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Capacitação para o uso de animais não
humanos em atividades de ensino e
pesquisa | Discente
Curso conceitual para capacitação de profissionais que utilizem animais não humanos em atividades de
ensino ou pesquisa científica de acordo com as exigências do CONCEA (Conselho Nacional de Controle de
Experimentação Animal) publicadas na Resolução Normativa n° 49 em maio de 2021.
Marianna Cavalheiro
1. Itens iniciais
Propósito
A capacitação dos alunos que utilizam animais não humanos em ensino e pesquisa é importante para garantir
que seu aprendizado seja sólido e que sua participação em pesquisas seja baseada na ética, tendo em mente
sempre o bem-estar animal e a legislação relacionada. Além disso, compreender as questões éticas e as leis e
normas que regulamentam e direcionam as atividades de ensino e pesquisa com animais não humanos é
obrigatório a qualquer pessoa que atue nesta área.
Objetivos
Reconhecer o histórico do uso de animais não humanos em ensino e pesquisa no Brasil e no mundo, 
bem como as leis e princípios éticos ligados a essas práticas.
Reconhecer a importância de ser ético e bioético nas atividades de ensino e pesquisa, realizando-as 
de acordo com as normativas do CONCEA e controle da CEUA.
Identificar as principais condutas e práticas para a produção, manutenção e utilização adequada de 
animais não humanos para atividades de ensino e pesquisa.
Introdução
A utilização de animais não humanos nas atividades de ensino e pesquisa ainda se faz necessária nos dias de
hoje. Por esse motivo, neste conteúdo, entenderemos a importância de se fazer essas práticas seguindo as
leis e normas existentes em nosso país, para garantir o bem-estar animal. As normas e práticas que veremos
estão conectadas a questões éticas e legais que envolvem o uso de vertebrados não humanos em pesquisa.
O Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA), que faz parte do Ministério da
Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), é um órgão diverso, com uma composição multidisciplinar que dita
normas, realiza consultas, decide e analisa recursos a respeito de atividades que produzem, mantêm ou
utilizam animais não humanos para fins de ensino ou pesquisa científica. O CONCEA é constituído de
membros representantes de ministérios, da comunidade científica e acadêmica, e das sociedades protetoras
dos animais legalmente estabelecidas no país.
Já a Comissão de Ética no Uso de Animais (CEUA) é responsável pelo controle local das atividades de
produção, manutenção ou utilização de animais em ensino e pesquisa. É atribuída a essa comissão a
responsabilidade de cumprir e fazer com que as pessoas de sua instituição cumpram a lei e as demais normas
sobre a utilização de animais não humanos para ensino e pesquisa, especialmente as resoluções
estabelecidas pelo CONCEA.
Dentro desse contexto, o CONCEA publicou em 7 de maio de 2021 a Resolução Normativa n° 49, que torna
obrigatória a capacitação do pessoal envolvido (professores, pesquisadores e alunos) em atividades de ensino
e pesquisa científica que utilizam animais não humanos.
Essa capacitação prevê a abordagem de três pontos principais: ética, conhecimentos práticos de bem-estar
animal e treinamento específico nas técnicas e procedimentos experimentais que pretende realizar na espécie
a ser utilizada. Esses pontos são essenciais para garantir a qualidade do ensino e da pesquisa científica que
utilizam animais não humanos e, principalmente, para prezar pelo bem-estar do animal envolvido.
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A Origem das Espécies, de Charles Darwin.
1. Aspectos históricos e éticos no uso de animais não humanos em ensino e pesquisa científica
Histórico do uso de animais não humanos em ensino e
pesquisa
A história ocidental em relação à preocupação com o bem-estar dos animais não humanos e sua proteção
contra maus-tratos remonta aos séculos XVII e XVIII. O filósofo Descartes, por exemplo, via os animais como
verdadeiras máquinas maravilhosas, porém sem espírito. Já para os filósofos Jean-Jacques Rousseau e
Voltaire, os animais seriam seres sensíveis e, portanto, capazes de formular ideias e sentir dor. Ainda no
século XVIII, outro filósofo, Jeremy Bentham, centralizou o debate e disse que os animais não humanos
podiam sofrer e não somente raciocinar.
No século XIX, a Inglaterra aumentou seu papel
na luta para mudanças nas relações entre
animais humanos e não humanos.
 
Foi formada a primeira sociedade protetora dos
animais, a Royal Society for the Prevention of
Cruelty to Animals (RSPCA).
 
Nessa mesma época, outros países europeus,
como França e Suécia, aprovaram leis que
criminalizavam e penalizavam maus tratos aos
animais.
 
Em 1859, Charles Darwin publicou A Origem das Espécies mostrando a ancestralidade comum entre todos os
animais, humanos ou não.
O século XIX é marcado pela criação de sociedades e organizações visando à proteção, ao bem-estar e até ao
abolicionismo animal. No Brasil, foi incluído no código de conduta da cidade de São Paulo um artigo que
proibia os cocheiros (carroceiros) e os ferreiros (pessoas que colocavam ferraduras em cavalos) de promover
castigos “bárbaros e imoderados” aos animais.
Os movimentos sociais para mudanças no tratamento dos animais não humanos continuaram a ganhar forças
no século XX. Em 1943, no Brasil, foi criada a SUIPA (Sociedade União Internacional Protetora dos Animais).
Em 1950, surgiram a Federação Mundial de Proteção Animal e a Sociedade Internacional de Proteção Animal.
Além disso, os pesquisadores William Russell e Rex Burch introduziram a noção dos 3Rs, confira!
Reduce
Reduzir
Refine
Refinar
Replace
Substituir
O Centro Nacional para a Substituição, Refinamento e Redução do uso de Animais em Pesquisa (NC3Rs – sigla
em inglês) só foi criado em 2004, na Inglaterra.
Foto de campanha contra o teste de cosméticos em
animais.
