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Toxicologia Veterinária 📄 AVISO LEGAL E TERMO DE USO Este material é um resumo didático destinado exclusivamente ao suporte de estudos de estudantes e profissionais da Medicina Veterinária. O conteúdo não substitui a consulta a livros-trato oficiais, bulas de medicamentos ou o julgamento clínico do médico veterinário atuante. Os autores não se responsabilizam por condutas clínicas adotadas com base neste resumo. 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[Scientia Vet], 2026. 2 A) Sintomatologia Branda (Ericaceae, Liliaceae, Amaryllidaceae, Euphorbiaceae) Espécies Botânicas: Azalea / Rhododendron (Azaleia), Tulipa spp. (Tulipa), Narcisus spp. (Narciso), Amaryllis hybrida (Amarílis), Iris spp. (Íris) e Euphorbia pulcherrima (Poinsétia/Bico-de-papagaio). Sinais Clínicos: Quadro irritativo local caracterizado por anorexia, sialorréia, vômitos, cólica com tenesmo e aumento da frequência de defecação. Tratamento: Fluidoterapia de suporte (VO ou SC) para corrigir desidratação leve. Em casos de cólica severa, administra-se butilbrometo de escopolamina (Buscopan) associado a protetores de mucosa. ⚠ Destaque Clínico: A Toxina do Rhododendron spp. Embora classificada no grupo de sintomas brandos, em grandes ingestões (especialmente através de néctar ou mel contaminado - Mad Honey), a planta torna-se letal Mecanismo de Ação: Possui graianotoxina (andromedotoxina). Ela liga-se aos canais de sódio (Na+) voltagem-dependentes das membranas celulares, mantendo-os abertos. Isso impede a repolarização e gera uma exacerbação massiva e contínua do Sistema Nervoso Parassimpático (estímulo vagal contínuo com liberação excessiva de acetilcolina). Sinais e Diferenciais: Bradicardia grave, hipotensão, sialorréia profunda, vômitos, sudorese e hipermotilidade intestinal. Faz diagnóstico diferencial estrito com intoxicação por Organofosforados/Carbamatos e Detergentes Catiônicos. Tratamento Específico: Bloqueio com o antagonista colinérgico Atropina. B) Sintomatologia Grave: Inibidores da Síntese Proteica (Toxalbuminas) Espécies Botânicas: Abrus precatorius (Olho-de- cabra/Jequiriti) , Ricinus communis (Mamona) e Jatropha curcas (Pinhão-paraguaio). Fator de Exposição: É obrigatório que o animal mastigue e rompa a casca das sementes para liberar as toxinas. A semente de olho-de-cabra é uma das fitotoxinas mais letais do mundo (1 semente mata um homem adulto). Abrus precatorius Mecanismo de Ação Molecular: As plantas possuem glicoproteínas chamadas toxalbuminas (Abrina no jequiriti, Ricina na mamona e Cursina no pinhão-paraguaio). Elas são estruturadas em duas cadeias peptídicas conectadas por pontes dissulfeto: Cadeia B (Haptômero) Liga-se aos resíduos de Galactose na membrana celular intestinal Permite Endocitose Cadeia A (Efetômero) penetra o RER Inibição da Elongação Peptídica Morte Celular e Necrose Enterográfica Intoxicação por plantas 1.Plantas de Ação Gastrointestinal (TGI) Amaryllis hybrida Azalea sp. Euphorbia pulcherrima Iris spp. Tulipa spp. Cadeia B (Haptômero): Função de ancoragem. Liga-se aos resíduos de galactose da superfície da membrana celular dos enterócitos, mediando a entrada da toxina por endocitose. Cadeia A (Efetômero): Função catalítica. Uma vez dentro da célula, desliga-se da cadeia B, migra para o Retículo Endoplasmático Rugoso (RER) e inativa a subunidade 60S dos ribossomos. Isso provoca o bloqueio imediato da síntese proteica celular, culminando em necrose epitelial severa, descamação e lise intestinal. Sinais Clínicos (Em 24 horas): Depressão profunda, hipertermia severa, sede intensa devido à desidratação, vômitos e diarreia catarral hemorrágica profusa. O pinhão- paraguaio causa efeitos cardiovasculares e respiratórios adicionais e dermatites por seu complexo resinoso. Tratamento: Suporte intensivo. Fluidoterapia intravenosa agressiva para reposição volêmica, protetores de mucosa de eleição (sucralfato) e controle de crises convulsivas secundárias à desidratação ou choque com diazepam. 