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Ato Administrativo: Elementos e Atributos

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Aula 07 – Ato Administrativo 
 
1) Elementos 
a) Sujeito 
 
“Sujeito é aquele a quem a lei atribui competência para a prática do ato.” 
Funcionários públicos da adm direta e indireta e particulares, mediante delegação. 
DIREITO CIVIL: SUJEITO DEVE TER CAPACIDADE 
DIREITO ADMINISTRATIVO: SUJEITO DEVE TER COMPETÊNCIA (conjunto de atribuições 
definidas em lei). 
 
b) Objeto 
“Objeto ou conteúdo é o efeito jurídico imediato que o ato produz.” Deve ser: 
Lícito: conforme à lei 
Possível: realizável no mundo dos fatos e do direito 
Certo: definido quanto ao destinatário, aos efeitos, ao tempo e ao lugar 
Moral: em consonância com os padrões comuns 
de comportamento, aceitos como corretos, justos, éticos. 
 
c) Forma 
“exteriorização do ato, ou seja, o modo pelo qual a declaração se exterioriza; nesse sentido, fala-
se que o ato pode ter a forma escrita ou verbal, de decreto, portaria, resolução etc.;” 
Há também “uma concepção ampla, que inclui no conceito de forma, não só a exteriorização do 
ato, mas também todas as formalidades que devem ser observadas durante o processo de 
formação da vontade da Administração, e até os requisitos concernentes à publicidade do ato..” 
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. 
 
d) Fim ou Finalidade 
“é o resultado que a Administração quer alcançar com a prática do ato. (...) 
A finalidade do ato administrativo é sempre a que decorre explícita ou implicitamente da lei.” 
 
e) Motivo 
“pressuposto de fato e de direito que serve de fundamento ao ato administrativo.” 
 
2) Conceito 
Diferentemente dos contratos administrativos, os atos administrativos são unilaterais e dependem 
apenas da vontade da administração pública ou dos particulares que estejam exercendo 
prerrogativas públicas. 
Além disso, eles têm o condão de gerar efeitos jurídicos, independentemente de qualquer 
interpelação. Mas estão sujeitos ao controle do Poder Judiciário. Eles também possuem como 
finalidade o interesse público e se sujeitam ao regime jurídico de direito público. 
Diferente de um contrato administrativo, que é bilateral. 
Silêncio administrativo é quando a administração pública é omissa. É um “nada” jurídico, não 
deveria existir. Somente vai produzir efeitos se esses efeitos estiverem previstos em lei. 
Ex.: No DF, ao abrir um comércio, pede um alvará. A Adm pública tem um prazo para fazer a 
vistoria no local e falar se está ok ou não para exercer as atividades. A lei fala que, se não for feito 
em tantos dias, considera-se ok. Precisa estar determinado em lei. 
Ele produz efeitos automáticos de concordância? Não, somente se estiverem escritos na lei. 
 
3) Espécies 
Atos podem ser administrativos, legislativos e judiciais (exercícios da jurisdição). 
 
Mesmo que o legislativo e judiciário pratiquem atos próprios, são também atos administrativos. 
Podem emanar atos administrativos na sua função dentro daquele órgão. Estão submetidos ao 
regime jurídico de direito público / administração pública. 
 
 
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Caso 1 
Guarda de trânsito identifica um motorista que avançou o sinal de trânsito vermelho e aplica-lhe 
uma multa com fundamento no art. 208 do Código de Trânsito Brasileiro. 
Ato unitaleral 
 
Caso 2 
Fiscal da Receita Federal identifica que a empresa ABC deixou de emitir notas fiscais referente a 
vendas de produtos e arbitra o valor de impostos e contribuições devidas, lavra um auto de 
infração (Código Tributário Nacional art. 148) e notifica o contribuinte. 
 
Caso 3 
O Prefeito do Município XYZ resolve desapropriar um terreno para construir um posto de saúde e 
escolhe o imóvel de um desafeto político, como vingança. 
 
Caso 4 
O servidor público José da Silva, conhecido pelo apelido de “Molezinha”, por sua constante baixa 
de produtividade, foi transferido pelo Secretário de saúde do Município para a unidade de 
atendimento de Marsilac para “atrapalhar menos o trabalho”. 
 
