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O Espírito Santo e a Igreja
Você vai compreender os significados históricos e teológicos da Igreja, o papel do Espírito Santo na missão
e identidade eclesial, e as origens da Igreja a partir do Novo Testamento e da ação de Cristo e dos
apóstolos.
Prof. Pedro Paulo Alves dos Santos
1. Itens iniciais
Propósito
A compreensão dos fundamentos bíblicos, históricos e teológicos da Igreja é essencial para profissionais da
área teológica e pastoral, pois permite uma atuação mais consciente, coerente e fundamentada na missão e
identidade eclesial em contextos contemporâneos.
Objetivos
Investigar as origens e características do pentecostalismo e da Renovação Carismática Católica como
expressões contemporâneas da experiência de Pentecostes.
 
Analisar as expressões e experiências eclesiais no Antigo Testamento e sua relação profética com o
conceito de Igreja no Novo Testamento.
 
Examinar a fundação da Igreja a partir da missão de Jesus, da atuação apostólica e das descrições
eclesiais nos escritos neotestamentários.
Introdução
Neste conteúdo, será proposto um mergulho reflexivo e investigativo sobre a identidade e a missão da Igreja,
com ênfase especial nas compreensões históricas, teológicas e bíblicas que moldaram seu percurso ao longo
do tempo. A partir da observação de movimentos e grupos surgidos no século XX, como o pentecostalismo e
a Renovação Carismática Católica, será possível reconhecer como o Espírito Santo tem sido interpretado e
vivenciado em diferentes contextos eclesiais, promovendo uma renovação na maneira como a Igreja entende
sua missão no mundo.
 
Também será explorada a noção de Igreja (Ekklesia) em sua trajetória histórica, observando como diferentes
tradições e autores compreendem a fundação da Igreja por meio das palavras e ações de Jesus Cristo. Há
quem atribua a fundação diretamente a Cristo; outros destacam o papel dos apóstolos como estruturadores
da Igreja nascente.
 
Esses diversos olhares enriquecem o debate e ajudam a compreender como se desenvolveu a doutrina e a
prática eclesial ao longo dos séculos.
 
Por fim, o conteúdo bíblico, sobretudo os evangelhos e outros textos do Novo Testamento, será analisado
para identificar como neles aparecem os primeiros sinais da realidade e do Mistério da Igreja. A partir dessas
fontes, será possível refletir sobre a continuidade entre o povo de Deus do Antigo Testamento e a nova
comunidade fundada em Cristo, lançando luz sobre a origem, o propósito e a missão da Igreja nos dias atuais.
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1. Espírito Santo no Pentecostalismo
Premissa
Vamos estudar juntos diversas questões importantes. Primeiro, devemos entender melhor “A experiência do
Espírito Santo nas igrejas da Reforma e no catolicismo romano”. Por fim, veremos de perto um fenômeno
interessante, a criação da renovação carismática católica.
 
Inicialmente, temos de verificar os marcos históricos desse fenômeno denominado pentecostalismo. O que é?
O que significa esse termo?
 
Podemos também observar que na análise do pentecostalismo, dada a complexidade de suas origens e
duração – pois se trata de um fenômeno que está completando cem anos de estreia no campo religioso, e que
assumiu formas inusitadas nos espaços socioculturais aonde chegou –, há uma diversidade de portas de
acesso, muitas delas decorrentes da hegemonia desses ou daqueles paradigmas no momento de sua análise.
Assista o vídeo e entenda o pentecostalismo.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Além do mais, o pentecostalismo e o carismatismo são os fenômenos religiosos mais importantes do
século XX. Do contrário, como explicar que em cem anos de seu aparecimento público, nos Estados
Unidos, hoje tenha, aproximadamente, 500 milhões de seguidores em todo o mundo? 
(CAMPOS, 2005, p. 101-102)
Segundo o Campos (2005), esse movimento e fenômeno religioso, oriundo das esferas do protestantismo
(norte-americano), deverá influir profundamente na concepção e nas configurações das igrejas protestantes
no Brasil, a partir de meados do século XX. Além disso, mais tarde, a influência pentecostalista influenciará
também a esfera religiosa católica, a partir da renovação carismática católica (RCC).
 
Há muitas maneiras de explicar e avaliar esse movimento ou a experiência religiosa cristã em torno do Espírito
Santo, o dito, pentecostalismo, assim, como há muitas críticas desde a sua aparição.
 
A origem norte-americana do Pentecostalismo tem uma influência na (des) configuração das experiências
cristãs protestantes no Brasil (e na América latina)? Como e de que maneira esse fenômeno influenciou e
modificou o mapa religioso protestante brasileiro?
Assista o vídeo e entenda o surgimento do pentecostalismo no Brasil.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Vamos ver alguns conceitos do pentecostalismo que emergem em diversos ambientes.
Conceitos da Igreja Pentecostal
Entenda alguns conceitos a seguir: 
 
A igreja Pentecostal é um movimento cristão protestante que dá grande relevo ao Dia de Pentecostes e
que apresenta algumas diferenças em comparação com outras denominações. O movimento
pentecostal começou em 1906, em Los Angeles, quando William J. Seymour pregou, dando origem ao
avivamento da rua Azusa. Os elementos da igreja pentecostal consideram o batismo no Espírito Santo
essencial no caminho da salvação. É um fenômeno carismático caracterizado pela glossolalia,
conhecido como “dom de línguas” (1 Coríntios 12:10).
 
O pentecostalismo é um movimento de renovação de dentro do cristianismo, que dá ênfase especial a
uma experiência direta e pessoal de Deus por meio do batismo no Espírito Santo. O termo pentecostal
é derivado de Pentecostes, um termo grego que descreve a festa judaica das semanas. Para os
cristãos, esse evento comemora a descida do Espírito Santo sobre os seguidores de Jesus Cristo,
conforme descrito nos Atos 2. O pentecostalismo é um termo amplo que inclui uma vasta gama de
diferentes perspectivas teológicas e organizacionais. Como resultado, não existe uma organização
central ou igreja que dirija o movimento. Os pentecostais podem ser inseridos em mais de um grupo
cristão, indo do trinitariano até o não trinitariano. Muitos grupos pentecostais são afiliados à
Conferência Mundial Pentecostal. No Brasil, é comum os neopentecostais e os protestantes históricos
(presbiterianos e luteranos, por exemplo) se autoidentificarem com o termo “evangélico”. As igrejas
Pentecostais são: Igreja Assembleia de Deus, Igreja Metodista Wesleyana, Igreja do Evangelho
Quadrangular, Igreja Evangélica O Brasil Para Cristo, Igreja Pentecostal Deus é Amor e Congregação
Cristã do Brasil. Todo o movimento pentecostal no mundo inclui cerca de 590 milhões de pessoas.
 
Pentecostalismo é como se chama a doutrina de grupos religiosos cristãos, originários do seio do
protestantismo, que se baseia na crença do poder do Espírito Santo na vida do crente após o Batismo
do Espírito Santo, através dos dons do Espírito Santo, começando com o dom de línguas (glossolalia).
 
Embora tenhamos muitas ênfases, em comum às diversas “explicações” ou descrições desse fenômeno estão
as seguintes questões:
 
Uma interpretação contemporânea da compreensão da atuação do Espírito Santo no mundo e nas
igrejas;
 
A necessidade de incluir na vivência da perspectiva religiosa cristã um elemento empírico – não se
tratava, inicialmente, de uma doutrina sobre o Espírito Santo, mas de senti-lo presente e atuante pelos
“carismas”;
 
Um fenômeno originariamente norte-americano, de natureza protestante;
 
Não é um fenômeno tipicamente protestante europeu ou católico-romano;
 
Propõe uma leitura não científica da Bíblia, exclusivamente de cunho espiritual e individual;
1. 
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Entende que o cristianismo “pentecostal” e protestante é o herdeiro direto das descrições da Igreja e
dos cristãos que se encontram no Livro dos Atos dos Apóstolos.
Sobre as origens do pentecostalismo
Tradicionalmente, reconhece-se o começo do movimento pentecostalMysterium salutis: Compêndio de Dogmática histórico-salvífica. Vol. IV.
Petrópolis: Vozes, 1975.
 
Morbiolo, R. G. A doutrina sobre a Igreja: aspectos gerais de evolução histórica. Revista de Cultura Teológica
(18), 71, p. 61-78, 2010.ROL
 
PENTECOSTALISMO. In: WIKIPEDIA: the free encyclopedia. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2019].
Consultado na internet em 24 junho 2025.
 
PICOLOTTO, Mariana Reinisch. O pentecostalismo no Brasil: uma reflexão sobre novas classificações. Revista
Contraponto, v. 3, n. 1, 2016. Consultado na internet em 24 junho 2025.
 
O PROTESTANTISMO BRASILEIRO. Estudo de eclesiologia e de história, social. Consultado na internet em 22
ago. 2019.
 
PIÉ-NINOT, S. Introdução à Eclesiologia. São Paulo: Loyola, 1998.
 
RENOVAÇÃO CARISMÁTICA CATÓLICA. In: WIKIPEDIA: the free encyclopedia. [San Francisco, CA: Wikimedia
Foundation, 2019].
 
SANTOS, P. P. A. O Espírito e a Igreja: As perspectivas do Novo Testamento, em particular dos Escritos
Joaninos. Atualidade Teológica 21, p. 73-93, 2002.
 
SOUZA, Etiane Caloy Bovkalovski de; MAGALHÃES, Marionilde Dias Brepohl de. Os pentecostais: entre a fé e a
política. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 22, n. 43, p. 85-105, 2002. Consultado na internet em 27
mar. 2019.
 
ROLOFF, J. A Igreja no Novo Testamento. São Leopoldo: Sinodal, 2005.
 
RABUSKE, J. I. A IGREJA EM SUAS ORIGENS: Revisitando os Atos dos Apóstolos. Teocomunicação 42/1, p.
5-18, 2012.
 
