Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

MANUAL DO
TDAH
© Dr. José Leandro dos Santos
2024
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
MANUAL DO
TDAH
© Dr. José Leandro dos Santos
2024
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
SOBRE O AUTOR
Desde a infância, o Dr. José Leandro nutria o sonho de se tornar médico. Sua
habilidade natural em se conectar com as pessoas o levou a perceber gradualmente
a importância da saúde mental diante dos desafios da vida. Esse entendimento o
levou a escolher a área da Psiquiatria e Saúde Mental, e atualmente é
pós-graduando em Psiquiatria pela CETRUS/SANAR e pós-graduando em Terapia
Cognitivo Comportamental pela PUC/PR.
Aos 31 anos, recebeu o diagnóstico de TDAH, enfrentando desafios significativos.
Contudo, sua resiliência o impulsionou. Venceu a depressão. Sua trajetória revela
não apenas uma jornada médica notável, mas também destaca sua compreensão
da importância da saúde mental na vida das pessoas. O Dr. José Leandro dos
Santos não apenas pratica a medicina, mas também se tornou uma inspiração ao
superar adversidades e promover o cuidado integral de seus pacientes.
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO AO TDAH................................................................................................... 5
1.1.História do TDAH......................................................................................................... 5
1.2. Características principais............................................................................................ 8
1.3. Estatísticas e prevalência............................................................................................9
2. CAUSAS E FATORES DE RISCO.....................................................................................11
2.1. Teorias Gerais........................................................................................................... 11
2.2. Genética e hereditariedade.......................................................................................12
2.3. Fatores ambientais....................................................................................................12
2.4. Lesões cerebrais e sua relação com o TDAH...........................................................13
3. DIAGNÓSTICO..................................................................................................................15
3.1. Critérios diagnósticos................................................................................................ 15
3.2. Tipos de TDAH..........................................................................................................22
3.3. Processo de avaliação.............................................................................................. 24
3.4. Transtornos frequentemente associados ao TDAH.................................................. 27
4. O TRATAMENTO ADEQUADO.........................................................................................28
4.1. Terapia Farmacológica.............................................................................................. 28
4.2. Terapia Cognitivo Comportamental...........................................................................31
5. IMPACTO DO TDAH NA VIDA DIÁRIA............................................................................ 37
5.1 Escola e aprendizado.................................................................................................37
5.2 Relacionamentos interpessoais................................................................................. 39
5.3 Desafios no ambiente de trabalho..............................................................................40
5.4 Ciclo vigília e Sono.....................................................................................................41
6. ADAPTAÇÕES EDUCACIONAIS......................................................................................44
6.1. Estratégias para professores.................................................................................... 44
7. SUPORTE FAMILIAR........................................................................................................48
7.1 Compreensão e aceitação do TDAH na família.........................................................48
7.2 Estratégias para pais, portadores e cuidadores.........................................................49
1.1. Rede de Apoio...........................................................................................................53
8. MITIGANDO O ESTIGMA E PROMOVENDO A CONSCIENTIZAÇÃO........................... 55
8.1 Desafios enfrentados por pessoas com TDAH.......................................................... 55
8.2 Estratégias para combater o estigma.........................................................................57
9. MATERIAIS ARTÍSTICOS, INFORMAÇÕES E CURIOSIDADES....................................58
9.1 A ABDA...................................................................................................................... 58
9.2 Livros, filmes e materiais............................................................................................58
9.3 Alguns famosos diagnosticados com TDAH.............................................................. 61
REFERÊNCIAS..................................................................................................................... 63
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
PREFÁCIO
No cenário contemporâneo, a compreensão dos transtornos mentais se destaca
como uma prioridade incontestável, enquanto buscamos desvendar os intricados
complexos da mente humana. Dentro desse vasto desafio, o Transtorno de Déficit de
Atenção e Hiperatividade (TDAH) emerge como uma área de estudo crucial, exercendo
impacto não apenas na vida daqueles que o vivenciam, mas também reverberando por
todo o espectro educacional, profissional e social.
O manual do TDAH surge como uma ferramenta indispensável para aqueles que
buscam explorar os diversos aspectos relacionados a esse transtorno multifacetado.
Este ebook científico não apenas ilumina os fundamentos do TDAH, mas também
oferece informações essenciais sobre estratégias, abordagens de tratamento e o papel
vital da compreensão coletiva na mitigação do estigma associado.
Ao longo das páginas que se desenrolam, mergulharemos nas origens e
manifestações de vários fatores relacionados ao TDAH, desvendaremos os diferentes
tipos que caracterizam esse transtorno e examinaremos seu impacto em áreas cruciais
da vida diária, desde a sala de aula, passando pela vida familiar até o ambiente de
trabalho. Além disso, exploraremos pesquisas relacionadas ao tratamento, fornecendo
uma visão abrangente das opções disponíveis para a gestão eficaz do TDAH.
Este livro não visa apenas propagar conhecimento acadêmico, mas sim realizar
uma imersão na singularidade humana. Buscamos transcender estigmas e fornecer
recursos práticos para a compreensão e apoio aos indivíduos afetados pelo TDAH,
assim como às suas famílias, educadores e profissionais de saúde mental.
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
1. INTRODUÇÃO AO TDAH
1.1.História do TDAH
O TDAH não é um fenômeno contemporâneo; evidências históricas apontam para
comportamentos estereotipados em crianças ao longo dos séculos. No século XVIII,
Alexander Crichton, em sua obra "Uma investigação sobre a natureza e origem do
desarranjo mental" (1798), descreveu sintomas de inquietação mental e dificuldade de
concentração em meninos, conceitos que se alinham aos contemporâneos do TDAH.
Em 1845, o psiquiatra alemão Heinrich Hoffman compilou histórias, incluindo a de
Philip the Nerve, que reflete problemas de atenção e intensa atividade, antecipando
temas relacionados ao TDAH. No entanto, a publicação formal sobre o TDAH é
creditadaa procrastinação e agir de forma mais corajosa e assertiva, ajudando a
construir a confiança e a aumentar a produtividade.
Além das técnicas apresentadas pela TCC, a abordagem também apoia o
processo de psicoeducação, do qual o sujeito compreende sua situação e recebe
35
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
algumas instruções do profissional adequada a questões práticas relacionadas a sua
realidade, aqui estão algumas dicas oriundas das pesquisas baseada nela:
1. Estabelecer rotinas e horários: Isso pode ajudar a manter um senso de estrutura e
organização. Isso inclui a criação de um cronograma para atividades diárias,
estabelecimento de horários específicos para trabalhar ou estudar, e definir
horários para atividades recreativas e de lazer.
2. Fazer uma lista de tarefas: Anotar tarefas importantes e classificá-las por ordem
de importância pode ajudar a manter o foco e a organização. Marcar as tarefas
completadas pode trazer um senso de realização e motivação.
3. Usar ferramentas de organização: Existem muitas ferramentas disponíveis para
ajudar com a organização, como aplicativos de lista de tarefas, lembretes de
calendário e programas de gerenciamento de tempo.
4. Criar um ambiente propício para o estudo ou trabalho: Um ambiente tranquilo e
organizado pode ajudar a reduzir distrações e aumentar a concentração. Isso
pode incluir desligar dispositivos eletrônicos que não são necessários para a
tarefa em questão.
5. Dividir grandes tarefas em pequenas partes: Dividir grandes projetos em tarefas
menores e mais gerenciáveis pode torná-las mais fáceis de realizar e ajudar a
evitar a sobrecarga.
6. Exercitar-se regularmente: O exercício físico pode ajudar a aumentar a atenção e
reduzir a impulsividade e a hiperatividade.
7. Estabelecer recompensas e consequências: Estabelecer um sistema de
recompensas para a conclusão bem-sucedida de tarefas importantes pode ajudar
a motivar e reforçar o comportamento positivo. Da mesma forma, estabelecer
consequências para o comportamento indesejado pode ajudar a reduzir a
impulsividade.
36
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
5. IMPACTO DO TDAH NA VIDA DIÁRIA
5.1 Escola e aprendizado
A pesquisa de Español-Martin et al. (2023) investigou se o TDAH e o Dificuldade
de Aprendizagem (SLD) estavam significativamente relacionados ao desempenho
acadêmico em disciplinas específicas (ou seja, língua materna, língua estrangeira,
matemática) em uma amostra de 1.287 crianças espanholas de uma população de baixa
e alta renda, e se essa associação era modificada pelo status socioeconômico (SES),
controlando a comorbidade e fatores demográficos que podem influenciar o
funcionamento educacional.
De acordo com estudos anteriores que embasaram a pesquisa de Español-Martin
et al. (2023), observou-se uma maior prevalência de problemas
emocionais/comportamentais, dificuldades de aprendizagem e ND (Necessidades
Especiais) entre crianças da população de baixa renda, apoiando a hipótese de que o
baixo SES estaria associado a resultados de saúde negativos. Além disso, foi
constatado que crianças de famílias desfavorecidas estavam em risco de pior saúde
mental, conforme evidenciado por escores mais altos em várias subescalas do SDQ
(Strengths and Difficulties Questionnaire). A pesquisa também confirmou a relação
positiva entre SES e desempenho acadêmico, onde estudantes de famílias de alta renda
apresentaram melhores notas em todas as áreas educacionais.
Os resultados de Español-Martin et al. (2023) indicaram que o TDAH aumentou o
risco de comprometimento acadêmico, confirmando pesquisas anteriores que associam
o TDAH a dificuldades acadêmicas. Além disso, pela primeira vez na Espanha, a
pesquisa apoiou a associação entre o diagnóstico de TDAH e o desempenho
acadêmico, destacando que estudantes com problemas de atenção têm maior
probabilidade de ter um desempenho insatisfatório, independentemente de outros
37
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
fatores de risco. O estudo também revelou que SLD contribuiu independentemente para
o aumento do risco de subdesempenho acadêmico, especialmente em disciplinas de
linguagem, sugerindo que os distúrbios de aprendizagem podem comprometer o
desempenho acadêmico ao dificultar ou retardar a aquisição de conhecimentos por meio
da leitura.
Apesar da influência significativa do SES, a pesquisa não encontrou interações
significativas com o SES, indicando que o status socioeconômico não atua como um
moderador para atenuar o impacto negativo do TDAH e SLD no desempenho
acadêmico. Este achado sugere que, mesmo em contextos socioeconômicos mais
elevados, alunos com diagnóstico de TDAH ou SLD têm maior probabilidade de alcançar
notas mais baixas em língua materna, língua estrangeira e matemática. Considerando
que o TDAH e o SLD são fatores de risco mais facilmente modificáveis em comparação
com o SES, os resultados ressaltam a importância da identificação precoce e estratégias
de intervenção eficazes para melhorar o funcionamento educacional desses alunos.
Ou seja, em linhas gerais, o estudo supracitado demonstra que estudantes com
TDAH frequentemente apresentam resultados mais baixos em testes acadêmicos
padronizados, médias gerais inferiores, taxas mais altas de absenteísmo, retenção de
série, necessidade de educação especial e maior propensão à evasão escolar. Esses
fatores colocam essas crianças em risco de enfrentar dificuldades educacionais e
profissionais ao longo da vida adulta. Portanto, isso demonstra a importância de
intervenções precoces e abordagens multidisciplinares para aprimorar não apenas o
desempenho acadêmico, mas também a qualidade de vida desses indivíduos com
TDAH.
Segundo Belli, Muszkat e Cracasso (2015) a escola, inserida na Rede de Apoio
Social, desempenha um papel central na vida da criança com TDAH. Adotar práticas
educacionais flexíveis, considerando a singularidade de cada aluno, é crucial. O trabalho
interdisciplinar e a formação de uma rede de apoio social eficaz são fundamentais para o
tratamento bem-sucedido do TDAH, envolvendo não apenas a criança, mas também
seus pais, professores e terapeutas. Essa abordagem integral visa proporcionar uma
resposta emocional positiva, promovendo o desenvolvimento saudável desses
indivíduos.
38
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
5.2 Relacionamentos interpessoais
Lima (2023) expõe acerca da eficácia da terapia comportamental e das
intervenções baseadas na escola para aprimorar a sociabilidade e reduzir os sintomas
do TDAH. Além disso, apontaram medidas preventivas, como incentivo à prática de
atividades em grupo e acompanhamento do desenvolvimento social, como estratégias
eficazes para minimizar problemas de sociabilidade. A colaboração entre profissionais
de saúde mental, educadores e pais foi ressaltada como crucial para o sucesso do
tratamento.
A revisão sistemática de Erlandsson et al. (2022) examinou a relação entre o
Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o apego, com foco no
ambiente familiar. Os resultados revelaram diversas maneiras como as dificuldades de
apego estão associadas aos sintomas do TDAH em crianças. Crianças com TDAH
demonstraram escores mais baixos em testes de apego seguro, maior incidência de
apego inseguro ao pai e menor confiança e proximidade com a mãe. Esses padrões de
apego também se estenderam ao ambiente escolar, onde os sintomas de TDAH
correlacionaram-se com ansiedade de separação.
A revisão supracitada destaca discursos divergentes sobre a interação entre
TDAH e apego. Alguns estudos sugeriram que padrões relacionais podem ser um
precursor para o TDAH, enquanto outros enfatizaram como o TDAH afeta outros
aspectos da vida. A relação entre características da criança e dos pais também foi
abordada de maneiras distintas, destacando a importância do estilo parentale das
habilidades de regulação emocional da mãe.
Além disso, Erlandsson et al. (2022) incluiu estudos de caso psicodinâmicos que
exploraram as narrativas de laços familiares em pais de crianças com TDAH. Esses
estudos destacaram a sensibilidade das famílias às palavras que evocam conflitos
internos e como os comportamentos de crianças e pais muitas vezes funcionam como
defesas contra emoções desagradáveis ligadas a eventos familiares passados.
Os resultados indicaram que a abordagem de tratamento para o TDAH deve
considerar não apenas os traços individuais da criança, mas também fatores
contextuais, como estresse familiar e desvantagens sociais. A revisão enfatizou a
necessidade de uma perspectiva biopsicossocial que reconheça a complexidade das
39
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
relações entre o TDAH e fatores ambientais, em contraste com uma abordagem
excessivamente centrada no cérebro.
5.3 Desafios no ambiente de trabalho
O estudo de Oscarsson et al. (2022) conduziu uma análise qualitativa de 20
entrevistas, identificando três temas principais relacionados ao trabalho com Transtorno
do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). No tocante aos desafios específicos no
ambiente profissional, os participantes relataram dificuldades associadas a sintomas
característicos do TDAH, como distração, esquecimento, inquietação, impulsividade e
impaciência. Além disso, destacou-se a desregulação emocional como uma
preocupação significativa, manifestando-se na sensibilidade à crítica, percepção de
falhas e variações de humor no ambiente de trabalho. Situações como tarefas
monótonas, repetitivas e reuniões foram identificadas como desafios, resultando em sub
estimulação, tédio e estresse.
