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APLICABILIDADE DA DEXMEDETOMIDINA EM CÃES E GATOS – REVISÃO DE LITERATURA. ALMEIDA, Paloma Perez1, CAVACO, Jessica Sperandio² ¹ - Pós Graduanda em Anestesiologia Veterinária – Instituto PAV de Educação ² - Mestrado e Doutorado em Ciências pela Universidade de São Paulo – USP. Docente no Instituto PAV. Coordenadora regional de São Paulo nos cursos de "Especialização PAV" em Anestesiologia Veterinária. RESUMO A dexmedetomidina é um agonista α2-adrenérgico amplamente utilizado na clínica veterinária, destacando-se por suas propriedades sedativas, analgésicas e ansiolíticas. Sua aplicabilidade abrange diversas áreas da rotina veterinária, como sedação, tratamento de dor, adjuvante em anestesia regional. Nesse cenário, a dexmedetomidina tem se destacado pela boa previsibilidade de efeitos e possibilidade de reversão com atipamezol e a redução na necessidade de outros anestésicos, levando em consideração suas limitações e riscos, incluindo os efeitos cardiovasculares e respiratórios e as contraindicações em determinadas condições clínicas. Tal protagonismo reforça a importância do conhecimento aprofundado sobre sua farmacodinâmica, suas formas aplicações e os benefícios e riscos associados ao seu uso. Palavras-chave: analgesia, anestesiologia, medicina veterinária, sedação. ABTRACT Dexmedetomidine is an α2-adrenergic agonist widely used in veterinary clinical practice for dogs and cats, standing out for its sedative, analgesic, and anxiolytic properties. Its applicability spans various areas of veterinary routine, including sedation, pain management, and as an adjuvant in local blocks. In this context, dexmedetomidine has gained prominence due to its predictable effects, the possibility of reversal with atipamezole, and the reduction in the need for other anesthetic agents, while also considering its limitations and risks, such as cardiovascular and respiratory effects and contraindications in certain clinical conditions. This prominent role underscores the importance of an in-depth understanding of its pharmacodynamics, clinical applications, and the benefits and risks associated with its use. Keywords: analgesia, anesthesiology, veterinary medicine, sedation. . 2 1 INTRODUÇÃO A anestesia e a sedação representam pilares fundamentais na medicina veterinária moderna, desempenhando papel essencial na realização de procedimentos clínicos e cirúrgicos com segurança e bem-estar para os animais. A escolha e o uso adequado de agentes anestésicos são indispensáveis para a minimização da dor, do estresse e das respostas fisiológicas adversas durante intervenções, exigindo um planejamento criterioso que leve em consideração o estado clínico do paciente, o tipo de procedimento e os recursos disponíveis. Nesse sentido, a escolha de protocolos anestésicos individualizados, baseados em avaliação clínica prévia, exames complementares e seleção adequada de fármacos, é uma etapa crítica para o sucesso terapêutico. Além disso, a evolução dos equipamentos de anestesia e monitoramento tem permitido maior controle dos parâmetros fisiológicos durante os procedimentos, aumentando a segurança anestésica em cães e gatos. (BARCELOS et al., 2021). Dentre os diversos agentes farmacológicos utilizados na prática anestésica veterinária, destaca-se a dexmedetomidina, um agonista α2-adrenérgico altamente seletivo, com ação sedativa, analgésica, ansiolítica e relaxante muscular (LEMKE, 2013). Este fármaco vem ganhando destaque na anestesiologia de pequenos animais por sua eficácia e versatilidade. Sua alta seletividade pelos receptores α2 proporciona efeitos desejáveis com menor incidência de efeitos colaterais graves quando comparada a outros agonistas da mesma classe, como xilazina e detomidina, oferecendo maior estabilidade hemodinâmica (AFONSO & REIS, 2012). A dexmedetomidina pode ser administrada de forma isolada ou em associação com outros agentes anestésicos, otimizando protocolos anestésicos balanceados, reduzindo a