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OFICINA DE ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL  N II ESCOLAR
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Psicologia Universidade Alves FariaUniversidade Alves Faria

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## Resumo: Oficina de Orientação Profissional em uma Escola Pública – Uma Abordagem PsicossocialEste artigo relata uma intervenção de orientação profissional (OP) realizada em uma escola pública de ensino médio na periferia urbana de Viana, Espírito Santo, com estudantes do 3º ano, com idades entre 17 e 20 anos, incluindo um participante mais velho (33 anos). A oficina foi composta por oito encontros semanais, com duração de duas horas cada, e adotou um enfoque psicossocial, que valoriza a relação entre indivíduo, sociedade, educação e trabalho, buscando ampliar a consciência crítica dos jovens sobre os contextos escolar, familiar e laboral que influenciam suas escolhas profissionais. O objetivo principal foi fomentar uma postura ativa e reflexiva dos estudantes diante dos determinantes sociais, econômicos e pessoais que permeiam a decisão profissional, superando visões tecnicistas e individualistas tradicionais.A intervenção foi conduzida por uma equipe multidisciplinar composta por um psicólogo moderador, duas estudantes de Psicologia como co-moderadoras e uma professora supervisora. Desde o início, buscou-se criar um ambiente descontraído e participativo, onde os estudantes pudessem expressar suas experiências e expectativas. As primeiras sessões focaram no cotidiano escolar, permitindo que os jovens discutissem suas percepções sobre a escola pública, o papel dos professores e a sensação de dependência frente ao sistema educacional. Essa etapa foi fundamental para quebrar o silêncio e a passividade historicamente impostos aos estudantes, abrindo espaço para que se posicionassem como protagonistas de sua trajetória escolar e, posteriormente, de suas escolhas profissionais.A partir do quarto encontro, o foco passou a ser a escolha profissional e o futuro, temas abordados por meio de debates, atividades em grupo e questionamentos críticos. Os estudantes discutiram conceitos como “ser alguém na vida” e “sucesso pessoal”, revelando crenças comuns sobre a necessidade de estudar para alcançar status, independência financeira e realização pessoal, mas também reconhecendo as limitações impostas pela condição socioeconômica, como a falta de liberdade para escolher a profissão desejada. A oficina promoveu a problematização dessas ideias naturalizadas, incentivando os jovens a ampliar o significado de sucesso para além do individualismo e da competição, incluindo valores como caráter, relações interpessoais, cidadania e engajamento social.Um dos momentos centrais da oficina foi a atividade de “tempestade de ideias” sobre profissões, que evidenciou a predominância da valorização de carreiras de nível superior e a influência da mídia na construção dessas preferências. Os estudantes reconheceram a ausência de contato direto com profissionais das áreas de interesse e a idealização das profissões, que muitas vezes são vistas como escolhas definitivas e irreversíveis, geradoras de ansiedade e insegurança. Para enfrentar essas idealizações, foi proposta uma pesquisa de campo, na qual os estudantes entrevistaram profissionais para conhecer melhor suas rotinas, desafios e trajetórias. Essa atividade possibilitou uma reflexão mais realista e crítica sobre o mundo do trabalho, incluindo a conciliação entre vida pessoal e profissional, as condições do mercado e as pressões familiares.Ao longo dos encontros, os estudantes preencheram questionários qualitativos que os levaram a refletir sobre suas preferências, as expectativas familiares, as possibilidades reais e os custos emocionais e financeiros das escolhas profissionais. No encerramento, os relatos e avaliações indicaram que a oficina contribuiu para aumentar a segurança e a autonomia dos participantes em relação aos seus projetos de futuro, relativizando a ideia da escolha profissional como um momento mágico e definitivo. Os jovens passaram de uma visão passiva e ansiosa para uma postura mais ativa, crítica e consciente, capaz de reconhecer os múltiplos determinantes sociais e pessoais envolvidos na decisão profissional.### Considerações finaisA oficina demonstrou que a orientação profissional em grupo, com enfoque psicossocial, pode ser uma ferramenta valiosa para estudantes de escolas públicas, especialmente aqueles de contextos socioeconômicos vulneráveis. Ao promover debates críticos, atividades participativas e pesquisas de campo, a intervenção possibilitou a construção coletiva de sentidos mais amplos sobre trabalho, sucesso e escolha profissional, contribuindo para o protagonismo juvenil e para a formação de projetos de vida mais realistas e autônomos. Apesar das limitações, como o número reduzido de encontros e a diminuição do grupo ao longo do processo, os resultados indicam avanços significativos na percepção dos estudantes sobre suas possibilidades e desafios futuros.Este relato reforça a importância de ampliar as práticas de orientação profissional nas escolas públicas, superando abordagens tecnicistas e individualistas, e incorporando uma visão crítica e contextualizada que valorize a participação ativa dos jovens na construção de suas trajetórias. A experiência também destaca a necessidade de maior tempo e recursos para aprofundar as análises sobre o contexto familiar, as habilidades específicas e os determinantes singulares das escolhas profissionais, ampliando o impacto dessas intervenções.---## Destaques- A oficina de orientação profissional adotou um enfoque psicossocial, valorizando a relação entre indivíduo, sociedade, educação e trabalho.- Os estudantes discutiram criticamente o cotidiano escolar, as idealizações sobre sucesso e as limitações socioeconômicas que influenciam a escolha profissional.- Atividades práticas, como entrevistas com profissionais, ajudaram a desmistificar profissões e a refletir sobre desafios reais do mundo do trabalho.- A intervenção promoveu maior autonomia, segurança e protagonismo dos jovens em relação aos seus projetos de futuro.- A experiência evidencia a importância de práticas de orientação profissional críticas e participativas em escolas públicas, especialmente para jovens de contextos vulneráveis.

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