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2 
 
SUMÁRIO 
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................ 6 
2 A CRIANÇA NO CONTEXTO SOCIAL .................................................... 7 
2.1 Fatores socioeconômicos e desigualdades ...................................... 8 
2.2 Fatores ambientais e biológicos ..................................................... 10 
2.3 Impactos da pandemia de COVID-19 ............................................. 12 
3 POLÍTICAS PÚBLICAS DE ATENÇÃO Á SAÚDE DA CRIANÇA ......... 13 
4 PNAISC – POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO Á SAÚDE DA CRIANÇA
 15 
4.1 Eixos da PNAISC ........................................................................... 16 
4.1.1 Eixo Estratégico I – Atenção Humanizada e Qualificada à 
Gestação, ao Parto, ao Nascimento e ao Recém-Nascido .............................. 17 
4.1.2 Eixo Estratégico II – Aleitamento Materno e Alimentação 
Complementar Saudável .................................................................................. 18 
4.1.3 Eixo Estratégico III – Promoção e Acompanhamento do 
Crescimento e do Desenvolvimento Integral .................................................... 19 
4.1.4 Eixo Estratégico IV – Atenção Integral a Crianças com Agravos 
Prevalentes na Infância e com Doenças Crônicas ........................................... 20 
4.1.5 Eixo Estratégico V – Atenção Integral à Criança em Situação de 
Violências, Prevenção de Acidentes e Promoção da Cultura de Paz .............. 21 
4.1.6 Eixo Estratégico VI – Atenção à Saúde de Crianças com 
Deficiência ou em Situações Específicas e de Vulnerabilidade ....................... 23 
4.1.7 Eixo Estratégico VII – Vigilância e Prevenção do Óbito Infantil, 
Fetal e Materno ................................................................................................ 24 
5 SAÚDE DA CRIANÇA NA ATENÇÃO BÁSICA – PROGRAMAS DE 
ATENÇÃO À SAÚDE DA CRIANÇA. ...................................................................... 25 
5.1 Programa Nacional de Imunização – PNI ...................................... 26 
5.2 Programa Saúde na Escola – PSE ................................................ 27 
 
3 
 
5.3 Atenção à Saúde Bucal .................................................................. 28 
5.4 Saúde da Criança nas Redes Temáticas ....................................... 29 
5.5 Saúde da Criança na Rede de Atenção Materna, Neonatal e Infantil 
– Rede Cegonha .................................................................................................. 31 
5.6 Saúde da Criança na Rede de Atenção às Urgências ................... 33 
5.7 A Organização dos Pontos de Atenção da RUE para o Cuidado com 
a Criança 33 
5.8 Saúde da Criança na Rede de Cuidados da Pessoa com Deficiência 
– RCPD 35 
5.9 Saúde da Criança na Rede de Atenção Psicossocial – RAPS ....... 37 
5.10 Saúde da Criança na Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com 
Doenças Crônicas ............................................................................................... 38 
5.11 A Organização dos Pontos de Atenção para o Cuidado de Crianças 
na Rede 39 
6 ACOMPANHAMENTO DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL .............. 41 
6.1 Fatores Intrínsecos e Extrínsecos .................................................. 41 
6.2 O Crescimento Pós-neonatal ......................................................... 42 
6.3 Instrumentos de Avaliação do Crescimento Infantil ........................ 43 
6.4 O Desenvolvimento Infantil............................................................. 45 
6.5 Avaliação do Desenvolvimento Infantil ........................................... 46 
6.6 Alimentação da criança .................................................................. 49 
6.6.1 Aleitamento Materno .................................................................. 50 
6.6.2 Alimentação Complementar ....................................................... 52 
6.7 Desnutrição infantil ......................................................................... 53 
6.8 AIDPI – Atenção Integrada a Doenças Prevalente na Infância ...... 56 
7 A ATENÇÃO PSICOSSOCIAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES – 
SAÚDE MENTAL .................................................................................................... 56 
7.1 A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) ...................................... 60 
 
4 
 
8 SAÚDE DO ADOLESCENTE ................................................................ 62 
8.1 Definições de adolescência e juventude ........................................ 63 
8.2 Estratégia IMAN – Integração de Manejo dos adolescentes e suas 
necessidades. ...................................................................................................... 63 
8.3 Caderneta de Saúde de Adolescentes ........................................... 65 
8.4 Famílias com adolescentes ............................................................ 65 
8.5 Atenção Integral à Saúde de Adolescentes no Contexto da 
Socioeducação .................................................................................................... 67 
8.6 Crescimento e desenvolvimento do adolescente ........................... 70 
8.6.1 Desenvolvimento físico .............................................................. 70 
8.6.2 Crescimento ............................................................................... 70 
8.7 Problemas no Desenvolvimento Puberal ....................................... 74 
8.7.1 Puberdade precoce e puberdade tardia ..................................... 74 
8.7.2 Baixa estatura ............................................................................ 75 
8.7.3 Hirsutismo .................................................................................. 77 
8.7.4 Ginecomastia: ............................................................................ 78 
8.7.5 Micropênis .................................................................................. 78 
8.8 Alimentação e Nutrição .................................................................. 81 
8.8.1 Aspectos comuns e frequentes na alimentação e nutrição ........ 81 
8.8.2 Avaliação nutricional de adolescentes ....................................... 82 
9 ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DO ADOLESCENTE ........................ 84 
9.1 Consulta ......................................................................................... 84 
9.2 Saúde mental ................................................................................. 88 
9.3 Planejamento Reprodutivo ............................................................. 89 
9.4 Cuidado Integrado na Atenção Básica frente às IST/HIV/aids e 
Hepatites Virais .................................................................................................... 92 
9.5 Gravidez na adolescência .............................................................. 94 
9.5.1 Teste rápido de gravidez (TRG) ................................................. 95 
 
5 
 
9.6 Acompanhamento pré-natal da adolescente .................................. 97 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................... 100 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
1 INTRODUÇÃO 
Prezado (a) aluno (a)! 
 
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante 
ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro quase improvável, um 
aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma 
pergunta , para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum 
é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão 
a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as 
perguntas poderão ser direcionadas ao protocoloem tempo oportuno. 
As ações de cuidado para crianças no campo específico da atenção à saúde 
mental devem seguir as diretrizes operacionais pautadas pelo reconhecimento e 
acolhimento da demanda de cada um, com Projeto Terapêutico Singular (PTS), 
levando em conta: 
 
 
38 
 
• Adoção de medidas voltadas para o cuidado, seja por meio de recursos 
próprios do serviço, seja em outro dispositivo da saúde ou de outra política 
social, caso em que deve ser feito o encaminhamento responsável. 
• Gestão do cuidado, de modo a sustentar, em todo o processo, a condição da 
criança como sujeito de direitos e de responsabilidades, em sua dimensão 
subjetiva e social. 
• Comprometimento dos responsáveis pela criança a ser cuidada, tanto os 
familiares como os agentes institucionais. 
• Produção do cuidado, fundamentado nos recursos teórico-práticos e de 
saberes disponíveis aos profissionais, técnicos ou equipe atuantes no serviço, 
envolvendo a discussão com os demais membros da equipe. 
• Manutenção de canais abertos de articulação com outros equipamentos do 
território, de modo a operar com a lógica da rede ampliada de atenção; 
especialmente nos casos de alteração de comportamento. 
• Orientação para que as ações sejam tomadas em sua dimensão territorial, ou 
seja, considerando as múltiplas e singulares configurações delineadas em 
seus trajetos de vida. 
 
5.10 Saúde da Criança na Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças 
Crônicas 
A garantia da integralidade da atenção, almejada pela PNAISC, tem nas 
doenças crônicas um dos maiores desafios, pela variedade e complexidade de 
patologias e agravos crônicos que hoje afetam as crianças que a cada dia morrem 
menos de agravos agudos e, por outro lado, a exigência que estas trazem à gestão 
e à atenção do SUS, de articulação em rede, da ampla gama de serviços e 
profissionais necessários para seu cuidado integral. 
A Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas, instituída 
pela Portaria n.º 483, de 1º de abril de 2014 (BRASIL, 2014b), tem como finalidade 
realizar a atenção de forma integral às pessoas, neste caso às crianças com doenças 
crônicas, em todos os pontos de atenção, com oferta de ações e serviços de 
promoção e proteção da saúde, prevenção de agravos, diagnóstico, tratamento, 
reabilitação, redução de danos e manutenção da saúde. 
 
39 
 
O objetivo dessa rede é fomentar a mudança do modelo de atenção, com 
fortalecimento da Atenção Básica, por meio da qualificação da atenção integral às 
crianças com doenças crônicas e da ampliação das estratégias para promoção da 
saúde e para prevenção do desenvolvimento dessas doenças e suas complicações, 
entre elas o câncer, que dispõe de uma Política Nacional de Prevenção e Controle 
do Câncer, segundo a Portaria n.º 874, de 16 de maio de 2013 (BRASIL, 2013). 
Para superar os desafios das doenças crônicas no Brasil, no ano de 2013 o 
MS definiu as “Diretrizes para o cuidado das pessoas com doenças crônicas nas 
redes de atenção à saúde”. Alguns atributos são indispensáveis na organização dos 
processos de trabalho, voltados para o cuidado da criança com doença crônica, 
ressaltando: o acolhimento, a atenção centrada na criança e na família, o cuidado 
continuado e a atenção programada, a equipe interdisciplinar, o Projeto Terapêutico 
Singular e o fomento do autocuidado. 
Tal organização dos serviços precisa se dar por regiões de saúde, entre outros 
motivos, pelo fato da maior parte dos municípios brasileiros ser de pequeno porte, 
possuindo apenas serviços de Atenção Básica, havendo a necessidade de se 
organizar a Rede de Atenção à Saúde (RAS) na região, com definição de serviços 
de referência regionais. 
Inclusive, sempre que possível, com a estruturação destes serviços em locais 
de vazio assistencial, ampliando a cobertura populacional de atenção especializada 
para as doenças crônicas. Os diferentes níveis de cuidado devem ter uma efetiva 
organização regionalizada, para ampliar acesso e relação solidária de profissionais 
da Atenção Básica e de especialistas, facilitando a prestação de serviços de saúde 
de qualidade, definição de responsabilidades, comunicação e a transferência segura 
quando necessária. 
5.11 A Organização dos Pontos de Atenção para o Cuidado de Crianças na 
Rede 
A Atenção Básica (AB) deve dar respostas às necessidades que as crianças 
com doenças crônicas apresentam na vida familiar, social e escolar. Tem papel-
chave como coordenadora do cuidado, com a responsabilidade de realizar a atenção 
integral e contínua e de ser a porta de entrada prioritária. A AB deve realizar ações 
de promoção à saúde, de prevenção de agravos e também articular com a atenção 
 
40 
 
especializada a oferta do diagnóstico, do tratamento e da reabilitação para que a 
atenção seja resolutiva no cuidado às crianças com doenças crônicas, tais como as 
respiratórias, as endócrinas, as cardiovasculares e as oncológicas, sendo que muitos 
se beneficiam de um seguimento compartilhado entre AB e os serviços 
especializados. 
A Atenção Especializada é traduzida como conjunto de diversos pontos de 
atenção com diferentes densidades tecnológicas para a realização de ações 
específicas: como serviços de urgência e emergência, ambulatórios especializados 
e serviços hospitalares. Deve apoiar e complementar os serviços da Atenção Básica 
de forma resolutiva e em tempo oportuno, níveis: 
 
Ambulatorial: Serviço especializado com ações eletivas de média e alta 
complexidade. 
Hospitalar: Ponto de atenção estratégico voltado para as internações eletivas 
e/ou de urgência de pacientes agudos ou crônicos agudizados. 
Urgência/Emergência: Ponto de atenção com ações voltadas aos usuários 
que necessitam de cuidados imediatos em caráter de urgência, inclusive 
pacientes com agudização das condições crônicas. 
 
Na Atenção Hospitalar, com serviços de internação pediátrica, devem ser 
levadas em consideração as peculiaridades da criança e a importância do lúdico 
como contribuição ao processo terapêutico, socioafetivo e educativo, de acordo com 
a faixa etária. Esses estabelecimentos devem dispor de brinquedotecas nas suas 
dependências de acordo com a Lei n. º 11.104, de 21 de março de 2005, espaços 
de lazer e de convivência da criança com a família. 
A Atenção Domiciliar constitui oferta essencial na Rede de Atenção à Saúde 
para se garantir uma atenção integral e humanizada às crianças com agravos 
crônicos que dificultam sua mobilização do domicílio ou, muitas vezes, até do leito, 
seja aquela atenção realizada pelas equipes de Atenção Básica/equipes de Saúde 
da Família, com apoio, se necessário, por profissionais dos Nasfs, seja aquela de 
maior complexidade, cujo cuidado é feito por Equipes Multidisciplinares de Atenção 
Domiciliar (Emad). 
No caso de crianças acometidas por doenças crônicas complexas, como 
aquelas que, em grande número, ainda ocupam leitos de UTI/UCI Neonatal ou UTI/ 
 
41 
 
UCI Pediátrica pelo País, seja em longas internações, ou mesmo por tempo 
indeterminado, como “moradoras”, a Atenção Domiciliar, substituindo a Internação 
Hospitalar, constitui importante alternativa a ser perseguida, considerando a 
humanização do atendimento à criança, no seu lar, junto a sua família, o que traz 
conhecidos benefícios à sua recuperação. Além disso, favorece a disponibilização 
de caros e frequentemente disputados leitos intensivos ou semi-intensivos, com 
significativa diminuição de custos da assistência final. 
 
6 ACOMPANHAMENTO DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL 
O acompanhamento do desenvolvimento infantil corresponde a um conjunto 
de ações contínuas realizadas no âmbito da atenção à saúde da criança, envolvendo 
vigilância clínica, escuta qualificada das famílias e aplicação de instrumentos 
padronizados em momentos específicos do cuidado. Segundo Coker et al. (2024), 
essas ações integram o acompanhamento rotineiro da criança e visam assegurara 
identificação oportuna de alterações no desenvolvimento, respeitando as 
singularidades individuais e contextuais 
Avaliar o crescimento e desenvolvimento infantil é uma das atribuições do 
enfermeiro na Estratégia Saúde da Família e parte integrante da consulta de 
enfermagem à criança. Nesta seção vamos discutir conceitos, fatores 
influenciadores e atuação do enfermeiro. 
6.1 Fatores Intrínsecos e Extrínsecos 
Freitas (2024) afirma que o desenvolvimento infantil resulta da interação 
dinâmica entre fatores biológicos, ambientais e relacionais, sendo influenciado por 
condições gestacionais, experiências precoces, estímulos recebidos e contextos 
familiares e sociais. A progressão dessas aquisições segue uma sequência 
relativamente previsível, organizada por marcos do desenvolvimento que permitem 
acompanhar o ritmo e a qualidade do crescimento infantil ao longo dos primeiros 
anos de vida 
 
42 
 
Os fatores intrínsecos ou internos são aqueles relacionados às determinações 
genéticas ou à herança que as crianças recebem de seus antepassados. Esse 
potencial genético pode ou não ser atingido em plenitude, desde que as influências 
do meio ambiente onde a criança vive possam contribuir para tal. 
A criança pode ter, por exemplo, potencial genético para atingir a altura 
correspondente a 1.90m quando adulta (fator intrínseco), porém, caso seu 
desenvolvimento seja influenciado por fatores extrínsecos, como alimentação 
deficiente, baixa renda familiar, baixo grau de escolaridade dos pais, condições 
precárias de saneamento básico, doenças recorrentes na infância, esse potencial 
pode não ser alcançado, e a altura final será, pois, inferior àquela esperada. 
Sobre o crescimento intrauterino, é importante para o enfermeiro conhecer as 
condições de vida que podem interferir negativamente no peso de nascimento. Na 
sua área de abrangência, provavelmente existem mulheres gestantes nestas 
condições: 
• Com doenças maternas infecciosas 
• Com doenças sexualmente transmissíveis 
• Com hipertensão arterial na gestação 
• Com baixo peso ou sobrepeso 
• Menores de 15 e maiores que 35 anos 
• Com altura materna inferior a 1.50m 
• Usuárias de drogas lícitas e ilícitas 
• Fumantes. 
6.2 O Crescimento Pós-neonatal 
A primeira infância constitui um período caracterizado por rápidas 
transformações estruturais e funcionais do sistema nervoso central, envolvendo 
processos contínuos de maturação neurológica e aquisição de habilidades 
fundamentais ao desenvolvimento humano. 
Nesse intervalo, ocorrem avanços significativos nas dimensões motora, 
cognitiva, linguística, socioemocional e adaptativa, que sustentam a organização das 
funções essenciais ao longo do ciclo vital, tornando esse período estratégico para o 
acompanhamento do desenvolvimento infantil. 
 
43 
 
Panceri (2022) explana que os marcos do desenvolvimento funcionam 
como parâmetros clínicos utilizados no acompanhamento da criança, abrangendo 
habilidades como controle postural, coordenação motora, comunicação, interação 
social e resolução de problemas. A observação sistemática desses indicadores 
possibilita reconhecer padrões compatíveis com o desenvolvimento esperado para 
cada faixa etária, bem como identificar desvios no percurso do 
neurodesenvolvimento ainda na primeira infância 
O acompanhamento do crescimento pós-neonatal faz parte da consulta de 
enfermagem à criança. Na vida intrauterina, a cabeça da criança é a parte do corpo 
que mais cresce e representa 50% do tamanho total do corpo. Já na fase pós-
neonatal, o desenvolvimento do tronco e das pernas é maior. 
Em alguns tecidos, o crescimento é contínuo, em outros, ocorre por estágios, 
como o da puberdade, por exemplo. O crescimento ósseo termina assim que a 
maturidade do esqueleto estiver completa. Uma das características da criança é que 
o crescimento é acelerado até os dois anos de idade e sofre desaceleração entre os 
dois e cinco anos. 
6.3 Instrumentos de Avaliação do Crescimento Infantil 
A utilização de instrumentos estruturados de triagem do desenvolvimento 
constitui uma prática complementar à vigilância clínica, permitindo uma avaliação 
sistematizada das habilidades infantis. Esses instrumentos são empregados em 
idades previamente definidas e contribuem para padronizar o acompanhamento do 
desenvolvimento, favorecendo a organização do cuidado e o registro das 
informações relacionadas ao progresso da criança. 
As práticas de cuidado voltadas ao desenvolvimento infantil envolvem não 
apenas a aplicação de instrumentos, mas também a articulação entre profissionais, 
serviços e famílias. Esse conjunto de práticas inclui a orientação aos cuidadores, o 
acompanhamento longitudinal e a integração das informações obtidas durante as 
consultas, compondo uma abordagem ampliada do cuidado infantil na primeira 
infância. 
A avaliação do crescimento e desenvolvimento infantil é parte essencial da 
consulta de enfermagem. Para avaliar o crescimento infantil, é necessário pesar a 
 
44 
 
criança, medir sua altura e registrar esses dados em gráficos, que vão mostrar se 
peso, altura e perímetro cefálico estão adequados para a idade. 
Registre os dados aferidos nas curvas de peso, estatura e perímetro cefálico 
e verifique o crescimento da criança. A utilização das curvas de referência permite 
realizar: 
 
• Avaliação transversal: registro dos dados antropométricos (dimensões e 
proporções do corpo) de uma criança. 
• Avaliação longitudinal: traçado do canal de crescimento da criança. 
• Classificação do estado nutricional: comparação do crescimento da 
criança com os referenciais de normalidade. 
• Intervenção precoce: identificação precoce de alterações no crescimento de 
uma criança. 
 
Coker et al. (2024) destacam que a qualidade dessas práticas de cuidado está 
relacionada à forma como o monitoramento do desenvolvimento é incorporado à 
rotina dos serviços de saúde. Aspectos como organização do fluxo assistencial, 
capacitação das equipes, disponibilidade de tempo nas consultas e integração dos 
registros clínicos influenciam diretamente a efetividade do acompanhamento do 
desenvolvimento infantil. O Quadro 1 demonstra os índices antropométricos e suas 
características. 
Quadro 1 – Índices antropométricos e suas características 
Índices 
antropométricos 
Características 
Equipamentos 
necessários 
Peso/Idade 
• Altera-se 
precocemente em 
vários agravos. 
• Obtêm-se com 
facilidade. 
• Apresenta relação 
com o bem-estar 
geral. 
• Balança horizontal 
(até 16kg). 
• Balança plataforma 
tipo adulto. 
 
45 
 
Altura/Idade 
• Altera-se tardiamente 
em relação à 
desnutrição. 
• Revela processo 
crônico. 
• Régua antropométrica 
horizontal. 
• Régua antropométrica 
vertical ou de parede. 
Perímetro 
encefálico/Idade 
• Altera-se em eventos 
de gravidade 
relacionados ao 
sistema nervoso 
central. 
• É útil até os 2 anos. 
• Fita métrica 
Fonte: Elaborado pelo autor. 
 
O Ministério da Saúde recomenda um calendário mínimo de consultas 
exclusivas para o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil. Um 
dos profissionais que realiza esse tipo de acompanhamento é o enfermeiro. 
6.4 O Desenvolvimento Infantil 
Alguns atos atribuídos ao desenvolvimento infantil são sustentar a cabeça, 
sentar-se com ou sem apoio, engatinhar, caminhar, falar, sorrir, aprender a pular com 
um pé só, interagir com as pessoas que a cercam, aprender a ler e escrever, mas 
sempre é bom lembrar que a criança está sempre em constante transformação e 
apresenta uma sequência previsível de desenvolvimento neuropsicomotor. 
Levando-se em conta que o desenvolvimento infantil está diretamente 
relacionado ao biológico e ao meio ambiente onde a criança vive, qualquer 
intercorrência neste aspecto pode representar fator de risco. Como exemplos de 
risco para o desenvolvimento infantil, destacam-se estes: síndromes genéticas,hipóxia neonatal, infecções pré, peri e pós-natais, violência intrafamiliar, condições 
precárias de vida, baixa escolaridade dos pais, falta de afeto das pessoas que 
cuidam da criança. 
O desenvolvimento segue tendências direcionais, de acordo com a maturação 
cerebral. Sendo assim, podemos classificar três padrões de desenvolvimento: 
 
46 
 
 Padrão céfalo-podálico: demonstra que o desenvolvimento segue o sentido 
cabeça para os pés. Primeiro a criança sustenta a cabeça, para depois sustentar 
o tronco. 
Padrão proximal-distal: de perto para longe, da região proximal para a distal, ou 
seja, primeiro controla os ombros, para depois controlar os braços; primeiro pega 
um objeto com toda a mão, para depois pegar um objeto com o polegar e o 
indicador (movimento de pinça). 
Padrão da diferenciação: das atividades mais simples para as mais complexas. 
Primeiro brinca sozinha, para depois socializar a brincadeira. 
6.5 Avaliação do Desenvolvimento Infantil 
 Para avaliar o desenvolvimento, é necessário fazer perguntas para quem 
cuida da criança em sua rotina. As respostas e observações da mãe ou do cuidador 
nunca devem passar despercebidas ou serem consideradas sem importância, pois 
é essa pessoa que conhece melhor a criança. 
No decorrer da avaliação, é fundamental observar se há ou não interação 
entre a criança e a mãe, se a criança se sente segura, se observa o ambiente onde 
está, ou se tenta pegar objetos que estejam ao seu alcance durante a consulta. 
Dessa forma, é possível conhecer um pouco sobre o seu desenvolvimento. 
As perguntas devem ser amplas e bem formuladas para que não deem opção 
simples de resposta, como SIM ou NÃO, mas respostas que forneçam explicações 
com detalhes sobre o assunto questionado, no caso, abrangendo o período pré-natal 
e nascimento. É importante saber da mãe: 
• Se fez o mínimo de 6 consultas de pré-natal 
• Se fez uso drogas lícitas ou ilícitas na gestação 
• Se teve alguma doença infecciosa, pressão alta (pré-eclâmpsia, 
eclampsia) durante a gestação 
• Como se deu o parto 
• Quanto tempo durou o parto 
• Em caso de parto normal: se a criança chorou logo ao nascer, qual foi 
o valor do ápgar, o peso de nascimento, se teve algum problema de 
 
47 
 
saúde logo após o nascimento, como infecções ou icterícia, se precisou 
ficar internada no berçário ou UTI neonatal. 
 
