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Hermenêutica Filosófica no Direito

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Hermenêutica Filosófica e o Direito Resumo Didático - Tópico 1 
 
 
Hermenêutica Filosófica e o Direito 
Resumo Didático - Tópico 1 
"Interpretar não é descobrir um sentido escondido. É construir um sentido possível, consciente 
das suas próprias limitações." 
Hans-Georg Gadamer 
 
O QUE E HERMENÊUTICA? 
Hermenêutica e a ciência da interpretação. No campo juridico, ela responde a pergunta 
essencial: como devemos compreender e aplicar uma norma? 
A hermenêutica filosófica vai além da técnica: ela investiga as condições que tornam possível 
qualquer interpretação, inclusive as nossas proprias limitacões como intérpretes. 
 
 
OS PILARES: DA ORIGEM A GADAMER 
1. Schleiermacher e Dilthey — O Historicismo 
Schleiermacher defende que para interpretar bem uma obra, o intérprete precisa reconstruir o 
contexto histórico original: entender a intenção do autor, o tempo em que viveu e as condições 
de criação da obra. 
Dilthey segue esse caminho e tenta tornar a hermenêutica um método científico das ciências 
humanas, baseado na reconstrução histórica objetiva. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Analogia do Professor 
 
Imagine que voce encontra uma carta antiga sem data nem assinatura. Voce pode tentar 
adivinhar quem escreveu (método histórico), ler o que esta escrito literalmente (método 
gramatical), ou perguntar: o que essa carta significa para mim, hoje, no meu contexto? A 
hermenêutica filosófica trabalha com as três dimensões ao mesmo tempo. 
Limitação 
 
Esse método exige um retorno ao passado que nunca e totalmente possível. O intérprete do 
presente jámais consegue se despir completamente do seu próprio tempo. 
Hermenêutica Filosófica e o Direito Resumo Didático - Tópico 1 
 
 
 
2. Hegel — A Integração pelo Presente 
Hegel propõe o caminho oposto: as condições originais de criação de uma obra não podem ser 
reproduzidas. O intérprete deve observar a obra tal como ela se apresenta hoje, integrada ao 
contexto contemporâneo. 
 
 
3. Heidegger — O Círculo Hermenêutico 
Heidegger introduz o conceito fundamental do Círculo Hermenêutico: a compreensão e sempre 
circular. Partimos de uma pré-compreensão (o que já sabemos), avançamos para o texto e 
voltamos com uma compreensão revisada e ampliada. 
 
Etapa O que acontece 
Pré-compreensão O intérprete chega ao texto com expectativas e conceitos previos 
Contato com o texto O texto apresenta seu sentido e desafia as expectativas 
Revisão O intérprete ajusta sua compreensão a luz do texto 
Nova compreensão Produz-se um sentido mais apurado, que pode ser revisitado 
 
 
GADAMER — A SÍNTESE GENIAL 
Hans-Georg Gadamer, em sua obra Verdade e Método (1960), faz a grande síntese: une o 
melhor de Schleiermacher, Hegel e Heidegger. 
A Tese Central de Gadamer 
 
Gadamer reconhece que nenhum intérprete é neutro: todos carregam pré-conceitos (opinões 
não fundamentadas). Esses pré-conceitos não precisam ser eliminados, mas precisam ser 
reconhecidos e controlados. A interpretação é um processo vivo e mutável: o mesmo texto 
pode e deve ser reinterpretado em contextos diferentes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Exemplo 
 
Uma lei do seculo XIX sobre propriedade rural não pode ser interprétada apenas com os olhos 
de 1850. O intérprete de hoje traz consigo decadas de transformacões sociais, jurídicas e 
economicas que inevitavelmente moldam sua leitura. 
Alerta de Heidegger 
 
O círculo so funciona bem se o intérprete não impôe seus préconceitos ao texto antes de 
deixa-lo falar. O risco do círculo vicioso e tirar do texto apenas o que já se esperava 
encontrar. 
A interpretação deve levar em conta aspectos contemporâneos e históricos, contextuais 
e PSICOLÓGICOS, tanto do autor original quanto do próprio intérprete. 
Hermenêutica Filosófica e o Direito Resumo Didático - Tópico 1 
 
 
 
APLICAÇÃO NA HERMENÊUTICA JURÍDICA 
O Jurista e o Historiador do Direito 
Gadamer identifica uma diferenca fundamental entre quem interpreta a lei: 
 
