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Anatomia Básica e Células da Glia
O neurônio tem três partes vitais: Dendritos (recebem a informação), Corpo/Soma (processa) e Axônio (transmite). Quem dá suporte a essa estrutura são as Células da Glia (que não geram potencial de ação):
· No SNC (Encéfalo e Medula):
· Astrócitos: Formam a Barreira Hematoencefálica (filtram o sangue) e nutrem o neurônio.
· Oligodendrócitos: Produzem a bainha de mielina (um único abraça vários axônios).
· Micróglia: Defesa imunológica (fagocitose celular).
· Células Ependimárias: Revestem ventrículos e produzem o líquor (LCR).
· No SNP (Nervos Periféricos):
· Células de Schwann: Produzem a bainha de mielina (uma célula por segmento de axônio).
· 1.2. O Potencial de Ação e o "Tudo ou Nada"
· A membrana celular em repouso é negativa por dentro (aprox. -70mV). Para o impulso acontecer, o estímulo precisa atingir o Limiar (aprox. -55mV). Se atingir, o evento ocorre por completo (Tudo ou Nada).
· Despolarização: Abertura maciça de canais. Ocorre um rápido INFLUXO de SÓDIO (Na+). O interior fica positivo.
· Visão Clínica: O Eletromiograma e o Eletrocardiograma nada mais são do que a leitura macroscópica desse influxo de Sódio.
· Repolarização / Hiperpolarização: Ocorre o EFLUXO de POTÁSSIO (K+) (o potássio sai da célula), devolvendo a negatividade. Se sair demais, a célula hiperpolariza (fica inibida).
· Bomba de Sódio e Potássio: Gasta ATP (energia) para jogar 3 Na+ para fora e 2 K+ para dentro, arrumando a "bagunça" iônica após o potencial de ação e restaurando o repouso.
· Condução Saltatória: A bainha de mielina atua como fita isolante. O potencial elétrico "salta" de um Nódulo de Ranvier (área desencapada do axônio) para outro. Isso torna a condução extremamente rápida.
Guia Estratégico de Revisão: Neurofisiologia e Sistema Sensorial
Este documento expande os tópicos citados na transcrição, fornecendo a base fisiológica direta para responder às questões de múltipla escolha e discursivas, com foco nas "pegadinhas" sinalizadas pelo avaliador.
1. Células da Glia e Sistema Nervoso
Aviso Crítico: Na transcrição, o professor cita "células de Schwann, oligodendrócitos e astrócitos... fazem parte do SNC". Atenção: Biologicamente, Células de Schwann mielinizam axônios no Sistema Nervoso Periférico (SNP), enquanto Oligodendrócitos fazem isso no Sistema Nervoso Central (SNC). Os astrócitos dão suporte metabólico e formam a barreira hematoencefálica no SNC. Tenha clareza dessa divisão caso a questão peça a localização exata.
2. Sistema Sensorial (Órgãos do Sentido)
A. Audição e Equilíbrio (O susto e os Estereocílios)
O professor descreve o reflexo de susto de um animal (virar a cabeça) e foca na movimentação celular.
· O Mecanismo: A movimentação da cabeça movimenta o líquido na orelha interna (endolinfa), o que dobra os estereocílios (projeções mecanorreceptoras das células ciliadas).
· O Íon e o Fluxo: Ao contrário da maioria das células do corpo, a endolinfa é riquíssima em Potássio (K+). Quando os estereocílios se dobram na direção correta, abrem-se canais mecânicos e ocorre um INFLUXO de Potássio (o K+ entra na célula).
· O Resultado: Esse influxo de K+ despolariza a célula, gerando o potencial receptor.
B. Visão (A "coisa estranha" nos Bastonetes)
O professor enfatiza que ocorre um fenômeno "muito estranho" quando a luz incide nos bastonetes. Esta é uma clássica questão de prova.
· No Escuro: Os bastonetes estão constantemente despolarizados (liberando glutamato) devido a um influxo contínuo de sódio (a chamada "corrente de escuro").
· Com a Luz (O Fenômeno Estranho): Quando a luz incide no bastonete, ela ativa a rodopsina, o que leva ao fechamento dos canais de sódio. Portanto, a luz HIPERPOLARIZA o bastonete. A resposta celular à luz não é a despolarização clássica, mas sim a hiperpolarização, interrompendo a liberação do neurotransmissor.
C. Paladar (Botões Gustatórios)
A detecção de sabores ocorre por diferentes mecanismos de membrana nas papilas gustativas.