O enfermeiro, ao avaliar a criança durante a consulta de enfermagem, poderá 
detectar precocemente possíveis dificuldades no cumprimento dos marcos do 
desenvolvimento e proporcionar à criança e à sua família opções diversas para 
estimulá-lo, ou tomar outras medidas necessárias como, por exemplo, o 
encaminhamento da criança ao médico da equipe, ou centros especializados de 
referência. 
Para avaliar o desenvolvimento, também se faz necessário o uso de 
instrumento de registro. A Ficha de Acompanhamento do Desenvolvimento Infantil é 
uma forma prática e simples para realizar esse acompanhamento (Figura 3). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
48 
 
Figura 3 – Ficha de acompanhamento do Desenvolvimento Infantil 
 
Fonte: https://x.gd/I5MzL 
O enfermeiro é membro essencial da Equipe de Saúde da Família. Suas 
atribuições são complexas e demandam conhecimento científico acerca das várias 
interfaces que permeiam a Estratégia Saúde da Família. Diante de tantas atribuições, 
sejam estas comuns a todos os membros da equipe, sejam específicas do 
enfermeiro, sempre é necessário planejar a assistência. 
O uso do SAE – Sistematização da Assistência de Enfermagem, é essencial 
para o desenvolvimento do trabalho do enfermeiro no acompanhamento pueril, 
sendo necessário, muitas vezes, recorrer às terminologias empregadas em 
enfermagem e sua incorporação na prática profissional. 
 
49 
 
Um exemplo de como seria as intervenções, no diagnóstico de enfermagem: 
desenvolvimento inadequado de uma criança (Quadro 2). 
 
Quadro 2 – Exemplo de intervenções do enfermeiro 
Intervenções Responsável 
Brincar com a criança Usuário 
Conversar com a criança Usuário 
Demonstrar carinho à criança durante os cuidados Usuário 
Encaminhar para consulta médica Enfermeiro 
Esclarecer mãe/cuidador sobre as fases do desenvolvimento 
de acordo com a idade da criança 
Enfermeiro 
Estimular a criança a movimentar-se livremente Usuário 
Estimular mãe/cuidador a demonstrar carinho durante os 
contatos com a criança 
Enfermeiro 
Investigar a expectativa da mãe/cuidador frente ao 
desenvolvimento da criança em relação à idade 
Enfermeiro 
Investigar possibilidade de negligência à criança Enfermeiro 
Orientar mãe/cuidador a conversar com a criança Enfermeiro 
Programar monitoramento domiciliar Enfermeiro 
Retornar no dia e horário agendados Usuário 
Fonte: Elaborado pelo autor. 
6.6 Alimentação da criança 
A infância é um período em que se desenvolve grande parte das 
potencialidades humanas. Os distúrbios que incidem nessa época são responsáveis 
por graves consequências para indivíduos e comunidades. 
O aleitamento materno é a mais sábia estratégia natural de vínculo, afeto, 
proteção e nutrição para a criança e constitui a mais sensível, econômica e eficaz 
intervenção para redução da morbimortalidade infantil. Permite ainda um grandioso 
impacto na promoção da saúde integral da dupla mãe/bebê e regozijo de toda a 
sociedade. 
Se a manutenção do aleitamento materno é vital, a introdução de alimentos 
seguros, acessíveis e culturalmente aceitos na dieta da criança, em época oportuna 
 
50 
 
e de forma adequada, é de notória importância para o desenvolvimento sustentável 
e equitativo de uma nação, para a promoção da alimentação saudável em 
consonância com os direitos humanos fundamentais e para a prevenção de 
distúrbios nutricionais de grande impacto em Saúde Pública. 
Porém, a implementação das ações de proteção e promoção do aleitamento 
materno e da adequada alimentação complementar depende de esforços coletivos 
intersetoriais e constitui enorme desafio para o sistema de saúde, numa perspectiva 
de abordagem integral e humanizada. 
 
6.6.1 Aleitamento Materno 
 
O hábito alimentar já é adquirido na infância, e o fator cultural é muito 
importante neste processo. O aleitamento materno exclusivo nos primeiros 6 meses 
de vida é fator contribuinte para a redução da mortalidade infantil. 
A recomendação prioritária é que a criança receba exclusivamente o leite 
materno até que complete seis meses de idade. A Organização Mundial da Saúde 
(OMS) adotou e definiu o aleitamento materno em: 
 
• Aleitamento materno exclusivo: quando a criança recebe somente leite 
direto da mama ou ordenhado, ou leite humano de outra fonte, sem outros 
líquidos ou sólidos, com exceção de gotas ou xaropes contendo vitaminas, 
sais de reidratação oral, suplementos minerais ou medicamentos. 
• Aleitamento materno predominante: quando a criança recebe, além do 
Aleitamento materno predominante leite materno, água ou bebidas à base de 
água (água adocicada, chás, infusões), sucos de frutas e fluidos rituais. 
• Aleitamento materno: quando a criança recebe leite materno (direto da 
mama ou ordenhado), independentemente de receber ou não outros 
alimentos. 
• Aleitamento materno complementado: quando a criança recebe, além do 
leite materno, qualquer alimento sólido ou semi-sólido com a finalidade de 
complementá-lo, e não de substituí-lo. Nessa categoria a criança pode 
receber, além do leite materno, outro tipo de leite, mas este não é considerado 
alimento complementar. 
 
51 
 
• Aleitamento materno misto ou parcial: quando a criança recebe leite 
materno e outros tipos de leite. 
• Fluidos rituais: embora a OMS não reconheça os fluidos rituais (poções, 
líquidos ou misturas utilizadas em ritos místicos ou religiosos) como exceção 
possível inserida na definição de aleitamento materno exclusivo, o Ministério 
da Saúde, considerando a possibilidade do usode fluidos rituais com 
finalidade de cura dentro de um contexto intercultural e valorizando as 
diversas práticas integrativas e complementares, apoia a inclusão de fluidos 
rituais na definição de aleitamento materno exclusivo, desde que utilizados 
em volumes reduzidos, de forma a não concorrer com o leite materno. 
 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde 
recomendam aleitamento materno exclusivo por seis meses e complementado até 
os dois anos ou mais. Não há vantagens em se iniciar os alimentos complementares 
antes dos seis meses, podendo, inclusive, haver prejuízos à saúde da criança, pois 
a introdução precoce de outros alimentos está associada a: 
• Maior número de episódios de diarreia; 
• Maior número de hospitalizações por doença respiratória; 
• Risco de desnutrição se os alimentos introduzidos forem 
nutricionalmente inferiores ao leite materno, como, por exemplo, 
quando os alimentos são muito diluídos; 
• Menor absorção de nutrientes importantes do leite materno, como o 
ferro e o zinco; 
• Menor eficácia da lactação como método anticoncepcional; 
• Menor duração do aleitamento materno. 
 
Para que a amamentação seja eficaz, é preciso que o bebê consiga a pega 
adequada. Caso isso não ocorra, ele não ficará saciado, e a mãe poderá apresentar 
várias intercorrências que podem culminar com o fim da amamentação, como por 
exemplo, o ingurgitamento mamário, fissura mamilar, mastite. Erros na pega podem 
determinar o sucesso ou insucesso na amamentação, por isso, os profissionais de 
saúde devem estar atentos em orientar e ajudar a mãe em relação ao 
posicionamento correto. 
 
52 
 
Os sinais que indicam que a pega está adequada são os que seguem: 
• Boca do bebê abocanhando toda a aréola e não apenas o mamilo; 
• Barriga do bebê encostada na barriga da mãe; 
• Lábios bem abertos, lábio inferior voltado para fora (boca de peixinho); 
• Queixo do bebê encostado no seio da mãe. 
 
Quando a pega é correta, a amamentação transcorre sem traumas, o bebê 
fica saciado por mais tempo, consegue esvaziar a mama de forma adequada, 
consequentemente ganha peso e diminui ou anula o risco de problemas na 
amamentação. Na criança em aleitamento materno, o ganho de peso deve ser 
superior a 20 gramas/dia. 
 
6.6.2 Alimentação Complementar 
 
Os alimentos complementares são oferecidos às crianças após os seis meses 
de idade, uma vez que até então ela estará recebendo o leite materno. É importante 
que a introdução dos novos alimentos seja realizada após essa data, uma vez que a 
criança já terá adquirido habilidades importantes para que a aceitação desses 
alimentos ocorra de forma mais rápida e prazerosa. 
Como o próprio nome indica, a alimentação é complementar, ou seja, a partir 
desta idade a criança continuará recebendo leite materno e terá a complementação 
de outros alimentos a fim de suprir suas necessidades em relação às proteínas, sais 
minerais, energia, vitaminas, água e gordura. É fundamental que seja respeitado o 
hábito alimentar da família e que os alimentos sejam oferecidos com segurança. 
A introdução de alimentos complementares após o sexto mês de vida deve 
ser gradual, respeitando-se a aceitação da criança. Quando uma criança não aceita 
determinado alimento, é necessário oferecê-lo até dez vezes para se ter certeza de 
que ela não aprova aquele sabor. Mesmo que não o aceite, é importante colocá-lo 
no prato, pois isso pode estimulá-la a comê-lo, principalmente se outros membros da 
família o fazem. 
As frutas devem ser amassadas ou raspadas e não devem ter adição de 
açúcar. Os sucos devem ser naturais e não artificiais e não devem substituir uma 
refeição, mas sim atuar como um complemento. O consumo de frutas da estação 
 
53 
 
deve ser estimulado, principalmente devido à facilidade de acesso em relação à 
disponibilidade e preço. 
 A refeição salgada deve conter tubérculos, cereais, verduras e carne, 
principalmente a vermelha. Nunca deve ser batida no liquidificador ou passada pela 
peneira. Os alimentos devem ser cozidos com água suficiente para cobri-los. Após 
o seu cozimento, devem ser amassados com um garfo. A consistência correta é a 
de purê e não de sopa. 
A criança pode também, nesta idade, receber duas papas de frutas (uma no 
intervalo da manhã e outra no intervalo da tarde) e uma papa salgada no almoço. O 
leite materno deve continuar sendo oferecido no restante do período. 
A partir dos sete meses a criança recebe também a papa salgada no jantar e, 
aos oito meses, a consistência do alimento já pode ser semelhante à dos alimentos 
da família para que, aos doze meses, a criança já possa se alimentar com a mesma 
refeição ofertada às pessoas que convivem com ela. 
6.7 Desnutrição infantil 
A Desnutrição é uma doença de natureza clínico-social e multifatorial, cujas 
raízes se encontram na pobreza. A desnutrição grave acomete todos os órgãos da 
criança, tornando-se crônica e levando a óbito, caso não seja tratada 
adequadamente. 
 Pode começar precocemente na vida intrauterina (baixo peso ao nascer) e, 
frequentemente, cedo na infância, em decorrência da interrupção precoce do 
aleitamento materno exclusivo e da alimentação complementar inadequada nos 
primeiros 2 anos de vida, associada, muitas vezes, à privação alimentar ao longo da 
vida e à ocorrência de repetidos episódios de doenças infecciosas como a diarreia e 
infecções respiratórias agudas. 
Entende-se que a desnutrição é multifatorial, pois não ocorre apenas devido 
à falta de alimento, ela pode ser causada por várias razões, como por exemplo: falta 
de alimentos, oferta de alimentos de baixa qualidade, doenças que dificultam a 
absorção, processos infecciosos de repetição, vínculo fraco entre mãe e filho. 
As crianças que não são adequadamente nutridas podem ter carências 
específicas como a hipovitaminose A e a carência de ferro. A deficiência de vitamina 
A pode levar a criança ao risco de cegueira (cegueira noturna, xeroftalmia ou 
 
54 
 
queratomalácia). A vitamina A protege a visão, evita a diarreia e diminui o risco de 
sarampo. Já a deficiência de ferro é a causadora da anemia ferropriva, que acomete 
muitas crianças brasileiras. 
Crianças com idade entre 6 a 12 meses merecem cuidado especial em relação 
à ingesta de alimentos que contenham ferro. Na falta deste, a criança fica vulnerável 
ao desenvolvimento de anemia por deficiência desse micronutriente, o que prejudica 
o seu crescimento e desenvolvimento. O consumo diário de carne, miúdos (no 
mínimo uma vez por semana) e suco de fruta natural, fonte de vitamina C, após o 
almoço e jantar, aumenta a absorção do ferro não heme. 
Crianças de 6 a 18 meses devem receber o suplemento de ferro disponível 
nas Unidades Básicas de Saúde e de Saúde da Família de forma preventiva. A 
criança com desnutrição grave pode apresentar características muito peculiares, 
como o emagrecimento acentuado visível, quando os ossos ficam aparentes, o 
abdômen proeminente, os cabelos quebradiços e sem brilho e o glúteo e pernas com 
“sinal da calça larga”, ou seja, a gordura corporal desaparece, e a pele fica enrugada 
como se a criança estivesse vestindo uma calça larga. 
O edema também indica desnutrição grave, embora a criança possa 
apresentar uma aparência física de estar mais gordinha. De acordo com a estratégia 
da AIDPI, o enfermeiro, mediante avaliação da criança, pode realizar as 
classificações apresentadas no Quadro 3. 
 
Quadro 3 – Classificação para crianças de 2 meses a menor de 5 anos de 
idade 
Sinais Classificação Tratamento 
Emagrecimento acentuado 
visível ou edema em ambos 
os pés; 
 
DESNUTRIÇÃO 
GRAVE 
• Dar vitamina A. 
• Tratar a criança para evitar 
hipoglicemia. 
• Recomendar à mãe a manter a criança 
agasalhada. 
• Referir URGENTEMENTE para 
tratamento. 
 
55 
 
Peso muito baixo para a 
idade (abaixo da linha 
inferior do espelho do 
cartão). 
PESO MUITOBAIXO 
• Avaliar a alimentação da criança e 
ensinar a mãe a tratar a criança com 
peso muito baixo em casa. 
• Para crianças menores de 6 meses, se 
tiver problemas com a amamentação, 
marcar retorno para dois dias. 
• Marcar retorno em cinco dias 
Peso baixo para a idade 
(entre a linha inferior e a 
linha média do cartão) ou 
ganho de peso insuficiente. 
PESO BAIXO 
 OU GANHO 
INSUFICIENTE 
• Avaliar a alimentação da criança e 
orientar a mãe. 
• Para crianças menores de 6 meses, se 
tiver problemas com a amamentação, 
marcar retorno para dois dias. 
• Marcar retorno em 30 dias. 
Peso para a idade não é 
baixo e nenhum outro sinal 
de desnutrição. 
O PESO NÃO É 
BAIXO 
• Se a criança tiver menos de 2 anos de 
idade, avaliar a sua alimentação e 
orientar a mãe 
Fonte: Elaborado pelo autor. 
Em relação aos principais tipos de desnutrição, podem ser citados os seguintes: 
Marasmo 
O marasmo, tipo de desnutrição mais comum no Brasil, é decorrente da falta 
total de alimentos, levando ao quadro de desnutrição proteico-calórica. Nesse caso 
a criança apresenta os sinais de emagrecimento acentuado visível. Quando a 
desnutrição se dá devido às condições precárias de vida, como a falta do alimento, 
por exemplo, é possível que toda a família da criança esteja desnutrida. O marasmo 
é sinal de miséria. É muito triste ver uma família nessa situação. O apetite da criança 
é preservado no marasmo. 
 
Kwashiorkor 
O kwashiorkor também é um tipo de desnutrição grave e caracteriza-se 
principalmente pelo edema em ambos os pés da criança. Está relacionado à 
deficiência proteica. Nesse caso, o cabelo é fi no e ralo, a pele é ressecada e a 
 
56 
 
criança tem um olhar triste, conhecido como olhar de miséria. O apetite da criança é 
diminuído no kwashiorkor. Utilizamos o termo “Desnutrição” quando o caso é 
considerado grave pela estratégia AIDPI (Marasmo ou Kwashiorkor); nas demais 
classificações, utilizaremos os termos Baixo Peso, Muito Baixo Peso. 
6.8 AIDPI – Atenção Integrada a Doenças Prevalente na Infância 
A AIDPI tem por finalidade promover uma rápida e significativa redução da 
mortalidade na infância. Trata-se de uma abordagem da atenção à saúde na infância, 
desenvolvida originalmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo 
Fundo das Nações Unidas para a Infância e a Adolescência (UNICEF), 
caracterizando-se pela consideração simultânea e integrada do conjunto de doenças 
de maior prevalência na infância, ao invés do enfoque tradicional que busca abordar 
cada doença isoladamente, como se ela fosse independente das demais doenças 
que atingem a criança e do contexto em que ela está inserida. 
7 A ATENÇÃO PSICOSSOCIAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES – SAÚDE 
MENTAL 
Não há produção de saúde sem produção de saúde mental. Logo, é preciso 
levar em conta que, ao se receber cuidados em saúde, devem ser consideradas as 
dimensões biológica, psíquica e social dos indivíduos. Se uma criança ou um 
adolescente apresenta algum grau de sofrimento (com angústias, medos, conflitos 
intensos, por exemplo), não será possível tratar sua saúde sem considerar esse 
componente emocional/relacional significativo. 
Muitos sintomas físicos têm origem em situações de sofrimento psíquico de 
origens diversas (na relação com instituições, com a família e consigo mesmo, entre 
outras). Em muitos casos, por exemplo, o uso de álcool e outras drogas pode estar 
associado à tentativa pessoal de manejo de um sofrimento. 
No Brasil, existem cerca de 57,6 milhões de crianças e adolescentes. Essa 
população deve ter suas necessidades psicossociais atendidas, conforme o seu 
processo particular de desenvolvimento, uma tarefa muito desafiadora, já que se 
 
57 
 
trata de uma categoria social de construção recente e negligenciada nas políticas e 
nos programas de saúde, principalmente nas políticas relacionadas à saúde mental. 
A inclusão das crianças e adolescentes nas políticas de saúde mental só 
começou a ser efetuada no começo do século XXI em território brasileiro, mediante 
a implantação de instituições, como o CAPSij (Centro de Atenção Psicossocial 
Infantojuvenil), a fim de formular estratégias de articulação intersetorial. 
Esses serviços se encarregam de acolher as demandas de crianças e 
adolescentes com transtornos intelectuais graves, além de coordenar uma rede de 
atenção direcionada a essa população. 
Também vale destacar o desenvolvimento da RAPS (Rede de Atenção 
Psicossocial), que procura articular as estratégias de cuidado em saúde, de modo 
contínuo e integral, com o intuito de criar vínculos de forma horizontal, não apenas 
entre pessoas, mas também entre serviços. 
A RAPS permitiu um grande avanço na atenção à saúde mental dos 
brasileiros, já que aumentou a acessibilidade ao cuidado em saúde mental, com 
orientação da assistência a usuários e comunidades a partir da Atenção Primária à 
Saúde. Além disso, a RAPS redireciona o cuidado em territórios de vida, mediante 
ações intersetoriais. 
Os CAPSij fazem parte da RAPS de forma horizontal pelo fato de se 
caracterizarem como uma clínica ampliada, em que o cuidado é feito de forma 
interdisciplinar e intersetorial. Este ponto de vista possibilita entender o ambiente 
social em que a criança ou o adolescente se insere, mas também permite a atuação 
dos profissionais de saúde junto a outros agentes e serviços, cuja dimensão de ação 
é a própria rede e o território. 
Mesmo com os avanços citados, ainda existem fragilidades que merecem 
atenção. A problemática da desarticulação dos serviços em assistência para saúde 
mental pode dificultar a implantação de estratégias no cuidado ao usuário, pois 
precariza os vínculos entre pacientes, profissionais e setores. 
Tais fragilidades são ainda maiores no contexto da saúde mental 
infantojuvenil, uma vez que existem dificuldades na viabilização do RAPS nos 
municípios, o que deixa a construção de projetos terapêuticos, as ações intersetoriais 
e de matriciamento a cargo do CAPS, consequentemente, elas ficam limitadas e 
pouco sustentadas. 
 