Consoante com Oscarsson et al. (2022), no que diz respeito às consequências
negativas do TDAH no trabalho, mesmo quando os participantes expressaram satisfação
com seus empregos e boas relações com colegas, todos descreveram impactos
adversos em suas vidas profissionais. Estes incluíram efeitos prejudiciais nas esferas
familiar e de recreação, perda de empregos, desemprego e sintomas de doenças
mentais, como ansiedade e exaustão.
Quanto às intervenções, apoio e necessidades, foi identificada por Oscarsson et
al. (2022) uma falta comum de organização e estrutura nos locais de trabalho,
apresentando-se como um desafio recorrente. A importância do apoio gerencial foi
ressaltada, com alguns participantes prosperando em ambientes mais estruturados e
sob supervisores que ofereciam suporte. Apesar de melhorias observadas com o
tratamento farmacológico do TDAH, a falta de suporte em saúde mental além da
medicação foi notada, indicando a necessidade de intervenções não farmacológicas e
tratamentos multidisciplinares. Estratégias pessoais, como análise formal, solução de
problemas e criatividade, foram apontadas como úteis para lidar com os desafios
enfrentados no ambiente de trabalho.
40
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
5.4 Ciclo vigília e Sono
Sono é um estado de consciência fundamental para a regulação do metabolismo
energético, consolidação da memória, termorregulação e plasticidade neural. Alterações
metabólicas, déficit de memória e redução do desempenho cognitivo são algumas das
consequências da sua privação.
Além do conhecimento sobre as alterações cognitivas e comportamentais
decorrentes da privação de sono, as quais têm impacto negativo no desempenho
acadêmico de crianças e adolescentes, a redução das horas de sono também tem sido
identificada como um dos fatores associados ao transtorno do déficit de atenção e
hiperatividade (TDAH) em crianças e adolescentes.
Segundo Biederman (2005), alterações em vias neurotransmissoras
noradrenérgicas e dopaminérgicas e descritas em portadores de TDAH, assim como
mudanças metabólicas do córtex pré-frontal, são também encontradas em pacientes
com distúrbios de sono. De fato, dificuldades para início e manutenção do sono são
frequentemente relatadas em crianças e adolescentes com TDAH;
O sono agitado é um dos critérios listados para o diagnóstico do transtorno na
terceira edição do Manual Estatístico e Diagnóstico de Transtornos Mentais. Entretanto,
esse critério foi eliminado das edições subsequentes do DSM
Dessa forma, diversos estudos compararam o sono de crianças com TDAH e sem
o transtorno, por meio de medidas objetivas (polissonografia, gravação de vídeo e
actimetria) e subjetivas (preenchimento de questionários pelos pais sobre os hábitos de
sono da criança). Alguns desses estudos apontaram que crianças com TDAH têm
latência de sono aumentada, porcentagem de sono REM diminuída e aumento da
atividade motora noturna.
Actigrafia é uma tecnologia de avaliação do sono, não invasiva, que acontece
através do actígrafo (ou sensor de actimetria), que é normalmente um dispositivo similar
a um relógio de pulso. Este dispositivo, através da luz e do movimento, consegue
detectar todos os deslocamentos do paciente e enviar relatórios para um computador.
Ou seja, o actígrafo é capaz de saber quando você acorda, detectar suas
atividades durante o período de sono e gerar dados como: a quantidade de horas que
41
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
você dorme por noite, o tempo total que você fica acordado no dia, o número de vezes
que você desperta à noite, entre outras informações relevantes a análises.
Por meio do uso de gravação de vídeo e polissonografia, Konofal et al avaliaram
os padrões de atividade motora durante o sono de 30 crianças com TDAH e 19 controles
saudáveis. A média de duração dos movimentos executados durante o sono foi cerca de
duas vezes maior nas crianças com TDAH do que nas crianças saudáveis, para todos os
tipos de movimentos. Outro importante achado do mesmo estudo foi a correlação
positiva entre a pontuação da escala Conner, por meio da qual pais e professores
avaliam a presença de sintomas do TDAH e a duração dos movimentos durante o sono.
Crianças mais agitadas durante o dia apresentam elevados padrões de atividade
noturna. Dessa forma, o TDAH pode ser um transtorno que afeta não somente o
comportamento diário, mas também mecanismos relacionados ao sono. O número de
movimentos realizados durante o sono foi significativamente maior em crianças com
TDAH.
Cortese et al avaliaram todos os artigos que relacionavam TDAH e padrões de
sono-vigília em crianças no PubMed entre 1987 (ano da publicação do DSM–III-R) até
outubro de 2005 e publicou em 2009 os seguintes achados:
● O número de movimentos realizados durante o sono foi significativamente maior
em crianças com TDAH, quando comparadas aos controles nos três estudos nos
quais foi realizada essa avaliação.
● Revelou que, segundo relatos dos pais, crianças com TDAH apresentam maior
resistência a se deitarem, mais dificuldade para iniciar o sono, maior número de
despertares noturnos e mais dificuldade para despertar pela manhã do que
crianças que não possuem o transtorno.
O que é insônia?
A insônia é um distúrbio de sono que pode afetar o antes, o durante e o depois do
momento de dormir. Isso porque causa dificuldades para adormecer ou para ter uma boa
noite de sono. Então, quando a pessoa acorda, já se sente com mau humor e falta de
energia.
42
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
Insônia inicial, onde há uma dificuldade para começar a dormir; uma insônia
intermediária, em que há dificuldade em manter o sono; ou uma insônia terminal, onde a
pessoa acorda antes do horário e não consegue voltar a dormir.
Higiene do sono
● Mantenha uma rotina de sono. ...
● Evite o consumo de bebidas com cafeína. ...
● Evite o consumo de bebidas alcoólicas. ...
● Não vá para cama a não ser que esteja com sono. ...
● Crie no seu quarto um ambiente que induz ao sono. ...
● Não fique monitorando o relógio. ...
● Evite tirar sonecas. ...
● Reduza o consumo dealimentos pesados à noite…
43
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
6. ADAPTAÇÕES EDUCACIONAIS
6.1. Estratégias para professores
Para apoiar indivíduos com TDAH, uma variedade de recursos, incluindo livros,
sites e materiais educativos, estão disponíveis. Além disso, grupos de apoio e
organizações dedicadas ao TDAH oferecem suporte valioso. Estratégias específicas
podem ser implementadas no ambiente escolar para melhorar a experiência educacional
das crianças com TDAH. Isso inclui salas de aula estruturadas com menos alunos,
rotinas diárias consistentes e métodos de ensino ativo incorporando atividade física.
Recomenda-se que o aluno com TDAH esteja próximo ao professor, em um local com
menor probabilidade de distração, recebendo atendimento individualizado quando
possível. Em casos de diagnóstico em idade precoce, lacunas no aprendizado podem
exigir reforço de conteúdo ou acompanhamento psicopedagógico (Polanczyk, 2011).
Também é importante realizar alguns ajustes e adaptações básicas, visto que
certas configurações são fundamentais para auxiliar crianças com TDAH na sala de
aula:
● Redução e divisão de tarefas para torná-las mais curtas e gerenciáveis.
● Minimização de tarefas escritas e de cópia.
● Oferta de alternativas de avaliação, como avaliações orais ou projetos especiais.
● Utilização de suportes adicionais na classe, como gravadores, calculadoras e
computadores.
● Anotações claras sobre datas de entrega de tarefas e trabalhos.
● Reforço de instruções verbais com informações visuais.
● Fornece cópias de notas básicas dos capítulos.
● Modificação e simplificação do texto dos livros de exercícios.
● Disponibilização de uma cópia do texto escolar em casa.
44
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
Também é possível realizar alguns ajustes e intervenções específicas, tanto no
ambiente como na organização:
No Ambiente:
● Posicionamento na frente, próximo ao professor.
● Isolamento de distrações visuais.
● Controle do nível de ruído quando a concentração é necessária.
● Criação de cartazes e guias de referência para o aluno.
Na organização:
● Anúncio e explicação oral das tarefas no quadro.
● Uso consistente do calendário diário.
● Esclarecimento das tarefas no final do dia.
● Verificação, junto aos pais ou professores, dos materiais necessários para levar
para casa.
● Provisão de materiais prontos para arquivar na pasta.
● Organização de pastas, cadernos, etc., com divisões e cores diferentes.
● Assistência na organização da mesa e materiais.
● Codificação de textos e livros por cor.
● Criação de uma lista na mesa com "Coisas por fazer".
● Divisão de tarefas longas.
● Limitação da quantidade de materiais na mesa do aluno.
Na comunicação e trabalho em equipe:
● Comunicações diárias ou semanais assinadas pelos pais, utilizando gráficos e
guias específicas para indicar comportamento e conclusão de tarefas.
● Comunicação telefônica frequente com os pais para compartilhar conquistas
positivas e preocupações.
● Reuniões mais frequentes com os pais para construir uma equipe de trabalho
eficaz.
45
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
● Compartilhamento com outros professores das conquistas, atividades, disciplina e
trabalho em equipe.
● Demonstração ao aluno de interesse em ajudá-lo, incentivando a comunicação
aberta.
Na gestão em sala de aula:
● Aumento da estrutura e monitoramento de comportamentos específicos.
● Estabelecimento claro de expectativas e consequências, verificando-as
frequentemente.
● Proximidade física com o aluno e contato visual constante.
● Ensino apenas quando houver silêncio e todos estiverem atentos.
● Elogio dos comportamentos positivos.
● Utilização de cartas de progresso e contratos para melhorar o comportamento.
● Facilitação de oportunidades de movimento e descansos frequentes.
● Oferta de apoio extra durante transições e mudanças do dia.
● Permissão para o aluno participar da seleção de consequências e prêmios.
● Utilização de períodos de reforço curtos com avaliação constante.
No ensino e avaliação:
● Concessão de tempo extra para processar informações, com fala mais lenta e
tempo adicional para respostas.
● Aumento da quantidade de exemplos, modelos, demonstrações e prática dirigida.
● Proporcionação de oportunidades frequentes de trabalho com colegas ou em
grupos pequenos.
● Estímulo à expressão verbal na aula, criando um ambiente seguro.
● Análise e reforço do progresso em tarefas, trabalhos em classe, etc.
● Utilização de técnicas multissensoriais.
● Proposição de projetos que incentivem a criatividade e expressão.
● Permissão para o uso de computadores, calculadoras, etc.
● Ajustes para dificuldades nos trabalhos escritos, como mais tempo, respostas
orais, ditado ou assinatura dos pais após algum tempo.
● Repetição de instruções dadas.
46
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
● Destaque dos pontos importantes do texto.
● Facilitação com diagramas e resumos da lição.
● Fornecimento de gravações com a leitura do texto.
● Utilização de técnicas de perguntas variadas para oferecer mais oportunidades de
resposta.
● Oferta de guias simples, organizados e breves.
47
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
7. SUPORTE FAMILIAR
7.1 Compreensão e aceitação do TDAH na família
Os desafios apresentados pelo TDAH parecem derivar de uma interação
complexa entre três categorias inter relacionadas: baixa inibição de respostas, baixo
autocontrole e problemas nas funções executivas (Benczik; Casella, 2015). A baixa
inibição está associada à dificuldade de interromper impulsos sem uma pausa para
reflexão, prejudicando o exercício do autocontrole. Este último refere-se à capacidade de
direcionar reações para si mesmo, resistindo aos impulsos iniciais e tomando decisões
conscientes. As funções executivas, por sua vez, englobam habilidades como inibição,
memória de trabalho, controle emocional, planejamento e atenção, desempenhando um
papel crucial durante a pausa proporcionada pela inibição.
Segundo Benczik e Casella (2015) a criança com TDAH exibe prejuízo na auto
regulação, uma integração bem-sucedida entre emoção e cognição que resulta em
comportamentos apropriados. As funções executivas, responsáveis por ações
direcionadas e específicas, são essenciais para o controle comportamental durante essa
pausa. Entretanto, sua utilização demanda esforço e força de vontade. As dificuldades
nesses aspectos afetam significativamente o bem-estar da criança e da família,
impactando diversos domínios da qualidade de vida e fatores psicossociais.
A influência do TDAH nas interações familiares é considerável, resultando em
experiências mais negativas e estressantes para todos os membros. Para Benczik e
Casella (2015) a criança com TDAH não existe isoladamente, ocupando papéis
específicos na família e na escola. Apesar da predisposição biológica do TDAH, as
interações sociais desempenham um papel significativo na expressão do transtorno na
criança. As dificuldades enfrentadas pelos outros membros da família impactam
diretamente a percepção, criação e condução da criança com TDAH, moldando seu
desenvolvimento até a vida adulta.
48
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
Ou seja, as interações familiares em contextos onde há crianças com TDAH são
marcadas por conflitos, coerção e estresse. E o comportamento dos pais, suas
características e padrões ocupacionais também contribuem para essas interações
problemáticas. Por isso Benczik e Casella (2015) consideram que para compreender o
TDAH é necessário adotar uma análise holística, considerando o ambiente familiar e as
interações sociais, sendo crucial desenvolver intervenções que minimizem o impacto do
transtorno na qualidade de vida e saúde mental de todos os membros familiares.Considerando isso, a seguir são apresentadas algumas estratégias que podem
ser aplicadas pelo próprio portador enquanto sujeito adulto ou pelos pais/responsáveis
enquanto criança.
7.2 Estratégias para pais, portadores e cuidadores
Ao organizar rotinas com base em princípios de neurociência, é possível
promover um ambiente propício para o bem-estar e o desempenho cognitivo. Adaptar a
rotina às necessidades naturais do cérebro pode resultar em maior eficiência e
satisfação pessoal.
A organização de rotinas para pessoas com TDAH pode ser especialmente
desafiadora, mas também é crucial para gerenciar os sintomas. Aqui estão algumas
sugestões baseadas em princípios de neurociência que podem ser úteis para organizar
rotinas para pessoas com TDAH:
 Padronização de Horários:
Neurociência: O cérebro tem um relógio biológico interno, conhecido
como ritmo circadiano, que regula funções como sono e alerta.
Exemplo: Estabeleça horários fixos para acordar, trabalhar, fazer
pausas e dormir para otimizar o alinhamento com o ritmo circadiano.
 Priorização de Tarefas:
49
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
Neurociência: O cérebro tem uma capacidade limitada de
processamento de informações.
Exemplo: Identifique e priorize as tarefas mais importantes no início do
dia, quando a mente está mais fresca e capaz de lidar com desafios
complexos.
 Intervalos e Pausas:
Neurociência: A atenção sustentada pode levar à fadiga mental.