Carne de frango cultivada artificialmente a partir da
cultura de células .
Em 1963, o Instituto Nacional de Saúde estadunidense (NIH) publicou O Guia para Instalações e Cuidados com
Animais de Laboratório (The Guide) que fala sobre o bem-estar animal, a bioética, a manutenção e manejo em
instalações animais para fins de pesquisa. O guia foi produzido por pesquisadores com a colaboração de
membros de sociedades protetoras dos animais e pode ser acessado gratuitamente.
Curiosidade
Em 1965, o parlamento britânico criou uma comissão para pesquisar sobre técnicas alternativas ao uso
de animais na pesquisa. 
Na década de 1970, o psicólogo Richard Ryder criou o termo especismo para exprimir a discriminação ou a
exploração de certas espécies animais por seres humanos, baseada na suposição da superioridade da
humanidade. Peter Singer, outro filósofo da bioética, publicou seu livro Animal Liberation denunciando a
crueldade contra os animais não humanos em fazendas e laboratórios. Em 1978, a UNESCO estabeleceu a 
Declaração Universal dos Direitos Animais.
A partir de 1980, acentuou-se a formação e, mais
importante, a obrigatoriedade das comissões de ética
animal nas instituições de pesquisa pelo mundo. Além disso,
a procura por métodos alternativos ao uso de animais em
testes para a indústria também aumentou. Porém, apenas
em 2013 a Europa proibiu o uso de animais para testes de
cosméticos.
O início do século XXI foi marcado por mais iniciativas
mundiais de proteção aos animais e seu uso ético em
ensino e pesquisa. No Rio de Janeiro, em 2006, ocorreu o I
Congresso Internacional de Conceitos em Bem-estar
animal, promovido pela Sociedade Mundial de Proteção
Animal (WSPA).
A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) reforçou sua adesão aos 3Rs em 2010. Ainda em 2010, o NC3Rs
publicou o ARRIVE (Animal Research: Reporting of In Vivo Experiments) que consiste em uma lista de
informações a serem incluídas em publicações de pesquisas com animais.
A produção de alimentos também foi impactada por
questões bioéticas.
Exemplo disso foi surgimento de produtos baseados em
plantas (plant-based food) e a carne in vitro, que abriu a
corrida para um novo mercado.
Os 3Rs: ética, bioética,dignidade e bem-estar animal
Desde 2004, o National Center for the Replacement, Refinement and Reduction of Animals in Research
(NC3Rs) dedica-se a encontrar soluções inovadoras baseadas na política dos 3Rs. 
Primeiramente definidos por Russell e Burch, em 1959, os 3Rs foram atualizados para se encaixarem às
práticas modernas de ensino e pesquisa. Esse importante conceito vem se difundido largamente na tentativa
de substituir, reduzir ou refinar o uso de animais. Mas o que significa substituir, reduzir ou refinar nesse
contexto? Vamos lá!
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/45769/pdfs/the_guide.pdf
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/45769/pdfs/declaracao_universal_dos_direitos_dos_animais.pdf
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/45769/pdfs/arrive.pdf
Substituição (Replacement)
Refere-se a tecnologias ou abordagens que substituem diretamente ou evitam o uso de animais não humanos,
são os métodos alternativos ao uso de animais que vêm sendo desenvolvidos e validados por diversas
instituições de ensino e pesquisa pelo mundo. A substituição pode ser total ou parcial, entenda!
Total
Não utiliza animais. São realizadas abordagens
com células ou tecidos humanos, ou modelos
matemáticos e computadorizados, por exemplo.
Parcial
Inclui alguns animais que são considerados
pelas ciências como não capazes de sofrer, por
exemplo, alguns invertebrados, como moscas e
formas imaturas de vertebrados.
A mosca da fruta (Drosophila melanogaster) continua a ser amplamente utilizada para pesquisas biológicas
em genética, fisiologia, patogênese microbiana e evolução da história de vida.
Mosca da fruta (Drosophila melanogaster).
Redução (reduction)
Diz respeito aos métodos que diminuem a quantidade de animais utilizados por experimento para responder
determinada questão. Para isso, um bom desenho experimental e uma boa análise de dados devem ser feitos.
O NC3Rs possui ferramentas que apresentam elementos-chave para um bom desenho experimental e
considera fundamental seguir alguns passos, veja quais!
 
Certifique-se de que sua experiência seja imparcial.
Certifique-se de que seu experimento tenha impacto adequado.
Considere o alcance de aplicabilidade do seu experimento.
Simplifique seu experimento.
Indique a incerteza em seus resultados, ou seja, o intervalo de valores no qual espera-se que o valor
verdadeiro esteja contido.
Tenha boas referências e leitura adicional sobre o assunto em questão.
Aqui também são incluídos métodos que permitem que as informações coletadas em um experimento possam
ser maximizadas, reduzindo o uso de mais animais. Contudo, é importante que a redução no número de
animais utilizados não aumente o sofrimento animal pelo repetido uso. Compartilhar dados e pesquisas entre
pares e instituições também pode contribuir para a redução.
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Saiba mais
Acesse um assistente de desenho experimental e também o guia ARRIVE, que são ferramentas
desenvolvidas pelo NC3Rs. Além dessas ferramentas do NC3Rs, também existe o PREPARE (Planning
Research and Experimental Procedures on Animals: Recommendations for Excellence), um guia para
planejamento experimental visando à aplicação dos 3Rs. Essas ferramentas são, inclusive,
recomendadas pelo CONCEA. 
Refinamento (Refinement)
Refere-se aos métodos que diminuem a dor, o sofrimento, o estresse ou os danos duradouros aos animais,
melhorando seu bem-estar. Ações de refinamento estão relacionadas a medidas como instalações animais
apropriadas, respeito ao comportamento natural da espécie em questão, uso de anestesia e analgesia
apropriados para minimizar a dor, dentre outras condutas.
