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Comunicação Comunitária e Terceiro Setor Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª Dr.ª Regina Tavares de Menezes O que a Comunicação Comunitária está Fazendo na Comunicação de Massa? • Global x Local; • Declínio da Comunicação de Massa; • Eu, Mídia?! • Alguns casos. • Estudar sobre a globalização e seu processo de aceleração que envolve as co- municações, os mercados, os fluxos de capitais, as tecnologias e as trocas de idéias e imagens; • Estudar sobre o declínio da comunicação de massa; • Apresentar casos de comunicação comunitária. OBJETIVOS DE APRENDIZADO O que a Comunicação Comunitária está Fazendo na Comunicação de Massa? Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”; Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo; No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam- bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados; Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e de se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE O que a Comunicação Comunitária está Fazendo na Comunicação de Massa? Global x Local A pergunta é bem direta, o que a comunicação comunitária está fazendo na comunicação de massa? Para respondê-la, teremos que recorrer a compreensão de algumas circunstâncias de nossa vida cotidiana. Figura 1 Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem. Imagem vetorial. Sobre um fundo azul, no centro da imagem há a representação holográfica do planeta Terra. Em volta dele há várias representações de telas de computador. Ao redor dessa composição há uma representação de 6 pessoas, duas delas estão com um notebook nas mãos, outras olham papéis com gráficos. Fim da descrição. A globalização com seu processo de aceleração constante modificam as noções de tempo e de espaço na humanidade. A velocidade crescente que envolve as co- municações, os mercados, os fluxos de capitais, as tecnologias e as trocas de idéias e imagens nesse século impõem a dissolução de fronteiras e de barreiras protecio- nistas. Como já foi dito anteriormente, alguns autores pensavam que em tempos de globalização; o interesse pelo que é local se perderia facilmente. A globalização implica um movimento de distanciamento da idéia socio- lógica clássica da “sociedade” como um sistema bem delimitado e sua substituição por uma perspectiva que se concentra na forma como a vida social está ordenada ao longo do tempo e do espaço. (GIDDENS Apud HALL, 2001, p. 68) Vivemos num mundo em que a tecnologia se faz presente em quase todos os cantos de nosso país, podemos afirmar que a maior parte da população encontra- -se num estágio de total acesso à comunicação. Porém, se por um lado, o aparato tecnológico promoveu a possibilidade de estarmos em vários locais ao mesmo tempo falando para várias pessoas uma mesma mensagem; por outro lado se con- solidou a individualização na sociedade contemporânea. 8 9 Tecnologicamente, terão mais possibilidades que nunca de interconectar- -se; mas esgotado o interesse pelos outros, extinta a pratica da participa- ção social e cidadã, lhes restará para comunicar algo além do intercâmbio de pseudo-experiências virtuais? (KAPLUN, 1999, p. 36) Figura 2 Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem. Foto de um jovem sentado, com um livro aberto nas mãos e apoiado sobre uma escrivaninha de madeira. Do lado esquerdo da escrivaninha há uma pilha oito livros. Do lado direito há um porta canetas com uma caneta preta den- tro. Fim da descrição. O cidadão tecnológico tem excesso de informação, mas falta-lhe o diálogo pro- duzido pelas antigas comunidades, na qual a comunicação face a face era a prio- ritária. Esses sujeitos não produzem e nem interpretam o mundo a partir de uma lógica compartilhada. Para que esses sujeitos, efetivamente, possam deixar o posto de meros consumidores de informação para alcançar o posto de produtores da informação; foi necessário um esforço dos comunicadores para levar as possibili- dades tecnológicas às comunidades. O