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Radiologia 2 - aula 3

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Estudo radiográfico das 
lesões do órgão dental 
 
Objetivo do estudo: 
-Analisar as alterações na dentição. 
-Determinar a natureza da lesão 
(fisiológica ou patológica). 
-Atribuir um significado clínico à lesão 
observada. 
-Método de observação: seguir uma 
abordagem sistemática para interpretar 
a radiografia. 
 
Etapas da interpretação radiográfica: 
-Identificação do exame: 
● Verificar a técnica radiográfica 
utilizada. 
● Determinar a região e o lado da 
arcada dentária examinada. 
-Análise da anatomia: observar as 
estruturas anatômicas presentes na 
imagem. 
-Avaliação da lesão: 
● Identificar a presença de lesões no 
órgão dental. 
● Caracterizar as alterações 
radiográficas. 
 
Observação sistemática do órgão dental 
na radiografia: 
-Ordem de avaliação: 
1. Porção coronária (coroa). 
2. Porção pulpar (câmara pulpar). 
3. Porção radicular (raiz e ápice 
radicular). 
-Interpretação da porção coronária: 
● Observar possíveis lesões, como 
cáries. 
● Identificar e descrever imagens 
radiolúcidas sugestivas de cárie. 
-Descrição detalhada da lesão: 
● Exemplo: "imagem radiolúcida 
sugestiva de cárie em um molar, 
localizada na face oclusal, 
atingindo a dentina interna, sem 
comprometimento pulpar." 
● Localização da lesão: qual dente 
está afetado. 
● Face atingida: oclusal, vestibular, 
lingual/palatina, proximal. 
● Extensão da lesão: 
❖ Atinge esmalte interno ou externo? 
❖ Atinge dentina interna ou externa? 
❖ Há comprometimento pulpar? 
-Correlação clínica: 
● Relacionar os achados 
radiográficos com a avaliação 
clínica do paciente. 
● Verificar se há sintomas e 
necessidade de tratamento. 
 
Cárie dentária e sua avaliação 
radiográfica: 
-Definição de cárie dentária: 
● Processo de dissolução química da 
estrutura dentária. 
● Causada por eventos metabólicos 
do biofilme sobre a superfície do 
dente. 
● Ocorre um desequilíbrio entre o 
mineral dentário e o biofilme, 
resultando na cárie. 
-Identificação radiográfica da cárie: 
● A desmineralização do esmalte e 
dentina resulta em imagens 
radiolúcidas. 
● Para serem detectáveis 
radiograficamente, as lesões 
precisam de pelo menos 50% de 
desmineralização. 
-Melhores técnicas radiográficas para 
detecção de cáries: 
● Radiografia interproximal 
(bite-wing): 
 
❖ Melhor projeção para visualizar 
cáries proximais. 
❖ Permite melhor angulação 
horizontal e reduz a sobreposição 
das coroas. 
❖ Erros na angulação horizontal 
causam sobreposição, dificultando 
a visualização. 
● Radiografia periapical princípio do 
paralelismo: 
 
❖ Produz mínima distorção da 
imagem. 
❖ Dente paralelo ao filme e feixe 
perpendicular a ambos. 
● Radiografia periapical princípio da 
bissetriz: maior distorção devido a 
erros na angulação vertical. 
-Indicações do uso de radiografias na 
detecção de cáries: 
● Indispensável em dentes em 
contato e quando a inspeção 
clínica é limitada. 
● Útil quando a inspeção com 
explorador ou outros instrumentos 
não é possível. 
● Estudos demonstram que exames 
radiográficos revelam lesões 
oclusais e proximais que 
passariam despercebidas no 
exame clínico. 
 
