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6ºAula Fundos de Investimento Objetivos de aprendizagem Ao término desta aula, vocês serão capazes de: • categorizar os fundos de investimento; • conhecer as classes de acordo com a Anbima. Caros(as) alunos(as) investidores(as), Partimos agora para o aprendizado sobre os fundos de investimento. Vamos conhecer as categorias, os custos, as vantagens e as principais características dessa classe de investimentos. Bons estudos! 36Noções de investimentos e mercado financeiro 1 - Introdução 2 - Tipos de fundos 3 - Custos e tributação 4 - Como escolher um fundo? 1 - Introdução Os fundos de investimento são uma classe de ativos capaz de agradar todos os tipos de investidores: desde os mais conservadores, que optam pela renda fixa, aos mais arrojados e experientes no mercado de renda variável. É o mais abrangente dos investimentos. Os fundos são uma espécie de grupo de investidores que reúnem os seus recursos para que sejam aplicados nos mais diversos ativos. O patrimônio total do fundo é o recurso disponibilizado pelos investidores, e as decisões são tomadas por um gestor. Mais uma importante classe de ativos para o investidor que deseja diversificar seus investimentos. Os fundos podem adotar as mais diversas estratégias, e com poucos recursos é possível montar uma carteira que tenha desde investimentos em tesouro direto até ativos internacionais. FIGURA 1 - FUNDOS DE INVESTIMENTO Disponível em: https://blog.orama.com.br/2018/06/26/o-que-sao-e-como- funcionam-os-fundos-de-investimento/. Acesso em: 10 abr. 2023. Participantes do fundo Apesar de parecer simples, existe uma estrutura sofisticada por trás de todo fundo de investimento. Vamos conhecer os componentes da estrutura e a função que exercem: I) Gestor: é o responsável por tomar as decisões de investimento. Onde investir, qual valor, quando vender e qual estratégia seguir. Essas decisões devem sempre respeitar a política de investimento definida pelo regulamento do fundo. Seções de estudo II) Administrador: é a instituição financeira que define as principais características do fundo, como as políticas de investimento e os objetivos, que acabam delimitando o trabalho do gestor. Além disso, é o representante legal do fundo perante a CVM e demais órgãos. Faz também parte do trabalho do administrador a divulgação dos valores das cotas e quaisquer comunicados aos cotistas e mercado. III) Custodiante: instituição financeira que faz a custódia dos ativos do fundo. Além da guarda, também faz o papel operacional de liquidação, registro e prestação de informações do fundo aos administradores. IV) Auditor: obrigatoriamente independente, o papel do auditor é conferir os demonstrativos financeiros do fundo. Tem a função primordial de garantir que o investidor do fundo está recebendo informações claras e verdadeiras. V) Distribuidor: é o canal entre o fundo e o investidor. Através dele, os clientes podem fazer investimentos no fundo. Geralmente são bancos ou corretoras. FIGURA 2 - PARTICIPANTES DOS FUNDOS DE INVESTIMENTOS Disponível em: https://conteudos.xpi.com.br/aprenda-a-investir/ relatorios/guia-completo-sobre-fundos-de-investimento-entenda-como-aplicar-e- o-que-fazer/. Acesso em: 10 abr. 2023. 2 - Tipos de fundos Os fundos são classificados de acordo com a carteira de ativos em que ele investe e da estratégia adotada. A classificação tem o objetivo de facilitar o entendimento do investidor pois, de forma bastante clara, é possível identificar a classificação do fundo apenas analisando o seu nome, que contêm as siglas da estratégia adotada. a) Renda fixa: Estes devem aplicar no mínimo 80% do patrimônio em ativos de renda fixa. Alguns fundos investem a maior parte do capital em títulos do Tesouro Direto, e são considerados os de mais baixo risco, pois costumam basicamente acompanhar o CDI diário. Outros optam por investir em emissão bancária, como CDB, LCA ou LCI, e podem adotar diversas estratégias que perseguem o CDI, IPCA, ou investir somente em ativos préfixados. Existem também os fundos de renda fixa que preferem investir somente em ativos de crédito privado, como CRA ou CRI, e geralmente são os mais arrojados na 37 renda fixa, com uma busca de retorno acima do CDI bem agressivo. Os fundos