Atenção
Dor e sofrimento podem alterar o comportamento fisiológico e imunológico dos animais, o que pode
impactar negativamente atividades de ensino e de pesquisa. 
A política dos 3Rs aliada a boas práticas científicas, como desenhos experimentais bem-feitos e análises
estatísticas apropriadas, possibilita a solidez do estudo, bem como a confiabilidade nos resultados e,
consequentemente, sua reprodutibilidade. A combinação desses fatores leva à diminuição de custos e do uso
de animais, mas principalmente ao aumento do conhecimento e ao avanço tecnológico.
Reprodutibilidade
É quando um resultado obtido em determinado estudo é atingido novamente, com alto grau de
concordância, quando esse estudo é replicado com a mesma metodologia por diferentes pesquisadores
e laboratórios.
Método alternativo: significado e importância
A necessidade de se desenvolver métodos alternativos ao uso de animais tem seus fundamentos em
basicamente 4 pontos cruciais. Confira!
 
O bem-estar animal.
O desenvolvimento de métodos com padronização mais próxima da biologia.
A diminuição de gastos, tanto por redução ou substituição dos animais utilizados, quanto pela
confiabilidade, eficácia e reprodutibilidade dos novos métodos.
O avanço tecnológico no desenvolvimento de modelos reprodutíveis mais próximos da biologia humana
e de outros animais.
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Manifestação da Animal Equality em homenagem ao Dia
Internacional dos Direitos Animais.
As questões sobre a garantia do bem-estar animal surgem das queixas da opinião pública a respeito do
banimento do uso de animais em testes científicos e aulas, além da forte ação de organizações ativistas
ligadas ao abolicionismo animal.
A resposta a esses protestos é refletida nas mudanças
políticas mundiais e no consequente surgimento de
métodos alternativos ao uso de animais, que vem
aumentando devido às atuais mudanças legais e políticas
no mundo, principalmente na União Europeia que, desde
2013, proibiu totalmente o uso de animais na fabricação de
cosméticos.
Em 1993, foi criado o European Centre for the Validation of
Alternative Methods (ECVAM) para incentivar o
desenvolvimento e a validação de métodos alternativos ao
uso de animais em pesquisas. No Brasil, um órgão
semelhante foi idealizado em 2008 e chamado de Centro
Brasileiro para Validação de Métodos Alternativos (BraCVAM - Brazilian Center for Validation of Alternative
Methods).
Comentário
As mudanças legais, em relação ao direito dos animais, em países da Europa, nos Estados Unidos e no
Brasil mostram que o caminho deve ser traçado em prol da excelência do trabalho científico, do bem-
estar animal e da eficácia metodológica. A criação do CONCEA e toda a estrutura de resoluções
normativas, diretrizes e guias por ele desenvolvidos regulam e indicam a correta utilização de animais em
pesquisa e ensino no país. 
Em 2014 o CONCEA publicou a Resolução Normativa nº 17, que reconheceu os métodos alternativos ao uso de
animais em atividades de pesquisa no país. A RN CONCEA nº 54/2022 revogou, ou seja, anulou a RN CONCEA
nº 17/2014 trazendo uma leitura mais completa do que se refere ao método alternativo validado.
Os métodos alternativos são aqueles utilizados para substituir, reduzir ou refinar o uso de animais não
humanos em atividades de ensino e pesquisa. Esses métodos devem ser previamente validados, abrangendo
metodologias que envolvam o uso de animais não humanos e espécies de ordens inferiores. Além disso, é
necessário que tais métodos reduzam o número de animais utilizados em comparação com os procedimentos
substituídos, explorem sistemas orgânicos ex vivos ou busquem minimizar e eliminar o desconforto causado
aos animais envolvidos.
Ex vivos
É um termo utilizado na ciência para se referir às experiências realizadas fora do organismo vivo, como
em culturas de células e tecidos. 
Quando o método alternativo validado é aprovado pelo CONCEA, ele é considerado um método
alternativo reconhecido.
A nova resolução manteve o prazo de cinco anos para as instituições acatarem de forma obrigatória os
métodos reconhecidos pelo CONCEA. A lista dos métodos alternativos validados e reconhecidos pelo
CONCEA encontra-se no site do conselho e é atualizada de acordo com novas publicações que reconhecem
novos métodos alternativos.
O avanço biotecnológico observado nos últimos anos aponta novos caminhos que podem levarà substituição
do uso de animais por meio da criação de modelos alternativos. No ensino, por exemplo, podemos citar os
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/45769/pdfs/resolucao_concea_mcti_54.pdf
manequins, as videoaulas, os softwares de simulação e o uso de cadáveres. Essas iniciativas garantem bons
resultados no processo de ensino-aprendizagem e ajudam a diminuir o uso de vertebrados vivos nessas
atividades.
Importância dos 3Rs e dos métodos alternativos
Neste vídeo, vamos observar como a aplicação do conceito dos 3Rs e a utilização de métodos alternativos
validados contribuem para diminuir o uso de animais em atividades de ensino e pesquisas científicas.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
O CONCEA indica a utilização de guias produzidos por instituições internacionais para auxiliar pesquisadores e
professores nas atividades de ensino e pesquisa científica. O ARRIVE é um desses guias, que, neste caso,
aborda o conceito dos 3Rs. Sobre os 3Rs, assinale a afirmativa correta.
A
Não existem métodos que substituem totalmente o uso de animais não humanos em ensino e pesquisa
científica.
B
Um bom delineamento experimental e a aplicação de boas práticas científicas auxiliam na diminuição da
quantidade de animais utilizada.
C
O estresse, sofrimento e a dor não influenciam os resultados da pesquisa, sendo o refinamento uma questão
puramente de bem-estar animal.
D
Os impactos financeiros dados pelas abordagens que utilizem conceito do 3Rs são insignificantes.
E
A tentativa de aplicar métodos alternativos ao uso de animais não humanos esbarra no fato de não haver
métodos desse tipo validados no nosso país.