23 2.Plantas que Causam Estomatite e Glossite (Dano Químico-Mecânico) Espécies Botânicas: Dieffenbachia picta (Comigo- ninguém-pode), Philodendron spp. (Filodendro), Alocasia spp. (Orelha-de-elefante), Monstera spp. (Costela-de- Adão) e Zantedeschia aethiopica (Copo-de-leite). Acomete cães e gatos filhotes por hábito lúdico ou fastio (tédio). Mastigação da Folha Ejeção Mecânica das Rafeides de Oxalato de Cálcio Perfuração da Mucosa Oral Penetração do Hapteno Lipídico Liberação Maciça de Histamina e Serotonina Edema de Glote e Asfixia Letais Mecanismo de Ação: Antigamente acreditava-se que a lesão era puramente mecânica. Hoje sabe-se que as células da planta contêm rafídeos (cristais em formato de agulha) de oxalato de cálcio imersos em uma matriz que contém um hapteno lipídico irritante e enzimas proteolíticas (Idioblastos). Ao mastigar a folha, a pressão força a ejeção mecânica das agulhas de oxalato, que perfuram a mucosa oral. Essas microperfurações funcionam como canais de entrada para o hapteno lipídico, disparando uma degranulação em massa de mastócitos com liberação de histamina e serotonina. Sinais (Início em 15 minutos): Dor oral lancinante, meneios cefálicos intensos, sialorréia profusa, busca desesperada por água, disfonia/afonia (alteração do latido/miado por edema das cordas vocais) e protrusão da língua. Casos graves progridem com dispneia obstrutiva secundária a edema de glote, culminando em asfixia e morte. Tratamento: É proibido induzir o vômito (risco de nova lesão esofágica e asfixia). Administram-se anti- histamínicos H1 (prometazina, loratadina), corticoides potentes de ação rápida (dexametasona) para conter o edema de glote emergencial, demulcentes/protetores de mucosa (sucralfato) e opioides de eleição (tramadol) para o manejo rigoroso da dor. Alocasia spp. Monstera spp. Philodendron spp. Zantedeschia aethiopica 3.Plantas com Ação no Sistema Nervoso Central (SNC) A) Nicotiana tabacum (Fumo/Tabaco) Mecanismo de Ação: O princípio ativo é a nicotina, um potente agonista de receptores colinérgicos nicotínicos localizados nos gânglios autônomos e nas placas motoras esqueléticas. Apresentação Clínica 1ª Fase (Estimulação): Tremores musculares involuntários, fasciculações, hipermotilidade gastrointestinal com vômitos e hiperexcitabilidade colinérgica. 2ª Fase (Bloqueio Despolarizante): A hiperestimulação persistente satura e dessensibiliza os receptores, bloqueando a transmissão neuromuscular. O animal evolui para depressão profunda, flacidez e óbito rápido por parada respiratória decorrente da paralisia do músculo diafragma. Conduta Terapêutica: Na primeira fase, utiliza-se um bloqueador ganglionar não despolarizante para competir com a nicotina (mecamilamina). Na segunda fase, o único manejo eficaz é o suporte avançado de vida através de intubação endotraqueal e ventilação mecânica controlada até a depuração da toxina. B) Antagonistas Colinérgicos: Datura suaveolens (Saia- branca) e Solanum nigrum (Maria-pretinha) Mecanismo de Ação: Possuem alcaloides