 
Jurista Historiador do Direito 
Ponto de partida Um caso concreto a resolver A lei em abstrato 
Objetivo Aplicar a norma ao presente Compreender o sentido original 
Método Dialética histórico-contemporânea Reconstrução histórica 
Resultado Decisão normativa atual Conhecimento histórico 
 
A Norma Jurídica como Objeto Vivo 
Para Gadamer, o conteudo normativo de uma lei muda ao longo do tempo, pois cada geração 
de intérpretes traz novos contextos. O jurista não pode se limitar a intenção original do legislador: 
precisa atualizar o sentido da norma para o contexto em que a aplica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Hermenêutica Filosófica e o Direito Resumo Didático - Tópico 1 
 
 
 
O CÍRCULO HERMENÊUTICO E OS PRECONCEITOS 
Como Funciona na Prática Jurídica 
 
 
 
 
O círculo não e vicioso: a cada volta, o intérprete afina o sentido. Compreender as partes ilumina o todo; 
compreender o todo corrige a leitura das partes. 
O Problema dos Preconceitos 
Gadamer distingue dois tipos de pré-conceitos: 
 
Tipo Definição Efeito na interpretação 
Preconceito 
legitimado 
Opinões fundamentadas na tradicao, 
experiencia e saber acumulado 
Enriquece e orienta a 
compreensão 
Preconceito 
ilegitimo 
Opinões arbitrarias sem base no texto, as 
chamadas "felizes ideias" 
Vicia e deforma a 
interpretação 
 
 
 
 
 
 
 
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Regra de Ouro 
 
O intérprete deve estar aberto ao que o texto diz, mesmo que isso contrarie suas 
expectativas iniciais. A hermenêutica exige humildade intelectual. 
Hermenêutica Filosófica e o Direito Resumo Didático - Tópico 1 
 
 
 
MAPA DOS AUTORES 
 
Autor Ideia Central Contribuicao para Gadamer 
Schleiermacher Reconstruir o contexto histórico original A historicidade importa 
Dilthey Hermenêutica como método científico 
histórico 
Rigor métodologico 
Hegel Interpretar a obra no presente A contemporaneidade importa 
Heidegger Círculo hermenêutico e pré-estrutura da 
compreensão 
O intérprete não e neutro 
Gadamer Síntese: historia + presente + autocritica 
do intérprete 
A hermenêutica filosófica 
moderna 
 
FIXANDO O APRENDIZADO — 3 PERGUNTAS-CHAVE 
 
 
 
 
Fonte: ELTZ, Magnum et al. Hermenêutica e Argumentação Jurídica. SAGAH, 2018. Baseado em GADAMER, H.-G. 
Verdade e Método. 3a ed. Vozes, 1999. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Aristoteles, Retórica e Argumentação Jurídica Resumo Didático - Tópico 2 
 
 
Aristoteles, Retórica e Argumentação 
Jurídica 
Resumo Didático - Tópico 2 
"A retórica e a faculdade de ver teoricamente o que, em cada caso, pode ser capaz de gerar a 
persuasão." 
Aristoteles, Retórica 
 
POR QUE ARISTOTELES IMPORTA PARA O DIREITO? 
Aristoteles e o filosofo que une teoria e prática no conceito de práxis: pensar para agir com correcao 
no mundo real. Essa logica e identica ao trabalho do jurista, que filosofa sobre normas para resolver 
casos concretos. 
Além da práxis, ele desenvolveu quatro ferramentas de argumentação que sao usadas, de forma 
intuitiva ou consciente, em toda peca jurídica ate hoje: a tópica, a dialética, a erística e a 
retórica. 
 
 
OS QUATRO CONCEITOS FUNDAMENTAIS 
 
 
 
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Analogia do Professor 
 
Pense no trabalho do advogado ao redigir uma peticao. Ele organiza os argumentos (tópica), 
debate teses com a parte contraria (dialética), pode deparar com argumentos falaciosos do 
adversario (erística) e precisa convencer o juiz com raciocinio eloquente e logico (retórica). 
Aristoteles já descreveu esse método ha mais de 2.300 anos. 
 