58 
 
Outro agravante para a promoção e a manutenção da saúde mental das 
crianças está no isolamento social, uma estratégia urgente e necessária para conter 
a progressão da pandemia causada pelo COVID-19. Um dos impactos mais 
evidentes dessa medida foi o afastamento escolar para as crianças e os 
adolescentes. 
A literatura é conclusiva ao afirmar que o processo de isolamento gerou 
impacto considerável no agravamento de situações de adoecimento psíquico por 
crianças e adolescentes, com a intensificação de ambientes pouco saudáveis. 
Mesmo com essas certezas, o olhar ao cuidado e a organização da rede de 
atenção à saúde mental infantojuvenil na pandemia deve ser reconhecido e 
legitimado, ainda que esse aspecto seja incipiente na literatura, principalmente na 
brasileira. 
Geweninger et al. (2022) afirmam que o modo como esta rede foi, ou não, 
organizada gerou consequências e impactos durante a reorganização de serviços, 
atividades e setores, pois ela precisou ser problematizada e qualificada para oferecer 
suporte social à essa população. 
Ademais, é preciso manejar as consequências previsíveis desse isolamento 
social induzido, principalmente para crianças e adolescentes, conforme suas 
particularidades. Nesse caso, existe a necessidade de encarar a situação pandêmica 
e aprender com ela, no sentido de reconstruir serviços e práticas viáveis, com foco 
na lógica psicossocial. 
Ao falarem sobre si e ao se identificarem com suas próprias histórias, a 
criança e o adolescente veem possibilidades de encontrar novos significados e novas 
formas de inserção na sociedade e na família. Posto isso, uma política de saúde 
mental infanto-juvenil deve considerar como diretrizes: 
 
• A criança e o adolescente são sujeitos e, como tal, são responsáveis por 
sua demanda e seu sintoma: São sujeitos de direitos e detentores de 
lugaresautênticos de fala. A noção de sujeito implica também a de 
singularidade, ou seja, não é possível pensar em tratamentos e abordagens 
terapêuticas de forma homogênea e prescritiva, pois vale a máxima de que 
“cada caso é um caso”. Nessa linha, é preciso reconhecer voz e escuta de 
cada criança e adolescente. Cumpre alertar que, mesmo na ausência de pais 
 
59 
 
ou responsáveis, crianças e adolescentes têm direito ao atendimento eventual 
ou não eventual. 
• Acolhimento universal: significa que as portas dos serviços devem estar 
abertas a todos aqueles que chegam com alguma necessidade de saúde e de 
saúde mental. É bastante comum neste campo da atenção à saúde mental 
infanto-juvenil que os profissionais do serviço não se sintam aptos a realizar 
o atendimento com base na alegação de que um determinado tipo de paciente 
“não tem perfil” para tal serviço (sobretudo quando se trata de usuários de 
álcool e outras drogas e ainda mais tendo cometido algum ato infracional). É 
preciso reconhecer as resistências e dificuldades dos profissionais de saúde 
em atender esta clientela e pensar em estratégias para superá-las, mas é 
imprescindível que se garanta o acolhimento da demanda (que deve ser 
recebida, ouvida e respondida). 
• O acolhimento universal não significa que os serviços de saúde e de saúde 
mental tenham que atender e acompanhar todos os casos que até ali chegam, 
mas deve fazer uma abordagem para identificar as necessidades de cada 
situação, propor alguma intervenção inicial e, quando couber, oferecer outras 
estratégias e lugares de tratamento. 
• Encaminhamento implicado e corresponsável: no caso de haver outro 
serviço que melhor se ajuste às necessidades do usuário, os profissionais que 
fizeram o acolhimento devem, de maneira implicada e corresponsável, 
promover o acompanhamento do caso até a sua inclusão e o seu atendimento 
em outro serviço (muito diferente de um procedimento administrativo e 
burocrático de preencher uma guia de encaminhamento para outro serviço). 
Muitas vezes, é preciso fazer um trabalho conjunto entre os serviços para o 
melhor atendimento do caso. Este primeiro acolhimento, aonde quer que 
chegue o usuário, pode ser determinante nos desdobramentos e na adesão 
ao tratamento. 
• Construção permanente da rede e da intersetorialidade: a partir da noção 
de clínica ampliada e da complexidade das intervenções em saúde mental, 
álcool e outras drogas, é fundamental a construção cotidiana de uma rede de 
profissionais, ações e serviços para a garantia do acesso de crianças, 
adolescentes e jovens aos cuidados nesta área. Neste sentido, é 
imprescindível a convocação dos atores intersetoriais, sem os quais não será 
 
60 
 
possível uma resposta potente aos problemas de saúde mental, álcool e 
outras drogas apresentadas pela citada população. 
• Trabalho no território: trata-se de um conceito que extrapola os sentidos 
meramente geográficos ou regionais, mas tem relação com as redes de 
relações e afetos e com as redes sociais daquele que é cuidado, que inclui a 
família, os vizinhos, a escola, a praça, o clube, os lugares de lazer etc. 
• Avaliação das demandas e construção compartilhada das necessidades 
de saúde mental: as demandas que chegam aos serviços de saúde mental 
(vindas do sujeito, da família, da escola e dos serviços da rede de saúde ou 
da rede intersetorial) devem ser discutidas e elaboradas em conjunto pelas 
equipes, pelos familiares e pelos usuários. No imaginário social há muitas 
demandas direcionadas à saúde mental, mas nem sempre elas ajudarão a 
construir intervenções potentes, porque não correspondem às necessidades 
reais dos usuários. Em algumas situações não existe nenhuma evidência de 
efetividade para o caso concreto. 
7.1 A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) 
Instituída pela Portaria MS/GM nº 3.088, de 23/12/2011,4 a RAPS prevê a 
criação, a ampliação e a articulação de pontos de atenção à saúde para pessoas 
com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de 
crack, álcool e outras drogas no âmbito do SUS. Conforme descrição do Ministério 
da Saúde, a RAPS tem os objetivos gerais de: 
 
• ampliar o acesso à atenção psicossocial da população em geral; 
• promover a vinculação das pessoas com transtornos mentais e com 
necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas e de suas 
famílias aos pontos de atenção; 
• garantir a articulação e a integração dos pontos de atenção das redes de 
saúde no território, qualificando o cuidado por meio do acolhimento, do 
acompanhamento contínuo e da atenção às urgência 
 
Dentre os objetivos específicos, vale destacar: 
 
61 
 
• promover cuidados em saúde especialmente a grupos mais vulneráveis 
(crianças, adolescentes, jovens, pessoas em situação de rua e populações 
indígenas); 
• prevenir o consumo e a dependência de álcool e outras drogas e reduzir os 
danos provocados pelo consumo; 
• promover a reabilitação e a reinserção das pessoas com transtornos mentais 
e com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas por meio 
do acesso ao trabalho, à renda e à moradia solidária; 
• produzir e ofertar informações sobre os direitos das pessoas, as medidas de 
prevenção e cuidado e os serviços disponíveis na rede; 
• regular e organizar as demandas e os fluxos assistenciais da Rede de 
Atenção Psicossocial; 
• monitorar e avaliar a qualidade dos serviços mediante indicadores de 
efetividade e resolutividade da atenção. 
 
O Quadro 4 mostra os componentes em que a RAPS encontra-se organizada. 
 
Quadro 4 – Organização da RAPS 
Atenção Básica em 
Saúde 
• Unidade básica de saúde 
• Núcleo de apoio à saúde da família 
• Consultório na rua 
• Centros de convivência e cultura. 
Atenção Psicossocial 
Estratégica 
• Centros de atenção psicossocial (nas suas 
diferentes modalidades). 
 
Atenção de Urgência e 
Emergência 
• SAMU 192 
• Sala de estabilização 
• UPA 24 horas e portas hospitalares de atenção à 
urgência/pronto socorro, unidades básicas de 
saúde. 
Atenção Residencial 
de Caráter Transitório 
• Unidade de acolhimento 
• Serviço de atenção em regime residencial. 
Atenção Hospitalar • Enfermaria especializada em hospital geral 
 
62 
 
• Leitos de SM no hospital geral 
Estratégias de 
Desinstitucionalização 
• Serviços residenciais terapêuticos 
• Programa “De Volta para Casa” 
Estratégias de 
Reabilitação 
Psicossocial 
• Iniciativas de geração de trabalho e renda 
• Empreendimento solidário e cooperativas sociais 
Fonte: Elaborado pelo autor 
8 SAÚDE DO ADOLESCENTE 
Conforme Teixeira et al. (2021), a adolescência não pode ser interpretada 
como um mero intervalo do desenvolvimento humano, e sim como uma etapa liminar 
em que o indivíduo passa por transformações intensas de natureza social, subjetiva 
e neurobiológica. 
Resumidamente, é na adolescência que o indivíduo se sente desafiado a 
reconstruir os vínculos entre linguagem, corpo e pertencimento, em meio ao 
surgimento de uma nova organização psíquica. 
Nas últimas décadas, houve uma importante modificação demográfica 
relacionada à queda da mortalidade infantil e da fecundidade, ao aumento da 
expectativa de vida e aos movimentos migratórios e de urbanização. Houve, ainda, 
uma desaceleração no ritmo de crescimento da população adolescente e jovem com 
a expectativa de que este segmento continue crescendo. 
Adolescentes e jovens constituem um grupo populacional que exige novos 
modos de produzir saúde. Seu ciclo de vida particularmente saudável evidencia que 
os agravos em saúde decorrem, em grande medida, de modos de fazer “andar a 
vida”, de hábitos e comportamentos, que, em determinadas conjunturas, os 
vulnerabilizam. 
As vulnerabilidades produzidas pelo contexto social e as desigualdades 
resultantes dos processos históricos de exclusão e discriminação determinam os 
direitos e as oportunidades de adolescentese jovens brasileiros. 
Iniciativas na Atenção Básica à Saúde devem incluir a melhoria de condições 
sanitárias no ambiente físico, e a atenção às necessidades nutricionais, biológicas, 
psicológicas e sociais em todas as etapas do desenvolvimento humano, dentro do 
 
63 
 
ciclo da vida. A integralidade da atenção nos serviços de Atenção Básica a Saúde é 
entendida como a integração das ações de promoção da saúde, de prevenção de 
agravos e enfermidades, de assistência e de controle de doenças, sempre pautada 
nos determinantes e condicionantes da saúde. 
8.1 Definições de adolescência e juventude 
O Ministério da Saúde segue como definição de adolescência a prescrita pela 
Organização Mundial da Saúde (OMS), que caracteriza o período de 10 e 19 anos e 
compreende como juventude a população dos 15 a 24 anos. 
O Estatuto da Juventude (Lei nº 12.852, de 5 de agosto de 2013) define 
juventudes a partir de faixas etárias. Dos 15 a 17 anos são adolescentes-jovens; dos 
18 a 24 anos de jovens-jovens e entre os 25 a 29 anos são denominados jovens-
adultos. Portanto, nessas definições há uma interseção entre a metade da 
adolescência e os primeiros anos da juventude. Essa população, entre 10 a 24 anos, 
representa um contingente expressivo de mais de 50 mil pessoas no Brasil. 
Os marcadores etários têm relevância no planejamento e na implantação de 
políticas públicas. As diferentes particularidades que cada idade interpõe aos 
sujeitos adolescentes e jovens no momento do ciclo da vida têm singularidades e 
aspectos psicobiológicos, socioculturais e socioeconômicos importantes e distintos, 
que ora os aproximam e ora os distanciam. “Não existe somente uma cultura 
adolescente ou juvenil” são culturas variadas e formas de agrupamentos e estilos de 
vidas diversificados. 
8.2 Estratégia IMAN – Integração de Manejo dos adolescentes e suas 
necessidades. 
Em 2005 a Organização Pan-Americana da Saúde criou a Estratégia de 
Integração de Manejo dos Adolescentes e suas Necessidades (Iman). Trata-se de 
um conjunto de algoritmos e textos que tem por objetivo oferecer informações 
rápidas e concisas para que os profissionais possam prestar um atendimento integral 
aos adolescentes de ambos os sexos, com idades entre 10 a 19 anos. Pode ser 
usado em uma Unidade Básica de Saúde ou em um departamento ambulatorial 
hospitalar de referência. 
 
64 
 
Essa estratégia abarca assuntos técnicos selecionados pela importância ou 
pela prevalência para que a equipe de saúde adquira competências e habilidades 
para a prestação do atendimento integral a este grupo populacional. 
 
Objetivos propostos pela estratégia do IMAN: 
Perguntar: todo adolescente ou jovem, por meio da anamnese, com o próprio 
ou seu responsável (quando o adolescente esteja impedido de se expressar), deve 
ser inquirido sobre as queixas que o motivaram à vinda ao serviço de saúde e sobre 
os antecedentes: perinatal, pessoal e familiar. Assim, será possível perceber como 
se encontra sua adaptação sob o ponto de vista biopsicossocial. 
 Observar: inclui um exame físico o mais completo possível, a determinação 
do estágio de desenvolvimento puberal, a obtenção de medidas antropométricas e a 
identificação de alguma condição patológica. Deve-se qualificar o processo de 
crescimento e desenvolvimento do adolescente, normal ou com algum distúrbio, e 
diagnosticar problemas de saúde que estejam presentes. Verificar sua relação com 
o grupo de pares, com a família e com adultos de referência. Identificar 
vulnerabilidades, no sentido de antecipar problemas que possam ser evitados. 
Avaliar, determinar ou diagnosticar: abordar, da melhor forma possível, as 
questões psicossociais dos adolescentes e, se necessário, referir a serviços de maior 
complexidade. Em caso de não necessitar referência, indicar ou aplicar o tratamento 
correspondente e explicar como prosseguir com ele e as consequências caso não 
siga as instruções adequadamente. Embora já esteja recebendo tratamento, explicar 
quais são os sinais de alarme pelos quais deverá voltar ao serviço de saúde 
imediatamente para reavaliação. 
Tratar: Uma vez identificada uma doença ou uma situação de risco no 
adolescente, é necessário iniciar o tratamento pertinente para estabilizar suas 
condições antes de referi-lo para outro serviço ou hospital para o prosseguimento do 
tratamento. No caso de não haver necessidade de referência para outro serviço, 
indicar-se-á o tratamento correspondente e deve-se explicar claramente em que 
consistem as alternativas terapêuticas. É fundamental assegurar a compreensão das 
medidas terapêuticas e decidir com o adolescente as alternativas mais convenientes. 
Acompanhar: de acordo com a condição identificada. Se for um adolescente 
saudável, é conveniente uma avaliação, se possível, duas vezes ao ano. 
 
65 
 
Aconselhar ou orientar: escutar o adolescente e sua família em suas 
inquietações, manejando-as sem preconceitos e refletindo, em conjunto, as 
melhores alternativas para o melhor encaminhamento possível dos problemas 
apresentados e prevenção de riscos desnecessários. 
8.3 Caderneta de Saúde de Adolescentes 
O art. 11 do Estatuto da Criança e do Adolescente assegura o atendimento 
integral à saúde da criança e do adolescente, por intermédio do Sistema Único de 
Saúde, garantindo o acesso universal e igualitário às ações e aos serviços para 
promoção, proteção e recuperação da saúde. 
A Caderneta de Saúde de Adolescente, masculina e feminina, contém 
informações a respeito do crescimento e desenvolvimento, da alimentação saudável, 
da prevenção de violências e promoção da cultura de paz, da saúde bucal e da saúde 
sexual e saúde reprodutiva desse grupo populacional. Traz ainda método e espaço 
para o registro antropométrico e dos estágios de maturação sexual, das intervenções 
odontológicas e o calendário vacinal. 
8.4 Famílias com adolescentes 
Com relação ao desenvolvimento das crianças e dos adolescentes, o esforço 
familiar será no sentido de prover as condições necessárias de alimentação, 
vestimenta, afetividade, educação, segurança, desapego autoestima e autonomia 
progressiva. O primeiro desafio familiar no cuidado de uma criança é sua constituição 
física e esforço para promover o desenvolvimento de sua dimensão psicológica como 
eu. 
Na adolescência, a influência da família no processo de desenvolvimento 
perde espaço para outras fontes de fatores de risco e fatores de proteção. Os fatores 
internos (condição emocional, valores, talentos, habilidades, desejos, projetos, 
autoestima, humor etc.) ganham força, assim como os fatores oriundos da 
comunidade onde está inserido o jovem. 
O papel da família como parte da rede de apoio de um adolescente poderá 
significar mais proteção ou mais risco, dependendo do vínculo adulto 
provedor/cuidador com adolescente, da capacidade de comunicação entre eles, do 
 
66 
 
estilo de parentalidade e da relação que as forças oriundas da comunidade e escola 
(grupos de amigos, relações com o desempenho escolar, segurança do bairro em 
que vivem, oportunidades de acesso à cultura e ao lazer etc.) intervêm no processo. 
O grau de conflito entre adultos e jovens na família está relacionado em boa 
parte ao estilo de relação e comunicação entre eles. É possível classificar o 
comportamento dos pais em estilos de parentalidade, que se associam a diferenças 
no comportamento social dos adolescentes. O Quadro 4 demonstra os principais 
estilos de parentalidade. 
 
Quadro 4 – Estilos de parentalidade 
Estilo parental predominante 
Comportamento social do 
adolescente 
Autoritário: estilo restritivo e punitivo 
no qual o adulto provedor/cuidador 
persuade o adolescente a seguir suas 
orientações. Os limites e controles são 
rígidos e há pouca troca comunicativa 
Pouco criativo; com pouca habilidade 
de decidir com autonomia; poucas 
habilidades comunicativas; ansiedade 
frequente em relação às comparaçõessociais. 
Autoritativo: estilo que encoraja o 
adolescente a ser independente e 
progressivamente autônomo. Os limites 
e controles fazem parte da relação de 
autoridade que o adolescente respeita 
e reconhece em seus adultos 
cuidadores/ provedores. O diálogo e a 
negociação são centrais na 
comunicação entre estes adultos e 
jovens 
Criativo, flexível, autoconfiante e 
responsável; com boas habilidades 
comunicacionais e respeito aos 
adultos; capacidade de escolha com 
consciência de seus efeitos. 
Negligente: que se envolve pouco com 
o processo de adolescer do jovem. 
Pouco interesse nas atividades e 
escolhas dos jovens. Há pouco ou 
nenhum controle ou limite e a 
monitoração do desenvolvimento é 
Pouco autocontrole; dificuldade para 
lidar com a independência e pouca 
assertividade nas escolhas; 
necessidade de pertencimento a 
grupos que se interessem e o ajudem a 
enfrentar o processo de adolescência. 
 
67 
 
mínima. A comunicação é muito 
insuficiente 
Indulgente: alto envolvimento dos 
adultos provedores/cuidadores com os 
jovens, porém com poucos limites e 
controle sobre o processo de adolescer 
deles. A comunicação é pouco 
eficiente. 
Pouco autocontrole e alta frustração 
quando contrariados, tanto por adultos 
como pelos pares; dificuldade para se 
incluírem em grupos, pouca habilidade 
comunicativa. 
Fonte: Elaborado pelo autor. 
 
Esses estilos de parentalidade e comunicação, assim como os 
comportamentos sociais associados aos adolescentes, devem ser encarados como 
tendências, pois da mesma maneira que o estilo não é algo tão definido e rígido, 
seria simplista atribuir o comportamento social do adolescente apenas à tendência 
de um estilo parental. 
É necessário sempre considerar diferenças contextuais, divergências de 
estilos entre os adultos provedores/cuidadores, processo anterior ao período de 
adolescência etc. Entre as forças que podem participar da rede de apoio das famílias, 
crianças e adolescentes tem fundamental importância a Rede de Atenção Primária 
em Saúde. 
Em situações de conflito no ambiente familiar, escolar e, até mesmo, 
comunitário (outros níveis de atenção à saúde, conselhos tutelares, vara da infância 
e da adolescência etc.), a rede de atenção básica quase sempre é a primeira porta 
de entrada para a busca de uma compreensão, seja do comportamento, de um 
sintoma ou de uma necessidade de orientação específica (anticoncepção, uso de 
substância psicoativa, violência doméstica ou sexual etc.). 
8.5 Atenção Integral à Saúde de Adolescentes no Contexto da Socioeducação 
Com o intuito de mudar a realidade da socioeducação no Brasil, a Secretaria 
de Direitos Humanos da Presidência da República e o Conselho Nacional dos 
Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) instituíram o Sistema Nacional de 
Atendimento Socioeducativo (Sinase), uma política pública que articula a “efetiva 
participação dos sistemas e políticas de educação, saúde, trabalho, previdência 
 
68 
 
social, assistência social, cultura, esporte, lazer, segurança pública, entre outras, 
para a efetivação da proteção integral de que são destinatários todos adolescentes”. 
Articula, ainda, os três níveis de governo para o desenvolvimento dos 
programas de atendimento, considerando a intersetorialidade e a 
corresponsabilidade da família, da comunidade e do Estado. 
A Atenção Básica é a responsável pela articulação e pela coordenação do 
cuidado dos adolescentes na Rede de Atenção à Saúde do município. Na 
organização da atenção integral serão contemplados os seguintes eixos: promoção 
da saúde e prevenção de agravos; ações de assistência e reabilitação da saúde e a 
educação permanente. E, ainda, as linhas de ação: 
• Acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento físico e 
psicossocial. 
• Saúde sexual e a saúde reprodutiva. 
• Saúde bucal. 
• Saúde mental. 
• Prevenção ao uso de álcool e outras drogas. 
• Prevenção e controle de agravos. 
• Educação em saúde. 
• Direitos humanos, a promoção da cultura de paz e a prevenção de 
violências e assistência às vítimas. 
 No âmbito do atendimento aos adolescentes em situação de privação de 
liberdade, a atenção integral à saúde será realizada, prioritariamente, por uma 
equipe da Atenção Básica. Dessa maneira, todas as unidades socioeducativas terão 
como referência uma dessas equipes. As equipes de referência deverão estar em 
consonância com as atribuições indicadas na Política Nacional da Atenção Básica . 
Quando houver equipe de saúde dentro da unidade socioeducativa, esta 
deverá ser cadastrada no Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de 
Saúde (SCNES). A equipe de saúde da Atenção Básica de referência articular-se-á 
com essa equipe interna do socioeducativo para, de modo complementar, inserir os 
adolescentes na Rede de Atenção à Saúde e realizar ações de promoção e de 
proteção à saúde, na lógica do SUS. 
Essa estratégia favorece a permeabilidade da instituição socioeducativa à 
comunidade, atendendo aos princípios, previstos no Estatuto da Criança e do 
 
69 
 
Adolescente e no Sinase, da incompletude institucional e da reinserção social dos 
adolescentes em situação de privação de liberdade. 
Para a atenção em Saúde Mental de adolescentes em situação de privação 
de liberdade, cada equipe de saúde da Atenção Básica de referência para esta 
população será acrescida de profissionais de Saúde Mental, que podem ser: médico 
psiquiatra, psicólogo, assistente social, enfermeiro ou terapeuta ocupacional, sendo 
necessário que os três últimos tenham especialização em Saúde Mental. Esses 
profissionais deverão ser cadastrados no SCNES da equipe de saúde da Atenção 
Básica de referência. 
É evidente a necessidade de tratamento adequado aos adolescentes com 
transtornos mentais ou com problemas recorrentes do uso de álcool e outras drogas, 
além do acompanhamento psicossocial, conforme indicação dada pelo art. 64 da Lei 
nº 12.594, de 18 de janeiro de 2012, que institui o Sinase. 
Atendendo a estas indicações, os profissionais de Saúde Mental que 
integrarão as equipes de saúde de referência para o socioeducativo têm papel 
estratégico na garantia da produção de saúde dos adolescentes, trabalhando na 
lógica do matriciamento, com as equipes de saúde e do socioeducativo, e não na 
lógica do atendimento ambulatorial e nem avaliações de demandas do judiciário. Por 
matriciamento entende-se: 
• Discussão de casos clínicos. 
• Participação na elaboração do Projeto Terapêutico Singular, integrado 
ao PIA. 
• Atendimento psicossocial com outros profissionais da unidade 
socioeducativa e da rede intersetorial. 
• Colaboração nas intervenções terapêuticas da equipe de Atenção 
Básica de referência e de outros serviços de saúde necessários. 
• Agenciamento dos casos de saúde mental na rede, de modo a garantir 
a atenção integral à saúde. 
• Realização de visitas domiciliares conjuntas 
 
70 
 
8.6 Crescimento e desenvolvimento do adolescente 
A adolescência é marcada por um complexo processo de crescimento e 
desenvolvimento biopsicossocial. Os grupos etários são explicados pelos diferentes 
parâmetros usados na sua concepção, como por exemplo, o crescimento e 
desenvolvimento, as questões sociais e econômicas e aquelas relacionadas à 
inimputabilidade penal. O importante é que essas faixas etárias estejam 
representadas nos sistemas de informação para que cada setor possa ter dados 
confiáveis sobre esse grupo populacional. 
 
8.6.1 Desenvolvimento físico 
 
O termo puberdade deriva do latim pubertate e significa idade fértil; a palavra 
pubis (lat.) é traduzida como pelo, penugem. A puberdade expressa o conjunto de 
transformações somáticas da adolescência, que, entre outras, englobam: 
• Aceleração (estirão) e desaceleração do crescimento ponderal e 
estatural, que ocorrem em estreita ligação com as alterações puberais. 
• Modificação da composição e proporção corporal,como resultado do 
crescimento esquelético, muscular e redistribuição do tecido adiposo. 
• Desenvolvimento de todos os sistemas do organismo, com ênfase no 
circulatório e respiratório. 
• Maturação sexual com a emergência de caracteres sexuais 
secundários, em uma sequência invariáve. 
• Reorganização neuroendócrina, com integração de mecanismos 
genéticos e ambientais. 
 
8.6.2 Crescimento 
 
As velocidades de crescimento da criança e do adolescente normais têm um 
padrão linear previsível. Durante a puberdade, o adolescente cresce um total de 10 
a 30 cm (média de 20 cm). A média de velocidade de crescimento máxima durante 
a puberdade é cerca de 10 cm/ano para o sexo masculino e 9 cm/ano para o sexo 
feminino. 
 