necessidade de doses elevadas de anestésicos gerais e minimizando seus efeitos adversos (LAZZARINI et al., 2021). Na rotina clínica, a dexmedetomidina é utilizada em diversas aplicações, incluindo a sedação para contenção e realização de exames, indução anestésica, manutenção da anestesia através de infusões contínuas (CRI), analgesia epidural, bem como no manejo de dor pós-operatória e em unidades de terapia intensiva (UTI). Sua ação é reversível por antagonistas específicos, como atipamezol, ioimbina e tolazolina, o que representa uma vantagem significativa em casos de necessidade de 3 rápida recuperação do paciente ou em situações de efeitos adversos graves (BRAGA, 2012). Apesar de suas vantagens, a dexmedetomidina não está isenta de limitações. Seus efeitos cardiovasculares, como bradicardia, arritmias e alterações na pressão arterial, podem representar risco em pacientes debilitados ou com comprometimento cardíaco. Além disso, sua ação depressora sobre o sistema respiratório e os cuidados exigidos quanto às interações medicamentosas reforçam a necessidade de conhecimento aprofundado por parte do médico-veterinário. A resposta individual ao fármaco também pode variar conforme a espécie, o porte, a idade e o estado fisiológico do paciente, exigindo monitoramento constante e ajuste de dose conforme o caso clínico (DI FRANCO et al., 2023; JULIÃO & ABIMUSSI, 2019) Diante da ampla utilização da dexmedetomidina na anestesiologia veterinária e da necessidade de maximizar seus benefícios ao mesmo tempo em que se minimizam os riscos, torna-se essencial revisar criticamente sua farmacodinâmica, indicações clínicas, limitações e riscos associados. O aprofundamento nesse tema contribui para a formação e atualização de profissionais, garantindo uma prática mais segura, eficaz e alinhada com os avanços científicos da medicina veterinária. Portanto, o presente trabalho tem como objetivo revisar, com base na literatura científica atual, as principais aplicações clínicas da dexmedetomidina em cães e gatos, destacando seus usos em sedação, analgesia, anestesia e terapia intensiva, bem como discutir suas vantagens, limitações, riscos e interações medicamentosas na rotina da anestesiologia veterinária. 2 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 Histórico O primeiro agonista dos receptores adrenérgicos α₂ foi desenvolvido no início da década de 1960 com a finalidade de atuar como descongestionante nasal. Entretanto, o composto posteriormente denominada clonidina, apresentou efeitos adversos inesperados, como sedação prolongada por até 24 horas e depressão cardiovascular significativa. Esses achados despertaram o interesse científico e motivaram novas pesquisas, que culminaram na aprovação da clonidina, em 1966, como agente anti-hipertensivo (GERTLER et al., 2001). 4 Com o avanço dos estudos, a clonidina passou a ser reconhecida não apenas por sua ação anti-hipertensiva, mas também por seu potencial terapêutico em outras condições, como o manejo da síndrome de abstinência alcoólica e de drogas, a analgesia em casos de isquemia miocárdica e o uso como adjuvante em anestesia, especialmente na anestesia intratecal (GERTLER et al., 2001). Na medicina veterinária, os agonistas α₂-adrenérgicos foram introduzidos clinicamente antes mesmo da consolidação de seu uso anestésico em humanos. Substâncias como a xilazina e a detomidina destacaram-se como os primeiros fármacos dessa classe empregados em animais, demonstrando eficácia na indução de sedação e analgesia, sobretudo em grandes animais. As observações obtidas a partir dessas experiências contribuíram de forma decisiva para o entendimento dos efeitos farmacológicos dos agonistas α₂, fornecendo subsídios importantes para a posterior introdução da dexmedetomidina na anestesiologia humana (CLARKE & HALL, 1969). 