Exemplo: Faça pausas regulares durante o dia para evitar a
sobrecarga cognitiva, promovendo melhor retenção de informações e
aumento da produtividade.
 Exercício Físico:
Neurociência: O exercício promove a liberação de neurotransmissores
como endorfinas, melhorando o humor e a concentração.
Exemplo: Inclua atividades físicas na rotina diária para melhorar o
desempenho cognitivo e reduzir o estresse.
 Sono Adequado:
Neurociência: O sono é crucial para a consolidação da memória e a
regeneração cerebral.
Exemplo: Mantenha um horário consistente de sono, criando um
ambiente propício para uma boa qualidade de descanso.
 Organização Visual:
Neurociência: O cérebro processa informações visuais de forma
eficiente.
Exemplo: Use métodos visuais, como listas, gráficos ou calendários,
para organizar tarefas e metas, facilitando o processamento e a
compreensão.
 Ambiente Limpo e Organizado:
Neurociência: Um ambiente organizado reduz a sobrecarga sensorial e
promove a clareza mental.
50
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
Exemplo: Mantenha seu local de trabalho limpo e organizado para
minimizar distrações e facilitar a concentração.
 Variedade e Novidade:
Neurociência: A exposição a novidades estimula a liberação de
dopamina, associada à motivação e ao aprendizado.
Exemplo: Introduza elementos novos em sua rotina regularmente,
como desafios diferentes ou atividades estimulantes, para manter o
cérebro engajado.
Estabeleça Rotinas Consistentes:
Neurociência: A repetição e consistência ajudam a criar padrões
mentais.
Exemplo: Crie rotinas diárias e semanais previsíveis, incluindo horários
fixos para acordar, comer, trabalhar e dormir.
Divida Tarefas em Etapas Menores:
Neurociência: A divisão de tarefas complexas em partes menores
facilita o processamento cerebral.
Exemplo: Divida grandes projetos em tarefas menores e concentre-se
em uma etapa de cada vez para evitar sobrecarga cognitiva.
Use Lembretes Visuais e Auditivos:
Neurociência: Estímulos visuais e auditivos podem ser mais eficazes
para pessoas com TDAH.
Exemplo: Utilize alarmes, lembretes visuais, e aplicativos de
gerenciamento de tarefas para lembrar compromissos e prazos.
Incorpore Pausas Estratégicas:
Neurociência: Pausas regulares ajudam a manter a atenção e
reduzem a fadiga mental.
Exemplo: Integre pausas curtas entre as tarefas para evitar a exaustão
e melhorar a capacidade de concentração.
51
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
Priorize Tarefas com Base em Interesse e Urgência:
Neurociência: A motivação é impulsionada pelo interesse e pela
sensação de urgência.
Exemplo: Comece com tarefas que despertem seu interesse e, em
seguida, aborde as mais urgentes, mantendo uma lista de prioridades.
Estimule a Prática Regular de Exercícios:
Neurociência: O exercício físico aumenta a produção de
neurotransmissores relacionados à atenção.
Exemplo: Integre atividades físicas regularmente na sua rotina para
melhorar o foco e reduzir a hiperatividade.
Crie Ambientes Organizados e Livres de Distrações:
Neurociência: Ambientes organizados facilitam o processamento de
informações.
Exemplo: Mantenha seu espaço de trabalho limpo, organize objetos e
minimize distrações para promover a concentração.
Estabeleça Metas Realistas e Mensuráveis:
Neurociência: Metas claras e alcançáveis ativam áreas do cérebro
associadas à recompensa.
Exemplo: Defina metas específicas, mensuráveis e realistas para
manter o foco e proporcionar um senso de realização.
Utilize Técnicas de Mindfulness e Meditação:
Neurociência: A prática de mindfulness pode ajudar a melhorar a
regulação emocional e a atenção.
Exemplo: Reserve alguns minutos por dia para praticar técnicas de
respiração ou meditação, promovendo a calma e o equilíbrio mental.
Lembre-se de que cada pessoa com TDAH é única, e diferentes abordagens
podem funcionar para diferentes indivíduos. Experimentar e ajustar essas sugestões de
acordo com as necessidades pessoais pode ser fundamental para criar uma rotina
52
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
eficaz. O apoio profissional também desempenha um papel importante no
desenvolvimento de estratégias personalizadas.
1.1. Rede de Apoio
Pesquisas indicam que aqueles que contam com uma sólida rede de apoio
familiar apresentam uma melhor capacidade de lidar com o estresse, além de
evidenciarem níveis mais baixos de problemas de saúde associados ao estresse. Além
disso, a presença de uma rede de apoio familiar robusta fomenta um sentimento de
pertencimento e segurança.
A importância das redes de apoio social transcende o âmbito individual,
estendendo-se à promoção da resiliência em níveis familiar e comunitário. Essas redes
desempenham um papel crucial na redução do impacto de riscos, mitigando reações
adversas decorrentes da exposição a situações de risco. Elas também contribuem para
a construção e manutenção da autoestima e autoeficácia, ao mesmo tempo em que
oferecem oportunidades para reverter os efeitos do estresse. Considerando uma rede de
apoio mais ampla, Belli, Muszkat e Cracasso (2015) afirmam que o entendimento de que
o ambiente pode modular as manifestações do TDAH destaca a importância da
intervenção precoce, alinhada ao paradigma da neuroplasticidade.
Considerando esses aspectos supracitados e a associação deles com os desafios
do TDAH, tanto para a pessoa afetada quanto para seus familiares e amigos. Se faz
necessário realizar algumas sugestões para facilitar a convivência e oferecer suporte a
pessoa TDAH, são exemplos do que você enquanto rede de apoio pode fazer é:
● Incentivar Conquistas: Apoie os pequenos objetivos da pessoa com TDAH e
reconheça suas realizações, mesmo nas tarefas mais simples. Incentivar o
progresso pode fortalecer a autoconfiança.
● Simplificar Tarefas: Tarefas do cotidiano podem parecer complexas para quem
tem TDAH. Aborda as instruções de maneira objetiva e prática, ajudando a
pessoa a entender claramente o que precisa ser feito.
53
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
● Exercer Paciência: O TDAH muitas vezes leva a impulsividade. É crucial que as
pessoas ao redor ajam com calma e paciência, respeitando limites e evitando
pressões excessivas.
● Aceitar o Ritmo Individual: Cada pessoa com TDAH pode abordar as atividades
de maneira única. Compreenda que o desempenho pode evoluir gradualmente,
respeitando o ritmoindividual de cada um.
● Demonstre Apoio: Deixe claro que você acredita na pessoa com TDAH, torcendo
por seu sucesso. Ofereça apoio constante e esteja disposto a auxiliar no
enfrentamento dos desafios.
54
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
8. MITIGANDO O ESTIGMA E
PROMOVENDO A CONSCIENTIZAÇÃO
8.1 Desafios enfrentados por pessoas com TDAH
Imagine não conseguir ler um parágrafo ou acompanhar uma conversa sem que
sua mente divague. De acordo com Lovering (2022), perder a noção do tempo é algo
pelo qual você é conhecido entre familiares e amigos, e parece impossível cumprir
prazos, apesar de seus melhores esforços. A tendência de falar sem pensar às vezes
machuca sentimentos, podendo interromper pessoas ocasionalmente para não esquecer
o que deseja dizer.
Agora, imagine seus amigos e familiares dizendo que o transtorno do déficit de
atenção e hiperatividade (TDAH) não é uma condição real, e você deveria apenas se
esforçar mais. O estigma associado ao TDAH, como exposto por Lovering (2022),
envolve estereótipos negativos ou percepções errôneas, frequentemente baseadas em
desinformação. Isso pode resultar em consequências prejudiciais, especialmente
quando se trata de saúde mental.
Apesar do aumento do conhecimento público e conscientização sobre condições
de saúde mental, persistem vários equívocos comuns sobre o TDAH que perpetuam o
estigma. De acordo com a organização Children and Adults with
Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder (CHADD), Lovering (2022) destaca mitos como a
não existência real do transtorno, seu impacto apenas em crianças, a ideia de que afeta
mais gravemente meninos do que meninas, diagnósticos excessivos, associação com
má parentalidade e a crença de que as pessoas com TDAH são excessivamente
medicadas.
O estigma pode tornar desafiador viver com o TDAH, afetando negativamente
áreas sociais, profissionais e acadêmicas. Além disso, pode influenciar a autoimagem de
55
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
uma pessoa com TDAH, especialmente se ela passa a acreditar nos estereótipos
negativos associados ao transtorno, um fenômeno chamado de estigma internalizado ou
autoestigma.
Os sintomas do TDAH, como impulsividade e falta de atenção, afetam o
funcionamento diário e as interações sociais, levando, segundo uma pesquisa de 2019,
a percepções negativas, como ser considerado mal-educado, pouco confiável, imaturo,
fraco de caráter e emocionalmente disfuncional. Para Lovering (2022), o estigma
também pode levar as pessoas com TDAH e seus cuidadores a evitar buscar cuidados,
resultando em diagnósticos e tratamentos tardios, o que, por sua vez, está associado a
diversos resultados negativos, como ansiedade, depressão, distúrbios de personalidade,
baixa autoestima, instabilidade profissional, dificuldades nas relações familiares,
transtornos de uso de substâncias, maior taxa de criminalidade e acidentes de trânsito,
além de uma maior taxa de mortalidade.
O estigma em relação ao tratamento do TDAH com medicamentos também é uma
realidade. A má compreensão sobre os medicamentos como uma "solução fácil" ou uma
compensação para uma parentalidade inadequada pode desencorajar as pessoas com
TDAH a procurar tratamento.
O estigma afeta diferentes grupos etários, já que o TDAH é uma condição que
impacta pessoas de todas as idades. Por exemplo, adultos com TDAH podem temer
revelar seu diagnóstico no trabalho devido ao estigma, enquanto crianças podem
sentir-se julgadas por seus colegas na escola, o que torna difícil se integrar e fazer
amigos.
Para os cuidadores de crianças com TDAH, o estigma pode se manifestar como
um escrutínio por parte de outros pais, professores e profissionais de saúde. O estigma
afeta as escolhas de cuidados e tratamentos, como a decisão de permitir que a criança
tome medicamentos.
56
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
8.2 Estratégias para combater o estigma
A redução do estigma associado ao TDAH pode ser alcançada por meio da
educação. Pesquisas indicam que o contato pessoal com pessoas que têm TDAH e a
informação sobre os mitos relacionados ao transtorno são duas maneiras eficazes de
diminuir o estigma. A partilha de histórias pessoais, a divulgação de informações sobre
tratamento e os achados de pesquisas recentes também podem contribuir para
combater o estigma.
Anderson (2022) destaca a importância de enfrentar o estigma associado ao
TDAH por meio de uma abordagem aberta e honesta. Ele sugere estratégias como
compartilhar informações precisas e baseadas em evidências, promover a auto
aceitação e autocompaixão entre os indivíduos com TDAH, participar de grupos de apoio
e estimular o diálogo sincero sobre transtornos mentais. Além disso, ressalta a
necessidade de desafiar estereótipos equivocados, como a crença de que o TDAH não é
real, afeta apenas crianças, é diagnosticado em excesso, é causado por má educação,
resulta em supermedicação, ou que os sintomas são reflexo de falhas pessoais.
A autora enfatiza que a educação é uma ferramenta poderosa para combater o
estigma do TDAH. Recomenda-se a busca por informações precisas e baseadas em
evidências sobre o transtorno e seus sintomas. Além disso, destaca a importância de ser
um defensor, corrigindo estereótipos prejudiciais, promovendo a conscientização e
incentivando o diálogo aberto sobre questões de saúde mental. Anderson sugere a
formação de parcerias com outras pessoas que enfrentam desafios semelhantes,
participando de grupos de apoio para compartilhar experiências e lidar com o estigma de
forma coletiva.
Outro ponto destacado por Anderson (2022) é a necessidade de reduzir o auto
estigma. Isso envolve promover a aceitação pessoal e autocompaixão entre aqueles
com TDAH, incentivando a busca por ajuda adequada, a participação em grupos de
apoio e a partilha de experiências para diminuir sentimentos de vergonha, isolamento e
culpa. Essas estratégias, segundo o autor, contribuem significativamente para enfrentar
o estigma associado ao TDAH.
57
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
9. MATERIAIS ARTÍSTICOS,
INFORMAÇÕES E CURIOSIDADES
9.1 A ABDA
A ABDA, fundada em 1999, é uma organização sem fins lucrativos dedicada à
divulgação de informações precisas e baseadas em pesquisas científicas sobre o TDAH.
Seu principal propósito é oferecer suporte a indivíduos com esse transtorno e a seus
familiares. A associação alcança esse objetivo por meio de grupos de apoio,
atendimento telefônico e resposta a e-mails, além de disponibilizar conteúdo em seu
site, reconhecido como uma referência nacional na web.
9.2 Livros, filmes e materiais
O livro O impacto do TDAH no casamento, escrito por Melissa Orlov, aborda as
complexidades das relações conjugais afetadas pelo Transtorno do Déficit de
Atenção/Hiperatividade (TDAH). A autora destaca as dificuldades frequentes em
casamentos nos quais um ou ambos os cônjuges lidam com o TDAH, observando que
essas uniões muitas vezes enfrentam crises repetidas, podendo resultar em divórcio.
A obra destaca a existência de padrões consistentes em casamentos
prejudicados pelo TDAH, ressaltando a importância de identificar esses aspectos para
desenvolver estratégias de tratamento que melhorem a convivência. Casamentos
impactados pelo TDAH têm uma tendência maior de enfrentar desafios significativos e
maior probabilidade de terminar em divórcio, gerando desgaste emocional.
A dinâmica desses casamentos pode levar a sentimentos de solidão, frustração e
insatisfação, tanto por parte do cônjuge com TDAH quanto do outro. A falta de
compreensão dos sintomas do TDAH pode resultar em um ciclo negativo de
expectativas não atendidas, cobranças constantes e desempenho aquém do esperado.
58
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
Estudos indicam que pessoas com TDAH têm uma probabilidade duasvezes
maior de enfrentar divórcio em comparação com aquelas sem o transtorno. No entanto,
a autora destaca que a capacidade de estabelecer relacionamentos afetivos saudáveis
não está fora do alcance de indivíduos com TDAH. A falha muitas vezes reside na falta
de compreensão mútua e em respostas inadequadas aos sintomas do TDAH.
O livro propõe estratégias para casais reconstruírem seus relacionamentos,
destacando a necessidade de ambos os cônjuges estarem dispostos a buscar
tratamento especializado e fazer mudanças. A compreensão do papel do TDAH na
dinâmica do relacionamento é crucial para melhorar a comunicação e evitar respostas
prejudiciais repetitivas.