Classificação radiográfica das cáries 
(imagens radiolúcidas): 
-Classificação de acordo com a 
localização: 
● Coroa: 
❖ Faces proximais: mesial (M) ou 
distal (D). 
❖ Oclusal: superfície mastigatória. 
❖ Superfícies livres: vestibular (V) ou 
lingual/palatina (L). 
❖ Raiz: face mesial ou distal. 
❖ Cáries recorrentes ou secundárias: 
localizadas entre o dente e 
restaurações já existentes. 
-Identificação radiográfica das lesões de 
cárie na coroa: 
 
 
 
 
 
● Divisão estrutural do dente: 
 
❖ Esmalte: parte externa e interna. 
❖ Dentina: parte externa e interna. 
❖ Câmara pulpar. 
-Interpretação da progressão da cárie: 
● Se a lesão estiver no esmalte 
externo: imagem radiolúcida 
sugestiva de cárie na metade 
externa de esmalte, localizada na 
face proximal (mesial/distal) do 
dente X. 
● Se a lesão atingir o esmalte 
interno: maior avanço da cárie, 
mas ainda sem atingir a dentina. 
● Se a lesão atingir a dentina 
externa: imagem radiolúcida 
sugestiva de cárie na metade 
interna de dentina, localizada na 
face proximal (mesial/distal) do 
dente X. 
● Se atingir a câmara pulpar: indica 
um estágio avançado da cárie, 
possivelmente exigindo tratamento 
endodôntico. 
 
Cárie proximal no esmalte: 
-Cárie na metade externa do esmalte 
(incipiente): 
 
● Dificuldade de detecção: difícil de 
visualizar no exame clínico devido 
ao estágio inicial. 
● Aparência radiográfica: formato de 
cone radiolúcido localizado na 
camada externa do esmalte. 
 
 
- Cárie na metade interna do esmalte: 
 
● Formato característico: imagem 
radiolúcida em forma de “V”. 
● Disposição da lesão: 
❖ Base do triângulo: voltada para a 
superfície externa do dente. 
❖ Ápice arredondado: direcionado 
para a junção amelodentinária 
(JAD). 
❖ Lesão limitada pela JAD, sem 
ainda atingir a dentina. 
 
Cárie proximal na dentina: 
-Cárie na metade externa da dentina: 
 
● Formato radiográfico: triangular, 
com a base na junção 
amelodentinária (JAD). 
● Progressão da lesão: já 
ultrapassou o esmalte, portanto, 
não há necessidade de 
mencioná-lo. 
-Cárie na metade interna da dentina 
(sem comprometimento pulpar): 
 
● Avanço da lesão: ainda não atingiu 
a câmara pulpar. 
● Possível reação periapical: 
algumas vezes, já pode haver 
resposta inflamatória na região 
periapical, mesmo sem 
envolvimento pulpar. 
 
 
-Cárie na metade interna da dentina 
(com comprometimento pulpar): 
 
● Lesão avançada: atingiu a polpa 
dentária. 
● Reação periapical visível: 
alterações radiográficas na região 
periapical do dente, indicando 
inflamação ou infecção. 
 
Velamento cervical (burnout) e sua 
confusão com cáries: 
-Velamento cervical: 
● Ocorre na junção amelodentinária 
ou amelocementária (região entre 
coroa e raiz). 
● Estreitamento natural do dente 
nessa região provoca uma 
concavidade. 
● Quando o raio X atravessa essa 
área, ocorre uma alteração na 
densidade da imagem, gerando o 
efeito de velamento. 
-Aparência radiográfica do velamento 
cervical: 
 
● Forma uma imagem irregular e 
radiolúcida na região cervical do 
dente. 
● Pode parecer uma cintura no 
dente, criando a falsa impressão 
de uma lesão de cárie. 
-Diferença entre velamento cervical e 
cárie cervical: 
● Velamento cervical (burnout): 
❖ Imagem radiolúcida difusa e 
irregular. 
❖ Não tem margens bem definidas. 
❖ Ocorre simetricamente em vários 
dentes. 
● Cárie cervical: 
❖ Imagem radiolúcida mais definida 
e localizada. 
❖ Geralmente próxima à gengiva, 
com contornos nítidos. 
❖ Pode estar associada à perda de 
estrutura dentária visível 
clinicamente. 
 
