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Efeitos da Alta Temperatura no Rabanete

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Anais do IV CoBICET – Resumo expandido 
Congresso Brasileiro Interdisciplinar em Ciência e Tecnologiaa 
27 de agosto a 01 de setembro de 2023 
 
Evento online 
www.even3.com.br/cobicet2023 
 
 
OS EFEITOS DA ALTA TEMPERATURA NO DESENVOLVIMENTO 
DE Raphanus sativus L. 
 
Welber Merlin Cardoso1, Julia Felipe Miranda2, Lívia Batista das Neves2, Marcel Merlo 
Mendes2, André Cayô Cavalcanti3, Antelmo Ralph Falqueto2 
 
1Centro Estadual Integrado de Educação Rural, Boa Esperança/ES, Brasil 
(welber05@gmail.com) 
2Universidade Federal do Espírito Santo, São Mateus - ES, Brasil 
3Faculdade Multivix, Nova Venécia -ES, Brasil 
 
 
Resumo: O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos da alta temperatura no 
desenvolvimento de Raphanus sativus L. (rabanete) em uma perspectiva de mudanças 
climáticas. Parâmetros morfológicos das plantas foram avaliados e foi possível observar 
que dias prolongados de altas temperaturas (40ºC) levaram a morte das plantas. Com isso, 
foi constatado que essa espécie é sensível aos aumentos de temperatura que podem afetar 
sua produção ou até mesmo levar as plantas a morte. 
 
Palavras-chave: Ecofisiologia; mudanças climáticas; olerícolas. 
 
 
INTRODUÇÃO 
As mudanças climáticas causadas pelo aumento da 
concentração do dióxido de carbono (CO2) 
atmosférico tem elevado a temperatura média do ar, de 
1,1 a 6.4º C segundo estudos da General Circulation 
Models - GCM (2007), fato também encontrado em 
vários locais do planeta, até mesmo no Brasil 
(SIQUEIRA et al., 2001; ASSAD et al., 2004; 
INTERGOVERNMENTAL PANEL ON CLIMATE 
CHANGE, 2007). 
As mudanças climáticas causadas pelo efeito do 
dióxido de carbono devem se duplicar em algum 
momento deste século (STRECK, 2005; 
INTERGOVERNAMENTAL PANEL ON 
CLIMATE CHANGE, 2007). Segundo Karl et al. 
(1991), o aquecimento pode se caracterizar por um 
aumento assimétrico na temperatura mínima e 
máxima do ar, com maior aumento na temperatura 
mínima do que na temperatura máxima diária. 
A concentração de CO2 atmosférico tem influência no 
desenvolvimento, crescimento e produtividade dos 
cultivos agrícolas. Caso ocorra um aumento na 
concentração desse gás, a taxa de crescimento das 
plantas poderá aumentar em razão do CO2 ser o 
substrato primário para a fotossíntese (TAIZ & 
ZEIGER, 2004). A expectativa é de que plantas com 
metabolismo C3, em razão de sua morfofisiologia, 
sejam mais beneficiadas do que plantas C4 
(TUBIELLO et al., 2000; SIQUEIRA et al., 2001; 
STRECK, 2005). 
No Brasil, estudos do impacto das mudanças 
climáticas sobre a agricultura, com uso de modelos 
matemáticos, já foram realizados com várias culturas 
em diversas regiões brasileiras (SIQUEIRA et al., 
2000, 2001; ASSAD et al., 2004; GONDIM et al., 
2008). 
O rabanete (R. sativus), pertence à família da 
Brassicaceae, e caracteriza-se por produzir raízes 
globulares de coloração escarlate brilhante com a 
polpa branca. Embora possa ser plantado o ano todo, 
seu cultivo é favorecido no outono-inverno quando as 
temperaturas são amenas e os dias são curtos 
(FILGUEIRA, 2007). Esta cultura se desenvolve bem 
em solos férteis com pH em torno de 5,5 a 6,8. A água 
exerce papel fundamental no crescimento da planta, 
pois cada grama de matéria orgânica produzida na 
fotossíntese pelo vegetal requer aproximadamente 
500g de água absorvida. A maior parte da água 
absorvida, cerca de 97%, também é perdida por 
evapotranspiração afim de equilibrar as temperaturas 
internas e permitir a atuação ótima de enzimas no 
metabolismo vegetal (FILGUEIRA, 2007). 
A qualidade do rabanete decresce se houver estresse 
hídrico no solo, ocorrendo a isoporização das raízes 
que apresentam aspecto esponjoso e rachaduras ao 
longo da mesma (FILGUEIRA, 2007), modificando a 
morfologia, fisiologia e as relações bioquímicas da 
planta (PEREIRA et. al., 1999). O objetivo desse 
trabalho foi avaliar os efeitos de alta temperatura no 
desenvolvimento de R. sativus L em perspectiva de 
mudanças climáticas. 
 