 
 
 
 
 
 
Aristotelica 
 
 
 
 
Aristoteles, Retórica e Argumentação Jurídica Resumo Didático - Tópico 2 
 
 
 
 
Os quatro conceitos formam um sistema integrado. A tópica organiza; a dialética debate; a erística alerta para os 
falsos argumentos; a retórica convence. No centro de tudo esta a práxis: a aplicação prática do conhecimentoao 
caso real. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Aristoteles, Retórica e Argumentação Jurídica Resumo Didático - Tópico 2 
 
 
 
1. Tópica 
A tópica e a ciência da organização do pensamento argumentativo. Ela classifica os elementos 
de um raciocinio em quatro categorias essenciais: definição (o que a coisa e), propriedade (o 
que lhe e peculiar), genero (a classe a que pertence) e acidente (o que pode ou não estar 
presente). 
Na prática jurídica, a tópica e o roteiro que o advogado monta antes de escrever a peca: quais sao 
os topicos do pedido, quais fatos sustentam cada argumento, qual e a hierarquia dos argumentos. 
 
2. Dialética 
A dialética e o debate estruturado entre teses opostas. Aristoteles a define como um processo 
de critica que confronta opinões geralmente aceitas para chegar mais perto da verdade. 
No Direito, a dialética se manifesta no contraditorio: a peticao inicial (tese) encontra a contestação 
(antitese) e o juiz produz a síntese na sentenca. O processo judicial e, em essencia, um exercicio 
dialetico. 
 
 
3. Erística 
A erística e o uso de argumentos aparentemente validos, mas construidos sobre premissas 
falsas ou enganosas. E o silogismo falacioso: a forma e correta, mas o conteudo e inveridico. 
No mundo juridico, a erística aparece quando uma das partes constroi um argumento logicamente 
côerente, mas fundado em fatos distorcidos ou premissas não comprovadas. Identificar a erística 
adversaria e uma habilidade central do bom jurista. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Atenção 
 
A dialética lida com probabilidades, não com certezas absolutas. Por isso, a decisão judicial 
não e matematica: e o resultado de um debate fundamentado em prémissas verossimiis e 
provas concretas. 
Exemplo Pratico 
 
Se o emprégador argumenta que "todo acidente de maquina e causado por descuido do 
operador" e que "o funcionario operava a maquina", logo "o acidente foi culpa do 
funcionario", esta usando uma erística: a premissa maior e falsa, pois a responsabilidade do 
emprégador e objetiva por lei. 
Aristoteles, Retórica e Argumentação Jurídica Resumo Didático - Tópico 2 
 
 
 
4. Retórica 
A retórica e a forma mais elaborada de argumentação. Aristoteles a define como a arte de 
identificar, em cada situação, os meios disponiveis de persuasão. Ela se apoia em 
silogismos e no dominio da linguagem para convencer o interlocutor. 
Aristoteles divide a retórica em duas modalidades principais: 
 
Modalidade Descricao Exemplo juridico 
Deliberativa Debate entre partes em contexto 
privado, sem julgador 
Negociação de contratos, mediação, 
arbitragem 
Forense Discurso dirigido ao julgador para 
convence-lo do pleito 
Petições, memoriais, sustentacões 
orais em tribunal 
 
 
O ENTIMEMA: O PRODUTO DA RETÓRICA 
O entimema e o resultado pratico da retórica. Trata-se de um silogismo construido com 
premissas verossimiis, encadeadas de forma logica para produzir uma conclusao persuasiva 
junto ao julgador. 
 
 
 
 
 
 
 
Para construir um bom entimema, Aristoteles indica quatro passos: (1) planejár as proposições a 
encadear; (2) cuidar da clareza das expressões; (3) distinguir as coisas por generos côerentes; (4) 
verificar se a conclusao parecera verossimil ao receptor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Retórica e o principal instrumento juridico 
 
A peticao inicial e a expréssao mais pura da retórica forense. Nela o advogado constroi a tese, 
organiza os fatos, escolhe os argumentos e os encadeia de forma a induzir o juiz a uma 
conclusao favoravel ao cliente. 
 
 
 
 
 
 
O advogado não prova matematicamente: ele convence. O entimema e o instrumento dessa 
convicao. Quanto mais claro, logico e fundado em prémissas conhecidas pelo juiz, mais eficaz 
ele sera. 
Aristoteles, Retórica e Argumentação Jurídica Resumo Didático - Tópico 2 
 
 
 
SILOGISMO, FALACIA E ENTIMEMA 
O silogismo e a estrutura logica basica de todo argumento. Ele funciona assim: se a premissa 
maior e verdadeira e a premissa menor decorre dela necessariamente, a conclusao e inevitavel. 
Quando uma das premissas e invalida, temos uma falacia ou erística. 
 