Cárie oclusal: 
-Cárie oclusal no esmalte: 
● Não é visualizada na radiografia. 
● Apenas detectável clinicamente 
até romper a junção 
amelodentinária (JAD) e atingir a 
dentina. 
● Início clínico: pode se manifestar 
como manchas brancas ou 
amarronzadas, mas essas não são 
visíveis na radiografia. 
-Cárie oclusal na dentina: 
 
● Metade externa da dentina: 
❖ Formato de cone radiolúcido 
abaixo da JAD. 
❖ Ápice arredondado, apontando 
para a polpa. 
 
● Metade interna da dentina (sem 
comprometimento pulpar): lesão 
avançada, mas sem atingir a polpa 
dentária. 
 
● Metade interna da dentina (com 
comprometimento pulpar): 
❖ Atingiu a câmara pulpar. 
❖ Possível reação inflamatória na 
região periapical. 
-Cárie oclusal e a presença de 
restaurações: 
● Se a lesão for totalmente removida 
e restaurada, não haverá imagem 
radiolúcida. 
● Caso persista uma imagem 
radiolúcida adjacente ao material 
restaurador, pode indicar cárie 
recorrente. 
 
Cárie em superfícies vestibular e lingual: 
-Detecção clínica e radiográfica: 
● Melhor visualizadas no exame 
clínico. 
● Radiografia não permite 
diferenciar se a cárie está na face 
vestibular ou lingual devido à 
sobreposição das estruturas. 
-Importância da avaliação clínica: 
● Como a radiografia nãodiferencia 
vestibular e lingual, a confirmação 
clínica é essencial. 
● O exame clínico permite identificar 
a lesão diretamente e avaliar sua 
progressão. 
-Aparência radiográfica: 
 
● Cáries em cicatrículas e fissuras: 
imagem radiolúcida arredondada. 
● Cáries cervicais: formato 
arredondado ou semilunar. 
-Limitação da radiografia: a 
sobreposição das imagens impossibilita 
a determinação exata da localização 
(vestibular ou lingual). 
 
 
 
 
 
 
Cárie radicular: 
-Definição e localização: 
● Cárie na raiz do dente, geralmente 
associada à exposição radicular. 
● Ocorre abaixo da junção 
cemento-esmalte (JCE). 
● Pode estar presente tanto na 
coroa remanescente quanto na 
raiz. 
-Condições favoráveis para o 
desenvolvimento: 
● Exposição da raiz devido a doença 
periodontal ou retração gengival. 
● Presença de grande perda óssea, 
facilitando a adesão e o 
desenvolvimento da cárie. 
● A cárie radicular ocorre em áreas 
não protegidas pelo esmalte, 
tornando a dentina mais 
vulnerável. 
-Aspecto radiográfico: 
 
● Imagem radiolúcida em formato de 
“pires”, caracterizando a perda de 
estrutura radicular. 
● Pode apresentar-se com formas 
triangulares ou arredondadas na 
radiografia. 
 
Cárie recorrente ou secundária: 
-Definição: 
● Também chamada de recidiva de 
cárie. 
● Ocorre abaixo ou ao redor de uma 
restauração existente. 
● Pode surgir devido à má 
adaptação da restauração, 
permitindo a infiltração de 
bactérias. 
 
 
 
 
 
 
-Aspecto radiográfico: 
 
● Traço ou área radiolúcida abaixo 
da restauração. 
● Indica uma solução de 
continuidade na interface 
dente-restauração. 
● Pode ser sutil, exigindo uma 
análise cuidadosa para não 
confundir com artefatos 
radiográficos. 
-Causas comuns: 
● Adaptação inadequada da 
restauração. 
● Falha na remoção completa da 
cárie antes da restauração. 
● Microinfiltração bacteriana, 
levando à progressão da lesão sob 
a restauração. 
 