71 
 
A velocidade máxima de crescimento em altura ocorre, em média, entre 13 e 
14 anos no sexo masculino e 11 e 12 anos no sexo feminino. Atingida a velocidade 
máxima de crescimento, segue-se uma gradual desaceleração até a parada de 
crescimento, com duração em torno de 3 a 4 anos. Após a menarca, as meninas 
crescem, no máximo, de 5 a 7 cm. 
As curvas de crescimento individual seguem um determinado percentil 
desenhado no gráfico de crescimento. É importante salientar que, tanto na infância 
quanto na adolescência, podem ocorrer variações no padrão de velocidade de 
crescimento, ocasionando mudanças de percentil de crescimento, mas nem sempre 
refletem uma condição patológica. De um modo geral, o adolescente termina o seu 
desenvolvimento físico com cerca de 20% da estatura final do adulto em um período 
de 18 a 36 meses. 
 
Idade óssea: 
A idade óssea ou esquelética corresponde às alterações evolutivas da 
maturação óssea, que acompanham a idade cronológica no processo de 
crescimento, sendo considerada como um indicador da idade biológica. Ela é 
calculada por meio da comparação de radiografias de punho, de mão e de joelho 
com padrões definidos de tamanhos e forma dos núcleos dessas estruturas. A idade 
óssea pode ser utilizada na predição da estatura final do adolescente, considerando 
a sua relação com a idade cronológica. 
 
 
Composição e proporção corporal 
Todos os órgãos do corpo participam do processo de crescimento da 
puberdade, exceção feita ao tecido linfoide e à gordura subcutânea que apresentam 
um decréscimo absoluto ou relativo. Há acúmulo de gordura desde os 8 anos até a 
puberdade, sendo que a diminuição deste depósito de tecido adiposo coincide com 
o pico de velocidade do crescimento. 
 Desenvolvimento muscular: Na puberdade, chama atenção a hipertrofia e 
a hiperplasia de células musculares, mais evidentes nos meninos. Este fato justifica 
a maior força muscular no sexo masculino. 
Medula óssea: Durante a puberdade, ocorre uma diminuição da cavidade da 
medula óssea, mais acentuada nas meninas. Este acontecimento explica um volume 
 
72 
 
final maior da cavidade medular para os meninos, que somado à estimulação da 
eritropoetina pela testosterona pode representar, para o sexo masculino, um número 
maior de células vermelhas, maior concentração de hemoglobina e ferro sérico. 
 
Sequência do crescimento 
O crescimento estatural inicia-se pelos pés, seguindo uma ordem invariável 
que vai das extremidades para o tronco. Os diâmetros biacromial e biilíaco também 
apresentam variações de crescimento durante a puberdade, sendo que o biacromial 
cresce com maior intensidade no sexo masculino. Nas meninas, observa-se também 
um alargamento da pelve. 
Os pelos axilares aparecem, em média, dois anos após os pelos pubianos. O 
pelo facial, no sexo masculino, aparece ao mesmo tempo em que surge o pelo axilar. 
O crescimento de pelos pubianos pode corresponder, em algumas situações, às 
primeiras manifestações puberais. 
Durante a puberdade, alterações morfológicas ocorrem na laringe; as cordas 
vocais tornam-se espessas e mais longas e a voz mais grave. A este momento, mais 
marcante nos meninos do que nas meninas, chamamos de muda vocal. Na maioria 
dos indivíduos a mudança completa da voz se estabelece em um prazo de 
aproximadamente seis meses. O crescimento dos pelos da face indica o final deste 
processo, quando a muda vocal deve estar completa. 
Adolescentes com uma alteração na voz, que persista por mais de 15 dias, a 
Equipe de Saúde da Família deve procurar o Núcleo de Apoio à Saúde da Família 
(Nasf) que dispõe de um profissional fonoaudiólogo para realizar uma interconsulta 
ou uma avaliação multidisciplinar entre os profissionais visando solucionar o 
problema em questão. É de suma importância que o profissional de saúde saiba 
orientar os adolescentes quanto a comportamentos nocivos a sua saúde, como o 
uso de tabaco. 
 
Maturação sexual 
A eclosão puberal dá-se em tempo individual por mecanismos ainda não 
plenamente compreendidos, envolvendo o eixo hipotálamo-hipofisário-gonadal. Em 
fase inicial da puberdade, o córtex cerebral transmite estímulos para receptores 
hipotalâmicos, que, por meio de seus fatores liberadores, promovem na hipófise 
anterior a secreção de gonadotrofinas para a corrente sanguínea. O Quadro 5 
 
73 
 
apresenta as características da maturação sexual no sexo masculino e no sexo 
feminino. 
 
Quadro 5 – Características da maturação sexual 
SEXO MASCULINO SEXO FEMININO 
• As gonadotrofinas, ou seja, os hormônios 
folículo-estimulante e luteinizante (FSH e 
LH) atuam aumentando os testículos. 
• Os túbulos seminíferos passam a ter luz 
e promover a proliferação das células 
intersticiais de Leydig, que liberam a 
testosterona e elevam os seus níveis 
séricos. Esses eventos determinam o 
aumento simétrico (simultâneo e 
semelhante) do volume testicular, que 
passa a ter dimensões maiores que 4 
cm³, constituindo-se na primeira 
manifestação da puberdade masculina. 
• Segue-se o crescimento de pelos 
pubianos, o desenvolvimento do pênis 
em comprimento e diâmetro, o 
aparecimento de pelos axilares e faciais 
e o estirão pubertário. 
• Os hormônios folículo-estimulante e 
luteinizante (FSH e LH) atuam sobre o 
ovário e iniciam a produção hormonal de 
estrógeno e progesterona, responsáveis 
pelas transformações puberais na 
menina. 
• O tamanho testicular é critério importante 
para a avaliação das gônadas e da 
espermatogênese, que costuma ocorrer, 
mais frequentemente, no estágio 4 de 
Tanner. 
• Avalia-se o volume testicular de forma 
empírica ou utilizando-se o orquímetro e 
orquidômetro de Prader. Estes 
instrumentos contêm elipsoides de 
volumes crescentes de 1 ml a 25 ml. O 
• A primeira manifestação de puberdade na 
menina é o surgimento do broto mamário. 
• É seguido do crescimento dos pelos 
pubianos e pelo estirão puberal. 
• A menarca acontece cerca de um ano 
após o máximo de velocidade de 
crescimento, coincidindo com a fase de 
sua desaceleração. 
• A ocorrência da menarca não significa 
que a adolescente tenha atingido o 
 
74 
 
tamanho testicular adulto situa-se entre 
12 ml e 25 ml. 
estágio de função reprodutora completa, 
pois os ciclos iniciais podem ser 
anovulatórios. Por outro lado, é possível 
acontecer também a gravidez antes da 
menarca, com um primeiro ciclo 
ovulatório. 
Pelos pubianos: A evolução da distribuição de pelos pubianos é semelhante nos dois 
sexos, de acordo com as alterações progressivas relativas à forma, espessura e 
pigmentação 
Fonte: Elaborado pelo autor. 
8.7 Problemas no Desenvolvimento Puberal 
Como visto no tópico anterior, a puberdade consiste na maturação ocorrida 
na adolescência, ela inclui a aquisição de características sexuais secundárias, rápida 
maturação óssea e aceleração do crescimento. Essa fase fundamental no 
desenvolvimento humano também pode apresentar problemas que podem ser 
identificados pelos profissionais de saúde. Os problemas mais comuns estão listados 
nos subtópicos seguintes. 
 
8.7.1 Puberdade precoce e puberdade tardia 
 
A puberdade, precoce e tardia, refere-se ao aparecimentode características 
sexuais secundárias em idades cronológicas que podem ser consideradas 
prematuras ou atrasadas para este desenvolvimento. É importante, também, 
observar a velocidade com que os eventos puberais estão se sucedendo. 
 
• Sexo feminino: É considerado precoce qualquer sinal de maturação sexual 
antes dos 8 anos de idade. No caso da puberdade atrasada, considera-se 
tardia a telarca e pubarca que ocorrem em idades superiores a 13 e 14 anos, 
respectivamente, e a menarca em idades maiores de 16 anos. 
• Sexo masculino: É considerada puberdade precoce, quando ocorre o 
aumento do volume testicular e dos pelos pubianos antes dos 9 anos de idade. 
 
75 
 
A puberdade atrasada refere-se à persistência do estágio pré-puberal após a 
idade cronológica de 16 anos. 
 
8.7.2 Baixa estatura 
 
Adolescentes de ambos os sexos com estatura de dois desvios padrões 
abaixo da média ou abaixo do 3º percentil são considerados de baixa estatura. Deste 
grupo, 20% têm baixa estatura patológica e os 80% restantes serão divididos entre 
os de baixa estatura constitucional e familiar. 
Aqueles com estatura de três desvios padrões abaixo da média têm baixa 
estatura, certamente, patológica. Os achados das medições de altura e peso deverão 
ser plotados nas curvas de crescimento encontrados nas Cadernetas do 
Adolescente do sexo masculino e feminino. Regra do cálculo da estatura final de 
adolescentes baseado na estatura dos pais: 
 
Sexo masculino = AP+ (AM – 12 cm) limite ± 10 
 –––––––––––––––––––––––––– 
 2 
 Sexo feminino = AM+ (AP – 12 cm) limite ± 9 2 
 –––––––––––––––––––––––––––– 
 2 
AP = Altura do pai 
AM = Altura da mãe 
 
O Quadro 6 demonstra o procedimento da avaliação pondero estatural. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
76 
 
Quadro 6 – Avaliação pondero estatural 
PERGUNTAR OBSERVAR DETERMINAR 
• Estatura dos pais e peso 
das pessoas da família. 
• Peso e comprimento ao 
nascer e progressão do 
peso na infância. 
• Doenças crônicas, 
infecções recorrentes, uso 
e abuso de drogas e 
fármacos (especialmente 
esteroides), vômitos 
induzidos, uso de laxantes. 
• Padrão alimentar, número 
de refeições, consumo 
excessivo de refrigerantes, 
chás, chocolates e 
suplementos dietéticos. 
• Sedentarismo, exercícios 
extenuantes 
• Sinais de desnutrição, 
anemia e obesidade. 
• Satisfação com 
imagem corporal. 
• Peso, estatura e idade 
atual. 
• Estágio de maturação 
sexual (Tanner) 
 
 
 
 
• Calcular o Índice de Massa 
Corporal (IMC): 
peso/altura². 
• Anotar no gráfico Estatura 
por Idade da Caderneta do 
Adolescente a estatura e 
determinar sua classicação 
(OMS, 2007). 
• Anotar o IMC no gráco IMC 
por Idade na Caderneta do 
Adolescente e determinar a 
classicação (OMS, 2007). 
• Vericar se, no caso de 
sobrepeso ou baixo-peso, 
pode haver relação com o 
estágio de maturação 
sexual. Em caso positivo, 
informar e acalmar o 
adolescente. 
 CLASSIFICAR SEGUNDO A ESTATURA/IDADE, PESO/IDADE e SEXO 
Estatura adequada 
Escore-z: ≥ -2 
IMC adequado (Eutrofia) 
Escore-z: ≥ -2 e ≤ +1 
Muito baixa estatura: 
Escore-z +1 e ≤ +2 
Obesidade: 
Escore-z > +2 e ≤ +3 
Obesidade grave: 
Escore-z > +3 
• Presença de alguma doença 
aguda ou crônica. 
• Gravidez. 
• Endocrinopatia/doenças 
genéticas. 
• Edema generalizado. 
• Elaboração de Projeto 
Terapêutico Singular. 
• Referência ao serviço 
especializado (depois de 
discussão com a equipe). 
Fonte: Elaborado pelo autor. 
8.7.3 Hirsutismo 
 
Trata-se do aparecimento anormal de pelos no corpo feminino, em quantidade 
excessiva (Figura 4). Assim, a presença de pelos faciais, torácicos e abdominais 
pode ser tanto normal, quanto devida a manifestações clínicas de doenças 
virilizantes e estar associadas a doenças endócrinas e ovários policísticos. 
 
 
Figura 4 – Hirsutismo 
 
Fonte: https://x.gd/8FzuI 
 
 
78 
 
A conduta correta para esses casos é acompanhar aqueles em que a 
experiência clínica sugere que estejam dentro dos critérios de normalidade 
(constitucionais). Referenciar para serviço especializado aquelas condições que 
exijam atenção especial. 
 
8.7.4 Ginecomastia: 
 
A ginecomastia consiste no aumento visível ou palpável da glândula mamária 
do adolescente do sexo masculino (Figura 5). Pode ser uni ou bilateral, aparecendo 
em torno dos 13 e 14 anos, durante o estirão puberal, regredindo, naturalmente, em 
12 a 18 meses. Portanto, pode ser considerada uma condição frequente e normal da 
puberdade, podendo ocasionar transtornos de autoimagem, com repercussões na 
vida social do adolescente. 
Nesse caso, a conduta envolve diferenciar de obesidade e lipoma. Nas 
circunstâncias em que houver necessidade de se fazer um diagnóstico diferencial 
mais acurado, deve-se referenciar para serviço especializado. 
 
Figura 5 - Ginecomastia 
 
Fonte: https://x.gd/QGWRP 
8.7.5 Micropênis 
 
Considera-se micropênis sempre que, em qualquer idade, o tamanho peniano 
for menor que 1,9 cm, medido da base até a ponta e esticado. A conduta se resume 
 
79 
 
a referenciar para o serviço especializado e oferecer suporte psicológico, conforme 
a amplitude dos fatores etiológicos. 
Os adolescentes de ambos os sexos que, no acompanhamento por 
profissional de saúde, sejam constatadas dúvidas quanto ao processo de 
crescimento e desenvolvimento devem ser referenciados a serviços de maior 
complexidade para avaliação clínica e laboratorial. 
 
Orientações: 
• Orientar o adolescente a respeito da postura adequada, alimentação, 
exercícios permitidos etc. 
• Acompanhar o crescimento periodicamente, cada 4-6 meses. 
• Responder às perguntas que preocupam o adolescente a respeito de 
seu crescimento: Continuarei crescendo? 
 
Perguntas frequentes dos pais: 
 
• Por que este filho não cresce igual aos meus outros filhos? 
• Tem a mesma idade da prima, mas ele está menor… 
 
 
Inquietações dos adolescentes: 
 
• Sou o menor de minha turma, vou ficar assim? 
• Até quando vou crescer? 
• Vou ficar mais alto do que meus pais? 
 
Avaliação da puberdade 
Avaliar e classificar a maturação sexual de adolescentes entre 10 e 19 anos 
(Quadro 7). 
 
 
 
 
80 
 
Quadro 7 – Avaliação de maturação sexual 
PERGUNTAR OBSERVAR AVALIAR 
• Antecedentes: menarca da 
mãe, avós, tias, irmãs etc. 
• Idade de início dos odores 
desagradáveis das axilas, 
aparecimento dos pelos 
pubianos. 
• Desenvolvimento mamário 
e menstruações. 
• Polução noturna. 
• História nutricional. 
• Doenças crônicas. 
• Inquietações dos pais ou 
responsáveis frente ao 
desenvolvimento do 
adolescente (ambos os 
sexos). 
• Inquietações do 
adolescente (ambos os 
sexos) sobre seu 
desenvolvimento. 
• Caracteres sexuais 
secundários e 
características da 
genitália externa. 
• Aspecto nutricional. 
• Sinais clínicos 
compatíveis com 
patologia crônica. 
• Atitude do adolescente 
frente às mudanças 
puberais. 
• Estagio de Tanner (em cada 
consulta). 
• Características da mama. 
• Presença de ginecomastia. 
• Volume testicular, 
características do escroto, 
tamanho do pênis. 
• Velocidade do crescimento. 
• Idade óssea (se 
necessário). 
• Tempo de permanência em 
um determinado estágio de 
maturação (seguimento). 
Fonte: Elaborado pelo autor. 
Inquietações dos pais: 
 
• Não está muito cedo (muito tarde) para meu filho iniciar o seude atendimento que serão 
respondidas em tempo hábil. 
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da 
nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à 
execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da 
semana e a hora que lhe convier para isso. 
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser 
seguida e prazos definidos para as atividades. 
 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
 
2 A CRIANÇA NO CONTEXTO SOCIAL 
Tanto o crescimento quanto o desenvolvimento infantil são processos 
complexos e conectados, que desempenham um papel primordial na formação de 
um adulto saudável. Tais processos sofrem influência de diversos fatores, como os 
determinantes socioeconômicos, ambientais, comportamentais e biológicos. De 
forma geral, a compreensão desses determinantes é fundamental para o 
conhecimento médico e para a elaboração de políticas públicas eficientes. 
Estudos recentes, como o de Alijanzadeh et al. (2024), contribuíram 
consideravelmente para o entendimento de como esses fatores interagem e 
influenciam no crescimento e no desenvolvimento infantil. Os autores apontam que 
atrasos no desenvolvimento podem gerar consequências a longo prazo, capazes de 
impactar diretamente na saúde e no bem-estar dos indivíduos em sua vida. 
Ultimamente, o interesse pela investigação dos determinantes do crescimento 
e do desenvolvimento infantil aumentou bastante, isso reflete não apenas nas 
preocupações com as desigualdades sociais, mas também no impacto das crises 
globais, como a pandemia de COVID-19. As descobertas científicas ressaltam que, 
além dos fatores genéticos, os ambientes físico e familiar cumprem um papel 
importante no desenvolvimento infantil saudável. 
Briet, Mélo e Polastri (2023) destacam que fatores como cuidados parentais 
de qualidade, nutrição adequada, acesso à educação e à serviços de saúde 
adequados são essenciais para reduzir os riscos associados ao desenvolvimento 
inadequado. Os autores mencionam que é possível identificar padrões e desafios 
únicos em diversas regiões, que contribuem para o crescimento e o desenvolvimento 
das crianças, pois fornecem um mapa rico de dados para análise. 
A pandemia de COVID-19 trouxe novas variáveis no cenário da saúde infantil, 
elas serviram como catalisadores para novas pesquisas. Essas condições extremas 
ressaltaram a necessidade de fortalecer os sistemas de saúde pública e social, além 
de colocar no debate a vulnerabilidade das crianças em contextos sensíveis. 
Cordeiro et al. (2024) afirmam que os efeitos da pandemia indicam impactos 
consideráveis em práticas parentais e na saúde mental e física das crianças. 
Ademais, o papel de suportes institucionais, como os programas governamentais 
direcionados às crianças, foram reconhecidos como cruciais para assegurar o 
desenvolvimento infantil sadio, mesmo em tempos de crise. 
 
8 
 
2.1 Fatores socioeconômicos e desigualdades 
A avaliação dos fatores socioeconômicos demonstra a complexidade inerente 
ao crescimento e ao desenvolvimento infantil. As desigualdades socioeconômicas 
impactam significativamente na saúde e no bem-estar das crianças em várias 
regiões. Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, as condições 
socioeconômicas precárias costumam estar relacionadas aos atrasos no 
desenvolvimento e aos problemas de saúde infantil. 
Em partes, isso ocorre por causa do acesso limitado a recursos essenciais, 
como serviços de saúde adequados, nutrição de boa qualidade e ambientes de 
aprendizagem estimulantes. As condições econômicas enfrentadas por famílias de 
baixa renda restringem o acesso dessas crianças a experiências importantes para 
seu desenvolvimento integral, isto é, aquelas que influenciam suas habilidades 
motoras, cognitivas e emocionais. 
Ademais, a interdependência entre fatores sociais e econômicos aumenta as 
desigualdades existentes. Crianças que vêm de famílias economicamente 
desfavorecidas enfrentam maior exposição a riscos de saúde e a ameaças 
ambientais, como doenças infecciosas e desnutrição, fatores capazes de 
comprometer um desenvolvimento inicialmente saudável e potencializa a 
perpetuação de ciclos de pobreza entre gerações. 
Segundo Amine et al. (2023), a pobreza não limita somente os recursos 
financeiros, ela também costuma resultar em ambientes familiares estressantes, que 
afetam diariamente a parentalidade e o suporte emocional disponível para a criança, 
os dois são essenciais para um desenvolvimento saudável. 
Geralmente, os impactos das desigualdades econômicas ficam ainda maiores 
em contextos de crise, como a pandemia de COVID-19, que aumentou 
vulnerabilidades já existentes. No decorrer da pandemia, as disparidades de acesso 
a recursos de educação e saúde ficaram ainda mais evidentes, elas impactam o 
desenvolvimento infantil de formas desiguais. 
Os governos e as instituições públicas procuram enfrentar essas 
desigualdades com a implementação de políticas de proteção social e programas de 
apoio à renda. A eficácia dessas medidas é objeto de estudo e conquistaram 
resultados mistos, algo que indica a necessidade de abordagens mais integrativas e 
personalizadas para atender as necessidades das crianças pobres. 
 
9 
 
Para melhorar os resultados do desenvolvimento infantil, intervenções com o 
objetivo de reduzir as desigualdades socioeconômicas devem adotar uma 
abordagem holística, portanto, exigem a integração de estratégias focadas não 
apenas na melhoria de condições financeiras, mas também no fortalecimento das 
capacidades parentais e no acesso equitativo a serviços de saúde e educação de 
qualidade. 
Considera-se que políticas capazes de fortalecer redes de apoio comunitárias 
e de promover a resiliência familiar podem diminuir impactos negativos associados 
às desigualdades sociais. Essas abordagens podem criar as bases de um 
desenvolvimento sustentável e saudável, de forma a preservar o potencial de cada 
criança em se tornar um adulto plenamente funcional. 
Com isso, deve-se destacar a importância de um entendimento mais completo 
sobre como os fatores socioeconômicos integram um sistema de diversos 
determinantes do desenvolvimento infantil. O desafio está no desenvolvimento de 
políticas robustas que diminuam as barreiras socioeconômicas e que criem um 
ambiente favorável para o crescimento saudável. 
Desse modo, é possível promover o florescimento das capacidades infantis 
de forma igualitária e sustentável, que satisfaça tanto as necessidades fundamentais 
quanto o direito das crianças a um futuro promissor. Um resumo dos fatores 
socioeconômicos que impactam no desenvolvimento infantil está apresentado na 
Figura 1. 
 
Figura 1 – Fatores socioeconômicos e desigualdades 
 
Fonte: Adaptado de Medeiros e Braga, 2025. 
 
10 
 
2.2 Fatores ambientais e biológicos 
Os fatores ambientais e biológicos desempenham uma função primordial e, 
muitas vezes, interconectada no desenvolvimento e crescimento infantil, já que 
afetam não apenas a saúde física, mas também o desenvolvimento psicológico da 
criança. 
Ambientes que proporcionam estímulos adequados e exposição a nutrientes 
vitais são fundamentais para a promoção do desenvolvimento infantil saudável, 
enquanto as deficiências nesses recursos podem resultar em atrasos graves e 
prejuízos permanentes. Sem dúvida, a nutrição é um dos determinantes mais 
críticos, já que a desnutrição, principalmente nos primeiros anos de vida, está 
relacionada a atrasos no crescimento e deficiências cognitivas a longo prazo. 
O ambiente familiar também surge como um fator vital nesse processo. A 
qualidade das interações parentais, assim como o nível de suporte emocional 
disponível na casa, influencia consideravelmente no desenvolvimento infantil. 
Famílias que oferecem um ambiente emocionalmente seguro e estimulante 
costumam criar criançasdesenvolvimento? Meu outro filho não era assim. 
• Os seios dela estão crescendo e doendo… está normal? 
• Os seios estão de tamanho diferente, é normal? 
• Está com corrimento vaginal, acho que já vêm as menstruações… 
• Se a menstruação vier já, ela vai ficar baixinha... 
 