tropânicos, com destaque para a atropina e escopolamina. Atuam como antagonistas competitivos puros de receptores colinérgicos muscarínicos, mimetizando um bloqueio total do Sistema Nervoso Parassimpático. Sinais Clínicos: Quadro anticolinérgico clássico (oposto ao dos organofosforados): bocae mucosas extremamente secas, pele quente, constipação intestinal severa por íleo paralítico e midríase extrema (pupilas totalmente dilatadas) com fotofobia . nos frutos da maria- pretinha, a toxicidade é máxima enquanto verdes. Conduta Terapêutica: Administração de parassimpaticomiméticos inibidores da acetilcolinesterase central e periférica, sendo a fisostigmina o fármaco de escolha para casos graves. Devem ser associadas medidas de suporte térmico (resfriamento físico ativo para conter a hipertermia). 24 5.Principais Plantas Tóxicas para Animais de Produção (Grandes Animais) A) Morte Súbita por Bloqueio de ATP: Palicourea marcgravii (Erva-de-rato) É a planta tóxica mais importante do Brasil, distribuída em quase todo o território nacional (exceto extremo sul e áreas áridas do sertão). Cresce em locais sombreados de terra firme. Possui altíssima palatabilidade (ruminantes a consomem mesmo com pasto abundante) e 100% de letalidade. Folhas secas caídas mantêm a toxicidade integral. Mecanismo de Ação e Bioquímica: O princípio ativo é o ácido monofluoracético (fluoracetato), idêntico aos rodenticidas ilegais. Fluoracetato + Acetil-CoA Fluoracetil-CoA -(+ Citrato) Fluorcitrato Inibição da Enzima Aconitase Interrupção Total do Ciclo de Krebs (Parada de ATP) Morte Súbita por Colapso Energético (SN e Miocárdio) Digitalis purpurea Nerium oleander C) Cannabis sativa (Mecanismo Retrógrado em Cães) Mecanismo de Ação: Conforme detalhado no módulo de drogas ilícitas, os cães possuem uma densidade de receptores CB1 no SNC muito superior à humana, tornando-os altamente sensíveis. O THC mimetiza os endocanabinoides (como a anandamida), ativando o mecanismo de sinalização retrógrada pré-sináptica e bloqueando os canais de Cálcio e Potássio, o que cessa a liberação de múltiplos neurotransmissores centrais. Sinais Clínicos: Alucinações, nistagmo, midríase, agressividade injustificada intercalada com episódios de depressão profunda, ataxia severa e hipotermia reflexa. Tratamento: Sintomático. Em casos de depressão respiratória central severa, utiliza-se o estimulante bulbar doxapram intravenoso. 4.Plantas com Ação Cardiovascular (Glicosídeos Cardioativos) A) Espécies Botânicas Nerium oleander (Espirradeira) princípio ativo: oleandrina) Thevetia peruviana (Chapéu-de-napoleão) princípio ativo: tevetina) Digitalis purpurea (Dedaleira) princípio ativo: digoxina e digitoxina). São plantas de altíssima letalidade e toxicidade extrema. Inibição da Enzima Na+/K+ ATPase Bloqueio da Saída de Sódio (Acúmulo Intracelular) Influxo Massivo de Cálcio (Ca2+) via canal de troca Contração Miocárdica Exacerbada Colapso Cardíaco e Morte B) Mecanismo de Ação Molecular Os glicosídeos cardioativos ligam-se e inibem especificamente a enzima Na+/K+ ATPase (bomba de sódio e potássio) localizada na membrana dos miócitos cardíacos Bloqueio da Bomba: Com a interrupção da atividade da bomba, o Na+ que deveria ser expelido acumula-se no meio intracelular. Inversão do Canal de Troca: O acúmulo de sódio intracelular cessa e inverte o gradiente do canal de troca sódio-cálcio (Na+/Ca2+). Para fazer o excesso de sódio sair, a célula passa a colocar volumes massivos de Cálcio livre (Ca2+) para dentro do citosol. Hipercontratilidade