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EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA Xª VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DA 
CAPITAL/RJ 
 
 
 
 
 
 
 
 Processo nº XXXXXXX-XX.2023.8.19.0001 
 
MARIA PIA PRATES, já qualificada nos autos do processo em epígrafe, 
vem, por seu advogado abaixo assinado, com fulcro no art. 343, do Código de processo 
Civil, apresentar sua 
 
CONTESTAÇÃO DA RECONVENÇÃO 
 
nos autos da ação de reconhecimento e dissolução de união estável c/c partilha de 
bens e pensão alimentícia, movida em face de OTONI DE PAULA, com base nos 
fundamentos fáticos e jurídicos expostos a seguir: 
 
I – DO RECONHECIMENTO E DISSOLUÇÃO DA UNIÃO ESTÁVEL 
 
Primeiramente, é preciso destacar que o próprio Requerido reconheceu a 
união estável entre as partes, caracterizada pela convivência pública, contínua, 
duradoura e estabelecida com o objetivo de constituir família, conforme determina o 
art. 1.723 do Código Civil entre as partes, bem como que concorda com a dissolução 
desta em virtude da separação de fato do ex-casal. 
 
Ora, é de conhecimento geral que esse tipo de relação gera deveres e 
obrigações às partes, portanto, diante dos fatos narrados e considerando o tempo e a 
natureza da relação entre as partes, desde já se requer o reconhecimento judicial da 
união estável entre a Autora e o Réu. 
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Ato contínuo, considerando o término abrupto da união e a situação de 
vulnerabilidade da Autora e da filha menor do casal, desde já se requer a decretação 
da dissolução da referida união estável. 
 
III – DA PARTILHA DE BENS 
 
No que diz respeito à partilha de bens, o Requerido alegou em sua 
contestação que, dos bens citados pela Autora, apenas o veículo ano 2022 no valor de 
R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) utilizado pelo Requerido para trabalhar como taxista, 
de fato foi adquirido na constância da união estável. 
 
Já que a casa situada no bairro de Realengo, no Rio de Janeiro, avaliada 
em R$ 300.000,00 (trezentos mil reais), que no presente momento se encontra alugada 
à terceiros, foi construída pelo Requerido no terreno que herdou de seu falecido pai, 
portanto não deve ser partilhada com a Requerente. 
 
Tal qual a conta poupança com saldo no valor de R$ 100.000,00 (cem mil 
reais), que foi criada pelo Requerido no ato do recebimento da herança de seu pai, para 
que os valores percebidos a este título não desvalorizassem tanto pela ação da inflação. 
 
Ora, V. Exa., o ex-casal adquiriu bens na constância da união estável, o 
terreno pode ter sido herdado pelo Requerido, contudo a casa que lá existe foi 
construída no referido terreno durante a constância da união estável, com fruto do 
trabalho e da colaboração comum, passando a pertencer a ambos, em condomínio e 
em partes iguais, conforme preceitua o art. 5º da Lei nº 9.278/96. 
 
Inclusive, sem a referida casa, o terreno jamais seria avaliado no valor 
informado, razão pela qual, desde já se requer a partilha dos bens adquiridos na 
constância da confessa união estável, mesmo que registrados apenas em nome do 
Requerido, devem ser partilhados de forma justa e equitativa, considerando a 
contribuição mútua dos conviventes, conforme preceitua o art. 1.725 do Código Civil. 
 
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IV – DOS ALIMENTOS 
 
No que diz respeito aos alimentos, cumpre informar que, ao contrário do 
que alega o Requerido, a Requerente sempre foi induzida a se dedicar as tarefas de 
casa, que não eram compartilhadas pelo Requerido. 
 
Diante do nascimento da filha menor do ex-casal, não restou outra opção 
à Requerente senão se dedicar à sua criação, sendo responsável por levá-la à escola e 
as atividades extracurriculares, bem como era a responsável pela alimentação da 
família e pela limpeza e arrumação da casa. 
 