2.2 Receptores Adrenérgicos Os receptoresadrenérgicos regulam funções fisiológicas por meio de mensageiros intracelulares se dividem nos tipos α e β. Os receptores α2 são encontrados principalmente no sistema nervoso central e se subdividem em três subtipos: α2A, α2B, α2C. (SPINOSA et al., 2023). Os receptores α2A são responsáveis pelos efeitos sedativos e anestésicos, os receptores α2B se relacionam aos efeitos cardiovasculares, como vasoconstrição e hipertensão, enquanto os receptores α2C, atuam na redução da dor neuropática e nos efeitos ansiolíticos. (DI FRANCO et al., 2023; ZHAO et al., 2020; BARROS & STASI, 2012). Esses receptores exercem papel fundamental na modulação da dor, sedação, controle cardiovascular e ansiedade, sendo a dexmedetomidina um agonista altamente seletivo por esses alvos. (BARROS & STASI, 2012) 2.3 Mecanismo de Ação da Dexmedetomidina A dexmedetomidina é um fármaco pertencente à classe dos agonistas α2- adrenérgico e atua de forma seletiva sobre os receptores α2 localizados 5 principalmente no sistema nervoso central (SNC) e no sistema nervoso periférico. (LEMKE, 2013) Seu principal local de ação no SNC é o locus coeruleus, uma região do tronco encefálico rica em receptores α2A. Quando a dexmedetomidina se liga a esses receptores, ocorre uma redução na liberação de noradrenalina, um neurotransmissor responsável por manter o estado de vigília. Essa inibição causa uma diminuição da atividade neuronal, resultando em sedação, analgesia e ansiólise (LEMKE, 2013; BALDO & NUNES, 2003). No sistema nervoso periférico, a dexmedetomidina também age nos receptores α2 presentes nas terminações nervosas simpáticas, promovendo redução de liberação das catecolaminas, como adrenalina e noradrenalina. Esse efeito pode causar bradicardia e diminuição do débito cardíaco (AFONSO & REIS, 2012). Sendo os principais efeitos da dexmedetomidina: sedação, analgesia, relaxamento muscular e redução do estresse (GILSBACH et al., 2011). 2.4 Características Farmacológicas A dexmedetomidina é quimicamente identificada como o cloridrato de (+)-4-(S)- [1-(2,3-dimetilfenil)etil]-1H-imidazol, apresentando um peso molecular de 236,7 g/mol. Sua solução possui pH entre 4,5 e 7,0, sendo solúvel em água e com um pKa de 7,1. (Figura 1). É um agonista altamente seletivo dos receptores adrenérgicos α2. Este fármaco foi desenvolvido a partir do enantiômero dextrógiro da medetomidina, que representa sua forma farmacologicamente ativa. (CHRYSOSTOMOU & SCHMITT, 2008). Figura 1: Representação esquemática da fórmula estrutural da dexmedetomidina. Fonte: Chrysostomou e Schmitt (2008) 6 Sua atuação é predominantemente nos receptores α2-adrenérgicos, demonstrando uma afinidade seletiva muito superior em relação aos receptores α1. Estudos relatam uma proporção de seletividade α2:α1 entre 1600:1 (KAROL & MAZE, 2000) e 1620:1 (RANKIN, 2017; VIRTANEN et al., 1988), evidenciando sua especificidade e eficácia clínica superior como sedativo e analgésico. Os efeitos farmacológicos da dexmedetomidina podem ser revertidos de forma dose-dependente por meio da administração de antagonistas seletivos de receptores α2-adrenérgicos, como o atipamezol. (PANZER et al., 2009) A meia-vida de distribuição da dexmedetomidina é de aproximadamente 6 minutos e sua biotransformação ocorre no fígado, sendo convertida principalmente em metabólitos inativos, seguida por uma eliminação majoritariamente renal (cerca de 95%) na forma de conjugados com ácido glicurônico; os 5% restantes são excretados pelas fezes. A molécula apresenta elevada afinidade por proteínas plasmáticas e possui meia-vida de eliminação de aproximadamente 2 horas, não sendo mais detectável no organismo cerca de 10 horas após a administração (SPINOSA et al., 2023). Quadro 1: Comparação da seletividade dos fármacos agonistas dos receptores alfa-2 adrenérgicos. Fonte: Adaptado de Scheinin et al. (1989). Pode ser administrada por diferentes vias, sendo elas, intravenosa, subcutânea, intramuscular, transmucosa, oral e local. Em estudo, avaliou-se o efeito sedativo da administração intramuscular em cães, observou-se que a região de aplicação influencia diretamente o tempo de latência para o início da sedação. Os