podem, inclusive, mesclar as estratégias entre emissão bancária, crédito privado e títulos do Tesouro Direto. As siglas no nome do fundo podem conter: • RF: Todos os fundos de renda fixa devem obrigatoriamente ter a sigla; • CP: Investem majoritariamente em ativos de crédito privado; • DI: Possuem, no mínimo, 95% da carteira em ativos do Tesouro Direto pós fixados. a) Ações: Devem investir, no mínimo, 67% do capital em ações negociadas na bolsa. O restante, fica a critério do gestor. É uma categoria para investidores mais experientes e com perfil moderado ou arrojado, pois tem a mesma volatilidade que uma carteira de ações “direta”. Além disso, recomenda-se que apenas investidores que planejam a longo prazo possam investir no fundo, pelos mesmos motivos da carteira de ações: a volatilidade no curto e médio prazo pode tornar a carteira negativa. Obviamente buscam retorno acima dos fundos de renda fixa, respeitando a máxima de que quanto maior o risco, maior o retorno esperado. A sigla do fundo de investimento em ações é FIA. Detalhe: muitas vezes o FIA de grandes gestoras tem o patrimônio muito grande, dificultando alguns movimentos de compra e venda, podendo alterar o preço dos papéis negociados. Cria-se então um FIC, Fundo de Investimento em Cotas, que compra cotas do FIA principal. É uma maneira de dividir o patrimônio em dois fundos e continuar aumentando a quantidade dos cotistas. b) Cambial: Investem no mínimo 80% do patrimônio em ativos relacionados a câmbio, seja qual for a moeda. O mais comum são os de dólar, mas encontra-se com facilidade também os fundos cambiais em Euro. Obrigatoriamente levam a nomenclatura “cambial” junto do nome do fundo. c) Multimercado: São os que têm mais liberdade. Não possuem obrigatoriedade de concentração em nenhum tipo de ativo ou estratégia. Podem mesclar quaisquer categorias para atingir seu objetivo de performance. Geralmente também incluem derivativos, instrumentos capazes de alavancar o patrimônio. Carregam a sigla FIM no nome. d) Mútuos de Privatização: São fundos especiais, que investem em ações de empresas estatais em processo de desestatização. A captação é feita através de recursos do FGTS. Recentemente, em 2022, foi possível investir uma fatia do FGTS em fundo mútuo da Eletrobrás. Foi uma possibilidade de buscar maior retorno ao fundo de garantia, inclusive em duas categorias de fundo mútuo, uma mais agressiva (maior concentração nas ações da Eletrobrás) e outra um pouco menos (uma fatia um pouco maior de títulos públicos, mas ainda menor do que ações). e) Previdência: Pode ser VGBL ou PGBL, com tabela progressiva ou regressiva de imposto de renda, a depender do perfil do cliente e da possibilidade de abatimento na declaração anual de IRPF. Vamos falar de previdência de forma mais profunda na próxima aula, mas importante já saber que se trata de uma categoria de fundos de investimento. FIGURA 3 - FUNDO MÚTUO DE PRIVATIZAÇÃO DA ELETROBRÁS Disponível em: https://www.infomoney.com.br/onde-investir/fgts-na- eletrobras-fundos-reduzem-taxa-de-administracao-para-atrair-investidores/. Acesso em: 10 abr. 2023. Fundos abertos x fechados A depender do fundo, o investidor pode conseguir ou não fazer o primeiro ou novos aportes. Isso porque existem os fundos abertos e os fechados, que tem particularidades nos aportes e resgates. Fundos Abertos: São aqueles em que o investidor consegue fazer aportes e resgates a qualquer momento, respeitando apenas o período de liquidação determinado pelo fundo. Os novos investidores também estão liberados a fazer o primeiro aporte quando bem entender. Porém o administrador pode suspender novas aplicaçõesdo fundo a qualquer momento, desde que indistintamente a novos investidores e cotistas atuais. Quanto a fechamento de resgates, segundo a Instrução CVM 555/2014, que regulamenta os fundos de investimento, segue caso excepcional: O administrador poderá declarar o fechamento do fundo para a realização de resgates, em casos excepcionais de iliquidez dos ativos financeiros componentes da carteira do fundo, inclusive em decorrência de pedidos de resgates incompatíveis com a liquidez existente, ou que possam implicar alteração do tratamento tributário do fundo ou do conjunto dos cotistas, em prejuízo destes últimos, sendo obrigatória