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CULTURA ESCOLAR Prezado(a) aluno(a), O Grupo Educacional FAVENI reafirma o compromisso de oferecer uma formação de excelência, reconhecendo que a modalidade de estudo confere ao aluno autonomia e flexibilidade para organizar seus estudos de acordo com suas necessidades e rotina. Nesse contexto, é fundamental que o estudante estabeleça uma rotina de estudos disciplinada e consistente, reservando horários para leitura, reflexão e realização das avaliações propostas. Reiteramos ainda que o ambiente virtual é equiparável ao presencial no que concerne à troca de conhecimentos e esclarecimento de dúvidas. Assim como em sala de aula, onde a interação acontece espontaneamente, no semipresencial o diálogo deve acontecer por meio dos canais disponíveis no Portal do Aluno e nos encontros ao polo. Incentivamos você a utilizar esses recursos para questionar, esclarecer dúvidas e aprofundar seu entendimento sobre os conteúdos abordados, pois suas perguntas serão respondidas de forma ágil e eficiente pelo nosso suporte. Lembre-se de que a autonomia no processo de aprendizagem implica também responsabilidade. A gestão do seu tempo, o cumprimento dos prazos e a organização das tarefas são essenciais para o seu crescimento acadêmico. Aproveite a flexibilidade que o curso oferece, estabelecendo uma rotina compatível com seus compromissos pessoais e profissionais. Desejamos sucesso em sua jornada de estudos e reforçamos nossa disposição em apoiá-lo(a) na construção de um aprendizado sólido e significativo. Bons estudos! 1 O AMBIENTE ESCOLAR Segundo Monteiro (2014), desde a década de 1980, com o avanço das ideias construtivistas, principalmente nos cenários educacionais, começaram a surgir questionamentos importantes sobre o que é preciso para que as crianças se alfabetizem. Quais são os recursos necessários para facilitar a aquisição dessa habilidade? Quais são os métodos utilizados para essa alfabetização e quais são as implicações dos preceitos do professor? Essas são algumas das questões que levam à definição do ambiente escolar. Com a difusão do ideário construtivista, para o qual o foco é a criança e seu processo de conceitualização da escrita, a interação da criança com esse objeto de conhecimento ganhou uma grande importância nos encaminhamentos pedagógicos. A ideia básica é que os aprendizes da linguagem escrita reflitam sobre os sistemas representacionais e adquiram seus símbolos gráficos e suas regras de funcionamento a partir do contato intensivo com a linguagem e da participação ativa nas práticas adultas de leitura e escrita (MONTEIRO, 2014). A partir dessa citação, a ideia construtivista de competência infantil sugere que a exposição das crianças ao material escrito e sua participação ativa na prática de alfabetização de adultos podem fortalecer os conceitos de alfabetização. E com base nesse princípio, a necessidade de criar um ambiente para a alfabetização também se tornou evidente. Talvez seja importante lembrar o que é construtivismo ao começar a abordar o assunto. Isso é especialmente verdadeiro para apontar que isso muda o foco de "ensinar" para "aprender" e muda muito nossa abordagem de leitura e escrita. A aprendizagem contribui para o desenvolvimento porque não copia nem reproduz a realidade. No conceito construtivista, aprendemos quando podemos desenvolver uma representação pessoal do objeto ou conteúdo do mundo real que queremos aprender (COLL et al; 2006). Essa sofisticação significa aproximar-se de tal objeto ou conteúdo para apreendê-lo. Não é uma aproximação vazia partindo do zero, mas baseada em experiências, interesses e conhecimentos prévios que poderiam explicar a novidade. Com base nas citações do autor, podemos perceber que, ao lidarmos com objetos de conhecimento de leitura e escrita, precisamos atentar também para o conceito de representação. Este conceito é a base para o desenvolvimento do trabalho alfabetizador. A representação cria significado na criança sobre os objetos particulares que a cercam e criam a experiência. Você pode pensar que em um mundo cercado por sinais, símbolos, gráficos e sons, as crianças tentariam rapidamente estabelecer relações entre esses elementos e representá-los. Imagine uma criança que usa letras e desenhos rotineiramente em casa. Essa experiência nos leva a fazer associações e combinações desses símbolos para construir expressões. Logo, o creme dental “X do ursinho” passa a ser o seu preferido e assim ela irá identificá-lo no mercado ao realizar as compras com a família, por exemplo. Imagine uma criança em idade pré-escolar. Ao lidar com livros infantis com muitas figuras e poucas palavras, as crianças rapidamente entendem que essas palavras representam o que as figuras estão dizendo. A escrita representa, assim, a possibilidade de usar imagens e palavras para criar uma compreensão da história apresentada na obra. Portanto, com base no que vimos, partimos do pressuposto de que o ambiente de leitura é aquele em que os alunos estão imersos em letras, símbolos, gráficos, palavras escritas, figuras e sons que podem gerar significado e expressão. O ambiente literário também é aquele em que os alunos são sempre estimulados a desenvolver autonomia e se engajar em práticas relacionadas à abordagem de aspectos relevantes da pesquisa. Ao usar os vários recursos desse ambiente, os alunos podem criar e desenvolver as habilidades de que precisam para ler e escrever, além de criar e compreender o significado. Quando pensamos em recursos, pensamos em tudo, desde folhas em branco até tintas, lápis, argila e todo tipo de material que pode ser usado para representar as letras que aprendemos e outros personagens gráficos. Podemos concluir que quanto mais disponíveis esses elementos com os quais uma pessoa pode interagir e experimentar, mais fácil é ler e escrever. Outra característica importante do ambiente de alfabetização é sua capacidade de possibilitar a participação e interação dos alunos no processo de alfabetização. Isso pode ser rastreado por meio do uso de atividades em grupo e observação e monitoramento contínuos dos diferentes níveis em que os alunos estão. Um ambiente de alfabetização tem a capacidade de interessar, motivar, inspirar e desafiar os alunos a continuar aprendendo a ler e escrever. Além disso, esse ambiente sempre deixa claro para os alunos que a escrita e a leitura têm intenções e funções muito úteis em seu dia a dia. É importante ressaltar que o ambiente literário não se encontra apenas nas escolas, mas também em torno delas. Afinal, ler e escrever são objetos sociais necessários que existem no cotidiano das pessoas. 1.1 Escola As escolas têm desempenhado um papel central na sociedade há séculos. A escolarização passou a classificar os indivíduos e a estratificar socialmente aqueles que preenchiam determinados papéis sociais, ascendiam a determinadas categorias ocupacionais e eram considerados pessoas capazes e bem-sucedidas. A escolarização, sobretudo nos dias de hoje, é fundamental e representa os parâmetros, metas e objetivos importantíssimos que todos devem perseguir se quiserem aproveitar as melhores oportunidades que a sociedade oferece. A escola de hoje é uma instituição social que cumpre o propósito de alfabetização, ou seja, capacitar os indivíduos para ler e escrever. Isso levou a mesma a desenvolver métodos e técnicas para atingir esse objetivo. Esta é considerada a base da sua existência. A importância da escrita é bem conhecida nas escolas de todos os níveis de ensino. Assim, os alunos são classificados com base em suas notas. No entanto, é importante considerar: a escrita é importante fora da escola, e não o contrário, então é importante na escola (FERREIRO, 1999). AprenderA mediação de conflitos não é uma ação isolada ou estanque: é processual. Por isso, todos os profissionais da escola precisam estar motivados e envolvidos para o fortalecimento da cultura de paz, buscando soluções pacíficas. O gestor, por sua vez, precisa sempre buscar elementos que assegurem o engajamento dos profissionais que atuam na escola. Não basta falar de paz, de respeito e de acolhimento: é preciso buscar a coerência entre o que se diz e o que se faz. Assim, as atitudes dos profissionais podem influenciar e/ou modelizar a ação dos alunos. Professores, funcionários e gestores precisam desenvolver habilidades para a mediação de diferentes tipos de conflito (VINHA et al; 2017). É necessário um processo de mudança para evitar situações de violação e falta de disciplina. Mas como todos sabemos, mudar hábitos e atitudes não é fácil. Requer determinação, disciplina, conhecimento e apoio. Por isso, é importante saber se colocar no lugar do outro e reconhecer os valores do outro por meio do diálogo coerente e do respeito às diferenças. A seguir, veja alguns comportamentos essenciais para a mediação de conflitos: • Agir de forma proativa e preventiva, buscando práticas colaborativas e restaurativas; • Ter atitudes fundamentadas por princípios éticos e democráticos; • Articular-se com a equipe escolar, com pais e responsáveis; • Desenvolver práticas colaborativas, trabalhar em equipe e desenvolver parcerias; • Mobilizar e engajar os estudantes, incentivar associações e o desenvolvimento do protagonismo juvenil, incluindo o grêmio estudantil; • Conhecer e se articular com a rede de proteção social e de direitos, as instituições culturais, sociais, de saúde, educativas e religiosas da área territorial da escola; • Observar sem julgar; • Ouvir. Quando se trata de grosseria, muito comum no dia a dia escolar, é bom primeiro entendê-la para poder lidar com ela. A literatura sugere que ignorar a grosseria não é bom. Nesse sentido, boas intervenções surgem por meio de situações de conversa planejada com a turma, discutindo questões que surgem na comunidade. É importante que a situação seja tratada de forma impessoal, sem identificar ou culpar ninguém. Isso é para dar espaço aos alunos para se posicionarem, se expressarem e estimularem o co-desenvolvimento de normas de convivência. A incidência de grosseria pode ser reduzida usando métodos positivos. Tais metodologias são estimulantes e desafiadoras, de modo que contribuem para a melhoria da situação. Práticas preventivas ajudam na manutenção de um bom clima na escola. Tais práticas precisam ser conhecidas pelo gestor escolar, que mobilizará, incentivará e propiciará condições para o seu desenvolvimento. Entre essas práticas, destaca-se a construção das habilidades socioemocionais. Afinal, o desenvolvimento exclusivo de competências cognitivas na escola não proporciona aos estudantes o seu desenvolvimento integral, tampouco a formação das competências necessárias para a constituição do cidadão apto a viver na sociedade atual (VINHA et al; 2017). Na escola, em síntese, o aluno deve aprender a conhecer, a fazer e a conviver. É nesses pilares que se fundamentam as competências socioemocionais que a escola precisa desenvolver junto aos alunos. O desenvolvimento de habilidades socioemocionais no processo escolar implica que os professores tomem atitudes deliberadas para tornar as experiências práticas, lúdicas, interativas e estimulantes. A ideia é que os alunos aprendam a administrar suas emoções e desenvolvam o autoconhecimento e o conhecimento sobre os outros. Além disso, deve-se praticar o respeito, a ética, o diálogo, o controle emocional, o relacionamento positivo, a tomada de decisão responsável, etc. Os professores também devem passar por esse processo, ser preparados e atuados pelos gestores escolares, a fim de facilitar as habilidades socioemocionais de seus alunos. Segundo Vinha, Morais e Moro (2017), é necessário e possível melhorar o clima escolar. Para tanto, o gestor precisa estimular e desenvolver: • Ações sistêmicas e coordenadas; • Valores, por meio de definições coletivas registradas no projeto político- - pedagógico, que precisa ser compartilhado e vivenciado pelas pessoas da e na escola; • Trabalho em equipe, participação e diálogo; espírito de comunidade e prática equivalente; engajamento moral e empenho na resolução de problemas; • Expectativas consistentes em relação ao comportamento e à aprendizagem dos estudantes; • Relações sociais que incorporam o cuidado; • Ambiente de cuidado e confiança; • Atividades elaboradas para nutrir interações sociais significativas entre os membros, ligando-os às tradições e valores da escola. Por fim, devemos atentar para os seguintes pontos: Os gestores precisam conhecer e monitorar o clima escolar além de observações e impressões. As opiniões de diferentes segmentos devem ser bem-vindas. Nesse sentido, é importante ouvir as pessoas do ambiente escolar e os usuários dos serviços desenvolvidos pela escola. A pesquisa é um meio muito eficiente de atingir esse objetivo. Para fazer isso, você precisa identificar o que deseja descobrir e por quê. 6 CLIMA ORGANIZACIONAL NAS ESCOLAS A cultura organizacional tem sido definida em termos de crenças compartilhadas, como suposições, normas e valores. Agora, vamos olhar para os padrões comportamentais dominantes que diferenciam o local de trabalho. Vemos a cultura e o clima organizacional principalmente como perspectivas complementares que explicam a identidade coletiva das escolas que emergem naturalmente quando professores, administradores, pais e alunos interagem uns com os outros. A cultura organizacional enfatiza o comportamento compartilhado em vez de crenças. Embora haja definitivamente uma diferença entre eles, as duas visões são quase complementares. O clima foi inicialmente concebido como conceito geral para expressar a qualidade duradoura da vida organizacional. B. H. Gilmer (1966) define clima organizacional como aquelas características que distinguem a organização de outras e que influenciam o comportamento das pessoas nas mesmas. Ao longo dos anos, chegou-se a um consenso sobre as propriedades básicas do clima organizacional. Marshall Poole (1985) resume o acordo nos pontos seguintes: • O clima organizacional preocupa-se com grandes unidades; caracteriza as propriedades de uma organização inteira ou subunidades principais; • O clima organizacional descreve uma unidade de organização em vez de avaliá-la ou indicar reações emocionais a ela; • O clima organizacional surge de práticas organizacionais rotineiras que se revelam importantes para a organização e seus membros; • O clima organizacional influencia os comportamentos e as atitudes dos membros. Ambiente escolar é um termo amplo que se refere à percepção do professor sobre o ambiente geral de trabalho escolar. A organização formal e informal, as personalidades dos participantes e a liderança organizacional influenciam o ambiente escolar. Simplificando, o clima organizacional é o conjunto de características internas que distinguem uma escola da outra e influenciam o comportamento dos membros da mesma. Mais especificamente, o clima escolar é uma qualidade relativamente duradoura do ambiente escolar que é experimentada pelos participantes, afeta seu comportamento e se baseia em suas percepções coletivas sobre o comportamento nas escolas. Definir clima organizacional como um conjunto de características internas é, de certa forma, semelhante