O foco em estratégias benéficas inclui o cultivo da empatia, a interrupção de
padrões negativos de resposta, o apoio ao cônjuge com TDAH em vez de críticas
agressivas e a busca de tratamento especializado. O livro oferece uma visão abrangente
e prática para casais que buscam reconstruir relacionamentos afetados pelo TDAH.
Para aqueles interessados, o livro "The ADHD Effect on Marriage: Understand
and Rebuild Your Relationship in Six Steps" O impacto do TDAH no casamento de
Melissa Orlov está disponível em www.amazon.com.
Mommy (2014) é um filme de Xavier Dolan que conta a história de Die e seu filho
Steve, que vive com TDAH, ambos em busca de algum equilíbrio emocional. Viúva já há
alguns anos, Die vive uma relação conturbada com o filho, um verdadeiro mar de
instabilidades e agressões, pois o adolescente de 17 anos oscila entre o afeto e a
violência em um piscar de olhos. É no meio dessas idas e vindas que a vizinha Kyla
surge, presenteando ambos com uma amizade imprevisível. O filme nos dá uma visão
tocante sobre o que é viver com TDAH.
Em Impulsividade (2005) Justin Cobb é um adolescente com TDAH, algo
facilmente notável por sua mania de chupar o dedo. Aos 17 anos, tenta de tudo para se
livrar deste costume, mas, no processo, acaba enfrentando dificuldades para encontrar
um novo hábito mais saudável. Filho de pais imaturos, ele é forçado a aprender a
crescer sozinho. “Impulsividade” (Thumbsucker) é um retrato forte do amadurecimento
que é perfeitamente possível para aqueles que vivem com o transtorno de déficit de
atenção e hiperatividade.
59
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001) e Peixe Grande e Suas Histórias
Maravilhosas (2004), apesar das tramas desses filmes serem de uma abordagem mais
romântica do TDAH, indo por um caminho mais lúdico, eles podem dar uma dimensão
do quão sonhadores e pouco atentos podem ser alguém com o transtorno. Os dois
personagens centrais, Amélie Poulain e Ed Bloom, passam o dia em outro mundo,
sendo capazes de jurar que viveram o que não viveram. Com muito lirismo, “O Fabuloso
Destino de Amélie Poulain” (Le fabuleux destin d'Amélie Poulain) e “Peixe Grande e
Suas Histórias Maravilhosas” (Big Fish) auxiliam a entender e a interpretar o TDAH,
dando aos espectadores mais empatia com relação às pessoas que sofrem do
Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Com abordagens distintas, esses
filmes podem ajudar tanto a pessoa com TDAH quanto seus familiares e entes queridos
a terem uma visão mais compreensiva sobre o transtorno.
Tudo em todo lugar ao mesmo tempo (2022) é um dos filmes mais famosos
atualmente. Isso porque, na recente premiação do Oscar e Globo de Ouro, o filme levou
quase todas as premiações. Com um roteiro que brinca com uma ruptura
interdimensional em várias realidades paralelas, acompanhamos a história central de
Evelyn, a única capaz de, em todas as realidades, conseguir combater os perigos do
multiverso. De forma metafórica, o filme fala sobre depressão, TDAH e a ânsia de nunca
sentir-se suficiente ou capaz. Daniel Kwan, um dos diretores do filme, descobriu que
também vivia com o transtorno enquanto pesquisava sobre para dirigir a protagonista.
Transtorno este que, mais tarde, foi confirmado por um psiquiatra.
Dennis, o Pimentinha (1993) que é um grande sucesso nas telinhas da sessão da
tarde, Dennis, o Pimentinha fala sobre um menino que inferniza a vizinhança, tendo
alguns alvos específicos, que são seus favoritos. Como a fama de Dennis é notória,
nenhuma babá quer cuidar da criança, devido a seu comportamento hiperativo e
desatento. Demonstrando sempre um garoto super elétrico e impulsivo, com
comportamentos que influenciavam o convívio familiar, social e rendimento escolar,
Dennis, o Pimentinha é um dos filmes que retratam a figura de uma criança com todos
os sintomas mais gritantes de TDAH.
Outro programa é o Young Royals que é uma série recente da Netflix, de origem
sueca, com um roteiro que gira em torno de um príncipe que envolve-se em um
escândalo e é mandado para um colégio interno, onde acaba vivendo um romance com
60
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
um personagem bolsista. O TDAH é presente na série através de uma personagem,
Sara, interpretada por Frida Argento, que apresenta o transtorno de déficit de atenção e
hiperatividade e asperger. É uma nova série que está rendendo muitos elogios pelo
público.
Outra obra é o filme O som do coração, este filme também a partir da perspectiva
da saúde mental, e o no comportamento de Evan, é possível perceber sinais de falta de
atenção, agitação, dificuldade de ficar parado, atitudes impulsivas. É curioso notar que
sua mãe também apresenta tais características, o que pode ser algo herdado.
Os sintomas relatados indicam que pode se tratar do TDAH. Além desses, outros
sintomas comuns são os esquecimentos contínuos, a hiperatividade, dificuldade de se
concentrar e de organizar ou planejar, problemas para manter o foco por muito tempo,
distrações frequentes.
Como causas, o transtorno pode estar atrelado a condição genética, como no
filme, mas outras causas que podem aumentar os riscos são as influências do ambiente
em que a criança vive, como conflitos familiares, algumas substâncias utilizadas na
gravidez (como álcool e nicotina), entre outros
9.3 Alguns famosos diagnosticados com TDAH
Bill Gates, Jennifer Lawrence, Will Smith, Adam Levine, Michael Phelps, Justin
Timberlake, Simone Biles, Paris Hilton, Emma Watson, Jamie Oliver, Jim Carey, Ryan
Gosling, Lily Allen, Richard Branson, Walt Disney, Trevor Noah, Johnny Depp, Channing
Tatum, Justin Timberlake, Dave Grohl, Sam Fender, Scott Kelly, Mark "Markiplier"
Fischbach, Sabrina Sato, Suzana Alves, Fiuk, Tatá Werneck, David Neeleman, Tallis
Gomes.
61
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
https://vtmneurodiagnostico.com.br/perguntas_respostas/5-dicas-para-quem-tem-filho-com-transtorno-do-deficit-de-atencao-com-hiperatividade-tdah/
https://tdah.org.br/cientistas-identificam-genes-envolvidos-no-tdah/
“(...) Não é muito fácil. Como eu passei muito tempo com TDAH,
criei o hábito de fazer coisas picadas. Isso é muito ruim quando
preciso concluir alguns projetos maiores que necessariamente
você não dá para fazer um sprint. Quem tem TDAH como eu, se a
pessoa vai bem, ela aprende a fazer as coisas muito rapidamente e
aprende a ser muito eficiente. Mas têm coisas que não tem como,
que são projetos maiores. Precisa ter etapas e a gente tem muita
dificuldade em cumprir isso. É um trabalho quase que interno, de
eu me policiar, ser meu próprio chefe, de conseguir e falar, “você
precisa cumprir essa etapa”. É um desafio muito grande, eu brigo
comigo mesmo o tempo inteiro.”
Tallis Gomes
Founder Easy Taxi e Singu
62
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
REFERÊNCIAS
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de
transtornos mentais: DSM-5. Tradução: Maria Inês Corrêa Nascimento et al. Revisão
técnica: Aristides Volpato Cordioli et al. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.
ANDERSON, Christiane. Lidar com o estigma de TDAH. Familia.com.br, 2022.
Disponível em:Acesso
em jan 2024.
BARKLEY, R. A. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade: Manual para
diagnóstico e tratamento. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.
BECK, J. S. Terapia cognitivo-comportamental: teoria e prática. Porto Alegre:
Artmed, 2014.
BELLI, Alexandra Amadio; MUSZKAT, Mauro; CRACASSO, Silvana P. Rede de
apoio social na vida do indivíduo com transtorno de déficit de atenção e
hiperatividade e seus cuidadores. Revista Psicopedagogia, v. 32, n. 98, p. 200-204,
2015.
BENCZIK, Edyleine Bellini Peroni; CASELLA, Erasmo Barbante. Compreendendo o
impacto do TDAH na dinâmica familiar e as possibilidades de intervenção. Rev.
psicopedag. vol.32 no.97, 2015.
BIEDERMAN, Joseph. Attention-deficit/hyperactivity disorder: a selective overview.
Biological psychiatry, v. 57, n. 11, p. 1215-1220, 2005.
CALIMAN, Luciana Vieira. Notas sobre a história oficial do transtorno do déficit de
atenção/hiperatividade TDAH. Psicologia: ciência e profissão, v. 30, p. 46-61, 2010.
CERETTA, Nathalia. O TDAH É PARCIALMENTE GENÉTICO, PORÉM FATORES
AMBIENTAIS EXERCEM INFLUÊNCIA. Focus TDAH, 2022.
CHERVIN, Ronald D. et al. Associations between symptoms of inattention,
hyperactivity, restless legs, and periodic leg movements. Sleep, v. 25, n. 2, p.
213-218, 2002.
ERLANDSSON, Soly I. et al. Is ADHD a way of conceptualizing long-term emotional
stress and social disadvantage?. Frontiers in Public Health, v. 10, p. 966900, 2022.
ESPAÑOL-MARTÍN, Gemma et al. The impact of attention-deficit/hyperactivity
disorder and specific learning disorders on academic performance in Spanish
children from a low-middle-and a high-income population. Frontiers in Psychiatry, v.
14, p. 1136994, 2023.
63
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
FERNÁNDEZ, Luis Carlos Saiz. Psicoestimulantes para el TDAH: análisis integral
para una medicina basada en la prudencia. Revista de la Asociación Española de
Neuropsiquiatría, v. 38, n. 133, p. 301-330, 2018.
FRANÇA, Maria Thereza de Barros. Transtorno de déficit de atenção e
hiperatividade (TDAH): ampliando o entendimento. J. psicanal. vol.45 no.82. São
Paulo, 2012.
GRAEFF, Rodrigo Linck; VAZ, Cícero E. Avaliação e diagnóstico do transtorno de
déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Psicologia USP, v. 19, p. 341-361, 2008.
LIMA, Isla Barbosa Leite. TDAH e as relações sociais: dificuldades, desafios e
estratégias para melhorar a qualidade de vida de crianças e adolescentes. Brazilian
Journal of Development, v. 9, n. 8, p. 24115-24127, 2023.
LOVERING, Nancy. Breaking Down the Stigma Surrounding ADHD. Healthline, 2022.
Disponível em: Acesso
em jan 2024.
MEDEIROS, Matheus Mastrianni Lima et al. Aspectos Genéticos comuns entre o
Transtorno do Espectro Autista e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade:
uma Revisão Integrativa da Literatura. Anais da Faculdade de Medicina de Olinda, v.
1, n. 9, p. 31-42, 2023.
OSCARSSON, Martin et al. Stress and work-related mental illness among working
adults with ADHD: a qualitative study. BMC psychiatry, v. 22, n. 1, p. 751, 2022.
PICCHIETTI, Matthew A.; PICCHIETTI, Daniel L. Restless legs syndrome and
periodic limb movement disorder in children and adolescents. In: Seminars in
pediatric neurology. WB Saunders, 2008.
POLANCZYK, Guilherme Vanoni. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade.
Clínica psiquiátrica, 2011.
ROHDE, L. A. et al. Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade. Braz. J.
Psychiatry 22, 2, 2000.
ROIZBLATT, A.; BUSTAMANTE, F.; BACIGALUPO, F. Trastorno por déficit
atencional con hiperactividad en adultos. Revista Médica Chilena, 131(10),
1195-1201, 2003.
SAMPAIO, Pedro Hugo de Sousa et al. “Desmitificando o TDAH: mito ou
verdade?”–ação de educação social realizada por ligas acadêmicas em um shopping
center. Brazilian Medical Students, v. 8, n. 11, 2023.
SERRA, Lilian Grecu. Fatores ambientais e a autorregulação emocional deficiente
em crianças e/ou adolescentes com transtorno do déficit de atenção e
hiperatividade- tdah. 2015. 103 f. Dissertação (Mestrado) - Escola de Filosofia,
Letras e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP),
Guarulhos, 2015.
SILVEIRA, Francis Moreira; RODRIGUES, Fabiano de Abreu. Interface cérebro e
máquina: Atividade neuronal no Transtorno Déficit de Atenção e Hiperatividade.
64
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 7, n. 10, p.
1764-1776, 2021.
SILVESTRI, Rosalia et al. Sleep disorders in children with
Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder (ADHD) recorded overnight by
video-polysomnography. Sleep medicine, v. 10, n. 10, p. 1132-1138, 2009.
SULKES, Stephen Brian. TDAH. Manual MSD, 2022.
VIÉGAS, Lygia de Sousa; OLIVEIRA, Ariane Rocha Felício de. TDAH: Conceitos
vagos, existência duvidosa. Nuances: estudos sobre Educação, v. 25, n. 1, p. 39-58,
2014
65
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.coma George Still, médico e cofundador da Associação Britânica de Pediatria, que,
em 1902, apresentou um grupo de crianças com sintomas semelhantes ao TDAH na
revista Lancet, marcando um marco na compreensão científica do transtorno.
Os percursos históricos do TDAH revelam uma abordagem complexa e
multifacetada, conforme discutido por Caliman (2010). A construção da história desse
diagnóstico é permeada por diferentes perspectivas, especialmente no que diz respeito à
sua relação com o espaço epistêmico e social, bem como às influências morais, sociais,
políticas, econômicas e institucionais.
Caliman (2010) destaca a existência de duas visões predominantes na
abordagem histórica do TDAH. A primeira, denominada oficial e dominante, isola o
diagnóstico de seu contexto mais amplo, conferindo-lhe uma autonomia divina e
protegendo a ciência que o originou. Esta visão tende a desconsiderar aspectos éticos,
sociais e políticos que contribuem para a construção do fenômeno patológico, além de
negligenciar o diálogo complexo entre as demandas políticas e ideológicas subjacentes
5
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
à pesquisa científica. Na segunda visão, críticos e defensores da abordagem
neurológica do TDAH baseiam-se nos marcos e classificações psiquiátricas da história
dominante. Críticos apontam a volatilidade do transtorno ao longo do tempo, com
mudanças frequentes em sua classificação. Argumentam que a diversidade de sintomas
do TDAH não pode ser unificada sem uma redução indevida. No entanto, Caliman
ressalta que essa crítica muitas vezes falha em considerar o que essas patologias têm
em comum, não explorando o substrato compartilhado.