4) Atributos ou características dos atos administrativos 
Presunção de legitimidade e veracidade: A presunção de legitimidade significa que os atos 
foram realizados em conformidade com a lei. Já a presunção de veracidade significa que os 
atos, por serem alegados pela administração, presumem-se verdadeiros. Logo, isso significa que 
para gerar celeridade aos processos, os atos produzirão efeitos e são válidos até que se prove o 
contrário. 
Imperatividade: A imperatividade traz a possibilidade de os atos administrativos serem impostos 
a terceiros independentemente da concordância destes. Mas não são todos os atos 
administrativos que são dotados deste atributo. 
Autoexecutoriedade: significa que o ato pode ser executado independentemente de ordem 
judicial. Mas não confunda! Isso não significa que não pode haver controle judicial do ato. Este 
atributo só poderá estar presente diante de lei ou em casos urgentes. 
Tipicidade: Já a tipicidade prevê que o ato administrativo deve estar definido em lei para que se 
torne apto para produzir determinados resultados. 
Legitimidade: A presunção de legitimidade é um atributo previsto em todo ato administrativo, 
assim como a tipicidade. Já a imperatividade e a autoexecutoriedade estão previstos em alguns 
deles. 
 
Código Tributário Nacional: 
“Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo 
lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do 
fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante 
do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade 
cabível.” 
 
LEITE — Mnemônico para os atributos dos atos administrativos 
 
Letra Atributo Significado 
L Legalidade Presumida Todo ato é presumido legal e verdadeiro até prova em contrário 
E Exigibilidade O ato administrativo pode ser exigido e cumprido pelo interessado 
I Imperatividade O ato se impõe ao particular, mesmo sem sua concordância 
T Tipicidade 
O ato administrativo deve estar previsto em lei, com tipificação das suas espécies 
e características. 
E Executoriedade 
O ato administrativo pode ser executado administrativamente, ou seja, a 
administração pode garantir o seu cumprimento mesmo contra a vontade do 
destinatário. 
 
 
 
 
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Quizz 
O Prefeito da cidade de Caixaprego expede um decreto em que avoca para si as atribuições de 
secretário de finanças para movimentar as contas bancárias do município, contrariando a 
Legislação municipal. Em seguida, emite um cheque em nome da Prefeitura. Você orientaria o 
gerente da agência a pagar o cheque? 
 
Não orientaria o gerente da agência a efetuar o pagamento do cheque emitido pelo Prefeito. 
Isso porque a avocação das atribuições do Secretário de Finanças por meio de decreto contraria 
a legislação municipal e configura vício de competência, resultando na nulidade do ato 
administrativo. Na Administração Pública, a competência é regra legal e, salvo disposição 
expressa, não pode ser transferida ou assumida por conveniência, sob pena de excesso de poder. 
A emissão do cheque, como ato subsequente, também é nulo de pleno direito, sendo inaplicável 
a presunção de legitimidade dos atos administrativos neste caso. Em respeito ao princípio da 
legalidade (CF, art. 37), que exige estrita observância da norma legal, o gerente deve se recusar 
a efetuar o pagamento e comunicar imediatamente a irregularidade ao setor jurídico do município, 
bem como, se necessário, ao Ministério Público ou ao Tribunal de Contas, a fim de evitar 
corresponsabilização por eventual dano ao erário. 
 
5) Competência 
Poder legal conferido ao agente para desempenhar as atribuições. Então, de forma mais 
informal, seria o sujeito da realização do ato. Elementos vinculados são aqueles previstos em lei, 
então, a competência é um elemento vinculado. Se é a lei que define a competência, será que 
esta pode ser transferida? 
 
A titularidade da competência é intransferível, mas o exercício de parte das atribuições pode ser 
transferido em caráter temporário. E o meio de realizar essa transferênciaé por delegação ou 
por avocação. 
 
A delegação é a atribuição para terceiro, com ou sem hierarquia, do exercício de atribuição do 
delegante. Pode ser realizada, exceto se houver vedação legal. Por exemplo, não pode haver 
delegação de: ato de competência exclusiva, atos normativos e recursos administrativos. 
 
Já a avocação é atrair para si competência de subordinado. Logo, existe hierarquia. Além disso, 
em regra, não pode ser realizado, exceto se for excepcional, por motivos relevantes e 
justificados e for temporária. 
 
6) Finalidade 
A finalidade geral do ato administrativo é satisfazer ao interesse público. Já a finalidade 
específica, por sua vez, é aquela que a lei elegeu para o ato em específico. Como não se 
concebe que o ato não satisfaça ao interesse público ou da finalidade prevista em lei, é um 
elemento vinculado. 
 