 
 
 
81 
 
Inquietações de adolescentes de ambos os sexos: 
 
• Meu pênis está pequeno ou está normal? 
• Vou ficar com mamas? Isto é devido à masturbação? 
• Meus músculos vão aumentar? 
• Meus seios vão continuar crescendo? 
• Vou ficar igual a minha irmã ou a minha mãe? 
• Vou continuar crescendo depois do início das menstruações? 
8.8 Alimentação e Nutrição 
A atenção nutricional ao adolescente deve fazer parte do cuidado integral na 
Rede de Atenção à Saúde (RAS) e na Atenção Básica, por sua capilaridade e 
capacidade de identificação das necessidades de saúde da população sob sua 
responsabilidade. 
A promoção da alimentação adequada e saudável é uma diretriz da Política 
Nacional de Alimentação e Nutrição (Pnan), fundamentando-se nas dimensões de 
incentivo, apoio, proteção e promoção da saúde para combinar iniciativas focadas 
na criação de ambientes saudáveis, no desenvolvimento de habilidades pessoais e 
na reorientação dos serviços de saúde na perspectiva da promoção da saúde. 
 
8.8.1 Aspectos comuns e frequentes na alimentação e nutrição 
 
O crescimento, especificamente o estirão, e as demais mudanças fisiológicas 
relacionadas à puberdade, levam a alterações das necessidades nutricionais. A 
alimentação insuficiente ou inadequada nessa fase pode retardar o crescimento, 
bem como a maturação sexual. 
A adolescência também é um período crítico para o desenvolvimento da 
obesidade, que tende a se perpetuar na vida adulta. Doenças como diabetes tipo 2, 
dislipidemias e hipertensão arterial, que no passado não eram tão frequentes nessa 
faixa etária, são cada vez mais comuns e elevam o risco de eventos cardiovasculares 
no futuro. 
 Em relação à alimentação, a Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil 
(POF 2008- 2009) apontou que os adolescentes consumiam mais alimentos não 
 
82 
 
saudáveis como macarrão instantâneo, biscoitos recheados, sorvetes, refrigerantes, 
pizzas, salgados fritos/assados, salgadinhos de pacote e sanduíches que adultos e 
idosos. Em contrapartida consumiam menos frutas, legumes e verduras. 
Além das informações referentes ao consumo alimentar, é muito importante 
que as equipes de Atenção Básica conheçam os hábitos e o estilo de vida dos 
adolescentes, principalmente daqueles de seu território, para verificar os caminhos 
adequados e viáveis para intervenções individuais ou atividades coletivas de 
promoção da saúde. 
A infância e a adolescência são as fases em que se consolidam os hábitos 
alimentares, portanto é importante que se entenda os seus fatores determinantes. 
Entre os fatores relacionados à preferência alimentar individual, que começa a se 
desenvolver na infância, destacam-se a experiência pessoal e a interação social. 
 
8.8.2 Avaliação nutricional de adolescentes 
 
Os dados antropométricos são importantes e valiosos para o 
acompanhamento do crescimento e desenvolvimento, apesar de mais difíceis de 
obter, devido à característica única do estirão puberal e da velocidade rápida de 
mudanças corporais que ocorrem nesse período. O adolescente tem um crescimento 
de cerca de 20% a 25% da sua estatura final e de 40% a 50% do seu peso final 
nesse período. 
Estes parâmetros são alcançados, em média, durante o intervalo de três a 
cinco anos no estirão da puberdade. Assim, o profissional deve avaliar a 
Estatura/Idade, Índice de Massa Corporal (IMC) /Idade e os Estágios Puberais de 
Tanner de todos os adolescentes que comparecerem à unidade de saúde (Quadro 
8). 
 
Quadro 8 – Avaliação antropométrica do adolescente 
Avaliação Procedimento Materiais necessários 
Estatura/Idade 
• Medir a estatura, com 
o adolescente 
descalço, conforme as 
• Antropômetro/ 
Estadiômetro; 
• Gráfico de 
Estatura/Idade para os 
 
83 
 
técnicas de 
antropometria (OMS); 
• Identificar a idade do 
adolescente; 
• Plotar no gráfico, de 
acordo com o sexo; 
• Verificar o diagnóstico 
nutricional segundo o 
Escore-z. 
sexos masculino e 
feminino. 
IMC/Idade 
• Medir a estatura, com 
o adolescente 
descalço, conforme as 
técnicas de 
antropometria (OMS); 
• Pesar o adolescente 
com roupas leves, 
sem sapatos, 
adereços, celulares, 
entre outros; 
• Calcular o IMC; 
• Identificar a idade do 
adolescente; 
• Plotar no gráfico, de 
acordo com o sexo; 
• Verificar o diagnóstico 
nutricional segundo o 
Escore-z. 
• Antropômetro/ 
Estadiômetro; 
• Balança eletrônica ou 
mecânica; 
• Calculadora; 
• Gráfico de IMC/Idade 
para os sexos 
masculino e feminino 
Fonte: Elaborado pelo autor. 
Ao avaliar a antropometria do adolescente, também é importante considerar 
a Velocidade de Crescimento (VC/ano) e o possível aspecto de excesso de peso no 
período anterior ao estirão pubertário, que não deve ultrapassar 20% em relação ao 
peso esperado para a altura/idade. Em outros adolescentes, no início do estágio de 
 
84 
 
estirão, pode-se observar um aspecto longilíneo e emagrecido, que não deve ser 
confundido com o diagnóstico de baixo peso. 
 A avaliação antropométrica deve ser realizada anualmente e, em caso de 
identificação de alterações, recomenda-se acompanhar o adolescente a cada 2-3 
meses. O profissional tem na Caderneta de Saúde do Adolescente um importante 
instrumento para registro e acompanhamento dos dados. A Caderneta ainda possui 
a função didática de possibilitar a interpretação dos dados coletados de forma mais 
interativa e facilitada pelo próprio adolescente. 
9 ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DO ADOLESCENTE 
Por ser uma fase de transformações biopsicossociais, a adolescência exige 
da Atenção Primária à Saúde (APS) um modelo de cuidado integral, abrangente e 
promotor da saúde e da autonomia. No entanto, ainda se observa lacunas na 
formação profissional, estigmas no cuidado ao adolescente, entre outros problemas. 
Um dos principais problemas é, ao invés de ser uma abordagem 
multiprofissional, o fato da APS direcionada ao adolescente ser mais focada no 
acolhimento da enfermagem que, somado às lacunas na formação, enfrenta 
escassez de recursos estruturais e humanas. Isso faz as abordagens se basearem 
em ações educativas, mas ainda assim normativas, isto é, mais protocolares e 
menos informativas. 
Desse modo, pode-se concluir que, para alcançar um cuidado ampliado, as 
práticas devem ser repensadas para dar voz ao adolescente, a fim de evitar as 
fragmentações das ações e reduzir a barreira de acesso à rede de saúde pública. 
Nos tópicos seguintes, serão listados os principais procedimentos e tópicos 
relacionados à Atenção Integral à Saúde do Adolescente. 
9.1 Consulta 
A todos os usuários dos serviços de saúde, inclusive adolescentes, deve ser 
solicitado que assinem o consentimento livre e esclarecido para a realização de 
qualquer procedimento clínico. No consentimento livre e esclarecido, a decisão só 
deve ser tomada depois que o adolescente receber informações detalhadas e 
 
85 
 
esclarecidas sobre seu estado de saúde e o tratamento a ser realizado. Caso seja 
verificada sua incapacidade para a decisão, deve ter a assistência de seus pais ou 
representantes legais. 
Caso o (a) adolescente não puder dar o seu consentimento, é imprescindível 
que um familiar/responsável seja localizado para a obter esse consentimento. Não 
conseguindo esse contato, e havendo a restrição do tempo para a tomada da 
decisão, o profissional de Saúde executor assume o papel de protetor natural do 
adolescente por meio de ações positivas em favor da vida e da saúde. 
Assim, nas urgências aceita-se a noção de existência de consentimento 
informado presumido ou implícito. O profissional deverá registrar essa condição no 
prontuárioe no impresso de consentimento institucional. Sobre as ações preventivas 
como componentes da consulta, as visitas de rotina de adolescentes e jovens e suas 
famílias aos serviços de saúde configuram-se como oportunidades para: 
 
• Reforçar mensagens de promoção de saúde. 
• Identificar adolescentes que estejam sujeitos a comportamentos de 
risco. 
• Promover imunização adequada. 
• Desenvolver vínculos que favoreçam um diálogo aberto sobre questões 
de saúde. 
• Sensibilizar adolescentes homens para o autocuidado e na 
corresponsabilização pela saúde sexual e saúde reprodutiva sua e de 
sua parceria. 
 
Todos os adolescentes deverão receber esclarecimentos a respeito de seu 
crescimento físico e desenvolvimento psicossocial e sexual. Deve ser enfatizada a 
importância de se tornarem ativamente participantes nas decisões pertinentes aos 
cuidados de sua saúde. 
 As vantagens da realização de atividade física regular deverão ser 
reforçadas, incluindo seu papel na promoção da saúde física e mental e como fator 
de socialização. No entanto, deve-se alertar quanto à necessidade do adequado 
condicionamento físico antes de exercícios ou práticas esportivas, bem como do uso 
de equipamentos de proteção no caso da prática de esportes radicais. 
 
86 
 
Os adolescentes deverão receber esclarecimentos sobre cuidados com a 
saúde oral e sobre hábitos nutricionais adequados, incluindo os benefícios de uma 
alimentação saudável e da manutenção do peso ideal. As consultas são momentos 
privilegiados para o aconselhamento de práticas sexuais responsáveis e seguras. 
O uso de preservativo deve ser enfatizado como prática indispensável na 
prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e de infecção pelo HIV. Essa é 
também uma oportunidade de esclarecimento de dúvidas, de conversar sobre a 
importância do afeto e do prazer nas relações amorosas e para alertar sobre 
situações de risco para violência e/ou exploração sexual. 
O profissional de Saúde não deve ficar restrito a obter informações sobre o 
motivo focal que levou o adolescente ao serviço de saúde, e sim conhecer o 
adolescente como um todo, seguindo um roteiro de anamnese (do grego ana = 
“trazer de novo”, e mnesis = “memória”), uma espécie “entrevista” com o paciente, 
que o profissional de saúde usa para coletar os dados relacionados à saúde do 
paciente. 
Isto inclui a avaliação de como ele está se sentindo em relação às mudanças 
corporais e emocionais pelas quais está passando, seu relacionamento com a família 
e com seus pares, a forma como usa as horas de lazer, suas vivências anteriores no 
serviço de saúde, expectativas em relação ao atendimento atual e seus planos para 
o futuro. O Quadro 9 apresenta um guia para realizar a anamnese. 
 
Quadro 9 – Anamnese do adolescente 
PERGUNTAR OBSERVAR ESPECIFICAR 
• Motivo da consulta: do 
adolescente e do 
responsável (quando 
presente). 
• Antecedentes pessoais e 
familiares. 
• Educação. 
• Trabalho. 
• Vida social. 
• Hábitos. 
• Alimentação. 
• Condições gerais: higiene 
pessoal, aparência, 
tatuagem e piercings. Atitude 
durante a consulta, 
rejeição/aceitação. 
Comunicação. 
• Sinais de depressão, de 
ansiedade. 
• Sinais de 
desnutrição/obesidade. 
• Crescimento. 
• Desenvolvimento. 
• Estado emocional. 
• Estado nutricional. 
• Estágio puberal. 
• Acuidade visual. 
• Saúde bucal. 
• Imunizações. 
• Capacidade de 
resiliência. 
• Vulnerabilidades. 
 
87 
 
• Uso de álcool, tabaco e 
outras substâncias 
psicoativas. 
• Acidentes. 
• Sexualidade. 
• Situação emocional 
• Imagem corporal 
• Projeto de vida 
• Aparelhos e sistemas 
orgânicos. 
• Segurança ambiental no 
território. 
• Satisfação com sua imagem 
corporal. 
Obs. O exame físico pode ser 
realizado em mais de uma 
consulta, de acordo com a 
necessidade ou aceitação do 
adolescente 
• Patologias 
clínicas/psicossociais. 
• Inserção na família, 
escola, trabalho e 
comunidade. 
Fonte: Elaborado pelo autor. 
Após a anamnese, é feito o exame físico, um procedimento que apresenta o 
mais elevado grau de dificuldade para o profissional de Saúde pouco habilitado. Isso 
decorre do fato de que, na formação do médico ou enfermeiro, não existem 
disciplinas que desenvolvem essa habilidade, levando em consideração o 
desconforto causado ao profissional pela necessidade de manipulação do corpo de 
um indivíduo em pleno desenvolvimento físico e sexual. 
O adolescente tem o direito de optar pela presença de um familiar durante a 
realização do exame físico. Dependendo da situação, o profissional deve solicitar a 
presença de um componente da equipe durante o procedimento. O Quadro 10 
detalha a realização do exame físico. 
 
Quadro 10 – Exame físico no adolescente 
PERGUNTAR OBSERVAR DETERMINAR 
• Deseja ser acompanhado 
por um familiar durante o 
exame físico? 
• Você está insatisfeito com 
algum aspecto de seu 
corpo? 
• Condições gerais 
• Iniciar o exame físico no 
sentido da cabeça para 
os pés. 
• Examinar a pele. 
• Vericar acuidades visual e 
auditiva. 
• Dermatite seborreica. 
Acne 
• Distúrbios na 
acuidade visual e/ou 
auditiva. 
• Síndrome do 
respirador bucal. 
 
88 
 
• Você tem alguma doença 
ou problema clínico em 
tratamento? 
• Tem problema com os 
cabelos? 
• Dificuldade visual e/ou 
auditiva? Tem exposição 
prolongada a ruídos 
excessivos? 
• Ronca quando dorme? 
Tem mau hálito? Dor de 
garganta frequente? 
• Faz sua higiene bucal de 
rotina? 
• Tem hábitos alimentares 
peculiares? 
• Tem o hábito de induzir 
vômitos? 
• Tem dores, mal-estar, 
desmaios etc.? 
• Como são suas 
menstruações/ poluções 
noturnas, atividades 
sexuais? 
• Respiração bucal. Palidez 
de mucosa nasal. 
Rinorréia. 
• Voz anasalada. Muda 
vocal. 
• Hipertroa de amídalas. 
• Arcada dentária. 
Posicionamento dos 
dentes. Manchas e 
perdas dentárias. 
• Exame cardio-respiratório. 
Fígado, baço etc. 
• Postura. Exame da 
coluna. Estágio de 
Tanner. Altura, peso e 
pressão arterial 
• Sinusite e/ou rinite. 
• Amidalite. 
• Cáries, tártaro e/ou 
placas dentárias. 
• Anorexia, Bulemia 
• Anemia. 
• Doenças do aparelho 
respiratório e/ou 
cardiovascular 
• Visceromegalia 
• Estágio puberal 
(critérios de Tanner). 
• Ginecomastia/ 
problemas mamários. 
• Escoliose ou outro 
problema de coluna 
Fonte: Elaborado pelo autor. 
9.2 Saúde mental 
Durante a adolescência, alguns transtornos da saúde mental podem ocorrer 
e devem ser detectados precocemente para uma intervenção eficaz. Alguns 
problemas envolvem também doenças sistêmicas e, portanto, faz-se necessária uma 
abordagem multidisciplinar para um manejo adequado. 
Segundo a teoria de Erik Erikson (1902 – 1994) sobre o desenvolvimento 
psicossocial, tanto as crianças quanto os adolescentes passam por estágios críticos, 
que, no caso da adolescência, inclui “Identidade x Confusão de Papéis” (12 a 18 
 
89 
 
anos). Essa fase é marcada por desafios que podem ser aumentados por conta dos 
transtornos de saúde mental. 
Nesse contexto, o já mencionado CAPSi se torna um elemento primordial na 
rede de saúde mental, já que oferece cuidado e assistências especializados às 
crianças e aos adolescentes em situação de vulnerabilidade psicossocial. Essa 
abordagem se manifesta em práticas especializadas e multidisciplinares adaptadas 
às necessidades infantojuvenis. 
Desse modo, o CAPSi proporciona tanto tratamento para transtornos de 
saúde mental quanto um trabalho ativo para a promoção do desenvolvimento 
saudável, para a inclusão social e para o fortalecimento dos laços familiares e 
comunitários dos pacientes. Esta abordagem multifacetada é fundamental para 
assegurar um cuidado que não se resume ao manejo dos sintomas, em busca do 
bem-estar global e do atendimento à qualidade de vida dos adolescentes e das 
crianças. 
A equipe dos CAPSi é composta por profissionaisde várias disciplinas, com 
no mínimo um psiquiatra, neurologista ou pediatra com formação em Saúde Mental 
infantil, um enfermeiro, e outros profissionais de nível superior (entre: psicólogo, 
assistente social, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, pedagogo) e cinco 
profissionais de nível médio. 
Os CAPSi têm como prioridade o atendimento a autistas, psicóticos e a todos 
aqueles cuja problemática apresente prejuízos psicossociais severos, e são 
encarregados de desenvolver ações para ordenação das diferentes demandas 
relativas à saúde mental da infância e adolescência no território sob sua 
responsabilidade. Importante lembrar que também atendem crianças e adolescentes 
com necessidades decorrentes do uso de drogas. 
9.3 Planejamento Reprodutivo 
Adolescentes têm direito ao atendimento no planejamento reprodutivo sem 
discriminação de qualquer tipo, com garantia de privacidade, sigilo e consentimento 
informado. Os serviços de saúde devem garantir esse atendimento, antes mesmo do 
início da atividade sexual e reprodutiva, para ajudá-los a lidarem com a sua 
sexualidade de forma positiva e responsável, incentivando-se comportamento de 
 
90 
 
prevenção e de autocuidado. Na faixa etária de 10 a 19, podem ser atendidos sem 
a presença dos pais, se assim preferirem. 
Adolescentes de 10 a 14 anos de idade devem ser orientados sobre os 
cuidados específicos e adequados ao seu desenvolvimento psicossexual, com a 
proteção integral necessária, buscando identificar se já têm atividade sexual e se as 
circunstâncias apontam para violência ou para o exercício da sexualidade. 
Havendo confirmação ou suspeita de violência sexual, notificar conforme os 
trâmites preconizados pelo Ministério da Saúde, apoiar emocionalmente esses 
adolescentes e suas famílias e referenciar para outros níveis de atenção à saúde e 
da rede de garantia de direitos e de proteção. 
É importante que as recomendações abaixo, preconizadas na publicação 
Cuidando da saúde sexual e saúde reprodutiva de Adolescentes: orientações 
básicas, sejam observadas pelos profissionais da Atenção Básica no atendimento 
em planejamento reprodutivo para adolescentes: 
 
• No acolhimento aos adolescentes os profissionais devem focar: a dimensão 
humana, individual e ética do atendimento, os direitos e a identificação das 
especificidades de desenvolvimento daqueles adolescentes que estão sendo 
atendidos. 
• Dispensar com acesso facilitado o preservativo nos espaços da Unidade 
Básica de Saúde (UBS), independente de apresentação de documentação, 
local de residência ou qualquer outra forma que dificulte este acesso. 
• Incluir, no planejamento reprodutivo de adolescentes, um forte e sistemático 
componente educativo, com enfoque de gênero, dos direitos sexuais e direitos 
reprodutivos e da corresponsabilidade masculina nos eventos sexuais e 
reprodutivos, respeitando a diversidade sexual. 
• Proporcionar na UBS consulta, informada e esclarecida, com 
médico/enfermeiro para a escolha do método contraceptivo pela adolescente 
e seu parceiro, aproveitando todas as oportunidades que surgem quando 
estão nas UBS. 
• Orientar e esclarecer sobre todos os métodos contraceptivos disponíveis, 
inclusive os naturais, para que possam fazer escolhas livres e bem 
informadas, incluindo o respeito às suas concepções religiosas. 
 
91 
 
• A idade ginecológica (tempo pós-menarca) não deve ser fator limitante para 
a orientação e a prescrição de métodos contraceptivos adequados, levando-
se em consideração o direito à saúde, pois em casos específicos, uma 
possível gravidez pode se configurar como um risco à saúde da adolescente. 
• Orientar e refletir sobre as questões envolvidas na situação, apoiando 
adolescentes que têm relações homoafetivas e que desejam engravidar. 
 
Na discussão sobre os métodos anticoncepcionais (MAC) pressupõe-se o uso 
de técnicas de grupos educativos, onde todas as possibilidades de métodos 
anticoncepcionais são apresentadas e discutidas amplamente com os adolescentes 
de ambos os sexos. 
Deve ter enfoque de gênero, das diferentes orientações sexuais, e uma 
abordagem positiva da sexualidade, incentivando a construção de relações 
igualitárias e respeitosas entre as pessoas. Na consulta individual e nas atividades 
de grupo, entre outros, abordar os seguintes temas: 
 
• Promover o autoconhecimento do corpo como facilitador para o uso dos 
métodos contraceptivos. 
• Informar e orientar sobre a interação de alguns métodos contraceptivos com 
o uso de drogas lícitas e ilícitas. 
• Valorizar os argumentos sobre as vantagens do uso dos preservativos que, 
se usados corretamente em todas as relações, pode prolongar o prazer 
feminino, retardar a ejaculação e proporcionar segurança para ambos. 
• Esclarecer, orientar e apoiar adolescentes que são soropositivos, para o 
exercício da sexualidade e da vida reprodutiva. 
• Esclarecer e orientar sobre os efeitos iniciais do uso do Dispositivo Intrauterino 
(DIU) e ressaltar a importância do acompanhamento e da avaliação periódica 
da posição do DIU, além de sinais de infecção que podem levar à doença 
inflamatória pélvica. 
• Informar e orientar quando é recomendada a utilização da anticoncepção de 
emergência. 
 
92 
 
9.4 Cuidado Integrado na Atenção Básica frente às IST/HIV/aids e Hepatites 
Virais 
Estudos apontam para o aumento da infecção pelo HIV/aids entre as pessoas 
jovens, assinalando que a utilização do preservativo em todas as relações sexuais é 
baixa. Essa constatação induz também à preocupação com outras doenças 
sexualmente transmissíveis, levantando a necessidade do desenvolvimento de 
estratégias que envolvam adolescentes, como o aumento da cobertura vacinal 
contra a hepatite B e a oferta da vacina do HPV para as adolescentes de 10 a 13 
anos de idade. 
Tal situação ressalta a responsabilidade do setor Saúde para o 
desenvolvimento de ações de proteção à saúde na atenção básica, que incidam na 
diminuição da vulnerabilidade desse grupo populacional às IST/HIV/aids e no 
aumento da prática do sexo seguro. 
É imprescindível o envolvimento de toda a sociedade e a reestruturação da 
governança da resposta nacional em saúde, partindo-se da disponibilidade do teste 
rápido de HIV/aids e de hepatites virais na rede básica como uma estratégia de 
fortalecimento das UBS no cuidado à saúde da população em geral, muito importante 
para os adolescentes. 
 Como ações complementares, mas fundamentais na proteção à saúde desse 
segmento, é preciso que as equipes da Atenção Básica conheçam os riscos e as 
vulnerabilidades da população adstrita e identifiquem as medidas de prevenção 
viáveis no contexto de vida de cada adolescente que os procurar. 
Oferecer o teste rápido e o aconselhamento também são oportunidades para 
facilitar o atendimento preventivo e o início do cuidado com a saúde de adolescentes 
que estejam com IST ou infectados pelo HIV. 
Para qualquer situação em que o exame de HIV/aids for requerido para 
menores de 18 anos, devem ser realizadas ações para detectar situações que 
possam violar a dignidade sexual dessas pessoas. Os casos de violação, que é uma 
violência contra a pessoa, requerem o desenvolvimento de ações já determinadas 
pelo Ministério da Saúde, para as pessoas em situação de violência. 
De acordo com as normativas do Ministério da Saúde, os testes rápidos para 
HIV e sífilis na Atenção Básica são ofertados aos adolescentes em geral. As 
adolescentes devem realizar os testes rápidos na primeira consulta de pré-natal. Se 
 
93 
 
a gestante obtiver resultado reagente em qualquer dos testes, seu parceiro também 
deverá ser aconselhado à realização das testagens. 
Caso o adolescente decida realizar o teste de HIV sozinho, o profissional de 
saúde deve avaliar se ele é capaz de entender o seu ato, qual a sua motivação para 
a testagem e se seria capaz de conduzir-se por seus próprios meios após o resultado 
do teste, incluindoa adesão ao tratamento. 
O adolescente deve ser estimulado a compartilhar o que acontece com os 
seus responsáveis ou com adulto(s) em quem confie e que possa servir-lhe de 
suporte. O Quadro 11 lista alguns fatores que são indissociáveis da testagem. 
 