à descrição anterior de personalidade. De fato, o clima escolar pode ser entendido mais ou menos em termos de caráter local. Em outras palavras, a cultura de um indivíduo é a cultura de uma organização. Já que a atmosfera de uma escola exerce um grande impacto sobre o comportamentoorganizacional, e já que os administradores podem ter uma influência significativa e positiva sobre o desenvolvimento da “personalidade” da escola, é importante descrever e analisar os climas escolares. O clima pode ser concebido a partir de vários pontos de vista (ANDERSON, 1982; MISKEL; OGAWA, 1988). Aplicar vários prismas para abordar o ambiente escolar, como abertura, saúde e cidadania. Cada um fornece aos estudantes e profissionais de administração um valioso capital conceitual e ferramentas de medição para analisar, entender, mapear e transformar os ambientes de trabalho escolar. Provavelmente a mais bem conhecida conceitualização e medição do clima organizacional das escolas é o estudo pioneiro de escolas de ensino fundamental feito por Andrew W. Halpin e Don B. Croft (1962). Eles começaram mapeando o domínio de clima organizacional das escolas, pois, embora as escolas diferissem consideravelmente em aparência, o conceito de moral não fornecia uma explicação adequada. Em uma série de estudos analíticos fatoriais, eles desenvolveram o Questionário Descritivo de Clima Organizacional (OCDQ, do inglês Organizational Climate Description Questionnaire) para medir aspectos importantes das interações professor-professor e professor-diretor. Eles solicitaram aos corpos docentes das escolas que descrevessem o comportamento de seus colegas e diretores, indicando com que frequência certos comportamentos ocorriam na escola, como: “o diretor faz de tudo para ajudar os professores” e “trabalhos de rotina interferem com o trabalho de ensino”. Hoje existem três versões contemporâneas do OCDQ – para escolas de ensino fundamental – anos iniciais, escolas de ensino fundamental e escolas de ensino médio. Por exemplo, o OCDQ-RE define o clima das escolas de ensino fundamental – anos iniciais com seis dimensões; três descrevem a abertura nas interações entre o diretor e os professores, e três descrevem a abertura das interações entre os colegas. Todos os instrumentos climáticos (escolas de anos iniciais, ensino fundamental e ensino médio) fornecem meios válidos e confiáveis para mapear a abertura nos comportamentos dos professores e administradores nas escolas (HOY; TARTER; KOTTKAMP, 1991; HOY; TARTER, 1997). O clima aberto é marcado por cooperação e respeito no corpo docente e entre os professores e o diretor. O diretor ouve e está aberto às sugestões dos professores, faz elogios autênticos e frequentes e respeita a competência profissional do corpo docente (apoio elevado). Os diretores também dão liberdade a seus professores para atuar sem controle rígido (pouca autocracia) e fornecem um comportamento de liderança facilitadora desprovido de trivialidades burocráticas (pouca restritividade). Da mesma forma, o comportamento do professor apoia interações abertas e profissionais (alto nível de relações colegiais) entre o corpo docente. Os professores se conhecem e são amigos pessoais (muito próximos). Eles cooperam uns com os outros e se dedicam ao trabalho (com pouca alienação). Em suma, o comportamento dos diretores e do corpo docente é aberto e genuíno. O tempo fechado é quase o oposto do tempo aberto. Diretores e professores parecem fazer o trabalho: diretores enfatizam rotina ou trabalho desnecessário (alta vinculação), professores mostram responsividade mínima e pouco comprometimento (alta alienação). A liderança ineficaz do diretor é vista não apenas como controladora e rígida (excesso de ditadura), mas também indiferente e insensível (baixa solidariedade). Essas táticas equivocadas são acompanhadas não apenas por frustração e apatia, mas também por desconfiança geral e falta de respeito mútuo (baixa intimidade e falta de relacionamento entre colegas) entre professores, amigos e profissionais. Os climas fechados têm diretores não solidários, inflexíveis, entravadores e controladores, e um corpo docente divisionista, intolerante, apático e descomprometido. 6.1 A atuação do pedagogo na organização escolar Os campos profissionais dos educadores são diversos e recentemente ampliados. Isso porque vivemos em uma sociedade onde a busca pelo conhecimento e o desenvolvimento da inteligência são requisitos essenciais para continuar operando de acordo com as regras do mercado. Essas regras afetam tanto o sucesso da organização dentro da empresa, quanto a colocação dos trabalhadores nos melhores empregos oferecidos. Na sociedade de hoje, percebemos rapidamente que existe uma correlação direta entre o nível de conhecimento formal adquirido e a capacidade de um indivíduo seguir e aprender na profissão. Dentro das organizações também percebemos movimentos voltados para o estudo e para a adaptação de técnicas que visam promover formas de aprendizagem organizacional coletiva e colaborativa, fazendo com que todos possam somar e compor o capital intelectual destas e propor o alcance de um patamar de organização bem-sucedida. Dessa forma, o pedagogo amplia o seu leque de possibilidades, uma vez que “(...) é o profissional que atua em várias instâncias da prática educativa, indireta ou diretamente vinculadas à organização e aos processos de aquisição de saberes e modos de ação, com base em objetivos de formação humana definidos em uma determinada perspectiva” (LIBÂNEO, 2007, p. 2). Agora, seguindo as citações do autor, pode-se entender que uma organização com os necessários processos de aprendizagem pode ser considerada uma dessas instâncias da prática educativa. Normalmente, os educadores lotados em recursos humanos ou na gestão atuam de forma multidisciplinar, sugerindo que a aprendizagem organizacional ocorra por meio de projetos voltados à capacitação e desenvolvimento dos funcionários. Libâneo (2007) comenta ainda que as formações propostas nas atividades pedagógicas irão em direção aos objetivos de formação definidos por algumas perspectivas e é neste momento que se insere a cultura organizacional. A cultura organizacional é definida por Shrivastava (1985) como um conjunto de produtos por meio dos quais o sistema é estabilizado e perpetuado. O autor define, então esses produtos como sendo os mitos, as sagas, os sistemas de linguagem, as metáforas, os símbolos, as cerimônias, os rituais, o sistema de valores e as normas de comportamento. Tais produtos são compartilhados pelo grupo da organização e determinam a sua força cultural. Partindo do confronto entre as duas ideias supracitadas, cabe ao pedagogo que atua no interior de uma organização apropriar-se de sua cultura organizacional, entender como ela funciona, como se constituiu, como os colaboradores procuram aprender através do cumprimento e do estabelecimento de normas formais e informais ao desenvolver suas atividades. Assim fazendo, ao propor projetos voltados para o desenvolvimento de aprendizagens dentro da organização, o pedagogo estará em constante processo de relação entre os saberes culturais que o compõem como profissional e os valores e normas culturais da própria organização que pretende desenvolver. Desta forma, o educador torna-se uma ferramenta importante dentro da organização, criando a cultura deste local, aliando o processo de aprendizagem aos melhores métodos e procedimentos para a realização das tarefas e, consequentemente, melhorando o desempenho da organização. Porém, ao pedagogo, não se pede que somente se encarregue das questões educacionais envolvidas nessas organizações. A Pedagogia não apenas lida com fatos pedagógicos desvinculados de seu contexto, mas também interpreta e analisa realidades sociais, examina teorias educacionais que descrevem como crianças, adolescentes e adultos aprendem e estuda os sistemas administrativos, o mundo, os problemas sociais e todas as suas peculiaridades em disciplinas básicas de caráter geral, como Sociologia, Filosofia, Psicologia e Históriada Educação (PASCOAL, 2007). O papel do educador nas organizações é examinar de forma crítica e reflexiva as realidades sociais dessas organizações e de seus integrantes, com o objetivo de humanizar processos e influenciar mudanças, respeitando e conectando-se com a cultura organizacional. Essa é outra importante contribuição dos educadores no ambiente organizacional. 6.2 Clima de saúde organizacional Outra moldura para visualizar o clima escolar é sua saúde organizacional. A ideia de saúde positiva em uma organização não é nova e chama a atenção para as condições que facilitam o crescimento e o desenvolvimento, bem como àquelas que impedem a dinâmica organizacional saudável (MILES, 1969). Escolas com clima organizacional saudável têm sucesso em lidar com seu ambiente à medida que mobiliza seus recursos e esforços para alcançar seus objetivos. A saúde organizacional de escolas de ensino médio é definida por sete padrões de interação específicos (HOY; FELDMAN, 1987, 1999). Esses componentes críticos atendem às necessidades básicas do sistema social e representam os três níveis de responsabilidade e controle dentro da escola. O nível institucional conecta a organização com seu ambiente. É importante que as escolas tenham legitimidade e apoio na comunidade. Os administradores e os professores precisam de apoio para realizar suas respectivas funções de forma harmoniosa, sem pressão indevida e interferências de indivíduos e grupos de fora da escola. Este nível é examinado em termos da integridade da escola. Ou seja, a integridade institucional é a capacidade da escola de se adaptar ao seu ambiente e lidar com ele de forma a manter a solidez de seus programas educacionais. Escolas com integridade são protegidas de exigências irracionais dos pais e da comunidade. O nível gerencial é responsável por mediar e controlar os esforços internos da organização. O processo administrativo é a função gerencial, processo com qualidades diferentes da atividade de ensino. Os diretores são os principais agentes administrativos nas escolas. Eles devem encontrar maneiras de desenvolver a lealdade e a confiança nos professores, motivar seus esforços e coordenar o trabalho. Quatro aspectos essenciais do nível gerencial devem ser determinados – influência do diretor, consideração, estrutura de iniciação e apoio de recursos. A influência é a capacidade do diretor de afetar as decisões dos superiores. A consideração é o comportamento de diretor aberto, amigável e solidário, ao passo que a estrutura de iniciação é o comportamento em que o diretor claramente define as expectativas de trabalho, os padrões de desempenho e os procedimentos. Por fim, o apoio de recursos é a extensão em que o diretor fornece aos professores todos os materiais e suprimentos necessários e solicitados. Nas escolas, a função técnica é o processo de ensino-aprendizagem, e os professores são diretamente responsáveis. Alunos instruídos são o produto das escolas, e todo o subsistema técnico gira em torno dos problemas associados com a eficiência do ensino e da aprendizagem. Moral e ênfase acadêmica são os dois elementos-chave do nível técnico. A moral é o entusiasmo, a confiança e o sentimento de realização que permeiam o corpo docente. A ênfase acadêmica, em contrapartida, é a pressão escolar por desempenho estudantil. Especificamente, uma organização saudável é aquela em que os níveis técnico, gerencial e institucional estão em harmonia. A organização tanto satisfaz suas necessidades quanto consegue lidar com as forças perturbadoras externas à medida que direciona suas energias rumo à missão. A escola saudável está protegida das pressões insensatas da comunidade e dos pais. O conselho resiste com sucesso a todos os esforços mesquinhos de grupos de interesses pessoais para influenciar a política. O diretor de uma escola saudável fornece liderança dinâmica – liderança orientada ao mesmo tempo para as tarefas e as inter-relações. Esse comportamento é solidário com os professores, fornece orientação e mantém altos padrões de desempenho. Além disso, o diretor tem influência junto a seus superiores, bem como a capacidade de exercitar pensamento e ação independentes. Em escolas saudáveis, os professores estão comprometidos com o ensino e a aprendizagem. Estabelecem objetivos desafiadores, mas alcançáveis; mantêm elevados padrões de desempenho; e o ambiente de aprendizagem é ordeiro e sério. Além disso, os alunos trabalham arduamente nos assuntos acadêmicos, são altamente motivados e respeitam os outros alunos que têm um bom desempenho acadêmico. Nas salas de aula, os suprimentos e materiais de instrução estão acessíveis. Por fim, em escolas saudáveis, os professores gostam dos colegas, trabalham com entusiasmo e têm orgulho de sua escola. A escola enferma é vulnerável às forças destrutivas externas. Os professores e os administradores são bombardeados com pedidos insensatos de grupos parentais e comunitários. A escola é fustigada pelos caprichos do público. O diretor não fornece liderança: há pouca direção, consideração, o apoio aos professores é limitado e praticamente nenhuma influência junto aos superiores. A moral dos professores é baixa. Eles não se sentem bem nem com os colegas nem com seus empregos. Comportam-se de modo arisco, desconfiado e defensivo. Por fim, a pressão por excelência acadêmica é limitada. Todo mundo está simplesmente “matando tempo”. A saúde organizacional de uma escola pode ser medida usando o Índice de Saúde Organizacional (OHI, do inglês Organizational Health Index). Por exemplo, o OHI para escolas de ensino médio é um questionário descritivo de 44 itens composto por sete subtestes para medir cada uma das dimensões básicas, bem como a saúde geral da escola. Como o OCDQ, o OHI é administrado ao quadro funcional da escola. Existem três versões contemporâneas válidas e confiáveis do OHI – uma para cada nível escolar. 