7) Forma 
A forma é o modo de exteriorização do ato, a maneira de se manifestar no mundo externo. Por 
exemplo, o edital é a forma de se tornar pública a realização do concurso público. Em sentido 
amplo, também se incluem como forma as exigências procedimentais para realização do ato. Já 
que as formalidades estão previstas em lei e devem ser seguidas, também se considera a forma 
como elemento vinculado dos atos administrativos. 
 
8) Motivo 
É a situação de fato e de direito que gera a vontade do agente que pratica o ato. Mas não o 
confunda com motivação, já que esta é definida como a exposição desse motivo. Logo, todo ato 
deve ter um motivo, mas nem todo ato precisa da exposição dele. Por exemplo, a exoneração de 
 
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ocupante de cargo de provimento em comissão não precisa de motivação, mas precisa de 
motivo. 
Vale ressaltar também que a teoria dos motivos determinantes afirma que uma vez motivado o 
ato, o motivo se vincula a ele. Então em caso de inexistente ou falho, o ato é nulo, 
independentemente de a motivação ser obrigatória ou não. 
 
9) Objeto/conteúdo 
Considerando que a finalidade é o resultado mediato desejado para o ato, considera-se que o 
objeto é o fim imediato do ato. Assim sendo, representa o resultado prático a que determinado 
ato administrativo conduz. 
 
10) Classificação 
a) Quanto ao conteúdo 
Autorização 
Licença 
Permissão 
Admissão 
Aprovação 
Homologação 
Parecer 
Visto 
 
Segundo Hely Lopes Meirelles 
Negociais 
Normativos 
Enunciativos 
Ordinatórios 
Punitivos 
 
b) Quanto à forma 
Decreto 
Resolução e portaria 
Circular 
Despacho 
Alvará 
 
11) Nulidade 
Planos 
Existência: reúne os elementos essenciais – Ato imperfeito ainda não é existente. 
Validade: conformidade com o direito vigente 
Eficácia: capaz de produzir efeitos jurídicos – Ato pendente não é eficaz. 
 
Nulidade ou anulabilidade? 
 
“(...) em Direito Público não há lugar para os atos anuláveis(...). Isto porque a nulidade (absoluta) 
e a anulabilidade (relativa) assentam, respectivamente, na ocorrência do interesse público e do 
interesse privado na manutenção ou eliminação do ato irregular. Quando o ato é de exclusivo 
interesse dos particulares o que só ocorre no Direito Privado embora ilegítimo ou ilegal, pode ser 
mantido ou invalidado segundo o desejo das partes; quando é de interesse público e tais são 
todos os atos administrativos sua legalidade impõe-se como condição de validade e eficácia do 
ato, não se admitindo o arbítrio dos interessados para sua manutenção ou invalidação, porque 
isto ofenderia a exigência de legitimidade da atuação pública.” 
 
 
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12) Vícios dos atos administrativos 
O vício mais conhecido de competência é o excesso de poder. O sujeito tem a competência legal 
para prática de alguns atos, mas excede os limites dessa competência. Ainda assim é possível a 
convalidação do ato, se a autoridade competente ratificar o ato da autoridade incompetente. 
Entretanto não é possível a convalidação no caso de competência exclusiva. 
Já o vício principal da finalidade é o desvio de poder. É quando o ato não atende a finalidade do 
interesse público, e muitas vezes atende a necessidades particulares. 
Os dois vícios vistos acima, o excesso de poder e o desvio de poder, são espécies do Gênero 
abuso de poder. Para não haver confusão: 
 
 
 
a) Sujeito 
Vícios de Incompetência: falta de atribuição legal de competência 
Usurpação de função: a pessoa não foi investida no cargo; 
Excesso de poder: o agente excede os limites de sua competência; 
Função de fato: “o agente está investido irregularmente no cargo, emprego ou função, mas 
apresenta aparência de legalidade.” 
Incapacidade: vício no exercício da competência 
 
Direito Civil (arts. 3º e 4º do CC e nos casos de erro, dolo, coação, simulação ou fraude). 
Impedimento (art. 18 LPA) interesse do agente na matéria; 
Suspeição (art. 20 LPA) amizade íntima ou inimizade notória com interessados 
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. 30ª ed. Direito administrativo. Rio de Janeiro: Forense, 2016. 
p. 246 
 
b) Objeto 
Proibido por lei 
Diverso do previsto em lei 
Impossível 
Imoral 
Incerto 
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. 30ª ed. Direito administrativo. Rio de Janeiro: Forense, 2016. 
p. 286-287 
 
c) Forma 
 
“O vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de 
formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato” 
Lei nº 4.717/1965 – Lei da Ação Popular – art. 2º, p.u., “b”. 
 
d) Finalidade 
Desvio de Poder ou de Finalidade: 
“... o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na 
regra de competência”. 
Lei nº 4.717/1965 – Lei da Ação Popular – art. 2º, p.u., “b”. 
 