Quadro 11 – Fatores a serem considerados na testagem 
O aconselhamento antes 
do teste 
• Informar e esclarecer sobre IST, HIV/aids e as hepatites 
virais. 
• Avaliar os riscos de transmissão em cada caso, as formas 
de prevenção e redução da transmissão vertical. 
• Explicar a importância do teste e seus resultados e solicitar 
o consentimento pessoal para realização 
O aconselhamento pós-
teste, com resultado 
negativo 
• Valorizar a oportunidade para reforçar hábitos de 
prevenção para as IST, a percepção, a diminuição ou a 
eliminação de riscos, considerando as práticas sexuais e as 
práticas de uso de álcool e de outras drogas, específicas de 
cada caso. 
 O aconselhamento pós-
teste, com resultado 
positivo, segundo o 
Aconselhamento em IST, 
HIV e Aids: diretrizes e 
procedimentos básicos, 
preconiza que 
• Compreender as necessidades e as preocupações de 
adolescentes relacionadas às IST/HIV/aids para reduzir seu 
nível de estresse. 
• Reduzir o impacto do diagnóstico positivo e o estresse na 
convivência com o HIV e a aids. 
• Possibilitar a percepção dos riscos e das vulnerabilidades e 
identificar medidas de prevenção positiva viáveis no 
contexto de vida de cada adolescente. 
• Facilitar a comunicação e realização do diagnóstico para a 
parceria (s) sexual (is) e parceria (s) de uso de drogas se 
for o caso. 
 
94 
 
• Auxiliar adolescentes e suas parcerias no processo de 
adesão ao tratamento. 
• Fortalecer capacidades de enfrentamento das adversidades 
no viver com HIV/aids e outras IST e estimular a 
manutenção dos projetos de vida. 
Fonte: Elaborado pelo autor. 
9.5 Gravidez na adolescência 
Atualmente, a gravidez na adolescência constitui-se como uma questão 
polêmica por ligar aspectos relacionados ao exercício da sexualidade e da vida 
reprodutiva às condições materiais de vida e às múltiplas relações de desigualdades 
que estão presentes na vida social do País. Nesse sentido, é mais apropriado que a 
gravidez na adolescência seja vista como um ponto de inflexão que resulta de uma 
pluralidade de experiências de vida, com diferentes significados, abordado de várias 
maneiras e que adota diversos desfechos. 
Tradicionalmente, a ocorrência da gravidez na adolescência é enfocada como 
não planejada, indesejada e decorrente do desconhecimento de métodos 
anticoncepcionais. Estes aspectos nem sempre estão presentes e sinalizam que a 
análise da gravidez e da maternidade nessa faixa etária não pode ser desvinculada 
das motivações individuais, nem descontextualizada das condições sociais em que 
as adolescentes estão inseridas, considerando-se a influência de fatores 
sociopolíticos, culturais e psicológicos implicados na escolha de ser mãe. 
 Para a saúde pública, a gravidez na adolescência tem sido um desafio. Visto 
que muitas destas gestações terminam em abortos provocados, realizados em 
condições adversas, que evoluem com problemas obstétricos como hemorragia, 
infecção ou perfuração uterina, contribuindo para o aumento da mortalidade materna 
neste grupo etário. 
Outro aspecto de destaque é a possibilidade de risco biológico dessa 
gravidez, quando associada a outros fatores, como desnutrição e acompanhamento 
tardio, entre outros. Se presente, esse risco não está especificamente ligado ao fato 
de a gestante ser adolescente, pois pode ser minimizado por meio de um 
acompanhamento pré-natal adequado e iniciado o mais cedo possível. 
 
95 
 
Outro risco apontado é o risco psicossocial, uma vez que a maternidade pode 
influenciar no abandono escolar e dificultar o acesso ao mercado de trabalho. No 
entanto, a análise desta questão é complexa, já que outros fatores também 
participam na evasão escolar e na exclusão social de adolescentes. 
 
9.5.1 Teste rápido de gravidez (TRG) 
 
Para que a gravidez na adolescência transcorra sem intercorrências é 
importante que a captação para o início do pré-natal seja realizada o mais 
precocemente possível. Dessa forma, o momento do diagnóstico da gestação é de 
fundamental importância. 
Para facilitar a captação precoce da adolescente gestante no pré-natal 
(primeiro trimestre) deve-se ter disponível o TRG. A entrega do insumo TRG pela 
equipe de AB pode ser feita à adolescente ou à parceria sexual, o teste pode ser 
realizado dentro ou fora da UBS, respeitando o direito da autonomia e sigilo. 
Em qualquer das circunstâncias o acolhimento deve ser feito pelo profissional 
de Saúde no sentido de garantir informação qualificada e fortalecer o vínculo com a 
usuária. Caso o teste seja feito na UBS o profissional de Saúde deverá agendar de 
imediato a consulta para o planejamento reprodutivo ou o início do pré-natal. 
 É imprescindível facilitar o acesso de adolescentes ao TRG na atenção 
básica, especialmente as que estão na faixa etária entre 10 a 16 anos, devido às 
singularidades destas idades e por estarem em situação peculiar de 
desenvolvimento, necessitando de maior apoio e proteção. O profissional deve estar 
atento às situações de violência sexual, e seguir as normas técnicas do Ministério da 
Saúde e legais, se for o caso. 
A solicitação do teste de gravidez por adolescentes deve estar vinculada à 
realização de acolhimento que faça a orientação pré-teste e informe sobre a 
disponibilidade, também, dos testes rápidos para sífilis, HIV/aids e a orientação para 
o planejamento reprodutivo. 
Na orientação pré-teste, acolher a adolescente para que se sinta segura em 
conversar sobre seus sentimentos e seja informada de que o atendimento é sigiloso 
e confidencial, para que ela possa retornar à unidade independente do resultado. 
 É preciso verificar sempre a data da última menstruação e da última relação 
sexual para avaliar a possibilidade do uso da anticoncepção de emergência e 
 
96 
 
informar que o teste rápido pode dar falso negativo na fase inicial da gravidez. No 
caso de dúvida, usar o preservativo masculino ou feminino ou não ter relações 
sexuais até a realização de novo exame. No caso de TRG negativo, é importante 
enfatizar a necessidade de acompanhamento de contracepção e prevenção da 
gravidez não planejada. No caso de TRG positivo e a adolescente deseja a 
gravidez: 
 
• O teste é de triagem, porém, a partir dele, a adolescente já pode ser vinculada 
ao pré-natal. O beta HCG, quando indicado, poderá ser realizado 
posteriormente, com os demais exames. 
• Iniciar a rotina de pré-natal e reforçar o convite para participação da parceria 
sexual durante as consultas, favorecendo o engajamento da parceria em 
ações educativas e preventivas. 
 
Já no caso de TRG positivo e a adolescente não deseja a gravidez, os 
procedimentos recomendados são os seguintes: 
 
• Orientar sobre os direitos acerca da gestação: atenção ao pré-natal, 
assistência ao parto e ao nascimento, rede de proteção social com condições 
diferenciadas para continuidade dos estudos, licença-maternidade, 
programas específicos para famílias de baixa renda, utilização de creche e 
encaminhar para orientações com assistente social da rede de saúde local, 
se for o caso. 
• Ofertar mediação de conflitos familiares decorrentes da gravidez não 
planejada, em que o fator familiar é determinante para a não aceitação da 
gravidez. 
• Orientar sobre possibilidades de adoção, caso opte(m) pela continuidade da 
gestação e não haja desejo ou condições de permanecer com a criança. 
• Informar que a legislação brasileira permite a interrupção da gestação para os 
casos previstos em lei (violência sexual, risco de morte para a mulher, 
anencefalia fetal). 
• Informar acerca do risco de práticas caseiras para a interrupção da gravidez. 
 
97 
 
• Orientar sinaise sintomas de alerta, caso haja interrupção da gravidez de 
modo inseguro: febre, calafrios, hemorragia, dor abdominal, dor no baixo 
ventre, secreção vaginal com odor fétido, dor ao urinar. Ressaltar a 
importância de procurar o hospital mais próximo caso apresente quaisquer 
desses sintomas. 
9.6 Acompanhamento pré-natal da adolescente 
A equipe de saúde deve atuar garantindo atendimento integral, físico, 
emocional e social, usando recursos que aumentem a capacidade dos envolvidos na 
situação para buscarem as melhores alternativas de lidar com a adolescente. 
É preciso identificar no território todas as adolescentes que estão grávidas e 
em especial as que estão em situação de maior vulnerabilidade (vivendo na rua, em 
conflito com a lei, usuárias de álcool e outras drogas, indígenas, quilombolas, 
ribeirinhas, de famílias beneficiadas pelo Programa Bolsa Família) para que sejam 
acolhidas e recebam cuidados diferenciados, de acordo com as suas necessidades 
e demandas de saúde. 
 Na avaliação do risco gestacional em todas as adolescentes grávidas, 
realizar o diagnóstico precoce e de intercorrências incluindo as variáveis 
psicossociais para a prevenção de situações de risco. 
 Entre os aspectos importantes a serem abordados pela equipe de saúde 
durante o acompanhamento pré-natal e nas ações educativas, principalmente para 
adolescentes de 10 a 16 anos, estão: 
 
• A importância do pré-natal para a saúde dela e de seu filho. 
• O desenvolvimento da gestação e as modificações corporais e 
emocionais na gravidez. 
• Orientar sobre os hábitos saudáveis de nutrição e cuidados pessoais, 
e sobre os medos e fantasias referentes à gestação e ao parto. 
• Esclarecer sobre a atividade sexual, incluindo a prevenção de 
IST/HIV/aids. 
• Informar sobre sintomas comuns da gravidez e orientações para as 
queixas mais frequentes. 
 
98 
 
• Orientar sobre sinais de alerta e o que fazer nessas situações 
(sangramento vaginal, dor de cabeça, transtornos visuais, dor 
abdominal, febre, perdas vaginais, dificuldade respiratória e cansaço). 
• Preparar para o parto, informando sobre os sinais e sintomas do início 
das contrações e do trabalho de parto. 
• Orientar e incentivar para o parto normal, resgatando-se, como 
processos fisiológicos, a gestação, o parto, o puerpério e o aleitamento 
materno. 
• Esclarecer à adolescente gestante em que situações é necessário o 
parto cesariano, uma vez que a sua condição de adolescente, por si 
só, não justifica a indicação desse procedimento. 
• Orientar a adolescente gestante sobre a importância do contato pele a 
pele logo após o nascimento, para o recém-nascido e para a mãe, 
principalmente na criação do vínculo entre ela e o bebê. 
• Informar sobre a importância da consulta puerperal e do recém-nascido 
na primeira semana após o parto. 
• Orientar sobre os cuidados com o recém-nascido e sobre a importância 
do acompanhamento do crescimento e desenvolvimento da criança. 
• Facilitar o futuro exercício da paternidade e da maternidade 
adolescente, acolhendo as adolescentes grávidas e seus parceiros 
adolescentes, e preparando-os para esse exercício. Envolver também 
os seus familiares. 
 
Pela possibilidade de vulnerabilidade em adolescentes grávidas na faixa 
etária de 10 a 14 anos, deve-se promover assistência qualificada, com abordagem 
diferenciada, considerando a necessidade de um maior número de consultas e as 
questões éticas e legais. 
Nesta faixa etária, as principais comorbidades a serem rastreadas são as 
doenças hipertensivas específicas da gravidez, da anemia, de infecções e da 
prematuridade. É fundamental monitorar no pré-natal os fatores de risco, mas que 
não configuram uma gravidez de alto risco, tais como: 
 
• Idade menor do que 15 anos. 
 
99 
 
• Altura menor do que 1,45 m. 
• Peso menor do que 45 Kg ou maior que 75 Kg. 
• Dependência de drogas lícitas ou ilícitas. 
• Baixa escolaridade (menor do que cinco anos de estudo regular). 
• Não aceitação da gravidez. 
• Situação familiar ou conjugal insegura. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
100 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
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de 19 de dezembro de 1986, 7.998, de 11 de janeiro de 1990, 5.537, de 21 de 
novembro de 1968, 8.315, de 23 de dezembro de 1991, 8.706, de 14 de setembro 
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janeiro de 1946, e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo 
Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Brasília: Presidência da República, 
2012. 
BRASIL. Lei nº 12.852, de 5 de agosto de 2013. Institui o Estatuto da Juventude e 
dispõe sobre os direitos dos jovens, os princípios e diretrizes das políticas públicas 
de juventude e o Sistema Nacional de Juventude - SINAJUVE. Brasília: Presidência 
da República, 2013. 
BRASIL. Lei nº 13.010, de 26 de junho de 2014. Altera a Lei nº 8.069, de 13 de 
julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), para estabelecer o direito da 
criança e do adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigos 
físicos ou de tratamento cruel ou degradante, e altera a Lei nº 9.394, de 20 de 
dezembro de 1996. Brasília: Presidência da República, 2014a. 
BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança 
e do Adolescente e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 1990. 
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria MS nº 1.130, de 5 de agosto de 2015. Institui 
a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC) no âmbito do 
Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília: Ministério da Saúde, 2015. 
 
101 
 
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria MS nº 1.459, de 24 de junho de 2011. 
Institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS - a Rede Cegonha. Brasília: 
Ministério da Saúde, 2011a. 
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria MS nº 2.338, de 3 de outubro de 2011. 
Estabelece diretrizes e cria mecanismos para a implantação do componente Sala de 
Estabilização (SE) da Rede de Atenção às Urgências. Brasília: Ministério da Saúde, 
2011b. 
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria MS nº 4.279, de 30 de dezembro de 2010. 
Estabelece diretrizes para a organização da Rede de Atenção à Saúde no âmbito do 
Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília: Ministério da Saúde, 2010. 
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a Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas no âmbito do 
Sistema Único de Saúde (SUS) e estabelece diretrizes para a organização das suas 
linhas de cuidado. Brasília: Ministério da Saúde, 2014b. 
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria MS nº 793, de 24 de abril de 2012. Instituia 
Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência no âmbito do Sistema Único de Saúde. 
Brasília: Ministério da Saúde, 2012. 
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria MS nº 874, de 16 de maio de 2013. Institui 
a Política Nacional para a Prevenção e Controle do Câncer na Rede de Atenção à 
Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas no âmbito do Sistema Único de Saúde 
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TEIXEIRA, C. et al. Bem-estar psicológico e utilização problemática da internet em 
adolescentes. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental. n. 26, p. 60-
68, 2021.mais resilientes e competentes cognitivamente. 
Por outro lado, famílias disfuncionais ou com altos níveis de conflito se 
relacionam ao aumento dos problemas emocionais e comportamentais das crianças. 
A parentalidade positiva, baseada no afeto, no estímulo e no suporte consistentes, é 
crucial para aumentar o potencial de desenvolvimento das crianças e é 
particularmente importante em situações de adversidade econômica. 
Os avanços na neurociência contribuíram bastante para a compreensão mais 
completa da relação entre fatores biológicos e ambientais. É amplamente aceito que 
o desenvolvimento infantil é um processo dinâmico e plástico, onde fatores genéticos 
interagem com os ambientes sociais e físicos. 
A título de exemplo, a exposição a toxinas ambientais, como poluição e metais 
pesados, pode afetar negativamente o desenvolvimento físico e neural. Iniciativas 
globais focadas na diminuição dos níveis de exposição a contaminantes ambientais 
se demonstraram potencialmente positivas para melhorar os resultados do 
desenvolvimento infantil, principalmente das populações vulneráveis. 
Quando isolada, a biologia fornece uma perspectiva limitada sobre o 
desenvolvimento infantil. É a interação multifacetada dos fatores biológicos com os 
ambientais que determinam o progresso do desenvolvimento infantil. Sugere-se que 
 
11 
 
intervenções intersetoriais, que incluem a educação, a saúde e o bem-estar social, 
são as mais eficientes para falar sobre as desigualdades no desenvolvimento. 
Um bom exemplo de intervenção intersetorial está nos programas que 
promovem o aleitamento materno, a suplementação nutricional e o apoio parental, 
que se mostraram promissores no aumento dos índices de desenvolvimento em 
diversas populações ao redor do mundo. 
Ao considerar estratégias para aprimorar o desenvolvimento infantil, é 
essencial compreender que os fatores ambientais e biológicos não funcionam de 
forma isolada. Eles estão conectados em uma rede complexa de influências que 
definem as trajetórias de desenvolvimento. 
A promoção da educação e da saúde infantil deve adotar uma abordagem 
bem abrangente, a fim de priorizar o desenvolvimento de ambientes nutritivos e 
emocionalmente sustentáveis para todas as crianças, independentemente de seu 
contexto socioeconômico. O fluxograma da Figura 2 demonstra os principais fatores 
biológicos e ambientais que influenciam no desenvolvimento infantil. 
 
Figura 2 – Influências ambientais e biológicas no desenvolvimento infantil 
 
Fonte: Adaptado de Medeiros e Braga, 2025. 
 
 
 
 
12 
 
2.3 Impactos da pandemia de COVID-19 
São vários os desafios que a pandemia de COVID-19 trouxe para o 
desenvolvimento e para o crescimento infantil. Enquanto os governos implantavam 
medidas de distanciamento social e bloqueios para diminuir a propagação do vírus, 
o ambiente de desenvolvimento das crianças mudou consideravelmente. Tais 
mudanças ressaltaram as vulnerabilidades estruturais existentes, que influenciam 
diretamente no desenvolvimento infantil. 
Dentre os efeitos adversos no bem-estar das crianças, pode-se destacar a 
interrupção das rotinas diárias, a limitação de interações sociais e o estresse 
ambiental e familiar exagerados. Essas perturbações tiveram impactos prolongados 
na saúde social, mental e emocional das crianças, com algumas experiências 
adversas que continuam a influenciar o desenvolvimento muito tempo depois do fim 
da pandemia. 
As repercussões da COVID-19 foram agravadas em ambientes já desiguais 
economicamente, portanto, famílias de baixa renda enfrentaram maiores 
dificuldades em acessar recursos de saúde e de educação, algo que aumentou o 
risco de lacunas de aprendizagem e de desenvolvimento atrasado. 
Além disso, a pandemia aumentou o estresse econômico das famílias que, 
por sua vez, impactou a dinâmica familiar e influenciou negativamente na qualidade 
do suporte parenteral e das interações dentro do lar. Diversas crianças presenciaram 
um aumento na violência doméstica e no estresse parental, fatores que 
comprometem consideravelmente o desenvolvimento saudável. 
Os programas governamentais foram primordiais para reduzir os efeitos 
prejudiciais da pandemia. Iniciativas como o Programa Criança Feliz, que oferece 
apoio direto e contínuo às famílias vulneráveis durante a pandemia, se mostraram 
muito importantes. 
Esses programas não ofereceram somente suporte material, mas também 
orientação parenteral, que ajudou a manter os ambientes familiares mais estáveis e 
propícios ao desenvolvimento, mesmo em tempos de crise. A eficácia dessas 
intervenções depende da sua capacidade de se adaptar rapidamente às 
necessidades que surgiram e de fornecer suporte contínuo e integrado para as 
famílias. 
 
13 
 
A pandemia também destacou a importância das abordagens digitais para o 
apoio educacional infantil. Com o fechamento das escolas, as plataformas de 
aprendizado online e as ferramentas digitais se tornaram fundamentais. Entretanto, 
a eficácia dessas soluções variou bastante, isso demonstrou as desigualdades em 
relação ao acesso à tecnologia. 
Famílias sem acesso adequado à internet ou dispositivos de big techs tiveram 
maior dificuldade em manter o aprendizado infantil. A abordagem dessas questões 
exige uma reavaliação das políticas educacionais e um aumento contínuo do acesso 
a tecnologias digitais, que vão garantir um aprendizado contínuo e equitativo para 
todas as crianças. 
Em suma, a pandemia destacou as necessidades de fortalecer o apoio social 
e educacional para proteger o desenvolvimento infantil em tempos de crise. Construir 
resiliência em sistemas de saúde pública e educação é fundamental para reduzir 
impactos futuros de crises globais semelhantes. 
A experiência pandêmica demonstra que investimentos em serviços 
integrados de apoio à infância não são apenas desejáveis, mas também cruciais 
para assegurar que todas as crianças tenham oportunidades iguais de crescimento 
e desenvolvimento saudável, independentemente das adversidades enfrentadas. 
3 POLÍTICAS PÚBLICAS DE ATENÇÃO Á SAÚDE DA CRIANÇA 
Elaborar e implementar políticas públicas eficientes é crucial para o 
crescimento e o desenvolvimento saudável das crianças. Governos e organismos 
internacionais cumprem um papel importante na elaboração de estratégias que 
promovam o bem-estar infantil. 
As intervenções governamentais podem variar desde programas de nutrição 
e saúde infantil até iniciativas educacionais e de suporte social, a fim de gerar um 
impacto duradouro no desenvolvimento das crianças. A eficácia dessas políticas 
reside na capacidade que elas têm de serem abrangentes e bem integradas, de 
forma que garanta as necessidades de desenvolvimento da criança de forma 
holística e contextualizada. 
Silva et al. (2025) afirmam que políticas públicas eficazes se beneficiam de 
uma abordagem multissetorial, que envolve educação, saúde e bem-estar social. 
 
