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Resumo Upgrade - Tema 3 Página 1 Resumo Upgrade - Tema 3 Geradores e Motores de Corrente Alternada - estudo completo e complementado Como usar este material Este resumo upgrade mantém a estrutura modular do PDF da disciplina e acrescenta complementos técnicos, macetes de prova, exemplos resolvidos e erros comuns. A intenção é estudar com mais profundidade sem sair do conteúdo de Máquinas Elétricas. Módulo 1 - Fundamentos de máquinas de corrente alternada Máquinas de corrente alternada são equipamentos rotativos que trabalham com grandezas senoidais e usam campo magnético para converter energia. Quando recebem energia mecânica no eixo e entregam energia elétrica, operam como geradores. Quando recebem energia elétrica e entregam torque mecânico no eixo, operam como motores. O ponto central do módulo é entender que a conversão eletromecânica depende de três efeitos: tensão induzida por variação de fluxo, força eletromagnética em condutor percorrido por corrente e formação de campo magnético girante. Conceito Ideia central Uso em prova Tensão induzida Surge quando o fluxo magnético concatenado varia Questões de Faraday-Lenz, espiras e movimento relativo Força eletromagnética Surge em condutor com corrente dentro de campo magnético Questões de torque/conjugado Campo girante Campo resultante criado por correntes alternadas defasadas Base de motores síncronos e assíncronos Lei de Faraday-Lenz A Lei de Faraday diz que uma tensão é induzida quando há variação do fluxo magnético que atravessa um condutor ou enrolamento. A contribuição de Lenz determina o sentido dessa tensão: a tensão induzida se opõe à variação do fluxo que a criou. Tensão induzida e = -N · dΦ/dt • e: força eletromotriz induzida, em volts (V). • N: número de espiras do enrolamento. • Φ: fluxo magnético, em webers (Wb). • dΦ/dt: taxa de variação do fluxo no tempo. • O sinal negativo expressa a oposição da Lei de Lenz. Macete de prova Se não houver variação de fluxo magnético, não há tensão induzida relevante. Movimento relativo entre condutor e campo é o que normalmente cria essa variação. Tensão induzida por movimento Em máquinas rotativas, a tensão também pode ser analisada pelo deslocamento de condutores dentro do campo magnético. O movimento de uma espira faz com que seus lados cortem linhas de fluxo, induzindo tensão nos trechos ativos. Tensão por movimento e = (v × B) · l Resumo Upgrade - Tema 3 Página 2 Forma escalar e = v · B · l · sen(θ) • v: velocidade do condutor. • B: densidade de fluxo magnético. • l: comprimento ativo do condutor dentro do campo. • θ: ângulo entre velocidade e campo magnético. • Se v for paralelo a B, sen(θ)=0 e a tensão induzida é nula. Espira girando em campo magnético Quando uma espira gira com velocidade angular constante em um campo aproximadamente uniforme, o ângulo entre os lados ativos e o campo varia continuamente. Por isso a tensão induzida tem forma senoidal. Posição angular θ = ωt Velocidade tangencial v = ωr Espira simples e = 2B l r ω sen(ωt) Forma senoidal e = Emax sen(ωt) A amplitude da tensão depende do campo magnético, da velocidade angular, das dimensões da espira e do número de espiras. Força e torque eletromagnético O segundo fenômeno essencial é a força eletromagnética. Um condutor percorrido por corrente e imerso em campo magnético sofre uma força. Em máquinas rotativas, várias forças distribuídas nos condutores da armadura produzem torque no eixo. Força vetorial F = i (l × B) Força escalar F = B · i · l · sen(θ) Torque T = r · F Erro comum Não confunda tensão induzida com força induzida. Tensão vem de movimento/variação