Tipo Estrutura Resultado 
Silogismo necessario Premissa maior verdadeira + premissa 
menor que dela decorre 
Conclusao logicamente certa 
Entimema Premissas verossimiis encadeadas com 
linguagem persuasiva 
Conclusao persuasiva ao 
julgador 
Falacia (erística) Uma das premissas e invalida ou 
enganosa 
Conclusao aparentemente 
correta, mas falsa 
 
 
APLICAÇÃO ATUAL NO DIREITO 
O estudo de Aristoteles não e abstrato. Cada peca processual e um exercicio de tópica, dialética e 
retórica simultaneamente. O jurista organiza os topicos (tópica), antecipa os contra-argumentos 
(dialética), identifica as falacias adversarias (erística) e constroi o entimema que convence (retórica). 
Mesmo no ambito extrajudicial, como negociacões de contratos e mediação, as ferramentas 
aristotelicas sao decisivas. O advogado que conhece esses conceitos argumenta com mais 
precisão, clarity e eficacia do que aquele que age apenas por intuicao. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Exemplo do material 
 
Premissa maior: a responsabilidade do emprégador por dano ao trabalhador durante a 
jornada e objetiva. Premissa menor: o trabalhador Carlos foi queimado durante a jornada na 
emprésa. Entimema: a emprésa e responsavel pelo dano, independentemente de culpa do 
trabalhador. 
Ponto de atenção 
 
Em sistemas de Direito romano-germanico como o brasileiro, a retórica escrita supera a oral 
em importancia. A peticao inicial e o memorial sao os campos primarios de exercicio da 
retórica forense aristotelica. 
Aristoteles, Retórica e Argumentação Jurídica Resumo Didático - Tópico 2 
 
 
 
MAPA DOS CONCEITOS 
 
Conceito Funcao Aplicação jurídica 
Tópica Organizar o roteiro e classificar os 
argumentos 
Estrutura da peticao inicial, roteiro de 
audiencia 
Dialética Confrontar teses para construir 
conhecimento 
Contraditorio, debates em tribunal, 
contestação 
Erística Argumento falacioso com 
aparencia de verdade 
Identificar e rebater premissas falsas do 
adversario 
Entimema Silogismo persuasivo baseado em 
premissas verossimiis 
Tese central da peticao, fundamentação 
da sentenca 
Retórica Arte do convencimento estruturado Toda argumentação jurídica oral e escrita 
Práxis Teoria aplicada a resolução de 
problemas reais 
Hermenêutica jurídica como um todo 
 
FIXANDO O APRENDIZADO — 3 PERGUNTAS-CHAVE 
 
 
 
 
Fonte: ELTZ, Magnum et al. Hermenêutica e Argumentação Jurídica. SAGAH, 2018. Baseado em ARISTOTELES, 
Retórica (1953) e Topicos (1987). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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A Dogmática Jurídica Resumo Didático - Tópico 3 
 
 
A Dogmática Jurídica 
Resumo Didático - Tópico 3 
"A dogmática e o ramo do discurso juridico centrado em questões postas sem discutir sua 
adequação aos fatos, mas a adequação dos fatos as predições normativas." 
Tercio Sampaio Ferraz Junior 
 
O QUE E A DOGMÁTICA JURÍDICA? 
A dogmática jurídica e o estudo das normas enquanto verdades postas e imutaveis para fins de 
construção de teses jurídicas. Ela parte do pressuposto de que a norma e dada e que o papel do 
jurista e adequar os fatos a ela, não questionando sua validade. 
O jurista dogmatico pergunta: a norma resolve este caso? Se sim, aplica-a. Se não, recorre a 
métodos interpretativos para extrair da propria norma uma solução adequada. Não questiona o 
dogma em si, apenas o interpreta. 
 
 
DOGMÁTICA E ZETETICA: A DUPLA FUNDAMENTAL 
A zetetica e o oposto complementar da dogmática. Enquanto a dogmática opera dentro do 
sistema normativo dado, a zetetica questiona os próprios pressupostos desse sistema, 
investigando se a norma e adequada aos fatos e valores sociais. 
 