Portanto, é muito fácil para o Requerido hoje, alegar que jamais impôs 
que a Requerente abdicasse de sua profissão, enquanto simplesmente acredita que é 
dever da mulher ter uma jornada de trabalho dupla, uma no trabalho e outra em casa, 
cuidando de sua família. 
Ora, V. Exa., o Requerido ainda tem a desfaçatez de tentar se passar por 
bom samaritano, ao alegar que em respeito a todos os anos juntos e por ser a mãe de 
sua filha, concorda em pagar alimentos para a Requerente pelo período de 1 (um) ano, 
tempo suficiente para que possa buscar uma nova ocupação para seu sustento. 
 
Inclusive o genitor confessa que sempre foi responsável por arcar com os 
gastos referentes à sua esposa, a filha comum e o lar, incluindo a mensalidade escolar 
da menor, além disso, alega que desde a separação de fato do ex-casal, o Requerido 
vem mantendo um regime de guarda compartilhada da menor, dividindo todas as 
despesas de forma igualitária entre os genitores, e ainda, arcando com a mensalidade 
escolar da menor. 
 
O que não condiz com a realidade dos fatos, apesar do Requerido de fato 
se dispor a ficar com a filha menor do ex-casal em algumas oportunidades, esta 
costuma se recusar a ficar com o genitor e pedir para voltar à casa da Requerente. 
 
Além disso, por conta de seu emprego, o Requerido costuma viajar com 
frequência, deixando a filha menor com a genitora por 2 (duas) ou 3 (três) semanas 
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seguidas, e não repõe o tempo perdido quando retorna, é evidente que o tempo 
despendido com a filha, bem como os gastos não são divididos de forma justa. 
 
Portanto, diante da dependência econômica da Autora e da filha menor 
do ex-casal em relação ao Requerido, tendo em vista a interrupção da atividade 
profissional da Autora em virtude da dedicação integral à filha do casal e às tarefas 
domésticas, faz-se necessário o arbitramento de pensão alimentícia em favor da Autora 
e de sua filha menor, nos termos do art. 1.694 do Código Civil: 
 
Dessa forma, desde já se requer a fixação de pensão alimentícia em 20% 
dos ganhos líquidos do Requerido, incluindo-se remuneração variável, 13º, férias e 
todas as demais, excluindo-se apenas os descontos obrigatórios, que deverá ser 
depositado na conta corrente de titularidade da Autora, qual seja o Banco X, agência 
0123, conta corrente nº 20198-1 até o primeiro dia útil de cada mês 
 
V – DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DAS DEMAIS DESPESAS DA MENOR 
 
Na prestação de alimentos deve ser avaliado o binômio 
necessidade/possibilidade, conforme preceitua o art. 1.695, do Código Civil: 
 
“São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens 
suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e 
aquele, de quem se reclamam, pode fornecê-los, sem desfalque do 
necessário ao seu sustento.” 
 
A Requerente comprovou na vasta documentação juntada aos autos, a 
necessidade da menor de receber alimentos no patamar requerido na petição inicial. 
 
A Requerente requer a fixação de alimentos no patamar de 1 salário-
mínimo e ½ (um salário-mínimo e meio), o que não pode de forma alguma ser 
considerado irreal e superfaturado, como tenta levar a crer o Requerido . 
 
HÁ COMPROVANTES DE TODAS AS DESPESAS DESCRIMINADAS PELA 
AUTORA NOS VALORES REQUERIDOS PELA REQUERENTE. 
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Razão pela qual as alegações do Requerido não podem prosperar de forma 
alguma. 
 
VI – REQUERIDO QUE CUSTEIA A MENSALIDADE ESCOLAR DA 
MENOR/NECESSIDADE DE AFASTAMENTO DA DECISÃO DE FL. 57 
 
Além disso, o Requerido alega que é responsável pelo pagamento da 
mensalidade escolar da menor, no valor de aproximadamente R$ 1.200,00 (mil e 
duzentos reais) por mês, bem como que mantém um regime de guarda compartilhada, 
em que os genitores passam tempos iguais com a filha.. 
 
Alega ainda, que o custeio deste referido valor já representa considerável 
prestação alimentar que contribui no entendimento de se afastar a condenação em 
alimentos provisórios fixada na r. decisão de fl. 57. 
 