Wulfhorst, I. O pentecostalismo no Brasil. Estudos Teológicos, v. 35, n. 1, p. 7-20, 1995.
	O Espírito Santo e a Igreja
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Espírito Santo no Pentecostalismo
	Premissa
	Conteúdo interativo
	Conteúdo interativo
	Conceitos da Igreja Pentecostal
	Sobre as origens do pentecostalismo
	Uma fenomenologia do pentecostalismo no Brasil: “As Três Ondas”
	Conteúdo interativo
	A primeira onda
	A segunda onda
	A terceira onda
	O que se pode entender, portanto a partir desses relatos históricos?
	Movimento carismático católico
	Verificando o aprendizado
	2. A Igreja no Antigo Testamento
	Eclesiologia
	O início da Igreja
	Conteúdo interativo
	O primeiro
	Conteúdo interativo
	O segundo
	Universalidade
	Individualidade
	Autonomia
	Conteúdo interativo
	Saiba mais
	O cristianismo na modernidade
	Universalidade
	Individualidade
	Autonomia
	Conteúdo interativo
	Saiba mais
	O conceito de Povo da Aliança
	A igreja no período patriarcal
	A Igreja no período mosaico
	A vocação de Moisés
	O Deserto do Sinai: A Lei
	A Igreja no Período Profético
	Verificando o aprendizado
	3. A Igreja no Novo Testamento
	Jesus quis e fundou a Igreja?
	Conteúdo interativo
	O Espírito Santo e o Mistério da Igreja no Novo Testamento
	A Perspectiva Igreja-Espírito na obra de Lucas-Atos
	Saiba mais
	Sobre Loisy e o Modernismo
	Conteúdo interativo
	A Perspectiva Igreja-Espírito no “Corpus Paulinum”
	A Igreja em João e o Evangelho de João na Igreja
	Atenção
	Elementos Eclesiológicos nos Escritos Joaninos
	Segregação-Separação
	O Paráclito
	A Figura do Discípulo Amado
	O ambiente profético-carismático:
	A Igreja no Livro do Apocalipse
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Explore +
	Referênciascomo tendo início no ano 1906, em Los
Angeles, nos Estados Unidos, na rua Azuza, onde houve um grande “avivamento” caracterizado
principalmente pelo “batismo com o Espírito Santo”, evidenciado pelos dons do Espírito (glossolalia, curas
milagrosas, profecias, interpretação de línguas e discernimento de espíritos).
No entanto, o batismo com dons do Espírito Santo não era totalmente novo no cenário protestante. Há
inúmeros relatos de pessoas que clamam ter manifestado dons do Espírito em muitos lugares, desde Martinho
Lutero (apesar de controvérsias sobre a veracidade), no século XVI, até alguns protestantes na Rússia, no
século XIX.
Devido à projeção que ganhou na mídia, o avivamento na rua Azuza rapidamente cresceu e, subitamente,
pessoas de todos os lugares do mundo estavam indo conhecer o movimento. No começo, as reuniões na rua
Azuza aconteciam informalmente: apenas alguns fiéis, que se reuniam em um velho galpão para orar e
compartilhar suas experiências, liderados por William Seymour (1870-1922).
 
Rapidamente, grupos semelhantes foram formados em muitos lugares dos EUA. 
 
Com o rápido crescimento do movimento, o nível de organização também cresceu, até o grupo se denominar
“Missão da Fé Apostólica da Rua Azuza”. Alguns fiés não concordaram com a denominacionalização do grupo.
Surgiram grupos independentes que emergiram em outras denominações. 
 
Algumas já estabelecidas também adotaram doutrinas e práticas pentecostais, como é o caso da Igreja de
Deus em Cristo. Mais tarde, alguns grupos ligados ao movimento pentecostal começaram a crer no unicismo
em vez da triunidade (trindade). 
 
O crescimento da rivalidade entre os que acreditavam no unicismo e os que acreditavam na trindade gera um
cisma, e novas denominações nasceriam, como a Igreja Pentecostal Unida (unicista) e as assembleias de Deus
(trinitária).
Uma fenomenologia do pentecostalismo no Brasil: “As Três
Ondas”
A pesquisa apresentada por Paul Freston (1994), de tipologia weberiana com corte histórico-teológico, dividiu
a história do pentecostalismo brasileiro nas chamadas “três ondas de implantação de igrejas”. A primeira onda
ocorreu a partir dos anos 1910, sendo marcada com o início do movimento pela criação, em solo brasileiro, da
Congregação Cristã do Brasil (CCB) e a Assembleia de Deus (AD), em 1911 (Freston, 1994, p. 70).
 
O movimento pentecostal brasileiro tem origem norte-americana, embora os pioneiros das Assembleias de
Deus, Daniel Berg e Gunnar Vingren, fossem missionários suecos. Ambos receberam treinamento teológico e
foram envolvidos no movimento pentecostal na América do Norte, e de lá vieram para o Brasil.
 
Em sua vinda, trouxeram na bagagem a experiência mística, tal qual os norte-americanos experimentavam,
particularmente sob a liderança de Charles Parham e William J. Seymour.
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No Brasil, o pentecostalismo chegou em 1910-1911, com a vinda de missionários originários da América do
Norte: Louis Francescon, que dedicou seu trabalho entre as colônias italianas no Sul e Sudeste do Brasil,
originando a Congregação Cristã no Brasil; e Daniel Berg e Gunnar Vingren, que iniciaram suas missões na
Amazônia e no Nordeste, consequentemente nascendo as assembleias de Deus.
Assista ao vídeo e conheça o neo pentecostalismo.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
O movimento pentecostal pode ser configurado em sua trajetória histórica, no Brasil, através da imagem das
três ondas:
A primeira onda
Chamada pentecostalismo clássico, abrange o período de 1910 a 1950, e vai de sua implantação no
país, com a fundação da Congregação Cristã no Brasil e da Assembleia de Deus, até sua difusão pelo
território nacional. Desde o início, ambas as igrejas se caracterizam:
Pelo anticatolicismo;
Pela ênfase na crença no Espírito Santo;
Por um sectarismo radical;
Por um ascetismo que rejeita os valores do mundo e defende a plenitude da vida moral.
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A segunda onda
Começa a surgir na década de 1950, quando chegam a São Paulo dois missionários norte-americanos
da International Church of The Foursquare Gospel. Na capital paulista, eles criam a Cruzada Nacional
de Evangelização, centrados na cura divina. Iniciam a evangelização das massas, principalmente pelo
rádio, contribuindo bastante para a expansão do pentecostalismo no Brasil. Em seguida, fundam a
Igreja do Evangelho Quadrangular. No seu rastro, surgem:
O Brasil para Cristo;
Igreja Pentecostal Deus é Amor;
Casa da Bênção;
Igreja Unida;
Diversas outras menores.
A terceira onda
A neopentecostal, tem início na segunda metade dos anos 1970. Fundadas por brasileiros, a Igreja
Universal do Reino de Deus (Rio de Janeiro, 1977), a Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra
(Brasília, 1992) e a Renascer em Cristo (São Paulo, 1986) estão entre as principais. Utilizam
intensamente a mídia eletrônica e aplicam técnicas de administração empresarial (uso de marketing,
planejamento estatístico, análise de resultados etc.).
Algumas pregam a teologia da prosperidade, pela qual o cristão está destinado à prosperidade
terrena, e rejeitam os tradicionais usos e costumes pentecostais. O neopentecostalismo constitui a
vertente pentecostal mais influente, e a que mais cresce. Também é mais liberal em questões de
costumes.
O que se pode entender, portanto a partir desses relatos históricos?
Confira a seguir:
 
O fenômeno pentecostal não é homogêneo. A única unanimidade refere-se à suas origens do
movimento, aquela norte-americana.
 
Trata-se de um fenômeno recente, datado do início do século XX (1906 nos EUA, e 1910-1911 no
Brasil). Portanto, ainda em processo, mesmo que pareça estabelecido, percebe-se que o
desenvolvimento “neopentecostalismo” ainda está em plena mutação e sofrendo diversas
transformações.
 
Indica desejo e aspiração dos adeptos a uma maior participação na experiência imediata e individual
com Deus, sem os ritos tradicionais, e num retorno intenso ao uso individual e espontâneo da
interpretação bíblica.
 
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Apesar de ter uma ideologia conservadora (moral/costumes) e individualista (salvar-se), o movimento
pentecostal é popular, de massa. As congregações pentecostais se caracterizam por explorar um forte
apelo às grandes agremiações urbanas – o que talvez fique mais patente nas igrejas neopentecostais
(Universal do Reino de Deus).
 
Nesse caso, há de se distinguir a “terceira onda” das duas anteriores. O neopentecostalismo (no Brasil)
se diferencia e toma distância das formas anteriores dos pentecostalismos clássico e aquele dos anos
1950, no comportamento, nas dimensões, na organização (prioritariamente empresarial), e no acento
exacerbado dos elementos da “teologia da prosperidade”.
 
E quais são os elementos que podem ser indicados como fundamentais na caracterização dos movimentos e
igrejas pentecostais?
 
O(s) pentecostalismo(s) pode(m) ser dividido(s) em quatro movimentos. Trata-se de uma realidade com
características e identidades multifacetadas, indicada como:
 
Pentecostalismo clássico (anos 1920);
 
Cura Divina (anos 1950);
 
Carismático (anos 1970);
 
Neopentecostalismo/hiperpentecostalismo (anos 1980).
Destaquemos os mais interessantes e atuais aspectos que caracterizariam o denominado
“hiperpentecostalismo”:
 
Extrapolação;
 
Não há batismo no Espírito/glossolalia;
 
Vitória contra o diabo;
 
Prosperidade;
 
Ascensão social;
 
Vida feliz.
Movimento carismático católico
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O carismatismo católico romano apresenta diversas definições e características. O Renovamento Carismático
Católico ou a Renovação Carismática Católica (também chamada RCC) é um movimento da Igreja católica
apostólica romana surgido nos Estados Unidos em meados da década de 1960, e que se espalhou por todo o
mundo, pela influência do movimento carismático da Igreja episcopal protestante, dentro de um pensamento
ecumênico, porém mantendo os dogmas do catolicismo romano.
 