7 O VALOR DA PRÁTICA PEDAGÓGICA CULTURAL PARA O EDUCANDO No entendimento comum, os termos educação e cultura vacilam entre identificação e diferenciação radical. A educação é muitas vezes equiparada à escola e à escolarização, e a cultura é equiparada ao conhecimento e ao conteúdo da informação. A sucessão de encontros e desencontros dessas ideias e conceitos não é novidade no Brasil. De fato, a educação e seus problemas foram equiparados à escola em seus aspectos formais desde a época imperial, quando os assuntos educacionais eram tratados pelo Ministério da Justiça ou pelo Ministério do Interior. O advento da República cria um ministério com o estranho nome de Ministério da Educação. Mais tarde, em 1930, foi criado o Ministério da Educação e Saúde e a educação foi individualizada. O personagem fictício brasileiro começou então a entender a relação entre educação e cultura, e passou a se chamar Ministério da Educação e Cultura. Depois os governos reconheceram a individualidade da cultura e criaram seu próprio ministério, continuando a vincular a educação ao esporte, criando o Ministério da Educação e Esportes (MAIA, 2002). Portanto, há uma relação essencial entre cultura e educação, pois a própria educação é considerada parte da cultura. A cultura pode ser entendida como resultado da invenção humana. A cultura existe porque há homens e mulheres, e a educação insere-se neste meio porque desde os primeiros seres humanos houve necessidade de transmitir aos mais novos os hábitos e a natureza da caça, porque deveria se conhecer como preparar uma coisa específica, como deve ser, etc. Não apenas o processo educacional ocorre nas escolas, mas é socialmente aceito que as escolas são responsáveis pelos processos educacionais formais, a fim de transmitir conhecimento sistemático. Como resultado desta ideia, os conhecimentos adquiridos na educação informal fora da escolasão repetidamente relegados para segundo plano. De fato, educação e cultura, são processos complementares, mas muitas vezes contraditórios. Usos culturais como balões, queimaduras, comida gordurosa, brincadeiras preconceituosas e brigas entre animais como jogos de dinheiro contrastam com a educação, que aos poucos muda as convenções. Exemplo disso é que, na medida em que o homem, e consequentemente as sociedades primitivas, evoluíam, a necessidade de passar à geração mais nova os conhecimentos construídos socialmente e historicamente acumulados aumentava. À medida que as escolas começam a difundir a ideia de cultura etnocêntrica, elas emergem como os difusores culturais e de conhecimento dominantes. Abrange atos que passam a servir de padrão para julgar de forma geralmente desdenhosa. Este é considerado inferior em seu modo de vida, costumes e valores. Na visão tradicional, temos uma cultura homogeneizada com uma cultura ideal repleta de estereótipos muito etnocêntrico (CANDAU, 2008). No pensar de Candau e Moreira (2003), pode-se argumentar que uma educação de qualidade deve permitir que os alunos abracem e se expandam para além das referências do mundo cotidiano e se tornem sujeitos ativos que mudam seu próprio contexto. A prática educativa escolar tanto pode ser uma perpetuadora de uma cultura etnocêntrica quanto um processo de superação dessa. A educação escolar não pode ser neutra, e algumas medidas são necessárias. As práticas educativas nas escolas devem, portanto, fazer com que a comunidade escolar entenda que não existe uma cultura única ou de excelência, mas a multiculturalidade. Cada cultura deve ser vista e compreendida a partir de sua própria perspectiva. Reconhecer e valorizar as idiossincrasias culturais de cada um desafia preconceitos e prepara o palco para o desfile da democracia, desafiando preconceitos no dia a dia com o propósito original de proporcionar aprendizado aos alunos. Foi uma suposição desafiadora para a escola, dada a necessidade. Além disso, a sala de aula é um espaço repleto de diversidade cultural, etnia e grupos. Questões dessa natureza discriminatória precisam de atenção, especialmente quando se trata de minorias raciais, mulheres, povos indígenas e outros. É necessário entender os desafios contextuais e como lidar com esses desafios nas escolas para que os alunos aprendam a respeitar as diferenças. Segundo Canen e Oliveira (2002), multiculturalismo é um termo vago, que questiona o racismo, o sexismo e o preconceito em geral a partir de uma perspectiva mais liberal ou folclórica preocupada com a valorização da diversidade cultural e se estende a uma perspectiva mais crítica focada em buscar perspectivas organizacionalmente transformadoras. O interesse pelas práticas educativas culturais justifica-se pelo fato de não ser fácil fomentar atitudes multiculturais na sociedade atual. Os professores precisam, portanto, de se beneficiar do conhecimento para desenvolver novas identidades, novas atitudes e novos conhecimentos, novos objetivos, novos conteúdos, novas estratégias e novas formas de avaliação (MOREIRA; CANDAU, 2003). Os educadores precisam ser questionadores que possam refletir e reconstruir currículos e práticas de ensino para reduzir a marginalização de subgrupos. Segundo Santomé (2004), é muito raro os professores de sala de aula convidarem meninos e meninas a refletir e pesquisar questões relacionadas à vida e à cultura do grupo que mais se aproxima do contexto local ao qual pertencem. Portanto, os materiais e o próprio currículo não fornecem elementos identificáveis para esses alunos. As crenças, conhecimentos, habilidades e valores são ignorados. A localização é geralmente considerada um estigma. Isso é algo que precisa ser escondido, ou pelo menos não questionado, dentro das práticas de colonização. Portanto, um diálogo entre a cultura estudantil e a vida escolar é essencial. Porque a cultura na qual os alunos estão inseridos geralmente está fora da sala de aula (SANTOMÉ, 2004). A literatura permite que os leitores compreendam os problemas e os códigos que compõem a vida social. Em particular, os livros destinados a crianças e jovens podem promover a compreensão intercultural quando se concentram em questões que afetam esse grupo demográfico e abordam temas e mensagens universais. Muitos professores utilizam textos curtos (contos, crônicas, redações etc.) em sala de aula para introduzir conteúdos, estimular a discussão e complementar os temas apresentados no livro que os alunos estão lendo. O uso de literatura multicultural também oferece uma oportunidade para pensar sobre atitudes e crenças relacionadas à diversidade. Os valores culturais são formados a partir de tradições históricas e representam aspectos da educação popular, os elementos presentes na vida da população que constituem e caracterizam a sociedade. Os valores culturais não são permanentes e podem ser ajustados pela mudança de fatores históricos, desenvolvimento social e econômico, contato com outros grupos e culturas, chegada de imigrantes trazendo novos valores e elementos culturais, etc. A chegada de imigrantes, baseia-se na ideia de que nenhuma forma de discriminação ocorre isoladamente. Pelo contrário, estão sempre entrelaçadas com outras e com a forma como a sociedade se organiza. Nessa perspectiva, a discriminação se manifesta em suas mais diversas formas, desde a intolerância, expressa de maneira mais violenta por meio de atos de violência, até as mais sutis práticas morais e sociais expressas por meio de brincadeiras e isolamento. A educação multicultural pode aumentar a sensibilidade a múltiplos valores e culturas. Portanto, para desmantelar o preconceito, ou encontrar alguém que saiba apagá-lo, é preciso resgatar valores culturais outrora segregados. É um desafio não só para as pessoas, mas para todos os que sofrem com atitudes de exclusão, sejam étnicas, culturais, raciais, religiosas, sociais ou sexuais. 7.1 Práticas culturais criativas no interior da escola As práticas de ensino são transformadas pela participação do educador e proporcionam um ambiente favorável ao crescimento integral dos alunos. Independentemente da localização, seu comportamento está incorporado na vida de cada aluno ao longo do ciclo de vida. Sugerimos então implementar práticas inovadoras que proporcionem um ambiente que promova autonomia e mudanças significativas. As ações que acontecem no espaço educacional não oferecem apenas o conhecimento cognitivo, mas, certamente e fundamentalmente, as relações com as diversas culturas que ali habitam. Os alunos aprendem com a convivência, a troca de valores e costumes, reconhecem e acolhem a diversidade e transformam as práticas interdisciplinares e socialmente propostas de forma participativa e crítica. Essa atitude contribui para sua formação intelectual e, sobretudo, emocional. A educação para a cidadania significa formar pessoas que possam conviver, comunicar e interagir em um mundo interativo na perspectiva do reconhecimento da interdependência dos processos individuais e coletivos (MARCELOS, 2009). A interação do aluno no contexto escolar é necessária antes dos demais participantes do ambiente. Relações que compartilham experiências por meio da comunicação em grandes grupos e do diálogo entre educadores e alunos contribuem para o desenvolvimento intelectual, social e cultural. A construção cognitiva está relacionada à afetividade, por isso proporciona aos alunos espaço e convivência de diversas formas, explorando a expressão, a percepção e permitindo que os alunos se identifiquem como sujeitos de grupos com características individuais. Assim, a cultura nasce como resultado de todas as ações e criações individuais. Como a escolarização é um dos meios mais importantes nas sociedades ocidentais,os professores têm a responsabilidade de encorajar ou desencorajar a expressão criativa em suas aulas (TORRANCE, 1987). Alencar e Oliveira (2012) apontam a superioridade desse especialista na gestão do talento criativo, considerando os estágios da criatividade expressos nos estímulos correspondentes. Isso é consistente com as descobertas de Torrance (1987), que apontou os efeitos importantes da estimulação criativa do professor sobre o comportamento criativo inibido. Segundo Ventura (2010), atividades artísticas e culturais como a música estimulam não só a atividade divertida e criativa, mas também áreas do cérebro que possibilitam outras formas de desenvolvimento da linguagem. São atividades que aguçam a sensibilidade dos alunos e melhoram sua concentração e memória. Gardner (1994), autor da Teoria das Inteligências Múltiplas, demonstra a importância da música na formação dos alunos e alerta para a necessidade de estimular e desenvolver a inteligência musical além de outras formas de inteligência. O autor afirma que a inteligência humana se manifesta de formas diferentes, sendo elas verbais e cenestésicas, matemática lógica, espaço, interpessoal e música. Outra atividade voltada para a cultura que tem se desenvolvido dentro dos espaços escolares é a decoração das salas de aula e das próprias escolas, e é relevante pela importância de abordar as diferenças culturais. O que se observa na decoração de sala de aula e nas paredes da escola é o reforço de estereótipos culturais. Para mudar essa política, a ênfase é colocada na formação curricular, que pode ser considerada o coração da escola. Construir novas formas de organização curricular e intervir, envolve rever os conteúdos formativos e o comportamento pedagógico, selecionar e planear prioridades e atividades, reorganizar o conhecimento e, sobretudo, combater preconceitos e atividades. É um trabalho muito coletivo, incluindo e permitindo a reflexão para enfatizar o respeito às diferenças. O jogo dos privilégios também é uma atividade bastante interessante que pode ser realizada com um grupo de alunos, fazendo uma rotatividade para que todos participem. Os educandos recebem um número X de balões que serão denominados balões dos privilégios. A cada pergunta, o balão será furado ou o aluno poderá pegar de outro colega. As questões variam: estoure quem já sofreu preconceito, quem já foi seguido no supermercado pelo segurança, etc. O aluno pegará um balão quando for perguntado sobre quem já ganhou um carro de seus pais ou quem já estudou em faculdade particular. O resultado poderá ser surpreendente e trabalhará com o perfil social de quem tem mais privilégios e por quê. A discriminação de gênero, por sua vez, ocorre sempre que se observa, na prática, um tratamento diferenciado, da mulher ou do homem, em prejuízo dos direitos do outro. Acontece que, nas sociedades humanas, essa discriminação, na maioria das vezes, incide sobre a mulher e muito raramente sobre o homem. Nas mais variadas situações, no tempo e no espaço, tem havido discriminação contra a mulher: nos casos de violência praticada contra ela no seio da própria família, podemos falar em discriminação; se, em determinado grupo religioso, o sexo do crente é um referencial importante na hierarquia da instituição e se a mulher é relegada a posições subalternas pelo fato de ser mulher, não há dúvidas de que estamos diante de um caso de discriminação (TOSCANO, 2000). 7.1.1 Os recursos didáticos utilizados nas práticas pedagógicas Conforme Machado (2017), os recursos didáticos têm diversas funções. Entre elas, estão: • desenvolvimento da capacidade de observação; • ilustração de situações mais abstratas; • aproximação do aluno da sua realidade e da realidade do outro; • motivação; • concretização dos conteúdos da aprendizagem; • fixação da aprendizagem; • desenvolvimento da experimentação concreta. A aplicação de metodologias pedagógicas propicia maior envolvimento do aluno na produção do próprio conhecimento, sobretudo aquelas que preconizam a ludicidade, leituras e debates, estudos de casos e trabalhos práticos, com pesquisa de campo, jogos e brincadeiras, estudos de grupos, etc. De fato, o ensino convencional, caracterizado pela mera exposição do conteúdo pelo professor, revelou-se ineficaz, principalmente após a disruptiva evolução tecnológica encabeçada pela invenção da internet. Mais do que nunca, os alunos precisam enxergar a aplicabilidade da teoria, associá-la a atividades do seu cotidiano. Assim, é fundamental que, antes de mais nada, os professores reconheçam a inevitabilidade da aplicação de tecnologias em sala de aula. Há inúmeras ferramentas e estratégias à disposição do educador hoje, mas é preciso avaliar quais realmente serão mais adequadas aos objetivos de aprendizagem de determinado público-alvo. Para utilizar os recursos didáticos adequados, é preciso que a escola e os educadores, primeiramente, conheçam a multiplicidade de ferramentas disponíveis, sobretudo as tecnologias de informação e comunicação (TICs). Desse modo, será possível capacitar todos os envolvidos no uso apropriado desses recursos no processo educativo. As TICs trazem muitos benefícios e possibilidades para o processo de ensino e aprendizagem, novas formas como um conteúdo pode ser trabalhado com a turma e novas formas de interação entre os envolvidos no processo. Quando há inserção das tecnologias digitais de informação e comunicação (TDICs) em uníssono aos objetivos educacionais e ao público-alvo, tudo pode ser mais atrativo e motivador, considerando que os estudantes estão imersos em tecnologias digitais diariamente. O trabalho com jogos também alcança excelentes resultados em sala de aula. No entanto, como acontece com qualquer outra ferramenta, o professor precisa explicar muito bem os objetivos e relacioná-los com o conteúdo, sobretudo, nesse caso, por se trabalhar com ludicidade. Em atividades lúdicas, não é raro que a turma se disperse. Por isso, é importante que sejam informados e frequentemente lembrados a respeito dos objetivos do jogo. Também é fértil disponibilizar alguma recompensa, pois isso desperta o interesse e pode ser motivador para os alunos. 