Cardiotóxica: O excesso de Ca2+ livre liga-se de forma ininterrupta às proteínas contráteis (troponina, actina e miosina), promovendo deslizamentos vigorosos de fibras e disparando um efeito inotrópico positivo extremo (força de contração violenta) associado a um efeito cronotrópico negativo (queda drástica da frequência cardíaca por bloqueio de condução elétrica). C) Sinais Clínicos: Gastrointestinais iniciais (vômitos, diarreia severa com tenesmo) seguidos de pulso arterial fraco e filiforme. À auscultação e eletrocardiograma (ECG), evidenciam-se bloqueios atrioventriculares (BAV) de graus variados, bradicardia sinusal extrema (que não conseguem entrar no ciclo de Krebs bloqueado). Manejo: Não há tratamento. A única conduta é preventiva, baseada na erradicação manual ou controle químico da planta nas pastagens. B) Anoxia Histotóxica: Plantas Cianogênicas Espécies Botânicas Manihot esculenta (Mandioca-brava) alta concentração de cianeto, mantida no cultivo por sua alta resistência natural a pragas) Sorghum spp. (Sorgo) invasora comum de pastos) Cynodon spp. (Grama-bermuda) muito associada a quadros crônicos em equinos) Prunus sphaerocarpa (Pessegueiro-bravo) de grande importância epidemiológica na região Sul Mecanismo de Ação Molecular: O cianeto (CN-) é altamente volátil e encontra-se armazenado na planta na forma estável de glicosídeos cianogênicos no interior de vesículas celulares. 1.Liberação do Gás: Ao mastigar a planta, as células rompem-se e enzimas vegetais estocadas em compartimentos separados (beta-glicosidase e hidroxinitrila-liase) entram em contato com o glicosídeo, hidrolisando-o e liberando o gás cianeto livre no lúmen ruminal. 26 C) Plantas com Ação Radiomimética: Pteridium aquilinum (Samambaia) Planta cosmopolita com preferência por solos ácidos, arenosos e áreas pós-queimadas. Os brotos jovens (em formato de "feto") concentram o maior teor de toxicidade. A ingestão ocorre por escassez de fibra ou desenvolvimento de "vício/compulsão" alimentar pelo animal. O princípio ativo é o ptaquilosídeo (um glicosídeo estável). Alerta Vermelho de Saúde Pública: O ptaquilosídeo passa diretamente para o leite de vacas contaminadas e NÃO é inativado pelo processo de pasteurização ou fervura ativa, agindo como um potente agente carcinogênico e mutagênico para os seres humanos que consomem esses laticínios. Ingestão de Clorofila Conversão em Filoeritrina (Intestino) Bloqueio da Excreção por Lesão nos Canalículos Biliares Filoeritrina acumula no Sangue Periférico Ativação Solar e Geração de Radicais Livres Dermatite Necrosante Purulenta Formas Clínicas de Apresentação 1.Síndrome Hemorrágica Aguda (Efeito Radiomimético): Ocorre após ingestão maciça em 1 a 2 meses. O ptaquilosídeo mimetiza os efeitos colaterais da radiação ionizante na medula óssea, provocando uma aplasia medular severa com destruição de células-tronco hematopoiéticas. Cursa com trombocitopenia (gerando sangramentos por orifícios naturais, petéquias e diarreia sanguinolenta) e neutropenia/leucopenia severa (gerando infecções secundárias com hipertermia maligna). Diferencial para Anaplasmose e Pasteurelose. 2.Efeito Carcinogênico Crônico (Hematúria Enzoótica): Ocorre após ingestão de pequenas doses por anos, muito comum em vacas leiteiras adultas devido à longevidade. O ptaquilosídeo induz mutações no DNA das células uroteliais, culminando na formação de carcinomas epidermoides papilares e nódulos hemorrágicos tumorais na parede da bexiga. Clinicamente manifesta-se por disúria, hematúria intermitente crônica e emagrecimento progressivo. Diferencial para Babesiose, Piroplasmose e Leptospirose. 