É possível identificar as seguintes características na RCC:Tem as mesmas
origens dos
pentecostalismos
protestantes
(igreja episcopal
protestante) nos
anos 1960.
 Possui um
acento
ecumênico,
isto é,
estabelece
ambiente de
“diálogo
interconfessional”,
porém
mantendo os
dogmas do
catolicismo
romano.
 A prática
baseia-se na
experiência
pessoal com
Deus, pela
força do
Espírito
Santo e de
seus dons, a
fim de que
todos se
tornem
discípulos de
Jesus Cristo.
 O
movimento
procura
oferecer
uma
abordagem
inovadora
às formas
tradicionais
de
doutrinação
e dos ritos
da Igreja.
(AQUINO,
2005).
Verificando o aprendizado
Questão 1
Após assistir ao vídeo de Franklin Ferreira, destaque os traços da avaliação do conceito de
“hiperpentecostalismos”, apresentados pelo palestrante.
Chave de resposta
Extrapolação em relação ao pentecostalismo clássico. Não há batismo no Espírito/glossolalia. Ênfase na
vitória contra o diabo, na prosperidade, na ascensão social, na busca da vida feliz. Afastamento da linha
dos movimentos “evangélicos” tradicionais.
Questão 2
Veja o vídeo sobre a renovação carismática católica (RCC) e responda: quais são as características próprias
da RCC segundo o magistério católico, em particular dos papas, desde 1960, quando esse movimento de
influência pentecostal entrou na Igreja católica?
Chave de resposta
Tem origem pentecostal e possui um acento ecumênico. A prática baseia-se na experiência pessoal com
Deus, pela força do Espírito Santo e de seus dons, a fim de que todos se tornem discípulos de Jesus Cristo.
O movimento procura oferecer uma abordagem inovadora às formas tradicionais de doutrinação e dos ritos
da Igreja.
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https://www.youtube.com/watch?v=sCNRH4tXupk
https://www.youtube.com/watch?v=sCNRH4tXupk
https://www.youtube.com/watch?v=CUf8HcrENRc
https://www.youtube.com/watch?v=CUf8HcrENRc
Questão 3
O pentecostalismo é um fenômeno que está completando cem anos no campo religioso, e que assumiu formas
inusitadas nos espaços socioculturais O que significa então a palavra pentecostalismo?
A Movimento que trouxe a magia para o cristianismo.
B Grupo de fanáticos que ignora a verdadeira religião cristã.
C Ramo do espiritismo que se infiltrou nas igrejas cristãs.
D Dom do Espírito que tem renovado as igrejas cristãs.
E Surto coletivo e fanático entre cristãos e espíritas.
A alternativa D está correta.
O pentecostalismo é um fenômeno cristão de origem nas igrejas protestantes que vincula a fé às
experiências provocadas pela vinda do Espírito Santo (Pentecostes). Trata-se de um desejo de redesenhar
a Igreja nos modelos dos Atos dos Apóstolos.
2. A Igreja no Antigo Testamento
Eclesiologia
Anteriormente estudamos com afinco os diversos aspectos acerca da pneumatologia, isto é, da teologia do
Espírito Santo e das implicações da compreensão da ação do Espírito Santo a partir de Pentecostes (At 2) na
vida das igrejas, através das experiências pentecostais. Agora chegou o momento de estudarmos a igreja
(ekklesia), isto é, a Eclesiologia.
Para começar, reflita sobre as questões:
 
De que maneira Deus quis a Igreja?
 
O que é a Igreja?
 
Qual é sua função no Plano de Deus?
 
Neste conteúdo, iremos conhecer de que maneira encontramos, no Antigo Testamento, uma série de
indicações da realidade da Igreja, por meio da noção de Povo de Deus (‘Qahal Iaweh’), como uma forma de 
profecia da Igreja, segundo a lemos no Novo Testamento.
 
O estudo da Igreja, isto é, da sua identidade, configuração e mensagem teológica não é um campo restrito ao
Novo Testamento, no qual está plenamente revelada e esmiuçada pela teologia das tradições apostólicas de
Paulo, João, entre outros escritos.
 
Ao contrário, o Antigo Testamento, com sua revelação própria e indispensável, é o único horizonte válido para
entendermos e avaliarmos as evoluções das diversas formas da Igreja de Cristo.
 
Desde as primeiras revelações a Abraão (Gn 12) até o auge da formação das Doze Tribos dos Filhos de Jacó,
temos um longo percurso de formação prototípica da Igreja nas Escrituras veterotestamentárias.
 
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A descendência de Abraão foi o primeiro embrião da Igreja?
O início da Igreja
O Eterno Pai, pelo libérrimo e insondável desígnio da Sua sabedoria e bondade, criou o universo, decidiu
elevar os homens à participação da vida divina e não os abandonou, uma vez caídos em Adão, antes, em
atenção a Cristo Redentor “que é a imagem de Deus invisível, primogênito de toda a criação” (Col 1, 15)
sempre lhes concedeu os auxílios para se salvarem. Aos eleitos, o Pai, antes de todos os séculos os “discerniu
e predestinou para reproduzirem a imagem de Seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito de uma multidão
de irmãos” (Rom 8, 29). E, aos que creem em Cristo, decidiu chamá-los à santa Igreja, a qual, prefigurada já
desde o princípio do mundo e admiravelmente preparada na história do povo de Israel e na Antiga Aliança, foi
constituída no fim dos tempos e manifestada pela efusão do Espírito, e será gloriosamente consumada no fim
dos séculos. Então, como se lê nos Santos Padres, todos os justos depois de Adão, “desde o justo Abel até ao
último eleito”, se reunirão em Igreja universal junto do Pai.
 
Este texto acima foi publicado há mais de 50 anos, em um gigantesco movimento ecumênico, o Concílio
Vaticano II. Bispos, teólogos de diversas denominações cristãs (católica, protestantes, ortodoxa) reuniram-se
por três anos em Roma para discutir diante dos desafios do século XX, os rumos e os desafios que o
Cristianismo deveria enfrentar e assumir.
 
Deste encontro surgiram não só inspirações para todas as igrejas, como também documentos, que até hoje,
continuam a nortear um sadio diálogo e colaboração ecumênica entre as diversas igrejas no mundo.
 
Assista ao vídeo e aprenda sobre o monoteísmo religioso.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
E, aos que creem em Cristo, decidiu chamá-los à santa Igreja, a qual, prefigurada já desde o princípio do
mundo e admiravelmente preparada na história do povo de Israel e na Antiga Aliança.
(LG 2)
Dois pontos destacam-se nesta questão quando se busca entender de que maneira a Igreja, que é um evento
do Novo Testamento da Revelação de Cristo, pode ser vista ou concebida presente já na história de Israel e
até mesmo antes. Vamos conhecê-los.
O primeiro
A santa Igreja, a qual, prefigurada já desde o princípio do mundo.
 
O Concílio entende aqui que o Desígnio de Salvação da Humanidade, da parte de Deus, não constitui um
evento individual, como se os salvos fossem resgatados por Deus isoladamente uns dos outros.
 
O Mistério da Igreja, neste sentido, é a Decisão Divina de encerrar a todos, coletivamente, na esfera da
Redenção.
 
Por isso, desde o início, a Teologia mais tradicional entendeu o pecado original como uma realidade que
atingiu a todos os seres humanos e não somente o primeiro casal humano (Adão e Eva).
 
Em última instância, a Igreja está incoativa no destinatário da Salvação, a Humanidade, que, depois da queda
do pecado original, torna-se objeto da Misericórdia Divina.
Assista ao vídeo e conheça a Igreja na modernidade.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador. Que quer que todos os homens se
salvem, e venham ao conhecimento da verdade. Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e
os homens, Jesus Cristo homem.
(1 Tim 2, 3-5)
O segundo
Confira:
(...) E admiravelmente preparada na história do povo de Israel e na Antiga Aliança.
(LG 2)
O Mistério da Igreja, enquanto rede social de Salvação, corresponde ao gênero humano, gregário, social e
comunitário em sua essência. Foi um desastre, com consequências atuais, o surgimento de ideologias do 
individualismo moderno que, a partir do século XVII, junto com os racionalismos e empirismo, dominou o
pensamento e a cultura europeia, até o auge do Iluminismo.
Qual o sentido desta discussão para nossa disciplina?
 
Simples. A religião não é um fenômeno isolado do mundo, de suas reviravoltas culturais, suas ideologias, seus
sistemaseconômicos.
 
O Cristianismo teria sido alvo de um mundo de individualismo?
 
Quais são as consequências, com a suposta contaminação ideológica, para a autocompreensão e a prática
cristã?
 
Existiu um pensamento cristão influenciado pela modernidade?
 
Em outros termos, um dos universais da modernidade ocidental é a suposição dominante de que o homem, em
sua subjetividade, na sua constituição mais íntima, é o centro e o fundamento do mundo (TAYLOR, 1997 e
GIDDENS, 2002).
 
Em texto antológico, Rouanet (O Mal-estar da Modernidade, 2001) propôs uma intensa reflexão sobre a
modernidade do ponto de vista de sua crise ou mal-estar. Este projeto civilizatório da modernidade, que está
em plena crise, na opinião de diversos autores, tem como ingredientes principais os conceitos de:
Universalidade
Significa “que ele visa todos os seres humanos, independentemente de barreiras nacionais, étnicas ou
culturais” (ROAUNET, 2009, p. 9).
Individualidade
Significa “que esses seres são considerados como pessoas concretas e não como integrantes de uma
coletividade e que se atribui valor ético à sua crescente individualização” (ROAUNET, 2009, p. 9).
Autonomia
Significa “que esses seres humanos individualizados são aptos a pensarem por si mesmos, sem a
tutela da religião, ou da ideologia, a agirem no espaço público e a adquirirem pelo seu trabalho os
bens e serviços necessários à sobrevivência material” (ROAUNET, 2009, p. 9).
Estes temas parecem um excursus, um desvio de nossos objetos de aula, mas não se pode entender
corretamente o Judeu-Cristianismo sem estudar os desafios do pensamento moderno e das ideologias que se
aninham em torno de filósofos, políticos e agentes culturais.
 