Aparência radiográfica dos materiais 
restauradores dentários: 
-Dificuldades na identificação de 
materiais restauradores: 
● No passado, havia dificuldade em 
diferenciar restaurações em resina 
composta devido à sua aparência 
radiolúcida. 
● Resinas compostas de 1ª geração 
eram frequentemente confundidas 
com cáries. 
● O uso de materiais forradores 
como o hidróxido de cálcio 
ajudava na diferenciação, pois 
apresentavam um formato 
geométrico, indicando que o dente 
já havia sido restaurado. 
-Regulamentação da radiopacidade: a 
Norma 57 da ADA estabelece que 
materiais forradores devem ter 
densidade óptica maior que a dentina, 
garantindo melhor visibilidade 
radiográfica. 
 
-Classificação dos materiais 
restauradores pela radiopacidade: 
● Materiais radiopacos (fáceis de 
identificar na radiografia): 
❖ Amálgama 
❖ Metais em geral 
❖ Resinas compostas modernas 
(radiopacas) 
❖ Ionômeros de vidro 
❖ Cimentos provisórios 
● Materiais radiolúcidos (difíceis de 
diferenciar de cáries): resinas 
compostas antigas (radiolúcidas) 
-Materiais protéticos e sua aparência 
radiográfica: 
 
● Coroas: 
❖ Radiopacas: metálicas, porcelanas 
com núcleo metálico. 
❖ Variáveis: resinas e porcelanas 
puras podem apresentar 
radiopacidade intermediária. 
● Retentores intraradiculares: 
❖ Metálicos (radiopacos) 
❖ Fibra de vidro e fibra de carbono 
(podem ter radiopacidade 
variável). 
-Avaliação de restaurações dentárias: 
● Adaptação do material 
restaurador 
 
● Excesso de material restaurador 
 
 
 
 
 
● Falta de material restaurador 
 
● Presença ou ausência de ponto de 
contato: importante para avaliar 
adaptação da restauração. 
 
Desgastes incisais e oclusais por atrição: 
-Definição e causas: 
● Atrição é o desgaste da superfície 
dentária devido ao contato direto 
entre os dentes. 
● Pode ser fisiológica (normal) ou 
patológica (excessiva). 
-Tipos de atrição: 
● Fisiológica: 
❖ Ocorre naturalmente ao longo do 
tempo devido à mastigação e ao 
envelhecimento. 
❖ Associada a uma dieta com 
alimentos mais rígidos. 
● Patológica: 
❖ Perda excessiva de tecido dentário. 
❖ Comum em condições como o 
bruxismo (ranger ou apertar os 
dentes involuntariamente). 
-Áreas afetadas: 
● Superfícies oclusais dos molares e 
pré-molares. 
● Incisais dos dentes anteriores. 
-Aspectos clínicos e radiográficos: 
 
● Encurtamento da coroa dentária 
devido ao desgaste progressivo. 
● Redução do tamanho da câmara 
pulpar e do canal radicular, visível 
em exames radiográficos. 
● Facetas de desgaste nas 
superfícies oclusais e incisais. 
-Relação com interferências oclusais: 
● O contato anormal entre os dentes 
pode acelerar o processo de 
atrição. 
● Pode resultar em dor ou 
sensibilidade, especialmente em 
desgastes severos. 
 
Lesões cervicais não cariosas: 
-As lesões cervicais não cariosas 
envolvem a perda de estrutura dentária 
na região cervical, sem envolvimento de 
cárie. Elas podem ser classificadas em 
abrasão, erosão e abfração. 
-Abrasão (desgaste mecânico): 
● Causa: forças mecânicas 
repetitivas (exemplo escovação 
agressiva, uso de palitos de dente, 
hábitos parafuncionais). 
● Características: 
❖ Perda de tecidos duros por ação 
mecânica. 
❖ Pode ocorrer retração gengival 
associada. 
❖ Exposição da dentina após a 
perda do esmalte. 
 