8 PROJETOS PEDAGÓGICOS NAS ORGANIZAÇÕES Para entender melhor o significado de projetos de construção dentro de uma organização, podemos fazer uma analogia com o significado da palavra projeto. Projetar algo geralmente nos leva a seguir em frente. Então, projetar algo para atingir um objetivo e seguir instruções para atingir esse objetivo, certo? Assim, se uma organização pretende mudar o comportamento dos funcionários ou mesmo estimular o aprendizado de alguns de seus valores culturais, não é menos interessante desenvolver projetos educacionais para desenvolver esse aprendizado. Futuramente serão realizadas ações previstas com estagiários que se tornarão divulgadores do projeto. No entanto, ao usar esses projetos, você deve entender que, na maioria das vezes, está jogando com uma estrutura mental integrada a partir de vários modelos educacionais. Os indivíduos dentro da organização tiveram experiências educacionais distintas, e a forma como foram ensinados a lidar com o conhecimento também são particulares. Isso proporciona que se encontrem lado a lado, ao ocuparem a posição de aprendizes nesses projetos, aqueles que tiveram uma história educacional voltada para a passividade e para o depósito de informações a partir de um professor protagonista e aqueles que possam ter vivenciado a experiência de ter sido protagonistas e aprendido de fato a aprender ainda no interior da escola, o que é desafiador para o gestor que é responsável pela condução dos projetos pedagógicos no interior das organizações. Gestor este normalmente proveniente da área da Gestão de Pessoas ou de Recursos Humanos, mas que precisater conhecimento dos saberes e fazer pedagógicos. Por isso, o mais indicado seria o pedagogo empreender esses projetos, ainda que muitos possam ter a colaboração de outros profissionais que desenvolvem suas atividades nesses setores. Sobre a origem do termo projeto na educação, isso reflete a falta de "unidade" ou "interpretação dos fenômenos", o problema de estabelecer realidades "fora da escola" e tornar os alunos protagonistas da aprendizagem (não o poder regulador dos professores). Várias especialidades são feitas com este termo (HERNANDEZ, 2007). Como menciona o autor, o processo educacional reconstruído a partir das ideias propostas pela metodologia de projeto pode ser dito como esse aprendizado que é transferido para a organização e tenta interpretar os fenômenos e a realidade fora dela. Então, quando falamos de projetos educativos dentro de uma organização, ou seja, aprendizes protagonistas, achamos esse ponto fundamental. Esse protagonista fará, inclusive, parte dos princípios da andragogia que revelam estratégias para a educação de adultos. Hernandez (2007) comenta ainda que em outras áreas, como a dos arquitetos, dos designers e dos artistas, por exemplo, já se via o projeto como algo que poderia levar ao que se queria no futuro, que pudesse ser flexível e modificado durante seu processo, e essas ideias migram, então, para os olhares e as análises no campo educacional. Outro aspecto que deve ser considerado, reforçando o que falamos anteriormente, é que esta aprendizagem proposta por projetos no interior da organização exigirá dos aprendizes que desenvolvam novas competências e habilidades para tratar as informações e o conhecimento que estão sendo propostos. Os paradoxos em aprender uma habilidade verdadeiramente nova: os alunos podem não entender inicialmente o que precisam estudar. Ele só pode compreender educando a si mesmo, e só pode se educar começando a fazer o que ainda não entende (SCHON, 2000). Essa citação nos faz perceber como existe complexidade na fase inicial do desenvolvimento de um projeto pedagógico, o qual irá trabalhar nas questões da aprendizagem tanto individuais quanto coletivas, e que o pedagogo deve ter atenção e paciência neste momento. 8.1 A estrutura dos projetos pedagógicos Ao pensarmos na utilização dos projetos pedagógicos como estratégias de ação a serem desenvolvidas no interior das organizações, temos que considerar o que Dewey (1968) já alertava a respeito de que o verdadeiro método pedagógico consiste primeiro em tornarmo-nos inteligentemente atentos às aptidões, às necessidades, às experiências vivenciadas pelo educandos e, em segundo lugar, em desenvolver essas sugestões de base de tal forma que elas se transformem em um plano ou em um projeto que, por sua vez, se organize em um todo assumido pelo grupo. Aplicar uma metodologia de projetos no interior de uma organização requer preparação profissional do pedagogo responsável por eles, sobretudo na observação e na utilização das aptidões e das experiências que os colaboradores já carregam consigo. Experiências que esses funcionários já tiveram e adquiriram, mesmo nas mais diversas organizações. Outro aspecto importante relacionado é a natureza dos projetos que realmente promovem mudanças coletivas. Em outras palavras, deixe que grupos específicos em sua organização aprendam o que precisam fazer e agreguem valor para alcançar objetivos comuns. Para que possamos desenvolver bons projetos pedagógicos, devemos conhecer como se estruturam basicamente e como são capazes de promover uma aprendizagem significativa junto àqueles que irão ser os aprendizes de tal estratégia pedagógica. A apresentação e discussão do projeto é o start inicial, em que a ideia que o reveste deve ser disponibilizada a todos, de forma a conquistar a adesão e tornar-se meta comum a ser atingida e compartilhada. Para que isso ocorra, é necessário abrir um canal de comunicação que permita a discussão sobre a temática do projeto, no qual todas as pessoas envolvidas possam manifestar suas ideias e opiniões. Uma boa prática a ser desenvolvida pela organização, visando valorizar e agregar maior significado ao projeto nesta fase inicial, é transformar esta etapa em um evento, ou seja, criar uma aura cerimonial em torno dele, para que, já de início, se posicione na mente dos colaboradores como algo especial a ser desenvolvido e que irá afetar o coletivo. A problematização do tema, fase de vital importância, é aquela em que o pedagogo e os membros que irão aplicar o projeto procuram problematizar, por meio de situações e desafios, os temas que precisam ser abordados na temática a ser desenvolvida. Deve servir como provocação e estímulo para o engajamento dos aprendizes. A contextualização irá fornecer os dados específicos sobre os temas que se deseja resolver ou solucionar com o projeto, apontando como isso ocorre dentro da organização. Durante a contextualização poderão ser utilizadas, então, as aulas teóricas e exploratórias, visando a aprendizagem dos conhecimentos técnicos necessários dentro dos objetivos propostos no projeto, nelas o instrutor irá valer-se das pesquisas individuais, procurando estimular, em um primeiro momento, que se construam produções individuais e, em uma segunda etapa, após a discussão coletiva sobre essas produções individuais, se façam, de forma crítica e reflexiva, as produções coletivas necessárias. A produção final traduz o resultado, a materialização do que foi proposto com o projeto pedagógico, seja uma mudança de comportamento ou atitudes, seja uma melhoria em um processo que se faz necessário, seja a escrita de uma nova política setorial. Enfim, traduz o produto que se conquistou por meio do trabalho desenvolvido. Por fim, como nunca devemos esquecer, a avaliação é instrumento indispensável para a proposta de melhorias futuras e para registro daquilo que foi realizado com o grupo envolvido. É importante comentar que na etapa da contextualização, na qual as exposições teóricas e os saberes necessários serão abordados, poderão ser utilizadas inúmeras técnicas e recursos didáticos, como as dinâmicas de grupo, dramatizações, jogos em equipe, etc. Além disso, como suporte para as pesquisas e produções individuais, as organizações atualmente têm utilizado a interface com as tecnologias digitais para tal finalidade, onde, por meio da utilização de plataformas com ambientes virtuais de aprendizagem, os aprendizes cumprem parte da carga horária envolvida em tais projetos no decorrer de seus estudos à distância. As organizações que hoje estão focadas nas possibilidades de aprendizagem proporcionadas pelas tecnologias da informação e comunicação têm utilizado ao seu favor esses recursos junto à gestão do conhecimento e ao acréscimo de capital intelectual de seus colaboradores. E, para isso, a metodologia de projetos pedagógicos também é muito interessante e aplicável. 8.2 Treinamento e desenvolvimento de pessoas: projeto pedagógico Vamos focar agora no estabelecimento de duas propostas que, embora pareçam semelhantes, possuem objetivos finais muito distintos dentro das organizações, que são os conceitos voltados para o treinamento e para o desenvolvimento de pessoas. A primeira marca que precisamos estabelecer é que o treinamento é algo específico, voltado para uma tarefa a ser realizada, uma ação a ser desenvolvida dentro da organização. Logo, um projeto pedagógico poderá ser criado para que o grupo conheça um novo procedimento a ser implementado, ou, ainda, melhore ou corrija as formas como alguma ação venha sendo feita de maneira equivocada ou inconsistente. Esse pensamento alinha-se bem com uma das características dos projetos citadas por Rué (2002, p. 96) quando define que os projetos são “estratégias de ação” e que possuem “a intenção de transformaro real”. Essa ideia de transformar o real é de fato muito pertinente aos projetos de treinamento e tem, inclusive, sido o motivo da contratação de muitas consultorias no interior das organizações. Robbins, Judge e Sobral (2010) dividem os treinamentos mais utilizados no interior das organizações em cinco categorias de habilidades a serem atingidas a partir dos próprios projetos: habilidades básicas de leitura e de compreensão, habilidades técnicas, habilidades interpessoais, habilidades para a solução de problemas e habilidade ética. Os autores reforçam, ainda, que “a maioria dos treinamentos visa à atualização e ao aperfeiçoamento das habilidades técnicas dos funcionários, cada vez mais importantes por duas razões: as novas tecnologias e os novos modelos de estruturas organizacionais” (ROBBINS; JUDGE; SOBRAL, 2010, p. 539). Vamos pensar em um exemplo prático: uma organização percebe que seu nível de vendas caiu em determinadas unidades; ao procurar diagnosticar os motivos dessa queda, percebeu que muitos são internos, especialmente relacionados à chegada de novos membros em seus quadros de vendedores. Logo, cria um projeto onde serão treinados tais colaboradores nas técnicas de excelência no atendimento aos clientes, no conhecimento detalhado sobre os produtos, nos mecanismos de negociação, entre outros. Esse treinamento é específico, voltado totalmente para a tarefa final a ser executada e que, neste caso, necessita de aperfeiçoamento. Os projetos pedagógicos voltados para o desenvolvimento das pessoas partem para o entendimento de que elas necessitam aprimorar e construir aprendizagens que vão muito além das requeridas para a execução de suas tarefas cotidianas e rotineiras. O desenvolvimento abrange outros aspectos da vida do colaborador, muitas vezes externo à empresa e que dizem respeito ao seu futuro. Esses aspectos podem se referir à continuação dos estudos formais, à busca de aprender novos idiomas, a tornar-se um melhor cidadão, a cumprir melhor algum papel social que desempenhe – como de pai, mãe ou cônjuge –, a criar estratégias de gerenciamento de carreira, entre muitos outros. Eboli et al. (2002, p. 185) reforça a importância do treinamento e do desenvolvimento dentro das organizações ao afirmar que “a migração do T&D (treinamento e desenvolvimento) tradicional para a educação corporativa ganhou foco e força estratégica, evidenciando-se como um dos pilares de uma gestão empresarial bem-sucedida”. A citação da autora nos remete a pensarmos como as questões que envolvem a educação e sua aprendizagem no interior das organizações na atualidade se revestem de grande importância. Desse modo, as organizações tanto têm investido em programas de treinamento e desenvolvimento quanto têm ido além, constituindo a educação corporativa como estratégia permanente de aprendizagem de seus colaboradores. Ou seja, a gestão empresarial que visa obter o máximo de resultados, obrigatoriamente irá colocar em prática ações voltadas para a educação corporativa, que vão desde o incentivo a cursos, oficinas e capacitações externas in company até a criação de universidades corporativas. Sendo assim, podemos presumir que as organizações entendem dentro da lógica de uma gestão empresarial bem-sucedida os esforços nas áreas dos treinamentos, desenvolvimento e educação de seus quadros. Uma gestão é considerada bem-sucedida quando vai além dos objetivos estratégicos da organização e também evidencia a preocupação com o ser humano que ali trabalha, com as pessoas. O fato interessante a destacar é que, para criar e conduzir os projetos pedagógicos que fazem parte dessas ações educacionais propostas nas organizações, o pedagogo é o profissional mais indicado, fato este que é corroborado pelo número crescente desses profissionais junto às organizações para desempenhar tais atribuições. Um projeto pedagógico voltado para o desenvolvimento de pessoas visa, por meio do mapeamento dos anseios dos colaboradores, traçar um plano para que os mesmos venham a se desenvolver em outras áreas que, em uma primeira análise, não se relacionam diretamente ao que fazem, ou, ainda, que envolvam os membros de sua família. Algumas organizações promovem, inclusive, reforços ou turmas de alfabetização de adultos extensivas aos familiares, apoio no tratamento de dependências químicas dos funcionários, gestão de carreiras, aperfeiçoamento na aquisição de outros idiomas, atividades voltadas para a saúde, etc. Esses projetos pedagógicos utilizados na área de treinamento e desenvolvimento das organizações, normalmente localizada aos encargos do setor de Recursos Humanos, são muito importantes, pois acabam reforçando os contratos psicológicos junto aos colaboradores e geram motivação para o trabalho e para novas perspectivas sobre a vida de modo geral. Outro aspecto importante e que merece destaque é a importância do fato de que os projetos pedagógicos possam fazer parte da cultura organizacional das organizações, pois, dessa maneira, estarão sempre sendo realizados aperfeiçoamentos de conhecimentos, técnicas e habilidades. As ações educacionais que se desenvolvem nos projetos pedagógicos, quando inseridas na cultura organizacional, farão com que as organizações aprimorem os aspectos de seu capital intelectual e que possam manter seus resultados de forma efetiva nos segmentos em que atua. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALENCAR, E. M. L. S; OLIVEIRA, E.B. P. Importância da criatividade na escola e no trabalho docente segundo coordenadores pedagógicos. Estudos de Psicologia. Campinas, n. 29, p. 541-552, out-dez, 2012. ASSMANN, H. A metamorfose do aprender na sociedade da informação. Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n. 2, p. 7–15, 2000. AZANHA, J. M. P. Proposta pedagógica e autonomia da escola. Caderno de História e Filosofia da Educação, [s. l.], v. 2, n. 4, p. 11-21, 1998. BEHRENS, M. A. Projetos de aprendizagem colaborativa num paradigma emergente. In: BEHRENS, M. A.; MORAN, J. M.; MASETTO, M. Novas tecnologias e mediação pedagógica. Campinas: Papirus, 2000. BEHRENS, M. A.; JOSÉ. E. M. A. 