3.Caraguatá ou Figueira: Desenvolvimento de carcinomas de células escamosas e formações nodulares em aspecto de "couve-flor" no trato gastrointestinal superior (faringe, esôfago e cárdia ruminal). O animal apresenta disfagia, tosse crônica, regurgitação, emagrecimento crônico e timpanismo gasoso persistente por incapacidade física de eructação. Diferencial para Tuberculose e Actinobacilose. Samambaia em Monogástricos (Cavalos): Nestas espécies, o ptaquilosídeo não é o problema principal, mas sim a presença da enzima tiaminase na planta. A tiaminase destrói ativamente a Vitamina B1 (Tiamina) exógena. Como a tiamina é uma coenzima obrigatória para a entrada do piruvato no Ciclo de Krebs, sua ausência zera a produção de energia central. Os cavalos desenvolvem uma síndrome estritamente neurotóxica caracterizada por ataxia pélvica, andar cambaleante, cegueira amaurótica e tontura. Tratamento: Administração imediata de Tiamina por via intravenosa (IV). D) Plantas Fotossensibilizantes Hepatógenas (Secundárias) a) Espécies Botânicas Brachiaria decumbens (Braquiária) principal forrageira extensiva do Brasil) Lantana camara (Chumbinho) arbusto ornamental invasor nativo). A Armadilha Ecológica da Braquiária: Quando a B. decumbens apresenta um crescimento vigoroso e exacerbado, suas folhas entrelaçam-se e criam microclimas internos de alta temperatura (22 a 23°C) e umidade (>60%). Esse ambiente funciona como uma estufa perfeita para a proliferação massiva do fungo saprófita Pithomyces chartarum , produtor da micotoxina esporodesmina. A planta em si também produz saponinas hepatotóxicas que agravam o processo. Na Lantana, o princípio ativo é o lantadeno (um triterpeno intrínseco da planta). b) Mecanismo Fisiopatológico Molecular Ambos os agentes provocam uma fotossensibilização secundária (hepatógena) 27 1.Metabolismo Normal: A clorofila ingerida na dieta verde é convertida por microrganismos intestinais em filoeritrina (um composto porfirínico fotodinâmico). A filoeritrina é absorvida, cai na circulação portal e é captada pelo fígado, sendo excretada ativamente através dos canalículos biliares para sair junto às fezes. 2.Colestase Intra-hepática: A esporodesmina ou o lantadeno promovem uma severa lesão inflamatória com proliferação e posterior fibrose dos ductos e canalículos biliares (colestase intra-hepática por oclusão mecânica). 3.Dermatite Fotodinâmica: Impedida de ser eliminada na bile, a filoeritrina acumula-se no plasma e espalha-se pela circulação sistêmica periférica. Quando o animal é exposto à luz solar, os raios UV ativam a filoeritrina presente nos capilares cutâneos das regiões de pele clara, despigmentada ou glabra (orelhas, espelho nasal, vulva, úbere). A ativação transfere energia para o oxigênio celular, gerando uma liberação massiva de radicais livres que destroem as membranas dos capilares e células epiteliais, culminando em uma dermatite necrótica purulenta severa e biopsiante com prurido violento. c) Formas Clínicas e Diagnóstico: Varia da forma subclínica (perda de peso crônica silenciosa e queda na conversão alimentar — a mais comum e deletéria economicamente) até a forma crônica grave (icterícia universal por retenção de bilirrubina, perda de até 30% do peso corporal e grandes áreas de escaras e desprendimento de pele necrótica). Achado Laboratorial Patognomônico: Elevação dramática e precoce das enzimas marcadoras de colestase e