Em particular, como se pode viver a fé fora da esfera da Cidade, da esfera Pública, do entorno da cultura e da
vida social?
 
Por isso, a segunda Tese de Lumen Gentium afirma que a Igreja se funda já no Desígnio Comunitário do Povo
de Israel é o fundamento de uma eclesiologia veterotestamentária!
Assista ao vídeo e conheça a Igreja no período profético.
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Saiba mais
Muitos autores se ocuparam destas reações filosóficas à modernidade, ainda nos séculos XVIII e XIX.
Leia os textos: MARTINS, A. et alii (org.). As Ilusões do Eu. Spinoza e Nietzsche. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 2011. HABERMAS, J. O Discurso Filosófico da Modernidade. São Paulo: Martins
Fontes, 2000. COMPAGNON, A. Os Antimodernos. De Joseph de Maistre a Roland Barthes. Belo
Horizonte: EDUFMG, 2011. Leia, ainda, sobre os seguintes pontos: As relações entre Cristianismo e
Modernidade ZILLES, U. A Crítica da Religião na Modernidade. INTERAÇÕES - Cultura e Comunidade / v.
3 n. 4 / p. 37-54 / 2008. O Protestantismo como uma forma de Cristianismo da Modernidade?
Riesebrodt, M. A ética protestante no contexto contemporâneo. Tempo Social, revista de sociologia da
USP, v. 24, n. 1, pp. 159-182, 2012. 
O cristianismo na modernidade
Qual o sentido desta discussão para nossa disciplina? Simples. A religião não é um fenômeno isolado do
mundo, de suas reviravoltas culturais, suas ideologias, seus sistemas econômicos.
 
O Cristianismo teria sido alvo de um mundo de individualismo? Quais são as consequências, com a suposta
contaminação ideológica, para a autocompreensão e a prática cristã?
 
Existiu um pensamento cristão influenciado pela modernidade? Em outros termos, um dos universais da
modernidade ocidental é a suposição dominante de que o homem, em sua subjetividade, na sua constituição
mais íntima, é o centro e o fundamento do mundo (TAYLOR, 1997 e GIDDENS, 2002).
 
Em texto antológico, Rouanet (O Mal-estar da Modernidade, 2001) propôs uma intensa reflexão sobre a
modernidade do ponto de vista de sua crise ou mal-estar. Este projeto civilizatório da modernidade, que está
em plena crise, na opinião de diversos autores, tem como ingredientes principais os conceitos de:
Universalidade
Significa “que ele visa todos os seres humanos, independentemente de barreiras nacionais, étnicas ou
culturais” (ROAUNET, 2009, p. 9).
Individualidade
Significa “que esses seres são considerados como pessoas concretas e não como integrantes de uma
coletividade e que se atribui valor ético à sua crescente individualização” (ROAUNET, 2009, p. 9).
Autonomia
Significa “que esses seres humanos individualizados são aptos a pensarem por si mesmos, sem a
tutela da religião, ou da ideologia, a agirem no espaço público e a adquirirem pelo seu trabalho os
bens e serviços necessários à sobrevivência material” (ROAUNET, 2009, p. 9).
Estes temas parecem um excursus, um desvio de nossos objetos de aula, mas não se pode entender
corretamente o Judeu-Cristianismo sem estudar os desafios do pensamento moderno e das ideologias que se
aninham em torno de filósofos, políticos e agentes culturais.
 
Em particular, como se pode viver a fé fora da esfera da Cidade, da esfera Pública, do entorno da cultura e da
vida social? Por isso, a segunda Tese de Lumen Gentium afirma que a Igreja se funda já no Desígnio
Comunitário do Povo de Israel é o fundamento de uma eclesiologia veterotestamentária!
 
Assista ao vídeo e conheça a Igreja no período profético.
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Saiba mais
Muitos autores se ocuparam destas reações filosóficas à modernidade, ainda nos séculos XVIII e XIX.
Leia os textos: MARTINS, A. et alii (org.). As Ilusões do Eu. Spinoza e Nietzsche. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 2011. HABERMAS, J. O Discurso Filosófico da Modernidade. São Paulo: Martins
Fontes, 2000. COMPAGNON, A. Os Antimodernos. De Joseph de Maistre a Roland Barthes. Belo
Horizonte: EDUFMG, 2011. Leia, ainda, sobre os seguintes pontos: As relações entre Cristianismo e
Modernidade ZILLES, U. A Crítica da Religião na Modernidade. INTERAÇÕES - Cultura e Comunidade / v.
3 n. 4 / p. 37-54 / 2008. O Protestantismo como uma forma de Cristianismo da Modernidade?
Riesebrodt, M. A ética protestante no contexto contemporâneo. Tempo Social, revista de sociologia da
USP, v. 24, n. 1, pp. 159-182, 2012. 
O conceito de Povo da Aliança
Confira a passagem a seguir:
Em todos os tempos e em todas as nações foi agradável a Deus aquele que O teme e obra justamente
(cfr. At 10, 35). Contudo, aprouve a Deus salvar e santificar os homens, não individualmente, excluída
qualquer ligação entre eles, mas constituindo-os em povo que O conhecesse na verdade e O servisse
santamente. Escolheu, por isso, a nação israelita para Seu povo. Com ele estabeleceu uma aliança; a ele
instruiu gradualmente, manifestando-Se a Si mesmo e ao desígnio da própria vontade na sua história, e
santificando-o para Si. Mas todas estas coisas aconteceram como preparação e figura da nova e
perfeita Aliança que em Cristo havia de ser estabelecida e da revelação mais completa que seria
transmitida pelo próprio Verbo de Deus feito carne. Eis que virão dias, diz o Senhor, em que
estabelecerei com a casa de Israel e a casa de Judá uma nova aliança... Porei a minha lei nas suas
entranhas e a escreverei nos seus corações e serei o seu Deus e eles serão o meu povo... Todos me
conhecerão desde o mais pequeno ao maior, diz o Senhor.
(Jer 31, 31-34; LG 9)
Deste cinquentenário texto surge a intuição a que nos referíamos ao ensejar dentro de uma aula de teologia
uma reflexão sobre a individualismo na cultura moderna, que desde o século XVI vem influenciando a religião
cristã:
Em todos os tempos e em todas as nações foi agradável a Deus aquele que O teme e obra
justamente (cfr. At 10, 35). Contudo, aprouve a Deus salvar e santificar os homens, não
individualmente, excluída qualquer ligação entre eles, mas constituindo-os em povo que O
conhecesse na verdade e O servisse santamente. Escolheu, por isso, a nação israelita para Seu
povo. Com ele estabeleceu uma aliança; a ele instruiu gradualmente, manifestando-Se a Si mesmo e
ao desígnio da própria vontade na sua história, e santificando-o para Si.
Este texto demarca nosso objetivo dessemódulo:
Em consequência, a escolha de Israel como Povo, pelos pactos e alianças, determinou o modus operandi’ da
Revelação e da Salvação, que de Israel, Povo de Deus, alcançará a Igreja de Cristo, no Novo Testamento,
como poderemos estudar na próxima módulo:
Escolheu, por isso, a nação israelita para Seu povo. Com ele estabeleceu uma aliança; a ele instruiu
gradualmente, manifestando-Se a Si mesmo e ao desígnio da própria vontade na sua história, e
santificando-o para Si.
A igreja no período patriarcal
De um lado, 
as relações com Deus se estabelecem no
modo interpessoal (“aquele que O teme e
obra justamente”).
De outro, 
Deus estabelece o modo comunitário
como forma ordinária da Revelação e da
Salvação humana (“aprouve a Deus
salvar e santificar os homens, não
individualmente, excluída qualquer
ligação entre eles, mas constituindo-os
em povo”).
Em Gn 12-50 lemos as sagas patriarcais de Israel.
 
Nessas sagas fundadoras, Israel leu suas origens não à luz da mitologia, mas da intervenção histórica de
Deus:
 
Abraão (Gn 12-25) → Destacam-se como dados da Eclesialidade veterotestamentária a forma de
relação entre Deus e seu Povo.
 
O primeiro elemento é a escolha de um casal, em vista da formação de uma descendência, escolhida para
celebrar uma forte aliança.
 