resultados indicaram que as aplicações nos músculos semimembranoso e cervical 7 proporcionaram início mais rápido da sedação, sendo que o grupo que recebeu a administração no músculo semimembranoso apresentou nível sedativo mais intenso em comparação com a administração na região cervical (CARTER et al., 2013). Estudos mais recentes têm demonstrado que a administração intravenosa de dexmedetomidina em cães pode ser realizada em doses de até 2,5 µg/kg ( HUUSKONEN et al., 2022; LOVELL et al., 2022). Outros autores investigaram a farmacocinética da dexmedetomidina utilizando doses intravenosas mais elevadas, como 10 µg/kg (LEVIONNOIS et al., 2021; KUUSELA et al., 2000) e 20 µg/kg (KUUSELA et al., 2000). No entanto, essas doses resultaram em efeitos clínicos adversos, indicando maior risco de toxicidade nos animais avaliados. De acordo com Slingsby et al. (2009), em felinos, a dexmedetomidina pode ser absorvida por via oral, o que pode representar uma alternativa viável às vias tradicionais, especialmente em situações que demandem facilidade de manejo ou menor estresse para o animal. Segundo Lopes-Ramis et al. (2022) em estudo randomizado em cães concluiu que a administração intranasal de dexmedetomidina na dose de 5 μg kg. fornece sedação eficaz em cães saudáveis. 2.5 Ação sedativa A ação sedativa da dexmedetomidina tem como principal local de atuação o locus coeruleus, uma estrutura do tronco encefálico caracterizada por elevada densidade de receptores α2A-adrenérgicos. A ligação do fármaco a esses receptores promove a hiperpolarização dos neurônios locais, reduzindo sua excitabilidade e inibindo a propagação dos impulsos nervosos, o que culmina na indução da sedação. (BALDO & NUNES, 2003). Em estudos conduzidos por Kamibayashi & Maze (2000), observou-se que a administração intravenosa de 10 µg/kg em cães, atingiu o pico de sedação e analgesia entre 10 e 20 minutos (KAMIBAYASHI & MAZE, 2000). Segundo Kuusela et al. (2001b), doses de 20 µg/kg resultaram em sedação e analgesia profundas, enquanto 2 µg/kg produziram sedação moderada, e 0,2 µg/kg causaram sedação leve, sem analgesia. Doses de 10 μg/kg de dexmedetomidina, em gatos, agiu rapidamente, causando sedação que durou pelo menos uma hora, com efeitos máximos entre 20 e 30 minutos e meia-vida de cerca de 70 min, em estudo realizado com nove pacientes felinos, mostrando-se eficaz na sedação (FERNANDES et al., 2024). 8 Em humanos, Hall et al. (2000) observaram que, durante infusões contínuas de 0,2 e 0,6 µg/kg/min, precedidas por um bolus de 6 µg/kg, não houve diferença significativa nos níveis de sedação medidos pelo índice biespectral (BIS). Os valores mínimos de BIS registrados foram 37 e 49, com média de 66, embora os pacientes permanecessem facilmente despertáveis por estímulo auditivo. 2.6 Ação Analgésica A analgesia mediada pela dexmedetomidina ocorre predominantemente por meio da ativação dos receptores α2A localizados em regiões espinhais e supraespinhais da medula espinhal, bem como em estruturas do tronco encefálico, áreas caracterizadas por elevada densidade de receptores α2A e presença significativa de fibras nociceptivas. A estimulação desses receptores promove inibição pré e pós- sináptica da transmissão nociceptiva, resultando em um efeito analgésico eficaz (GERTLER et al., 2001). Além disso, a dexmedetomidina potencializa o efeito de analgésicos opióides por meio de ação sinérgica, permitindo redução das doses necessárias desses fármacos para obtenção de analgesia adequada (MARQUETTI, 2011). Em cães submetidos à ovariohisterectomia, a administração de dexmedetomidina (7 ou 10 µg/kg)e maropitant, combinados com uma dose baixa de morfina (0,2 mg/kg), resultou em analgesia equivalente ou superior à obtida com morfina isolada em dose mais elevada (0,6 mg/kg) (KARNA et al.; 2022). Segundo, Valtolina et al. (2009) a infusão contínua de dexmedetomidina demonstrou ser eficaz há mais de uma década, conforme evidenciado por um estudo clínico em cães gravemente doentes. Os animais que