Caliman (2010) prossegue abordando a história oficial do TDAH, destacando os
diagnósticos guarda-chuva que contribuíram para sua constituição. Cita a síndrome da
encefalite letárgica e o dano cerebral mínimo como exemplos, observando suas
transformações ao longo do tempo e as mudanças nas ênfases diagnósticas, como a
transição da hiperatividade para a desatenção nas décadas de 70 e 80. O ponto central
da análise histórica, segundo Caliman, está na ênfase na interpretação de Russell A.
Barkley, um proeminente defensor da perspectiva neurológica cognitiva do TDAH.
Barkley, juntamente com figuras como George Still e Virgínia Douglas, sustenta que o
TDAH resulta de um defeito da inibição e do autocontrole, relacionando-o a um déficit no
desenvolvimento moral.
Caliman (2010) destaca a importância de situar o trabalho de George Still no
contexto histórico da virada do século XX, onde a preocupação com a infância
moralmente defeituosa era evidente. Still, ao descrever a condição mórbida, baseou
suas análises em analogias teóricas e pressupostos metafísicos, não se apoiando em
descobertas científicas específicas. A história da patologização da infância amoral
remonta ao século XIX, com discussões sobre crianças criminosas e deficientes
moralmente.
Duas variáveis históricas fundamentais destacadas por Caliman (2010) são a
educação infantil e a medicalização do comportamento. Ele aponta que, no final do
século XIX, a preocupação científica e social com a infância, combinada com o
fortalecimento da psicologia e pedagogia do desenvolvimento, influenciou a busca por
uma função reguladora natural. A neurofisiologia da vontade inglesa refletiu uma
tentativa de resolver o problema metafísico e social da vontade por meio do
reducionismo fisiológico.
6
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
No século XX, o TDAH foi oficialmente reconhecido em 1968, no DSM-2, como a
"Reação Hipercinética da Infância", anteriormente conhecida como síndrome da criança
hiperativa. O DSM-3, em 1980, introduziu a terminologia "Transtorno do TDAH com ou
sem hiperatividade". Em 1994, o DSM-4 reconheceu a possibilidade de classificar o
TDAH em três subtipos: predominante desatento, predominante hiperativo-impulsivo e
predominante combinado, uma classificação que persiste no DSM-5 de 2013. Essa
evolução na terminologia e classificação reflete a compreensão em constante
aprimoramento do TDAH ao longo do tempo.
Atualmente, Viégas e Oliveira (2014) criticam a condução do TDAH, questionando
a interpretação da diversidade como doença, especialmente com abordagens
neurológicas. Eles levantam a questão dos interesses políticos e financeiros por trás da
manutenção dos diagnósticos e tratamentos para o TDAH, destacando o benefício
financeiro da indústria farmacológica com a venda de medicamentos para transtornos
como esse. Esses teóricos também criticam como as ciências, ao dominarem a vida
cotidiana nas sociedades capitalistas, transformam a visão biologicista do ser humano
em um discurso social predominante.
No contexto do TDAH no século XXI, Viégas e Oliveira (2014) enfatizam a
conceituação vaga, os critérios diagnósticos imprecisos e a falta de consenso entre os
profissionais da área. Ao mesmo tempo, observam a crescente adoção do diagnóstico e
tratamento, incluindo o medicamento metilfenidato, cujas consequências a longo prazo
demandam estudos mais aprofundados. O debate proposto por esses autores visa
resistir ao reducionismo da vida a aspectos orgânicos e promover novas perspectivas
que respeitem a diversidade.
Entretanto, ressalta-se a necessidade de uma abordagem unificada diante dos
distúrbios mentais, como no caso do TDAH. O texto de Sampaio et al (2023) destaca a
importância de reconhecer os prejuízos que podem surgir na ausência de assistência
coordenada. O papel essencial do ensino superior, com ênfase em ensino, pesquisa e
extensão, é enfatizado como crucial para abordar questões complexas, como o TDAH.
Além disso, o texto demonstra a importância da disseminação de informações sobre o
TDAH para a população leiga, utilizando uma abordagem didática e acessível.
7
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
1.2. Características principais
De acordo com Sulkes (2022), o Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade
(TDAH) é um distúrbio do neurodesenvolvimento que pode se manifestar desde o
nascimento ou desenvolver-se logo após. Crianças afetadas podem apresentar
dificuldades em áreas como atenção prolongada, concentração e conclusão de tarefas,
sendo algumas delas hiperativas e impulsivas. O diagnóstico, muitas vezes, é realizado
por meio de questionários preenchidos por pais e professores, juntamente com a
observação do comportamento da criança.
Sulkes (2022) destaca a necessidade frequente de medicamentos
psicoestimulantes, além de intervenções como ambientes estruturados, rotinas, planos
de intervenção escolar e ajustes nas técnicas de educação dos pais. É ressaltado que o
TDAH não é um distúrbio de comportamento, embora comportamentos hiperativos e
impulsivos sejam frequentes.
É observado por Sulkes (2022) que características do TDAH frequentemente se
manifestam antes dos quatro anos, mas podem não impactar significativamente o
desempenho acadêmico e social até os anos escolares intermediários. Anteriormente
chamado apenas de Transtorno do Déficit de Atenção (TDA), a inclusão da
hiperatividade levou à alteração da terminologia.
O autor destaca que, em ambientes estruturados, como escolas, os sintomas do
TDAH podem se tornar mais evidentes, enquanto em gerações passadas, com
diferentes expectativas sobre o comportamento infantil, esses sintomas poderiam passar
despercebidos. Mesmo que alguns sintomas possam ocorrer em crianças sem o
transtorno, eles são mais frequentes e graves naqueles com o déficit.
Sulkes (2022) ressalta que o TDAH não é exclusivo da infância e pode persistir na
adolescência e idade adulta. Adultos com TDAH podem apresentar dificuldades de
concentração, habilidades executivas prejudicadas, inquietação, oscilações de humor,
impaciência, dificuldade em manter relacionamentos e outros sintomas. Diagnosticar o
TDAH em adultos pode ser desafiador, pois os sintomaspodem se sobrepor a outros
transtornos mentais.
8
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
As funções executivas e a atenção desempenham papéis cruciais no TDAH,
refletindo alterações nas funções neuropsicológicas. O córtex pré-frontal, uma
área-chave do cérebro, estabelece conexões com diversas regiões, incluindo o lobo
parietal, temporal e occipital, estruturas subcorticais como o tálamo, e o sistema límbico.
Ele é subdividido em três regiões distintas:
● Córtex Pré-frontal Lateral: Responsável pelo armazenamento de informações,
manipulação da memória de trabalho, atenção seletiva, controle inibitório e
flexibilidade cognitiva.
● Córtex Pré-frontal Ventromedial: Relacionado às emoções.
● Córtex Cingulado Anterior: Associado a tarefas cognitivas, atenção dividida e ao
sistema de supervisão de atenção.
Quatro habilidades executivas foram identificadas, destacando aspectos cruciais
do funcionamento cognitivo no TDAH:
● Memória Operacional ou de Trabalho: Envolvendo a manutenção de
representação mental, retrospecção, prospecção e orientação temporal.
● Fala Internalizada: Correspondente ao comportamento encoberto, incluindo
auto-instrução, definição de regras e raciocínio matemático.
● Auto-regulação: Envolvendo a ativação, motivação e controle sobre o afeto.
● Reconstituição: Desempenhando uma função de sintaxe comportamental,
abrangendo fluência e criatividade.
Os componentes das funções executivas englobam diversas áreas, como
planejamento, controle inibitório, tomada de decisão, flexibilidade cognitiva, memória de
trabalho, atenção, categorização e fluência. Essas características refletem as complexas
interações neurais que contribuem para as manifestações clínicas do TDAH.
1.3. Estatísticas e prevalência
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um desafio
complexo que atravessa as fronteiras entre neurociência e psiquiatria, exigindo uma
análise aprofundada das estatísticas e prevalência para compreender verdadeiramente
sua extensão e impacto nas populações.
9
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
Estudos recentes apontam um aumento consistente na prevalência do TDAH nas
últimas décadas, transformando-o em um fenômeno global que transcende barreiras
culturais e socioeconômicas. Aproximadamente 5 a 7% das crianças em idade escolar
são afetadas por esse transtorno, com muitos casos persistindo na adolescência e na
vida adulta. Já para Sulkes (2022) existe na verdade uma controvérsia quanto à
prevalência do TDAH, enquanto outros estudos vão até 7% outros fazem estimativas de
que afeta de 5% a 15% das crianças, sendo mais comum em meninos.
Pesquisas indicam que 67% das crianças diagnosticadas com TDAH continuam a
enfrentar os sintomas na idade adulta, afetando aspectos acadêmicos, profissionais,
afetivos e sociais. Atualmente, estima-se que 60% a 70% das pessoas que tiveram
TDAH na infância continuam a enfrentar o transtorno na vida adulta, conforme Amaral
(2001), Barkley (2002), Risueño (2001), Souza, Serra, Mattos e Franco (2001)
Na neurociência, investigações revelam alterações estruturais e funcionais em
regiões cerebrais associadas ao controle da atenção e impulsividade em indivíduos com
TDAH. Estudos de neuroimagem destacam diferenças na atividade do córtex pré-frontal,
núcleo estriado e cerebelo, sugerindo bases biológicas para as características
observadas. Além disso, a influência genética é evidente, com estudos indicando uma
hereditariedade em torno de 75%. No entanto, o entendimento do TDAH vai além das
bases biológicas, incluindo fatores ambientais como exposição a toxinas durante a
gravidez, complicações no parto e experiências traumáticas, que interagem de maneira
complexa com a predisposição genética.
Embora o TDAH seja frequentemente associado à infância, estudos recentes
destacam a persistência de sintomas na vida adulta. A incapacidade de gerenciar
atenção e impulsividade pode impactar significativamente o desempenho acadêmico, as
relações interpessoais e a carreira profissional, ressaltando a importância de
intervenções precoces e abordagens terapêuticas abrangentes.
10
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
2. CAUSAS E FATORES DE RISCO
2.1. Teorias Gerais
Existem três grandes teorias explicativas para o TDAH, como é possível ver na
tabela a seguir:
Tabela 1 - Teorias explicativas para o TDAH
TEORIA DESCRIÇÃO
Teoria do Déficit de Maturação
Sugere que o TDAH pode resultar de um atraso no
desenvolvimento do sistema nervoso central,
refletindo-se em um desenvolvimento mais lento em
áreas específicas do cérebro que influenciam a
regulação do comportamento.
Teoria da Regulação do Estímulo
Destaca a busca por estimulação e um déficit na
capacidade de regulação do estímulo como
características fundamentais do TDAH. Indivíduos
com TDAH podem ser propensos a buscar
constantemente atividades estimulantes devido a
dificuldades na autorregulação.
Teoria da Execução Deficiente
Alguns pesquisadores propõem que o TDAH pode
estar relacionado a uma deficiência nas funções
executivas do cérebro, como a capacidade de
planejar, organizar e iniciar tarefas. Essa deficiência
pode contribuir para as dificuldades no controle do
comportamento e da atenção associadas ao TDAH.
11
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
2.2. Genética e hereditariedade
A hereditariedade desempenha um papel significativo no TDAH. Estudos com
gêmeos e famílias mostraram uma forte influência genética. Vários genes estão
associados ao TDAH, e as variações genéticas podem contribuir para a suscetibilidade
ao transtorno.
Medeiros et al. (2023) exploram as mutações genéticas como possíveis
contribuintes para o TDAH. O grupo de genes RFX, incluindo RFX3, RFX4 e RFX7,
localizados no córtex cerebral, é apontado como influente na cognição e comportamento
social. Além disso, o gene SLC9A9, parte da família de trocadores de Na+/H+, é
associado a distúrbios neuropsiquiátricos, incluindo o TDAH, devido à sua função no pH
endossomal e regulação sináptica. Estudos indicam que mutações no SLC9A9 estão
relacionadas a fenótipos autísticos, alterando a expressão gênica em sinapses.
A análise de variantes do número de cópias (VNC) nos cromossomos 16p11.2 e
22q11.2 revela sua associação com riscos elevados de TDAH, afetando a conectividade
funcional. A revisão de Medeiros et al. (2023) também destaca a correlação entre
vulnerabilidades genéticas ao TDAH, Transtorno Depressivo Maior (TDM) e transtornos
de ansiedade com distúrbios do sono em crianças.
Ao abordar estudos genéticos em fetos humanos, o texto de Medeiros et al.
(2023) destaca genes e transcritos associados ao TDAH, evidenciando a complexidade
genética desse transtorno. A conclusão ressalta a relação etiológica genética entre o
TDAH, com genes do grupo RFX, SLC9A9 e VNCs desempenhando papéis distintos. No
entanto, enfatiza a necessidade de mais estudos para avançar no entendimento e
tratamento dessa condição.
2.3. Fatores ambientais
O TDAH pode ser influenciado por diversos fatores ambientais, incluindo
exposição a substâncias durante a gravidez, complicações pré e perinatais, deficiência
de nutrientes, presença de aditivos alimentares, adversidade familiar, falta de suporte
parental, coesão familiar e o uso de álcool/drogas pelos pais. Ceretta (2022) afirma que
12
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
o fumo durante a gestação, por exemplo, é considerado um dos fatores não genéticos
mais significativamente associados ao TDAH, aumentando a chance de ocorrência em
filhos de mães fumantes em comparação com não fumantes. Complicações como
prematuridade e baixo peso ao nascer, deficiência de nutrientes como ácidos graxos,
zinco e ferro, assim como a presença de aditivos alimentares, também são considerados
elementos influentes.
Além disso, Serra(2015) destaca fatores relacionados ao ambiente familiar, como
adversidade, falta de suporte parental, coesão familiar comprometida e o uso de
substâncias pelos pais, demonstram associação direta com casos de TDAH. O estresse
e os problemas psiquiátricos dos pais também desempenham um papel significativo,
contribuindo para a presença de autorregulação emocional deficiente em crianças com
TDAH. Embora o TDAH tenha uma componente genética, é importante reconhecer a
influência substancial dos fatores ambientais, alguns dos quais podem ser prevenidos
para mitigar o risco de desenvolvimento desse transtorno.
2.4. Lesões cerebrais e sua relação com o TDAH
Ademais, o TDAH está associado a anormalidades em regiões cerebrais
específicas, incluindo o córtex pré-frontal, o núcleo estriado e o cerebelo. A implicação
de neurotransmissores como dopamina e noradrenalina, que desempenham papel
crucial na regulação da atenção e do comportamento impulsivo, é evidenciada no
quadro do TDAH. O diagnóstico psiquiátrico do TDAH teve seu início vinculado ao
conceito de "lesões cerebrais mínimas". Silveira e Rodrigues (2021) destacam que
crianças diagnosticadas com TDAH apresentam sintomas notáveis, como dificuldade de
concentração, agitação psicomotora e impulsividade.
