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REVISÃO ECLESIOLOGIA
1. Superação da ideia de Igreja como sociedade perfeita:
· O Concílio Vaticano II superou a visão de Belarmino sobre a Igreja como uma sociedade perfeita, que a comparava a outras sociedades humanas.
· O Vaticano II a descreve como um "mistério", enfatizando sua natureza espiritual, de comunhão e corpo místico de Cristo.
· A ênfase na comunhão e no dinamismo missionário da Igreja prioriza a participação ativa de todos os fiéis.
· O Concílio substitui uma visão estática e juridicista da Igreja por uma visão dinâmica, histórica e espiritual.
2. Introdução à Eclesiologia:
· O Nascimento do Tratado "De Ecclesia" 
· O tratado "De Ecclesia" teve início na obra "De remine Christiano" de Tiago de Viterbo (1301-1302).
· A obra combina doutrinas agostinianas e tomistas, conciliando a teocracia com o direito natural do Estado.
· A temática eclesiológica já estava presente na Patrística, no Direito Canônico e nas Sumas Teológicas.
· A Eclesiologia Patrística 
· Nos primeiros séculos, a eclesiologia era mais vivida na prática do que estruturada sistematicamente.
· O núcleo da vivência eclesiológica estava na comunhão entre bispos e fiéis, manifestada na Eucaristia.
· A Igreja era percebida como "Eclesia Mater", mãe que traz a salvação e gera o homem novo pelo batismo.
· Os símbolos de fé desempenhavam papel central, mostrando a relação da Igreja com Cristo.
· A Eclesiologia nos Primórdios da Ciência Canônica (Séc. XII) 
· A Ciência Canônica se consolida como disciplina no século XII com Graciano.
· Questões sacramentais, matrimoniais e de ordem integram o direito canônico.
· A Reforma Gregoriana impulsionou uma eclesiologia centrada nos poderes e direitos da Igreja.
· Os canonistas "decretistas" contribuíram com a distinção entre poderes e a visão corporativa da Igreja.
· A Eclesiologia nas "Sumas Medievais" 
· As Sumas Medievais não possuíam um tratado específico sobre eclesiologia.
· A realidade da Igreja estava tão enraizada na vida cristã que a reflexão direta sobre ela era desnecessária.
· Tomás de Aquino incluiu a Igreja de maneira implícita em todas as partes de sua teologia.
· O Catecismo de Trento reforça a ideia de que a Igreja não é objeto de fé da mesma forma que Deus.
· Tratados Apologéticos desde o Séc. XVI até o Vaticano I 
· Os tratados apologéticos se dedicaram a demonstrar a verdade da Igreja no contexto das disputas religiosas.
· Consolidou-se o tratado "De Vera Ecclesia", que remonta a autores como Tiago de Viterbo e João de Torquemada.
· Três vias configuraram a eclesiologia apologética: histórica, das notas da Igreja e empírica.
· A via das notas da Igreja se consolidou com base na Escritura, Patrística e Credo Niceno.
· A Perspectiva Eclesiológica do Concílio Vaticano I 
· A eclesiologia foi marcada pela via da infalibilidade pontifícia da constituição dogmática "Pastor Aeternus".
· O primado papal está ligado à Igreja e visa preservar a unidade.
· O período entre o Vaticano I e II viu a consolidação do Tratado de Eclesiologia, com ênfase na apologética.
· A Perspectiva Eclesiológica do Vaticano II 
· O Concílio Vaticano II trouxe uma renovação significativa à compreensão da Igreja.
· A Igreja ofereceu uma definição de si mesma na "Lumen Gentium", abordando temas como o mistério da Igreja, o povo de Deus e a constituição hierárquica.
· A principal mudança é a visão da Igreja como "sacramentum salutis", sinal e instrumento de salvação.
· O conceito de "communio" expressa a união com Deus e a unidade dos cristãos.
· De Jesus à Igreja 
· A relação de Jesus com a Igreja permite ver a Igreja apostólica como norma e fundamento da Igreja de todos os tempos.
