Prévia do material em texto
Carneiro, Sueli. Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil, são Paulo, Selo Negro 2011. Uma das heranças da escravidão foi o racismo científico do século XIX, que dotou de suposta cientificidade a divisão da humanidade em raças e estabeleceu hierarquia entre elas, conferindo-lhes estatuto de superioridade ou inferioridade naturais. (CARNEIRO, 2011, p.15-16) Como vimos em diferentes artigos, e aqui cabe novamente reiterar, as políticas de ações afirmativas têm sido implementadas na diversidade enorme de países. Elas têm sido praticadas para atender a diferentes segmentos da população que por questões históricas, culturais ou de racismo e discriminação foram prejudicados em sua inserção social e participação igualitária no desenvolvimento desses países. (CARNEIRO, 2011, p 27) A desqualificação ou criminalização dos movimentos sociais é uma prática autoritária consagrada na nossa tradição política e causa espanto que seja utilizada sem-cerimônia por aqueles que se manifestam em defesa dos princípios da igualdade, da democracia e do pacto republicano. (CARNEIRO, 2011, p 39) Eles estão com medo: dos militantes negros, da radicalização da sociedade, das políticas públicas e, finalmente, da possibilidade da queda da República em função das políticas raciais. (CARNEIRO, 2011, p 39) Os avanços alcançados, principalmente no reconhecimento da problemática da desigualdade racial, ensejam a atual reação conservadora que busca com monumental aparato deter esse processo e, sobretudo, restabelecer os velhos mitos que nos levaram à situação atual (CARNEIRO, 2011, p 40) [um tom de pele mais claro, cabelos mais lisos ou um par de olhos verdes herdados de um ancestral europeu são suficientes para fazer alguém que descenda de negros se sentir pardo ou branco, ou ser "promovido" socialmente a essas categorias. E o acordo tácito é que todos façam de conta que acreditam. (CARNEIRO, 2011, p 64) É comum as negras bonitas serem "promovidas" a mulatas ou morenas por um galanteador. Essa promoção, usada como forma de elogio, exige, em contrapartida, um sorriso envaidecido. (CARNEIRO, 2011, p 65)