fato é que hoje a tese de que a globalização nos deixaria desinteressados por aquilo que está no plano local caiu por terra. Afinal, na medida em que se inten- sificava o trânsito de informações sobre o mundo globalizado, mais, as pessoas se interessavam pelo que ocorria no quintal de suas casas. Paralelamente, as pessoas passaram a se interessar pelas informações globais e como elas afetariam as locais e vice-versa. Isso faz todo o sentido. Observe o meio ambiente ou a economia. Qualquer ação ocorrida nos Estados Unidos ou na Índia - por exemplo - influencia o cenário brasileiro como um verdadeiro “Efeito Borbo- leta”, não é?! Queremos conhecer na atualidade os mais diferentes aspectos de um problema: suas causas, suas conseqüências, seus desdobramentos etc. Declínio da Comunicação de Massa A própria comunicação aponta renovações naturais. Com o advento da Internet e a supervalorização do indivíduo em detrimento do coletivo, a comunicação passou 9 UNIDADE O que a Comunicação Comunitária está Fazendo na Comunicação de Massa? a transitar da comunicação de massa para a comunicação segmentada e por que não dizer, direcionada (one to one). Figura 3 Fonte: Adaptado de Getty Images #ParaTodosVerem. Composição de imagem com cinco objetos um ao lado do outro. Da esquerda para a direita, há uma imagem de um jornal impresso Times; ao lado imagem de um computador de cor branca, com monitor, teclado e mouse; ao lado do computador, há um rádio pequeno, cor bege e com a antena levantada; ao lado do rádio há uma câmera fotográfica de cor prateada; ao lado da câmera há a represen- tação de uma TV antiga, cor laranja, com uma antena dupla apontada para cima. Fim da descrição. No caso da publicidade e propaganda, é importante dizer que nem sempre a oferta de um produto com valor simbólico ou de utilidade atende às exigências da massa. Nesse sentido, a segmentação de mercado é uma tendência necessária e os relacionamentos diretos e personalizados com os clientes são uma realidade. Nestes relacionamentos, os profissionais de marketing conhecem o nome e outras informações dos clientes como endereço, telefone, preferências etc. As empresas privadas de portes variados começaram a descobrir que ações promocionais focadas como feiras, SAC, marketing direto e até degustação em ponto de vendas poderiam provocar um mesmo ou um efeito superior do que a publicidade dirigida à massa. Em jornalismo e radialismo, pode-se afirmar que a cada dia; profissionais dessas áreas se desdobram em criaçõesinusitadas para atender a um público extremamen- te variado. Nesse sentido, basta observarmos o número de cadernos presentes em um único jornal impresso, a proliferação de canais de TV a cabo, a diversidade de programas televisivos, as inúmeras publicações de revistas femininas (para a ado- lescente, a dona de casa, a mulher independente, a mãe, a empresária etc). Em relações públicas, o desafio começa dentro das organizações. Hoje, o funcioná- rio tem necessidade de ser compreendido como indivíduo único, relevante e peculiar. O cliente segue o mesmo caminho. Em seguida, o desafio está em traçar estratégias de comunicação dirigida para cada um dos públicos que cerca uma empresa. 10 11 Eu, Mídia?! Hoje, é impossível não nos reconhecer como receptores e emissores da comu- nicação. Se antes no processo da comunicação, nós apenas recebíamos as infor- mações passivamente, hoje, temos plena autonomia para questionar, participar e intervir na construção da informação. Figura 4 Fonte: movimento-humanista.org #ParaTodosVerem. Foto de um cartaz. Fundo com alguns textos de jornais. Sobre o fundo à esquerda há uma imagem de uma câmera fotográfica antiga de tripé, conhe- cida como lambe-lambe. Em letras grandes e chamativas está escrito no centro da imagem: Jornada de mídia ativista. Em letras menores, como subtítulo está escrito: seja mídia! Faça mídia! Do lado direito da imagem há figuras que representam rádio, tv e dois jovens em movimento. Fim da descrição. Quantos veículos de comunicação na