· A formação da Igreja está ligada ao acontecimento de Pentecostes e à função dos apóstolos.
· O Vaticano I declara que Cristo decidiu edificar a Igreja enquanto vivia entre nós.
· O Concílio Vaticano II emprega os termos "fundação" e "fundador" em relação à Igreja.
· A pesquisa atual indica que só se pode falar de Igreja depois da glorificação de Jesus e de Pentecostes.
· A fundação da Igreja é um processo histórico dentro da história da Revelação.
· Nos Evangelhos, a menção à Igreja aparece em Mt 18,17 e Mt 16,18.
· A Igreja foi definida ao longo da história por termos como "os discípulos", "os santos", "os cristãos".
· O modelo da comunidade cristã está em At 2,42: oração, fração do pão, ensinamento e comunhão.
· O período subapostólico é caracterizado por um testemunho cristão menos missionário e mais estável.
· A missão é uma marca da Igreja, que vai tomando forma com as cartas paulinas.
· A Igreja Edificada pelos Sacramentos 
· A Igreja nasce da água (batismo) e do sangue (eucaristia).
· A interpretação patrística de Jo 19,34 vê no lado aberto de Cristo a edificação da Igreja a partir dos sacramentos.
· O Concílio Vaticano II trata do sacerdócio comum e do laicato.
· A Igreja é missionária por natureza.
· As Dimensões da Igreja 
· As notas da Igreja (una, santa, católica, apostólica) estão presentes no símbolo de Constantinopla.
· A Igreja é una porque Deus é uno.
· A Igreja é santa, mas sempre com necessidade de purificar-se.
· A Igreja é católica, o que significa universalidade e autenticidade.
· A apostolicidade foi elaborada por Irineu, que reivindica a tradição dos apóstolos.
· A Igreja Radicada na Missão 
· A missão de Jesus se prolonga na missão da Igreja.
· A missão da Igreja é pregar e curar, com a força do Espírito Santo.
· A missão acontece em todo o mundo, como desafio à catolicidade da Igreja.
· A teologia missionária parte de eixos cristológico, antropológico e dialogal.
· Maria, a Igreja Realizada 
· Maria é a imagem e as primícias da Igreja.
3. Nova eclesiologia:
· A obra "De regimine christiano" (1301-1302), de Jacques de Viterbo, marca uma nova fase na eclesiologia.
· Viterbo apresenta a Igreja como o "Reino de Cristo" em sua forma perfeita.
· A obra de Viterbo é influenciada pela ciência canônica, que contribui para uma "eclesiologia dos poderes".
· Surge uma eclesiologia jurídica, baseada nas Decretais de Graciano.
· Na época moderna, teólogos como Belarmino enfatizam os aspectos visíveis e institucionais da Igreja.
4. Compreender a Igreja hoje:
· Origens e natureza da Igreja: 
· Questões práticas sobre a Igreja são levantadas, como a responsabilidade do bispo e a finalidade da Igreja.
· Três viradas na história da exegese são apresentadas: exegese liberal, volta à necessidade do culto e novo liberalismo.
· O Novo Testamento não anuncia o advento da Igreja, mas o do Reino de Deus.
· Jesus é o Reino e veio para congregar os que estavam dispersos.
· Jesus utiliza imagens como a "família de Deus" para caracterizar o novo povo.
· O Pai Nosso é ponto de partida de uma comunidade segregada pela oração.
· A Igreja se designa como "ecclesia", a assembleia reunida em torno de Cristo.
· Paulo concebe a Igreja como "Corpo de Cristo".
· Nos Atos, Pentecostes assume posição central.
· Sobre a Igreja e sua renovação permanente: 
· O termo "Igreja" foi deixado de lado e trocado por "comunidade" para evitar reações negativas.
· A Igreja é objeto de esperança religiosa, um pequeno oásis.
· A Igreja plena é cheia de humanidade, senso fraterno e criatividade.
· A Igreja não deve funcionar com ordens hierárquicas de cima para baixo.