● Aspecto radiográfico: defeito 
radiolúcido na região cervical dos 
dentes. 
-Erosão (ação química, não bacteriana): 
● Causa: contato frequente com 
substâncias ácidas (exemplo: dieta 
rica em cítricos, refluxo 
gastroesofágico, bebidas 
carbonatadas). 
● Características: 
❖ Perda dos tecidos duros do dente 
ao longo da margem gengival. 
❖ Nos casos mais avançados, há 
perda da dentina. 
❖ Superfície vestibular/oclusal 
desgastada, podendo adquirir 
coloração amarelada pela 
exposição da dentina. 
 
● Aspecto radiográfico: imagem 
radiolúcida com formato côncavo 
na região cervical. 
- Abfração (microfraturas por estresse 
oclusal): 
● Causa: forças oclusais mal 
direcionadas ou exageradas, 
resultando em microfraturas na 
região cervical. 
● Características: 
❖ Fraturas progressivas no esmalte 
cervical, podendo atingir a 
dentina. 
❖ Normalmente associada a má 
oclusão e bruxismo. 
 
● Aspecto radiográfico: defeito 
radiolúcido na região cervical dos 
dentes. 
 
Fraturas coronárias: 
-As fraturas coronárias são lesões 
traumáticas que afetam a estrutura da 
coroa dentária. Sua identificação e 
avaliação são fundamentais para o 
diagnóstico e planejamento do 
tratamento. 
-Características radiográficas: 
 
● Ausência do contorno coronário 
devido à perda de estrutura 
dentária. 
● Traço radiolúcido indicando a 
linha de fratura na coroa. 
● Pode haver envolvimento do 
esmalte, dentina e até da polpa 
dentária. 
-Causas e fatores associados: 
● Resultam principalmente de 
traumas dentários (quedas, 
acidentes esportivos, impactos 
diretos). 
● A gravidade da fratura depende 
da força e do local do impacto. 
-Avaliação da posição da polpa: 
● Fratura sem exposição pulpar: 
pode ser tratada com restauração 
direta. 
● Fratura com exposição pulpar: 
exige tratamento endodôntico 
(tratamento de canal) ou cobertura 
pulpar. 
-Plano de tratamento: 
● Fraturas simples (envolvendo 
apenas esmalte e dentina): 
restauração com resina composta 
ou coroa protética. 
● Fraturas complexas (com 
comprometimento pulpar): 
❖ Recobrimento pulpar direto ou 
pulpectomia (dependendo da 
vitalidade da polpa). 
❖ Tratamento endodôntico seguido 
de restauração ou coroa. 
● Fraturas extensas: podem 
necessitar de extração e 
reabilitação protética ou implante. 
 
 
 
Porção pulpar da dentina secundária: 
-A dentina secundária é formada ao 
longo da vida como parte do processo 
natural de envelhecimento ou em 
resposta a estímulos externos. 
-Características gerais: 
● Não se distingue da dentina 
primária. 
● A formação ocorre como parte do 
envelhecimento normal ou em 
resposta a traumas. 
● Pode haver mineralizaçãoexcessiva ou esclerose pulpar. 
-Alterações radiográficas: 
 
● A polpa perde seu aspecto 
radiolúcido habitual. 
● Passa a se apresentar mais 
radiopaca devido ao aumento da 
deposição de dentina secundária. 
● Ocorre uma redução do tamanho 
da câmara pulpar. 
-Modificações com o envelhecimento: 
● A polpa jovem é pobre em fibras e 
rica em células. 
● Com a idade, transforma-se em um 
tecido conjuntivo denso, com 
predominância de fibras. 
-Fatores externos que aceleram as 
modificações: 
● Atrição (desgaste fisiológico dos 
dentes). 
● Cárie dentária e processos 
infecciosos. 
● Restaurações dentárias e outros 
tratamentos invasivos. 
● Traumas dentários que estimulam 
a formação de dentina reparadora. 
 