a convocação de Assembleia Geral Extraordinária, nas condições estabelecidas na regulamentação(COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS, 2014). Fundos Fechados: A entrada e saída de cotistas não é permitida a qualquer momento. O fundo abre apenas no período de captação, ou nas chamadas “rodadas de investimento”, e os resgates podem ser efetuados somente no vencimento final do fundo. Ou seja, estes têm data de início e fim. Caso o investidor queira resgatar antecipadamente, a alternativa seria realizar no mercado secundário, vendendo suas cotas a outro investidor, conforme Instrução CVM 555/2014: 38Noções de investimentos e mercado financeiro Os fundos fechados podem ser registrados para negociação de cotas nos mercados administrados pela B3. Assim, quando um cotista pretende comprar ou vender cotas de um fundo fechado, como os Fundos de Investimento Imobiliário – FII, por exemplo, pode enviar suas ordens por uma corretora para o sistema de negociação da B3 no qual a cota esteja registrada (COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS, 2014). 3 - Custos e tributação A performance dos fundos não é liquida aos investidores. Existem alguns custos que incidem sobre a rentabilidade com a finalidade de remunerar toda a estrutura por trás dos fundos, além da tributação que incide sobre eles. Taxa de administração Cobrada em todos os fundos. Geralmente determinada de acordo com o trabalho necessário para gerir o fundo – normalmente os FIA têm as taxas mais altas, variando entre 0,5% a.a. e 4,00% a.a. Tem o objetivo de remunerar os gestores e a administração. A taxa é apresentada com a periodicidade anual, porém cobrada gradualmente e deduzida diariamente do valor da cota. Importante saber que a taxa de administração é cobrada mesmo sobre fundos com rentabilidade negativa. Taxa de performance Cobrada apenas em alguns fundos, determinada pela própria administração. É cobrado quando o fundo supera o seu benchmark (índice de referência). Caso o fundo tenha performance abaixo, a taxa não é deduzida. Em um fundo de renda fixa, por exemplo, geralmente é adotado o CDI como benchmark. Aos fundos que cobram taxa de performance, ela incide sobre a rentabilidade que ultrapassou a marca. Ponto interessante é que os fundos de investimento são obrigados a apresentar a rentabilidade líquida das taxas de administração e performance, a incidir apenas os impostos. Imposto de renda Sobre os fundos, incidem o Imposto de renda e o IOF. O segundo é cobrado apenas nos resgates efetuados após os 30 primeiros dias da aplicação, em uma tabela regressiva, da mesma maneira que é cobrado nos ativos de renda fixa que já aprendemos anteriormente. Quanto ao imposto de renda, precisamos entender que, para fins de tributação, os fundos são divididos em três tipos: I) Fundos de curto prazo: A carteira possui papéis com vencimento menor do que 365 dias, em média. Neste caso, existem apenas dois cenários: TABELA 1 - IMPOSTO DE RENDA NOS FUNDOS DE CURTO PRAZO Data da aplicação Alíquota Até 180 dias 22,5% Acima de 180 dias 20% Fonte: Elaborado pelo autor. Fundos de longo prazo: Carteira com vencimento médio maior do que 365 dias. A alíquota segue a tabela regressiva: TABELA 2 - TABELA REGRESSIVA DE IMPOSTO DE RENDA Tabela Regressiva de IR Prazo do Investimento Alíquota (%) Até 180 dias (6 meses) 22,50% De 181 até 360 dias (1 ano) 20,00% De 361 até 720 dias (2 anos) 17,50% Acima de 720 dias (2 anos) 15,00% Fonte: Elaborado pelo autor. II) Fundo de ações: Muito mais simples. O imposto de renda é fixo de 15% sobre a rentabilidade, independente do período da aplicação e resgate. Come-Cotas É uma dedução periódica do imposto de renda sobre os fundos de curto e longo prazo – não incide sobre os fundos de ações. Tem esse nome porque ele deduz através do recolhimento de cotas do fundo como pagamento. O imposto é cobrado no último dia útil dos meses de maio e novembro, reduzindo a quantidade de cotas em propriedade do investidor. Caso este opte por resgatar o patrimônio do fundo antes do come-cotas, o investidor irá acertar a diferença do imposto no momento do resgate. 