Diante do acima exposto, requer sejam julgados improcedentes os 
pedidos de alimentos formulados na petição inicial. 
 
Ora, V. Exa., tais alegações não podem prosperar de forma alguma, o 
Requerido de fato paga a mensalidade escolar da filhamenor do ex-casal, no entanto, 
o Requerido é quem faz questão de que a menor estude na escolha onde à matriculou, 
anteriormente, a menor estudava em uma escola pública, mas de muita qualidade, 
próximo à casa da genitora. 
 
Além disso, a Requerente é quem arca com as aulas de ballet, inglês e 
demais atividades extracurriculares, cabe lembrar, que a pensão alimentícia serve 
para dar à Requerente possibilidade de custear, além da educação, sua alimentação, 
saúde, lazer, vestimenta e demais custos de vida. 
 
Razão pela qual as alegações do Requerido não podem prosperar de forma 
alguma. 
 
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VII – DA RECONVENÇÃO 
 
Além de se defender do pleito autoral, o Requerido apresentou 
reconvenção para que seja respeitado o regime da guarda compartilhada da criança. 
 
Assim, dúvida não há no sentido de que a fixação do regime da guarda 
compartilhada é a regra, conforme se depreende da Lei nº 13.058/2014, sendo que, 
no caso concreto, não há a incidência de nenhuma excepcionalidade que possa afastar 
essa regra. 
 
Conforme se depreende do disposto no art. 1.583, parágrafos 1º e 2º, e 
art. 1.584, §2º, do Código Civil., sob o regime da guarda compartilhada, que, repita-
se, deve ser a regra, ambos os genitores terão a responsabilização conjunta correlata 
a direitos e deveres decorrentes do poder familiar que possuem sobre o filho comum. 
 
Outrossim, também como disposto no texto legal, no que toca à 
convivência familiar, a mesma deve ser a mais equânime possível entre o pai e a mãe, 
priorizando-se, contudo, os melhores interesses do menor envolvido no caso em tela. 
 
Nesse sentido, como confessado o Requerido, em decorrência de sua 
profissão e frequentes viagens, o Reconvinte realmente passou a ver sua filha 
com menos frequência. 
 
Alega o Reconvinte não recebe qualquer notícia da Reconvinda a respeito 
do rendimento escolar, da saúde e de outros aspectos da filha menor. 
 
Alega ainda que em um dos encontros com a criança, o Reconvinte ficou 
sabendo pela própria que ela estava com um problema de saúde e que tinha que ser 
tratado, fato este que deveria ter sido informado pela Reconvinda, que se recusa a dar 
informações sobre a menor. 
 
Diante disso, requer seja julgado procedente o pedido da reconvenção de 
modo a determinar que a Reconvinda mantenha o Reconvinte informado sobre a 
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saúde, rendimento escolar, rotina e da vida em geral da criança sempre que indagado 
por este, o que é seu direito enquanto genitor presente da criança. 
 
Ora, V. Exa., o Requerido, ora Reconvinte alega que deve ser respeitado 
o regime da guarda compartilhada, mas confessa que em decorrência de sua profissão 
e frequentes viagens, o Reconvinte realmente passou a ver sua filha com menos 
frequência. 
 
É evidente que o regime que vigora na prática não é o regime de guarda 
compartilhada, principalmente pelo dispositivo legal destacado pelo Requerido, além 
disso, não é verdade que a Autora se recusa a passar informações sobre a filha, de fato 
nunca foi do interesse do Requerido, desde que saiu de casa, mas sempre que este 
mostra interesse e procura saber, todas as suas perguntas são respondidas. 
 
Portanto, não merecem prosperar as fantasiosas e contraditórias 
alegações do Reconvinte, razão pela qual requer sejam os pedidos formulados na 
petição inicial julgados integralmente procedentes. 
 
VIII – DOS PEDIDOS 
 
Diante do acima exposto, reitera o pedido para que o pleito autoral seja 
julgado integralmente procedente nos termos da petição inicial. 
 
Nestes termos, 
 pede deferimento. 
 
Rio de Janeiro, 28 de novembro de 2023. 
 
 
NOME DO ADVOGADO 
OAB/RJ nº XXX.XXX

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