receberam infusão de dexmedetomidina (25 µg/m²/h) necessitaram de menor quantidade de analgésicos de resgate em comparação ao grupo controle , tratados com morfina e apresentaram-se mais calmos e relaxados. Um estudo clínico mais recente em cães, comparou a eficácia analgésica de um protocolo multimodal baseado na infusão de Cetamina associada à dexmedetomidina com a infusão de fentanil para cirurgia descompressiva para hérnia de disco intervertebral toracolombar, demonstrando eficácia analgésica semelhante entre os dois protocolos, em seus resultados (LOVELL et al., 2022) 9 2.7 Aplicabilidade na Infusão continua A administração contínua de dexmedetomidina por infusão intravenosa tem ganhado destaque, principalmente como adjuvante na manutenção da anestesia inalatória, proporcionando uma técnica anestésica mais equilibrada. Essa abordagem permite o uso de micro doses que atenuam os efeitos colaterais cardiovasculares tipicamente observados quando são administrados em bolus. Além disso, essa estratégia promove redução significativa da concentração alveolar mínima (CAM) dos anestésicos voláteis, minimizando seus efeitos adversos (SMITH et al., 2017; PASCOE et al., 2006). Estudos randomizados em seis cães saudáveis, reportaram reduções progressivas da CAM do sevoflurano em 18%, 44%, 59% e 69% quando utilizadas doses de 0,5; 2,0; 3,0 e 4,5 μg/kg/h, respectivamente. Ademais, a infusão prolongada não demonstrou efeito cumulativo e está associada a uma recuperação anestésica suave sem excitação. (HECTOR et al., 2017; MUÑOZ et al., 2017; LIN et al., 2008; PASCOE et al., 2006). A infusão contínua de dexmedetomidina em doses entre 0,5 e 3,0 μg/kg/h exerce efeito mínimo sobre a função respiratória, mas promove modificações hemodinâmicas relevantes, proporcionais à dose administrada. Apesar dessas alterações, estudos demonstraram preservação dos parâmetros de oxigenação tecidual e equilíbrio ácido-base, com baixo risco de hipóxia (MORAN-MUÑOZ et al., 2017; LIN et al., 2008). Segundo Souza (2006), em estudo para o procedimento de ovariosalpingohisterectomia, 21 gatas foram divididas em 3 grupos de 7: Grupo1 recebeu, por via epidural, lidocaína (1mg/kg); Grupo 2 recebeu lidocaína (1mg/kg) + dexmedetomidina (4µg/kg IM); Grupo 3 recebeu lidocaína (1mg/kg) + infusão contínua intravenosa de dexmedetomidina (0,25µg /kg/min), no grupo 3 foi observado importante alteração nos parâmetros cardiovasculares nos primeiros 15 minutos de I.C. Contrapondo a estes dados, Congdon et al. (2013) e Lin et al. (2008) utilizaram doses próximas a este estudo, 0,5 e 1 μg/kg/h, respectivamente durante a anestesia com isoflurano e relataram discretas alterações cardiovasculares nos primeiros 15 minutos de I.C., com valores dentro do fisiológico para a espécie. https://www.google.com/search?sca_esv=189c82b39954af99&sxsrf=ANbL-n4Toul8pkakAnL7jK95Z9Gmyd3Sxw:1767837229612&q=ovariosalpingohisterectomia&spell=1&sa=X&ved=2ahUKEwjd0d3w6vqRAxVRI7kGHVisGuUQBSgAegQIERAB 10 Corroborando esses achados, Uilenreef et al. (2008) observaram que, mesmo com frequência cardíaca reduzida (49–68 bpm), a pressão arterial média (PAM) permaneceu dentro da faixa fisiológica, aproximadamente 99 mmHg. 2.8 Adjuvante na Anestesia Regional Nos últimos anos, a dexmedetomidina tem despertado crescente interesse no campo da anestesiologia, especialmente como adjuvante em técnicas de bloqueios locorregionais, Dentre as vantagens observadas com o uso da dexmedetomidina como adjuvante em bloqueios locorregionais, destacam-se a atenuação das respostas fisiológicas sistêmicas aos estímulos nociceptivos, a diminuição da necessidade de analgesia de resgate com opioides, a redução do requerimento de agentes anestésicos gerais para manutenção do plano anestésico cirúrgico e a significativa diminuição dos escores de dor no pós-operatório (ACQUAFREDDA et al., 2021). Embora os mecanismos de ação responsáveis por esse efeito adjuvante ainda não estejam totalmente elucidados (FRANCO et al., 2023), diversas hipóteses têm sido