 
 
 
 
 
As duas dimensões se entrecruzamconstantemente no discurso juridico. O dubium sobre um fato e resolvido pela 
dogmática; o dubium sobre a validade ou adequação da propria norma e resolvido pela zetetica, que produz um 
novo produto dogmatico ao final. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Analogia do Professor 
 
Pense na dogmática como um manual tecnico: voce segue as instrucões para resolver o 
problema. Quando as instrucões não sao claras, voce as interpréta. Mas não reescreve o 
manual. Quem reescreve o manual e a zetetica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Dogmática Jurídica Resumo Didático - Tópico 3 
 
 
 
A HERMENÊUTICA COMO PROBLEMA ZETETICO 
A hermenêutica jurídica e classificada por Ferraz Junior como um problema zetético: ela investiga o 
sentido das palavras normativas, que oscilam entre o uso comum (onomasiologico) e o sentido 
tecnico-juridico (semasiologico). 
Quando o legislador usa a palavra "residencia" ou "parente", o sentido vulgar nem sempre coincide 
com o sentido legal. Resolver essa tensão e o papel da dogmática hermenêutica: interpretar o 
texto normativo com finalidade prática, voltada a decidibilidade de conflitos. 
 
 
 
OS MÉTODOS DOGMATICOS DE INTERPRETAÇÃO 
Ferraz Junior organiza os métodos em três grupos, conforme a perspectiva de analise da norma. Cada 
método oferece uma ferramenta diferente ao jurista para extrair o sentido da norma com fidelidade 
ao sistema juridico. 
Grupo 1 — Métodos Sintaxico-Logicos 
 
Método O que analisa Exemplo pratico 
Gramatical As palavras e sua conexao lexical 
no texto da norma 
Pronomes ambiguos que alteram o sujeito 
ou o objeto da proibicao legal 
Logico A côerencia interna entre 
expressões normativas 
"O legislador nunca e redundante": 
dispositivos aparentemente repetidos tem 
alcances diferentes 
Sistemático A norma em relação ao 
ordenamento como um todo, com a 
CF no topo 
Subordinação de leis ordinarias a 
Constituicao; hierarquia das fontes 
(Kelsen) 
Grupo 2 — Métodos Histórico-Sociologicos 
Esses métodos investigam tanto a genesis da norma (contexto de sua criação) quanto as 
condições atuais de sua aplicação. Na prática, os três conceitos abaixo se interpenetram e 
formam uma analise histórico-evolutiva integrada. 
 
Método Foco Aplicação 
Histórico Precedentes normativos e 
condições da epoca da criação 
da norma 
Entender por que o legislador criou a norma 
e o que pretendia evitar 
 
 
 
 
 
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Fique atento 
 
A zetética trata de questões abertas e infinitas. A dogmática trata de questões fechadas, 
restritivas e positivas. A hermenêutica jurídica opera no campo zetetico para produzir um 
resultado dogmatico: a interpretação normativa aplicada ao caso concreto. 
A Dogmática Jurídica Resumo Didático - Tópico 3 
 
 
 
Sociologico Funcao social e estruturas da 
realidade atual em que a norma 
incide 
Adaptar conceitos como "familia", 
"propriedade" e "honra" a valores 
contemporâneos 
Evolutivo Amálgama entre genesis e 
presente para seguir a 
transformação social 
Revisão de conceitos abertos como "mulher 
honesta" que variaram com o tempo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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A Dogmática Jurídica Resumo Didático - Tópico 3 
 
 
 
Grupo 3 — Métodos Teleológico e Axiológico 
Esses métodos partem das consequências e valores da norma para determinar seu sentido. O 
intérprete simula o "legislador racional" e verifica qual interpretação melhor serve aos fins sociais do 
Direito e ao bem comum. 
 
Método Premissa central Movimento interpretativo 
Teleológico Toda norma tem uma finalidade 
(telos) 
Do caso concreto para o interior do 
sistema, buscando o proposito da norma 
Axiológico Toda norma exprime valores da 
ordem jurídica 
Dos valores constitucionais e principios 
para a aplicação concreta da norma 
 
 
OS TIPOS DOGMATICOS DE INTERPRETAÇÃO 
Além dos métodos (que indicam o angulo de analise), a dogmática hermenêutica define três tipos de 
interpretação, que indicam o grau de amplitude da interpretação em relação ao texto da norma. 
 
 
 
 
ESPECIFICATIVA 
A norma e suficiente em si mesma. 
A literalidade resolve o problema. 
"In claris cessat interpretatio." 
Exemplos: 
Regras gerais do Direito Civil, 
tipos penais claros (art.121 CP). 
 
