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8ºAula Gestão de risco no mercado financeiro Objetivos de aprendizagem Ao término desta aula, vocês serão capazes de: • conhecer os riscos sistemáticos e não sistemáticos; • entender os meios de reduzir os riscos na carteira de investimentos. Caros(as) alunos(as) investidores(as), Em nossa última aula, vamos conhecer os riscos e os meios de mitigá-los nos seus investimentos, dentre as diversas categorias que aprendemos. Bons estudos! 46Noções de investimentos e mercado financeiro 1 - O que é risco? 2 - Risco sistemático e não sistemático 3 - Tipos de risco 4 - Métodos de mitigação 1 - Modelos de resgate Antes de tudo, precisamos entender uma coisa: NÃO EXISTE INVESTIMENTO SEM RISCO! Se alguém te oferecer algo sem risco, com retorno garantido, desconfie. Até as aplicações na poupança têm risco. Mas isso não significa que é preciso ter medo de investir. Vamos entender mais à frente que existem riscos que podem ser reduzidos, controlados, mas nunca zerados! Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, disse uma vez que “o maior risco é não correr nenhum risco. Em um mundo que está mudando rapidamente, a única estratégia que certamente vai falhar é não correr riscos”. E o que é Risco? É a possibilidade de algum fator sair diferente do esperado. Seja a rentabilidade, seja o cenário econômico ou qualquer outra variável que possa agir diferente da expectativa. No mercado financeiro, o risco que corremos é o de perder capital. Por isso, antes de fazer qualquer tipo de investimento, é necessário analisar todos os riscos envolvidos, com a finalidade de avaliar se realmente vale a pena investir seu patrimônio. Sempre muito importante avaliar o risco x retorno. Quando o banco faz análise de crédito para emprestar dinheiro para um cliente, ele avalia os riscos de emprestar aquele cliente. É um bom pagador? Tem garantias para oferecer na operação? É seguro emprestar com longo prazo ou melhor encurtar o vencimento final? Quanto maior o risco na operação, maior a taxa cobrada. Por isso, os clientes mais “fortes” costumam ter acesso a taxas mais baratas. Teoricamente, eles têm capital para pagar mais pelas parcelas, mas o banco os avalia como “bons clientes”, que merecem condições especiais. O empréstimo consignado, em que o pagamento das parcelas é debitado direto da folha de pagamento, tem taxas mais baratas do que o crédito pessoal, que é debitado na conta corrente, para o mesmo cliente. O risco de o banco tomar calote no consignado é muito menor do que no crédito pessoal. Quanto menor o risco, menor a taxa. Com os investimentos, precisamos fazer esta avaliação também. É melhor comprar um CDB que te paga 10% a.a. de banco sólido, com décadas de fundação e patrimônio líquido trilionário ou comprar um CDB que te paga 15% a.a., de uma fintech recém fundada? Será que os 5% a mais de rentabilidade no ano valem realmente a pena, correndo o risco de ocorrer uma quebra do emissor e ter que recorrer ao FGC? São essas reflexões que precisamos fazer antes de realizar investimentos. E agora vamos entender quais riscos conseguimos mitigar, e quais as estratégias recomendadas para isso. Seções de estudo 2 - Risco sistemático e não sistemático No mercado, corremos duas espécies de riscos: um risco sistemático e um não sistemático. A principal diferença entre os dois é que um conseguimos reduzir com a diversificação, e outro não. Risco sistemático Também conhecido como não-diversificável, é aquele que é afetado por todo o sistema, de forma geral. Como por exemplo a pandemia do COVID-19, que afetou todas as economias. Na ocasião, comprar 2 ações ou comprar 20 ações não mudava a exposição ao risco. Portanto, esse risco é muito difícil de ser reduzido. Podemos dizer também que ele é geralmente ocasionado por instabilidade catastrófica que afeta grandes bancos ou conglomerados do mercado financeiro. Isso porque quando são afetados, impactam toda uma cadeia outros bancos interligados, gerando reação em cadeia e colapsando todo o sistema financeiro. FIGURA 1 - OS RISCOS DE QUEBRA DE INSTITUIÇÃO FINANCEIRA Disponível em: https://valorinveste.globo.com/mercados/renda-variavel/ empresas/noticia/2023/03/10/por-que-a-queda-do-silicon-valley-bank-e-um-risco- a-estabilidade-financeira-dos-eua.ghtml. Acesso em: 13 abr. 2023. Risco não-sistemático Chamado também de risco diversificável, refere-se a um determinado setor, região ou algo mais específico, direcionado. Usando como exemplo, uma crise no setor de construção civil dificilmente afetaria as empresas produtoras de grãos. Ou quando temos forte inflação no