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Basta atentarmos, de imediato, nos requisitos para a seleção de especialistas para diversas vagas no mercado de trabalho que tenham consciência de tamanha importância. Como você pode ver, ainda hoje a escola é o principal local para aprender a ler e escrever. A escola (enquanto instituição) tornou-se a guardiã desse objeto social. Esta é uma linguagem escrita e exige que o sujeito tenha uma atitude respeitosa em relação a este assunto durante o processo de aprendizagem. Um objeto que é reproduzido fielmente sem modificação (FERREIRO, 1999). Se seguirmos o raciocínio implícito, podemos concluir que o objeto de conhecimento aprendido retém suas propriedades por mais criativo e inovador que seja o alfabetizador. O alfabeto existe, deve ser real e tangível, deve ser compreendido, assimilado e belamente reproduzido por quem o aprende. E ainda existem regras de ortografia que devemos conhecer, seguir e respeitar. O alfabetizador, cria o ambiente mais favorável e propício para o desenvolvimento do processo de alfabetização dentro da escola. Isso inevitavelmente envolve a criação de um bom ambiente de alfabetização que melhora muito esse processo na vida dos alunos. 1.2 O comportamento humano nas organizações O estudo do comportamento humano nas organizações visa compreender indivíduos, grupos e suas relações internas e externas. Porém, tendo em vista que uma organização é composta por diversos subsistemas que se inter-relacionam, influenciando e mudando constantemente como humanos, é fundamental ativar, inovar e aprender com esses constantemente. Para tanto, as organizações necessitam de profissionais que consigam, como requisitos mínimos, transformar a informação em conhecimento, que tenham agilidade para resolver problemas, que sejam resilientes, que saibam acrescentar valor ao produto e/ou ao serviço e consigam trabalhar em equipe. No século XIX, com o advento da Revolução Industrial, surgiu o estudo de Frederick Taylor (1856-1915), que utilizou métodos científicos para administrar as empresas, sendo o seu foco a eficiência e eficácia operacional da administração industrial. Taylor é considerado o pai da administração científica. Entre 1923-1926, com Elton Mayo (1880-1949), surgiu o movimento de relações humanas, cuja pesquisa ficou mundialmente conhecida como Hawthorne Studies. A pesquisa demonstrou a importância dos fatores sociais e sua influência no dia a dia do trabalho. A partir desse momento, o estudo do comportamento humano passou a ser imprescindível nas organizações e até hoje é constantemente atualizado. Segundo McShane e Von Glinow (2015), o comportamento organizacional estuda as pessoas, suas percepções, decisões, o uso ou não da inteligência emocional, individualmente e nas suas relações enquanto equipe. Para Schermerhorn Junior, Hunt e Osborn (1999, p. 29), “[...] a disciplina do comportamento organizacional surgiu como uma disciplina dedicada à compreensão científica dos indivíduos e grupos nas organizações e em suas implicações sobre o desempenho das estruturas, sistemas e processos estruturais”. Os autores se referem ao comportamento organizacional como tendo quatro características especiais: a primeira é a especificidade quanto à interdisciplinaridade com as ciências da Psicologia, Sociologia, Antropologia e Economia; a segunda característica é o foco nas respostas a questões de desempenho individual e de grupo, satisfação no trabalho, ausências e rotatividade; a terceira característica é a utilização de métodos científicos para pesquisar suas teorias e concepções; e a quarta característica se refere ao modo de estudar as situações distintas e buscar a prática para cada situação específica. Como forças essenciais para o comportamento organizacional, Newstrom (2011) indica as pessoas, estruturas, tecnologia e ambiente onde a organização opera. As pessoas constituem o sistema social que se relaciona formal e informalmente com os outros, ou em diversos grupos, que sofrem mudanças constantes, pois a formação dos mesmos é dinâmica e depende das atividades/projetos que estão sendo desenvolvidos. Possuem uma ampla e diversificada gama de saberes, talentos específicos, e expectativas variadas quanto aos seus objetivos pessoais e profissionais, que necessitam ser alinhados aos objetivos organizacionais, e assim, temos um grande desafio: obter objetivos comuns para que haja sinergia e seja possível alcançar os resultados esperados ou desejados. As estruturas na era da informação são provisórias e não definitivas, sendo projetadas e redesenhadas em posição e função conforme o ambiente e a tecnologia mudam. Algumas organizações que enfrentam mudanças maiores estão abandonando diretorias/divisões fixas e trabalhando com equipes multifuncionais em atividades temporárias alinhadas com missões específicas e objetivos únicos. Os locais de trabalho são coletivos para favorecer o trabalho em equipe, com pouca utilização de papel ou necessidade de grandes arquivos, pois agora temos a “nuvem” (CHIAVENATO, 1999). A outra força essencial que tem grande influência no comportamento organizacional é a tecnologia, que tornou o mundo uma grande aldeia global, impacto semelhante à Revolução Industrial do início do século passado. Hoje, a informação atravessa o planeta em milésimos de segundo, sendo muito responsável pelo fenômeno da globalização da economia. Transformar informação em conhecimento rapidamente é o maior desafio para organizações e pessoas. Com uma variedade de novas soluções de tecnologia sendo oferecidas diariamente, as organizações precisam se atualizar rapidamente, saber como usá-las para maximizar seu potencial e operar e desenvolver essas novas tecnologias. A força final a considerar é o ambiente interno e externo. O ambiente interno é onde o comportamento organizacional busca atuar, porém sem desconsiderar que a força de trabalho também mantém relações externas. Quanto ao ambiente externo, podemos considerar o macroambiente e o microambiente. No macroambiente encontramos todas as forças externas aos negócios que não temos condições de controlar e nem influenciar, somente sofrendo as consequências de suas constantes mudanças, por isso devem ser monitorados. Não podemos mudar, mas temos a oportunidade de acertar alterando a estratégia. Por exemplo, a entrada de novas tecnologias que podem ajudar ou podem ser uma ameaça. Nele está contido a economia, o social ou sociocultural, o meio ambiente e o legal. O microambiente engloba forças próximas ao negócio, que afetam o atendimento ao cliente, ou seja, afetam o negócio diretamente e temos condições de controlar e influenciar. Essas forças são externas e internas. Nesse cenário, iremos encontrar nas forças internas a estrutura da empresa e nas forças externas os fornecedores, os intermediários, os clientes e os concorrentes. No contexto citado anteriormente, obter uma vantagem competitiva através da gestão de pessoas, é uma das estratégias mais importantes e implica engajar a força de trabalho nos objetivos e nas estratégias organizacionais, e uma das formas possíveis é através do estímulo do desempenho, que pode ser delineado de diversas formas e modos, sendo que uma maneira bem comum é através da instituição de indicadores e metas. Estabelecer metas é o mais indicado também para projetos pessoais, como projeção futura, pois estaremos nos movendo para alcançar o que desejamos. Dessa forma, as organizações, para alavancar o desempenho das pessoas, têm adotado essa metodologiapara gerar comportamentos específicos, como também para que as pessoas se motivem na busca dos resultados almejados. Para a medição dessas metas são estabelecidos indicadores que são visíveis a todos e geralmente são instituídas por grupo/equipe, aumentando a sinergia e promovendo e estimulando o trabalho em equipe. 1.3 Conceitos importantes no contexto organizacional O estudo do comportamento organizacional é baseado em diversas áreas do conhecimento, como desenvolvimento organizacional e gestão de recursos humanos. No entanto, difere na medida em que procura aprofundar aspectos específicos, como percepções, atitudes individuais, normas de grupo, comportamento informal e formal e conflitos interpessoais que afetam os resultados organizacionais. Quanto à natureza das pessoas, podemos encontrar alguma variação entre os autores e quanto aos aspectos nominados, mas todos possuem praticamente os mesmos princípios, não são excludentes, podemos entender como complementares. Chiavenato (2014) refere ser o desempenho, o engajamento das pessoas, a fidelidade, a satisfação no trabalho e cidadania organizacional os aspectos mais importantes na natureza das pessoas. O desempenho é um fator influenciador do comportamento organizacional, pois tanto o individual quanto o grupal conduzem a organização ao fracasso ou ao sucesso, onde todas as atividades e tarefas desenvolvidas pelas pessoas são traduzidas em desempenho, e o comportamento organizacional irá analisar mais profundamente o que está acontecendo com uma pessoa ou grupo, principalmente se o desempenho estiver abaixo do esperado. Por engajamento das pessoas podemos entender o quanto elas se sentem autorrealizadas na execução de seu trabalho, que lhes permitam estar num estado pleno de satisfação, energia e empenho nas suas funções. Para Lima, Zuppani e Pereira (2016, p. 53), “[...] é um estado da mente que suporta investimento simultâneo de energias pessoais na experiência e no desempenho das atividades no trabalho”. Nesse estado, as pessoas sentem-se motivadas e competentes para atingir as metas organizacionais. A fidelidade refere- se à confiança que o empregado tem na organização e vice-versa, como também mede o quanto as pessoas literalmente vestem a camisa, lutam pela empresa e defendem os empregadores e/ou recomendam a empresa. A satisfação no trabalho, segundo Marín Rueda, Lima e Raad (2014, p. 131): [...] é um construto de natureza multifatorial, composto por diferentes fatores que se inter-relacionam. Tais fatores dizem respeito a características intrínsecas ao trabalho (inerentes à execução das tarefas ou a seu ambiente laboral) e também a características extrínsecas (que não podem ser controladas pelo trabalhador). Agora é o fator mais importante para as organizações, por isso é frequentemente estudado por meio de pesquisas de clima. Avalia as atitudes das pessoas que estão intimamente relacionadas à qualidade de vida no trabalho, às condições ambientais, às relações pessoais, ao estilo e cultura de liderança, à educação e ao nível de autonomia que leva a uma empresa ser vista como um bom lugar para se trabalhar. E as empresas buscam se diferenciar e ser o melhor lugar para se trabalhar, com o objetivo de reter sua força de trabalho e atrair talentos de alto potencial. A cidadania organizacional diz respeito a várias ações informais dos empregados, que acrescentam e incrementam os resultados organizacionais. É ir além de suas responsabilidades do cargo e/ou função, como ser altruísta (estar sempre disposto a ajudar alguém ou a algum grupo), comportamentos voluntários como, por exemplo, em ações sociais auxiliando a empresa na sua responsabilidade social, como também o comprometimento do quanto ao autodesenvolvimento e na preocupação pelo bem-estar de todos na organização (CHIAVENATO, 2014). Quanto à percepção, a gestalt (ou psicologia da forma, defende que, para se compreender as partes, é preciso compreender o todo) fez uma importante contribuição para a Psicologia com a descoberta da influência da percepção no comportamento humano (revolucionando princípios fundamentais da ciência) a partir dos estudos voltados para a relação entre o todo e a parte. Nesse ponto, o todo afeta nossa compreensão do assunto, mostrando que as ações das pessoas são determinadas por sua percepção da realidade e não pela própria realidade. Duas pessoas podem ver o mesmo objeto ou situação de maneiras diferentes. 2 COMPORTAMENTO HUMANO NAS ORGANIZAÇÕES Antes de abordar a posição do profissional da educação no ambiente organizacional, um dos primeiros aspectos a se atentar são as mudanças em curso no mundo e nas relações de trabalho. Isso porque influenciam diretamente nas escolhas dos profissionais da educação quanto ao comportamento. A reestruturação ocorrida no mercado de trabalho nas últimas décadas permitiu o surgimento da atuação do educador no ambiente organizacional, principalmente no setor empresarial. Portanto, confira algumas mudanças que ajudarão os educadores a entender como eles se encaixam e quais qualidades são necessárias para trabalhar nesses ambientes extracurriculares: • sociedade aprendente; • competências; • concorrência; • relações de emprego/trabalho; • empregabilidade; • gestão da diversidade. A primeira coisa a reconhecer é que a tecnologia digital de informação e comunicação, através do uso da Internet, trouxe grandes mudanças nas oportunidades de aprendizagem da sociedade. Dessa forma, a chamada sociedade da informação tornou-se uma sociedade do aprendizado após a universalização da Internet no final da década de 1990. Isso afetou tanto a vida das pessoas quanto o funcionamento das organizações que operam no mercado de trabalho (FLEURY, 2000). Ao mapear essas informações e transformá-las em conhecimento útil e acionável, podemos ser mais dinâmicos e eficientes e produzir melhores resultados. O aumento da disponibilidade de informação não é suficiente para caracterizar a sociedade da informação. Mais importante ainda, inicie um processo de aprendizado extenso e contínuo. Ressaltamos que é fundamental encarar a sociedade da informação como uma sociedade do aprendizado. O processo de aprendizagem não está mais confinado ao período de escolaridade tradicional (ASSMANN, 2000). É um processo ao longo da vida que começa antes da idade de escolaridade obrigatória e ocorre no trabalho e em casa. Portanto, com base na fala do autor, podemos posicionar o educador como aquele que pratica esse processo de aprendizagem exigido pela organização. Para isso, ele gerencia o conhecimento de todos os colaboradores, ensinando e aprendendo novas habilidades que podem ser exigidas ao longo do tempo, de acordo com as tendências e cenários exigidos pelos segmentos da empresa. O desenvolvimento de competências se faz necessário e importante para que as empresas possam competir com vantagem nesse novo mercado globalizado (FLEURY, 2000). A competência pode ser entendida como o resultado do conhecimento adquirido que se traduz em habilidades e produz ações de forma mais eficiente. Portanto, dentro de uma organização empresarial, novas habilidades devem ser ensinadas e aprendidas o tempo todo. Isso também permite que os educadores se envolvam no diagnóstico, planejamento e entrega de programas de treinamento que articulam o conhecimento que algumas pessoas já possuem dentro da organização e o compartilham com outras pessoas. Além disso, esse especialista pode indicar a necessidade de contratar uma consultoria externa para dar suporte a essas novas experiências de aprendizado (PRADO, 2013). Isso também ajudará os trabalhadores a entender que sua empregabilidade, ou seja, sua capacidade de permanecer empregado dentro de uma organização, depende diretamente de seus esforços para melhorar a si mesmos e suas habilidadescomo educador. Outro ponto que precisa ser enfatizado (e relacionado à importância do educador na organização) é que esse profissional é formado para focar na dimensão humana, ajudando as pessoas a aprender por meio de experiências sociais e culturais. Essa habilidade está relacionada à chamada gestão da diversidade. Ao analisar as práticas de gestão da diversidade encontradas nas empresas brasileiras, as desigualdades raciais e de gênero são objeto de intenso debate no Brasil liderado por grupos de defesa de negros, mulheres e homossexuais (FLEURY, 2000). As organizações devem estruturar seus processos internos para que não haja preconceito ou discriminação quanto a aspectos culturais ou relacionados à identidade de seus empregados. Isso muitas vezes requer a implementação de medidas educativas voltadas para as políticas de Recursos Humanos (RH), como: recrutamento e seleção de colaboradores, treinamento e comunicação interna. 