 
 
 
Os três tipos podem ser combinados com qualquer um dos métodos. A escolha do tipo e do método depende da 
estrategia do jurista e das especificidades do ramo do Direito em questao (público ou privado, forte ou fraco). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Diferenca do método sistemático 
 
O método sistemático analisa as normas como sistema fechado. Os métodos teleológico e 
axiológico partem de fora do sistema (consequências e valores) para dentro, permitindo uma 
avaliação do impacto real da interpretação. 
 
 
 
 
 
 
A Dogmática Jurídica Resumo Didático - Tópico 3 
 
 
 
DOGMÁTICA HERMENÊUTICA NA PRÁTICA 
Na prática processual, dogmática e zetetica se combinam em uma mesma peca ou decisão. O 
julgador pode aplicar a dogmática para fixar a responsabilidade objetiva de uma empresa e, ao 
mesmo tempo, usar a zetetica para ampliar o alcance territorial de um Termo de Ajustamento de 
Conduta. 
 
 
CASO PRATICO — CASO AURORA 
Caso do material: Aurora e proprietaria de imovel onde mora sua filha Amelia. O imovel foi penhorado 
para satisfação de credito bancario. O juizo aplicou o art. 5 da Lei 8.009/90, que protege a residencia 
do casal ou entidade familiar. 
 
Pergunta Resposta dogmatico-hermenêutica 
Qual tipo de interpretação 
usar para proteger Aurora? 
Interpretação extensiva: ampliar o conceito de "entidade familiar" 
para abarcar mae e filha residindo no imovel, com base no art. 6 
da CF (direito a moradia). A norma disse menos do que deveria. 
E possível resolver pela 
literalidade da lei? 
Parcialmente. O art. 5 da Lei 8.009/90 exige moradia permanente 
no imovel. Como Amelia mora la, caberia argumentar 
especificativamente que ela e entidade familiar. Porem, a leitura 
extensiva (moradia como direito fundamental) e mais solida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Exemplo do TJRS (material) 
 
Em ação de indenização por danos morais causados por estação de tratamento de esgoto, o 
tribunal aplicou dogmaticamente a responsabilidade objetiva da concessionaria e 
zeteticamente ampliou o alcance do TAC firmado em Ação Civil Publica, usando 
interpretação extensiva do art. 225 da CF e do CDC. O resultado foi um novo entimema 
dogmatico aplicado ao caso. 
Ponto de atenção 
 
A tese mais forte para Aurora e a interpretação extensiva: o art. 6 da CF garante o direito a 
moradia como direito social fundamental, e normas que o restringem (como a exigencia de 
moradia do próprio devedor) devem ser lidas com cautela, ampliando-se o conceito de 
"entidade familiar" para incluir a filha. 
A Dogmática Jurídica Resumo Didático - Tópico 3 
 
 
 
MAPA GERAL DO TÓPICO 
 
Conceito Definição Funcao no sistema juridico 
Dogmática Estudo da norma como verdade 
posta, sem questionar seu 
fundamento 
Orienta a decisão e a ação dentro do 
sistema normativo vigente 
Zetetica Investigação aberta dos pressupostos 
e adequação da norma 
Gera novos produtos dogmaticos ao 
questionar os dogmas existentes 
Dogmática 
hermenêutica 
Interpretação da norma com 
finalidade prática de decidibilidade 
Ponte entre a zetetica (investigação) 
e o resultado dogmatico aplicavel 
Métodos 
sintáticos 
Gramatical, logico, sistemático Analisam a norma em si: palavras, 
côerencia e hierarquia 
Métodos 
históricos 
Histórico, sociologico, evolutivo Analisam a norma no tempo: genesis 
e realidade atual 
Métodos 
valorativos 
Teleológico e axiológico Analisam a norma pelos seus fins e 
pelos valores que protege 
Tipos de 
interpretação 
Restritiva, especificativa, extensiva Definem o grau de amplitude da 
interpretação em relação ao textoFIXANDO O APRENDIZADO — 3 PERGUNTAS-CHAVE 
 
 
 
 
Fonte: ELTZ, Magnum et al. Hermenêutica e Argumentação Jurídica. SAGAH, 2018. Baseado em FERRAZ JUNIOR, 
T.S. Introdução ao Estudo do Direito. 4a ed. Atlas, 2003. 
 