· Salgado: Detectado pelo influxo direto de íons Sódio (Na+) através de canais iônicos da membrana apical, causando despolarização.
· Doce/Azedo/Umami: O professor cita que o doce "depende do tipo de proteína". Estes sabores não entram diretamente na célula; eles se ligam a Receptores Acoplados à Proteína G (GPCRs) na membrana plasmática, desencadeando uma cascata de segundos mensageiros (como o AMPc ou IP3) para despolarizar a célula.
3. Receptores e Propriocepção
Você precisará diferenciar os tipos de receptores físicos:
· Fuso Muscular: Detecta a mudança de comprimento (estiramento) do músculo e a velocidade dessa mudança. Fica em paralelo com as fibras musculares.
· Órgão Tendinoso de Golgi (OTG): Detecta a tensão/força exercida no tendão durante a contração muscular. Protege o músculo contra tensões excessivas (reflexo miotático inverso).
4. Sinapses e Neurotransmissão
A. Dinâmica da Fenda Sináptica
O professor perguntou: "qual é o íon que entra no terminal para liberar o neurotransmissor?".
· A Resposta: Quando o Potencial de Ação chega ao terminal axonal (pré-sináptico), ele abre canais de CÁLCIO (Ca2+) dependentes de voltagem. O influxo de Cálcio é o gatilho absoluto e necessário para que as vesículas se fundam à membrana e ocorra a exocitose dos neurotransmissores na fenda sináptica.
B. Tipos de Sinapses
· Química: Utiliza neurotransmissores. É unidirecional (vai do pré para o pós-sináptico). Possui retardo sináptico (tempo de liberação e ligação).
· Elétrica: Utiliza junções comunicantes (gap junctions) onde os íons passam diretamente. É bidirecional e quase instantânea (não há retardo).
C. Potenciais e Somação
· PEPS (Potencial Excitatório Pós-Sináptico): É uma pequena despolarização (ex: entrada de Na+). Facilita o disparo de um novo potencial de ação.
· PIPS (Potencial Inibitório Pós-Sináptico): É uma pequena hiperpolarização (ex: entrada de Cl- ou saída de K+). Dificulta o disparo.
· Somação Espacial: Vários terminais nervosos diferentes liberam neurotransmissores ao mesmo tempo na mesma célula alvo. Suas forças se somam.
· Somação Temporal: Um único terminal nervoso dispara repetidas vezes em alta frequência. O segundo potencial chega antes que o primeiro dissipe, somando suas forças.
5. Anatomia Funcional e Tratos Medulares
A. Vias Nervosas
· Aferentes: Vias sensitivas. Levam a informação da periferia (ex: pele, músculos) para dentro do SNC.
· Eferentes: Vias motoras. Levam o comando do SNC para fora, em direção aos músculos ou glândulas.
B. Tratos Extrapiramidais
O professor cobrou a substância branca e os tratos que "descem" (motores). O sistema extrapiramidal controla movimentos involuntários, postura e tônus.
· Trato Reticuloespinhal (Bulbar e Pontino): Essenciais para memorizar. O Pontino geralmente atua facilitando os reflexos antigravitacionais (estimulando extensores), enquanto o Bulbar atua inibindo-os (estimulando flexores). Estude a lâmina/imagem do slide para saber a posição anatômica deles na substância branca.
6. A "Pegadinha" do Reflexo Miotático
Atenção Estratégica Máxima: O reflexo miotático (ex: bater o martelo no joelho) é classicamente ensinado na biologia básica como monossináptico (neurônio sensitivo liga direto no motor do mesmo músculo). Contudo, o professor explicitamente diz na transcrição: "não é monossináptico... ele é polissináptico" e cita a "bifurcação do neurônio sensitivo".
· O que você deve responder na prova: Para que o músculo agonista contraia, o músculo antagonista deve relaxar (Inibição Recíproca). O neurônio sensitivo aferente entra na medula, bifurca-se e faz sinapse com um interneurônio inibitório, que por sua vez inibe o motoneurônio do músculo antagonista. Por causa dessa via paralela inibitória dentro do mesmo reflexo, o professor o classifica como polissináptico. Responda de acordo com essa premissa.
Tática de Execução de Prova: O professor mencionou questões com "chamados que tem duas perguntas". Leia os enunciados até o ponto final. Em questões complexas que perguntam sobre íons e direção (ex: "Qual íon e qual direção no bastonete?"), identifiqueprimeiro a parte da resposta que você tem 100% de certeza (ex: fechamento de canal) para eliminar alternativas erradas (que digam abertura), antes de analisar a segunda parte da frase.
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