“Ocorre desvio de poder, e, portanto, invalidade, quando o agente se serve de um ato para 
satisfazer finalidade alheia à natureza do ato utilizado.” 
BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 33ª ed. São Paulo: 
Malheiros, 2016. p. 418. 
 
 
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“Verifica-se, então, o desvio de poder, que consiste num afastamento do espírito da lei, ou seja, 
numa aberratio finis legis. O desvio de poder, base para anulação dos atos administrativos que 
nele incidem, difere dos outros casos, porque não se trata aqui de apreciar objetivamente a 
conformidade ou não-conformidade de um ato com uma regra de direito, mas de proceder-se a 
uma dupla investigação de intenções subjetivas: é preciso indagar se os móveis que inspiraram 
o autor dum ato administrativo são aqueles que, segundo a intenção do legislador, deveriam, 
realmente, inspirá-lo.” 
 
e) Motivo 
Inexistência ou falsidade dos motivos: “... quando a matéria de fato ou de direito, em que se 
fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido”. 
Lei nº 4.717/1965 – Lei da Ação Popular – art. 2º, p.u., “d”. 
 
Teoria dos motivos determinantes: “a validade do ato se vincula aos motivos indicados como seu 
fundamento, de tal modo que, se inexistentes ou falsos, implicam a sua nulidade. Por 
outras palavras, quando a Administração motiva o ato, mesmo que a lei não exija a motivação, 
ele só será válido se os motivos forem verdadeiros.” 
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 31. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2018. p. 
244. 
 
f) Convalidação 
Convalidação é “o refazimento de modo válido e com efeitos retroativos do que fora produzido de 
modo inválido.” 
Tipo de Vício 
Pode ser 
convalidado? 
Explicação Exemplo Prático 
Competência (não 
exclusiva) ✅ Sim 
Quando outro agente poderia ter 
praticado o ato se tivesse 
autorização legal. 
Ato assinado por servidor de setor 
errado, mas validado pelo chefe 
competente. 
Forma (não essencial) ✅ Sim 
Quando a forma não for exigência 
legal indispensável para a validade 
do ato. 
Publicação em mural interno em 
vez de diário oficial, mas sem 
prejuízo a ninguém. 
Motivação ausente ⚠ Depende 
Pode ser suprida se os motivos 
puderem ser comprovados 
posteriormente, sem má-fé. 
Multa sem motivação escrita, mas 
com provas que justificam o ato. 
Finalidade (desvio de 
finalidade) ❌ Não 
Ato feito para fim diverso do 
previsto em lei. 
Transferir servidorpor perseguição 
política. 
Objeto ilícito ❌ Não 
Quando o conteúdo do ato 
contraria a lei ou é impossível. 
Nomear menor de idade para cargo 
público. 
Incompetência exclusiva ❌ Não 
Quando apenas uma autoridade 
específica pode praticar o ato. 
Presidente nomeando juiz, ato 
exclusivo do poder judiciário. 
 
STJ 
DIREITO ADMINISTRATIVO. CONVALIDAÇÃO DE VÍCIO DE COMPETÊNCIA EM PROCESSO 
LICITATÓRIO. 
Não deve ser reconhecida a nulidade em processo licitatório na hipótese em que, a despeito de 
recurso administrativo ter sido julgado por autoridade incompetente, tenha havido a posterior 
homologação de todo o certame pela autoridade competente. Isso porque o julgamento de 
recurso por autoridade incompetente não é, por si só, bastante para acarretar a nulidade do ato e 
dos demais subsequentes, tendo em vista o saneamento da irregularidade por meio da 
homologação do procedimento licitatório pela autoridade competente. Com efeito, o ato de 
homologação supõe prévia e detalhada análise de todo o procedimento, atestando a legalidade 
dos atos praticados, bem como a conveniência de ser mantida a licitação. Ademais, o vício 
relativo ao sujeito — competência — pode ser convalidado pela autoridade superior quando não 
se tratar de competência exclusiva. REsp 1.348.472-RS, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 
21/5/2013. 
 
