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Laurinda (30), única provedora de seus filhos J. M. (12) e A. C. (9), possui ensino médio completo e dois anos de experiência de trabalho como operadora de caixa de supermercado. Há pouco mais de 1 ano, ela foi contratada pela empresa BNO para trabalhar como analista de qualidade em uma linha de produção. Ao ser contratada, ela participou da integração na empresa, onde recebeu informações a respeito da missão da empresa e de seu posicionamento em relação ao mercado, princípios éticos, questões burocráticas relacionadas aos seus direitos trabalhistas e seus deveres perante as políticas organizacionais. Por fim, foi lhe dado um caderno resumindo todas as informações repassadas na integração, mas nenhum descritivo de sua função como analista de qualidade. Em seu segundo dia de trabalho, Laurinda foi apresentada formalmente à Souza (42), supervisor de qualidade da BNO, que a treinou pessoalmente na função e pediu para um colaborador experiente e de confiança auxilia-la em seu início. Ela entendeu o que deveria ser feito e iniciou sua rotina de trabalho. Durante esse 1 ano, Laurinda se mostrava bem-humorada, engajada, pontual e possuía uma ótima relação com seus colegas de equipe. Segura da estabilidade do emprego, ela usou seu 13º salário para pagar a primeira parcela de um financiamento residencial popular. O rendimento de cada colaborador era avaliado por meio de indicadores objetivos de desempenho não divulgados abertamente. Relatórios com esses indicadores eram gerados mensalmente e, assim, Souza percebeu que Laurinda apresentou o pior resultado em relação a produtividade dentro do seu setor nos últimos 3 meses. Souza convidou Laurinda para uma conversa em sua sala e disse: "Você está conosco há pouco mais 12 meses, mas até agora não mostrou a competência que esperávamos de você. Por isso a empresa está dispensando seus serviços. Lamento". E ouviu de resposta: "Mas, chefe, há um ano que estou fazendo a mesma coisa e ninguém nunca me orientou que deveria fazer diferente. Por que vocês não me alertaram antes?". Souza alegou que era uma decisão já tomada e que conversar sobre o passado não mudaria nada do presente. Finalmente, Souza pediu que Laurinda recolhesse seus pertences e passasse no departamento de Recursos Humanos para iniciar o processo de demissão. Os colaboradores da empresa ficaram assustados. Como não entenderam exatamente o motivo de Laurinda ser demitida, deduziram que poderia estar havendo um corte de funcionários por alguma crise financeira da empresa. Por medo de também serem demitidos, começaram a procurar vagas de emprego em outras empresas da região e boa parte já está de saída, o que irá aumentar o turnover da BNO. Demissão de funcionária provoca debandada na gigante BNO Laurinda, analista de qualidade, é chamada à sala de seu supervisor, Souza, para uma conversa. Minutos depois, ela sai da sala aos prantos, pois acaba de ser demitida. Após o episódio, o turnover da BNO aumenta para a casa dos 60%.