 
 
Nódulos pulpares: 
-Os nódulos pulpares são focos de 
calcificação dentro da câmara pulpar ou 
conduto radicular. 
-Características gerais: 
● Causa desconhecida (sem etiologia 
definida). 
● Estruturas radiopacas dentro da 
câmara pulpar. 
● Formato esférico ou ovalado. 
● Podem ser únicos ou múltiplos. 
● Podem apresentar margens bem 
definidas ou difusas. 
● Não causam dor ou sintomas 
clínicos no paciente. 
-Localização e forma: 
● Encontrados na câmara pulpar ou 
no conduto radicular. 
● Mineralizações arredondadas, 
variando em tamanho. 
-Aspecto radiográfico: 
 
● Imagem radiopaca dentro da 
polpa dentária. 
● Podem ser pequenos pontos ou 
grandes calcificações. 
 
Porção radicular e materiais 
endodônticos: 
-Os materiais endodônticos são 
utilizados no preenchimento dos canais 
radiculares após o tratamento de canal, 
apresentando diferentes aspectos 
radiográficos. 
-Principais materiais endodônticos: 
● Cones de guta-percha (material 
mais utilizado). 
● Pinos de prata (utilizados 
antigamente). 
● Cimento obturador (associado à 
guta-percha). 
● Todos esses materiais são 
radiopacos, permitindo a 
visualização na radiografia. 
-Aspecto radiográfico: 
 
● Canais total ou parcialmente 
obturados → radiopacos. 
 
● Falhas no preenchimento do canal 
→ radiolúcidos (indicando espaços 
vazios). 
-Avaliação do tratamento endodôntico: 
● Satisfatório: o cone de 
guta-percha alcança até o ápice, 
vedando o canal adequadamente. 
● Insatisfatório: 
❖ O conduto não foi completamente 
tratado ou preenchido. 
❖ Extravasamento de material 
endodôntico para além do ápice 
radicular. 
 
Reabsorções radiculares: 
-A reabsorção radicular é a perda do 
tecido radicular, podendo ser um 
processo fisiológico ou patológico. Ela 
pode ocorrer tanto interna quanto 
externamente, com diferentes causas e 
manifestações radiográficas. 
-Tipos de reabsorção radicular: 
● Fisiológica: 
❖ Ocorre naturalmente na rizólise 
(perda das raízes dos dentes 
decíduos). 
❖ Fundamental para a substituição 
dos dentes decíduos pelos 
permanentes. 
❖ Pode ser alterada em casos de 
ausência do germe do dente 
permanente. 
● Patológica: 
❖ Ocorre devido a estímulos 
incomuns (trauma, infecção, forças 
excessivas). 
❖ Pode ter causa desconhecida. 
-Reabsorção radicular externa: 
● Características: 
 
❖ Aparência irregular e variável na 
radiografia. 
❖ Ocorre no ápice da raiz (associada 
ou não a uma lesão periapical). 
❖ Pode ocorrer lateralmente na raiz. 
● Causas: 
❖ Infecção 
❖ Trauma dentário 
❖ Forças ortodônticas excessivas 
-Reabsorção radicular interna: 
● Características: 
 
❖ Detectada somente por exame 
radiográfico. 
❖ Apresenta-se como alargamento 
da polpa coronária ou radicular. 
❖ Contorno bem definido e liso. 
❖ Forma redonda, oval ou alongada. 
❖ Aspecto balonizante devido à 
destruição das paredes internas 
do conduto. 
● Causas: 
❖ Trauma dentário 
❖ Processos inflamatórios internos 
-Observação importante: 
● A reabsorção não acontece 
apenas no ápice dos dentes. 
● Pode ocorrer em qualquer face 
radicular. 
 