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TCU 
Em relação à proposta de nulidade do certame, muito embora a Administração Pública possa 
declarar a nulidade dos seus próprios atos, essa medida somente deve ser tomada quando for a 
mais consentânea ao interesse público. Vezes há, porém, em que a convalidação do ato atende 
melhor à administração e aos administrados. Não por outra razão que a Lei 9.784/99 admite 
expressamente a possibilidade de convalidação dos atos administrativos que apresentarem 
defeitos sanáveis. 
TCU. Plenário. Acórdão 966/2012. Rel. Min. Walton Alencar Rodrigues. J. 25.04.2012. 
 
13) Extinção 
A extinção de um ato administrativo ocorre quando ele perde sua eficácia, deixando de produzir 
efeitos jurídicos. Isso pode se dar naturalmente (pela fluência do tempo ou cumprimento dos 
efeitos) ou por intervenção da Administração ou do administrado. 
 
a) Extinção Natural do Ato Administrativo 
São formas de extinção que ocorrem sem a necessidade de interferência posterior da 
Administração: 
 
Tipo Explicação Exemplo prático 
Esgotamento do conteúdo 
jurídico 
O ato cumpre totalmente seus efeitos 
dentro do prazo previsto. 
Alvará temporário para funcionamento de 
barraca em festa de rua. 
Execução material 
O ato tem por finalidade uma 
providência concreta, que, uma vez 
realizada, o extingue. 
Determinação para retirada de entulho de 
calçada. 
Implemento de condição ou 
termo final 
Ato perde validade pelo decurso de 
prazo (termo) ou pelo ocorrer de 
condição resolutiva. 
Termo: contrato com vigência de 1 ano. 
Condição: autorização válida até mudança de 
endereço. 
 
a) Extinção pelo Desaparecimento do Objeto ou Sujeito 
Ocorre quando falta um dos elementos essenciais para a continuidade dos efeitos do ato: 
 
Situação Explicação Exemplo prático 
Desaparecimento do 
sujeito 
A pessoa sobre a qual recai o ato deixa 
de existir. 
Falecimento de beneficiário de pensão 
extingue o direito. 
Desaparecimento do 
objeto 
A coisa ou situação jurídica deixa de 
existir. 
Autorização para uso de imóvel extinta após 
destruição por incêndio. 
 
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c) Extinção pela Retirada do Ato Administrativo 
É a forma de extinção em que a própria Administração retira o ato de forma ativa, por razões 
legais ou de conveniência. 
 
Tipo de Retirada Efeitos Fundamento jurídico Exemplo prático 
Anulação Retroativos (ex tunc) Ilegalidade do ato 
Nomeação feita por servidor 
incompetente é anulada. 
Revogação Prospectivos (ex nunc) 
Inoportunidade ou 
inconveniência 
Licença para evento 
cancelada por mudança na 
política pública. 
Cassação Prospectivos (ex nunc) 
Descumprimento das 
condições pelo 
beneficiário 
Cassação de alvará de 
funcionamento por violar 
normas sanitárias. 
Caducidade Prospectivos (ex nunc) 
Superveniência de 
norma legal 
incompatível 
Licença válida deixa de 
produzir efeitos após nova lei 
proibir determinada prática. 
Contraposição ou 
derrubada 
Prospectivos (ex nunc) 
Edição de novo ato com 
efeitos opostos 
Portaria que revoga outra 
anterior com orientação 
divergente. 
 
d) Extinção por Renúncia do Beneficiário 
Tipo Efeitos Explicação Exemplo prático 
Renúncia 
Ex nunc (não 
retroage) 
O particular abre mão dos efeitos 
favoráveis de um ato 
administrativo. 
Comerciante devolve 
espontaneamente o alvará de 
funcionamento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Aula 08: Processo Administrativo 
 
1) Introdução 
 
Como alguém forma uma convicção sobre um evento? 
A convicção jurídica é formada pela análise dos elementos disponíveis no processo: provas, fatos, 
argumentos, normas aplicáveis e a interpretação feita pela autoridade competente. A subjetividade 
pode influenciar, mas no Direito, busca-se a objetividade e a razoabilidade da conclusão. 
 
Existe uma verdade absoluta? 
No campo jurídico, fala-se mais em "verdade processual" do que em verdade absoluta. A verdade 
processual é aquela que se constrói por meio da produção de provas dentro do procedimento 
legal, com observância ao contraditório e à ampla defesa. 
 
