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WINNICOT E AGRESSIVIDADE A AGRESSIVIDADE COMO ASPECTO NATURAL DO DESENVOLVIMENTO HUMANOS ● Winnicott apresenta uma visão particular acerca do papel da agressividade humana. ● Para o autor a agressividade é inerente à natureza humana, ou seja, inata, mas não em um sentido meramente biológico ou psíquico, mas uma função inerente à própria vida, senão no sentido de pertencer ao estar vivo. ● Deste modo, a agressividade é mais do que uma manifestação de conflitos intrapsíquicos ou frustrações, mas parte natural do processo de desenvolvimento/amadurecimento do ser humano. ● Mais do que pulsional, é um potencial de vida, estruturante. AGRESSIVIDADE COMO ELABORAÇÃO DO ÓDIO E DO AMOR ● Para Winnicott, amor e ódio são elementos fundamentais para a construção das relações humanas, e a agressividade também está envolta de amor e ódio. ● A agressividade pode ser entendida como uma forma de elaborar sentimentos ruins ou intoleráveis (ódio) que a criança busca “expulsar” para o exterior, dramatizando externamente o conflito interno, muitas vezes direcionando-os a figuras de afeto (e autoridade), em busca de controle e segurança. ● Busca por um objeto externo à criança para “suportar” seu ódio destrutivo. ● Para “não destruir o seu mundo” (interno e externo - relações), a criança vai utilizar-se de formas mais criativas para externalizar esse ódio, através do brincar, do esporte, da arte e do trabalho. ● É por meio da SUBLIMAÇÃO (mecanismo de defesa) que a realidade interna é preservada, direcionando a um objeto externo este ódio, sem que seja necessário destruir, permitindo assim compreender a possibilidade de resistir e sobreviver ao próprio ódio destrutivo, convertendo-o em capacidade de reparação e restituição. ATITUDE DO AMBIENTE E O DESTINO DA AGRESSIVIDADE ● Winnicott evidenciou a importância do ambiente na construção do psiquismo da criança, destacando o papel que um cuidador suficientemente bom tem no desenvolvimento de um psiquismo saudável na criança. ● Portanto, a atitude do ambiente com relação à agressividade manifesta influência, de maneira determinante, o modo como esta criança lidará com a tendência agressiva que faz parte da sua natureza humana. ● Se o ambiente fornece condições de cuidados satisfatórios e confiáveis, mostrando-se capaz de reconhecer, aceitar e integrar essa agressividade como parte saudável do desenvolvimento emocional da criança, possibilitará o surgimento de uma personalidade capaz de relacionar-se com outros, de defender seu território, de brincar e de trabalhar. ● Caso essa agressividade seja reprimida ou considerada assustadora pelos cuidadores, a criança vai buscar esconder/negar esta agressividade, por meio da culpa/vergonha/repulsa, resultando em retraimento e isolamento social ou resultar em comportamento antissocial, violência (delinquência) ou compulsão à destruição. ● É necessário aprender a estabelecer relações harmoniosas entre a realidade exterior (exigências sociais) e a realidade interna, que vive conflitos entre amor e ódio. ● Para Winnicott, o desenvolvimento de uma personalidade saudável passa pela “capacidade crescente de reconhecer a própria crueldade e avidez, que então, e só então, podem ser dominadas e convertidas em atividade sublimada.” (Privação e delinquência, p. 96). ● Quando a realidade interna é preservada, por meio do brincar como forma de elaboração dos instintos intoleráveis, pode se converter em bem o dano que havia na fantasia. ● “Toda agressão que não é negada, e pela qual pode ser aceita a responsabilidade pessoal, é aproveitável para dar força ao trabalho de reparação e restituição. Por trás de todo jogo, trabalho e arte está o remorso inconsciente pelo dano causado na fantasia inconsciente, e um desejo inconsciente de começar a corrigir as coisas.” (Privação e delinquência, p. 96) ● Contos de fadas não dizem às crianças que dragões existem. Crianças já sabem que dragões existem. Contos de fadas dizem às crianças que dragões podem ser mortos.” G. K. Chesterton