 
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MATERIAL E MÉTODOS 
Área de estudo e material vegetal – O experimento 
foi realizado com mudas rabanete R. sativus L. (Figura 
1, 2, 3 e 4) em uma casa de vegetação na área 
experimental do Centro Nacional de Educação Rural 
Integrada - CEIER Boa Esperança-ES. O local de 
estudo possui clima quente e úmido (tipo Köppen Aw) 
com temperatura média de 24 °C (ALVARES et al., 
2013). O solo é classificado como vermelho-amarelo 
pobre em nutrientes, com pH em torno de 5,0 e 
fertilidade de moderada a baixa, solos pobres como 
este são típicos da Mata Atlântica (SANTOS et al., 
2013; SILVA et al., 2007). 
Análise de crescimento e alocação de biomassa – As 
plantas serão avaliadas quanto à altura da planta (AP) 
e comprimento da raiz (CR), determinados utilizando 
uma fita métrica e expresso em cm, diâmetro da raiz 
(DR) em cm, medido com auxílio de um paquímetro 
digital, o número de folhas (NF) e número de raízes 
(NR) serão contados manualmente, biomassa fresca da 
parte aérea (BFPA) e a biomassa fresca da raiz (BFR) 
foram pesadas em balança analítica de precisão. Por 
fim, a biomassa seca da parte aérea (BSPA) e a 
biomassa seca da raiz (BSR) foram secas em estufa de 
circulação forçada de ar a 72°C, até atingirem peso 
constante, após isso o material seco foi pesado em 
balança analítica, sendo os valores expresso em g. 
Delineamento experimental e análise estatística – O 
experimento será inteiramente casualizado (DIC) com 
5 plantas em cada um dos seguintes tratamentos: 
Controle-cultivo em casa de vegetação (condição 
ideal); T1-5 dias na BOD à 40ºC por 5 horas; T2-15 
dias na BOD à 40ºC por 5 horas; T3-30 dias na BOD 
à 40ºC por 5 horas. Após 30 dias os dados foram 
coletados. A análise estatística foi realizada usando o 
software Excel. 
RESULTADOS E DISCUSSÃO 
Verificou-se melhor resultado nas plantas cultivadas 
no tratamento Controle” (figura 1), cultivado em casa 
de vegetação em condições ideais. Todavia, nos 
tratamentos T1 (figura 2), T2 (figura 3) e T3 (figura 4) 
após 30 dias de experimento (Figura 5, 6 e 7). 
Fagundes et al., (2010) afirmam que o aumento do 
CO2, seguido de aumento na temperatura do ar, afetou 
negativamente o crescimento de batata (Solanum 
tuberosum L.). Resultado semelhante ao encontrado 
no presente trabalho. 
 
Figura 1: Plantas de R. sativus submetias ao 
tratamento controle em casa de vegetação. 
 
 
Figura 2: Plantas de R. sativus submetias ao 
tratamento T1 em casa de vegetação. 
 
 
Figura 3: Plantas de R. sativus submetias ao 
tratamento T2 em casa de vegetação. 
 
 
Figura 4: Plantas de R. sativus submetias ao 
tratamento T3 em casa de vegetação. 
 
 
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Figura 5: Experimento na casa de vegetação do 
CEIER de Boa Esperança-ES. 
 
 
Figura 6: Medição da altura das plantas. 
 
Observou-se maiores número de folhas (figura 7), 
biomassa fresca da raiz e parte aérea (figura 8), 
biomassa seca da raiz e parte aérea (figura 9), altura 
das plantas (figura 10), comprimento e diâmetro da 
raiz (figura 11 e 12), nas plantas cultivados no 
tratamento controle em relação ao tratamento T1. 
Todos os indivíduos cultivados nos tratamentos T2 e 
T3 morreram possivelmente devido a severidade dos 
efeitos de estresse ao qual foram submetidos. 
 
Figura 7: Número de folhas de R. sativus cultivadas 
nos seguintes tratamentos: controle-cultivo em casa de 
vegetação; T1-5 dias à 40ºC por 5 horas; T2-15 dias à 
40ºC por 5 horas; T3-30 dias à 40ºC por 5 horas na 
BOD. 
 