A influência da organização das ideias 
A forma como os argumentos são organizados influencia diretamente a persuasão e clareza do 
raciocínio jurídico. Uma argumentação bem estruturada facilita a compreensão e pode ser 
determinante para a formação de convicção por parte do julgador. 
 
O que é algo verdadeiro? 
É aquilo que corresponde aos fatos e é comprovado com elementos objetivos, dentro dos critérios 
legais. No Direito Administrativo, busca-se apurar essa verdade com observância ao devido 
processo legal e aos princípios constitucionais. 
 
2) Conceitos 
Nomenclatura 
Processo: refere-se à sucessão formal de atos no âmbito do Poder Judiciário. 
Procedimento: designa a sucessão ordenada de atos no âmbito da Administração Pública. 
A doutrina, como Celso Antônio Bandeira de Mello, destaca que os termos não devem ser fonte 
de controvérsia. Em sentido técnico, "processo" pode ser usado para a sequência ordenada com 
finalidade decisória, enquanto "procedimento" se refere à forma, ao rito pelo qual o processo se 
desenvolve. 
 
3) Características 
Sequência de atos: Os atos administrativos são praticados em uma ordem lógica e encadeada. 
Finalidade: Todos visam à prática de um ato final que resolva a situação. 
Autonomia funcional: Cada ato possui função própria, mesmo fazendo parte do todo. 
 
4) Princípios do Processo Administrativo 
 
Princípios Gerais 
Aplicam-se ao processo administrativo os princípios do Direito Administrativo em geral, como: 
Legalidade: a atuação da Administração deve estar conforme a lei. 
Impessoalidade: proibição de favorecimento pessoal. 
Moralidade: ética na atuação administrativa. 
Publicidade: transparência dos atos. 
Eficiência: busca pelo melhor resultado com menor custo. 
Ampla defesa e contraditório: direito de o administrado participar e responder no processo. 
 
a) Oficialidade 
O princípio da oficialidade ou impulso oficial determina que a Administração deve promover o 
andamento do processo por sua própria iniciativa. Não depende exclusivamente da parte 
interessada. 
 
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b) Obediência às Formas 
Embora o processo administrativo deva prezar por formas simples e econômicas, há a exigência 
de respeito às formalidades essenciais que garantam os direitos do administrado. A forma escrita 
é a regra, salvo previsão legal em contrário. 
 
c) Gratuidade 
Prevê-se a gratuidade como regra geral nos processos administrativos, exceto quando a lei 
estabelecer cobrança. O direito de petição e de obtenção de certidões também é assegurado sem 
cobrança de taxas. 
 
d) Vedação de Depósito Prévio 
Não pode haver exigência de pagamento prévio de valores como condição para interposiçãode 
recurso administrativo, exceto se houver disposição legal. Tal prática é vedada por súmulas do 
STF e STJ. 
 
e) Tipicidade 
Em regra, a Administração só pode aplicar sanções previstas em lei (tipicidade). Contudo, quando 
há relação de sujeição especial, como em casos disciplinares, pode haver certa flexibilidade. 
 
f) Participação Popular 
Prevê mecanismos de participação direta dos administrados na formação de decisões 
administrativas, como: 
Consulta pública (facultativa) 
Audiência pública (determinada pelo caso) 
Participação individual ou por associações no processo 
 
5) Recursos Administrativos 
Conceito 
São instrumentos pelos quais o administrado pode requerer a revisão de atos administrativos, 
dentro da própria Administração Pública, antes de recorrer ao Judiciário. 
 
a) Base Legal 
A legislação sobre recursos administrativos é descentralizada. Cada ente federativo pode editar 
normas específicas. A Lei nº 9.784/1999 rege os processos federais. 
 
b) RAC é Recurso Administrativo? 
Sim, a Reclamação ao STF contra ato administrativo que desrespeite súmula vinculante é 
considerada um instrumento de controle com natureza recursal atípica. 
 
c) Classificações 
Incidental: ocorre no curso de outro processo. 
Autônomo: tem vida própria, inicia novo processo. 
Hierárquico próprio: dentro do mesmo órgão ou estrutura. 
Hierárquico impróprio: dirigido a outro ente, com previsão legal específica. 
 
d) Exaustão das Instâncias 
Via de regra, não é necessário exaurir todas as instâncias administrativas para se recorrer ao 
Judiciário. Há exceções constitucionais e legais (ex.: Justiça Desportiva). 
 
e) Direito a Recorrer 
O direito de recorrer está vinculado ao direito de ampla defesa e contraditório, garantido 
constitucionalmente (art. 5º, LV). 
 