A alternativa B está correta.
Existem diversos métodos que substituem totalmente o uso de animais não humanos em ensino e pesquisa
científica, como as culturas celulares in vitro. Os métodos alternativos validados estão reunidos em uma
lista atualizada e divulgada pelo CONCEA. Isso é importante porque o estresse, o sofrimento e a dor dos
animais utilizados influenciam os resultados da pesquisa pelo fato de as variáveis fisiológicas estarem
alteradas. Um bom desenho experimental e a aplicação de boas práticas científicas garantem resultados
mais robustos, evitando o uso de maior quantidade de animais para atingir o objetivo proposto, seja por
erro no procedimento experimental ou na determinação de um número amostral necessário. Além disso, a
substituição do uso de animais gera diminuição dos custos da pesquisa com instalações e manejo dos
animais.
Questão 2
De forma abrangente, métodos alternativos podem ser definidos como qualquer método que possa ser usado
para substituir, reduzir ou refinar o uso de animais na pesquisa biomédica, nos ensaios ou no ensino. Sobre os
métodos alternativos, avalie as assertivas a seguir.
 
I - O prazo para adoção dos métodos alternativos é de no máximo cinco anos a partir da publicação de
normativa que os reconheça.
II - Apenas métodos alternativos reconhecidos pelo CONCEA podem ser adotados nas atividades de ensino e
pesquisa.
III - Métodos como videoaulas, manequins e modelos computacionais são considerados alternativas ao uso de
animais em atividades de ensino.
 
Considera-se correto o que é afirmado em:
A
III, apenas.
B
II e III, apenas.
C
I e II, apenas.
D
I e III, apenas.
E
II, apenas.
A alternativa D está correta.
Segundo as normativas vigentes, o prazo máximo para a adoção dos métodos alternativos reconhecidos e
publicados pelo CONCEA é de cinco anos. A normativa ainda possibilita a utilização de métodos
alternativos já validados, mesmo ainda não reconhecidos pelo CONCEA. Os métodos substitutivos como
videoaulas, manequins e modelos computacionais são alternativas ao uso de animais e vem sendo
largamente utilizados em atividades de ensino.
2. Aspectos legais no uso de animais não humanos em ensino e pesquisa científica
Histórico da legislação brasileira
Agora conheceremos um pouco mais a história da criação da estrutura legal sobre a proteção, o uso e a
defesa de animais não humanos em nosso país. Abordaremos esse assunto de forma resumida, pontuando as
partes mais importantes presentes na legislação. Uma leitura mais detalhada pode ser feita acessando cada
um dos instrumentos legais mencionados.
Vamos começar aprendendo a diferença entre os dispositivos legais e normativos que abordaremos em nosso
estudo, confira!
Projeto/proposta de lei (PL)
É um conjunto de normas que deve ser submetido ao órgão legislativo com o objetivo de se tornar
uma lei efetivamente. Os projetos de lei são feitos por membros do próprio órgão legislativo
(deputados, senadores e vereadores). Já as propostas de lei são feitas pelo poder executivo
(presidente, governadores, prefeitos e ministros).
Lei
São regras gerais sobre determinado assunto.
Decreto
Está hierarquicamente abaixo da lei e, geralmente, descreve como a lei deve ser cumprida e aplicada.
Atos normativos
São todos os documentos cujo cumprimento é obrigatório, como leis, decretos, resoluções, portarias,
regulamentos, instruções normativas e outros.
Agora que já sabemos a diferença entre esses documentos, vamos analisar como a legislação brasileira sobre
proteção animal progrediu ao longo dos anos!
O histórico de proteção aos animais não humanos no Brasil iniciou-se no século XX, uma vez que a Lei de
Proteção à Fauna foi publicada em 1967 (Lei nº 5.197) e estabeleceu severas penas por posse, venda, compra,
transporte ou caça de qualquer animal silvestre. Inclusive, o artigo 14 e seus parágrafos tratam da “caça
científica”, entendida como a captura desses animais para uso em pesquisas.
Já na década de 1970, foi publicada a primeira Lista Nacional de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção e
o Brasil se aliou à Convenção Internacional das Espécies Ameaçadas de Extinção (CITES). Em 1979, foi
publicada a Lei nº 6.638, que estabeleceu normas para a prática didático-científica da vivissecção de animais,
mas essa legislação foi revogada em 2008 pela Lei Arouca (Lei nº 11.794/2008).
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/45769/pdfs/lei_5197_1967.pdf
Uso de coelhos na pesquísa biomédica.
Vivissecção
Corresponde a uma intervenção física invasiva em animal vivo, incluindo humanos. 
Curiosidade
Vale lembrar que a proteção dos animais contra a crueldade aparece no artigo 225 da nossa
Constituição Federal de 1988. Além dela, a Lei nº 9.605 de 1998 (Lei de Crimes Ambientais) prevê pena
de detenção de três meses a um ano e multa a quem “praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar
animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos" e “Incorre nas mesmas penas
quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos,
quando existirem recursos alternativos”. 
A luta jurídica brasileira a respeito da utilização de animais em atividades de ensino e pesquisa começou em
1993, quando um abaixo-assinado popular foi entregue à Câmara dos Deputados, o que terminou com a
criação da PL nº 1.153/1995 para a regulamentação da vivissecção no país. Em 1996, foi criada na
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP Botucatu), a primeira Comissão de Ética na
Experimentação Animal, com o objetivo de cumprir as exigências internacionais para publicação de artigos
científicos. Depois disso, 4 PLs foram submetidos ao legislativo (PL nº 2.729/1997; PL nº 3.964/1997; PL nº
1.691/2003 e PL nº 2.262/2007). Todos esses projetos de lei levaram à promulgação da Lei Arouca, que se
tornou a base legal para o uso de animais vertebrados vivos em atividades de ensino e pesquisa em nosso
país. A implantação dessa lei é regida pelo Decreto nº 6.899/2009.