atualidade não vêem a colaboração de seus ouvintes, internautas, telespectadores e leitores de bom grado? Aliás, muitos veículos de comunicação chegam a publicar as pautas sugeridas pela população. Chegam até a veicular os vídeos gravados e as fotografias obtidas - de forma ama- dora por celulares e câmeras precárias - a fim de divulgar o furo jornalístico que a emissora por algum motivo não cobriu. É preciso estar atento, pois a emissora, nesse caso, pode fazer tais veiculações – interessada também – na construção de uma imagem pública de veículo de comunica- ção preocupado com os dilemas vividos pelas comunidades locais. O fácil acesso da população à mídia e ao papel de emissores da comunicação se deve aos avanços tec- nológicos, ao barateamento das câmeras fotográficas e câmeras de vídeo e da qualida- de de determinados telefones móveis. Assim, os veículos de comunicação estão cada vez mais interativos. Isso causa um elo de proximidade com o receptor da informação. Essa maneira do público interagir nas diversas mídias pode ser explorada por meio de fóruns de discussão, espaço para comentários, blogs, ombudsman ou até 11 UNIDADE O que a Comunicação Comunitária está Fazendo na Comunicação de Massa? telefones que funcionam como canais diretos com o veículo. O uso dessas ferra- mentas e a participação ativa dos cidadãos são vistas de maneira positiva. Nesse sentido, o surgimento de um novo sujeito no processo da comunicação provocou uma verdadeira revolução paradigmática. O estudo da comunicação redefiniu as problemáticas que giram em torno da co- municação. Durante muito tempo, falar de comunicação significou falar de meios, canais, mensagens. Agora, falar de comunicação implica falar de cultura, de relação. E necessita, para tanto, da interdisciplinaridade em seu sentido mais profundo. Mártin-Barbero (1987) concorda com tais considerações e acredita que a comu- nicação popular foi fundamental para o desenvolvimento da Teoria da Comunica- ção numa compreensão mais abrangente e moderna. Com o curso da história, o reconhecimento do receptor incentivou o surgimento de linhas de pesquisa, como a Comunicação Popular, os Estudos Culturais e os de Recepção. Começo a ver nos movimentos sociais uma aproximação aos fenômenos de comunicação ligada à cultura e ligada ao cotidiano; ligada a um peso muito maior das matrizes a partir dos quais a comunicação funciona, quer dizer, uma comunicação que não se explica nem se encerra no fenômeno comunicativo. (MÁRTIN-BARBERO apud PERUZZO, 1998, p.138) Assumiu-se, então, que o “sujeito-receptor” (não profissional da área de comuni- cação) era capaz de ser produtor da mensagem, de acordo com as condições que o ambiente sócio-político e cultural lhe oferecia, assim como também poderia refletir criticamente sobre a mensagem que a comunicação de massa lhe impunha. A introdução do estudo da comunicação popular alterou a pauta da teo- ria da comunicação: solicitou outras referências teóricas e metodológicas; propiciou um deslocamento do espaço universitário (precisou ir aos bair- ros populares para pesquisar); deixou de lado a exclusividade de tratar da cultura. (HOHLFELDT; MARTINO; FRANÇA, 2001, p.264) Alguns casos Tendo em vista, os fatores explicitados acima; não há como negar que a comu- nicação comunitária deixou a exclusividade de jornais-poste, rádios populares entre outros veículos para ganhar o mundo da comunicação de massa. Confira abaixo: Em Publicidade e Propaganda Sabendo do poder de persuasão que a publicidade e propaganda têm, como po- deríamos utilizar suas técnicas para a difusão de idéias de desenvolvimento social? Ou seja, idéias próprias de um veículo de comunicação comunitária. O publicitário Toscani (autor das campanhas abaixo e do livro A publicidade é um cadáver que 12 13 nos sorri) é um publicitário polêmico. Alguns o julgam como cidadão consciente. Um profissional da comunicação que tenta colocar em suas peças uma crítica so- cial. Outros o vêem como um oportunista. O fato é que apesar de seus trabalhos