De acordo com estudos mencionados por França (2012), fatores genéticos e
alterações nos neurotransmissores, especialmente dopamina e noradrenalina, são
identificados como causas principais do TDAH. Essas substâncias desempenham um
papel crucial na conexão entre neurônios na região frontal do cérebro. A predisposição
genética destaca-se como um elemento significativo na manifestação do transtorno,
enquanto as modificações nos neurotransmissores, essenciais para a comunicação
neural, são apontadas como contribuintes para os sintomas observados no TDAH.
13
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
Além disso, os autores supracitados ciram Mclean et al (2004) destacando que
disfunção do córtex pré-frontal pode resultar em sintomas semelhantes ao TDAH, como
prejuízo na inibição comportamental, reversão de recompensa em memória de trabalho,
dificuldade de concentração, distração fácil e impulsividade quando afeta o hemisfério
direito.
Outra região cerebral discutida é o cerebelo, tradicionalmente considerado como
centro de equilíbrio. Estudos citados por Silveira e Rodrigues (2021) relatam a redução
de seus lóbulos VI, VII, VIII, IX e X em várias pesquisas. Alterações no corpo estriado e
seus núcleos, como caudado, putâmen, núcleo accumbens e globus pallidus, também
estão relacionadas aos sintomas do TDAH, pois desempenham papel vital na regulação
da atenção, ação e comportamento. A regulação dopaminérgica nessa região é crucial
para o estabelecimento da atenção, com conexões estriado-corticais desempenhando
um papel chave no TDAH.
Para Ducan e Owen (2000) citados por Silveira e Rodrigues (2021) o córtex
cingulado anterior dorsal, associado à cognição, controle motor e estado de excitação,
também é prejudicado em pacientes com TDAH, apresentando diminuição no volume e
espessura, conforme evidenciado por neuroimagens funcionais (DUNCAN; OWEN,
2000). Loo et al (2003) citado por Silveira e Rodrigues (2021) destacam que o
envolvimento da dopamina na etiopatogenia do TDAH é evidenciado pela disfunção
dopaminérgica nas regiões mesocorticais, mesolímbicas e vias nigroestriatais,
impactando funções cognitivas e motivacionais. Polimorfismos genéticos, regulando a
densidade dos transportadores de dopamina, também são associados à susceptibilidade
ao TDAH.
Entretanto, especificamente quanto à relação entre lesões cerebrais e TDAH, a
literatura ainda carece de consenso claro. Contudo, a perspectiva inicial associada às
"lesões cerebrais mínimas" sugere uma possível conexão entre disfunções neurológicas
e o transtorno. Ampliar a compreensão dessas relações demanda investigações mais
aprofundadas, considerando múltiplos aspectos neurobiológicos e genéticos envolvidos
no contexto do TDAH.
14
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
3. DIAGNÓSTICO
3.1. Critérios diagnósticos
Os critérios diagnósticos do DSM-5 (2014) estabelecem 9 sinais de desatenção e
9 de hiperatividade e impulsividade. O diagnóstico requer a presença de pelo menos 6
sinais e sintomas de um ou ambos os grupos, sendo necessário que esses sintomas
estejam presentes por pelo menos 6 meses, sejam mais acentuados do que o esperado
para o nível de desenvolvimento, ocorram em pelo menos 2 situações diferentes, iniciem
antes dos 12 anos e interfiram no funcionamento diário.
Sintomas de Desatenção:
1. Não presta atenção a detalhes ou comete erros descuidados.
2. Dificuldade em manter a atenção em tarefas.
3. Não parece prestar atenção quando abordado diretamente.
4. Não segue instruções ou completar tarefas.
5. Dificuldade em organizar tarefas e atividades.
6. Evita tarefas que exigem esforço mental prolongado.
7. Perde frequentemente objetos necessários.
8. Distrai-se facilmente.
9. Esquecido em atividades diárias.
15
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
Sintomas de Hiperatividade e Impulsividade:
1. Movimentar ou torcer mãos e pés com frequência.
2. Movimenta-se excessivamente em situações inapropriadas.
3. Corre e escala frequentemente quando não apropriado.
4. Dificuldade em brincar calmamente.
5. Movimentos frequentes, como se estivesse "ligado na tomada".
6. Fala demasiadamente.
7. Responde abruptamente antes que perguntas sejam completadas.
8. Dificuldade em aguardar sua vez.
9. Intromissão frequente em conversas alheias.
O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) vai muito além do
estereótipo comumente associado à desatenção. No contexto da desatenção, os
pacientes podem enfrentar cansaço crônico, distratibilidade, falhas de memória, perda
de detalhes, hiperfoco, pensamento associativo, inquietação mental, atrasos, indecisão,
dificuldade de organização e desafios para iniciar ou concluir tarefas.
Quanto à hiperatividade, o TDAH também se manifesta com dificuldade para ficar
parado, inquietação interna, fala excessiva, sensação de ter o "motor ligado", terminar as
frases de outras pessoas, dificuldade para relaxar, dificuldade em esperar, fala em
excesso e movimentos repetitivos com mãos e pés.
No que se refere à impulsividade, os pacientes com TDAH podem exibir
comportamentos como compulsão alimentar, busca por sensações, agir sem pensar,
interromper outros, terminar as frases de outras pessoas, comportamento de risco, falta
de atraso na gratificação, irritabilidade em esperar, iniciar rapidamente relacionamentos
e sair rapidamente de empregos.
A desregulação emocional é outra faceta do TDAH, evidenciada por reatividade
emocional, flutuação emocional, mudanças exageradas após gatilhos emocionais,
16
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
irritabilidade, impulsividade emocional, explosões de raiva, baixa tolerância à frustração
e aumento pré-menstrual dos sintomas.
O DSM-5 (2014) destaca considerações diagnósticas, alertando para a
diferenciação entre TDAH e outras condições. A avaliação médica deve investigar
fatores pré-natais, complicações perinatais, infecções, traumatismos, doenças
cardíacas, respiração durante o sono, hábitos alimentares e história familiar de TDAH. A
avaliação também inclui aspectos do desenvolvimento, histórico educacional e revisão
de registros, com o cuidado de não depender apenas de escalas isoladas para o
diagnóstico.
A partir da participação em algumas palestras, no tocante aos critérios para
diagnósticos para TDAH em adolescentes foi possível identificar que a partir dos 17
anos, apenas cinco sintomas em cada domínio são necessários para confirmar o
diagnóstico. A presença de sintomas subsindrômicos, combinada com prejuízo
funcional, valida a necessidade de intervenção terapêutica. É crucialressaltar que o
diagnóstico não deve depender exclusivamente da observação clínica, já que crianças
podem controlar sintomas em situações específicas. Testes neuropsicológicos são
informativos, mas não obrigatórios, enquanto exames de neuroimagem não têm
relevância clínica.
Durante a infância, os indícios do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade
(TDAH) podem apresentar-se de maneiras diversas. Isso inclui situações em que a
criança aparenta estar frequentemente perdida em seus próprios pensamentos, o
estudante que enfrenta dificuldades para concentrar-se nas aulas e nos estudos em
casa, demonstrando uma mente propensa a divagações constantes. Além disso, há
casos em que a energia excessiva se manifesta, resultando em inquietude mesmo
durante atividades cotidianas simples, transformando a criança em alguém agitado no
ambiente escolar.
Na fase adulta, as complexidades do TDAH se refletem nas dificuldades de
concentração no ambiente de trabalho, impulsividade nas relações pessoais e a
constante batalha para manter um nível mínimo de organização. Esses aspectos
tornam-se comuns para aqueles que lidam com essa condição ao longo da vida adulta.
17
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
De acordo com as observações de Miranda (2023), é relevante notar que o
Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) em adultos frequentemente
apresenta uma melhora nos sintomas de hiperatividade/impulsividade ao longo do
desenvolvimento. Isso pode resultar na transição de uma apresentação combinada na
infância para uma predominância de sintomas desatentos na vida adulta, enquanto o
quadro clínico torna-se mais semelhante entre os sexos nessa fase.
Ao contrário da maioria dos transtornos psiquiátricos, o diagnóstico de TDAH não
se fundamenta na alteração de um estado prévio, pois os sintomas são sutis e
duradouros. Muitas vezes, o impacto funcional não é percebido pelo paciente,
destacando a importância da coleta de histórico colateral, preferencialmente com
familiares. Evidências indicam que relatos de informantes, como os pais, são mais
precisos do que autorrelatos, pois os adultos tendem a subestimar seus próprios
sintomas.
No contexto adulto, o TDAH transcende um mero déficit sustentado na atenção,
assemelhando-se a uma incapacidade de modular efetivamente as habilidades de
atenção. Situações que demandam esforço mental, como leitura, participação em
reuniões e realização de tarefas desafiadoras, tornam-se difíceis e frequentemente são
adiadas. A distraibilidade excessiva a estímulos internos e externos é evidente, sendo
que na idade adulta, os sintomas de hiperatividade muitas vezes se manifestam de
forma mais cognitiva do que na infância, apresentando-se como ideias difíceis de
controlar.
A divagação excessiva, caracterizada pelo afastamento da mente de uma tarefa
para focar em pensamentos internos não relacionados, é comum no TDAH adulto. Essa
divagação é distinguível por pensamentos distrativos e desfocados de curta duração,
sem um padrão repetitivo ou conteúdo anormal.
A instabilidade motora na infância evolui para uma propensão excessiva a
movimentar-se e realizar atividades na vida adulta. A dificuldade em relaxar, recusar
solicitações ou manter-se cuidadoso em situações apropriadas torna-se evidente. A
impulsividade manifesta-se como dificuldade em esperar ou impaciência, incluindo uma
tendência a interromper as pessoas ou responder de maneira precipitada.
18
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
Outros sintomas relevantes no TDAH adulto incluem dificuldades com funções
executivas, como inibição e memória de trabalho, além de desregulação emocional. Esta
última se traduz na dificuldade em gerenciar intensidade e duração das emoções,
refletindo-se em instabilidade de humor, baixa tolerância à frustração e expressões
excessivas de raiva.
Miranda (2023) destaca que alguns sintomas não incluídos nos critérios
diagnósticos são frequentemente observados em pacientes adultos com TDAH.
Alterações no sono são relatadas por mais de 70% dos adultos diagnosticados. A busca
prévia por auxílio psiquiátrico para tratar transtornos comórbidos é comum entre os
pacientes com TDAH. O diagnóstico em si pode ser desafiador, uma vez que o indivíduo
desenvolve estratégias compensatórias para lidar com as dificuldades impostas pelo
transtorno. À medida que as tarefas se tornam mais complexas e o suporte estruturado
de ambientes familiares e escolares diminui, os prejuízos associados ao TDAH se
tornam mais evidentes em diversos aspectos da vida.
A seguir são apresentadas algumas características clínicas relacionadas ao
diagnóstico, a tabela destaca três aspectos importantes do TDAH:
Tabela 2 - Algumas características clínicas e diagnóstico
Início na Infância
Os sintomas podem surgir na primeira
infância, manifestando-se em lactentes
ativos, com padrões de sono reduzidos e
maior propensão ao choro.
Manifestações Comuns
Hiperatividade, déficit de atenção,
distração, perseverança, dificuldade em
concluir tarefas e desatenção são
características frequentemente observadas.
19
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
Comorbidades Associadas
TDAH está frequentemente associado a
deficiências motoras perceptivas,
instabilidade emocional e transtornos de
coordenação do desenvolvimento.
Comportamentos desafiadores e
agressivos são comuns.
Na tabela a seguir também são apresentadas as comorbilidades que estão
associadas e fatores correlatos:
Tabela 3 - Investigação Clínica e Comorbidades
Avaliação Cardíaca
Antes do início do tratamento, é essencial uma
avaliação cardíaca completa, incluindo exame
cardiológico e ECG.
Comorbidades Frequentes
Além das mencionadas, o TDAH frequentemente
coexiste com transtornos de ansiedade e
transtorno disruptivo de desregulação do humor.
Fatores Médicos Sobrepostos
Epilepsia de petit mal, deficiências sensoriais,
alterações tireoidianas e hipoglicemia são
condições médicas que podem apresentar
sintomas sobrepostos ao TDAH.
Essas orientações apresentadas na tabela 3 visam aprimorar a compreensão
diagnóstica, considerando para além dessas informações as faixas etárias específicas,
critérios distintos e diferenciação cuidadosa para evitar diagnósticos inadequados.
20
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
Dessa forma, será possível reduzir as chances do paciente obter um diagnóstico
equivocado.
Além dessas questões, vale ressaltar aspectos relacionados aos diagnósticos
diferenciais no tocante ao Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH),
portanto, é crucial destacar suas distinções em relação a outros transtornos, conforme
definido pelo DSM-V (2014).
Segundo o DSM-V (2014) o Transtorno de Oposição Desafiante (TOD), por
exemplo, caracteriza-se pela resistência a tarefas que exigem autodeterminação,
apresentando sintomas como negatividade, hostilidade e desafio. Esta diferenciação se
torna essencial para evitar confusões com aversão escolar ou tarefas de alta demanda
associadas ao TDAH.
O DSM-V (2014) também destaca que o caso do Transtorno Explosivo
Intermitente, embora compartilhe comportamentos impulsivos com o TDAH, se distingue
pela presença de agressividade dirigida a outros, algo atípico no TDAH. É uma condição
rara na infância, mas pode coexistir com o TDAH.
Outros Transtornos do Neurodesenvolvimento também requerem diferenciação.
Segundo o DSM-V (2014) a atividade motora aumentada no TDAH deve ser distinguida
do comportamento motor repetitivo observado no Transtorno do Movimento
Estereotipado e em alguns casos de Transtorno do Espectro Autista. O TDAH envolve
inquietação generalizada, enquanto outros transtornos podem apresentar movimentos
estereotipados fixos.
O Transtorno Específico da Aprendizagem é outro ponto de diferenciação.
Crianças com este transtorno podem parecer desatentasdevido à frustração ou falta de
interesse, mas a desatenção não acarreta prejuízos fora do ambiente acadêmico
(DSM-V, 2014).
Além disso, é crucial distinguir o TDAH de condições como deficiência intelectual.
Embora sintomas semelhantes possam surgir em ambientes acadêmicos inadequados,
o diagnóstico de TDAH exige que a desatenção ou hiperatividade seja excessiva para a
idade mental.
21
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
No contexto do Transtorno do Espectro Autista, o DSM-V (2014) destaca que
apesar da partilha de desatenção e disfunção social, é necessário diferenciar a rejeição
social característica do autismo da disfunção social encontrada no TDAH.