Mas você sabe por que a Lei nº 11.794/2008 é chamada de Lei Arouca? Porque o nome do deputado e médico
sanitarista responsável por redigir o PL que deu origem a esta lei é Antônio Sérgio da Silva Arouca. Ele redigiu
esse PL em resposta às sociedades protetoras de animais, que pressionavamas instituições de pesquisa para
o banimento das atividades com animais não humanos.
A Lei Arouca, seu decreto e a criação do CONCEA
Uma atitude ética prevê que para termos aulas práticas ou participarmos de pesquisas científicas que utilizam
animais não humanos devemos conhecer os atos normativos que regem a produção, a manutenção ou a
utilização de animais para ensino ou a pesquisa científica no Brasil. Assim, evitamos de cair no erro de agirmos
fora da lei e de sermos antiéticos.
A Lei Arouca é bem ampla e está relacionada com o uso de animais do filo Chordata e subfilo Vertebrata, com
exceção dos humanos. Essa amplitude inclui espécies animais de laboratório, de produção, de companhia,
domésticos ou silvestres, nativos ou exóticos, além das técnicas alternativas que substituem a utilização de
animais em ensino ou pesquisa científica. Com todo esse espectro amplo, é de se esperar que existam
dificuldades na interpretação e na aplicação desses atos normativos. Portanto, vamos agora conhecer o papel
de cada órgão frente a toda essa legislação.
Já sabemos que a Lei Arouca estabelece os
critérios para a produção, manutenção ou
utilização de animais vertebrados não humanos
em atividades de ensino ou pesquisa no país.
Mas, além disso, essa lei estabelece que as
atividades educacionais ficam restritas aos
estabelecimentos de ensino superior e de
educação profissional e técnica de nível médio
da área biomédica.
Portanto, os centros públicos ou privados que
desejam realizar procedimentos em animais
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/45769/pdfs/decreto_6899_2009.pdf
vivos em atividades de ensino, extensão, capacitação, treinamento, transferência de tecnologia, ou quaisquer
outras com finalidade didática, devem formalizar instrumento de cooperação com instituição de ensino já
credenciada no CONCEA. Assim, a CEUA da instituição de ensino credenciada irá examinar previamente as
atividades de ensino a serem desenvolvidas com animais nesses locais.
Da mesma maneira, as atividades de pesquisa científica são descritas como todas aquelas relacionadas à
ciência básica e aplicada, ao desenvolvimento tecnológico, e à produção e ao controle da qualidade de
drogas, medicamentos, alimentos, imunobiológicos, instrumentos ou quaisquer outros testados em animais.
Atenção
As práticas zootécnicas relacionadas à agropecuária não são consideradas atividades de pesquisa pela
Lei Arouca, uma vez que experimentos científicos com animais são procedimentos efetuados em animais
vivos, visando à elucidação de fenômenos fisiológicos ou patológicos, mediante técnicas específicas e
preestabelecidas. Portanto, não se consideram experimentos a profilaxia e o tratamento médico-
veterinário do animal que deles necessite, as intervenções não experimentais relacionadas às práticas
agropecuárias e o anilhamento, a tatuagem, a marcação ou a aplicação de outro método com finalidade
de identificação do animal, desde que cause apenas dor ou aflição momentânea ou dano passageiro. 
Para sua operacionalização, a Lei Arouca criou o CONCEA e estabeleceu as competências deste Conselho e
como ele deve ser constituído e representado. O CONCEA é responsável, dentre outros aspectos, por algumas
atividades. Vamos conhecê-las!
 
Formular as normativas relativas à utilização, produção e manutenção de animais para ensino ou
pesquisa científica.
Credenciar instituições para criação ou utilização de animais em ensino e pesquisa científica.
Monitorar e avaliar a introdução de técnicas alternativas que substituam a utilização de animais em
ensino e pesquisa.
Assessorar o poder executivo a respeito das atividades de ensino e pesquisa que utilizem animais não
humanos.
Já a composição do CONCEA consiste em representantes das seguintes instituições: Ministério da Ciência,
Tecnologia e Inovação; Ministério da Saúde; Ministério do Meio Ambiente; Ministério da Educação; Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico;
Conselho de Reitores das Universidades do Brasil; Sociedade Brasileira de Ciência de Animais de Laboratório;
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência; Academia Brasileira de Ciências; Federação das Sociedades
de Biologia Experimental; associação e sindicatos das indústrias farmacêuticas; e representantes das
sociedades protetoras de animais legalmente estabelecidas no nosso país.
O Decreto nº 6.899/2009, que regulamenta a Lei Arouca, detalha as competências do CONCEA e de seus
membros, estabelece sua estrutura administrativa e seu funcionamento como um órgão integrante do
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Dessa forma, o CONCEA coordena todos os procedimentos que
envolvem o uso científico e didático de animais não humanos.
No início de 2023 , por exemplo, o CONCEA publicou a RN n° 58, que proíbe o uso de animais não humanos
em pesquisa científica, desenvolvimento e controle de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes
no Brasil.
CIUCA e o CIAEP
Para que o CONCEA possa desempenhar sua função, o Decreto nº 6.899/2009 estabelece que todas as
instituições que produzem, mantêm ou utilizam animais para fins de ensino ou pesquisa científica devem
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formar uma CEUA e se credenciar junto a ele. Para isso, foi criado um sistema para Cadastro das Instituições
de Uso Científico de Animais (CIUCA). Além de ser um instrumento de cadastro, o CIUCA é o meio de
comunicação entre as CEUAs das instituições e o CONCEA.
Após ter o seu cadastro validado, a instituição recebe o Credenciamento Institucional para Atividades com
Animais em Ensino ou Pesquisa (CIAEP), nesse sentido, a RN CONCEA nº 50/2021 dispõe sobre os critérios e
procedimentos para emissão, extensão, revisão, suspensão, reativação, renovação e cancelamento do CIAEP.