Figura 8: Biomassa fresca da raiz eparte aérea de R. 
sativus cultivadas nos seguintes tratamentos: controle-
cultivo em casa de vegetação; T1-5 dias à 40ºC por 5 
horas; T2-15 dias à 40ºC por 5 horas; T3-30 dias à 
40ºC por 5 horas na BOD. 
 
Figura 9: Figura 8: Biomassa seca da raiz e parte aérea 
de R. sativus cultivadas nos seguintes tratamentos: 
controle-cultivo em casa de vegetação; T1-5 dias à 
40ºC por 5 horas; T2-15 dias à 40ºC por 5 horas; T3-
30 dias à 40ºC por 5 horas na BOD. 
 
Figura 10: Altura das plantas de R. sativus cultivadas 
nos seguintes tratamentos: controle-cultivo em casa de 
vegetação; T1-5 dias à 40ºC por 5 horas; T2-15 dias à 
40ºC por 5 horas; T3-30 dias à 40ºC por 5 horas na 
BOD. 
 
 
4,0
2,5
0,0 0,0
0,0
1,0
2,0
3,0
4,0
5,0
Controle T1 T2 T3
Número de Folhas
5,4
1,9
0,0 0,0
8,9
3,4
0,0 0,0
0,0
5,0
10,0
Controle T1 T2 T3
Biomassa Fresca
Biomassa fresca da parte aérea (g)
Biomassa fresca da raiz (g)
0,4
0,2
0,0 0,0
0,8
0,2
0,0 0,0
0,0
0,5
1,0
Controle T1 T2 T3
Biomassa Seca
Biomassa seca da parte aerea (g)
Biomassa seca da raiz (g)
33,5
24,5
0,0 0,0
0,0
10,0
20,0
30,0
40,0
Controle T1 T2 T3
Altura da Planta (cm)
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Figura 11: Comprimento da raiz de R. sativus 
cultivadas nos seguintes tratamentos: controle-cultivo 
em casa de vegetação; T1-5 dias à 40ºC por 5 horas; 
T2-15 dias à 40ºC por 5 horas; T3-30 dias à 40ºC por 
5 horas na BOD. 
 
Figura 12: Diâmetro da raiz de R. sativus cultivadas 
nos seguintes tratamentos: controle-cultivo em casa de 
vegetação; T1-5 dias à 40ºC por 5 horas; T2-15 dias à 
40ºC por 5 horas; T3-30 dias à 40ºC por 5 horas na 
BOD. 
A diminuição dos parâmetros morfológicos 
(crescimento) avaliados está de acordo com o que foi 
observado por Neto et al., (2005), onde diferenças no 
sombreamento de mudas de alface (Lactuca sativa L.) 
provocaram uma diminuição dos atributos citados 
acima em condições de alta temperatura e 
luminosidade. Os resultados deste experimento 
corroboraram com o afirmado por Neto et al., (2005). 
 
As mudanças climáticas poderão acarretar eventos 
extremos como dias prolongados com altas 
temperaturas mais comuns 
(INTERGOVERNMENTAL PANEL ON CLIMATE 
CHANGE, 2007). Os efeitos desse tipo de estresse em 
plantas vêm sendo estudado por muitos grupos de 
pesquisas. Sabe-se que altas temperaturas afetam a 
fotossíntese de videiras no norte do Estado do Espírito 
Santo (PINHEIRO et al., 2020), gramíneas em 
pastagens dos pampas gaúchos (PINHEIRO et al., 
2019). As altas temperaturas também interferem no 
processo de sucessão ecológica, o que pode provocar 
a extinção de espécies nativas por competição com 
espécies exóticas (YUE et al., 2017). 
 
CONCLUSÃO 
O rabanete (R. sativus) demonstrou ser uma planta 
suscetível a perdas de produção numa perspectiva de 
mudanças climáticas. 
 
AGRADECIMENTOS 
Ao Centro Estadual Integrado de Educação Rural 
(CEIER) de Boa Esperança-ES, a Fundação de Apoio 
à Pesquisa do Espírito Santo (FAPES). 
 
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Sobrinho, J.E.; Queiroga, R.C.F. Sombreamento 
para produção de mudas de alface em alta 
21,0
13,0
0,0 0,0
0,0
5,0
10,0
15,0
20,0
25,0
Controle T1 T2 T3
Comprimento da Raiz (cm)
1,6
0,5
0,0 0,0
0,0
0,5
1,0
1,5
2,0
Controle T1 T2 T3
Diâmetro da Raiz (cm)
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