de fluxo; força vem de corrente no condutor dentro do campo. Campo magnético girante Em máquinas CA polifásicas, correntes alternadas defasadas no tempo circulam por enrolamentos defasados no espaço. A combinação desses campos cria um campo magnético resultante que gira no entreferro da máquina. Velocidade síncrona ns = 120f / P • ns: velocidade síncrona, em rpm. • f: frequência elétrica da rede, em Hz. • P: número de polos da máquina. • Quanto maior a frequência, maior ns. Quanto maior o número de polos, menor ns. Exemplo resolvido Um motor de 4 polos alimentado em 60 Hz possui ns = 120·60/4 = 1800 rpm. Um motor de 6 polos na mesma frequência possui ns = 120·60/6 = 1200 rpm. Resumo Upgrade - Tema 3 Página 3 Módulo 2 - Máquinas síncronas Máquinas síncronas são aquelas em que o rotor gira exatamente em sincronismo com o campo magnético girante do estator. Elas são muito usadas como geradores em usinas hidrelétricas, termelétricas e outros sistemas de geração de grande porte. Aspectos construtivos • Estator: parte fixa, normalmente contém o enrolamento de armadura CA. • Rotor: parte móvel, normalmente contém o enrolamento de campo alimentado em corrente contínua ou ímãs permanentes. • Entreferro: espaço entre estator e rotor, onde ocorre o acoplamento magnético. • Eixo: conduz a potência mecânica de entrada ou saída. Complemento técnico Em geradores síncronos, a potência mecânica aplicada ao eixo mantém o rotor girando. O campo do rotor corta os enrolamentos do estator e induz tensões trifásicas. Velocidade síncrona Velocidade síncrona ns = 120f / P A máquina síncrona não possui escorregamento em regime permanente. Se ela está conectada a uma rede de 60 Hz, sua rotação é determinada pelo número de polos. Pólos 60 Hz Aplicação típica 2 3600 rpm Turbinas a vapor/gás de alta rotação 4 1800 rpm Geradores e motores de média rotação 6 1200 rpm Geradores de menor velocidade 8 900 rpm Hidrelétricas e baixas rotações Operação como gerador síncrono No modo gerador, uma máquina primária fornece potência mecânica ao eixo. O rotor excitado cria um campo magnético que gira e induz tensões alternadas no estator. A frequência gerada depende da rotação e do número de polos. Frequência gerada f = P · n / 120 Exemplo resolvido Um gerador de 8 polos girando a 900 rpm gera f = 8·900/120 = 60 Hz. Operação como motor síncrono No modo motor, o estator cria um campo girante e o rotor excitado tenta se alinhar com esse campo. Em regime permanente, o rotor gira exatamente na velocidade síncrona. A carga mecânica altera o ângulo de torque, mas não altera a velocidade enquanto a máquina se mantiver em sincronismo. Ideia do torque síncrono T ≈ K · Φ · Is · sen(δ) • δ: ângulo de torque ou ângulo de carga. • Aumentando a carga, δ aumenta. • Se δ ultrapassar o limite de estabilidade, o motor perde sincronismo. Potência reativa e fator de potência Resumo Upgrade - Tema 3 Página 4 Motores síncronos podem atuar com diferentes fatores de potência conforme a excitação do rotor. Subexcitado, tende a absorver potência reativa. Sobre-excitado, pode fornecer potência reativa à rede, ajudando na correção do fator de potência. Macete de prova Se a questão disser que motor síncrono é usado para velocidade constante e compensação de reativo, a alternativa geralmente aponta para máquina síncrona. Resumo Upgrade - Tema 3 Página 5 Módulo 3 - Máquinas assíncronas ou de indução Máquinas assíncronas são chamadas de máquinas de indução porque a corrente do rotor é induzida pelo campo magnético girante do estator. O rotor não gira exatamente na velocidade síncrona: ele precisa de escorregamento para que haja indução de corrente