 
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f) Reformatio in Pejus 
A reformatio in pejus (reforma para pior) é admitida somente se o recorrente for previamente 
intimado e puder apresentar defesa. É vedada em revisões. 
 
g) Legitimidade 
Podem recorrer: 
Partes interessadas diretas ou indiretamente afetadas 
Associações 
Cidadãos, quando envolver interesse difuso 
 
h) Prazos 
Os prazos variam conforme a lei específica. A Lei nº 9.784/99 prevê 10 dias. Outros exemplos: 
licitações (3 dias úteis), defesa da concorrência (15 dias corridos). 
 
6) Interposição 
O recurso é apresentado à autoridade que proferiu a decisão. Esta pode reconsiderar no prazo de 
5 dias ou encaminhar à autoridade superior. 
 
7) Efeitos 
O recurso não tem efeito suspensivo, salvo se houver justo receio de dano irreparável. Pode ser 
concedido efeito suspensivo pela autoridade competente. 
 
8) Não conhecimento 
O recurso pode não ser conhecido se for intempestivo, apresentado por parte ilegítima, a órgão 
incompetente ou após esgotamento das instâncias. Ainda assim, a Administração pode rever de 
ofício o ato ilegal, desde que não haja preclusão. 
 
9) Decadência e Prescrição 
 
Decadência 
Prazo de 5 anos para a Administração anular atos que beneficiam o particular, salvo se houver 
má-fé. (Lei nº 9.784/99, art. 54) 
 
A regra geral do prazo prescricional para a punição administrativa de demissão é de cinco anos, 
nos termos do art. 142, I, da Lei n. 8.112/90, entre o conhecimento do fato e a instauração do 
processo administrativo disciplinar, SALVO constatada má-fé. 
 
a) Quando a Infração também é Crime 
Quando o servidor público comete infração disciplinar também tipificada como crime, somente se 
aplicará o prazo prescricional da legislação penal se os fatos também forem apurados em ação 
penal.” 
STJ. MS 15.462/DF. 1ª Seção. Rel. Min. Humberto Martins. J. 14.03.2011 
 
10) Processo Administrativo Disciplinar (PAD) 
 
Noções 
Aberto quando um servidor comete uma infração funcional. Informado pelo princípio da adequação 
punitiva ou da sanção adequada. Tem como fundamento a hierarquia administrativa. 
Sempre formal., garantindo defesa ampla e contraditório. 
 
Base Legal 
Constituição Federal (art. 41, §1º, II) e Lei nº 8.112/90. Cada ente pode regulamentar o PAD 
segundo sua legislação. 
 
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A Constituição Federal, em seu artigo 41, §1º, inciso II, estabelece que o servidor público estável 
somente poderá perder o cargo por meio de processo administrativo disciplinar, assegurada a 
ampla defesa. Isso significa que, uma vez adquirida a estabilidade, o servidor não pode ser 
demitido de forma arbitrária, sendo indispensável a instauração de um procedimento formal que 
respeite os princípios do contraditório e da ampla defesa, nos moldes do devido processo legal. 
No âmbito federal, esse processo disciplinar é regulamentado pela Lei nº 8.112/1990, que dispõe 
sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União. Essa norma detalha as hipóteses 
de infração, os prazos, as competências, os trâmites do processo, as penalidades possíveis e os 
direitos do acusado. Contudo, é importante destacar que a Lei nº 8.112/90 se aplica 
exclusivamente aos servidores da administração pública federal direta, autárquica e fundacional. 
Cada ente da federação — Estados, Distrito Federal e Municípios — possui autonomia para 
estabelecer suas próprias normas e estatutos, que regulam o processo administrativo disciplinar 
no âmbito de sua respectiva esfera de governo. 
Embora as regras específicas possam variar de um ente federativo para outro, todos devem 
observar os princípios constitucionais que regem a administração pública e o devido processo 
legal. Assim, ainda que os procedimentos e prazos possam ser diferentes, a essência garantidora 
da ampla defesa e do contraditório deve ser preservada em qualquer processo que possa resultar 
na perda do cargo por servidor estável. 
 