Essas diferenciações se estendem a transtornos depressivos, bipolares, de
ansiedade, entre outros, assegurando uma compreensão clara e precisa dos sintomas e
características específicas de cada condição. Isso porque muitas vezes é fácil de acabar
confundindo diagnósticos, portanto, é extremamente necessário realizar uma análise
aprofundada para que seja possível descartar cada um dos transtornos com
características e sintomatologias parecidas ou idênticas.
3.2. Tipos de TDAH
O diagnóstico do TDAH pode ser classificado em três tipos principais, cada um
centrado na predominância de sintomas específicos, considera-se o seguinte:
● Tipo Desatento: ≥ 6 sinais de desatenção.
● Tipo Hiperativo/Impulsivo: ≥ 6 sinais de hiperatividade e impulsividade.
● Tipo Combinado: ≥ 6 sinais de ambos os critérios.
O Tipo Desatento é estabelecido quando há a presença de pelo menos seis sinais
relacionados à desatenção, como dificuldade de manter a atenção e esquecimento de
tarefas. Indivíduos com o subtipo desatento do Transtorno de Déficit de
Atenção/Hiperatividade (TDAH) frequentemente enfrentam desafios em manter a
concentração, apresentando dificuldades para concluir tarefas e sendo facilmente
distraídos. Essas pessoas necessitam de supervisão adicional para realizar suas
atividades, muitas vezes mudando de uma tarefa para outra antes de concluí-las. Essa
falta de foco pode levar a uma aparência de confusão e sonhando acordado. Além disso,
22
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
a desorganização é uma característica marcante, e esses indivíduos têm dificuldade em
seguir adequadamente as regras estabelecidas.
O subtipo desatento também pode manifestar sintomas físicos, como
hipoatividade e problemas de coordenação motora. Há déficits observados na memória
de trabalho e nas funções executivas, conforme discutido por Dias (2009) e mencionado
por Barkley (2008). Outras características associadas a esse subtipo incluem timidez e
passividade social, conforme destacado por Fuentes et al. (2014), citado por Barkley
(2008). Indivíduos desatentos são propensos a descuidos com seus pertences,
frequentemente esquecem itens relacionados a tarefas e têm a tendência de
procrastinar o início de uma atividade. Esses traços combinados contribuem para a
complexidade da apresentação clínica do TDAH desatento.
No caso do Tipo Hiperativo/Impulsivo, o diagnóstico requer a manifestação de
pelo menos seis sinais de hiperatividade e impulsividade, incluindo agitação excessiva e
dificuldade em esperar a vez. Diamond (2005) citado por Barkley (2008) destacam que
esses sujeitos apresentam uma notável falta de inibição, associada à hiperatividade e
impulsividade. Essas pessoas enfrentam dificuldade em esperar para obter algo,
demonstram agitação constante e têm problemas em cumprir regras estabelecidas. A
capacidade de concluir uma tarefa sem supervisão é limitada, e são caracterizados por
comportamentos falantes, falta de autocontrole, imaturidade, egocentrismo,
irresponsabilidade, preguiça percebida e rudeza.
A agitação é evidente nas mãos e nos pés, indicando um padrão de
hiperatividade. Além disso, apresentam déficits de memória de trabalho seletiva,
tornando a execução de funções executivas desafiadoras. Esses indivíduos podem ser
percebidos como desprovidos de autocontrole, resultando em um comportamento
impulsivo e desastrado. A combinação dessas características compõem a apresentação
clínica específica do TDAH hiperativo/impulsivo.
Já o Tipo Combinado é atribuído quando há seis ou mais sinais tanto de
desatenção quanto de hiperatividade/impulsividade, abrangendo uma variedade mais
ampla de sintomas que caracterizam ambos os domínios do TDAH. Essa classificação
ajuda a compreender a natureza única da apresentação de sintomas em cada indivíduo
diagnosticado com TDAH. Ainda para Diamond (2005) citado por Barkley (2008), os
indivíduos com esse subtipo enfrentam significativas dificuldades em cumprir regras e
23
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
respeitar limites estabelecidos. Tendem a ser opositores, apresentando comportamentos
rudes e insensíveis, o que contribui para desafios na socialização.
De acordo com o teórico supracitado, essas pessoas caracterizam-se por serem
hiperativas tanto verbal quanto motora, expressando-se excessivamente e
demonstrando inquietude por meio de movimentos repetitivos. Além disso, exibem
desorganização e impaciência em suas atividades cotidianas. A tendência a responder
antes de ouvir completamente uma pergunta é comum, assim como uma resistência
marcante às regras e à rotina. Essas características compõem a apresentação clínica
específica do TDAH do subtipo combinado.
3.3. Processo de avaliação
A forma mais adequada de conduzir um processo de avaliação em prol de um
diagnóstico de TDAH deve ser a partir de um trabalho elaborado, construído e
desenvolvido a duas mãos, por um lado o médico psiquiatra é o único que autorizado a
realizar uma terapia farmacológica, por outro, o psicólogo é o único autorizado pelos
órgãos a utilizarem testes psicológicos aprovados pelo CFP em prol da elaboração de
uma avaliação psicológica. Trata-se de um trabalho multiprofissional, prolongado e
multifacetado que exige dos profissionais uma observação muito delicada e profunda.
Lopes et al. (2005) destacam que o processo de avaliação do Transtorno de
Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) em adultos é predominantemente clínico,
seguindo critérios adaptados do DSM-IV para a vida adulta. O diagnóstico é desafiador
devido à presença de sintomas comuns a outros transtornos, exigindo uma abordagem
multifatorial para coletar e analisar informações relevantes. O procedimento abrange
diversos componentes, conforme delineado por Gallagher e Blader (citados por Marks,
2004), que incluem a revisão de preocupações atuais, avaliação do funcionamento na
infância e na vida adulta, histórico psiquiátrico, adaptação psicossocial, diagnóstico
diferencial, avaliação física, funções executivas, avaliação neurológica, psicoeducação e
planejamento do tratamento.
24
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
A avaliação adequada, conforme Lopes et al. (2005), envolve a colaboração de
psicólogos, neurologistas ou psiquiatras. O uso de escalas de sintomas e testes
psicológicos é recomendado para identificar deficiência cognitiva e coletar dados
históricos, avaliando a persistência das dificuldades desde a infância. A investigação
minuciosa da história, incluindo entrevistas com familiares, destaca-se, dada a tendência
dos pacientes em subestimar seu comportamento. A vida escolar e profissional é
examinada para compreender o impacto dos sintomas, considerando a capacidade de
concentração, distração e memória de curto prazo.
A complexidade do quadro clínico muitas vezes requer o uso de instrumentos
psicológicos para auxiliar na avaliação. Dentre esses instrumentos, destacam-se o AHA
(Assessment of Hyperactivity and Attention), WCST-Wisconsin, D-2 Teste de Atenção
Concentrada, Teste Stroop de Cores e Palavras, Figuras Complexas de Rey, MINI
International Neuropsychiatric Interview, Torre de Londres, Torre de Hanói, Torre de
Toronto,Teste Visomotor de Bender, IMO (Índice de Memória de Operacional do WAIS
III), Tavis 2-R e Escalas Beck. A utilização desses instrumentos visa avaliar aspectos
neuropsicológicos relevantes para o diagnóstico, considerando a disfunção executiva
associada ao TDAH.
Psiquiatras frequentemente requisitam avaliações psicológicas para confirmar ou
descartar a suspeita de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) e obter
informações adicionais para uma avaliação mais abrangente. Mesmo após o
diagnóstico, a avaliação neuropsicológica continua sendo valiosa, fornecendo dados
cruciais para orientar estratégias terapêuticas mais eficazes.
Embora os testes psicológicos, como o WISC-III, tenham mostrado resultados
significativos na discriminação do TDAH, é fundamental interpretá-los em conjunto com
entrevistas psicológicas e outros procedimentos. Segundo Graeff e Vaz (2008) o
WISC-III, aprovado no Brasil, destaca-se por sua capacidade de avaliar a distratibilidade,
indicando possíveis problemas de atenção e contribuindo para o diagnóstico diferencial,
especialmente em relação ao retardo mental.
Os Testes de Desempenho Contínuo (CPT) oferecem uma avaliação mais precisa
da capacidade atencional, embora não tenham poder de diagnóstico isolado. Outros
testes neuropsicológicos, como o Teste de distribuição de cartas Wisconsin e o Stroop
25
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
Test, complementam eficazmente a avaliação neuropsicológica, proporcionando uma
visão mais abrangente do TDAH, conforme destacado por Graeff e Vaz (2008).
Ferreira e Amaral (2023) concentra-se no desenvolvimento e aplicação do
instrumento ETDAH-PAIS, que visa avaliar os comportamentos de crianças e
adolescentes no ambiente familiar. Este instrumento utiliza os pais como fonte de
informação para compreender possíveis impactos relacionados à atenção,
hiperatividade, impulsividade, além de dificuldades emocionais e comportamentais,
proporcionando uma análise da intensidade desses prejuízos.
Por isso a colaboração entre médicos psiquiatras e psicólogos clínicos é crucial,
visto que encaminhamentos para avaliações psicológicas podem fornecer embasamento
palpável em questões comportamentais, enriquecendo o processo em prol de fechar o
diagnóstico do TDAH. Além disso, outros profissionais da saúde podem adentrar para
contribuir tanto em outros aspectos, por exemplo, abrangendo terapias como
fonoaudiologia, terapia corporal, ludoterapia e abordagens psicopedagógicas para
melhorar o desempenho e comportamento
Lopes et al. (2005) também ressaltam a importância da entrevista e da coleta de
informações junto a familiares para compor uma avaliação completa. Além disso,
mencionam a possível complementação com exames de neuroimagem, embora o
eletroencefalograma não apresente anormalidades específicas para o diagnóstico do
TDAH. O desafio reside na identificação de comorbidades que compartilham sintomas
semelhantes, tornando crucial uma abordagem abrangente e integrada no processo de
avaliação.
Ferreira e Amaral (2023) ressaltam a relevância da abordagem neuropsicológica e
da Psicoterapia Cognitivo-Comportamental na identificação e tratamento eficaz desse
transtorno. A ênfase no papel dos pais como informantes-chave destaca a importância
de considerar o ambiente familiar na compreensão e intervenção relacionadas ao
Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH). Esses achados reforçam a
necessidade de estratégias terapêuticas que abordem não apenas os sintomas do
TDAH, mas também as dinâmicas familiares que podem influenciar o seu
desenvolvimento.
26
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
3.4. Transtornos frequentemente associados ao TDAH
É relevante destacar que estudos evidenciam uma considerável taxa de
comorbidade entre o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) e
transtornos disruptivos do comportamento, como o transtorno de conduta e o transtorno
opositor desafiante, situada entre 30% e 50%. Além disso, o TDAH está associado, em
uma parcela significativa, a outras condições, incluindo depressão (15% a 20%),
transtornos de ansiedade (aproximadamente 25%) e transtornos de aprendizagem (10%
a 20%) (Polanczyk, 2011). Na infância, o TDAH se configura como um fator de risco para
o uso ou dependência de substâncias na adolescência e na idade adulta. A presença de
comorbidades relacionadas ao TDAH, como transtorno do humor bipolar, depressão,
transtornos de ansiedade e abuso de álcool e drogas, amplifica o grau de
comprometimento em uma parcela significativa de indivíduos.
Um estudo conduzido por Silvestri et al. (2009) examinou 55 crianças com TDAH,
submetendo-as a video polissonografia para investigar distúrbios do sono. Dentre essas
crianças, 14 apresentaram a síndrome das pernas inquietas (SPI), caracterizada por
uma notável necessidade de movimentação das pernas, especialmente durante o
repouso, conforme pontuado por Picchetti e Picchetti (2008). A correlação positiva
observada entre a presença da SPI e o comportamento hiperativo destaca-se,
principalmente, em crianças diagnosticadas com TDAH do subtipo hiperativo ou
combinado, indicando uma maior gravidade da síndrome nesse grupo em comparação
com aqueles diagnosticados com TDAH do subtipo desatento. Esses achados
convergem com resultados semelhantes de estudos anteriores, como o de Chervin et al.
(2002), que avaliou as associações entre hiperatividade, desatenção, SPI e
movimentação periódica das pernas em crianças.
Do ponto de vista bioquímico, a associação entre a síndrome das pernas
inquietas e o TDAH pode ser explicada pela presença de alterações dopaminérgicas,
que são identificadas em ambos os casos. Além disso, há sugestões de que a
deficiência de ferro pode estar relacionada a ambos os problemas, visto que o íon ferro
desempenha um papel como cofator na enzima tirosina hidroxilase, envolvida na síntese
de dopamina.
27
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
4. O TRATAMENTO ADEQUADO
4.1. Terapia Farmacológica
A integração do tratamento farmacológico com o tratamento comportamental não
apresentou eficácia significativamente superior na redução dos sintomas do Transtorno
de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) em comparação com o tratamento
farmacológico isolado. No entanto, análises de subgrupos indicam que o TDAH
associado a comorbidades psiquiátricas, especialmente transtornos de ansiedade ou
outros transtornos disruptivos, pode responder de maneira mais positiva ao tratamento
combinado.
As diretrizes tanto norte-americanas quanto europeias preconizam o uso de
estimulantes, como o metilfenidato, como a primeira escolha no tratamento do TDAH.
Recentemente, a lisdexanfetamina também foi aprovada para essa finalidade, sendo
considerada uma opção de primeira linha em vários países, com possíveis efeitos
clínicos superiores, mantendo padrões de segurança semelhantes ao metilfenidato.
No que diz respeito a preocupações específicas relacionadas ao tratamento
farmacológico, estudos prospectivos não indicaram um aumento significativo no risco de
abuso de substâncias no uso de estimulantes. Quanto a possíveis interferências no
crescimento, observou-se uma associação dose-dependente entre o tratamento com
estimulantes e a redução do apetite, bem como nas expectativas de peso e altura.
Entretanto, essas reduções, em média, são pequenas e frequentemente atenuadas ao
longo do tempo.
Considerando efeitos cardiovasculares, o uso de estimulantes se associou a
aumentos pequenos e clinicamente pouco significativos nos níveis de pressão arterial e
frequência cardíaca. Em relação a tiques e epilepsia, a contraindicação formal para o
tratamento com estimulantes em pacientes com síndrome de Tourette não é direta,
28
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
sendo uma monitorização clínica atenta o suficiente,mesmo em casos de epilepsia sob
controle.
O início do tratamento de pacientes com TDAH deve contemplar uma dose inicial
com base no peso do indivíduo, com aumentos graduais a cada 1 a 3 semanas até a
remissão dos sintomas, o aparecimento de efeitos adversos ou o alcance da dose
máxima. O teste farmacogenético é uma abordagem que avalia os efeitos moderados de
genes específicos, como SLC6A3, DRD4, SNAP25 e ADGRL3, na resposta ao
metilfenidato. Esses resultados corroboram estudos anteriores que também destacaram
a influência desses genes na resposta ao tratamento. Além disso, foram identificadas
interações entre a resposta ao tratamento ao longo de 12 meses e os genótipos de
SLC6A3 e DRD2.