14 
 
Como exemplo, pode-se citar a implementação de programas de transferência de 
renda condicionados, que contribuem para a melhoria dos resultados de saúde e 
desenvolvimento infantil, além de aliviar a pobreza e incentivar o acesso à educação 
e cuidados de saúde. 
Portanto, as políticas devem ser projetadas para enfrentar as principais 
barreiras enfrentadas pelas crianças e suas famílias, como o acesso a serviços 
essenciais e suporte a pais e cuidadores para poderem fornecer ambientes de 
desenvolvimento enriquecidos. 
Como dito anteriormente, a pandemia de COVID-19 reforçou a necessidade 
de intervenções políticas rápidas e eficazes para a proteção do desenvolvimento 
infantil. A implementação de políticas que garantam a continuidade do aprendizado 
e a distribuição de refeições escolares durante a crise se mostrou primordial para 
diminuir os impactos das restrições e dos bloqueios. 
Além disso, o fortalecimento das redes de segurança social e o aumento do 
alcance deprogramas de visita domiciliar se mostraram fundamentais para apoiar 
famílias vulneráveis no decorrer da pandemia, isso destaca a importância de políticas 
ágeis e inclusivas. 
Contudo, as políticas públicas devem ser avaliadas constantemente para 
serem ajustadas conforme os desafios emergentes e as evidências científicas 
atualizadas. A integração de práticas embasadas em dados e evidências relevantes 
melhora o desenvolvimento de políticas e programas bem-sucedidos. 
Martins et al. (2025) afirmam que a participação comunitária na elaboração e 
na implementação de políticas é primordial para assegurar que essas intervenções 
atendam às necessidades dos beneficiados com eficiência, isto é, as crianças e suas 
famílias. 
Por último, o desenvolvimento contínuo em pesquisas sobre os determinantes 
do desenvolvimento infantil vai proporcionar uma base crítica para a elaboração de 
políticas públicas sólidas. Os resultados das pesquisas científicas dão orientações 
sobre quais estratégias são mais eficazes, além de contribuírem para a criação de 
políticas capazes de otimizar recursos e oferecerem soluções a longo prazo. 
A promoção de ambientes que sustentem o desenvolvimento infantil requer 
um compromisso coordenado e coletivo, que inclua decisores políticos aos cidadãos, 
para assegurar que cada criança consiga chegar em seu potencial pleno, 
independentemente das circunstâncias que se encontre. 
 
15 
 
No contexto das políticas em saúde para crianças, a PNAISC se organiza a 
partir das redes de atenção à saúde e de seus eixos estratégicos, na qual a APS 
configura-se como coordenadora do cuidado à criança e ponto central desse 
processo. 
4 PNAISC – POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO Á SAÚDE DA CRIANÇA 
Ao longo das últimas décadas, o Brasil tem adotado diversas estratégias para 
promover a saúde das crianças e reduzir a mortalidade infantil, entre as quais a 
Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC) se destaca como 
uma das principais iniciativas. 
A PNAISC, instituída em 2015, busca assegurar uma atenção integral e 
contínua à saúde da criança, desde o período gestacional até os primeiros anos de 
vida, promovendo o desenvolvimento saudável e prevenindo agravos evitáveis. 
Essa política abrange uma série de ações coordenadas no âmbito do Sistema 
Único de Saúde (SUS), incluindo programas de imunização, acompanhamento do 
crescimento e desenvolvimento infantil, e atenção especializada a crianças com 
necessidades especiais. 
Segundo Silva et al. (2024), os avanços obtidos nos indicadores de saúde 
infantil no Brasil, principalmente a partir da década de 1990, estão intimamente 
ligados à implementação de políticas de saúde que integram ações preventivas e 
curativas. O Programa Saúde da Família (PSF) e o Programa Nacional de 
Imunizações (PNI) são exemplos de políticas que tiveram grande impacto na 
promoção da saúde infantil e na prevenção de doenças. 
No entanto, mesmo com esses avanços, persistem desafios, sobretudo nas 
regiões mais carentes do país, onde a falta de infraestrutura, a escassez de 
profissionais qualificados e as desigualdades socioeconômicas limitam a efetividade 
das ações. 
Além da desigualdade no acesso aos serviços de saúde, o Brasil enfrenta o 
desafio de garantir a cobertura universal de programas essenciais como o PNI. O 
Programa Nacional de Imunizações, responsável pela erradicação de várias 
doenças infecciosas, ainda enfrenta obstáculos logísticos e estruturais, 
principalmente em áreas rurais e regiões remotas. 
 
16 
 
Apesar do sucesso do PNI em áreas urbanas, a cobertura vacinal em algumas 
regiões do país permanece abaixo dos níveis ideais, expondo as crianças a riscos 
evitáveis. Esse cenário reflete a necessidade de uma maior atenção à infraestrutura 
de saúde nas regiões mais vulneráveis, bem como à formação e capacitação dos 
profissionais de saúde. Para compreender melhor essa política de saúde, serão 
listados os sete eixos da PNAISC. 
4.1 Eixos da PNAISC 
 
Fonte: slideplayer.com.br 
A PNAISC se estrutura em 7 (sete) eixos estratégicos, com a finalidade de 
orientar e qualificar as ações e serviços de saúde da criança no território nacional, 
considerando os determinantes sociais e condicionantes para garantir o direito à vida 
e à saúde, visando à efetivação de medidas que permitam o nascimento e o pleno 
desenvolvimento na infância, de forma saudável e harmoniosa, bem como a redução 
das vulnerabilidades e riscos para o adoecimento e outros agravos, a prevenção das 
doenças crônicas na vida adulta e da morte prematura de crianças. 
 
17 
 
Tais eixos estão listados na Portaria nº 1.130/2015, que orientam as ações da 
saúde infantil no SUS, isto é, o atendimento a pacientes desde a gestação até os 9 
anos. Até o momento, o texto da Portaria em relação aos eixos permanece 
inalterado. 
 
4.1.1 Eixo Estratégico I – Atenção Humanizada e Qualificada à Gestação, ao Parto, 
ao Nascimento e ao Recém-Nascido 
 
A atenção integral à gestação, ao parto e ao nascimento inicia-se com a visão 
abrangente de saúde integral da mulher (Paism) e promoção da saúde sexual e 
reprodutiva, desde a adolescência. Enfoca a fisiologia, o protagonismo e autonomia 
da mulher neste processo, contrapondo-se à abordagem predominante de 
medicalização com intervenções excessivas e, muitas vezes, prejudiciais para a 
saúde da mulher e do bebê. Deve incluir situações especiais como atenção às 
mulheres em situação de violência, a prevenção e abordagem da gravidez não 
planejada e a de alto risco, a assistência à infertilidade e atenção diferenciada a 
situações de risco, as doenças ou problemas com identificação e os tratamentos 
oportunos para prevenção de complicações. 
• A prevenção da transmissão vertical do HIV e da sífilis. 
• A atenção humanizada e qualificada ao parto e ao recém-nascido no 
momento do nascimento, com capacitação dos profissionais de enfermagem 
e médicos para prevenção da asfixia neonatal e das parteiras tradicionais. 
• A atenção humanizada ao recém-nascido de baixo peso, com a utilização do 
“Método Canguru”. 
• A qualificação da atenção neonatal na rede de saúde materna, neonatal e 
infantil, com especial atenção aos recém-nascidos graves ou potencialmente 
graves, internados em Unidade Neonatal, com cuidado progressivo entre a 
Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), a Unidade de Cuidado 
Intermediário Neonatal Convencional (UCINCo) e a Unidade de Cuidado 
Intermediário Neonatal Canguru (UCINCa). 
 
18 
 
De acordo com Ministério da Saúde (2015, art. 7º) da PNAISC, são ações 
estratégicas do eixo de atenção humanizada e qualificada à gestação, ao parto, ao 
nascimento e ao recém-nascido: 
 
4.1.2 Eixo Estratégico II – Aleitamento Materno e Alimentação Complementar 
Saudável 
 
Estratégia ancorada na promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, 
iniciando na gestação, considerando-se as vantagens da amamentação para a 
criança, a mãe, a família e a sociedade, bem como a importância de estabelecimento 
de hábitos alimentares saudáveis (Brasil, 2015, art. 6º, item II). 
O aleitamento materno tem se constituído em tema fundamental para a saúde 
e a qualidade de vida da criança. Evidências científicas comprovam que a 
amamentação, quando praticada de forma exclusiva até os 6 meses e 
complementada com alimentos apropriados até os 2 anos de idade ou mais, 
demonstra grande potencial transformador no crescimento, no desenvolvimento e na 
prevenção de doenças na infância e idade adulta e promoção não apenas da 
sobrevivência infantil, mas do pleno desenvolvimento do ser humano. 
As políticas públicas de aleitamento materno do Brasil, historicamente, têm 
trabalhado sob a ótica da promoção, da proteção e do apoio à mulher, começando 
no início da gestação, considerando as vantagens da amamentação para a criança, 
a mãe, a família e a sociedade, constituindo-se em prioridade para o País.As ações, 
iniciativas e estratégicas do eixo de aleitamento materno e alimentação 
complementar saudável são: 
 
• A alta qualificada do recém-nascido da maternidade, com vinculação da 
dupla mãe-bebê à Atenção Básica, de forma precoce, para continuidade do 
cuidado, a exemplo da estratégia do “5º Dia de Saúde Integral”, que se traduz 
em um conjunto de ações de saúde essenciais a serem ofertadas para a mãe 
e bebê pela Atenção Básica à Saúde no primeiro contato após a alta da 
maternidade. 
• O seguimento do recém-nascido de risco, após a alta da maternidade, de 
forma compartilhada entre a Atenção Especializada e a Atenção Básica. 
• As triagens neonatais universais. 
 
19 
 
• A Iniciativa Hospital Amigo da Criança (Ihac). 
• Estratégia Nacional para Promoção do Aleitamento Materno e Alimentação 
Complementar Saudável no SUS – Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil 
(EAAB). 
• A ação de apoio à Mulher Trabalhadora que Amamenta (MTA). 
• A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH). 
• A implementação da Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para 
Lactentes, para Crianças de Primeira Infância, Bicos Chupetas e Mamadeiras 
(Nbcal). 
• A mobilização social em aleitamento materno. 
 
4.1.3 Eixo Estratégico III – Promoção e Acompanhamento do Crescimento e do 
Desenvolvimento Integral 
 
Consiste na vigilância e estímulo do pleno crescimento e desenvolvimento da 
criança, em especial do “Desenvolvimento na Primeira Infância (DPI)”, pela Atenção 
Básica à saúde, conforme as orientações da Caderneta de Saúde da Criança, 
incluindo ações de apoio às famílias para o fortalecimento de vínculos familiares. 
Este eixo estratégico da PNAISC constitui uma das preocupações mais 
tradicionais da saúde pública nacional quando se trata da saúde da criança. A seguir, 
destacam-se as ações estratégicas do eixo de promoção e acompanhamento do 
crescimento e do desenvolvimento integral: 
 
• A disponibilização da Caderneta de Saúde da Criança, com atualização 
periódica de seu conteúdo. 
• A qualificação do acompanhamento do crescimento e desenvolvimento 
da primeira infância pela Atenção Básica à Saúde. 
• O Comitê de Especialistas e de Mobilização Social para o 
Desenvolvimento Integral da Primeira Infância, no âmbito do Sistema 
Único de Saúde (SUS). 
• O apoio à implementação do Plano Nacional pela Primeira Infância. 
 
 
 
 
20 
 
4.1.4 Eixo Estratégico IV – Atenção Integral a Crianças com Agravos Prevalentes 
na Infância e com Doenças Crônicas 
 
Consiste em estratégia para o diagnóstico precoce e a qualificação do manejo 
de doenças prevalentes na infância e ações de prevenção de doenças crônicas e de 
cuidado dos casos diagnosticados, com o fomento da atenção e internação domiciliar 
sempre que possível. 
Nas últimas décadas, tem-se observado importante mudança no perfil de 
morbimortalidade da população brasileira, denominada de “transição 
epidemiológica”, caracterizada pela redução das doenças infectocontagiosas, 
aumento das doenças crônicas não transmissíveis e, mais recentemente, o aumento 
de casos de anomalias congênitas. A transição epidemiológica ocorre devido a 
fatores como a urbanização, o acesso aos serviços de saúde, os meios de 
diagnóstico e as mudanças culturais expressivas. 
No Brasil, porém, essa transição apresenta características particulares, 
decorrentes das diferenças sociais, econômicas e regionais, e o envelhecimento da 
população, apresentando assim um modelo de transição onde ainda temos 
significativa ocorrência de agravos causados por doenças infectocontagiosas e, ao 
mesmo tempo, o crescimento da morbimortalidade por doenças crônicas não 
transmissíveis. 
Tais mudanças criaram novas demandas para o sistema de saúde, que 
precisa assistir as crianças que apresentam condições crônicas de saúde com uma 
gama variada de etiologias e prevalências distintas, que vão desde doenças como 
problemas alérgicos, obesidade, diabetes, hipertensão, distúrbios neurológicos, 
câncer e problemas de saúde mental até doenças raras como síndromes genéticas 
e metabólicas, lembrando ainda, que as condições crônicas de saúde apresentam 
um largo espectro de gravidade. 
São ações estratégicas do eixo de atenção integral a crianças com doenças 
crônicas: 
 
• A Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (Aidpi). 
• A construção de diretrizes de atenção e linhas de cuidado. 
• O fomento da atenção e internação domiciliar. 
 
 
21 
 
 
• Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância – Aidpi 
 A estratégia “Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância” (Aidpi) 
tem por objetivo diminuir a morbidade e mortalidade de crianças entre zero a 5 anos 
de idade, por meio da melhoria da qualidade da atenção prestada à criança por 
profissionais de saúde, em especial na Atenção Básica à Saúde, promovendo ações 
de promoção e prevenção em saúde infantil, diminuindo a mortalidade por estas 
doenças, não apenas investindo na sobrevivência das crianças, mas também no seu 
pleno desenvolvimento infantil. 
Trata-se de uma abordagem da Atenção Integral à Saúde da Criança, 
desenvolvida originalmente pela Organização Pan-Americana da 
Saúde/Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS) e pelo Fundo das Nações 
Unidas para a Infância (Unicef), que teve início no Brasil no ano 1996. 
Caracteriza-se pela consideração simultânea e integrada do conjunto de 
doenças de maior prevalência na infância, em vez do enfoque tradicional que busca 
abordar cada doença isoladamente, como se ela fosse independente das demais 
doenças que atingem a criança e do contexto em que ela está inserida. 
 
4.1.5 Eixo Estratégico V – Atenção Integral à Criança em Situação de Violências, 
Prevenção de Acidentes e Promoção da Cultura de Paz 
 
Consiste em articular um conjunto de ações e estratégias da rede de saúde 
para a prevenção de violências, acidentes e promoção da cultura de paz, além de 
organizar metodologias de apoio aos serviços especializados e processos formativos 
para a qualificação da atenção à criança em situação de violência de natureza 
sexual, física e psicológica, negligência e/ou abandono, visando à implementação de 
linhas de cuidado na Rede de Atenção à Saúde e na rede de proteção social no 
território. 
Para efeito da política, considera-se como violência “quaisquer atos ou 
omissões dos pais, responsáveis, instituições e, em última instância da sociedade 
em geral, que redundam em dano físico, emocional, sexual e moral”, abrangendo 
ainda a negligência e/ou abandono. O termo acidente é consagrado pelo uso, 
contudo, podemos assumir que tais eventos são, em maior ou menor grau, 
 
22 
 
previsíveis e preveníveis, retirando-lhes, assim, a conotação fortuita e casual que lhe 
pode ser atribuída. 
Para ambos os agravos, tanto os acidentes como as violências, devem-se 
investir em ações de prevenção e de promoção da cultura de paz, considerando-se 
que são eventos evitáveis. 
 As medidas normativas, especialmente o Estatuto da Criança e do 
Adolescente, repudiam a violência, definindo, no Art. 5º da Lei, que “Nenhuma 
criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, 
exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer 
atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.” 
De acordo com a Lei n.º 13.010, de 26 de junho de 2014, “A criança e o 
adolescente têm o direito de ser educados e cuidados sem o uso de castigo físico ou 
de tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação 
ou qualquer outro pretexto [...]” (BRASIL, 2014a). 
A PNAISC define como ações estratégicas do eixo de atenção integral à 
criança em situação de violências, prevenção de acidentes e promoção da cultura 
de paz: 
 
• O fomento à organização e qualificação dos serviços especializados para 
atenção integral a crianças e suas famílias em situação de violência sexual.• A implementação da “Linha de Cuidado para a Atenção Integral à Saúde de 
Crianças, Adolescentes e suas Famílias em Situação de Violências”. 
• A articulação de ações intrassetoriais e intersetoriais de prevenção de 
acidentes, violências e promoção da cultura de paz. 
• O apoio à implementação de protocolos, planos e outros compromissos sobre 
o enfrentamento às violações de direitos da criança pactuados com instituições 
governamentais e não governamentais, que compõem o sistema de garantia de 
direitos. 
 
Destacam-se ações a serem desenvolvidas, nas três esferas de gestão do 
SUS, para o estímulo à cultura de paz, a direitos humanos e a não violência: 
 
 
23 
 
• Realização de campanhas informativas e educativas sobre a prevenção de 
violências contra crianças e estímulo à cultura de paz, articuladas de forma 
intra e intersetorial, direcionadas às famílias, mas também para a comunidade 
escolar. 
• Articulação de ações intersetoriais para o desenvolvimento integral da criança 
e a promoção da cultura de paz, visando ao empoderamento e fortalecimento 
das competências familiares para bom vínculo afetivo e para educação com 
limites, mas sem violência. 
• Capacitação permanente dos profissionais das políticas sociais básicas 
(educação e assistência) para o desenvolvimento de competências 
necessárias para a prevenção, a identificação de sinais e sintomas de 
violências e para o cuidado dessas situações. 
 
4.1.6 Eixo Estratégico VI – Atenção à Saúde de Crianças com Deficiência ou em 
Situações Específicas e de Vulnerabilidade 
 
Consiste na articulação de um conjunto de estratégias intrassetoriais e 
intersetoriais, para inclusão dessas crianças nas redes temáticas de atenção à 
saúde, mediante a identificação de situação de vulnerabilidade e risco de agravos e 
adoecimento, reconhecendo as especificidades deste público para uma atenção 
resolutiva. 
Para esta política, as crianças com Deficiência ou em Situações específicas 
e/ou de Vulnerabilidade são as que demandam ações estratégicas e serviços de 
saúde prioritários, que em regra geral devem ser articulados com outras políticas 
públicas. 
Crianças com deficiência são aquelas que nascem ou adquirem algum tipo de 
deficiência de natureza física, mental, intelectual ou sensorial – com alguma 
repercussão no desenvolvimento neuropsicomotor. 
São consideradas crianças em situações específicas as crianças indígenas, 
quilombolas, do campo e da floresta, ribeirinhas e/ou das águas, entre outras. Em 
situação de vulnerabilidade as crianças em serviços de acolhimento institucional, 
filhos e filhas de mães privadas de liberdade (com atenção especial para as mães 
adolescentes), em situação de rua (incluindo famílias com crianças, mulheres e 
adolescentes gestantes), famílias e crianças em áreas de risco de desastres. 
 
24 
 
O trabalho infantil, um grave problema social, expõe a criança às mais 
diversas situações de vulnerabilidade, que afetam o seu desenvolvimento biológico, 
social e psicológico. A atenção à saúde de crianças com Deficiência ou em Situações 
Específicas e de Vulnerabilidade dispõe das seguintes ações estratégicas: 
 
• A articulação e a intensificação de ações para inclusão de crianças com 
deficiências, indígenas, negras, quilombolas, do campo, das águas e da floresta, 
e crianças em situação de rua, entre outras, nas redes temáticas. 
• O apoio à implementação do protocolo nacional para a proteção integral de 
crianças e adolescentes em situação de risco e desastres. 
• O apoio à implementação das diretrizes para atenção integral à saúde de 
crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil. 
 
4.1.7 Eixo Estratégico VII – Vigilância e Prevenção do Óbito Infantil, Fetal e Materno 
 
Consiste na contribuição para o monitoramento e investigação da mortalidade 
infantil e fetal e possibilita a avaliação das medidas necessárias para a prevenção 
de óbitos evitáveis. 
A Vigilância do óbito infantil, fetal e materno é considerada uma estratégia 
importante para a gestão e para a clínica na saúde da mulher e da criança. Contribui 
para o monitoramento da mortalidade infantil e fetal, para a melhoria dos registros 
dos óbitos, orienta as ações de intervenção para a prevenção de óbito e subsidia a 
avaliação e ação sobre o contexto social e econômico da família. 
Por meio de suas múltiplas etapas possibilita ainda a avaliação das ações e 
dos serviços de saúde e contribui no processo formativo permanente dos 
profissionais envolvidos por meio de ações de sensibilização e estudos de caso. 
A vigilância do óbito infantil, fetal e materno é de responsabilidade do gestor 
municipal e deve ser realizada pela equipe de Atenção Básica para levantamento 
dos possíveis problemas que envolveram a morte de uma mulher, um feto ou uma 
criança por causa evitável na sua área de responsabilidade, considerado evento-
sentinela. Também deve ser feita pelas maternidades e hospitais onde são 
realizados partos. Possibilita a avaliação das medidas necessárias para a prevenção 
de óbitos evitáveis pelos serviços de saúde e redução da mortalidade materna, 
infantil e perinatal. 
 
25 
 
A interface entre a vigilância do óbito infantil, fetal e materno se faz necessária, 
na medida em que os problemas relacionados a estes óbitos são semelhantes e as 
ações de prevenção podem beneficiar a mulher e a criança. Ainda, é importante 
destacar a repercussão de um óbito materno sobre a vida da criança que sobrevive. 
Devem ser realizadas: 
• Identificação, levantamento dos dados da atenção ambulatorial, urgência e 
hospitalar, entrevista domiciliar e análise dos óbitos de mulheres em idade 
fértil e óbitos maternos, fetais e infantis da área de abrangência da 
unidade/município/regional/estado; utilização dos instrumentos 
recomendados pelo MS. 
• Análise da evitabilidade dos óbitos maternos fetais e infantis, em reuniões 
locais, e identificação das medidas necessárias para prevenção de novas 
ocorrências. 
 