Comentário
Os estabelecimentos comerciais ou produtores locais que não têm como atividade principal a produção
ou a manutenção de animais para atender demandas específicas de instituições credenciadas que
utilizam animais em atividades de ensino ou de pesquisa científica, ainda que eventualmente atendam a
demandas dessas instituições, não precisam de CIAEP. 
O CIAEP tem vigência de cinco anos a contar da publicação de sua emissão no Diário Oficial da União. Para
solicitar esse credenciamento, as instituições devem ter sua CEUA instituída, além de possuir Cadastro
Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) ativo na Receita Federal e contar com estrutura física adequada e pessoal
qualificado para a produção, a manutenção ou a utilização de animais em atividades de ensino ou pesquisa
científica.
Mas por que as instituições devem ter CEUA para conseguir o CIAEP? Porque a CEUA é a responsável por
remeter as informações necessárias para o credenciamento e cadastro da instituição junto ao CONCEA. Mas
não é somente esse o papel dessa comissão, a atuação da CEUA é crucial, uma vez que ela é o controle local
das atividades que envolvem o uso de animais na instituição.
Penalidades e fiscalização
O CONCEA é responsável por aplicar as medidas punitivas previstas pela Lei Arouca às instituições que,
porventura, transgridam o que está definido nos atos normativos e a qualquer pessoa que execute de forma
indevida as atividades reguladas por essa lei ou ainda que participe de procedimentos não autorizados pelo
CONCEA. O CONCEA ainda define como será a apuração da infração e como ela é classificada em leve, grave
ou gravíssima.
A RN CONCEA nº 24/2015 apresenta os procedimentos para abertura de processo administrativo no CONCEA
para apuração de infração e detalha as sanções punitivas, além de determinar quais são as infrações passíveis
a serem cometidas por pessoas físicas ou jurídicas (art. 13), por instituições (art. 14 e art. 16), as relacionadas
às CEUAs (art. 15 e art. 16) e aos profissionais que realizam atividades de ensino ou pesquisa científica com
animais (art. 17).
A fiscalização das atividades reguladas pela Lei Arouca fica a cargo do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento; do Ministério da Saúde;do Ministério da Educação; do Ministério da Ciência, Tecnologia e
Inovação; e do Ministério do Meio Ambiente, nas respectivas áreas de competência. A inspeção da
conformidade realizada durante a fiscalização tem poder de polícia administrativa e objetiva evitar a produção,
manutenção ou utilização de animais em atividades de ensino ou pesquisa científica que não estejam em
conformidade com os atos normativos em vigor.
O Decreto nº 6.899/2009 (art. 47) institui que qualquer pessoa que constate a ocorrência de uma
infração pode “dirigir representação ao órgão ou entidade de fiscalização competente, para efeito
do exercício de poder de polícia”.
Por isso, conhecer a legislação e sempre respeitar as demandas da CEUA de sua instituição é extremamente
importante para evitar qualquer sanção frente ao CONCEA. Lembre-se, a CEUA não é sua inimiga, ela está ali
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/45769/pdfs/resolucao_concea_mcti_24.pdf
para garantir a excelência na pesquisa e na aprendizagem seguindo todas as regras para a garantia da ética e
do bem-estar animal.
A CEUA
Agora que já sabemos que a CEUA é indispensável para o credenciamento de instituições que utilizam,
mantêm ou produzem animais para fins de ensino ou pesquisa científica, vamos aprofundar um pouco mais na
relação da CEUA com os pesquisadores, professores e estudantes que utilizam animais em suas atividades.
Já sabemos que a Lei Arouca estabelece as competências da CEUA e que a RN CONCEA nº 51/2021 as
regulamenta. Conheça a seguir alguns dos deveres da CEUA:
Cumprir e fazer cumprir a Lei nº 11.794/2008 e as demais normas do CONCEA.
Examinar previamente os projetos de pesquisa científica e de aula prática a serem realizados na
instituição.
Avaliar a qualificação e a experiência do pessoal envolvido nessas atividades.
Determinar a paralisação dessas atividades quando elas estiverem em desacordo com a Lei nº
11.794/2008 até que a irregularidade seja sanada e a omissão da CEUA nessas situações acarreta
penalidades à instituição.
Enviar anualmente o relatório das atividades desenvolvidas, sob a pena de suspenção das atividades.
Manter cadastro atualizado dos projetos, professores e pesquisadores por meio do envio de
informações pelo CIUCA.
Notificar imediatamente ao CONCEA e às autoridades sanitárias a ocorrência de qualquer acidente
envolvendo animais nas instituições credenciadas, fornecendo informações que permitam ações
saneadoras.
Investigar os acidentes ocorridos no curso das atividades de criação, pesquisa e ensino e enviar o
relatório respectivo ao CONCEA, no prazo máximo de 30 (trinta) dias, contados a partir da data do
evento.
Resguardar o sigilo das informações apresentadas.
Incentivar a adoção dos princípios de refinamento, redução e substituição no uso de animais em ensino
e pesquisa científica.
A CEUA deve ser constituída por médico-veterinário, biólogo, docente ou pesquisador e representante de
Sociedade Protetora de Animais (SPA) legalmente constituída e estabelecida no país. Cada membro deve ter
um suplente e todos precisam ser cidadãos brasileiros. Além desses profissionais, outras categorias também
podem estar representadas por um membro e seu titular. Na falta de indicação de representante de SPA, a
CEUA deve comprovar a realização de convite formal a três SPAs e deve designar um consultor para essa
finalidade, com notório saber e experiência em uso ético de animais, para representar essa categoria como
membro da CEUA.