 
 
 
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Hermenêutica Jurídica Classica — Escola da Exegese Resumo Didático - Tópico 4 
 
 
Hermenêutica Jurídica Classica e a Escola 
da Exegese 
Resumo Didático - Tópico 4 
"A interpretação e ato de inteligencia, cultura e sensibilidade. Somente o espirito capaz de 
compreender se acha apto as tarefas de decodificação." 
Paulo Nader, Introdução ao Estudo do Direito 
 
HERMENÊUTICA E INTERPRETAÇÃO: A DIFERENCA FUNDAMENTAL 
A hermenêutica e a teoria: ela elabora os métodos, principios e criterios de interpretação. A 
interpretação e a prática: a aplicação desses métodos pelo jurista ao caso concreto. Os dois 
conceitos se complementam, mas não se confundem. 
A origem da palavra hermenêutica vem do grego hermeneúein (interpretar), derivado de 
Hermes, mensageiro dos deuses na mitologia grega. A analogia e perfeita: assim como Hermes 
traduzia a vontade divina para os mortais, o jurista traduz o sentido da norma para o mundo dos 
fatos. 
 
 
A EVOLUÇÃO DA HERMENÊUTICA JURÍDICA 
A hermenêutica jurídica não nasceu pronta. Ela evoluiu ao longo dos seculos, incorporando novas 
escolas de pensamento sem descartar completamente as anteriores. Cada fase acrescentou uma 
camada ao arsenal interpretativo do jurista moderno. 
 
 
 
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Analogia do Professor 
 
Pense na hermenêutica como o manual do sommelier de vinhos: ela define os criterios de 
analise, os métodos e os padrões de avaliação. A interpretação e o sommelier provando o 
vinho e aplicando esses criterios a uma garrafa especifica. Um sem o outro não produz 
resultado util. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Hermenêutica Jurídica Classica — Escola da Exegese Resumo Didático - Tópico 4 
 
 
 
 
Cada etapa histórica respondeu a um problema pratico: como garantir seguranca jurídica sem engessar o Direito? O 
embate entre fidelidade ao texto e adaptação a realidade social moldou a hermenêutica como a conhecemos hoje. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Hermenêutica Jurídica Classica — Escola da Exegese Resumo Didático - Tópico 4 
 
 
 
A ESCOLA DA EXEGESE: FUNDAMENTOS 
A escola da exegese surgiu com a promulgação do Código de Napoleao (1804), considerado pelos 
juristas da epoca uma obra perfeita e completa. A crenca era de que o Código não possuia lacunas 
e que qualquer solução jurídica poderia ser encontrada dentro dos seus artigos. 
Essa escola concentra o papel do intérprete em uma unica missão: reconstruir o pensamento 
do legislador. O texto e sagrado. Qualquer desvio da literalidade seria uma "torção" indevida da 
lei, contraria a vontade de quem a criou. 
 
Característica Descricao 
Interpretação literal Os vocabulos da norma definem os limites de sua imputação. O texto e o 
limite maximo da interpretação. 
Vontade do legislador Somente o criador da lei pode definir seu sentido e alcance. O intérprete 
reconstroi essa vontade. 
Uso de obras 
doutrinarias 
Admite-se recorrer as obras que inspiraram o legislador para esclarecer 
a intenção original da norma. 
Sistema sem lacunas O Código e suficiente para resolver todos os conflitos. Lacunas 
aparentes sao resolvidas pela logica interna do próprio sistema. 
Sentido estanque O sentido da norma e fixo no tempo e espaco. Não se admite evolução 
interpretativa por fatores externos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Limitação Histórica 
 
A rigidez exegetica tornava inexoravel sua propria desconstrução. Como o sentido da norma 
era "congelado" no tempo, os juristas precisavam, paradoxalmente, "fraudar a letra da lei 
mediante artificios" para resolver casos que a norma literal não alcancava com justica. 
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EXEGESE VS CORRENTE DO DIREITO LIVRE 
O embate histórico que moldou a hermenêutica moderna foi o conflito entre a rigidez exegetica e a 
liberdade interpretativa proposta pela Corrente do Direito Livre, surgida no final do seculo XIX 
como reação direta ao positivismo legalista. 
 