No núcleo da promessa (Gn 12), que será reiterada diversas vezes, encontram-se a terra, a descendência e a 
posteridade.
O Senhor disse a Abrão: “Deixa tua terra, tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que eu te
mostrar. Farei de ti uma grande nação; eu te abençoarei e exaltarei o teu nome, e tu serás uma fonte de
bênçãos. Abençoarei aqueles que te abençoarem, e amaldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem; todas as
famílias da terra serão benditas em ti."
(Gn 12, 1-3)
O Senhor disse-lhe: “Sabe que teus descendentes habitarão como peregrinos numa terra que não é sua,
e que nessa terra eles serão escravizados e oprimidos durante quatrocentos anos. Mas eu julgarei
também o povo ao qual estiverem sujeitos, e sairão em seguida dessa terra com grandes riquezas.
Naquele dia, o Senhor fez aliança com Abrão: “Eu dou – disse ele – esta terra aos teus descendentes,
desde a torrente do Egito até o grande rio Eufrates: a terra dos cineus, dos ceneseus, dos cadmoneus,
dos heteus, dos ferezeus, dos amorreus, dos cananeus, dos gergeseus e dos jebuseus”.
(Gn 15, 13-14; 18-21)
E, por fim, com o nascimento de Isaac, completa-se um ciclo de estabelecimento de pactos, promessas e
alianças. A circuncisão será o sinal físico de uma pertença coletiva:
• 
Abrão tinha noventa e nove anos. O Senhor apareceu-lhe e disse-lhe: “Eu sou o Deus Todo-poderoso.
Anda em minha presença e sê íntegro; quero fazer aliança contigo e multiplicarei ao infinito a tua
descendência”. Abrão prostrou-se com o rosto por terra. Deus disse-lhe: “Este é o pacto que faço
contigo: serás o pai de uma multidão de povos. De agora em diante não te chamarás mais Abrão, e sim
Abraão, porque farei de ti o pai de uma multidão de povos. Tornarei a ti extremamente fecundo, farei
nascer de ti nações e terás reis por descendentes. Faço aliança contigo e com tua posteridade, uma
aliança eterna, de geração em geração, para que eu seja o teu Deus e o Deus de tua posteridade. Darei a
ti e a teus descendentes depois de ti a terra em que moras como peregrino, toda a terra de Canaã, em
possessão perpétua, e serei o teu Deus”. Deus disse ainda a Abraão: “Tu, porém, guardarás a minha
aliança, tu e tua posteridade nas gerações futuras. Eis o pacto que faço entre mim e vós, e teus
descendentes, e que tereis de guardar: todo homem, entre vós, será circuncidado. Cortareis a carne de
vosso prepúcio, e isso será o sinal da aliança entre mim e vós.
(Gn 17, 1-11)
A Igreja no período mosaico
Com Moisés, as relações e pactos entre Deus e o Povo abraamico, que se estruturará a partir das 12 tribos de
Jacó, neto de Abraão, tornaram-se definitivas por meio da experiência da Páscoa.
Essa narração estende-se pelos outros quatro livros do Pentateuco, onde se destacam dois livros: Êxodo e
Deuteronômio.
A vocação de Moisés
De início, na história de Moisés, como lemos em Ex 2, sua iniciativa frustrada e desastrosa de assumir
responsabilidades diante do estado de opressão de Israel explica-se, seja pela atitude isolada do Plano de
Deus, que ele não conhecia (Deus de Abraão, Isaac e Jacó), como também pela falta de conexão com o Povo
de Israel (que o rejeita como libertador!):
Saindo de novo no dia seguinte, viu dois hebreus que estavam brigando. E disse ao culpado: “Por que
feres o teu companheiro?”. Mas o homem respondeu-lhe: “Quem te constituiu chefe e juiz sobre nós?
Queres, porventura, matar-me como mataste o egípcio?”. Moisés teve medo e pensou: “Certamente a
coisa já é conhecida”.
(Ex 2, 13-14)
No relato de sua Vocação plena, não mais autoiniciativa, nem individualista, Deus se faz conhecer em sua
novidade, ao mesmo tempo em que se apresenta como o Deus da memória dos Pais:
Eu sou – ajuntou ele – o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó”. Moisés
escondeu o rosto, e não ousava olhar para Deus. O Senhor disse: “Eu vi, eu vi a aflição de meu povo que
está no Egito, e ouvi os seus clamores por causa de seus opressores. Sim, eu conheço seus sofrimentos.
E desci para livrá-lo da mão dos egípcios e para fazê-lo subir do Egito para uma terra fértil e espaçosa,
uma terra que mana leite e mel, lá onde habitam os cananeus, os hiteus, os amorreus, os ferezeus, os
heveus e os jebuseus. Agora, eis que os clamores dos israelitas chegaram até mim, e vi a opressão que
lhes fazem os egípcios”. Deus respondeu a Moisés: “Eu sou aquele que sou”. E ajuntou: “Eis como
responderás aos israelitas: (Aquele que se chama) ‘Eu sou’ envia-me junto de vós”.* Deus disse ainda a
Moisés: “Assim falarás aos israelitas: É Javé, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e
o Deus de Jacó, quem me envia para junto de vós. Esse é o meu nome para sempre, e é assim que me
chamarão de geração em geração”. “Vai, reúne os anciãos de Israel e dize-lhes: O Senhor, o Deus de
vossos pais, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó apareceu-me. E disse-me: eu vos visitei, e vi o que se
vos faz no Egito”.
(Ex 3, 6-9. 15-16)
Nesse momento crucial, além da identidade Divina, em duas disposições, no v. 6. 15.16 – Deus dos Pais e o
novo Nome, v.14 – o “Eu Sou”, temos de relevante para a Eclesiologia do Antigo Testamento o conhecimento, o
interesse e a compaixão de Deus não por indivíduos ou pelo próprio Moisés, mas pelo meu Povo, do qual ouviu
clamores (“Eu vi, eu vi a aflição de meu povo que está no Egito, e ouvi os seus clamores por causa de seus
opressores. Sim, eu conheço seus sofrimentos.). Deus resgata a Promessa Abraamica da Terra, da nação e da
Salvação.
O Deserto do Sinai: A Lei
No núcleo da vocação libertadora de Moisés, ao longo dos 40 anos pelo deserto, uma peregrinação purificou
o Povo e constituiu uma aventura comunitária. As tribos, até então sem elos entre si, como veremos de certa
maneira na terra prometida até Davi, que unifica Israel, na forma política do Reino, tiveram uma experiência de
agrupamento.
 
Central, além da experiência da Páscoa, é o Encontro com o Decálogo no Sinai:
No terceiro mês depois de sua saída do Egito, naquele dia, os israelitas entraram no deserto do Sinai.
Tendo partido de Rafidim, chegaram ao deserto do Sinai, onde acamparam. Ali se estabeleceu Israel em
frente ao monte. Moisés subiu em direção a Deus, e o Senhor o chamou do alto da montanha nestes
termos: Eis o que dirás à família de Jacó, eis o que anunciarás aos filhos de Israel: Vistes o que fiz aos
egípcios, e como vos tenho trazido sobre asas de águia para junto de mim. Agora, pois, se obedecerdes
à minha voz, e guardardes a minha aliança, sereis o meu povo particular entre todos os povos. Toda a
terra é minha, mas vós me sereis um reino de sacerdotes e uma nação consagrada. Tais são as palavras
que dirás aos israelitas.
(Ex 14, 1-6)
A Eclesiologia judaica se estabelece nesta promessa,com suas condições. Trata-se de um solene comunicado
à família de Jacó ou aos filhos de Israel e não a indivíduos isolados. A condição divina é a vivência dos
preceitos de Deus (LEI): (se obedecerdes à minha voz e guardardes a minha aliança). Como consequência,
esta multidão será constituída como Povo (meu), separado (consagrado) entre todos os Povos da terra:
(sereis o meu povo particular entre todos os povos.) E, por fim, terá uma missão cultual e um testemunho
sobre Deus no mundo: (sereis um reino de sacerdotes e uma nação consagrada). Ex 20 é primeira fórmula de
uma nova condição do Povo de Deus: O Decálogo é a constituição daquela Nação criada por Deus.
A Igreja no Período Profético
O auge da compreensão da Lei (Torah) ocorre no período profético, antes do Exilio da Babilônia, durante e
mesmo no retorno. Destacam-se os grandes Profetas do Sul.
 
No Centro da Teologia ou do Anúncio Profética, está a relação de Israel com Deus, marcada pela infidelidade
(idolatria) e pela injustiça social, judeus maltratam judeus. Eles foram os grandes teólogos da Aliança, da
Fidelidade e da Observância social da Lei.
 
Eles atualizaram o conhecimento de Deus, pois não bastava mais conhecer a Deus através de uma experiência
Enoteísta (Deus do Clã), mas era o momento de confessar o pleno Monoteísmo.
 
A crítica social dos profetas que atingia diretamente as instituições religiosas, como o Templo e o Culto,
reclamava uma verdadeira identidade social da Fé judaica. Não bastava um culto tecnicamente ordenado se a
social era marcada pela assimetria, a injustiça e a opressão da viúva, do órfão e do estrangeiro. Textos fortes
sacodem a consciência religiosa e social de Israel:
Ouvi a palavra do Senhor, príncipes de Sodoma; escuta a lição de nosso Deus, povo de Gomorra: De que
me serve a mim a multidão das vossas vítimas? – diz o Senhor –. Já estou farto de holocaustos de
cordeiros e da gordura de novilhos cevados. Eu não quero sangue de touros e de bodes. Quando vindes
apresentar-vos diante de mim, quem vos reclamou isto: atropelar os meus átrios? De nada serve trazer
oferendas; tenho horror da fumaça dos sacrifícios. As luas novas, os sábados, as reuniões de culto, não
posso suportar a presença do crime na festa religiosa. Eu abomino as vossas luas novas e as vossas
festas; elas me são molestas, estou cansado delas. Quando estendeis vossas mãos, eu desvio de vós os
meus olhos; quando multiplicais vossas preces, não as ouço. Vossas mãos estão cheias de sangue.
Lavai-vos, purificai-vos. Tirai vossas más ações de diante de meus olhos. Cessai de fazer o mal,
aprendei a fazer o bem. Respeitai o direito, protegei o oprimido; fazei justiça ao órfão, defendei a viúva.
(Is 1, 10-17)
Muitos outros conceitos análogos, assim como uma imensa diversidade de experiências ao longo de toda a
narrativa bíblica do Antigo Testamento, fundamentam a necessidade de reconhecer que, apesar de ser um
evento da Fundação do próprio Cristo, a Igreja estava incoativa e modelar na experiência do chamamento de
Israel, como Povo de Deus, seu Reino particular, pela Aliança e a vivência dos Mandamentos. Por uma forma
social de vida na fraternidade baseada na justiça.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Diante do exposto sobre a questão do individualismo e a religião, responda às seguintes questões:
 
Como o individualismo que caracteriza a modernidade influencia o Cristianismo?
 