e torque. Motor de indução trifásico • É robusto, simples e muito usado na indústria. • Pode ter rotor gaiola de esquilo ou rotor bobinado. • A alimentação do estator é trifásica. • O campo girante induz corrente no rotor. • A interação entre campo do estator e corrente do rotor produz torque. Rotor gaiola de esquilo O rotor gaiola é formado por barras condutoras curto-circuitadas por anéis nas extremidades. É simples, resistente e barato, por isso aparece muito em aplicações industriais. Rotor bobinado O rotor bobinado possui enrolamentos acessíveis por anéis e escovas. Isso permite inserir resistências externas no circuito do rotor durante a partida, melhorando o torque de partida e controlandoa corrente. Escorregamento Escorregamento s = (ns - n) / ns Velocidade do rotor n = (1 - s) · ns • s: escorregamento, em pu ou %. • ns: velocidade síncrona. • n: velocidade mecânica do rotor. • Em vazio, s é pequeno. Com carga, s aumenta. Exemplo resolvido Um motor de 4 polos, 60 Hz, tem ns = 1800 rpm. Com escorregamento de 5%, n = (1 - 0,05)·1800 = 1710 rpm. Frequência do rotor Frequência no rotor fr = s · f A frequência das correntes no rotor é proporcional ao escorregamento. Na partida, s = 1, então fr = f. Em regime próximo ao vazio, s é pequeno e fr também é pequena. Torque em motores de indução O torque depende do fluxo do estator, das correntes induzidas no rotor e do escorregamento. Na partida, o escorregamento é alto; em operação normal, o escorregamento se ajusta conforme a carga. Erro comum Motor síncrono gira em ns. Motor de indução gira abaixo de ns. Se a questão der escorregamento, ela está tratando de máquina assíncrona. Quadro final de fórmulas Fórmula Aplicação e = -N dΦ/dt Tensão induzida por variação de fluxo Resumo Upgrade - Tema 3 Página 6 e = (v×B)·l Tensão em condutor em movimento F = B i l sen(θ) Força em condutor com corrente ns = 120f/P Velocidade síncrona s = (ns-n)/ns Escorregamento n = (1-s)ns Velocidade do rotor fr = sf Frequência do rotor Checklist de prova Identifique primeiro o tipo de máquina: síncrona ou indução. Depois veja se a questão pede velocidade síncrona, velocidade do rotor, escorregamento, frequência ou conceito de construção. Caderno de aprofundamento - complemento do resumo upgrade Página 1 Caderno de aprofundamento Resumo Tema 3 Upgrade Estudo Completo Caderno de aprofundamento - Tema 3 Este complemento aprofunda os pontos que mais aparecem em exercícios de máquinas CA: Lei de Faraday-Lenz, espira girante, campo girante, máquinas síncronas, motores de indução, escorregamento e cálculos com velocidade. 1. Como identificar o tipo de questão Pista no enunciado Assunto provável Fórmula ou ideia variação do fluxo, imã, condutor, espira Faraday-Lenz e = -N dΦ/dt velocidade, campo B, comprimento l Tensão por movimento e = vBl senθ número de polos e frequência Velocidade síncrona ns = 120f/P escorregamento Motor de indução s=(ns-n)/ns velocidade constante independente da carga Motor síncrono n = ns compensação de reativo Motor síncrono sobre-excitado controle por excitação 2. Faraday-Lenz com interpretação física A lei não diz apenas que surge tensão. Ela explica a direção da conversão: a máquina sempre reage contra a causa da indução. Por isso, em um gerador, ao conectar carga, o eixo passa a exigir mais torque mecânico. A corrente induzida cria um campo que se opõe ao movimento que a gerou. Lei de Faraday-Lenz e = -N · dΦ/dt Leitura de prova Se o enunciado falar que fonte magnética e condutor se movem juntos, na mesma velocidade, sem movimento relativo, a variação de fluxo tende a ser nula. Logo, a indução também tende a ser nula. Exemplo 1 Uma bobina de 200 espiras sofre variação de fluxo de 0,03 Wb para 0,01 Wb em 0,1 s. O módulo da tensão média induzida é |e| = N·|ΔΦ|/Δt = 200·0,02/0,1 = 40 V. Exemplo 2 Se a mesma variação ocorrer em metade do tempo, a tensão induzida dobra. Isso mostra que o fator decisivo é a taxa de variação do fluxo, não apenas o valor final do fluxo. 