Brasil, podemos investir o capital nos EUA, em dólar. A melhor maneira de reduzir esse risco é diversificando a carteira. Sabe o ditado “não podemos colocar todos os ovos em uma cesta só”? É exatamente isso. Não podemos “apostar” tudo em um único setor ou empresa. É importante investir em diversos setores, em ativos de renda fixa, renda variável, fundos de investimentos multimercado, internacionais, etc. Com isso, caso um segmento venha a sofrer um colapso, a sua carteira será protegida por outros setores. Um ciclo de queda no mercado de ações pode ter impacto reduzido com uma fatia da carteira em ativos de renda fixa. Mas também o excesso de diversificação não é saudável. Além de ser mais difícil de fazer gestão ativa da carteira, ela acaba seguindo um índice – que é menos trabalhoso de fazer gestão. Uma carteira de ações brasileiras, por exemplo, não precisa ter mais de 15 empresas diferentes. Se for para 47 diversificar tanto, é recomendado comprar diretamente o índice IBOV, que replica as principais empresas da bolsa. Menos trabalho, super diversificado, mas que sempre vai andar “a mercado”, ou semelhante aos participantes menos ativos. Reforço que uma boa carteira de ações precisa ser cuidada, analisada periodicamente e, quando necessário, sofrer alterações. FIGURA 2 - RISCO DIVERSIFICÁVEL E NÃO DIVERSIFICÁVEL Disponível em: https://sociedadedoinvestidor.com.br/financas/risco- sistematico-e-nao-sistematico/. Acesso em: 13 abr. 2023. 3 - Tipos de riscos A depender do setor, do tipo de exposição e da classe de ativos, o seu investimento está exposto a diferentes tipos de risco. A seguir vamos entender quais são, e em quais situações ocorrem. a) Risco de crédito: Refere-se à possibilidade de ocorrer um calote, resultado de insolvência financeira. Uma empresa com histórico ruim de crédito, um score baixo no SERASA, tem maior risco de causar inadimplência aos seus investidores e fornecedores. Esse risco precisa ser analisado principalmente nos investimentos em crédito privado. Quando investimos em uma debênture, por exemplo, somos os credores da empresa. Caso ela venha a ser devedora, será diretamente ao investidor dos ativos. Fujam de empresas com alto risco de crédito. Apesar de mais segura, a renda fixa também tem eventos de perda de capital. b) Risco de liquidez: Quando um ativo tem pouca negociação no mercado, ele tem risco de liquidez. Caso o investidor precise fazer um resgate imediato, ou uma venda de suas ações, com baixa liquidez o preço acaba sendo reduzido. Fica sujeito a poucos possíveis compradores, que podem acabar precificando abaixo do valor justo. É uma situação bastante comum com imóveis. Quem compra imóvel para logo vender, por exemplo, corre risco de liquidez – dificuldade em encontrar compradores. Com isso, pode acontecer de reduzir o preço do imóvel para que encontre um comprador que aceite a oferta. c) Risco operacional: A probabilidade de ocorrer uma falha humana em alguma operação. Ao invés de comprar 100 ações, comprar 1.000, errar o ticker do ativo no momento da compra, invasão de hackers etc. FIGURA 3 - ERRO OPERACIONAL NA BOLSA AMERICANA Disponível em: https://economia.uol.com.br/noticias/estadao- conteudo/2023/01/26/funcionario-esquece-de-desligar-sistema-e-gera-caos-na- bolsa-de-nova-york.htm.Acesso em 13/04/2023. d) Risco cambial: Ocorre quando existe uma exposição em mercado estrangeiro, sem a proteção da variação da moeda. Uma dívida em dólar de uma empresa brasileira é um exemplo. No caso dos investimentos, quando é comprado um ativo diretamente da bolsa americana, deixa o patrimônio exposto a variação cambial. Pode acontecer de valorizar o ativo, mas desvalorizar na taxa de câmbio. e) Risco de mercado: São situações no mercado que podem, de alguma maneira, afetar o valor do ativo. Quando investimos em renda fixa com taxa de juros Selic a 5,00% a.a., corremos o risco de mercado de acontecer abertura na curva de juros – alta da Selic. Quanto maior o prazo do ativo, maior o risco de mercado dele, pois está exposto aos diversos fatores como mudanças de governo, ciclos da Selic, da inflação, dentre outras situações que podem ocorrer no mercado financeiro. f) Risco país: É a situação de risco de se investir numa determinada nação. Concentrar todos os seus investimentos no Brasil torna o seu risco país muito grande. Esse risco é muito analisado em países subdesenvolvidos, pois apresentam ainda uma economia bem instável, com muitas incertezas no meio do caminho que podem também afetar os seus investimentos. 