propostas. Entre elas, destacam-se a ação supraespinhal, que inibe a atividade noradrenérgica, reduzindo a percepção da dor e modulando estímulos nociceptivos, e a ação vasoconstritora da dexmedetomidina, que pode retardar a absorção sistêmica do anestésico local, prolongando sua permanência no sítio de injeção (FRANCO et al., 2023; SAROTTI et al., 2019). Segundo Dorigon et al. (2009), estudo em 12 gatas submetidas ao procedimento de ovariosalpingohisterectomia, os animais foram divididas em dois grupos: GDEX recebeu pela via epidural, dexmedetomidina (2µg/kg) e o GSAL recebeu solução salina, por via epidural ambos. No GDEX observou-se anestesia mais estável, analgesia superior nos períodos intra, pós-operatório e na recuperação anestésica de melhor qualidade, sem alterações hemodinâmicas ou hemogasométricas significativas, o que sugere um perfil cardiovascular seguro e efetiva modulação álgica, o Grupo GSAL necessitou de resgate analgésico logo no início do procedimento e ao despertar as gatas apresentaram agressividade e dor na ferida cirurgia em escala maior que o Grupo GDEX . Ressalta-se que a anestesia epidural permite o manejo eficaz da dor pós-operatória por meio do uso de diversos fármacos, como opioides, anestésicos locais e agonistas α2-adrenérgicos (GARCIA- PEREIRA, 2018). 11 Na medicina veterinária, embora ainda escassos, estudos com enfoque semelhante vêm crescendo. Em um ensaio clínico envolvendo 30 cães, Acquafredda et al. (2021) investigaram a eficácia da dexmedetomidina como adjuvante nos bloqueios dos nervos femoral e isquiático, realizados com lidocaína 2% (2,97 mg/kg) em procedimentos ortopédicos. A dexmedetomidina foi administrada por via sistêmica (0,3 μg/kg) e perineural (0,15 μg/kg), demonstrando prolongamento do bloqueio sensorial em ambas as vias. Contudo, a via perineural apresentou maior eficácia em relação à duração do bloqueio (SAROTTI et al., 2019). Similarmente, Di Bella et al. (2023) investigaram o efeito da dexmedetomidina (0,5 μg/kg) como adjuvante da bupivacaína 0,5% (0,1 mL/kg) no bloqueio dos mesmos nervos (femoral e isquiático), em cães submetidos a cirurgia de osteotomia de nivelamento do platô tibial (TPLO). Os resultados deste estudo demonstraram que o uso da dexmedetomidina associada a bupivacaína perifericamente é capaz de promover maior duração dos bloqueios sensitivos e motores do que a bupivacaína usada isoladamente. Além disso, verificaram que 70% desses animais não necessitaram resgates analgésicos por um período de até 24 horas. Os animais que receberam a dexmedetomidina pela via sistêmica ou que não receberam o adjuvante, precisaram de resgates analgésicos com opioides entre 8 e 10 horas após o bloqueio. Os resultados de Acquafredda (2021) e Di Bella (2023) concordam com a hipótese de que o efeito sinérgico da dexmedetomidina como adjuvante é promovido não apenas pela absorção sistêmica do agonista α2-adrenérgicos, mas também por uma ação direta no local de aplicação. 3. Efeitos Cardiovasculares A ativação dos receptores α2 pré-sinápticos inibe a liberação de norepinefrina por exocitose, mecanismo que explica a ocorrência de bradicardia e hipotensão arterial observadas após o uso de agonistas α₂-adrenérgicos. Os efeitos cardiovasculares dessa classe de fármacos estão principalmente relacionados à ativação dos receptores α2B, responsáveis pela vasoconstrição periférica, elevaçãotransitória da pressão arterial e consequente bradicardia reflexa, seguida por uma fase de hipotensão. Essa queda pressórica é atribuída à inibição da liberação de norepinefrina nos terminais pós-sinápticos e ao efeito simpatolítico promovido por baixas doses de dexmedetomidina (VALVERDE et al., 2010). 