· A Igreja não pode ser guiada por opiniões majoritárias, mas pela fé.
· A "reformatio" é necessária em todas as épocas da Igreja.
· As reformas devem começar pela fé, pois a Igreja é a ponte para a fé.
· A Igreja não existe para nos manter ocupados, mas para ser abertura para a vida eterna.
· O perdão é o cerne de todas as reformas.
· Os santos são exemplos e luzes para a humanidade.
· O perdão realizado em mim pela via da penitência é o centro da renovação.
· Notas sobre a história do tratado de eclesiologia: 
· O surgimento dos tratados se deu pelos entraves entre Igreja e Estado.
· A palavra "Igreja" vem do grego "Ekklesia", significando comunidade convocada por Deus.
· No Antigo Testamento, os termos "qahal" e "eda" significam "comunidade" ou "assembleia".
· A Septuaginta traduziu"qahal" por "ekklesia" e "eda" por "sinagoghê" (sinagoga).
· "Ekklesia" pode indicar a comunidade local, universal e assembleia litúrgica.
· No período patrístico, alguns temas importantes eram a Eucaristia, o Espírito Santo e a colegialidade episcopal.
· Irineu, Orígenes, Tertuliano, Cipriano e Santo Agostinho foram autores importantes nesse período.
· A reforma gregoriana (séc. XI) visava mudar a Igreja internamente, em um período de degradação eclesial.
· No período escolástico, a Igreja era vista como uma sociedade espiritual com existência visível e institucional.
· Os primeiros tratados sobre a Igreja defendiam a autoridade papal em um contexto de individualismo e subjetivismo.
· O Concílio de Trento foi condicionado pela resposta à teologia dos reformadores protestantes.
· Após Trento, os tratados insistiam em aspectos jurídicos e societários da Igreja.
· O Concílio Vaticano I definiu a infalibilidade papal e apresentou a Igreja como sinal entre as nações.
· O Concílio Vaticano II trouxe uma nova visão da Igreja como Corpo Místico, sacramento de salvação e povo messiânico.
· Após o Concílio Vaticano II, a Igreja passou por uma crise de identidade, e o Sínodo de 1985 definiu a comunhão como ideia central.
· As notas da Igreja: 
· As notas da Igreja (una, santa, católica, apostólica) são características fundamentais desde o Credo de Constantinopla (381).
· A Igreja é una porque há somente uma Igreja de Cristo.
· A unidade da Igreja se fundamenta na Trindade e se manifesta na confissão de fé, na celebração do culto e na concórdia fraterna.
· A Igreja Católica é a forma plena da Igreja de Cristo, mas reconhece elementos de santidade e verdade em outras denominações.
· A santidade da Igreja é indefectível, mas ela precisa de purificação constante.
· A Igreja é santa por estar ligada a Cristo, mas o pecado é a contradição de sua essência.
· A catolicidade da Igreja significa universalidade e capacidade de vincular a particularidade com o universal.
· A missão da Igreja se fundamenta no amor de Deus e na missão de Jesus.
· A apostolicidade da Igreja se manifesta na continuidade do serviço apostólico do testemunho, da pregação e do culto.
· A sucessão apostólica dos bispos é um sinal essencial da apostolicidade da Igreja.
· A Igreja da LG e a Igreja da GS: 
· A "Lumen Gentium" (LG) e a "Gaudium et Spes" (GS) marcam uma nova concepção da Igreja no Concílio Vaticano II.
· A LG define a Igreja a partir de sua natureza e a GS a partir de sua relação com o mundo.
· A LG é dogmática e a GS é pastoral, mas ambas se complementam e dão início a uma nova era eclesial.
· A LG apresenta uma Igreja trinitária que se origina no mistério de Deus.
· A GS propõe um diálogo com o mundo contemporâneo sobre os problemas concretos da época.
· Ambas as constituições têm em comum a ênfase na dimensão trinitária da Igreja, a dimensão pastoral e a dimensão sacramental.
· As duas constituições representam um avanço na autoconsciência da Igreja e em sua relação com o mundo moderno.

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