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LUYZA VITÓRIA MATOS - T12 DOENÇAS DO PÂNCREAS SP2 - UCM 3 - MÓDULO 5 O pâncreas é um órgão localizado no retroperitônio, situando-se no abdome superior. Ele é dividido em 3 partes: cabeça, corpo e cauda. ● a cabeça possui relação com o arco duodenal (C duodenal), e a cauda tem relação com o hilo esplênico (baço) 💭 RELEMBRANDO ANATOMIA: LUYZA VITÓRIA MATOS - T12 Ao rebatermos o pâncreas para vê-lo posteriormente iremos perceber que ele possui uma correlação importante com a veia esplênica. Em casos onde o pâncreas possui alguma patologia ele pode ficar aumentado, e isso causa uma constrição na veia esplênica. Essa constrição dificulta o fluxo sanguíneo → assim se forma uma estase sanguínea na veia porta ● uma estase de sangue em algum local, é possível dizer que ele está hipertenso ● chama-se essa condição de hipertensão segmentar LUYZA VITÓRIA MATOS - T12 As veias do fundo gástrico fazem a sua drenagem diretamente para a veia esplênica, se existir uma estase na veia esplênica a drenagem pode ficar dificultada. Com essa dificuldade de drenagem as veias do fundo gástrico passam a ficar túrgidas, e a isso dá-se o nome de varizes isoladas de fundo gástrico. RACIOCÍNIO CLÍNICO: paciente chega com uma hemorragia digestiva alta com hematêmese. Após avaliação do paciente, chama-se o endoscopista. Na EDA o endoscopista não encontra úlceras, mas observa a existência de várias de fundo gástrico. No laudo ele coloca a existência de varizes isoladas de fundo gástrico, com sinais de sangramento recente. Ao receber esse laudo, é necessário ter o raciocínio de que o problema do paciente estará relacionado com a veia esplênica, pois as veias do fundo gástrico drenam para a veia esplênica. ● o paciente pode apresentar diversas hipóteses que causem um problema na veia esplênica, como: uma trombose, um linfoma no baço, ou um problema no pâncreas ● 💡 no caso de problemas no pâncreas, o que ocorre é uma compressão extrínseca da veia esplênica, que causa um prejuízo no fluxo dela LUYZA VITÓRIA MATOS - T12 💡 um paciente com pedra na vesícula possui maiores chances de evoluir com uma pancreatite aguda, pois essa pedra pode impactar na saída do suco pancreático O pâncreas é um órgão que possui funções endócrinas e exócrinas ● EXÓCRINA: liberação do suco pancreático ○ CÉLULAS S: secretina e bicarbonato ○ CÉLULAS I: CCK, enzimas pancreáticas ■ ENZIMAS ● pró-enzimas (inativas) → tripsinogênio ● enzimas ativas → amilase e lipase ● ENDÓCRINA: liberação hormonal ○ CÉLULAS ALFA: glucagon ○ CÉLULAS BETA: insulina ○ CÉLULAS DELTA: somatostatina Com a chegada do bolo alimentar no estômago, ocorre uma distensão, a qual estimula a células G a liberarem a gastrina. A gastrina atua nas células parietais e nas células enterocromafins, as quais irão liberar histamina e também vão atuar na células parietal. Ocorre também o estímulo vagal com a liberação de Ach nas células parietais → isso ativa a bomba de Na+/K+, o que faz com que ocorra a liberação de HCl O bolo alimentar se encaminha até a primeira porção duodenal, a qual não é capaz de suportar a acidez do suco gástrico, com isso as células especializadas do duodeno, ao pressentirem a chegada do bolo alimentar ácido, fazem a liberação de substâncias que farão a proteção da mucosa duodenal. As células responsáveis por essa proteção são: ● CÉLULAS S → que fazem a liberação de secretina, a qual estimula a liberação de bicarbonato pelo pâncreas ○ esse bicarbonato irá funcionar como uma barreira de proteção, para evitar que o ácido machuque a mucosa ● CÉLULAS I → que fazem a liberação de CCK ○ a CCK é um “hormônio” que serve para fazer com que ocorra a liberação das enzimas pancreáticas, ou seja, ela funciona como um sinal para que o pâncreas se “esprema” e libere seu suco pancreático rico em enzimas O pâncreas possui enzimas que não são ativas, como é o caso do tripsinogênio. Para se ativar é necessário da enteroquinase para fazer a clivagem e ativá-lo. O tripsinogênio é lançado pelo pâncreas na primeira porção duodenal, e com a ação da enteroquinase ele fica em sua forma ativa, a tripsina em casos de obstrução da saída do suco pancreático por, por exemplo um cálculo, as enzimas se ativam dentro do próprio pâncreas (e não se sabe exatamente o porquê isso ocorre), o que causa uma autodigestão pancreática LUYZA VITÓRIA MATOS - T12 Então, a pancreatite aguda nada mais é do que a autodigestão pancreática causada pela ativação das enzimas dentro do próprio pâncreas. PANCREATITE ● São os processo inflamatórios que comprometem o pâncreas associados a lesão de cel. acinares ● a principal causa são as pedras na vesícula, em especial cálculos menores que podem migrar e impactar outras regiões ● PANCREATITE AGUDA: ○ ETIOLOGIAS: ■ Colelitíase (pedra na vesícula) ■ Alcoolismo → muito mais relacionado com a pancreatite crônica, mas também pode causar a aguda ● o alcoolismo deixa o suco pancreático mais espesso, o que causa a formação de rolhas proteicas ● essas rolhas podem obstruir a via final ■ Idiopático ■ Isquêmica/Trauma ■ Vírus ■ Droga (estrógenos, diuréticos tiazídicos, Furosemida, procainamida) ○ CLÍNICA DO PACIENTE: ■ Dor intensa ■ Dor em faixa em abdômen superior ■ Icterícia → geralmente é mais leve, comparada com outras doenças relacionadas às vias biliares ■ Náuseas e vômitos → são sintomas relacionados com a liberação de interleucinas da resposta inflamatória ■ Distensão abdominal ○ SINAIS SEMIOLÓGICOS - QUE NÃO SÃO PATOGNOMÔNICOS DA PANCREATITE AGUDA, MAS SÃO FORTEMENTE SUGESTIVOS: ■ Cullen : ao redor do umbigo (“centro”) ■ Grey Turner ; localizado no flanco ■ 💡 são sinais que sugerem uma hemorragia no retroperitônio do paciente Os níveis séricos de amilase e lipase são amplamente usados como testes de rastreamento para pancreatite aguda nos pacientes com dor abdominal aguda ou dor lombar. A lipase é muito específica para o pâncreas, e valores mais que 3 vezes acima do limite superior da normalidade combinados com LUYZA VITÓRIA MATOS - T12 dor epigástrica são fortemente sugestivos de pancreatite aguda. Na pancreatite aguda, a amilase e a lipase séricas geralmente estão elevadas nas primeiras 24 horas depois do início e assim permanecem por 3 a 7 dias. Em geral, os níveis normalizam dentro de 7 dias, a não ser que ocorra ruptura do ducto pancreático, obstrução ductal ou formação de pseudocisto. A lipase é a melhor enzima isolada a ser dosada para estabelecer o diagnóstico de pancreatite aguda A concentração sérica de lipase é mais sensível que a da amilase, visto que permanece elevada por mais tempo e pode ser diagnóstica mesmo em pacientes que procuram atendimento médico vários dias após o início dos sintomas. As medições repetidas das enzimas pancreáticas séricas têm pouco valor na avaliação do progresso clínico, e a magnitude da elevação dos níveis séricos de amilase ou de lipase não tem nenhuma correlação com a gravidade da pancreatite