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Capítulo ��: Defesa da Concorrência - O Sistema Brasileiro �. Doutrina: Conceitos Fundamentais A Defesa da Concorrência (Direito Antitruste) visa proteger a livre concorrência, prevenindo e reprimindo abusos do poder econômico. A concorrência não é um fim em si mesma, mas um meio para garantir preços justos, qualidade dos produtos e inovação, beneficiando o consumidor. Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC) A Lei nº ��.���⁄���� reestruturou o SBDC, que passou a ser formado por: �. CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica): Autarquia federal vinculada ao Ministério da Justiça. É o órgão central do sistema. �. SEAE (Secretaria de Acompanhamento Econômico): Órgão do Ministério da Economia, com função de promoção da concorrência (advocacy). Estrutura do CADE O CADE é composto por três órgãos internos: Tribunal Administrativo de Defesa Econômica: Órgão julgador (Presidente + � Conselheiros). Superintendência-Geral (SG): Órgão investigador e instrutor. É a “porta de entrada” do CADE. Departamento de Estudos Econômicos (DEE): Órgão de assessoria técnica e econômica. �. Legislação Aplicável (Texto Completo) Lei nº ��.���⁄���� (Lei Antitruste) Art. �º Esta Lei estrutura o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência - SBDC e dispõe sobre a prevenção e a repressão às infrações contra a ordem econômica, orientada pelos ditames constitucionais de liberdade de iniciativa, livre concorrência, função social da propriedade, defesa dos consumidores e repressão ao abuso do poder econômico. Parágrafo único. A coletividade é a titular dos bens jurídicos protegidos por esta Lei. Art. �º O SBDC é formado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica - CADE e pela Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, com as atribuições previstas nesta Lei. Art. �º O Cade é autarquia federal, vinculada ao Ministério da Justiça, com sede e foro no Distrito Federal, e competência em todo o território nacional. �. Jurisprudência Relevante Superior Tribunal de Justiça (STJ) Tema: Competência do CADE e Setores Regulados Ementa: REsp �.���.���/DF ADMINISTRATIVO. DEFESA DA CONCORRÊNCIA. SETORES REGULADOS. COMPETÊNCIA DO CADE. A existência de agência reguladora específica (ex: ANATEL, ANTT) não afasta a competência do CADE para analisar e julgar infrações à ordem econômica ou atos de concentração no respectivo setor. O sistema brasileiro adota o modelo de competência concorrente e complementar: a agência regula ex ante (aspectos técnicos e tarifários), e o CADE atua na defesa da concorrência (análise antitruste). (STJ - REsp �.���.���/DF, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em ��/��/����) Análise: O STJ pacificou que não há “imunidade antitruste” para setores regulados. Mesmo que uma empresa cumpra todas as regras da ANATEL, se ela praticar um cartel, será punida pelo CADE.