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1) Descreva os principais efeitos do etanol sobre a membrana celular. O etanol é uma molécula pequena e anfipática que se intercala na bicamada lipídica das membranas celulares, promovendo aumento da fluidez da membrana. Essa alteração físico-química modifica a organização dos fosfolipídios e interfere na função de proteínas de membrana, especialmente canais iônicos e receptores. Como consequência, há alteração na permeabilidade da membrana e na transmissão de sinais celulares, principalmente no sistema nervoso central. 2) Explique os mecanismos moleculares responsáveis pela ação bifásica do etanol sobre o Sistema Nervoso Central. A ação bifásica do etanol ocorre porque, em baixas doses, há predomínio de efeitos inibitórios sobre interneurônios inibitórios, levando a desinibição comportamental e aparente estimulação (euforia). Em níveis moleculares, o etanol potencializa a ação do GABA nos receptores GABA-A e inibe receptores glutamatérgicos do tipo NMDA. Com o aumento da concentração, predomina o efeito depressor global do SNC, com sedação, prejuízo motor e cognitivo, devido à inibição generalizada da atividade neuronal. 3) O que significa tolerância? E dependência? Qual a relação entre estes dois processos? Tolerância é a necessidade de doses progressivamente maiores de uma substância para produzir o mesmo efeito, resultante de adaptações neurobiológicas, como regulação de receptores e alterações metabólicas. Dependência é um estado em que o organismo se torna funcionalmente adaptado à presença da droga, podendo ocorrer síndrome de abstinência na sua ausência. A relação entre ambos está no fato de que a exposição repetida ao etanol induz adaptações no SNC que levam à tolerância e, progressivamente, ao estabelecimento de dependência, devido à reorganização dos sistemas neurotransmissores. 4) Discuta a respeito da etiologia do alcoolismo e comente sobre a possível influência genética sobre o desenvolvimento da dependência química. O alcoolismo é uma condição multifatorial, resultante da interação entre fatores genéticos, ambientais, psicológicos e sociais. Do ponto de vista genético, polimorfismos em genes envolvidos no metabolismo do etanol, como ADH (álcool desidrogenase) e ALDH (aldeído desidrogenase), influenciam a velocidade de metabolização do álcool e a acumulação de acetaldeído, modulando a resposta individual à substância. Além disso, variações em genes relacionados a neurotransmissores, como dopamina e GABA, afetam o sistema de recompensa cerebral, aumentando a suscetibilidade à dependência. Indivíduos com histórico familiar de alcoolismo apresentam maior risco, evidenciando a contribuição genética no desenvolvimento da dependência química.