12 Em contrapartida, a hipertensão observada com doses mais elevadas decorre da ativação de receptores α2B presentes na musculatura lisa vascular, bem como da ativação inicial de receptores α₁, que também contribuem para a vasoconstrição periférica (SPINOSA et al., 2023; CURY & GOMES, 2020; JULIÃO & ABIMUSSI, 2019; SZUMITA et al., 2007; KAMIBAYASHI & MAZE, 2000). Outros efeitos cardiovasculares também foram descritos, incluindo redução do fluxo sanguíneo coronariano e aumento da resistência vascular coronariana em doses superiores a 1 µg/kg, além da ocorrência de bloqueio atrioventricular de segundo grau durante infusões contínuas de 3 µg/kg, alterações atribuídas à supressão do tônus simpático (UILENREEF et al., 2008; FLACKE et al., 1993). No estudo conduzido por Kuusela et al. (2001), foi observada uma clara relação dose-dependente entre os efeitos hemodinâmicos e a dose administrada. A administração de 0,2 µg/kg de dexmedetomidina, após indução anestésica com propofol resultou em aumento da frequência cardíaca, enquanto doses de 2 µg/kg e 20 µg/kg provocaram redução significativa da frequência cardíaca. Apenas um animal do grupo que recebeu 2 µg/kg apresentou bloqueio atrioventricular de segundo grau. Ainda nesse estudo, todos os animais que receberam 20 µg/kg de dexmedetomidina desenvolveram arritmia sinusal após a administração e durante a manutenção anestésica. Já aqueles que receberam 0,2 µg/kg apresentaram essa alteração apenas após a administração do fármaco. Além disso, verificou-se aumento da pressão arterial nos animais que receberam 20 µg/kg como medicação pré- anestésica, seguido de redução pressórica após a indução. Durante a manutenção anestésica, os grupos tratados com 2 µg/kg e 20 µg/kg apresentaram queda sustentada da pressão arterial (KUUSELA et al., 2001). 4. Efeitos Respiratórios Os efeitos respiratórios decorrentes do uso da dexmedetomidina estão relacionados à depressão respiratória dose-dependente induzida por esse fármaco, que pode ocasionar redução da frequência respiratória e do volume minuto. No entanto, tais alterações são observadas principalmente em doses elevadas, comportamento semelhante ao observado nos efeitos cardiovasculares da medicação (JULIÃO & ABIMUSSI, 2019). 13 Podem ser observados, ainda, cianose e aumento do tempo de preenchimento capilar em animais tratados com dexmedetomidina ou detomidina (KUMAR et al., 2020). Em contrapartida, Di Bella et al. (2020) relataram que infusões contínuas em baixas doses de dexmedetomidina (1 µg/kg) resultaram em melhor oxigenação, redução do shunt intrapulmonar e menor resistência das vias aéreas, evidenciando um possível efeito benéfico sobre a mecânica respiratória, melhorando os efeitos da vasoconstrição pulmonar hipóxica e aumentando a perfusão do pulmão ventilado. No estudo de Kuusela et al. (2001), foi observada discreta redução da pressão parcial de oxigênio (PaO₂) em animais que receberam 20 µg/kg, bem como aumento da pressão parcial de dióxido de carbono (PaCO₂) em todos os grupos após a indução anestésica. Além disso, após a medicação pré-anestésica, ocorreu redução do pH arterial e da concentração de bicarbonato, seguidas por aumento compensatório após a indução. Nesse mesmo estudo, a frequência respiratória diminuiu significativamente em animais que receberam 2 µg/kg e 20 µg/kg, reforçando a natureza dose- dependente dos efeitos respiratórios da dexmedetomidina. 5. Antagonista Uma das vantagens clínicas da dexmedetomidina é a disponibilidade de antagonistas seletivos para os receptores α2-adrenérgicos, o que possibilita a reversão controlada de seus efeitos sedativos e hemodinâmicos em situações de risco ao paciente. Dentre esses antagonistas, destaca-se o atipamezol. Este fármaco apresenta meia-vida de eliminação compatível com a da dexmedetomidina, reduzindo significativamente a possibilidade de recidiva dos efeitos sedativos (CARROLL, 2012). O atipamezol atua revertendo os efeitos simpatolíticos e sedativos induzidos por agonistas α2-adrenérgicos de maneira proporcional à dose administrada do agonista, sendo recomendada a administração de doses equivalentes para garantir uma reversão eficaz (SPINOSA et al., 2023). A meia-vida do atipamezol é de aproximadamente duas horas e os primeiros sinais de reversão clínica são observados cerca de cinco minutos após sua