstáculos ou resultados negativos, ajudando a quebrar o ciclo da procrastinação. Por exemplo, se você está procrastinando a escrever um relatório importante, em vez de permitir que sua mente comece a criar desculpas ou se preocupar com os possíveis obstáculos ou resultados negativos, você conta mentalmente de cinco a zero e começa a trabalhar no relatório imediatamente quando chegar a zero. Essa técnica pode ser aplicada a qualquer tarefa que você esteja relutante em fazer, desde ir para a academia até começar um projeto de trabalho. A ideia é que, ao fazer a contagem regressiva de cinco segundos e agir imediatamente, você se fortaleça para superar