3. Espira em campo magnético e forma senoidal A espira girante é a base visual para entender a geração CA. Quando o lado ativo corta o campo perpendicularmente, a tensão é máxima. Quando não corta fluxo, a tensão é nula. A repetição desses pontos ao longo da rotação forma uma senoide. Forma da tensão alternada e = Emax sen(ωt) Amplitude idealizada Emax = N · B · A · ω • N aumenta a tensão porque soma a contribuição de mais espiras. • B aumenta a tensão porque há mais fluxo magnético sendo cortado. • A aumenta o fluxo atravessando a espira. • ω aumenta a taxa de variação do fluxo. 4. Campo girante trifásico Caderno de aprofundamento - complemento do resumo upgrade Página 2 O campo girante trifásico surge porque as correntes estão defasadas em 120 graus elétricos e os enrolamentos também estão distribuídos no espaço. O resultado não é um campo pulsante parado, mas um campo de módulo aproximadamente constante girando no entreferro. Comparação útil Monofásico: campo pulsante, precisa de artifícios de partida. Trifásico: campo girante natural, partida mais eficiente. 5. Máquinas síncronas em detalhe A máquina síncrona possui velocidade determinada pela rede. Ela pode operar como gerador, motor ou compensador síncrono. O controle da excitação modifica o fator de potência e a troca de potência reativa com a rede. Condição de excitação Comportamento aproximado Subexcitado Absorve potência reativa, comportamento indutivo Excitação normal Fator de potência próximo do unitário Sobre-excitado Fornece potência reativa, comportamento capacitivo Exemplo 3 - número de polos Um gerador deve produzir 60 Hz a 720 rpm. Da fórmula f = Pn/120, temos P = 120f/n = 120·60/720 = 10 polos. Número de polos P = 120f/n Exemplo 4 - frequência gerada Um gerador de 12 polos gira a 600 rpm. A frequência é f = Pn/120 = 12·600/120 = 60 Hz. 6. Motor de indução: escorregamento e torque O motor de indução precisa de escorregamento. Se o rotor alcançasse exatamente a velocidade síncrona, o campo não cortaria os condutores do rotor, a tensão induzida seria nula e o torque desapareceria. Escorregamento s = (ns - n)/ns Velocidade mecânica n = (1 - s)ns Frequência do rotor fr = s f Exemplo 5 Motor de 6 polos em 60 Hz: ns = 120·60/6 = 1200 rpm. Se s = 0,04, n = 0,96·1200 = 1152 rpm. Exemplo 6 Motor com n = 1746 rpm em uma rede de 60 Hz e 4 polos: ns = 1800 rpm; s = (1800-1746)/1800 = 0,03 = 3%. 7. Erros comuns que derrubam nota • Usar polos no lugar de pares de polos incorretamente. A fórmula ns=120f/P usa número total de polos. • Misturar rpm com rad/s sem converter. • Achar que motor de indução gira em ns. Ele gira abaixo de ns. • Tratar rotor bobinado como se fosse alimentado obrigatoriamente por fonte externa. A corrente do rotor continua sendo induzida. • Dizer que motor síncrono sempre opera como carga indutiva. Ele pode operar com fp capacitivo se sobre-excitado. 8. Revisão rápida antes da prova Pergunta Resposta curta Caderno de aprofundamento - complemento do resumo upgrade Página 3 Quem gera grande parte da energia em usinas? Gerador síncrono Quem tem escorregamento? Motor de indução Quem gira exatamente em ns? Máquina síncrona O que aumenta ns? Aumentar f ou reduzir P O que acontece com s quando carga aumenta? Tende a aumentar Rotor gaiola tem o quê? Barras curto-circuitadas