Quais são as consequências dessas influências?
Chave de resposta
O individualismo moderno é incompatível com a religião cristã, seja pelo desprezo da tradição
(conhecimento heterônomo), seja pela destruição da dimensão comunitária da religião e, por fim, da
destituição do foro público da fé e da ética (moral e fé intimistas).
Questão 2
Tomando as narrativas mosaicas, de que maneira nelas encontram-se os marcos da eclesialidade (Igreja) no
AT? Traga textos do Êxodo que exemplifiquem esta questão.
Chave de resposta
Moisés representa o desenvolvimento da identidade de Povo de Deus, seja pelo resgate no Egito e a
retomada das promessas, como a Terra, seja pelo aparato da Lei (Decálogo) que aperfeiçoará a fidelidade
às Alianças e pactos com Deus.
Questão 3
Que relações se podem estabelecer entre o Povo de Israel e a Igreja? Escolha a opção CORRETA:
A Não há elos entre Israel no AT e a Igreja do NT.
B O Povo de Israel é a versão falida da Igreja no NT.
C A Igreja do NT anulou plenamente o Povo de Israel.
D O Povo de Israel não pode ser comparado à Igreja do NT.
E Ambos representam a Aliança de Deus com a Humanidade.
• 
• 
A alternativa E está correta.
Tanto Israel no Antigo Testamento, como a Igreja no Novo Testamento significam a Decisão Divina de salvar
os Homens não de modo avulso, mas na forma comunitária. 12 eram as tribos dos filhos de Jacó, assim são
12 os Apóstolos escolhidos por Jesus.
3. A Igreja no Novo Testamento
Jesus quis e fundou a Igreja?
Para falarmos da Igreja no Novo Testamento temos que apreciar primeiro a pergunta sobre as relações entre a
existência de Igreja e a Pessoa de Jesus. De fato, o conceito teológico mais abrangente da Igreja é ser “de
Cristo”.
Em que sentido na ação e ministério de Jesus se encontram alguns dos elementos essenciais do
Mistério da Igreja? Podemos afirmar que Jesus quis e fundou a Igreja?
Um segundo elemento, que já estudamos e, por isso, se torna prévio às nossas reflexões eclesiológicas, é a
Figura e Ação do Espírito Santo em relação à Igreja. Não por acaso, a dupla obra literária de São Lucas aponta
para esta síntese: Onde está o Espírito Santo ali estará também a Igreja. Sem ele seria apenas um grupo
empolgado de seguidores de um sujeito extraordinário.
 
Ao contemplar este tema, deparamo-nos com uma tarefa enciclopédica, pois se abre para nós uma nova
perspectiva, de certa maneira infinita de possibilidades, graças à multiplicidade de conceitos e experiências
de Igreja que encontramos ao longo dos diversos textos canônicos do Novo Testamento.
Assista ao vídeo e aprenda sobre a Igreja dentro do Novo Testamento.
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Ora, por isso mesmo, traçaremos limites ao percurso pelo termo ekklesia no interior do Novo Testamento,
restringindo-nos, assim, a alguns textos mais significativos na literatura Lucana, no Evangelho e nos Atos dos
Apóstolos, na literatura Paulina, na qual faremos apenas uma breve alusão, tendo em vista a amplitude de uma
tal empresa e, por fim, nos escritos Joaninos.
 
Na primeira parte de nossa exposição, buscaremos expor de modo sucinto os traços principais da eclesiologia
bíblica, no âmbito dos Evangelhos Sinóticos e de Atos dos Apóstolos, onde se encontram juntos os dois
paradigmas da realidade da Igreja no Novo Testamento.
Os textos do Novo Testamento que selecionamos servirão de janelas, pelas quais, de certa maneira, pode-se
captar o quadro geral da compreensão primitiva da Igreja sobre si mesma e também sobre o Espírito Santo,
atuante e imprescindível nesse processo de autoconsciência eclesial.
 
Em seguida, esboçaremos um perfil da Igreja no âmbito da realidade Joanina, determinando aquilo que se
pode demonstrar a partir de uma visão oblíqua desta realidade, extraída dos textos mesmos.
 
De um lado, 
a experiência eclesiológica, como esta
ocorre e vem experimentada. A Igreja como
realidade empírica.
Do outro, 
o conceito de Igreja, que surge da
consciência reflexiva, expressa na
literatura canônica como discurso de
uma realidade.
De fato, a expressão ekklesia ocorre raramente nos textos Joaninos do Evangelho e das Cartas, estando mais
presente no texto do Apocalipse. Contudo, como no conjunto da tradição literária neotestamentária, não se
determina de modo inequívoco por uma determinada conceituação que respondesse à pergunta:
Mas afinal de contas, o que é a Igreja? Une-se a esta questão outro elemento, não menos complexo,
que é a ação do Espírito Santo no contexto do Cristianismo Primitivo. Trata-se da Esperança
messiânica que se realiza através da Doação do Espírito Divino comoum Sinal dos novos tempos, a
superação do Mal e a instauração do definitivo Eon. A Igreja é o Novo Israel!
E, ao mesmo tempo, o discurso que a Igreja elabora sobre esta presença pneumática em sua própria maneira
de agir e anunciar o Cristo como único Salvador.
O Espírito Santo e o Mistério da Igreja no Novo Testamento
É muito ampla e diversificada a afirmação de fé e, sobretudo, muito rica a experiência do Espírito Santo no
Novo Testamento.
 
Aqui cabe uma análise do ponto de vista da Igreja, seja porque ela o experimenta, seja porque ela fala sobre
Ele, formulando um artigo de fé, em que afirma a Personalidade do Espírito de Deus, revelado definitivamente
em Jesus Cristo.
Como dissemos, o Espírito é um objeto complexo em relação à Igreja, pois, de um lado, Ele mediu o
conhecimento que a Igreja tem de si própria e, por outro lado, é a Igreja que fixa uma linguagem sobre o
Espírito que corresponda à consciência Divina da 3ª Pessoa da Trindade, como a conhecemos na linguagem
da tradição ortodoxa.
 
A Igreja só conhece seu Mistério quando em contato com o Espírito, pois este dá acesso ao âmago do Cristo
e, assim, ao epicentro de sua consciência enquanto Igreja.
A Perspectiva Igreja-Espírito na obra de Lucas-Atos
Antes de iniciar, leia:
Saiba mais
Sobre este assunto leia:RABUSKE, J. I. A IGREJA EM SUAS ORIGENS: Revisitando os Atos dos Apóstolos.
Teocomunicação 42/1, p. 5-18, 2012. 
Muitos são os caminhos para demonstrar este axioma a partir do Novo Testamento. Assim, temos que
enfrentar a questão sobre as relações históricas entre Jesus e a fundação da Igreja.
Sobre Loisy e o Modernismo
Tomamos aqui o termo modernismo em sentido teológico, sabendo embora que outros sentidos lhe
andam também ligados, como são os sentidos literário e artístico. Em sentido teológico trata-se de
um movimento desencadeado na Igreja Católica na viragem do séc. XIX para o séc. XX com o objetivo
de adaptar a doutrina e as estruturas do catolicismo às tendências do pensamento contemporâneo.
Os adeptos deste movimento pretenderam assumir-se como renovadores da Igreja para melhor a
adaptar às condições modernas do pensamento e da ação. Na medida em que este foi um movimento
que partiu do interior da Igreja, e para defesa da mesma Igreja, os modernistas não desejaram, pelo
menos à partida, romper com o catolicismo, mas adaptá-lo às exigências da modernidade, e por isso
chegou a ser apresentado como uma autêntica renascença católica. Em 1900 Adolfo Harnack publica
o seu livro A Essência do Cristianismo, enquanto Loisy inicia um curso de ciências religiosas na Escola
de Altos Estudos.
Leia também o documento oficial da Igreja sobre o Modernismo de Pio X. Consultado na internet em 24 junho
2025.
 
Para esta corrente de pensamento já ultrapassada, a Igreja se institui a si própria diante da frustração da
Parusia, entendida como tardia e, portanto, obrigando os dirigentes eclesiásticos a remodelarem as
expectativas e substituí-las por uma forma estável, institucional.
 
Os Evangelhos colocam o problema de outra maneira:
 
