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Apostila Básica de IMUNOLOGIA VETERINÁRIA

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Toda célula nucleada possui receptores MHC classe I. 
As apresentadoras de antígenos possuem MHC de classe II e de classe I (pois são nucleadas).
 Suínos, cães, eqüinos e gatos expressam moléculas de MHC classe II em linfócitos T em repouso. 
Nas outras espécies, os linfócitos T só apresentam MHC de classe II quando ativados.
 Já os linfócitos B podem, eventualmente, serem apresentadores de antígenos para os linfócitos T. Quando agem dessa forma, apresentam MHC de classe II, também.
A apresentação de antígenos exógenos (fagocitados) é via MHC de classe II, interagindo com linfócitos T CD4. Células nucleadas que estejam sendo parasitadas por antígenos (inclusive o T CD4 parasitado por HIV – que penetra pelo CD4), interagem com o T CD8, que libera os grânulos que lisam estas células. Por isso o portador de HIV fica com imunossuficiência, pois fica com pouquíssimos T CD4 (que além de serem células de defesa, ativam os macrófagos). 
As células apresentadoras de antígenos possuem os MHC de classe II internamente. Ao fagocitar o antígeno, esse receptor MHC de classe II se liga aos fragmentos deste antígeno e chega a superfície para fazer a apresentação deste antígeno.
Citocinas
 São polipeptídios (proteínas) produzidos por diversas células (do sistema imune ou não – NK, fibroblastos, macrófagos, células da glia, etc.).
 Funcionam como os hormônios, fazendo sinalização entre as células, mas diferem destes, pois produzem efeitos em diferentes células, enquanto os hormônios costumam afetar um único órgão. São produzidas quando há uma alteração no organismo. 
São pequenas proteínas solúveis, produzidas por uma célula, que irão alterar o comportamento ou as propriedades de uma outra célula, especialmente durante as respostas imunes. São produzidas durante a fase efetora das imunidades natural e adaptativa, mediando e regulando as respostas imunes e inflamatórias. Sua secreção é um evento breve e limitado. São muito potentes, induzindo fortes efeitos biológicos. Agem em vários tipos celulares (pleiotropismo), produzindo vários efeitos diferentes, em cada uma. Várias citocinas podem agir numa mesma célula-alvo, produzindo o mesmo efeito. 
São redundantes, ou seja, se remover uma citocina capaz de induzir febre, outra citocina irá produzir o mesmo efeito. A redundância torna muito difíceis as pesquisas sobre estas substâncias, já que atuam em várias frentes diferentes e uma substitui a outra (compartilhando funções).
 As citocinas influenciam a síntese e a ação de outras citocinas (como antagonistas, sinergistas, aditivas, etc.). Ligam-se a receptores de alta-afinidade. Têm ação autócrina (a célula produz a citocina para estimular ela mesma), parácrina (estimular células vizinhas) e endócrina (estimular células distantes).
 Funções
- São mediadores da imunidade natural, reguladores de ativação, influenciam no crescimento e na diferenciação de linfócitos, na regulação da inflamação imunomediada, estimuladores do crescimento e diferenciação dos leucócitos imaturos. 
Mediadores da imunidade natural (exemplos)
- Interferon tipo 1: antiviral, antiproliferativo, produz aumento de MHC de classe I. São produzidos pro fagócitos mononucleares e por fibroblastos. As células-alvo são as NK. Fator de necrose tumoral (TNF): produzidos por fagócitos mononucleares e linfócitos T. Ativam neutrófilos e células endoteliais e produzem febre.
