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CRUZ ROJA ESPAÑOLA
 FEVEREIRO 11, 2026
 
ITAÚNA
 CRUZ ROJA
Entre protocolos e pessoas:
aprender a cuidar no cotidiano
da Cruz Roja na Espanha
Atuar como voluntário na Cruz
Roja Española, na cidade de Elda,
tem sido uma experiência que
ultrapassa em muito a ideia inicial de
“ajuda humanitária”. 
O que se revela no cotidiano não é
apenas a urgência social, mas um
modo específico e profundamente
histórico de organizar o cuidado, a
responsabilidade e a dignidade
humana.
Elda está localizada na província
de Alicante, na Comunidade
Valenciana, e é amplamente
conhecida por sua tradição industrial
ligada ao calçado. 
No entanto, há um aspecto menos
visível e igualmente constitutivo de
sua identidade que ajuda a
compreender o ambiente em que
essa experiência de voluntariado se
desenvolve: Elda carrega,
historicamente, a memória de
uma "Ciudad de acogida" (Cidade de acolhida).
Durante a Guerra Civil Espanhola, a cidade recebeu crianças deslocadas, feridos e pessoas em situação
extrema de vulnerabilidade, desempenhando um papel ativo na proteção de vidas em meio ao conflito. 
18/05/2026, 21:02 CRUZ ROJA ESPAÑOLA ~ ITAÚNA DÉCADAS
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Esse episódio é hoje reconhecido como parte do patrimônio histórico local e ajuda a explicar por que, ainda
no presente, Elda se apresenta como um espaço socialmente acessível, com forte presença de redes
comunitárias e instituições voltadas à inclusão. É nesse ambiente simultaneamente histórico e atual que se
insere a atuação da Cruz Roja.
Para quem vem do Brasil, especialmente de cidades médias do interior como Itaúna, o primeiro impacto não
está apenas na existência da pobreza ou da vulnerabilidade, mas na forma como essas realidades são
tratadas institucionalmente. Nada é improvisado. Nada é decidido de maneira individual. Tudo passa
por protocolos claros, responsabilidades definidas e formação contínua. 
Essa estrutura não esfria a ação solidária; ao contrário, ela a torna sustentável, ética e previsível valores
raramente associados à assistência social no imaginário latino-americano.
No Centro de Servicios (CES), onde atuo regularmente, a rotina é marcada por tarefas aparentemente
simples: organização de alimentos, montagem de kits, registro de entregas, controle de turnos. No entanto, é
justamente nesse nível do detalhe que se percebe uma concepção madura de ação social. 
Cada entrega é documentada. Cada pessoa usuária é reconhecida pelo nome, pelo código, pela data. Não se
trata de desconfiança, mas de garantia de direitos tanto para quem recebe quanto para quem atua como
voluntário.
Historicamente, sabemos que a assistência aos pobres, tanto no Brasil quanto na Europa, esteve ligada à
caridade religiosa, ao favor pessoal e, muitas vezes, ao controle moral. 
O que se observa aqui é um deslocamento significativo: a ajuda deixa de ser um gesto individual e passa a ser
uma política humanitária organizada, ancorada em princípios universais e em normas claras de
atuação. Isso não elimina a desigualdade social, mas redefine a forma de enfrentá-la.
Essa lógica se torna ainda mais evidente nas chamadas saídas noturnas, ações voltadas ao atendimento de
pessoas em situação de rua. Ao contrário do que se poderia imaginar, não se trata de ações espontâneas. Há
calendário, planejamento, logística e definição de funções. 
Cada voluntário sabe exatamente o seu papel. Existe sempre uma pessoa de referência, responsável pela
coordenação do grupo, e há articulação prévia com outros serviços.
Essas saídas revelam algo fundamental: o cuidado também envolve responsabilidade coletiva, e
reconhecer limites é parte do compromisso ético. Em termos históricos, isso marca uma ruptura com a
imagem romantizada do voluntariado heroico e solitário. 
Aqui, o voluntário não é um salvador, mas parte de uma engrenagem coletiva, onde a ação individual só faz
sentido quando integrada a um projeto maior.
Um ponto que aprofunda ainda mais essa reflexão foi a entrevista concedida por Alejandro Pascual,
trabalhador social da Cruz Roja em Elda. Ele chama atenção para uma distinção frequentemente apagada no
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discurso público: imigrante não é sinônimo de refugiado. 