Cristo toma a iniciativa de compor um grupo de discípulos mais estreito às suas tarefas, que se
distinguirá de outros, os 72 ou ainda discípulos da multidão, pela designação de ‘Apóstolos’.
É o que se lê, por exemplo em Lc 9, 1-6 e paralelos:
• 
https://cdn-conteudo.ensineme.com.br/Pascendi_Dominici_Gregis_sobre_as_doutrinas_modernas_8_de_setembro_de_1907_PIO_X_ed4b934e4b.pdf
Reunindo Jesus os doze apóstolos, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para curar
enfermidades. Enviou-os a pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos. Disse-lhes: “Não leveis coisa
alguma para o caminho, nem bordão, nem mochila, nem pão, nem dinheiro, nem tenhais duas túnicas. Em
qualquer casa em que entrardes, ficai ali até que deixeis aquela localidade. Onde ninguém vos receber,
deixai aquela cidade e em testemunho contra eles sacudi a poeira dos vossos pés”. Partiram, pois, e
percorriam as aldeias, pregando o Evangelho e fazendo curas por toda parte.
(Mt 14,1s = Mc 6,14ss)
Assista o vídeo e entenda a Igreja sob o ponto de vista de João.
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Lumem Gentium, que lemos na aula passada, também indica elementos sobre esta questão das relações entre
Cristo, em sua etapa histórica e a Igreja:
Veio pois o Filho, enviado pelo Pai, que n'Ele nos elegeu antes de criar o mundo, e nos predestinou para
sermos seus filhos de adopção, porque lhe aprouve reunir n'Ele todas as coisas (cf. Ef 1, 4-5. 10). Por
isso, Cristo, a fim de cumprir a vontade do Pai, deu começo na terra ao Reino dos Céus e revelou-nos o
seu mistério, realizando, com a própria obediência, a redenção. A Igreja, ou seja, o Reino de Cristo já
presente em mistério, cresce visivelmente no mundo pelo poder de Deus. Tal começo e crescimento
exprimem-nos o sangue e a água que manaram do lado aberto de Jesus crucificado (cf Jo 19,34), e
preanunciam-nos as palavras do Senhor acerca da Sua morte na cruz: “Quando Eu for elevado acima da
terra, atrairei todos a mim” (Jo 12,32 gr). Sempre que no altar se celebra o sacrifício da cruz, na qual
“Cristo, nossa Páscoa, foi imolado” (1 Cor 5,7), realiza-se também a obra da nossa redenção (LG 3).
(Paulo VI, 1965, 3. Vatican.va. Consultado na internet em 31 de julho de 2019)
E ainda sob a lógica teológica do Reino de Deus (Mc 1,15: “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está
próximo; fazei penitência e crede no Evangelho”), a mesma LG afirma:
O mistério da santa Igreja manifesta-se na sua fundação. O Senhor Jesus deu início à Sua Igreja
pregando a boa nova do advento do Reino de Deus prometido desde há séculos nas Escrituras:
“cumpriu-se o tempo, o Reino de Deus está próximo” (Mc 1,15; cf Mt 4,17). Pelo que a Igreja, enriquecida
com os dons do seu fundador e guardando fielmente os seus preceitos de caridade, de humildade e de
abnegação, recebe a missão de anunciar e instaurar o Reino de Cristo e de Deus em todos os povos e
constitui o germe e o princípio deste mesmo Reino na terra. Enquanto vai crescendo, suspira pela
consumação do Reino e espera e deseja juntar-se ao seu Rei na glória.
(Paulo VI, 1965, 5.): cf.
Aqui cabe
recordar que
os
estudiosos
falam de Atos
dos
Apóstolos
como obra
histórico-
teológica sob
a égide do
Evangelho
Lucano que,
de certa
maneira,
estende-se e
autoexplicita-
se na história
e na práxis
da Igreja das
primeiras
horas.
 Nesses relatos
surge um
elemento
comum e
paralelo entre
o Espírito e a
Igreja, em
relação a
Jesus o Cristo:
o testemunho.
Em todos eles
o testemunho
é ocular
(trata-se de
experiência da
visão
profético-
pneumática).
Por isso estes
são
considerados 
as
testemunhas
que
corroboram
aos leitores/
ouvintes do
Evangelho seu
caráter de
portadores de
anúncio do
Evento Divino.
 Esse
processo
encontra-
se de modo
definitivo e
acabado
nos
Discursos
de Pedro e
dos
Apóstolos
nos Atos.
Trata-se de
uma voz
humana.
Divina
aquela da
Igreja, que
anuncia e
realiza com
serrais o
Evento
Redentor e
seu
Epicentro
no mundo!
(Ao lado da
autoridade
Pétrea,
aquela de
Tiago cf.
Atos 15,28).
 Aqui,
ressalta-se
o centro da
consciência
da Igreja.
Ela viu e
sabe o que
viu. Ele diz
e afirma
aquilo que
Deus fizera
através da
Mediação
Definitiva
de seu Filho
Jesus de
Nazaré (cf
Joel 3
coloca o
acento da
Revelação
da Igreja
sob a égide
da
escatologia
pneumática,
típica do
ambiente
primitivo).
 Dois elementos unem-
se e complementam-se
nos textos da obra
Lucana: Sinais-
milagres, isto é, evento
numinoso da
continuidade histórica
de Jesus o
Ressuscitado em
relação à sua Igreja, e a
revelação do Plano
Significado de sua
obra. Ação Divina e
acesso a significação,
ou seja, a consciência
de ser intérprete
autorizada dos Eventos
que sinalizam uma
Presença Potente.
Pedro, na primeira
parte de Atos, sinaliza
no seu apostolado os
gestos e situações de
Jesus: ele sofre
espancamentos (At 5,
40; 12,1-14), sua
sombra cura doentes
(At 5, 15s) e ele
ressuscita uma pessoa
(Tabita: At 9,37).
A Perspectiva Igreja-Espírito no “Corpus Paulinum”Não poderíamos abandonar o Novo Testamento sem uma rápida, mas conclusiva, visão da obra Paulina nas
Cartas. O Primeiro testemunho literário cristão, as cartas autênticas e dêuteropaulinas, oferece-nos um
memorial muito importante da relação entre o Espírito e a missão-essência da Igreja.
Aqui é irrefutável dizer que Lucas-Paulo-João, como o conjunto dos textos canônicos do Novo Testamento, se
inter-relacionam profundamente e ao mesmo tempo distinguem-se entre si como uma característica própria
ao ambiente do Cristianismo Primitivo. Isto é, unidade e diferença equilibram-se sobre o fundamento de uma
experiência de Revelação e Testemunho do Conteúdo Vital da Redenção.
 
Arauto de Cristo, a Eclesiologia Paulina exibe traços carismáticos evidentes. Trata-se de uma forma social que
se autocompreende a partir da Revelação do Espírito de Cristo. Paulo entende que conhecer Cristo se realiza
na Igreja.
 
Isto fica patente em sua própria experiência pessoal de Conversão na qual a Igreja e Cristo se identificam: At
9, 4s (Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia:
Saulo, Saulo, por que me persegues?”. Saulo disse: “Quem és, Senhor?” Respondeu ele: “Eu sou Jesus, a
quem tu persegues. [Duro te é recalcitrar contra o aguilhão]) pois aquilo que somos eclesialmente
realiza-se somente na explicita comunhão com Ele, por meio do Dom e da Promessa..
(cf Rm 8,10)
A Igreja em João e o Evangelho de João na Igreja
O Cristianismo (Eclesialidade) em João é considerado distinto no que tange à questão do conceito de Igreja
nos Escritos Joaninos e da discussão do uso destes documentos, particularmente do Evangelho, na Igreja
Antiga.
 
Mesmo não encontrando o termo ekklesia no Evangelho, a discussão coloca-se a partir de textos como:
Jo 10, 1-10; 15, 1-15, ou ainda o cap 17 com a oração sacerdotal de Jesus, mais claramente ainda nos
discursos de Adeus.
(Jo 14-16)
Nestes discursos sublinha-se uma relação de continuidade entre Jesus Glorificado e a comunidade dos seus
discípulos, indicando-nos assim uma forma de concepção Joanina de Igreja (suposição que encontra certa
confirmação em 1 Jo).
 
O problema se coloca sobre a possibilidade de deduzir uma concepção Joanina de Igreja a partir de textos
Joaninos relevantes.
 
O autor cita a discussão entre E. Schweizer, como representante da visão protestante e R. E. Brown, como
representante da tese católica.
 
Para Smith, mesmo considerando o valor do debate dogmático, isto é, sobre a doutrina eclesiológica
desenvolvida tanto em campo católico como naquele Protestante, o conceito de comunidade cristã ou Igreja
não seria irrelevante para a definição e a compreensão da realidade específica, concreta e histórica do
Cristianismo Joanino.
 
Assim, enquanto o conceito de comunidade cristã ou da Igreja, na literatura Joanina, certamente não é
irrelevante para a definição e a compreensão da realidade concreta e específica da história do cristianismo
Joanino, o esclarecimento deste conceito pode ser possível com base na própria exegese (SMITH, 1987, p. 3,
tradução nossa).
Atenção
É importante ainda ressaltar que a exegese destas perícopes discutidas deverá ajudar-nos a superar o
conflito das interpretações para obter a visão mais objetiva possível desta realidade eclesial tão
específica. 
Elementos Eclesiológicos nos Escritos Joaninos
Segregação-Separação
Uma simples leitura de diversos textos Joaninos deixa-nos a impressão de que por detrás de certas
expressões existe um claro sentimento de distinção ou mesmo separação do que os circundava. Encontra-se,
porém, nos textos Joaninos certa concepção de missão.
 
Diversos elementos diferenciam a eclesiologia, isto é, a compreensão da Igreja na tradição Joanina em relação
aquela Paulina ou Lucana. Destacam-se, entre outros elementos, os seguintes:
O Paráclito
A questão da Pneumatologia seria um elemento importante na identificação dos elementos Joaninos
(isto é, do material propriamente Joanino). O mais importante é a possibilidade de afirmar que os
discursos de Jesus sobre o Espírito constituem, verdadeiramente, o principal material de constatação
da existência de um conteúdo tradicionalmente joanino. Temos, entre os Capítulos 14-16, os discursos
de Adeus sobre o Espírito e a Igreja, que constituem a matéria básica da identidade e da missão nas
Igrejas Joaninas.
A Figura do Discípulo Amado
Esta figura tem uma significativa importância para o problema das origens do Joanismo. No cap. 21,
ele é apresentado como uma figura histórica, conhecida por todos. Ele representa, desde o princípio,
um elo entre a Teologia dos Escritos e a Tradição.
Neste sentido, os círculos de tradição Joanina, por meio do Discípulo Amado, eram associados à
pregação genuína de Jesus, Ele mesmo. Pelo “nós”, presente em tantos textos do Evangelho e da Iª
Carta, eles sentiam-se em continuidade com a Tradição de Jesus Histórico. Como testemunha desta
Tradição de Jesus.
Outra maneira de afirmar este campo comum à chamada Tradição Joanina é o uso polêmico entre os
diversos setores ao interno do ambiente Joanino em relação à interpretação ortodoxa (autêntica) da
mesma tradição. Apesar da característica autonomia da tradição Joanina, esta encontra seu terreno
de nascimento e evolução no solo comum das tradições da Igreja Primitiva.
O ambiente profético-carismático:
Outro elemento característico muito importante no Joanismo seria a atividade profético-carismática,
que desempenhava um papel importante no desenvolvimento da Tradição Joanina. Se o Judaísmo
sectário era presente na germinação da Tradição Joanina, a profecia inspirada poderia muito bem
prover uma ocasião específica para a emergência da afirmação cristã-joanina, na forma de Palavras
de Jesus.
Contudo, este fenômeno se estenderia, sem dúvida, a toda literatura neotestamentária como uma
forte característica do ambiente religioso da Cristandade Primitiva.
Dentro desta perspectiva, torna-se importante considerar o fenômeno da profecia inspirada e
itinerante dentro do âmbito do movimento eclesial Joanino, como um dos elementos que ajuda a
estabelecer a origem social e eclesial da pneumatologia e também como um elo de relação entre os 
escritos joaninos.
Vê-se nos ditos do Paráclito de 14, 5-6 e 16, 12-15, a enunciação de uma teoria sobre o fenômeno de
expressão inspirada pelo espírito que visa, por um lado, fundamentar-se no próprio ministério
histórico de Jesus e assim validá-lo (14, 26) e, por outro, conferir algum controle sobre ele,
colocando-o dentro do contexto para uma representação de Jesus que não era apenas a palavra se
tornar carne, mas aquele que falava palavras com o status irrevogável dos mandamentos divinos.
Quando na 1 Jo vê-se os vestígios do mesmo aspecto problemático do processo Joanino de
criatividade inspirada pelo espírito, descobre-se que o autor invoca reiteradamente a Tradição (1, 1-4)
como a pedra de toque da crença e a impõe a seus leitores para testar todo espírito (4, 1-6).
A Igreja no Livro do Apocalipse
Se, a tradição Joanina das Igrejas estabelece-se, como vimos, a partir de uma leitura crítica do Evangelho/
Cartas Joaninas, o Apocalipse une-se a este bloco, mesmo com profundas diferenças, sobretudo pela
característica atividade profético-carismática da Comunidade dos profetas-Irmãos de João, o Vidente.
 