administração (BALDO & NUNES, 2003). Além do atipamezol, outros agentes com propriedades antagonistas dos receptores α2, como a ioimbina (SINOTTI, 2020) e a tolazolina (BRAGA, 2012), também podem ser utilizados. Esses fármacos são mais comumente empregados na 14 prática clínica de animais de produção, onde a xilazina é frequentemente utilizada como agonista α2. No entanto, a reversão dos efeitos dos agonistas α2-adrenérgicos deve ser conduzida com cautela, considerando-se o risco de excitação aguda, perda de analgesia e possíveis efeitos cardiovasculares adversos, como taquicardia e hipotensão (RANKIN, 2017), excitação e tremores musculares, salivação e diarreia (LEMKE, 2007). A dose do antagonista deve ser definida com base na quantidade e no tempo de administração do agonista, e em caso de dúvida sempre é melhor utilizar a menor dose do antagonista, preferencialmente por via muscular (LEMKE, 2007). Segundo a bula do atipamezol, comercialmente, Antisedan® , sugere dose para reversão de dez vezes a dose utilizada para cães e cinco vezes da dose previamente administrada de dexmedetomidina para gatos. (ANTISEDAN®, 2022) 6. Limitações Clinicas A dexmedetomidina é considerada uma opção segura e eficaz para manutenção anestésica em cães saudáveis (classificação ASA I ou II) quando administrada por infusão contínua em baixas doses, geralmente inferiores a 3 µg/kg/h. Nessa faixa, promove sedação e analgesia estáveis, com efeitos cardiovasculares previsíveis e bem tolerados. Entretanto, seu uso deve ser realizado com cautela ou evitado em pacientes com doenças cardíacas preexistentes, arritmias, distúrbios de condução cardíaca (como bloqueio atrioventricular ou contrações ventriculares prematuras), hipertensão, quadros hemorrágicos, pacientes geriátricos, neonatos ou indivíduos com condições clínicas graves e debilitantes, nos quais a reserva cardiovascular encontra-se reduzida (LAMONT, 2009; LIN et al., 2008). 7. CONSIDERAÇOES FINAIS A dexmedetomidina tem se mostrado uma molécula versátil, com diversas aplicações clínicas além da simples sedação e pré-medicação. Seu uso vem se expandindo da anestesiologia para a terapia intensiva, em razão de suas múltiplas propriedades farmacológicas. O efeito sedativo pode ser aproveitado para reduzir o delirium pós-anestésico e controlar o estresse hospitalar. 15 Diferentes vias de administração, como a intranasal e a transmucosa, podem facilitar o uso em pacientes com necessidades específicas. A infusão contínua possibilita a manutenção da sedação, analgesia e relaxamento muscular pelo tempo necessário, com impacto cardiovascular mínimo. As propriedades analgésicas conferem à dexmedetomidina um papel relevante na analgesia multimodal, podendo contribuir também na anestesia local e em protocolos livres de opioides. A ausência de efeitos respiratórios depressivos, associada à estabilização hemodinâmica e às propriedades vasculoprotetoras, reforça seu potencial no manejo de pacientes críticos. Atualmente, o uso desse fármaco ainda se restringe, em grande parte, a pacientes jovens e saudáveis; contudo, há evidências suficientes para afirmar que a determinação de doses ideais,capazes de maximizar os efeitos desejáveis e minimizar os indesejáveis, ainda carece de elucidação na literatura veterinária. O verdadeiro desafio consiste em promover estudos em cães e gatos que investiguem e identifiquem as doses associadas a impactos positivos ou negativos sobre os desfechos clínicos. Portanto, novos estudos são necessários para que se possa explorar plenamente o potencial terapêutico da dexmedetomidina. REFERÊNCIAS ACQUAFREDA C; STABILE M; LACITIGNOLA L; CENTONZE P; DI BELLA C; CROVACE A; FIORENTINO M, STAFFIERI F. Clinical efficacy of dexmedetomidine combined with lidocaine for femoral and sciatic nerve blocks in dogs undergoing stifle surgery. Veterinary Anaesthesia and Analgesia, v. 48, n. 6, p. 962–971, 2021. ANTISEDAN®. Atipamezol. Bula de medicamento veterinário. 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