4 - Como escolher um fundo? Podemos notar que existem muitos detalhes na análise de um fundo. A categoria é muito abrangente, e consegue atender a qualquer tipo de investidor. Os fundos agradam desde o cotista conservador até o especulador mais arrojado. Então, quais fatores são importantes analisarmos para adquirir cotas de um fundo? I) Lâmina do fundo: Documento obrigatoriamente divulgado por todos os fundos. Nele constam as principais características, como os dados do gestor, as taxas, liquidez, rentabilidade histórica, performance sobre o benchmark, gráfico de rentabilidade ao longo do tempo e demais informações que possam ser pertinentes. Tudo é apresentado de forma muito clara e intuitiva. É importante analisar todas as 39 informações que lá constam, para ter certeza de que o perfil do investidor tem aderência perfeita com o fundo selecionado. II) Liquidez de resgate: O investidor precisa entender o fluxo de caixa dos investimentos e um prazo estipulado para resgate. Existem alguns fundos que possuem liquidez diária (com resgate dentro do mesmo dia), outros liquidam em 30 dias e alguns precisam de 180 ou 360 dias de prazo de liquidação. O investidor precisa escolher aquele que tem mais aderência ao perfil, de forma que não fique “travado” em uma eventual necessidade de liquidez. III) Tipo do fundo: Já falamos sobre anteriormente, mas é sempre bom reforçar. É necessário que os fundos selecionados sejam compatíveis ao perfil de investidor. Um cliente conservador pode ter surpresas se investir de maneira incorreta em fundos de ações. IV) Gestora: Costuma-se dizer que investir através de fundos seria equivalente a escolher uma equipe para administrar seu patrimônio pessoal. Portanto, é importante conhecer os gestores e a “asset” (gestora) que eles representam. Se possível, analisar o histórico de performance de longuíssimo prazo e tentar entender ao máximo o racional de investimentos por trás da gestão. V) Perfil de investimentos: Por último, mas não o menos importante. O perfil do investidor diz muito sobre os fundos em que ele pode investir. Todos os fatores mencionados acima devem ser levados em conta, e, junto com a sua experiência e expectativas com os investimentos, é selecionado o melhor fundo para o momento. Deve-se considerá-los como parte da carteira, respeitando as proporções e diversificações planejadas. Chegamos, assim, ao final de nossa sexta aula. Espera- se que tenham compreendido tudo sobre os fundos de investimento. Vamos, então, recordar: Retomando a aula 1 - Introdução Os fundos de investimento são condomínios de investidores, que acumulam o patrimônio coletivo com o objetivo de investir e buscar rentabilidade de todos os participantes. 2 - Tipos de fundos Existem diversos tipos de fundos, com o objetivo de atender todos os investidores. Os fundos podem ser de renda fixa, ações, multimercado, cambial, mútuo de privatização ou previdência. Cada tipo possui algumas limitações nas estratégias, atingindo um mínimo ou máximo de uma certa classe de ativos. Os fundos podem ser abertos ou fechados. Os abertos dão liberdade ao investidor de aplicar ou resgatarno momento que bem entender. Já os fechados, tem data máxima de aporte e data final para o resgate. 3 - Custos e tributação Todos os fundos cobram taxa de administração sobre o patrimônio aplicado. Em alguns casos, podem cobrar também a taxa de performance sobre o que rentabilizar acima do benchmark. Quanto ao imposto de renda, depende se o fundo for classificado como curto prazo, longo prazo ou carteira de ações. Mas todos incidem sobre o lucro. Existe também o come-cotas, que incide duas vezes ao ano reduzindo a quantidade de cotas do investidor. 4 - Como escolher um fundo? São vários os fatores que devem ser considerados antes de investir em um fundo. Taxas, rentabilidade histórica, tese de investimento, risco e gestão são alguns exemplos do que se deve analisar antes do aporte. O fator mais importante, sem dúvidas, é a certeza de que o fundo tem ligação direta com o perfil de investidor. Fundos de Investimento: um guia completo para aprender a investir. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/ guias/fundos-de-investimento/ Acesso em 10/04/2023. Vale a pena acessar Quais os TIPOS de FUNDOS DE INVESTIMENTOS? | Aprenda a Investir. Disponível em: https://www.youtube. com/watch?v=qAEpOkFEuKE Acesso em 10/04/2023. Vale a pena assistir Minhas anotações