Segundo Pascual, as pessoas refugiadas não chegam buscando simplesmente “um mundo melhor”,
mas buscando viver, muitas vezes fugindo de guerras, perseguições políticas, religiosas ou étnicas e
contextos que tornam a permanência em seus países de origem impossível.
A partir dessa distinção, Pascual destaca um elemento decisivo para compreender a prática da Cruz Roja: a
língua como serviço transversal. O domínio do idioma local não é tratado como um complemento
opcional, mas como uma condição estrutural de inclusão. A língua atravessa todos os serviços: o atendimento
inicial, a orientação jurídica, o acesso a políticas públicas, a formação profissional e a construção de vínculos
comunitários. 
Sem ela, o direito permanece abstrato; com ela, a autonomia se torna possível. Nesse sentido, o trabalho
linguístico não apenas facilita a comunicação, mas organiza o próprio processo de integração social,
funcionando como elo entre acolhida, dignidade e cidadania.
Outro aspecto central dessa experiência é a formação. Não se atua sem estudar. Direitos humanos,
diplomacia humanitária, proteção da infância, perspectiva de gênero, ética institucional, meio ambiente,
combate à desinformação e todos esses temas compõem um corpo formativo obrigatório. 
Isso indica que a Cruz Roja não forma apenas executores de tarefas, mas sujeitos conscientes do
impacto político, social e simbólico de suas ações.
Para alguém que se dedica à pesquisa histórica e à memória social, essa vivência provoca inevitáveis
comparações. No Brasil, muitas iniciativas de assistência ainda dependem excessivamente da boa vontade
individual e sofrem com a descontinuidade. 
Falta estrutura, formação e, sobretudo, reconhecimento institucional do voluntariado como prática social
qualificada. Aqui, o voluntário não “ajuda quando pode”; ele assume responsabilidade.
Essa experiência também desloca o olhar sobre o próprio conceito de solidariedade. Solidariedade não é
apenas empatia ou compaixão. É organização, método, limite e permanência. É compreender que o cuidado,
para ser justo, precisa ser regulado. Essa talvez seja uma das lições mais importantes deste percurso.
Ao registraressas reflexões no Itaúna Décadas, não pretendo narrar uma trajetória pessoal de mérito, mas
oferecer um testemunho comparativo. A história se constrói justamente nesses encontros entre realidades
distintas, onde aprendemos que outras formas de agir são possíveis e que muitas delas podem, e devem, ser
pensadas criticamente a partir de nossa própria experiência brasileira.
Entre protocolos e pessoas, o que se aprende é simples e profundo: cuidar também é uma forma de
pensar o mundo.
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como voluntário na Cruz Roja Española, na cidade de Elda, te… Read More
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Referencias
Organização e elaboração: Charles Galvão de Aquino – Historiador Registro nº 343/MG
Cruz Roja Española.
Sitio oficial de la Cruz Roja en España. Información institucional, principios fundamentales, programas de
acción social y voluntariado. Disponible en: https://www.cruzroja.es
Elda (Alicante), España. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=3u_mWK4cWpY
Ayuntamiento de Elda. Elda, ciudad de acogida.
Página institucional que recoge el papel histórico de la ciudad de Elda como espacio de acogida durante la
Guerra Civil Española, integrando este episodio en su patrimonio histórico y memoria colectiva.
Disponible en: https://www.elda.es/patrimonio-historico/elda-ciudad-de-acogida/
Cadena SER – Radio Elda. Alejandro Pascual.
Las personas refugiadas no vienen buscando un mundo mejor, vienen buscando vivir.
Entrevista que aborda la diferencia entre inmigrante y persona refugiada, así como el papel de la lengua
como servicio transversal en los procesos de acogida e integración social desarrollados por la Cruz Roja.
Disponible en:
https://cadenaser.com/comunitat-valenciana/2025/10/21/alejandro-pascual-trabajador-social-cruz-roja-las-
personas-refugiadas-no-vienen-buscando-un-mundo-mejor-vienen-buscando-vivir-radio-elda/
Comité Internacional de la Cruz Roja (CICR).
Principios del Derecho Internacional Humanitario y acción humanitaria en contextos de conflicto y
desplazamiento forzado.
Disponible en: https://www.icrc.org
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https://www.google.com/search?ved=1t:260882&q=Alejandro+Pascual+Cruz+Roja+Elda&bbid=2328591432647899814&bpid=1546910640552519575
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