atenderem a uma demanda da comunicação de massa, determinadas peças publicitárias suas, nos fazem refletir sobre questões sociais, culturais, econômicas etc. Veja abaixo, algumas de suas campanhas para a Benetton: Figura 5 Fonte: busy.org #ParaTodosVerem. Foto de uma mulher amamentando. Na imagem, há um recorte e fica à mostra apenas o tronco de uma mulher negra; ela veste um cardigan vermelho que está aberto e deixa à mostra os seios. Segura sobre o seio direito um bebê de etnia branca que parece estar sendo amamentado. Fim da descrição. Figura 6 Fonte: portalintercom.org.br #ParaTodosVerem. Foto de um homem e uma mulher se beijando na boca. O homem está de costas, veste uma roupa preta e um chapéu preto de aba reta, a roupa indica que ele é um padre. A mulher que está ao lado direito e com o corpo virado para frente veste uma roupa branca e um chapéu branco com abas grandes e curvadas para cima, indicando que ela é uma freira. Fim da descrição. 13 UNIDADE O que a Comunicação Comunitária está Fazendo na Comunicação de Massa? Em Radialismo Em 1996 apenas um documentário brasileiro foi lançado nos cinemas comer- ciais, “Todos os corações do mundo” de Murilo Salles. Hoje, nós temos dezenas de lançamentos anuais sendo vistos em salas de cinemas comerciais em todo o terri- tório nacional. Como já foi dito anteriormente, o documentário tem interesse em questões de âmbito social e/ou comunitário por vocação. Sua linguagem espontâ- nea, autoral e criativa deixa de lado preocupações estéticas da cultura de massa e se atém a mostrar a realidade tal qual ela é. Em Relações Públicas O profissional de relações públicas pode atuar em áreas variadas, tais como a comunicação comunitária. A idéia é auxiliar comunidades, instituições, ONGs, fundações a desenvolver comunicação comunitária de forma participativa, conside- rando cada indivíduo como emissor-receptor da comunicação. O terceiro setor também desponta como um setor em ascensão no mercado de trabalho. A forte atuação do empresariado junto às ações ditas “socialmente res- ponsáveis” tem obtido lugar de destaque no terceiro setor, bem como a presença de inúmeros profissionais em instituições diversas da sociedade civil, tais como: ONGs (Organizações Não-Governamentais) e OSCIPs (Organizações Sociais Civis de Interesse Público). Com a crescente preocupação com o meio ambiente, o mundo está em alerta, consequentemente, mais empresáriosinvestem em responsabilidade socioambien- tal e carecem de comunicólogos habilitados a liderar trabalhos de preservação, conscientização ambiental; ou ainda, profissionais capazes de atuar como captado- res de recursos financeiros nacionais e/ou internacionais, públicos e/ou privados. Nesse sentido, os profissionais de relações públicas se destacam. Em Jornalismo Desde o final dos anos 90, tendo em vista o interesse da população por questões de âmbito local; a imprensa resolveu adotar espaços especiais para a veiculação do jornalismo comunitário. Um dos exemplos mais notáveis está no telejornalismo. Observe como a Rede Globo, por exemplo, criou um jornal regional para cada uma de suas afiliadas. Neste programa, o jornalismo é encarado pela população como uma espécie de mediador entre comunidades e o poder público. A população pode naquele espaço tecer queixas que vão desde o buraco presen- te na rua de casa até o aumento do preço da feira. Obviamente, em alguns casos, o jornalismo deixa de ser comunitário para se tornar pedante, sensacionalista e agressivo, sob o pretexto de popular. Na atualidade, um jornal de grande circulação também traz inúmeros cadernos e, inclusive um que traga - semanalmente - informações exclusivas sobre cada 14 15 uma das regiões presentes na cidade em que é veiculado. O mesmo ocorre no rádio e na internet. Bom, por hoje é só! Eu volto em breve com mais informações sobre o universo da comunicação comunitária. Até lá! 15 UNIDADE O que a Comunicação Comunitária está Fazendo na Comunicação de Massa? 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