Hipercementose: 
-A hipercementose é uma deposição 
excessiva de cemento na raiz do dente, 
podendo envolver um ou vários dentes. É 
a única condição em que o cemento 
pode ser visualizado radiograficamente, 
podendo causar complicações em 
exodontia devido à maior retenção 
óssea. 
-Características radiográficas: 
 
● Aspecto radiopaco 
● Aumento do volume radicular 
● Presença da lâmina dura 
● Espaço pericementário geralmente 
normal 
● Vitalidade pulpar preservada 
-Localização: 
● Geralmente ocorre no ápice 
radicular 
● Pode afetar uma única raiz, todas 
as raízes de um dente ou múltiplos 
dentes 
-Causas associadas: 
● Extrusão dentária 
● Lesões periapicais crônicas 
● Doença de Paget 
● Gigantismo e acromegalia 
● Trauma oclusal 
-Considerações clínicas: 
● Pode estar associada a rarefações 
ósseas periapicais 
● Dificulta a extração dentária 
devido à maior fixação ao osso 
● Importante diagnóstico diferencial 
com outras alterações radiculares 
 
 
 
Perfuração radicular: 
-A perfuração radicular é uma solução 
de continuidade da raiz causada por 
fatores iatrogênicos ou patológicos. 
Pode estar associada a reabsorções 
radiculares, trauma ou falhas durante 
procedimentos endodônticos. 
-Causas: 
● Reabsorções radiculares 
● Iatrogenia (erros em 
procedimentos endodônticos) 
● Traumatismos dentários 
● Perfuração por instrumentos 
manuais ou rotatórios 
-Aspecto radiográfico: 
● Imagem radiolúcida na raiz 
● Acompanhada de rarefação óssea 
no tecido adjacente 
● Traço radiolúcido indicando 
descontinuidade do contorno 
radicular 
-Tipos de perfuração: 
 
● Trepanação: ato de penetrar a 
dentina com instrumentos 
rotatórios para alcançar a câmara 
pulpar. 
 
● Perfuração endodôntica: 
comunicação artificial na raiz 
causada por instrumentos 
manuais ou rotatórios, ou de 
origem patológica. 
 
Fraturas radiculares: 
-As fraturas radiculares são soluções de 
continuidade na raiz do dente, podendo 
ocorrer devido a traumas, forças 
excessivas ou procedimentos 
odontológicos. 
-Aspecto radiográfico: 
 
● Traço radiolúcido na raiz 
● Pode estar associado a rarefação 
óssea periapical 
● Presença ou ausência de 
deslocamento dos segmentos 
fraturados 
-Tipos de fraturas radiculares: 
● Fratura transversal: 
❖ Ocorre perpendicularmente ao 
longo do eixo do dente 
❖ Comum em dentes anteriores 
devido a trauma direto 
❖ Melhor prognóstico quando há 
mínima mobilidade dos segmentos 
● Fratura oblíqua: 
❖ Ocorre diagonalmente ao longo da 
raiz 
❖ Mais difícil de visualizar na 
radiografia dependendo do ângulo 
da incidência 
❖ Pode comprometer a estabilidade 
do dente dependendo da 
profundidade 
● Fratura longitudinal: 
❖ Fissura vertical que divide a raiz 
parcialmente ou completamente 
❖ Pode ser consequência de forças 
excessivas, como bruxismo ou 
falha em restaurações extensas 
❖ Prognóstico geralmente ruim, 
podendo levar à extração 
-Prognóstico e tratamento: 
● Fraturas na porção cervical: 
prognóstico ruim, geralmente 
exigindo extração 
● Fraturas na porção média ou 
apical: possibilidade de 
tratamento conservador com 
imobilização 
● Fraturas sem deslocamento 
significativo: monitoramento 
clínico e radiográfico 
● Casos com necrose pulpar: 
tratamento endodôntico 
● Casos graves com mobilidade 
excessiva: possível extração e 
reabilitação protética 
 