2.1 O perfil do pedagogo nas organizações Você aprendeu anteriormente a necessidade de um investimento continuado e concertado em medidas face às alterações societárias que têm impactado a forma como vivemos e trabalhamos nas empresas. Assim, os profissionais devem estar aptos a realizar pesquisas sobre as necessidades de treinamento, qualificação e evolução para que as empresas se adaptem às tendências do mercado, mantenham- se competitivas e evoluam. Neste sentido, os educadores revelam-se os profissionais mais competentes nestas funções, dadas as características da formação final aliada à exploração especializada de áreas específicas da aprendizagem organizacional. Um dos grandes desafios para os educadores do ambiente empresarial é trabalhar com um grupo de colaboradores da empresa para promover o alinhamento entre seus objetivos individuais e os da empresa. Esta não é uma tarefa fácil. Isso ocorre porque as pessoas têm objetivos diferentes para si mesmas e as empresas tendem a abordar a lucratividade como o objetivo número um (PASCOAL, 2007). Os educadores precisam de formação sólida em diversas áreas para poderem desempenhar suas funções dentro da organização. Educadores de negócios requerem uma sólida formação filosófica, humanística e técnica para desenvolver a capacidade de trabalhar com os recursos humanos de uma empresa. A sua formação inclui tipicamente aulas de formação, jogos de empresas, gestão do conhecimento, ética nas organizações, comportamento humano nas organizações, cultura e mudança nas organizações, educação e dinâmica de grupo, relações interpessoais, desenvolvimento organizacional e de desempenho (RIBEIRO, 2010). Alguns desses requisitos profissionais são obtidos durante os estudos de educação, mas a maioria é buscada no nível de pós-graduação em áreas relacionadas, como educação empresarial, gestão de recursos humanos, gestão estratégica de recursos humanos e treinamento e educação empresarial. Abaixo estão algumas das habilidades que os educadores precisam para ter sucesso em uma organização (PASCOAL, 2007). • criatividade; • espírito de inovação; • compromisso com resultados; • pensamento estratégico; • trabalho em equipe; • capacidade de realização; • direção de grupos de trabalho; • condução de reuniões; • análise de conflitos; • sensibilidade. A era atual impõe demandas intangíveis para o desenvolvimento de suas funções, independentemente do cargo ocupado pelos trabalhadores dentro da organização. Isso significa que, além das atribuições técnicas às tarefas, outros aspectos de natureza relacional e sensorial são importantes e necessários. Este será o foco do trabalho educativo (PASCOAL, 2007). Para fazer isso, os educadores precisam ser criativos. Isso significa que você pode propor novas formas de aprender e enfrentar os problemas colocados pela empresa (e, coletivamente, por um determinado setor ou por um determinado gestor e sua equipe de trabalho). Dito isto, a inovação é uma habilidade básica. O Manual de Oslo, publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), um órgão internacional de 36 democracias que atualmente participam da economia de mercado, afirma: Inovação é a introdução de produtos (bens ou serviços) ou processos novos ou significativamente melhorados, ou a introdução de novos modelos ou métodos de marketing de uma organização em suas práticas de negócios, organização do local de trabalho ou relações externas (OCDE, 2005). O comprometimento com o desempenho organizacional é um dos grandes desafios dos educadores empresariais. Eles devem orientar seus projetos e programas de aprendizagem sem perder de vista que a organização deve contribuir para a melhoria dos resultados de sua estratégia no longo prazo. Esse entendimento é, portanto, fundamental para que um projeto ou ideia seja aprovado e implementado (PRADO, 2013). Isso forma a base do pensamento estratégico necessário para o sucesso desse profissional. A capacidade de trabalhar em equipe é de fundamental importância para um educador em uma organização, pois na maioria das vezes ele forma uma equipe de especialistas de outras áreas. Nesse sentido, a soma de seus saberes deve atuar de forma sinérgica para potencializar os processos de ensino e aprendizagem que ocorrem nesses espaços. Também é importante lembrar que os educadores treinam e integram diferentes grupos organizacionais como equipes, obtendo assim maiores resultados e produtividade no que fazem (PASCOAL, 2007). Isso significa que ele deve ser capaz de colocar suas ideias em ação, buscar inovações e fazer mudanças diagnosticadas quando necessário. Da mesma forma, ele deve ser capaz de se tornar um líder ou gerente de grupo ou equipe de trabalho, conforme necessário. Como líder no ambiente organizacional, cabe ao educador organizar todos os tipos de reuniões de trabalho, resolver conflitos internos de forma ativa, com o objetivo de minimizar o impacto na empresa. Conflitos dentro de um ambiente organizacional são frequentes e muitas vezes decorrem de erros nos processos de comunicação interna, desalinhamento de objetivos entre os funcionários e a empresa e até mesmo divergências dos funcionários sobre o estilo de gestão que adotam como gestores (PRADO, 2013). Quando não resolvidos, causam grande desmotivação e queda na produtividade, o que é percebido pela falta de qualidade nas tarefas executadas e na diminuição do clima organizacional. Ao analisar as exigências de habilidades que recaem sobre o pedagogo para atuar nas organizações empresariais, Ribeiro (2010) acrescenta: Os educadores que trabalham no local de trabalho devem ser sensíveis o suficiente para reconhecer quais estratégias podem ser usadas e em quais situações seguir os princípios de desenvolvimento de habilidades e relacionamentos sociais. Como você pode ver, os educadores também exigem sensibilidade para compreender de forma sistemática e abrangente a empresa e seus processos internos, bem como o impacto de cenários externos em suas atividades. Ao mesmo tempo, ainda que devamos apostar numa formação à medida das tarefas técnicas e específicas de cada um, não podemos esquecer os aspectos relacionais relevantes. Em outras palavras, precisamos propor um equilíbrio entre a ação técnica e a humanização das relações laborais. Dessa forma, os educadores podem promover o desenvolvimento profissional dos colaboradores dentro e fora da empresa e prepará-los para uma vida melhor fora do trabalho. Nessa lógica do mundo empresarial em transformação, examinam a importância dos educadores no ambiente empresarial, destacando a expansão da educação corporativa: Os educadores coordenam e avaliam a formação educacional da empresa, programas e projetos, acompanhando o crescimento do pessoal sob o desempenho e orientando-os como agentes de mentalidadee mudança cultural. Saber o significado em detalhes ainda é deixado para o educador. Além disso, eles devem conhecer a cultura organizacional, como as práticas profissionais implementadas são integradas e as crenças e valores que a empresa traz (PRADO, 2013). 3 O PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO (PPP) NA RENOVAÇÃO ESCOLAR A escola é o lugar no qual o projeto educativo para a organização do trabalho pedagógico deve ser concebido, realizado e avaliado. Esse processo deve levar em consideração as particularidades dos alunos e as especificidades da comunidade na qual a instituição se insere. Segundo Lopes (2010), toda escola tem objetivos a serem alcançados, metas a serem cumpridas e sonhos a serem realizados. O conjunto dessas aspirações, bem como os meios para concretizá-las, é o que dá forma ao projeto político-pedagógico. Ainda segundo a autora, o PPP é projeto por reunir propostas de ações concretas que serão executadas durante determinado período de tempo; é político na medida em que a escola se constitui como um espaço de formação de cidadãos conscientes, responsáveis e críticos, que atuarão para as transformações sociais necessárias; e é pedagógico porque define e organiza as práticas educativas necessárias aos processos de ensino e aprendizagem. Os projetos político-pedagógicos da escola vão muito além dos condicionantes de trâmites legais, planos de aula e atividades. Os projetos são produzidos como prova de conclusão de tarefas burocráticas e não devem ser arquivados ou transferidos para autoridades educacionais. Está em constante construção e vivência por todos os envolvidos no processo educativo da escola (VEIGA, 2002). Ao oportunizar a construção coletiva do PPP, a escola se constitui como um espaço democrático, no qual as falas de todos os envolvidos nos processos de ensino e aprendizagem são oportunizadas e ouvidas atentamente. Assim, o PPP deixa de ser um documento protocolar e passa a ser um documento “vivo” e único, que reflete a realidade da escola e no qual os envolvidos podem se ver contemplados. O projeto político-pedagógico da escola está, na atualidade, inserido em um cenário marcado pela diversidade. 3.1 O projeto pedagógico como instrumento de inovação Segundo Oliveira, Pereira e Dabrach (2011) o projeto político-pedagógico pode ser entendido como compromisso primeiro da comunidade educacional que, envolvida no processo de gestão escolar, poderá contribuir para a construção de um espaço que atenda às necessidades sociais dos sujeitos que a integram. Assim, a escola se constitui como um lugar de formação humana, e todos os seus atores sociais, como parte integrante dos processos de ensino e aprendizagem, têm o compromisso de se engajar nas tomadas de decisão explicitadas no projeto político-pedagógico da unidade escolar, que nortearão as práticas educativas. Essa ideia é corroborada por Azanha (1998, p. 15), que afirma que o projeto político-pedagógico “[...] é apenas uma oportunidade para que algumas coisas aconteçam e dentre elas o seguinte: tomada de consciência dos principais problemas da escola, das possibilidades de solução e de definição das responsabilidades coletivas e pessoais para eliminar ou atenuar as falhas detectadas”. O projeto político- pedagógico é um instrumento fundamental para a construção da autonomia escolar. A adoção de soluções únicas para problemas de realidades diferentes faz com que as unidades escolares não se sintam responsáveis pelo êxito do seu próprio trabalho, na medida em que seguem prescrições externas. Para a resolução dessa questão, é importante a elaboração de um PPP pensado por todos os envolvidos nos processos de ensino e de aprendizagem e que leve em consideração as particularidades locais. A elaboração do projeto político de educação se estrutura como um percurso pela relativa autonomia escolar e pela construção das identidades das unidades escolares. Um espaço público, um lugar de discussão a partir da reflexão coletiva, um lugar de diálogo. Deve-se entender, portanto, que o projeto de educação política escolar fornece os indicadores necessários para a organização das atividades pedagógicas, incluindo o trabalho dos professores na dinâmica interna da sala de aula (VEIGA, 2002). O co-desenvolvimento de projetos de educação política não deve significar apenas uma reorganização formal das escolas, mas também buscar a melhoria da qualidade da instrução e da aprendizagem ministrada. Portanto, é importante que toda a equipe escolar tenha clareza de quais são as finalidades da escola, para que possa identificar aquelas que precisam ser reforçadas, aquelas que estão sendo relegadas e como elas podem ser detalhadas nas diferentes áreas e disciplinas curriculares do conteúdo programático. Em geral, a escola dispõe de dois tipos básicos de estrutura organizacional: a administrativa e a pedagógica. Fazem parte da estrutura administrativa a locação e a gestão de recursos financeiros, físicos e humanos, bem como todos os elementos que têm uma forma material (arquitetura do prédio escolar, equipamentos, materiais didáticos, mobiliários, etc.). A estrutura pedagógica inclui as interações políticas, as questões de ensino e de aprendizagem e as do currículo. Nela estão incluídos todos os setores necessários ao desenvolvimento do trabalho pedagógico. A consideração de estruturas organizacionais escolares em PPPs deve permitir identificar questões que afetam o processo de ensino e aprendizagem para que decisões realistas e acionáveis possam ser tomadas. O currículo é a construção social do conhecimento. Pressupõe a sistematização dos meios pelos quais essa construção ocorre, a interação entre sujeitos que compartilham o mesmo objetivo e as opções de quadros teóricos que a suportam. Para redesenhar o currículo e dar-lhe um caráter libertador, quatro pontos básicos devem ser considerados (VEIGA, 2011). Mesmo que um documento federal, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), ofereça subsídios para a elaboração dos currículos oficiais dos estados e dos municípios, as unidades escolares devem ajustar o seu currículo ao seu projeto. Para isso, é necessário considerar a sua missão, os objetivos propostos pela escola na formação dos seus alunos e as reais condições de trabalho, que envolvem questões estruturais e de recursos. O tempo é um elemento importante da organização escolar; algumas vezes, ele é mal utilizado. As aprendizagens, dos alunos e dos educadores, demandam diferentes tempos, que não podem ser apressados. Cabe à escola organizar os tempos escolares de maneira que eles sejam otimizados e efetivamente utilizados. Os processos de tomada de decisão sempre foram centrados nas mãos daqueles que se encontram em posições hierárquicas superiores. Para que a escola se coloque a serviço de uma formação democrática e cidadã, todos os envolvidos nos processos educativos devem ser incentivados a participar da tomada de decisões. A participação coletiva na tomada de decisões encontra embasamento legal na Lei de Diretrizes e Bases (LDBN). O art. 14 da LDBN afirma que os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica de acordo com as suas peculiaridades. Para isso, devem ter como princípios a participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e a participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. As relações laborais precisam de ser revistas para que deixem de ser regidas pelos princípios da divisão do trabalho, subdivisão e hierarquia da gestão. A ideia é que sejam baseados na solidariedade, na reciprocidade, na participação coletiva e na ajuda mútua. A avaliação, no contexto de produção do PPP, deve envolver três momentos: a descrição e a problematização da realidade escolar; a compreensãocrítica da realidade descrita e problematizada; e a proposição de alternativas de ação pensadas coletivamente. A avaliação dos alunos deve ser democrática e se colocar a serviço da aprendizagem. Os resultados da avaliação discente devem ser vistos como importantes subsídios para o planejamento de novas ações pedagógicas, oportunizando a aprendizagem a todos os alunos. O projeto político-pedagógico precisa ser avaliado com frequência por toda a comunidade escolar. É papel do gestor que deseja tornar a sua escola um espaço democrático organizar momentos para que essa avaliação aconteça, bem como disponibilizar os instrumentos necessários a ela. Uma escola precisa ter consciência da sua identidade, que deve ser reconhecida por todos. Quanto mais as pessoas participarem da construção dessa identidade, mais elas se sentirão parte da escola e mais responsáveis por ela se tornarão. A autonomia da unidade escolar só é possível com uma gestão democrática da escola, na qual a participação de todos é oportunizada e valorizada. O processo democrático e o exercício efetivo da cidadania são construções diárias no cotidiano escolar. 