I. Apoc 1,10: Uma Joanina experiência “profética”? Estamos diante de um elemento constitutivo da experiência
“profética” neotestamentária, ou melhor, cristã?
 
Já no Antigo Testamento, os profetas experimentam a visão como instrumento privilegiado na Revelação
Divina.
 
Na profecia clássica não ocorrem, como no ciclo de Elias e Eliseu e nas corporações proféticas, o fenômeno
de uma recepção extática ou espetacular do Espírito por parte dos ungidos ou dos profetas. Parece que o
próprio João reconhece-se, na linguagem desta experiência, inserido dentro da esfera profético-comunitária.
 
João descreve as circunstâncias da sua chamada como uma atividade profética, pois com o Espírito se
estabelece um contato particular, novo, ao ponto deo Espírito tornar-se como âmbito no qual ele se move.
 
A Igreja no Apocalipse situa-se na experiência da visão/audição do vidente de Patmos (cf Ap 1,10; 4,2), no
contexto da profecia cristã primitiva, sobretudo no atormentado momento eclesial sob o domínio de
Domiciano.
 
São-nos revelados aspectos da vida da Igreja no período do cumprimento escatológico da promessa e do
retorno glorioso de Cristo diante das concretas circunstâncias da perseguição e do sofrimento por causa do
Evangelho.
 
Assista o vídeo e entenda a Igreja no Apocalipse.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Eu, João, vosso irmão e companheiro nas tribulações, na realeza e na paciência em união com Jesus,
estava na ilha de Patmos por causa da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Em um domingo, fui
arrebatado pelo Espírito, e ouvi, por trás de mim, voz forte como de trombeta.
(Ap 1, 9s)
Para compreender a expressão de Ap 1,10, deve-se partir da premissa da mudança de papel da parte do
Vidente, pois seu banimento teria sido o trauma mais forte no conjunto das situações de tensão no interior das
Igrejas. Ele se vê praticamente obrigado a escrever, a manter uma relação de correspondência com suas
comunidades, que se tornam seus leitores.
 
Assim ele tenta demonstrar. A linguagem profética de João é justificada pela sua distância física, mas também
pelo fato de que aqueles a quem ele envia sua mensagem (revelação) são, como ele, profetas, isto é, possuem
o mesmo Espírito.
 
Por trás disso fundamenta-se a relação entre o livro e sua mensagem: a communitas, razão pela qual
encontramos tal linguagem e um semelhante vocabulário difuso na cultura apocalíptica do mundo
mediterrâneo e da Ásia Menor de então, devidamente transformada, ou melhor, adaptada ao patrimônio (de
fé) comum ao autor e às Igrejas do Apocalipse (como vemos nas Cartas às 7 Igrejas: Ap 2,1-3,22).
 
O Vidente de Patmos se autocompreende e se apresenta às comunidades baseado sobre a autoridade deste
múnus profético e suas visões consistiriam em profecias de sustento e encorajamento.
“Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”
Neste momento terá lugar de relevo a questão do falar do Espírito, particularmente na seção de Ap 2–3, nas
mensagens às Igrejas (comunidades) da Ásia Menor. Esta questão funcionará para compreender e situar o
fenômeno da Profecia, como um fator enfático na relação lógica entre o Espírito e a Igreja, delineada a partir
da irrupção deste Espírito. Na História, a Igreja atua A Palavra de Deus e o Testemunho de Jesus diante do
mundo hostil.
Verificando o aprendizado
Questão 1
A partir da leitura de A Igreja em suas origens: Revisitando os Atos dos Apóstolos, indique alguns elementos
da Igreja nos Atos dos Apóstolos que sejam mais característicos dela.
Chave de resposta
A leitura do artigo destaca a questão do ministério apostólico (Pedro e Paulo), a experiência das
comunidades cristãs e do mundo judaico, e do helenismo.
Questão 2
Em Ap 1,9-10, encontra-se uma citação sobre o Espírito e a Profecia. Explique de que maneira eles se
relacionam na Igreja do Apocalipse.
Chave de resposta
O texto de Ap 1, 9s indica a pertença de João a uma comunidade (igreja) cristã no exílio e que exercita a
profecia como forma de interpretação dos tempos (de perseguição).
Questão 3
A palavra Igreja vem do grego, ecclesia, que significa assembleia ou reunião. O que isso pode significar na
realidade e na atuação das igrejas? Escolha a resposta CORRETA:
A As igrejas devem, por isso, incentivar a fé pessoal e dissociada das relações sociais.
B A atuação das igrejas deve realizar exclusivamente nas redes sociais que congregam as pessoas.
C A Igreja é fruto das sociedades, sem as quais ela não tem sentido e razão de ser.
D As igrejas são assembleias de privilegiados, de poucos que podem se salvar deste mundo.
E A Igreja é sinal de unidade e de reunião de todos os Povos para a Salvação em Cristo.
A alternativa E está correta.
A palavra grega indica a natureza e a missão da Igreja. Ela é geradora de Comunhão entre os povos, como
o próprio Cristo. Ela é a reunião de todos os povos na Obediência da Cruz.
4. Conclusão
Considerações finais
Neste conteúdo, abordamos os significados históricos e teológicos da Igreja, com foco especial na atuação do
Espírito Santo e na missão e identidade eclesial ao longo do tempo. Iniciamos com o estudo dos movimentos e
grupos surgidos no século XX, como o pentecostalismo e a Renovação Carismática Católica, que propuseram
uma releitura da experiência de Pentecostes e trouxeram uma nova dinâmica para a vivência do Espírito Santo
nas Igrejas. 
 
Em seguida, investigamos a complexa trajetória do conceito de Igreja (Ekklesia), considerando as diferentes
interpretações sobre sua fundação, a partir das palavras e ações de Cristo e do papel dos apóstolos.
Analisamos como, ao longo da história, múltiplas tradições cristãs compreenderam e reinterpretaram essa
origem. Por fim, exploramos os textos do Novo Testamento, especialmente os evangelhos, as Cartas Paulinas,
os Atos dos Apóstolos e o Apocalipse, para identificar as bases bíblicas da compreensão do Mistério da Igreja.
 
Refletimos sobre a presença profética da Igreja já no Antigo Testamento, por meio das expressões “Qahal” e
“Laós”, e como esses conceitos foram retomados e ressignificados na nova comunidade fundada em Cristo.
Com isso, oferecemos uma visão ampla e integrada da origem, identidade e missão da Igreja, favorecendo
uma compreensão sólida e contextualizada para a atuação teológica e pastoral.
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Leituras:
Leia o texto “O Concílio Ecumênico Vaticano II ”.
 
LOEHRER, Magnus; FEINER, Johannes. Mysterium salutis: compêndio de dogmática histórico-salvífica.
Petrópolis: Vozes, 1975. v. IV.
 
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PIÉ-NINOT, S. Introdução à eclesiologia. São Paulo: Loyola, 1998.
 
VELIQ, Fabrício. Movimento pentecostal e neopentecostal: diferenças e semelhanças. Dom Total, 18 maio
2018.
 
SANTOS, P. P. A. O Espírito e a Igreja: As perspectivas do Novo Testamento, em particular dos Escritos
Joaninos. Atualidade Teológica 21, p. 73-93, 2002.
 
ROLOFF, J. A Igreja no Novo Testamento. São Leopoldo: Sinodal, 2005.
 
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UNITATIS REDINTEGRATIO. Sobre o Ecumenismo. Consultado na internet em 24 junho 2025.
 
BRAKEMEIER. ECUMENISMO: REPENSANDO O SIGNIFICADO E A ABRANGÊNCIA DE UM TERMO. Persp. Teo.
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WOLFF, E. O ecumenismo no horizonte do Concílio Vaticano II. Atualidade Teológica. Ano XV nº 39, p.
403-428, 2011;
 
ALTMANN, W. EVANGELIZAÇÃO: Reflexão a partir de Lutero e no contexto ecumênico protestante mundial.
Estudos Teológicos. v. 16, n. 1, p. 18-29, 1976.
 
Vídeos:
 
Assista o pastor Franklin Ferreira. Consultado na internet em 24 junho 2025.
 
Saiba mais sobre a Renovação Carismática Católica (RCC). Consultado na internet em 24 junho 2025.
O mundo pós-moderno e o mal-estar na civilização; Consultado na internet em 24 junho 2025.
 
Rouanet define a Modernidade - Curso Livre de Humanidades; Consultado na internet em 24 junho 2025.
 
Sérgio Paulo Rouanet: a Pós-modernidade. Consultado na internet em 24 junho 2025.
Referências
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demônios. Interpretações sociológicas do Pentecostalismo. Petrópolis: Vozes, 1994
 
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junho 2025.
 
LOEHRER, Magnus; FEINER, Johannes.

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