A CEUA deve atender a todas as tarefas instituídas pela RN CONCEA nº 51/2021 da maneira mais educativa
possível, pois ela é a responsável pelo controle local das atividades de ensino e pesquisa que envolvem
animais não humanos vivos. Ser um membro da CEUA é um trabalho de grande responsabilidade, sendo
necessária a comunicação amigável e instrutiva entre todos os envolvidos, incluindo os coordenadores e
responsáveis técnicos (RT) por biotérios, coordenadores de curso, professores, pesquisadores e a sociedade
civil. 
O esquema a seguir representa as interfaces de atuação da CEUA, ressaltando que essa comunicação deve
ser clara e harmônica, procurando sempre cumprir os atos normativos vigentes.
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https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/45769/pdfs/resolucao_concea_mcti_51.pdf
Interfaces de atuação da CEUA.
Para seu funcionamento, sua organização e sua atuação a CEUA deve elaborar um regimento interno, que
também apresenta o fluxo das análises dos projetos. As reuniões ordinárias da CEUA devem ocorrer
semestralmente, sendo permitidas reuniões extraordinárias sempre que necessário.
Quanto aos biotérios, eles devem estar vinculados à sua respectiva CEUA na plataforma CIUCA, sendo
obrigatória a existência de um coordenador e de um RT.
Biotérios
Segundo a RN CONCEA nº 30/2016, biotério é a instalação na qual são produzidos, mantidos ou
utilizados animais para atividades de ensino ou pesquisa científica.
Mas qual a diferença entre o coordenador e o RT pelo biotério? O coordenador é o profissional com
experiência comprovada na ciência de animais de laboratório visando ao bem-estar, à qualidade na produção
e ao adequado manejo dos animais, estando apto a gerir o biotério no sentido de proporcionar condições
adequadas ao desempenho das atividades de pesquisa científica e ensino. Já o RT é o médico-veterinário
responsável pelas ações relacionadas aos cuidados médico-veterinários e ao bem-estar dos animais mantidos
no biotério.
Solicitação de autorização para desenvolvimento de um
projeto
A CEUA é responsável por emitir a autorização para o uso de animais em atividades de ensino ou pesquisa
científica. Ela deve disponibilizar o Formulário para Solicitação de Autorização para Uso de Animais em Ensino
ou Desenvolvimento de Recursos Didáticos e o Formulário para Solicitação de Autorização para Uso de
Animais em Experimentação Animal. O CONCEA, no anexo da RN CONCEA nº 52/2021, disponibiliza modelo de
formulário de autorização que pode ser ampliado pelas CEUAs, caso necessário.
Sempre que em uma atividade de ensino houver participação de estudantes, interagindo, manuseando ou
realizando procedimentos nos animais, o projeto deve indicar informações fundamentais para a garantia do
bem-estar animal. Veja quais informações e tome nota!
 
Quantidade máxima de estudantes supervisionados por cada professor.
Justificativa do uso de animais para atingir os objetivos didáticos.
Justificativa da não adoção de métodos alternativos.
Quantidade mínima e máxima de animais a serem utilizados por estudante.
Eventual uso sequencial de animais.
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https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/45769/pdfs/resolucao_concea_mcti_52.pdf
Estratégia de avaliação da apreensão dos objetivos pedagógicos.
Ainda sobre as propostas de ensino, é proibido o uso de animais em atividades didáticas demonstrativas e
observacionais que não vislumbrem o desenvolvimento de habilidades psicomotoras e competências
necessárias à formação dos alunos. Essa proibição não é válida para atividades de ensino em pós-graduação
e que proporcionem abordagens diagnósticas, terapêuticas, profiláticas e zootécnicas, objetivando a redução
de riscos sanitários, danos físicos ou o aprimoramento da condição de produção, saúde ou da qualidade de
vida dos animais utilizados.
Para facilitar as decisões da CEUA, a RN n° 53/2021 apresenta uma árvore de decisão sobre as restrições do
uso de animais em ensino. Confira!
Esquematização da árvore de decisão.
Na RN CONCEA nº 52/2021, também encontramos as informações que devem constar nas autorizações
concedidas pelas CEUAs para a realização de atividades de ensino ou de pesquisa científica e para essas
atividades quando são utilizados animais silvestres de vida livre. Após deliberação, as CEUAs devem utilizar o
CIUCA para informar ao CONCEA o título do projeto aprovado, o estágio em que se encontra o projeto na
CEUA (especificação acerca de sua aprovação ou suspensão) e seu prazo de vigência.
Os projetos encaminhados para aapreciação da CEUA devem considerar:
Diretriz Brasileira para o Cuidado e a Utilização de Animais em Atividades de Ensino ou de Pesquisa
Científica – (RN nº 55 e RN nº 53).
Diretriz da Prática de Eutanásia (RN nº 37).
Guia Brasileiro de Produção, Manutenção ou Utilização de Animais em Atividades de Ensino ou
Pesquisa Científica.
Recomendações do Animal Research: Reporting of In Vivo Experiments (ARRIVE).
Recomendações do Planning Research and Experimental Procedures on Animals: Recommendations for
Excellence (PREPARE).
Apesar de não ser obrigatória a presença de autorizações que atendam a outros requisitos legais, é
recomendável que a proposta tenha declaração do proponente informando à CEUA que o estudo só iniciará
após atender aos requisitos legais, podendo esses ser, por exemplo, autorizações legais concedidas pelo
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA), pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio),
pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) ou por outros órgãos relacionados à
natureza do projeto.
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https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/45769/pdfs/resolucao_concea_mcti_37.pdf
Atenção
O responsável pelas atividades deve garantir que elas só sejam iniciadas após o parecer favorável da
CEUA, pois nenhuma atividade pode ser iniciada antes dessa autorização. Outro aspecto importante
sobre a autorização da atividade de uso de animais em ensino ou pesquisa científica é a possibilidade
que o responsável pela proposta tem de recorrer ao CONCEA caso a CEUA indefira sua proposta. Nesse
caso, o interessado deve aguardar a decisão do CONCEA para iniciar a atividade. 