Abertura 
Súmula 611 do STJ. 
“Desde que devidamente motivada e com amparo em investigação ou sindicância, é permitida a 
instauração de processo administrativo disciplinar com base em denúncia anônima, em face do 
poder-dever de autotutela imposto à administração.” 
 
Sindicância 
Preliminar: Apuração inicial dos fatos e de autoria. Não há contraditório. 
Acusatória: Apenas para casos de advertência e suspensão até 30 dias. Contraditório e ampla 
defesa. 
Patrimonial: investiga crescimento patrimonial incompatível 
 
Resp 509.318/PR: 
“1. A sindicância, quando instaurada com caráter punitivo e não meramente investigatório ou 
preparatório de um processo disciplinar, tem natureza de verdadeiro processo disciplinar principal, 
no qual é indispensável a observância das garantias do contraditório e da ampla defesa e, além 
disso, do princípio da impessoalidade e da imparcialidade, mediante a convocação de uma 
comissão disciplinar composta por três servidores.” 
STJ. Resp 509.318. 6ª T. Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, j. 17.02.2009. 
 
Verdade Sabida 
É a noção de que a autoridade pode aplicar penalidade com base no seu conhecimento direto da 
infração. Está superada pela exigência de contraditório e ampla defesa (art. 5º, LV, CF). 
 
Processo Administrativo Disciplinar Ordinário 
O Processo Administrativo Disciplinar Ordinário é um rito formal utilizado para apurar infração 
funcional grave praticada por servidor público estável, podendo culminar em penalidades severas, 
como demissão, cassação de aposentadoria ou destituição de cargo em comissão. 
A sua condução deve observar o devido processo legal, garantindo ao servidor o contraditório e a 
ampla defesa (CF/88, art. 5º, incisos LIV e LV). 
É conduzido por uma comissão formada por três servidores estáveis, com um deles ocupando a 
presidência dos trabalhos. 
 
 
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Fases do PAD Ordinário 
Instauração 
Ato formal da autoridade competente (normalmente o dirigente máximo do órgão) que determina 
a abertura do PAD por meio de Portaria, nomeando a comissão processante. 
Exemplo prático: 
Um servidor é denunciado por usar indevidamente veículos oficiais para fins pessoais. O diretor 
do órgão instaura o PAD por Portaria e nomeia três servidores estáveis para a comissão. 
 
 
Inquérito 
É a fase destinada à apuração dos fatos, oitiva de testemunhas,reunião de provas documentais, 
interrogatório do acusado, entre outros atos instrutórios. Essa etapa estrutura o processo como 
um verdadeiro "inquérito administrativo". 
Exemplo prático: 
Testemunhas são ouvidas, o GPS do carro oficial é analisado e documentos são juntados 
comprovando que o servidor usou o carro em horários incompatíveis com sua função. 
 
Instrução 
Pode ser considerada parte do inquérito ou sua fase final. Trata-se da complementação da coleta 
de provas, confronto de testemunhos e análise final dos dados colhidos. É também onde o 
acusado pode ser interrogado formalmente. 
Exemplo prático: 
O servidor é interrogado pela comissão e nega ter cometido qualquer irregularidade, afirmando 
que tinha autorização verbal. Não apresenta prova documental disso. 
 
Defesa 
O servidor é citado formalmente e tem assegurado prazo (em regra, 10 dias prorrogáveis) para 
apresentar sua defesa escrita, podendo ser assistido por advogado. 
Exemplo prático: 
O servidor apresenta defesa alegando desconhecimento da norma que proíbe o uso do carro para 
fins pessoais e junta fotos para tentar demonstrar que estava a trabalho. 
 
Relatório 
A comissão elabora um relatório conclusivo, fundamentado nos elementos de prova e na defesa 
apresentada, sugerindo a aplicação ou não de penalidade. Esse relatório não vincula a autoridade 
julgadora, mas orienta sua decisão. 
Exemplo prático: 
A comissão conclui que houve infração ao dever funcional de zelo pelo patrimônio público e sugere 
suspensão por 30 dias. 
 
Julgamento 
A autoridade competente analisa o relatório e profere decisão final. Pode acolher ou divergir da 
recomendação da comissão, desde que fundamente sua decisão. 
Exemplo prático: 
A autoridade superior entende que houve má-fé e reiteração da conduta, desconsidera a sugestão 
de suspensão e aplica a pena de demissão. 
SV 5 do STF: defesa técnica por advogado não é obrigatória, salvo previsão legal.

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