4 - Métodos de mitigação Agora que conhecemos todos os tipos de riscos, como podemos evitá-los? Quais as ferramentas que podemos encontrar no mercado financeiro para proteger sua carteira? I) Diversificação: Vimos anteriormente que diversificar os setores e as classes de ativos é um grande aliado na redução de risco da carteira. É uma premissa dos investimentos. Independente do perfil do investidor, ou da classe em que vai investir, é muito importante pulverizar a carteira para não ficar dependente de um único setor. II) Derivativos: Existem algumas ferramentas de derivativos que podem também ajudar na redução de risco, ou chamado em inglês hedge. Essas ferramentas permitem travar preços futuros, apostar 48Noções de investimentos e mercado financeiro na queda dos ativos, trocar o indexador de uma dívida ou recebimentos, dentre outros. Na carteira de investimentos, são as operações chamadas de Opções, em que o investidor receoso pode comprar proteções de queda de preços daqueles ativos que tem na carteira. III) Seguros: Existem diversas modalidades de seguros que podem prevenir de alguns riscos (fora o de morte). Tem seguros que protegem contra riscos operacionais, outros sobre risco cambial, etc. São também grandes aliados dos investidores em construção do patrimônio. De nada adianta ter disciplina nos investimentos e eventualmente precisar resgatar todo o patrimônio em momento ruim de mercado para cumprir alguma emergência. Os seguros conseguem entregar essa importante proteção ao investidor. Chegamos, assim, ao final de nossa oitava e última aula. Espera-se que tenham compreendido tudo sobre os riscos do mercado financeiro. Vamos, então, recordar: Retomando a aula 1 - O que é risco? É a possibilidade de o resultado ser diferente da expectativa, por diversos motivos possíveis. Importante ressaltar que não existe investimento sem risco. Estamos sempre sujeitos a diversos riscos em uma carteira de investimentos que podem entregar rentabilidades abaixo das expectativas, ou até mesmo perda de capital. 2 - Risco sistemático e não sistemático Os riscos sistemáticos são aqueles que afetam o sistema como um todo. São várias empresas, vários setores e vários países tendo performances ruins pelos mesmos motivos. Crise e um país, COVID-19, período de guerra, etc, são alguns dos fatores que podem ser encaixados como risco sistemático ou não-diversificável. Quanto ao risco não-sistemático, é aquele que pode ser mitigado de maneira significativa, principalmente pela diversificação de ativos, se expondo a diversos países, setores, categorias de investimentos dentre outros. 3 - Tipos de risco São diversos os tipos de riscos que a carteira de investimentos pode estar sujeita. São desde riscos de liquidez, com a falta de compradores interessados na negociação, ou até risco de crédito, que sinaliza a possibilidade de calote na operação. 4 - Métodos de mitigação Existem algumas ferramentas que podem ser utilizadas para reduzir riscos da carteira de investimentos. A diversificação, os derivativos e os seguros são os principais exemplos que podem trazer tranquilidade ao investidor. Filme: Inside Job, 2010 Documentário 1h48 Sinopse: A crise financeira mundial que aconteceu em 2008, causou a perda de milhões de empregos e casas e mergulhou os Estados Unidos em uma profunda recessão econômica. Matt Damon narra um documentário que fornece uma análise detalhada dos elementos que levaram ao colapso e identifica peças-chave do mundo financeiro e político. O diretor Charles Ferguson realiza uma gama de entrevistas e traça a história dos Estados Unidos para a China, Islândia e para outros mercados financeiros mundiais. Vale a pena assistir Referências BRASIL. Lei complementar n 179, de 24 de fevereiro de 2021. Define os objetivos do Banco Central do Brasil e dispõe sobre sua autonomia e sobre a nomeação e a exoneração de seu Presidente e de seus Diretores; e altera artigo da Lei n 4.595, de 31 de dezembro de 1964. Disponível em: https://www. in.gov.br/en/web/dou/-/lei-complementar-n-179-de-24-de- fevereiro-de-2021-305277273. Acesso em: 10 abr. 2023. CERBASI, G. Investimentos inteligentes – Estratégias para multiplicar seu patrimônio com segurança e eficiência. 2.ª ed. São Paulo: Editora Sextante, 2019. GODINHO DE OLIVEIRA FILHO, B. Gestão de Fundos de Investimentos – o seu Gia Para Gestão de Carteiras. 1.ª ed. São Paulo: Editora Saint Paul, 2019. Instrução CVM 555. CVM, 2014. Disponível em: https://conteudo.cvm.gov.br/legislacao/instrucoes/inst555. html. Acesso em: 10 abr. 2023. TAVARES, R. A renda? É fixa. O preço? Não. Aprenda de uma vez por todas sobre o investimento mais famoso do Brasil. 1.ª ed. Rio de Janeiro: Editora UICLAP, 2023. Minhas anotações