3.2 Estratégias de renovação prática pedagógica O jogo digital pode envolver os alunos em um ambiente digital que aumenta a imersão em mundos virtuais 3D, recursos interativos e muito mais. Mas quais são as principais estratégias que os professores podem utilizar nos jogos em sala de aula? Abaixo estão alguns deles. • Brincar como uma oportunidade de resolução de problemas: Uma estratégia que torna o brincar um recurso educacional valioso é sua relação com a resolução de problemas. Nos jogos, os alunos são encorajados a enfrentar e responder a problemas, baseando-se em soluções, atitudes, decisões, etc. O que eles vivenciam posteriormente no mundo real. Os jogos digitais que permitem que os jogadores se encontrem virtualmente podem colaborar na resolução de problemas, com cada participante contribuindo com suas habilidades e conhecimentos para resolver o problema; • Jogos como estímulos à descoberta e ao processo científico: O jogo segue algo semelhante a um processo científico. Os jogadores são convidados a fazer suas próprias descobertas e aplicar o que aprenderam em novos contextos. Assim que os jogadores entram no jogo, eles primeiro identificam os pré- requisitos e procuram problemas para resolver. Com base nas informações disponíveis, os jogadores formulam hipóteses específicas sobre como esse “mundo” funciona e a melhor forma de lidar com esse ambiente e suas adversidades para atingir seus objetivos. Os participantes testam hipóteses previamente formuladas de seu comportamento em jogos malsucedidos ou bem-sucedidos (JENKINS et al. 2006). • Interdisciplinaridade: Os jogos digitais geralmente acontecem em locais geográficos específicos, períodos históricos, etc. História (quando o jogo foi jogado, como guerras), geografia (localização do jogo, características do ambiente), etc. • Cooperação e colaboração: Os jogos on-line podem ser uma boa estratégia para desenvolver atividades e habilidades relacionadas à cooperação e colaboração. Os desafios e as situações problemáticas são resolvidos e superados pela cooperação do grupo e não pelos indivíduos. • Imersão em mundos 3D: Jogos digitais com recursos tecnológicos cada vez mais sofisticados podem potencializar a imersão dos participantes, assim, engajar os alunos em um ambiente em que eles estarão totalmente imersos. Com gráficos atraentes que simulam e recriam ambientes físicos existentes e avatares de aparência humana, a tecnologia 3D ajuda a fornecer uma experiência altamente realista para os participantes do jogo. Em ambientes escolares, essa estratégia pode envolver os alunos fortemente no assunto. Dentre essas estratégias, vale destacar o papel do professor, que deve mediar todos os processos do jogo e acompanhar o desempenho do grupo e de cada aluno durante o jogo. Ele também discute com os alunos após o jogo as dificuldades e desafios encontrados no jogo, como contribuíram para superar os obstáculos e alcançar seus objetivos, e quais atitudes e decisões foram tomadas. No entanto, embora a brincadeira seja oferecida como uma ferramenta educacional em potencial, ela ainda é pouco utilizada como estratégia de ensino e aprendizagem na maioria das escolas. Ainda há resistência ao uso de jogos devido ao ceticismo sobre o fato de que as escolas devem ensinar os jovens a jogar (JENKINS et al. 2006). Essa resistência reflete uma confusão entre a brincadeira como fonte de prazer e a brincadeira como forma de engajamento. Portanto, é importante esclarecer que, no contexto da educação, o jogo deve ser visto como uma forma de envolver ativamente os alunos e incentivar a experimentação, a assunção de riscos, a resolução de problemas, etc. e requer objetivos e papéis claramente definidos. 4 GESTÃO ESCOLAR Iniciamos o conteúdo dessa unidade de aprendizagem com a premissa de compreender a etimologia da palavra gestão. Gestão é uma palavra derivada do latim gerere, que significa fazer, realizar e administrar. Todos os sistemas organizacionais são implementados de forma orientada para o controle e se manifestam como processos políticos permeados por relações de poder. Faça uma viagem pela estrada da memória para aprender sobre os antecedentes históricos da gestão escolar. Os primeiros estudos sobre a organização das atividades educativas surgiram em meados da década de 1930, apresentando características burocráticas e técnicas muito semelhantes às de uma organização fundamentalmente corporativa. As escolas devem ser planejadas, gerenciadas e regulamentadas por esta organização. Desde a década de 1980, a pesquisa em organizações educacionais tem adotado uma abordagem mais crítica. Com essa organização, a escola apresenta seu comportamento impregnado de contextos socioculturais e políticos. Além das abordagens burocráticas e críticas que caracterizam a história da organização e gestão escolar, quatro modalidades podem ser consideradas: tecnocientíficas (tradicional), autônoma, interpretativa e participação democrática. Segundo Libâneo (2001), a gestão tecnocientífica também é tradicional. Esse tipo de gestão é baseado em uma hierarquia de cargos e funções, uma avaliação de racionalização, trabalho e uma visão conservadora da administração, burocrática clássica e conservadora, muito próximo da ideia de administração de empresas. Na contemporaneidade a gestão da “Qualidade Total” apresenta uma versão atual da concepção técnico-científica. Características: 4.1.1 Autogestionária Princípios: autonomia e descentralização. Segundo a pesquisa de Libâneo (2001), esse tipo de gestão escolar caracteriza-se pela responsabilidade compartilhada sem direção centralizada. Nega a autoridade e a institucionalização da organização e gestão escolar. Os grupos são administradores e criam e impõem suas próprias regras. Características: 4.1.2 Interpretativa Libâneo (2001) afirma que esse tipo de gestão escolar trabalha com experiência subjetiva e interação social. Nessa gestão, as escolas são subjetivamente construídas socialmente, não dadas, acabadas ou objetivas. Características: 4.1.3 Democrática-participativa Segundo Libâneo (2001), esse tipo de gestão caracteriza-se por tomadas de decisões organizadas em grupo que respeitam objetivos comuns assumidos por todos. Em outras palavras, a gestão democrática das escolas depende da descentralização da administração, das finanças e da educação, apoiada na eleição dos diretores (diretores formadores), na atuação efetiva dos conselhos escolares (conselheiros escolares formadores) e nas escolas autogovernadas. Defende a implementação de um mecanismo de validação. Cada escola atende às necessidades de sua comunidade escolar.As regras da administração democrática das escolas são determinadas pelo sistema educacional. Existem várias maneiras de definir, alguns sistemas acreditam que as eleições são a forma mais democrática de votação, enquanto outros acreditam na competição aberta. Portanto, a gestão democrática deve estar alicerçada em alguns eixos básicos, como se depreende das seguintes características: 4.2 Gestão Democrática Na gestão democrática, os diretores permanecem responsáveis pela gestão das escolas, mas nesta proposta, representam os principais mediadores das escolas e das comunidades. A gestão democrática como princípio da educação nacional, a frequência escolar obrigatória, são uma forma não violenta de permitir à comunidade educativa realizar um projeto político de qualidade e também criar “cidadãos ativos” que participem da sociedade sem a ausência de uma ação organizada que questione o indivisível do poder (OLIVEIRA, 2005). A gestão, portanto, deve estar atenta ao horizonte de suas opções políticas para com a sociedade e à organização de todos os envolvidos na administração das escolas e no planejamento e execução das ações educativas, sem esquecer o estabelecimento de uma relação mais justa e horizontal, mobilizar e promover a participação. Embora a governança democrática nas escolas seja obrigatória por lei, acredita-se que ela não reflita a realidade de muitas instituições. Para tanto, é preciso haver empenho dos gestores para mudar e inovar. A Figura 1 mostra como o controle democrático pode ser construído em um processo de aprendizagem coletiva e participativa. Figura 1 - Processos de aprendizagem coletiva e participativa. Fonte: bit.ly/41moxCZ 4.3 Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Plano Nacional da Educação e gestão escolar O embasamento legal para a implantação de uma gestão democrática na escola teve início com a Constituição Federal de 1988, que a aponta como um dos princípios fundamentais para a educação brasileira. No art. 206 do referido documento está posto que os seguintes princípios devem ser observados no ensino (BRASIL, 1988, documento on-line): I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III – pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; IV – gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V – valorização dos profissionais do ensino, garantido, na forma da lei, plano de carreira para o magistério público, com piso salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, assegurado regime jurídico único para todas as instituições mantidas pela União; VI – gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII – garantia de padrão de qualidade. VIII – piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) IX – garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 108, de 2020). Esses princípios foram reforçados pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Em seu art. 3º, acrescenta a necessidade de “[…] gestão democrática do ensino público, na forma desta lei e da legislação dos sistemas de ensino” (BRASIL, 1996, documento on-line). No art. 14, estabelece que os sistemas de ensino deverão definir as normas da gestão democrática do ensino público, na educação básica, de acordo com as suas especificidades, tendo por base a “[…] participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola” e a “[…] participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes” (BRASIL, 1996, documento on-line). A autonomia de cada unidade escolar para a construção de uma gestão participativa pensada a partir de suas singularidades está prevista no art. 15 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas gerais de direito financeiro público (BRASIL, 1996, documento on-line). Tempos depois da implementação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, foi aprovado o Plano Nacional de Educação, com a Lei nº 10.172, de 9 de janeiro de 2001, que também estabeleceu alguns objetivos a serem adotados no ensino. Dentre eles, está a democratização do ensino público, considerando, mais uma vez, a construção coletiva do Projeto Pedagógico escolar com a participação tanto dos profissionais da educação quanto da comunidade escolar e local (BRASIL, 2001). Essa abertura de participação e a autonomia da escola levaram à descentralização da gestão educacional. O atual Plano Nacional da Educação, aprovado pela Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014, acrescenta um conjunto de 20 metas para a educação brasileira, que contemplam desde a educação infantil até a pós-graduação. Cada uma das metas propostas no Plano é acompanhada de estratégias. A meta 19 do documento, por exemplo, refere-se à gestão democrática da educação e foi elaborada tendo por objetivo: Assegurar condições, no prazo de 2 (dois) anos, para a efetivação da gestão democrática da educação, associada a critérios técnicos de mérito e desempenho e à consulta pública à comunidade escolar, no âmbito das escolas públicas, prevendo recursos e apoio técnico da União para tanto (BRASIL, 2014, documento on-line). As estratégias elencadas para que essa meta seja atingida contemplam (BRASIL, 2014): • Priorização no repasse de verbas da União para os entes federados que tenham criado uma legislação específica para regulamentar a gestão democrática nas escolas; • Ampliação da formação dos conselheiros; • Criação de Fóruns Permanentes de Educação; • Fortalecimento dos Grêmios Estudantis e das Associações de Pais e Mestres; • Participação de todos os membros da comunidade escolar na elaboração do Projeto Político Pedagógico; • Favorecimento dos processos de autonomia pedagógica, administrativa e de gestão financeira nos estabelecimentos de ensino; • Desenvolvimento de programas de formação de diretores e gestores escolares, bem como a aplicação de uma prova nacional para definição de critérios objetivos para o provimento de cargos. A gestão democrática das escolas é necessária para que as práticas vivenciadas no contexto escolar capacitem os indivíduos a contribuir de forma competente para a construção de sociedades mais justas e democráticas. Como parte dessas experiências, as medidas pedagógicas propostas em sala de aula devem desestruturar o conteúdo e a prática docente. 