Rizólise e rizogênese: 
-Rizólise: 
● Definição: reabsorção fisiológica 
da raiz dos dentes decíduos (de 
leite) para permitir a erupção dos 
permanentes. 
● Causa: processo natural mediado 
pelos osteoclastos e 
cementoclastos. 
● Aspecto radiográfico: 
 
❖ Diminuição progressiva do 
tamanho da raiz dos dentes 
decíduos. 
❖ Áreas radiolúcidas na região 
apical da raiz. 
● Alterações patológicas: a ausência 
do germe do dente permanente 
pode levar a uma interrupção ou 
atraso da rizólise. 
-Rizogênese: 
● Definição: processo de formação e 
desenvolvimento da raiz dos 
dentes permanentes. 
● Fases: 
❖ Formação inicial da dentina 
radicular. 
❖ Deposição de cemento e 
alongamento da raiz. 
❖ Fechamento doforame apical. 
 
 
● Aspecto radiográfico: 
 
❖ Raiz incompleta com ápice aberto 
em dentes jovens. 
❖ Acompanhamento necessário para 
avaliar o desenvolvimento 
completo da raiz. 
 
Restos radiculares e raízes residuais: 
-Raiz residual: 
● Definição: raiz totalmente 
envolvida por tecido ósseo. 
● Características: 
 
❖ Não apresenta comunicação com 
o meio bucal. 
❖ Sem condições de ser utilizada 
como suporte protético. 
❖ Pode ser identificada 
radiograficamente como uma 
estrutura radiopaca imersa no 
osso alveolar. 
-Resto radicular: 
● Definição: raiz parcialmente 
envolvida por osso, podendo ainda 
ser aproveitada. 
● Características: 
 
❖ Pode ser utilizada para suporte 
protético, dependendo da 
avaliação clínica. 
❖ Possui alguma exposição, podendo 
estar suscetível a infecções ou 
cáries secundárias. 
-Comunicação com o meio bucal: 
● Restos radiculares: 
❖ Raízes expostas ao meio bucal, 
sem cobertura óssea total. 
❖ Podem apresentar inflamação e 
risco de infecção. 
❖ Necessitam de remoção ou 
avaliação odontológica para 
possível reabilitação. 
● Raiz residual: 
❖ Completamente imersa no tecido 
ósseo. 
❖ Sem comunicação com o meio 
bucal. 
❖ Muitas vezes assintomática, 
detectada apenas por exame 
radiográfico. 
 
Corpos estranhos na cavidade oral: 
 
 -Corpos estranhos na coroa e raiz: 
● Definição: materiais retidos dentro 
da estrutura dentária, podendo 
ser identificados 
radiograficamente. 
● Tipos: 
❖ Retenções metálicas: estruturas 
metálicas utilizadas para suporte 
protético. 
❖ Núcleos protéticos: componentes 
metálicos usados em restaurações 
e próteses. 
❖ Fragmentos de restaurações: 
restos de materiais restauradores 
antigos ou fraturados. 
-Corpos estranhos no tecido ósseo: 
● Definição: materiais 
remanescentes no osso alveolar, 
geralmente decorrentes de 
procedimentos odontológicos. 
 
 
● Tipos: 
❖ Cimentos obturadores de canal: 
usados no preenchimento de 
canais radiculares. 
❖ Materiais metálicos: como limas 
endodônticas fraturadas ou 
resíduos de materiais 
restauradores. 
 
Implantes dentários: 
● Definição: estruturas artificiais 
inseridas no osso alveolar para 
substituir dentes perdidos. 
● Aspecto radiográfico: 
 
❖ Radiopaco: devido ao material 
metálico, geralmente titânio. 
❖ Cilíndrico ou cônico: formato 
anatômico para melhor adaptação 
óssea. 
❖ Inserido no tecido ósseo: 
localizado dentro do osso alveolar, 
podendo apresentar diferentes 
graus de osseointegração. 
 
 
	Estudo radiográfico das lesões do órgão dental

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