integridade hepática: Gama-Glutamil Transferase (GGT) e Aspartato Aminotransferase (AST) em todas as fases do quadro. d) Manejo e Controle: Não há antídoto químico. A pintura da pele com compostos escuros (alcatrão) mitiga temporariamente a ativação solar local, mas não cessa a toxicidade sistêmica da filoeritrina circulante. O controle baseia-se na contagem de esporos do fungo no capim por lavagem sequencial em laboratório. Contagens acima de 20 esporos na câmara hematimétrica (100.000 esporos/g de capim fresco) indicam risco iminente de surto, sendo obrigatório o corte mecânico imediato do capim para rebaixar a pastagem e quebrar o microclima de estufa do fungo. E) Plantas com Ação Não Bem Definida: Leucaena leucocephala (Leucena) Planta arbustiva de excelente palatabilidade utilizada na pecuária como "banco de proteína" de alta qualidade nutricional. A intoxicação possui caráter estritamente de erro de manejo, ocorrendo quando a leucena é fornecida em proporções superiores a 50%–60% da dieta total do animal de forma contínua. O princípio ativo é a mimosina, um aminoácido não proteico estruturalmente semelhante à tirosina. Mecanismos de Ação Sistêmicos (Multiorgânicos): Efeito Depilatório: Por sua analogia estrutural à tirosina, a mimosina interfere nas células de alta mitose dos folículos pilosos, bloqueando a fase anagênica (fase de crescimento ativo do pelo), resultando em alopecia/queda de pelos generalizada crônica. Queda no Desempenho: Atua como antagonista competitivo da tirosina no fígado, inibindo a síntese proteica global e atrofiando o crescimento ponderal do animal.Efeito Bociogênico (Exclusivo de Ruminantes): Microorganismos do rúmen metabolizam a mimosina, convertendo-a no composto 3,4-DHP (3,4-di- hidroxipiridina). O 3,4-DHP é um bociogênico potente que inibe competitivamente a incorporação do iodo na síntese dos hormônios tireoidianos (T3 e T4). A queda crônica desses hormônios induz à hiperplasia compensatória da glândula (bócio), hipotireoidismo secundário, queda drástica na lactação e abortamentos/reabsorções fetais por redução do ciclo celular embrionário. Tratamento e Profilaxia: Não há antídoto. Ao primeiro sinal clínico, a leucena deve ser totalmente removida do cocho, ocorrendo a remissão e recuperação metabólica em apenas 2 a 3 dias. Como profilaxia segura de uso comercial: a leucena nunca deve ultrapassar 30% a 40% da matéria seca da dieta, e seu fornecimento contínuo deve ser interrompido a cada 4 meses, instituindo-se 1 mês de intervalo obrigatório sem consumo para esvaziamento dos metabólitos e restauração do eixo tireoidiano 28 Referências SPINOSA, Helenice de S.; GÓRNIAK, Silvana L.; PALERMO-NETO, João. Toxicologia aplicada à medicina veterinária 2a ed.. 2. ed. Barueri: Manole, 2020. E-book. p.III. ISBN 9788520458990. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788520458990/. https://www.petmosfera.com/revista-digital https://www.petmosfera.com/galeria-plantas https://saude.petlove.com.br/doencas/intoxicacao-por-domissanitarios https://www.premierpet.com.br/wp-content/uploads/2021/12/af_5a-Ed-Rev-Criador_simples.pdf https://www.crmv-al.org.br/2016/07/12/medicamentos-humanos-sao-perigosos-para-caes-e-gatos/ https://caesegatos.com.br/medicamentos-humanos-toxicos/ CANVA. Banco de elementos gráficos e imagens digitais. Disponível em: https://www.canva.com. Licença de uso comercial aplicada ao projeto Scientia Vet, 2026. 29 https://www.petmosfera.com/domissanitarios https://www.canva.com/ Toxicologia Veterinária Referências