4.4 Alguns pilares da educação Consciente dos crescentes desenvolvimentos científicos e tecnológicos e das mudanças sociais e do mundo do trabalho que os acompanham, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, em sua Conferência Geral de 1991, publicou um relatório explicando o papel da educação na formação de recursos humanos competentes esboçando propostas para a elaboração do "Novo Mundo". Nesse contexto, o aprendizado deve ocorrer ao longo da vida do indivíduo (SILVA, 2008). O relatório da Comissão Internacional de Educação para o século XXI para a Unesco, foi publicado em 1996 e apontava discussões e orientações para uma proposta de educação voltada ao desenvolvimento dos países, à paz e à superação dos problemas emergentes em um mundo que se desenvolve rapidamente e em proporções gigantescas, como a pobreza, os conflitos étnicos, raciais e religiosos, a devastação ambiental e a tecnologizaçãodo trabalho (SILVA, 2008). Na ocasião da elaboração do relatório solicitado pela Unesco, Jacques Lucien Jean Delors era o presidente da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. Delors (1998) apontou como principal consequência da sociedade do conhecimento a necessidade de uma aprendizagem que ocorresse ao longo de toda a vida, fundamentada em quatro pilares que são referentes à aquisição, ao mesmo tempo, de conhecimentos e de instrumentos para uma formação continuada. A educação deve transmitir, de fato, de forma maciça e eficaz, cada vez mais saberes e saber-fazer evolutivos, adaptados à civilização cognitiva, pois são as bases das competências do futuro. Simultaneamente, compete-lhe encontrar e assinalar as referências que impeçam as pessoas de ficar submergidas nas ondas de informações, mais ou menos efêmeras, que invadem os espaços públicos e privados e as levem a orientar-se para projetos de desenvolvimento individuais e coletivos. À educação cabe fornecer, de algum modo, os mapas de um mundo complexo e constantemente agitado e, ao mesmo tempo, a bússola que permita navegar através dele (DELORS, 1998 p. 89). Diante dos desafios propostos à educação, Delors (1998) destaca que as práticas educativas deveriam ser organizadas em torno de quatro aprendizagens essenciais, que, ao longo da vida, constituiriam os pilares do conhecimento para cada indivíduo. São essas aprendizagens: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser. 4.4.1 Aprender a conhecer Este tipo de aprendizagem visa adquirir as próprias ferramentas de conhecimento e pode ser visto ao mesmo tempo como um meio e um fim da vida humana. Pode ser vista como um meio na medida em que visa aprender, viver com dignidade e desenvolver competência profissional e comunicativa e pode ser visto como um propósito: O aumento dos saberes, que permite compreender melhor o ambiente sob os seus diversos aspectos, favorece o despertar da curiosidade intelectual, estimula o sentido crítico e permite compreender o real, mediante a aquisição de autonomia na capacidade de discernir (DELORS, 1998, p. 91). Visando a esse tipo de aprendizagem, as práticas educativas durante toda a educação básica e o ensino superior devem fornecer, a todos os estudantes, instrumentos, conceitos e referências resultantes dos avanços das ciências e dos paradigmas da contemporaneidade, que permitam estabelecer uma relação prazerosa com os conhecimentos. Aprender a conhecer requer aprender a aprender. Porque em uma sociedade em constante mudança, novos conhecimentos estão constantemente sendo criados, o que requer novos aprendizados. A educação primária é bem-sucedida se consegue formar pessoas que estão dispostas a aprender e têm as bases necessárias para mantê-las aprendendo ao longo de suas vidas, não apenas no mundo do trabalho. 4.4.2 Aprender a fazer Aprender a fazer anda de mãos dadas com aprender a conhecer e também é relevante para a questão da formação profissional. O desafio de facilitar esse aprendizado é possibilitar que os alunos coloquem em prática seus conhecimentos e se adaptem às novas demandas do mundo do trabalho. Embora as necessidades de médio e longo prazo sejam imprevisíveis, observar a evolução dos empregos ao longo do tempo mostra que o conceito de qualificação profissional baseado em áreas de especialização tornou-se obsoleto. Para que possa se adaptar às novas exigências, o trabalhador precisa ser competente no uso dos conhecimentos para enfrentar situações emergentes de sua realidade profissional. Os empregadores procuram cada vez mais profissionais com qualificação aliada a um comportamento social adequado, trabalho em equipe, iniciativa e vontade de assumir riscos. 5 A GESTÃO DE CONFLITOS NO COTIDIANO ESCOLAR A palavra "conflito" refere-se a uma situação negativa, desestabilização, luta ou confronto. Aliás, a maioria dos dicionários tradicionais, ao definir o termo “conflito”, refere-se a incompreensão, oposição violenta entre duas ou mais partes, contradição ou conflito violento. Essa noção de conflito decorre de visões de mundo monoculturais. Nesse sentido, qualquer coisa que se desvie dessa visão de mundo deve ser erradicada ou corrigida. No entanto, os administradores escolares devem desafiar esses preconceitos e práticas. Portanto, é importante ir além do conceito tradicional de conflito e entendê- lo como um processo de inclusão que leva em consideração diferentes perspectivas, a fim de tomar medidas adequadas e positivas para resolver o problema. Como você sabe, o conflito faz parte das relações humanas. Portanto, as escolas precisam identificá-los para resolvê-los pacificamente. Por esse motivo, os administradores escolares precisam estar atentos. Porque a ação deve estar fundamentada em um processo educativo, restaurador e inclusivo. Esta é a essência da escola, lugar privilegiado da formação humana. É importante entender que existem muitas situações diferentes que ameaçam o ambiente escolar. Violência, violação, desrespeito, etc. Violência é o uso de intimidação ou coerção para cometer um crime. As violações, por outro lado, consistem em comportamentos que vão contra o que foi previamente identificado e podem traduzir-se, por exemplo, na não participação nas atividades escolares ou no absentismo. O desrespeito, por sua vez, inclui ausência de respeito e confusão e, portanto, significa comportamento que interfere na convivência em sala de aula. As atitudes de incivilidade perturbam o ambiente acolhedor, sendo muito comuns nas escolas. Eles vão contra os bons costumes e impedem a convivência coletiva. Portanto, nenhuma dessas situações ajuda a criar um ambiente de confiança e segurança. O conceito de violência é complexo e pode ir desde um leve desrespeito até uma agressão física grave. No contexto escolar, é possível identificar três tipos de violência: a violência na escola, a violência à escola e a violência da escola. Naturalmente, a violência não é algo aleatório; ela é construída socialmente no contexto das diferentes relações. A violência na escola se constitui em situações externas, como brigas que ocorrem fora do espaço escolar, mas é levada para dentro desse espaço. Já a violência à escola ocorre quando há depreciação ou agressão às dependências físicas da instituição ou aos seus representantes. Por fim, a violência da escola é a que exige mais atenção do gestor, pois pode ocorrer de forma velada e silenciosa. Nesse tipo de violência, as vítimas são os alunos. Há muitas situações cristalizadas de violência da escola; tais situações acabam fazendo parte da rotina e perpetuam a exclusão, a discriminação e o assédio, por exemplo. Os alunos são as vítimas desse tipo de violência. Existem muitas situações específicas de violência escolar. Tais situações tornam-se parte da vida cotidiana e levam à exclusão, discriminação e assédio. Ainda é comum entre os alunos tratar as situações de agressão como banais ou como um “problema da idade”. Mas incidentes triviais, cotidianos e não resolvidos podem se transformar em incidentes violentos graves. Tudo isso afeta as escolas de maneiras diferentes. Por exemplo, as vítimas de violência podem desenvolver sentimentos de injustiça, desrespeito, submissão e conformidade. A violação sistemática dos seus direitos pode levar a mais situações de desordem, violência e bullying. Nesse contexto, fica clara a importância do clima para o desenvolvimento da identidade, da socialização e da formação das pessoas, em especial dos estudantes. Assim, duas perguntas são necessárias ao gestor escolar: que projeto político- pedagógico a escola está pondo em prática? O que consta nos documentos escolares reflete o que está sendo praticado? O diálogo com diferentes partes da comunidade escolar (alunos, professores, funcionários,pais e/ou administradores) é urgentemente necessário para encontrar um consenso coletivo para uma boa interação social. Além disso, é importante considerar a relevância das competências socioemocionais para o desenvolvimento humano. A situação atual exige que os gestores se antecipem e se preparem para os complexos desafios do dia a dia. Além de desenvolver habilidades cognitivas, ou seja, aprender conteúdos escolares que os professores desenvolvem com seus alunos, existem outras habilidades importantes: as habilidades socioemocionais. Em outras palavras, é importante que os alunos conheçam a si mesmos e aos outros para participar da sociedade. De acordo com a Conferência de Jomtien de 1990, essas necessidades são as ferramentas básicas de aprendizagem (leitura, escrita, expressão oral, aritmética, resolução de problemas) e conteúdo educacional básico (conhecimentos, habilidades, valores e atitudes). Desenvolver habilidades, viver e trabalhar com dignidade, participar plenamente do desenvolvimento, melhorar a qualidade de vida, tomar decisões informadas e continuar aprendendo (DELORS et al., 2010). A escola, constipada e pensada por adultos, precisa entender que a violência não deixará de existir por meio da inclusão de uns e da exclusão de outros. Além disso, a escola pode contribuir no combate às desigualdades que afligem minorias diversas, como mulheres, rurais, toleradas, marginalizadas (prejudicadas econômica e socialmente) e rejeitadas ou desprestigiadas em decorrência de sua raça ou etnia. O princípio da equidade é a mola propulsora que permeia e baliza as práticas de quem trabalha na escola multicultural e plural do século XXI. A resolução de conflitos precisa ser um processo, mobilizando todos os funcionários da escola que precisam estar envolvidos e motivados no fortalecimento de uma cultura de paz. Os profissionais da escola precisam entender a necessidade de mediar conflitos e orientar a ação por meio de processos de mudança. Por isso, é importante saber empatizar, ouvir e reconhecer os valores do outro por meio do diálogo consistente e do respeito às diferenças. A liderança do gestor é o ponto de virada neste processo. Porque através da participação em congressos educativos e conselhos escolares e associações universitárias, podemos tanto desenvolver a formação profissional no ambiente de trabalho como incentivá-los a buscar a formação acadêmica. Em particular, os gestores podem participar da elaboração de projetos de educação política que favoreçam a valorização de culturas e ambientes propícios ao desenvolvimento e ao aprendizado. 5.1 Bullying O bullying é um problema sério que afeta milhões de pessoas. Geralmente é devido a situações em que você não se apresentou de forma clara e objetiva. Portanto, você deve observar os sinais com cuidado. No entanto, a gravidade da situação deve ser levada em consideração. Em síntese, o bullying é um tipo de violência explícita ou implícita que ocorre de forma sistemática e contínua nas escolas em situações de agressão ou humilhação contra outra pessoa, que interfere no desenvolvimento da confiança e camaradagem e gera medo e incentiva a exclusão. Aqueles que sofrem bullying se sentem ameaçados, angustiados e sofrem fisicamente, psicologicamente e socialmente. Além das agressões físicas e morais, o bullying também pode assumir a forma de insultos, fofocas e danos físicos ou psicológicos. O bullying também pode estar associado a comportamentos de conflito que foram negligenciados na escola. Ainda hoje, os profissionais da escola não estão totalmente cientes dessa grave forma de intimidação, pois em teoria não são diretamente afetados. O foco continua nas formas de desorganização dos alunos que interferem no trabalho dos professores, ou mesmo no desinteresse dos alunos em estudar os conteúdos escolares. Neste contexto, é importante que os dirigentes escolares e educadores em geral reflitam e aprofundem o conhecimento e repensem a prática. Sua família é perpetradora ou alvo de bullying? A resposta a esta interessante questão é que existe um "lugar" onde todas estas explicações (sociais, culturais, biológicas) se igualam. Isso é identidade. Ou seja, não é o contexto que determina esse comportamento agressivo, nem a genética é a grande vilã dessa história, porque ela está viva e pode ser resistente. Portanto, como eles se veem e querem ser vistos pode explicar por que se comportam como vítimas ou agressores. Um tipo de bullying é o cyberbullying. Isso acontece quando ferramentas de tecnologia são usadas para atacar ou extorquir. Isso é feito por meio de mensagens de texto cruéis, espalhando falsos rumores e mentiras, fotos e vídeos constrangedores. Os efeitos do cyberbullying são devastadores e invasivos, com postagens que se tornam virais e extremamente difíceis de interromper. 5.2 Medidas de gestão de conflitos nas escolas As complexidades e dinâmicas do cotidiano escolar exigem atenção constante dos gestores escolares. Uma das chaves para manter uma escola funcionando sem problemas é o planejamento. A falta de planejamento leva à duplicação e confusão do enredo. Os gestores, portanto, deixam de ser líderes que motivam, engajam, incentivam, monitoram e avaliam para se tornarem “bombeiros” agindo com base na urgência (VINHA et al; 2017). As perturbações ambientais e o mau planejamento se refletem diretamente no ambiente escolar como sentimentos de injustiça, ansiedade e desprezo que fazem parte do cotidiano de alunos, professores e funcionários. A desorganização pode promover também diferentes tipos de ambientes: autoritário, omisso ou ainda incongruente. Todos esses ambientes são contrários a qualquer clima positivo, pois envolvem a submissão, o medo, o conformismo e até a revolta. As pesquisas indicam que é possível melhorar o clima escolar, contudo são necessárias ações compartilhadas. Princípios e práticas democráticas e participativas devem ser o critério de atuação dos dirigentes escolares. Porque as pessoas prosperam não apenas quando se sentem parte e comprometidas com uma organização, mas também em um ambiente seguro e de escuta. Dentro desse princípio democrático, a transparência proporciona um ambiente justo e ético. O exercício de uma liderança democrática mobiliza toda a comunidade escolar (funcionários, professores, estudantes, pais e responsáveis) no processo de autoavaliação periódica da instituição. Tal processo tem como objetivo a melhoria constante, buscando sempre o melhor desenvolvimento para todos. Em um ambiente assim, a comunicação entre as pessoas é respeitosa e assertiva, clara e objetiva. Uma escola realmente comprometida com o desenvolvimento integral dos estudantes organiza comunidades de aprendizagem que envolvem, além da equipe profissional e técnica, os pais e os estudantes. Assim, é possível partilhar os resultados das avaliações, dialogar sobre os problemas e construir juntos encaminhamentos assertivos para ações de superação (VINHA et al; 2017). Como se vê, facilitar o diálogo e a participação efetiva deve ser uma ação permanente dos gestores. A resolução de conflitos faz parte do comportamento de todos os profissionais que compõem a escola. Como vimos, o conflito é inerente às relações, mas as formas como ele são resolvidas e como é comunicado nas escolas precisam estar alicerçados no processo educativo, e não de forma alguma punitivas. Você precisa desenvolver mais do que causalidade em seus alunos. É importante que os alunos aprendam a compreender e respeitar uns aos outros e suas posições. Afinal, a escola é um dos lugares mais úteis para desenvolver a humanidade das pessoas. A prática da mediação é baseada no diálogo. Eles, portanto, envolvem todas as partes da comunidade escolar em sua busca por uma boa interação social e acordo comum para o bem comum.