 
 
 
Entre os dois extremos, a hermenêutica contemporânea encontrou um caminho do meio: o positivismo 
axiológico, no qual a literalidade resolve os casos faceis e os principios resolvem os casos dificeis. 
A Critica de Savigny e a Escola Histórica 
O jurista alémao Savigny foi o primeiro a contestar de forma fundamentada a exegese classica, 
argumentando que a lei não e produto de uma so vontade legislativa, mas resultado do querer 
social. O legislador não cria: traduz o pensamento e o sentir da sociedade. 
Para Savigny, o Direito e organico e evolutivo, como a propria sociedade. Interpretar uma norma 
exige compreender as condições históricas de sua criação e as transformacões sociais que 
ocorreram desde entao. Essa visão abriu caminho para os métodos histórico, sociologico e 
evolutivo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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"O individuo que legisla e mais ator do que autor; traduz apenas o pensar e o sentir alheios, 
reflexamente, usando meios inadequados de expréssao quase sempre." (Maximiliano, apud 
Nader) 
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AS TRÊS FASES DO POSITIVISMO (STRECK) 
Lenio Streck organiza a evolução do positivismo juridico em três fases, mostrando que a exegese 
não e uma escola morta: ela se transformou e permanece presente na hermenêutica 
contemporânea. 
 
Fase Nome Como resolve os conflitos 
1a Fase Positivismo Exegetico Literalidade da lei e vontade do legislador. Sistema fechado 
sem lacunas. 
2a Fase Positivismo 
Normativista 
Descobre as insuficiências do exegetismo. Introduz a 
subjetividade do intérprete para preencher as lacunas. 
3a Fase Positivismo Axiológico Easy cases pela subsuncao legal. Hard cases por principios, 
valores e ponderação. E a fase atual. 
 
 
A EXEGESE CLASSICA NA ATUALIDADE 
A hermenêutica classica exegetica não desapareceu: ela funciona como a primeira camada 
interpretativa em qualquer caso juridico. O intérprete comeca sempre pela literalidade da 
norma e so avanca para métodos mais complexos quando o texto não oferece solução satisfatoria. 
 
Ambito do Direito Como a Exegese se aplica hoje 
Direito Civil (Privado) Base exegetica para normas cogentes. Principios e clausulas abertas 
(boa-fe, funcao social) apenas para lacunas e hard cases. 
Direito Penal Exegese predominante por imperativo do principio da legalidade estrita. 
Interpretação extensiva e vedada para prejudicar o reu. 
Direito Administrativo Imperio da legalidade restringe o intérprete. Ação do Estado e limitada 
ao que a lei expressamente autoriza. 
Direito Constitucional Hard cases resolvidos por axiologia e ponderação de principios. Exegese 
insuficiente para resolver conflitos de direitos fundamentais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CASO PRATICO — ADI 4815 (STF) 
O caso mais emblematico da tensão entre exegese classica e hermenêutica contemporânea e a 
ADI 4815, julgada pelo STF, sobre o direito a publicação de biografias sem autorização previa. 
 
Elemento Detalhe do caso 
Norma literal 
(exegese) 
Art. 20 e 21 do CC/2002: proibiam publicação de imagem e vida privada 
sem autorização. Pela exegese, nenhuma biografia seria possível sem 
anuencia do biografado. 
Problema real A literalidade vedaria biografias de figuras históricas e de interesse público, 
configurando censura privada incompativel com a CF/88. 
Solução do STF Interpretação axiologica e constitucional: liberdade de expressao eliberdade de informação (art. 5, CF) prevalecem sobre privacidade quando 
ha interesse público. A CF proibe qualquer censura. 
Método utilizado Sistemático (hierarquia das normas: CF prevalece sobre CC) + axiológico 
(primazia do interesse público sobre interesses privados). 
 
 
 
FIXANDO O APRENDIZADO — 3 PERGUNTAS-CHAVE 
 
 
 
 
 
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Conclusao prática 
 
Os métodos exegeticos são utilizados na atualidade em consonancia com solucões 
axiologicas quando insuficientes para harmonizar o sistema juridico nos chamados hard 
cases. A exegese não morreu: ela é o ponto de partida; os princípios são o ponto de chegada 
nos casos dificeis. 
 
 
 
 
 
 
Hermenêutica Jurídica Classica — Escola da Exegese Resumo Didático - Tópico 4 
 
 
 
 
Fonte: ELTZ, Magnum et al. Hermenêutica e Argumentação Jurídica. SAGAH, 2018. Baseado em NADER, P. 
Introdução ao Estudo do Direito. 21a ed. Forense, 2001. STRECK, L. Hermenêutica Jurídica e(m) Crise. Livraria do 
Advogado, 1999. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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