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Hermenêutica Jurídica Jusfilosofos
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Filosofia do Direito Universidade Federal de SergipeUniversidade Federal de Sergipe

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## Resumo: Os Jusfilósofos e a Hermenêutica JurídicaEste trabalho aborda as contribuições de quatro importantes pensadores do direito — Hans Kelsen, Chaïm Perelman, Ronald Dworkin e Herbert Hart — e suas respectivas influências na hermenêutica jurídica, ou seja, na interpretação e aplicação do direito. Cada autor apresenta uma visão distinta sobre a natureza do direito, a relação entre direito e justiça, e o papel do juiz na decisão jurídica, refletindo diferentes correntes filosóficas e metodológicas que moldam o entendimento contemporâneo do fenômeno jurídico.### Hans Kelsen e o Positivismo JurídicoHans Kelsen é um dos maiores expoentes do positivismo jurídico, corrente que emergiu no século XIX e que rejeita o direito natural por considerá-lo abstrato e não científico. Para Kelsen, o direito deve ser estudado como uma ciência pura, desvinculada da política, da moral e da sociologia, focando exclusivamente na norma jurídica enquanto tal. Ele desenvolveu a "Teoria Pura do Direito", que analisa a existência, eficácia e validade das normas jurídicas dentro de um sistema hierarquizado, onde normas inferiores derivam sua validade de normas superiores, culminando na Constituição como norma fundamental.Kelsen distingue o "ser" do "dever-ser": o "ser" refere-se ao comportamento humano conforme preceitos morais, enquanto o "dever-ser" é a conduta imposta coercitivamente pela norma jurídica. Para ele, a interpretação do direito deve ser literal, baseada na gramática da lei, excluindo outras formas de interpretação. A justiça, para Kelsen, é um valor relativo e externo ao direito, que é um sistema normativo autônomo e rigoroso. Assim, normas jurídicas podem ser injustas, mas ainda assim válidas, pois a validade não depende da justiça, mas do cumprimento dos procedimentos formais de criação normativa.### Chaïm Perelman e a Nova Retórica JurídicaChaïm Perelman, filósofo e jurista europeu, contrapõe-se ao positivismo ao enfatizar a importância da argumentação e da retórica no direito. Para ele, o raciocínio jurídico não é mecânico ou matemático, mas dialético e prático, centrado na decisão do juiz, que deve ponderar os argumentos apresentados por advogados, promotores e demais operadores do direito. Perelman destaca que o direito não se resume à lei, mas envolve a persuasão e a construção de narrativas razoáveis diante de um auditório, ou seja, o tribunal.Sua lógica jurídica é material e contingente, não rígida nem abstrata, e visa causar efeitos práticos na audiência. Ele rejeita a oposição entre razão e argumentação, afirmando que toda argumentação é racional, mas distingue demonstração (formal e abstrata) da argumentação (prática e contextual). O raciocínio jurídico, para Perelman, é dialético, baseado em fatos concretos e na casuística, e a argumentação é o instrumento que permite aos juristas e operadores do direito lidar com a complexidade e a ambiguidade dos casos reais.### Ronald Dworkin e a Interpretação Jurídica como Prática MoralRonald Dworkin apresenta uma visão crítica ao positivismo, propondo que o direito é um fenômeno interpretativo profundamente ligado à moral e à prática social. Para ele, o direito não pode ser separado da justiça, e o juiz não está vinculado apenas às regras formais, mas também a princípios morais que orientam a decisão, especialmente nos chamados "hard cases" (casos difíceis). Dworkin defende que o direito é uma atitude interpretativa que deve considerar o contexto histórico, social e institucional, e que a interpretação jurídica envolve a busca da coerência e da razoabilidade dentro do sistema jurídico.Sua teoria distingue duas regras fundamentais para a interpretação: a "conveniência", que avalia os argumentos cabíveis, e o "valor", que orienta a seleção dos argumentos com base na justiça. Dworkin propõe uma lógica inter sistêmica, que supera a rigidez do positivismo, reconhecendo a vagueza da linguagem e a subjetividade da interpretação, mas buscando superar esses desafios por meio dos princípios jurídicos. O papel do juiz, para Dworkin, é ponderar os valores em conflito e buscar a decisão mais razoável, integrando argumentos políticos e morais para garantir a coerência do sistema jurídico.### Herbert Hart e a Teoria das Regras JurídicasHerbert Hart desenvolveu uma teoria que distingue dois tipos de regras jurídicas: as primárias, que impõem obrigações e regulam o comportamento dos indivíduos, e as secundárias, que conferem métodos para criar, modificar e aplicar as regras primárias. Hart utiliza o exemplo das sociedades primitivas para ilustrar que, sem regras secundárias, as normas primárias são frágeis, imprecisas e ineficazes, pois não há mecanismos para resolver dúvidas, modificar regras ou estabelecer autoridades competentes.As regras secundárias subdividem-se em três: a regra de reconhecimento (que identifica quais normas são válidas), a regra de alteração (que permite modificar normas) e a regra de adjudicação (que estabelece órgãos competentes para resolver conflitos). Essa estrutura confere ao direito uma maior estabilidade, flexibilidade e capacidade de adaptação, superando as limitações das normas tradicionais e possibilitando a existência de um sistema jurídico complexo e funcional.---## Destaques- **Hans Kelsen** defende o positivismo jurídico e a Teoria Pura do Direito, separando direito e justiça e focando na norma jurídica como objeto científico.- **Chaïm Perelman** enfatiza a argumentação e a retórica no direito, defendendo uma lógica dialética e prática, centrada na decisão judicial e na persuasão.- **Ronald Dworkin** propõe o direito como prática interpretativa ligada à moral, com ênfase em princípios e na razoabilidade para resolver casos difíceis.- **Herbert Hart** distingue regras primárias e secundárias, destacando a importância das regras secundárias para a eficácia e adaptação do sistema jurídico.- A hermenêutica jurídica, segundo esses autores, envolve diferentes métodos e concepções sobre a interpretação, a aplicação do direito e o papel do juiz, refletindo a complexidade do fenômeno jurídico.Este panorama revela a riqueza e a diversidade do pensamento jurídico contemporâneo, mostrando que a interpretação do direito não é um processo simples ou unívoco, mas um campo dinâmico onde ciência, moral, argumentação e prática social se entrelaçam para garantir a aplicação justa e eficaz das normas jurídicas.

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