5 SAÚDE DA CRIANÇA NA ATENÇÃO BÁSICA – PROGRAMAS DE ATENÇÃO 
À SAÚDE DA CRIANÇA. 
O cuidado da criança demanda visão de integralidade em todos os aspectos, 
contemplando postura acolhedora com escuta qualificada, olhar zeloso e 
estabelecimento de vínculo e responsabilização. Da mesma maneira, é necessária 
a visão integral dos demais pontos da Rede de Atenção à Saúde, potencializando os 
recursos disponíveis para oferecer a resposta mais adequada, completa e resolutiva 
à necessidade da criança. O foco dos profissionais deve ser a criança, dentro do 
contexto da sua família e sociedade. 
A Política Nacional de Atenção Básica (Pnab) tem na Estratégia de Saúde da 
Família (ESF) sua âncora prioritária para expansão e consolidação deste nível de 
atenção. A qualificação da ESF e de outras ações, iniciativas e programas seguem 
as diretrizes da Pnab e do SUS, configurando um processo progressivo e singular, 
considerando as particularidades locais e regionais. 
Parte significativa dos problemas de saúde da criança atendidos na Atenção 
Básica, complexos e multifatoriais, como obesidade e outras doenças crônicas, 
agravos psicossociais/comportamentais, dificuldades escolares, situações familiares 
 
26 
 
de violência, uso de drogas etc., não é passível de enfrentamento sem abordagem 
multiprofissional e em rede intrassetorial na saúde (com suporte de Nasf e serviços 
de referência especializados e outros) e intersetorial, abrangendo envolvimento da 
escola (ofertado pelo PSE) e de outros equipamentos públicos frequentados pela 
criança e sua família, como parques, praças de esportes, espaços culturais etc. 
A Atenção Básica caracteriza-se como conjunto de ações de saúde, no âmbito 
individual e coletivo, que abrange a promoção e a proteção da saúde, a prevenção 
de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, a redução de danos e a 
manutenção da saúde, com o objetivo de desenvolver uma atençãointegral, contínua 
e organizada, que impacte na situação de saúde e autonomia das pessoas e nos 
determinantes e condicionantes de saúde das coletividades. 
Como prevê a Pnab, além da atenção à demanda espontânea, é fundamental 
que a ESF a equilibre a com o desenvolvimento de ações de saúde integral para a 
criança e também para a mulher, em especial na saúde sexual e reprodutiva, e para 
a gestante. 
Além da oferta das ações programáticas tradicionais, como o 
acompanhamento do crescimento e o desenvolvimento da criança (puericultura) e 
do pré-natal, outros grupos de maior risco/vulnerabilidade, como crianças com 
agravos sociais, nutricionais (obesidade/desnutrição), psicossociais (crianças com 
dificuldades escolares, famílias com dificuldades relacionais afetando a criança), 
clínicos (asma e outros problemas crônicos e agravos de importância epidemiológica 
local, priorizados pela ESF), podem e devem ser selecionados para 
acompanhamento longitudinal, seja em atendimentos individuais, pelo médico ou 
profissional de enfermagem ou ainda grupais. 
5.1 Programa Nacional de Imunização – PNI 
As ações de vacinação são coordenadas pelo Programa Nacional de 
Imunizações (PNI), com o objetivo de erradicar, eliminar e controlar as doenças 
imunopreveníveis no território brasileiro. 
Os registros, na Caderneta de Saúde da Criança, das vacinas do Calendário 
Nacional de Vacinação recebidas pela criança, devem ser sempre observados pelos 
profissionais da Atenção Básica e mesmo de outros serviços de saúde que venham 
 
27 
 
a ter contato com ela, com objetivo de que esteja sempre com a vacinação 
atualizada. 
Atualmente, o calendário de vacinação segue o PAS (Programa Anual de 
Saúde), que é atualizado constantemente. Para crianças indígenas, foram 
recomendadas doses extras de vacinas como pneumocócica-23-valente (a partir de 
5 anos), influenza anual pós-esquema básico (de 6 meses a 8 anos), e COVID-19 
com esquemas adaptados (por exemplo, doses aos 6, 7 e 9 meses para 
imunocomprometidos). 
Os serviços devem garantir o funcionamento contínuo da sala de vacina, sem 
restrição de horários, de forma a não perder oportunidades de vacinar todas as 
crianças. As atividades da sala de vacinação são desenvolvidas pela equipe de 
Enfermagem treinada e capacitada para o manuseio, a conservação, o preparo e a 
administração, o registro e o descarte dos resíduos das atividades de vacinação. A 
vacinação segura é fator determinante para o sucesso dessa iniciativa e todos os 
possíveis eventos adversos devem ser notificados para possibilitar a avaliação e a 
investigação de suas causas. 
O PNI disponibiliza Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais 
(CRIE) distribuídos nas 27 unidades federadas, com infraestrutura e logística 
específica, profissionais especializados e destinados ao atendimento de pessoas 
com quadros clínicos especiais, ou seja, grupos populacionais com condições que 
justificam a utilização dos imunobiológicos especiais, como por exemplo, os recém-
nascidos, especialmente prematuros, crianças com imunodeficiências congênitas, 
crianças expostas ou infectadas pelo HIV e outras crianças em situações específicas. 
5.2 Programa Saúde na Escola – PSE 
A nova concepção em saúde na escola foi incorporada nos Parâmetros 
Curriculares Nacionais (PCN) em 1997, consagrando o tema da saúde como 
transversal às disciplinas e às ações no contexto escolar, nas dimensões da 
promoção da saúde, de prevenção de doenças e agravos e de atenção e cuidados 
à saúde de crianças e adolescentes. 
As Políticas de Saúde e de Educação investiram no Programa Saúde na 
Escola (PSE), instituído pelo Decreto Presidencial n.º 6.286, de 5 de dezembro de 
2007, tendo como principais desafios o uso de estratégias pedagógicas coerentes 
 
28 
 
com a produção de educação e saúde integral, fundamental para produzir 
autocuidado, autonomia e participação dos escolares de acordo com a idade que se 
encontram (BRASIL, 2007). 
A organização das ações do PSE, por meio das equipes das Unidades 
Básicas de Saúde e das escolas, está estruturada de forma intersetorial, segundo os 
seguintes componentes: avaliação das condições de saúde, promoção da saúde e 
prevenção de doenças e agravos, e formação de profissionais de saúde e educação. 
A gestão do PSE é centrada em ações intersetoriais, que requerem a 
articulação das redes de Saúde, de Educação e dos demais setores, por meio de 
Grupos de Trabalho Intersetorial (GTI), nas três esferas de governo: federal, estadual 
e municipal. 
5.3 Atenção à Saúde Bucal 
A Política Nacional de Saúde Bucal, intitulada Brasil Sorridente, pauta-se nos 
princípios e nas diretrizes do SUS. Na Atenção Integral à Saúde da Criança essa 
política se insere de forma transversal, integral e intersetorial nas linhas de cuidado 
direcionadas à mulher e à criança, com o objetivo de promover a qualidade de vida 
desse público, por meio das ações de promoção, prevenção, cuidado, qualificação e 
vigilância em saúde. 
O acesso à saúde bucal deve ter início no pré-natal e será incorporado no 
acompanhamento do crescimento e no desenvolvimento da criança. A equipe de 
saúde deve trabalhar de forma articulada, encaminhando a gestante para a consulta 
odontológica ao iniciar o pré-natal. 
Deve-se garantir ao menos uma consulta odontológica durante o pré-natal, 
com agendamento das demais consultas, conforme as necessidades individuais da 
gestante. A equipe de Saúde Bucal deverá efetuar os registros das ações realizadas 
nas Cadernetas de Saúde da Criança e da Gestante. 
Nas ações de saúde direcionadas à criança, recomenda-se que todos os 
profissionais da equipe de saúde incorporem, em sua rotina, o exame da cavidade 
bucal das crianças e orientações aos pais e responsáveis sobre prevenção de 
doenças e agravos e de promoção da saúde bucal, enfatizando a importância do 
acompanhamento da saúde bucal e direcionando a criança para as consultas 
 
29 
 
odontológicas periódicas, evitando assim que o acesso ocorra tardiamente devido à 
doença já instalada. 
O ambiente escolar é também um espaço eficiente para o desenvolvimento 
de atividades de prevenção de doenças e promoção da saúde bucal, desenvolvido 
pelo Programa Saúde na Escola (PSE). 
Os profissionais de saúde devem desenvolver, com os educandos, atividades 
de escovação supervisionada, aplicação de flúor nos casos necessários e atividades 
educativas em sala de aula, com o envolvimento de outros temas de saúde 
(alimentação saudável, autoestima, autocuidado, entre outros) e no próprio território, 
além da realização anual da avaliação da saúde bucal dos escolares. 
5.4 Saúde da Criança nas Redes Temáticas 
As Redes de Atenção à Saúde (RAS) são arranjos organizativos de ações e 
serviços de saúde, de diferentes densidades tecnológicas que, integradas por meio 
de sistemas de apoio técnico, logístico e de gestão, buscam garantir a integralidade 
do cuidado. Reúne um conjunto de ações e serviços de saúde articulados em níveis 
de complexidade crescente, com a finalidade de garantir a integralidade da 
assistência à saúde, em consonância com as diretrizes para a organização da RAS, 
no âmbito do Sistema Único de Saúde (BRASIL, 2010). 
A Portaria n. º 4.279, de 30 de dezembro de 2010, “Estabelece diretrizes para 
a organização da Rede de Atenção à Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde 
(SUS).” São atributos da RAS, essenciais ao seu funcionamento, de acordo com a 
portaria: 
 
• População e território definidos com amplo conhecimento de suas 
necessidades e preferências que determinam a oferta de serviços de saúde. 
• Extensa gama de estabelecimentos de saúde que prestam serviços de 
promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento, gestão de casos, 
reabilitação e cuidados paliativos e integram os programas focalizados em 
doenças, riscos e populações específicas, os serviços de saúde individuais 
e os coletivos. 
 
30• Atenção Básica à Saúde estruturada como primeiro nível de atenção e porta 
de entrada preferencial do sistema, constituída de equipe multidisciplinar 
que cobre toda a população, integrando, coordenando o cuidado, e 
atendendo às suas necessidades de saúde. 
• Prestação de serviços especializados em lugar adequado. 
• Existência de mecanismos de coordenação, continuidade do cuidado e 
integração assistencial por todo o contínuo da atenção. 
• Atenção à saúde centrada no indivíduo, na família e na comunidade, tendo 
em conta as particularidades culturais, gênero, assim como a diversidade 
da população. 
• Sistema de governança único para toda a rede com o propósito de criar 
missão, visão e estratégias nas organizações que compõem a Região de 
Saúde; definir objetivos e metas que devam ser cumpridos no curto, médio 
e longo prazos; articular as políticas institucionais; e desenvolver a 
capacidade de gestão necessária para planejar, monitorar e avaliar o 
desempenho dos gerentes e das organizações. 
• Participação social ampla. 
• Gestão integrada dos sistemas de apoio administrativo, clínico e logístico. 
• Recursos humanos suficientes, competentes, comprometidos e com 
incentivos pelo alcance de metas da rede. 
• Sistema de informação integrado que vincula todos os membros da rede, 
com identificação de dados por sexo, idade, lugar de residência, origem 
étnica e outras variáveis pertinentes. 
• Financiamento tripartite, garantido e suficiente, alinhado com as metas da 
rede. 
• Ação intersetorial e abordagem dos determinantes da saúde e da equidade 
em saúde. 
• Gestão baseada em resultados. 
Fonte: PNAISC, 2018 
A elaboração de protocolos clínicos assistenciais e também de Linhas de 
Cuidado, definindo as ações e os serviços que devem ser desenvolvidos nos 
diferentes pontos de atenção de uma rede e os fluxos assistenciais a serem 
 
31 
 
percorridos pelos usuários, constitui outra estratégia que, além de organizar e facilitar 
o percurso terapêutico destes usuários, sendo formulados conjuntamente por 
profissionais destes diferentes serviços, também pode servir de importante elemento 
de integração entre eles. 
A partir de pactuação tripartite, em 2011, baseada na necessidade de 
enfrentamentos de vulnerabilidades, agravos ou doenças mais prevalentes, foi 
priorizada a estruturação de Redes Temáticas, tendo sido criadas as seguintes: 
• Rede Cegonha, abrangendo a atenção à gestante e atenção à criança até 
24 meses. 
• Rede de Atenção às Urgências e Emergências. 
• Rede de Atenção Psicossocial (com prioridade para o enfrentamento do 
álcool, crack, e outras drogas). 
• Rede de Atenção às Doenças e Condições Crônicas: iniciando-se pelo 
câncer (a partir da intensificação da prevenção e controle do câncer de 
mama e colo do útero). 
• Rede de Cuidado à Pessoa com Deficiência. 
5.5 Saúde da Criança na Rede de Atenção Materna, Neonatal e Infantil – Rede 
Cegonha 
Conceitua-se que a saúde da criança se inicia na gravidez, há muitas 
décadas, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei n. º 8.069, de 
13 de julho de 1990. 
Em 2011, o Ministério da Saúde, lançou a Rede de Atenção Materna, Neonatal 
e Infantil – Rede Cegonha (RC), Portaria n.º 1.459, de 24 de junho de 2011 (BRASIL, 
2011a), com o objetivo de garantir o acesso oportuno, com resolutividade e 
qualificação da assistência, com a implementação de um novo modelo de atenção à 
gestação, ao parto e ao nascimento e à criança, visando promover a saúde neste 
ciclo da vida e reduzir a morbimortalidade materna, fetal e infantil, com ênfase no 
componente neonatal. 
Trata-se de uma estratégia para fortalecer a integração entre as ações de 
saúde da mulher e da criança até os 2 anos, momento da vida de grande 
vulnerabilidade e maior necessidade de proteção, colocada como prioridade para as 
políticas públicas de saúde. Assim como as mortes maternas, as mortes infantis 
 
32 
 
concentram-se nas primeiras 24 a 48 horas após o parto, e a RC visa à redução de 
mortes evitáveis por ação dos serviços de saúde. 
Do ponto de vista da criança, a Rede Cegonha tem por objetivo a promoção 
da gravidez saudável e do respeito à fisiologia dos processos da transição da vida 
intra para a vida extrauterina, às suas necessidades de maturação, ao seu tempo e 
à sua capacidade de desenvolvimento pleno. Incentiva a preservação desta fisiologia 
humana em que o trabalho de parto exerce influências profundas e positivas sobre 
o bebê: 
• A liberação de ocitocina endógena e cortisol da mãe que promove a 
maturação final da criança, do sistema nervoso e respiratório; 
• A liberação de líquidos pulmonares pela passagem pelo canal de parto e a 
colonização bacteriana que estimula o sistema imunológico e aponta 
associação com menor redução de risco de obesidade, diabetes, 
hipertensão, asma e autismo, maior interação mãe-filho e melhores 
resultados perinatais de forma geral. 
 
Trata-se de ação de promoção da saúde e de prevenção de agravos na vida 
adulta, de problemas de grande dimensão e impacto na saúde da população. 
• Conforme preconizado na legislação, nas políticas e nas diretrizes 
nacionais e baseada nos direitos e nas evidências científicas, a Rede 
Cegonha se estrutura com: 
• Acesso em tempo oportuno a todos os níveis de atenção: básica, 
especializada ambulatorial e hospitalar, na gestação, no parto e no 
cuidado à puérpera e à criança, com a regionalização e hierarquização 
do cuidado segundo planejamento local. 
• Atenção qualificada baseada em evidências. 
• Regulação da atenção de saúde com implementação das centrais de 
internação e outros dispositivos para priorização, organização e 
promoção de equidade. 
• Controle social e incentivo a dispositivos para implementação da 
cogestão: trabalho colaborativo multidisciplinar e participação social nos 
processos de decisão e assistencial, apoio à informação adequada e 
exercício de direitos de cidadania e de autonomia, fomento à constituição 
 
33 
 
dos Fóruns Perinatais (distritais/municipais/regionais e estaduais) para o 
planejamento, a avaliação e a tomada de decisão transparente e 
participativa, envolvendo os diversos atores. 
5.6 Saúde da Criança na Rede de Atenção às Urgências 
A organização da Rede de Atenção às Urgências (RUE) tem a finalidade de 
articular e integrar todos os equipamentos de saúde, objetivando ampliar e qualificar 
o acesso humanizado e integral aos usuários em situação de urgência e emergência 
nos serviços de saúde, de forma ágil e oportuna. Entre as diretrizes da Rede de 
Atenção às Urgências temos: 
• A ampliação do acesso e acolhimento, contemplando a classificação de 
risco e a intervenção adequada aos diferentes agravos; 
• A garantia da universalidade, equidade e integralidade no atendimento às 
urgências; 
• A humanização da atenção, garantindo efetivação de um modelo centrado 
no usuário e baseado nas suas necessidades de saúde; 
• A regulação articulada entre todos os componentes da RUE, com garantia 
da equidade e integralidade do cuidado; o bem como a qualificação da 
assistência por meio da educação permanente das equipes. 
5.7 A Organização dos Pontos de Atenção da RUE para o Cuidado com a 
Criança 
A Rede de Atenção às Urgências é constituída pelos seguintes pontos de 
atenção: 
 
• Atenção Básica: Funciona como coordenadora do cuidado no território, 
atuando especialmente no atendimento a traumas de baixa complexidade e 
na continuidade do cuidado de crianças que estão em processo de 
recuperação de traumas. 
• SAMU 192: Desempenha papel importante no atendimento primário e 
secundário em situações de Urgência e Emergência, tendo a Regulação das 
Urgências como elemento transversal do processo, de forma que o 
 
34 
 
componente móvel mantenha interação com os demais componentes da rede 
e demais redes, a fim de proporcionar o encaminhamento adequado aos 
pacientes apóssua estabilização. Todas as Centrais de Regulação do Samu 
devem possuir pelo menos uma incubadora de transporte de recém-nascido, 
adaptada para uso nas ambulâncias, quando necessário. 
• Central de Regulação Médica de Urgências: Estrutura física constituída por 
profissionais (médicos, telefonistas auxiliares de regulação médica e rádio- -
operadores) capacitados em regulação dos chamados telefônicos que 
demandam orientação e/ou atendimento de urgência, por meio de uma 
classificação e priorização das necessidades de assistência em urgência, 
além de ordenar o fluxo efetivo das referências e contra referências dentro de 
uma Rede de Atenção, que cumprem determinados requisitos estabelecidos 
pelas normativas do Ministério da Saúde. 
• Sala de Estabilização: Espaço que presta assistência temporária e 
qualificada para estabilização de pacientes críticos/graves, após a avaliação 
clínica com internação no ambiente hospitalar e/ou encaminhamento para as 
portas de urgência referenciadas pela Central de Regulação Médica das 
Urgências, ou outros pontos da Rede de Atenção à Saúde, conforme as 
diretrizes da Portaria n. º 2.338, de 3 de outubro de 2011 (BRASIL, 2011b). 
• Unidade de Pronto Atendimento – UPA 24h: é um estabelecimento de 
saúde de complexidade intermediária, situado entre a Atenção Básica de 
Saúde (ABS) e a Atenção Hospitalar e articula-se com a ABS, Samu 192, 
unidades hospitalares, unidades de apoio diagnóstico e terapêutico e com 
outros serviços de atenção à saúde, por meio de fluxos lógicos e efetivos de 
referência e contra referência, ordenados pelas Centrais de Regulação 
Médica de Urgências e complexos reguladores instalados na região. 
• Atenção/Internação Domiciliar: Tem importante papel, no sentido de 
abreviar o período de observação ou internação de crianças em situação de 
U/E, já estabilizadas, mas que ainda demandam cuidados. Produz impactos 
na humanização do atendimento à criança, no seu lar, com a sua família, o 
que traz conhecidos benefícios à sua recuperação, bem como favorece a 
disponibilização de leitos nas portas de urgências. 
 
 
35 
 
A Rede também é integrada por outros serviços de urgência 24 horas, do 
componente hospitalar: portas hospitalares de urgência, leitos clínicos de 
retaguarda, leitos de UTI, unidades de cuidados prolongados e tranversalizada por 
uma linha do cuidado em trauma. 
5.8 Saúde da Criança na Rede de Cuidados da Pessoa com Deficiência – 
RCPD 
Com o lançamento do Plano Nacional de Direitos da Pessoa com Deficiência: 
Viver Sem Limite, Decreto n.º 7.612/2011 (posteriormente revogado pelo Decreto nº 
11.793/2023), o Ministério da Saúde instituiu a Rede de Cuidados à Saúde da 
Pessoa com Deficiência, no âmbito do SUS, Portaria n.º 793, de 24 de abril de 2012 
(Brasil, 2012). 
Esta estabeleceu diretrizes para o cuidado às pessoas com deficiência, 
temporária ou permanente, progressiva, regressiva ou estável, intermitente ou 
contínua. O eixo de Atenção à Saúde tem como foco a organização do cuidado 
integral em rede, contemplando as áreas de deficiência auditiva, física, visual, 
intelectual, ostomia e transtorno do espectro do autismo. 
 
Sinais de Alerta e Identificação Precoce de Deficiência: 
• A identificação de sinais iniciais de problemas possibilita a instauração 
imediata de intervenções extremamente importantes, uma vez que os 
resultados positivos em resposta a terapias são tão mais significativos 
quanto mais precocemente instituídos. A maior plasticidade das estruturas 
anátomo-fisiológicas do cérebro nos primeiros anos de vida e o papel 
fundamental das experiências de vida de um bebê, para o funcionamento 
das conexões neuronais e para a constituição psicossocial, tornam este 
período um momento sensível e privilegiado para intervenções. 
• Nas ações de assistência materna e infantil da Atenção Básica, por 
exemplo, as equipes profissionais são importantes na tarefa de 
identificação de sinais iniciais de problemas de desenvolvimento. 
• Assim, em toda visita domiciliar ou atendimento da criança, a equipe de 
saúde deve estar atenta a alguns sinais de alerta, como atraso nas 
 
36 
 
aquisições neuropsicomotoras, comportamentos estereotipados e 
repetitivos, apatia frente a estímulos do ambiente, dificuldade em fixar 
visualmente o rosto da mãe e objetos do ambiente, ausência de resposta 
aos estímulos sonoros, entre outros. 
• Outro importante ponto a ser considerado são os casos de violência e/ou 
negligência. Tendo em vista que mulheres e meninas com deficiência 
estão frequentemente expostas a maiores riscos, tanto no lar como fora 
dele, de sofrer tratamento negligente, violência física, psicológica e sexual. 
Para o enfrentamento desse tipo de situação é fundamental o preparo da 
equipe na identificação, na notificação e na comunicação ao Conselho 
Tutelar, além da intervenção e cuidados terapêuticos e/ou psicossociais 
para a criança e orientação às famílias. Para saber mais, consultar o eixo 
estratégico, sobre a Linha de Cuidado para a Atenção Integral à Saúde de 
Crianças, Adolescentes e suas Famílias em Situação de Violências. 
 
A Organização dos Pontos de Atenção para o Cuidado de Crianças com 
Deficiências Para melhor orientação da família, a equipe deverá conhecer os Pontos 
de Atenção da Rede e os níveis de atenção, oportunizando o encaminhamento e o 
atendimento da criança com deficiência, tais como: 
 
• Atenção Básica: As Unidades Básicas de Saúde; Nasf; Academia da Saúde; 
PSE; Melhor em Casa. 
• Atenção Especializada: Estabelecimentos de saúde habilitados em apenas 
uma das modalidades de reabilitação; os Centros Especializados em 
Reabilitação (CER); Oficinas Ortopédicas e Centros de Especialidades 
Odontológicas (CEO). 
• Centro Especializado em Reabilitação (CER): É um ponto de atenção 
ambulatorial, especializado em reabilitação, que realiza diagnóstico, 
tratamento, concessão, adaptação e manutenção de tecnologia assistiva, 
constituindo-se em referência para a Rede de Atenção à Saúde no território. 
Com 4 modalidades diferentes – física, intelectual, auditiva e visual – que 
indicam o porte do CER, tipo II, III ou IV, classificado a depender do número 
de modalidades que atende. 
 
37 
 
• Oficina Ortopédica: Constitui serviço de dispensação, confecção, adaptação 
e manutenção de órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção (OPM), 
e têm como referência um serviço habilitado em reabilitação física integrando 
a Rede de Cuidados da Pessoa com Deficiência no Estado. 
• Centro Especializado em Odontologia (CEO): É o estabelecimento de 
saúde que oferta atendimento especializado odontológico e ao integrar a 
Rede PCD recebe qualificação para o atendimento da pessoa com 
deficiência. 
5.9 Saúde da Criança na Rede de Atenção Psicossocial – RAPS 
A RAPS tem por finalidade promover cuidado em saúde às pessoas com 
sofrimento ou transtorno mental, incluindo aquelas com necessidades decorrentes 
do uso de álcool e outras drogas, mediante a criação, ampliação e articulação de 
pontos de atenção à saúde no âmbito SUS. 
A rede destaca como um dos objetivos essenciais a promoção do cuidado 
para grupos mais vulneráveis, especialmente crianças adolescentes, jovens, 
pessoas em situação de rua e populações indígenas, com sofrimento ou transtorno 
mental e crianças que sofreram violências. 
Os cuidados com a saúde mental da criança devem ocorrer desde o 
desenvolvimento intrauterino ao nascimento saudável, e a estimulação precoce nos 
primeiros anos de vida exerce uma função importante no desenvolvimento 
emocional, cognitivo e social da criança. 
É parte da Atenção Integral à Saúde da Criança estimular o vínculo com sua 
família e com os serviços de saúde, propiciando oportunidades de abordagem para 
a promoção da saúde, amamentação e alimentação complementar saudável, hábitos 
de vida saudáveis, vacinação, prevenção de doenças e agravos, provendo o cuidado

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