Interleucina 1: produzidas por fagócitos mononucleares e outras células. São coestimuladoras de timócitos, ativam células endoteliais e induzem febre. Interleucina 6: produzidas por fagócitos mononucleares, células endoteliais e linfócitos T. São coestimuladoras de timócitos e induzem o crescimento de linfócitos B maduros. Quimiocinas: produzidas por fagócitos mononucleares, células endoteliais, linfócitos T, fibroblastos e plaquetas. Produzem quimiotaxia e ativação dos leucócitos. Interleucina 2: produzidas por linfócitos T. Induzem o crescimento e produção de citocinas nos linfócitos T, ativação e crescimento das células NK e crescimento e síntese de anticorpos nos linfócitos B. Interleucina 4: produzidas pelos linfócitos T CD4 e mastócitos. Induzem a mudança do isotipo da Ig nos linfócitos B para IgE, inibe a ativação dos fagócitos mononucleares e induz o crescimento de linfócitos T. TGF-B: produzidas por linfócitos e por fagócitos mononucleares. Promovem um freio nas respostas imunes, inibindo a ativação e proliferação dos linfócitos T e doa fagócitos mononucleares. Mediadores da inflamação imunomediada Citocina Produzidas por Células alvo Efeitos IFN-Gamma Linfócito T Fagócitos Ativação NK Células endoteliais Ativação NK Ativação outras Aumento de moléculas de MHC de classe 1 e 2 Linfotoxina Linfócitos T Neutrófilos Ativação Células endoteliais Ativação NK Ativação Interleucina 10 Linfócitos T Fagócitos mononucleares Inibe Linfócitos B Ativação Interleucina 5 Linfócitos T Eosinófilos Ativação Linfócitos B Crescimento e ativação Interleucina 12 Macrófagos NK Ativação Linfócitos T Crescimento, diferenciação e ativação
As células que promovem a diferenciação das progenitoras são importantíssimas, pois em sua ausência essa diferenciação ficaria prejudicada. Ex: interleucina 3, CSF dos GM, CSF dos M, CSF dos G, interleucina 7 e ligante do C-Kit.
As interleucinas regulam interações entre os linfócitos e outros leucócitos. Os interferons são sintetizados em resposta a infecções virais. Os fatores de necrose tumoral induzem a apoptose em células tumorais. Os fatores de crescimento induzem o crescimento de vários tipos celulares.
Imunidade adaptativa celular e humoral Os linfócitos B participam na resposta imune humoral, produzindo anticorpos contra antígenos extracelulares, e na resposta imune celular como apresentadores de antígenos para os linfócitos T.
Apresentadores de antígenos
Células dendríticas – região cortical do linfonodo
 Macrófagos – todo o linfonodo. Linfócitos B – nos folículos. A apresentação antigênica se inicia nos órgãos linfóides periféricos. As células T virgens (em repouso), estão sempre circulando pelos órgãos linfóides. Em sua recirculação, encontram o antígeno (apresentado por uma apresentadora de antígenos) e se tornam ativas. Em sua recirculação, penetram no linfonodo pela vênula endotelial alta (High endotelial venule – Hev). A migração, ativação e a função efetora dos linfócitos dependem das interações célula-célula mediadas por moléculas de adesão (promovem a migração). 
Existem três tipos de moléculas de adesão: selectinas, adressinas e integrinas.
As selectinas se dividem em selectina L (CD 62L), selectina P (CD 62P) e selectina E (CD 62E). 
As adressinas são ligantes para as selectinas no endotélio. São expressas em: Selectina L – linfócitos, NKs, monócitos (todos os leucócitos). Selectina P – plaquetas e endotélio. Selectina E – endotélio. 
As integrinas: LFA-1 – em células T. Se ligam a células APC (apresentadoras de antígenos). LPAM-1 – em células T virgens. Se ligam a células do endotélio mucoso.
 VLA-4 – expressas em células T ativadas. Se ligam a células do endotélio vascular.
 
Vacinas
 Características para que seja eficaz 
♦ Segura – não pode induzir a doença ou causar a morte; 
♦ Protetora – deve proteger contra a doença, expondo o indivíduo ao patógeno (induzindo a formação de anticorpos); 
♦ Oferecer proteção sustentada – deve durar vários anos; 
♦ Induzir anticorpos neutralizantes – alguns patógenos infectam células que não podem ser substituídas (Ex: neurônios). Os anticorpos neutralizantes são essenciais para prevenir a infecção destas células; 
♦ Induzir células T protetoras – alguns patógenos (intracelulares) são atacados mais eficazmente com respostas mediadas por células; 
♦ Considerações práticas – baixo custo por dose, estabilidade biológica, facilidade de administração, poucos efeitos colaterais.
A imunidade pode ser passiva ou ativa. 
A imunidade passiva natural é a que já possuímos, a artificial é quando inoculamos os anticorpos no organismo. 
A imunidade ativa natural é a que produzimos em