No entanto, é importante observar que, mesmo considerando todas as variáveis,
os modelos explicam apenas cerca de 20% da variabilidade na resposta ao
metilfenidato. Isso sugere que outros fatores, tanto genéticos quanto não genéticos,
desempenham um papel significativo na determinação da resposta individual a esse
medicamento.
No processo de decisão sobre a medicação, vários fatores devem ser
considerados, como o composto em si, a forma de administração, a duração da ação, o
sistema ou tecnologia de entrega, a dosagem adequada, a preferência do paciente,
subsídios do seguro e custos associados. Esses elementos compõem uma abordagem
abrangente para escolher a terapia mais adequada, levando em consideração as
necessidades individuais, a eficácia do tratamento e a viabilidade financeira.
A indicação de tratamento farmacológico em pacientes menores de 6 anos é
controversa, com preferência geralmente dada ao tratamento não farmacológico como
primeira escolha. Em situações de longos períodos assintomáticos ou redução
significativa na sintomatologia, a suspensão do tratamento para avaliação da
necessidade de continuidade pode ser considerada.
Além dos estimulantes, fármacos como atomoxetina, antidepressivos
(especialmente imipramina, nortriptilina e bupropiona), agonistas dos receptores alfa-2
(clonidina e guanfacina) e modafinila são opções para o tratamento do TDAH. O
metilfenidato, um medicamento amplamente empregado no tratamento do Transtorno de
29
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), exerce sua ação ao bloquear a reabsorção de
dopamina e noradrenalina no terminal pré-sináptico, mantendo níveis mais elevados
dessas substâncias no espaço extracelular. A abordagem psicofarmacológica pode
demandar monitoramento contínuo por tempo indeterminado, sendo crucial avaliar a
resposta à medicação e a adesão ao tratamento. O objetivo dessa terapia é reduzir a
impulsividade e promover melhorias no humor, conforme discutido por Kaplan & Sadock
(1993) e Kaplan, Sadock, & Grebb (1997).
Fernández (2018) destaca que a relação entre psicoestimulantes e
comportamentos de abuso, uso não autorizado e venda ilegal dessas substâncias já era
conhecida. Dados recentes indicam um aumento desses fenômenos em adultos,
coincidindo com o aumento do consumo desses medicamentos por razões médicas. De
acordo com um estudo nos Estados Unidos em 2016, utilizando dados da Encuesta
Nacional de Uso de Medicamentos y Salud, observou-se um aumento nos usos não
médicos e visitas à emergência relacionadas a medicamentos estimulantes em adultos
jovens. O uso mais comum foi do Adderall®, uma mistura de sais de anfetaminas,
utilizado como potencializador cognitivo, sendo que os problemas mais comuns nas
emergências foram ansiedade, agitação e insônia.
Ainda para o teórico supracitado, a percepção dos jovens sobre as consequências
do uso indevido de estimulantes é notável. Um estudo com jovens americanos que
faziam uso irregular do Adderall® justificava o consumo por diferentes motivos, incluindo
a comparação de drogas ilícitas com medicamentos prescritos, a autopercepção de
consumo controlado e moderado, autodiagnóstico como provável portador de TDAH
necessitando de medicação, entre outros argumentos de racionalização do
comportamento.
Quanto aos tratamentos farmacológicos do TDAH na infância e seu possível
vínculo com comportamentos de abuso na adolescência, a evidência é divergente e
inconclusiva. Em jovens com histórico de abuso de substâncias, é comum apresentar
sintomas compatíveis com um possível diagnóstico de TDAH. Parece adequado abordar
inicialmente esse contexto de abuso e, se persistir, lidar com qualquer sintomatologia
residual.
No contexto do tratamento farmacológico em adultos, mesmo com a autorização
para iniciar o tratamento da atomoxetina, o metilfenidato e a lisdexanfetamina são
30
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
autorizados apenas para a continuação do tratamento de adolescentes quando se
estima que continuarão se beneficiando. Em relação à eficácia, o metilfenidato mostrou
uma redução estatisticamente significativa dos sintomas de TDAH em comparação com
o placebo em um estudo de seis meses. No entanto, a taxa de resposta no grupo
controle foi alta, e o metilfenidato não demonstrou vantagens em relação ao placebo em
termos de abandono do tratamento. Fernandez (2018) destacou que a atomoxetina
apresentou resultados modestos em comparação com o placebo em diversos estudos
financiados pelo fabricante, enquanto a lisdexanfetamina mostrou uma redução
significativa dos sintomas de TDAH em estudos de curta duração financiados pela
empresa.
Com relação ao metilfenidato, Maurílio e Camargo (2023) destacam que embora a
eficácia do metilfenidato a curto prazo seja amplamente apoiada pela maioria dos
estudos, a questão da durabilidade e benefícios de longo prazo do tratamento
permanece incerta. De acordo com a avaliação da qualidade das evidências científicas
disponíveis, não se pode afirmar com certeza que o metilfenidato resulta em melhorias
significativas na vida das pessoas com TDAH.
4.2. Terapia Cognitivo Comportamental
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é comumente organizada em fases
distintas para enfrentar eficazmente as questões do paciente. As três etapas principais
previamente mencionadas são amplamente reconhecidas na prática da TCC. Em sua
fase inicial, o terapeuta e o paciente colaboram para estabelecer uma aliança
terapêutica sólida e identificar os sintomas específicos que causam angústia, visando ao
alívio imediato desses sintomas. A fase intermediária envolve uma exploração mais
profunda das crenças centrais e intermediárias, com o terapeuta auxiliando na
identificação de pensamentos automáticos negativos e crenças limitadoras, utilizando
técnicas cognitivas para promover mudanças positivas. Na fase final, concentra-se na
consolidação dos progressos, preparando o paciente para a conclusão do tratamento e
discutindo estratégias para enfrentar desafios futuros, incluindo a prevenção de
recaídas.
Essa abordagem em fases proporciona uma intervenção sistemática e
progressiva ao longo do tempo, sendo crucial destacar que a TCC é flexível,
31
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
adaptando-se às necessidades individuais. A preferência pela TCC é respaldada por
alguns motivos, como seu enfoque na resolução de problemas, a estrutura clara e
direcionada que oferece, a evidência empírica que respalda sua eficácia no tratamento
da depressão e sua natureza de curto prazo em comparação com abordagens mais
longas, como a psicanálise.
Na reestruturação cognitiva, o psicólogo tececista desempenha um papel crucial
ao auxiliar o indivíduo na identificação e contestação de pensamentos disfuncionais
relacionados aos sintomas do TDAH. Por exemplo, um pensamento como "Eu sou um
fracasso porque não consigo me concentrar" pode ser desafiado, evidenciando sua
irracionalidade e destacando que a dificuldade de concentração não define o valor do
indivíduo.
Para Beck (2014) a reestruturação cognitiva compreende quatro etapas
fundamentais no processo terapêutico. Na primeiraetapa, denominada identificação dos
pensamentos automáticos, o terapeuta auxilia o paciente na identificação desses
pensamentos por meio de técnicas como auto registro, onde o paciente é orientado a
registrar seus pensamentos, sentimentos e comportamentos em situações específicas.
Após a identificação, a segunda etapa consiste na avaliação dos pensamentos
automáticos quanto à sua veracidade, utilidade e validade.
Ainda consoante com a autora supracitada, o tececista guia o paciente no
questionamento desses pensamentos, visando identificar possíveis erros de
pensamento. A terceira etapa envolve a geração de pensamentos alternativos. Aqui,
uma vez identificados e avaliados, o paciente é instruído a criar pensamentos
alternativos que sejam mais realistas, úteis e válidos do que os pensamentos
automáticos originais. Finalmente, na última etapa, os pensamentos alternativos são
testados na prática. O paciente é orientado a aplicar esses novos pensamentos e
observar os resultados.
O treino de habilidades na TCC envolve a instrução específica de técnicas que
ajudam o paciente a gerenciar os sintomas do TDAH, incluindo organização, gestão do
tempo, práticas de atenção plena e resolução de problemas. Adicionalmente, o treino de
habilidades sociais visa desenvolver competências sociais impactadas pelo TDAH, como
a capacidade de fazer amizades, comunicar-se eficientemente e resolver conflitos.
32
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
Del Prette e Del Prette (2005) destacam que o aprimoramento das habilidades
sociais geralmente requer uma abordagem metodológica abrangente, envolvendo
diversas atividades estruturadas. Esse processo compreende a modelagem de
comportamentos desejados, instrução em técnicas específicas, simulações de situações
por meio de role-playing, feedback construtivo e prática ativa em ambientes cotidianos,
podendo ir além desses aspectos.
De acordo com Del Prette e Del Prette (2005), o psicólogo facilitador desempenha
um papel crucial ao ajudar os indivíduos a identificar suas dificuldades sociais,
orientando a criação de estratégias para aprimorar essas habilidades e promovendo a
prática deliberada em contextos apropriados. Esse processo busca não apenas o
desenvolvimento de competências sociais mais eficazes, mas também proporciona
oportunidades para a aplicação prática dessas habilidades na vida real, contribuindo
assim para um crescimento contínuo e uma melhoria significativa nas interações sociais.
Essas intervenções da TCC são aplicáveis a todas as faixas etárias, abrangendo
crianças, adolescentes e adultos. As sessões individuais, com duração média de 50
minutos, são conduzidas ao longo de um período que varia conforme as necessidades
específicas do paciente, geralmente entre 12 a 24 semanas. É válido ressaltar que a
TCC é uma abordagem orientada para soluções, proporcionando aos pacientes
ferramentas práticas para lidar com sintomas depressivos, e sua eficácia é respaldada
por estudos clínicos e meta-análises, bem como, através de estudos científicos que
indicam a redução significativa dos sintomas do transtorno, a melhoria do desempenho
social e acadêmico, e o aumento da qualidade de vida para aqueles que enfrentam o
TDAH.
Além delas, podem ser realizadas as seguintes atividades comportamentais:
● Exercícios físicos em grupo: O exercício físico pode ser uma ótima maneira de
liberar energia e reduzir a hiperatividade associada ao TDAH. Participar de
exercícios em grupo, como aulas de dança ou esportes em equipe, pode ajudar a
desenvolver habilidades sociais e a aumentar a motivação.
● Mindfulness e Yoga: Práticas como mindfulness associadas a TCC de quarta
onda e yoga podem ajudar as pessoas a desenvolver a consciência do momento
presente e a reduzir a distração. Essas práticas podem ajudar a melhorar a
33
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
atenção e reduzir a impulsividade, o que pode ser particularmente útil para
pessoas com TDAH.
● Treinamento de atenção: O treinamento de atenção pode ajudar as pessoas a
melhorar sua capacidade de se concentrar, aumentando sua atenção e reduzindo
a distração. Isso pode incluir exercícios de meditação, jogos de atenção ou
treinamento de biofeedback.
Especificamente sobre o treinamento de atenção, ele pode ser realizado de várias
maneiras, mas aqui estão algumas sugestões de como você pode começar:
1. Prática de meditação: A meditação é uma forma popular de treinamento de
atenção e pode ser feita de muitas maneiras diferentes. Uma técnica comum é a
meditação mindfulness, que envolve focar a atenção na respiração ou em um
objeto específico, como uma vela ou uma imagem. Comece com apenas alguns
minutos por dia e vá aumentando gradualmente o tempo à medida que se sentir
mais confortável.
2. Jogos de atenção: Existem muitos jogos de atenção que podem ajudar a melhorar
a capacidade de concentração e a reduzir a distração. Jogos de memória, jogos
de quebra-cabeça e jogos de palavras são exemplos de jogos que podem ajudar
a desenvolver a atenção. Você também pode encontrar aplicativos de jogos de
atenção em lojas de aplicativos em seu celular.
3. Treinamento de biofeedback: O biofeedback é uma técnica que envolve o uso de
sensores para monitorar as ondas cerebrais e fornecer feedback em tempo real
sobre o desempenho. Isso pode ajudar a desenvolver a capacidade de se
concentrar e reduzir a hiperatividade associada ao TDAH. O treinamento de
biofeedback geralmente é realizado com um terapeuta que pode fornecer
orientação e feedback personalizado.
4. Exercícios de respiração: A respiração profunda pode ajudar a acalmar a mente e
reduzir a ansiedade, o que pode melhorar a capacidade de concentração.
Experimente fazer exercícios de respiração profunda por alguns minutos todos os
dias para ajudar a desenvolver a atenção.
34
Licenciado para - C
lara O
liveira - 36700934869 - P
rotegido por E
duzz.com
5. Treinamento de Mindfulness: O treinamento de mindfulness pode ajudar a
desenvolver a consciência do momento presente e a reduzir a distração. Existem
muitas formas de treinamento de mindfulness, incluindo a prática de atenção
plena ao comer, ao caminhar ou ao realizar outras atividades cotidianas.
Lembre-se de que o treinamento de atenção pode levar tempo e prática, então
comece com pequenos passos e vá aumentando gradualmente a duração e a
intensidade das atividades. É importante também ser gentil consigo mesmo e não se
julgar caso sinta dificuldade em manter a atenção no início. Com prática constante e
perseverança, você pode desenvolver habilidades para lidar com os desafios do TDAH.
Outra técnica, é a regra dos 5 segundos é uma técnica simples que pode ajudar a
superar a procrastinação e a impulsividade. Foi popularizada pela autora e palestrante
motivacional Mel Robbins em seu livro "The 5 Second Rule: Transform Your Life, Work,
and Confidence with Everyday Courage".
A regra dos 5 segundos funciona da seguinte maneira: quando você se depara
com uma tarefa que precisa ser feita, mas que você está relutante em fazer, você conta
mentalmente de cinco a zero e toma uma ação imediatamente assim que chegar a zero.
A ideia é que, ao fazer isso, você impeça que a sua mente comece a criar desculpas ou
se preocupe com possíveis obstáculos ou resultados negativos, ajudando a quebrar o
ciclo da procrastinação.
Por exemplo, se você está procrastinando a escrever um relatório importante, em
vez de permitir que sua mente comece a criar desculpas ou se preocupar com os
possíveis obstáculos ou resultados negativos, você conta mentalmente de cinco a zero e
começa a trabalhar no relatório imediatamente quando chegar a zero.
Essa técnica pode ser aplicada a qualquer tarefa que você esteja relutante em
fazer, desde ir para a academia até começar um projeto de trabalho. A ideia é que, ao
fazer a contagem regressiva de cinco segundos e agir imediatamente, você se fortaleça
para superar

Mais conteúdos dessa disciplina