Principais questões sobre a atuação do CONCEA e das CEUAs
Neste vídeo, apresentaremos as principais dúvidas sobre as funções e a atuação do CONCEA e das CEUAs.
Conteúdo interativo
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Verificando o aprendizado
Questão 1
A Lei Arouca protege os animais não humanos utilizados em atividades de pesquisa científica ou ensino. Sobre
as particularidades dessa proteção, aponte a alternativa correta.
A
A Lei Arouca não regulamenta o uso de cadáveres ou de partes deles para as atividades de ensino.
B
A legislação protege os animais vertebrados vivos apenas em sua fase adulta.
C
Pesquisas científicas que utilizam moluscos são reguladas pela Lei Arouca.
D
Animais abatidos para fins não científicos ou didáticos estão sob a proteção da Lei Arouca.
E
O atendimento clínico destinado a animais enfermos desenvolvido durante atividades de ensino não faz parte
do escopo da Lei Arouca.
A alternativa A está correta.
A Lei Arouca protege apenas animais vertebrados vivos que sejam utilizados para fins de pesquisa
científica ou ensino, sem restringir as fases embrionárias de desenvolvimento. Portanto, as formas imaturas
de vertebrados vivíparos, ovíparos ou ovovivíparos também são protegidas. Contudo, como são
contemplados apenas os animais vertebrados vivos, os cadáveres e suas partes, bem como os
invertebrados, estão fora do escopo da Lei. Já o atendimento clínico dispensado a animais que deles
necessitam deve ser sempre acompanhado por professor responsável e, por ser uma atividade de ensino,
as propostas devem ser analisadas e autorizadas pela CEUA institucional, além de ser assinado o termo de
consentimento pelo tutor do paciente.
Questão 2
Segundo a legislação vigente, as Comissões de Ética no Uso de Animais (CEUAs) têm como objetivo deliberar
sobre a aprovação ou não de protocolos que se utilizem de animais não humanos para fins pedagógicos ou de
pesquisa científica. Como critérios para aprovação dos projetos, a CEUA deve preconizar
A
que a utilização de animais seja justificada.
B
que o bem-estar dos animais seja considerado apenas quando se tratar de primatas.
C
que o desuso de métodos alternativos substitua ou reduza o uso de animais.
D
o número máximo de animais sem comprometer a qualidade dos resultados.
E
o refinamento dos métodos para minimizar os custos com o uso de animais.
A alternativa A está correta.
É atribuição da CEUA avaliar protocolos submetidos preconizando que a utilização de animais seja
justificada, levando em consideração os benefícios e os potenciais efeitos sobre o bem-estar dos animais;
que o bem-estar dos animais seja sempre considerado, de acordo com o que preconiza a Lei Arouca; o
desenvolvimento e o uso de métodos alternativos que substituam o uso ou reduzam o número de animais
em pesquisa científica; a minimização do número de animais utilizados sem comprometer a qualidade dos
resultados a serem obtidos; e o refinamento dos métodos a fim de evitar a dor nos animais utilizados em
atividades de pesquisa.
Biotério de camundongos para experimentação
mantidos em sistema de gaiolas ventiladas
individualmente.
3. Cuidado e prática na produção, manutenção ou utilização de animais não humanos para atividades de
ensino ou pesquisa científica
Modelos animais
Há muitos séculos, os animais não humanos são usados com o intuito de promover maior conhecimento sobre
várias questões. As características semelhantes entre os seres do filo Chordata levou a essa utilização e
acarretou descobertas importantíssimas sobre a fisiologia, fisiopatologia, bioquímica e outras áreas.
Mesmo com essa similaridade, é importante ficar atento ao fato de que a definição do modelo animal a ser
utilizado deve estar alinhada aos objetivos do projeto, estando embasada em evidências científicas, e nunca à
conveniência ou ao orçamento. Assim, ao decidir qual o animal adequado para o estudo, deve-se pensar nos
seguintes aspectos, confira! 
 
Espécie
Raça
Linhagem
Variabilidade genética
Estado sanitário
Comportamento
Quando não pensamos nesses aspectos, existe a possibilidade de aumentar o número de animais utilizados, o
que não está de acordo com os princípios dos 3Rs. Isso porque uma escolha inadequada pode levar à redução
na precisão dos resultados pela alta variabilidade, pela dificuldade de manejo da espécie escolhida ou pelas
suas condições de saúde preexistentes.
Deve ser dada preferência aos animais de cativeiro que são produzidos especificadamente para fins de uso
em atividades de ensino ou de pesquisa científica, como os roedores e lagomorfos. De todo modo, a origem
dos animais deve constar no projeto encaminhado à CEUA.
O transporte dos animais deve seguir as normas vigentes, e
sua segurança deve ser garantida pela correta comunicação
entre as pessoas responsáveis pelo translado e
recebimento dos animais, diminuindo o tempo de
transporte. É importante utilizar contêiners seguros e de
acordo com as espécies escolhidas, assim como fornecer
água e alimento e capacitar o pessoal envolvido no
transporte em detectar sinais de distresse e dor.
A aclimatação dos animais ao novo ambiente é essencial.
Eles devem ser ambientados ao manuseio e à presença da
equipe que irá utilizá-los, e aqueles que não se aclimatarem
não deverão ser utilizados na pesquisa. Além disso, as
áreas de quarentena devem ser monitoradas com
frequência para identificar e resolver possíveis problemas rapidamente. Planos de contingência devem ser
traçados previamente, para resolver eventuais problemas como falta de luz, refrigeração e fuga de indivíduos.
O alojamento e o manejo podem afetar a biologia e qualidade de vida dos animais. Por isso, as instalações
animais devem ser seguras, apropriadas a cada espécie e controladas. As instalações devem respeitar a
etologia de cada espécie, garantindo o enriquecimento ambiental e o acesso às suas necessidades inerentes.
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Acomodação para manutenção de camundongos.
A biossegurança nas instalações animais também deve ser observada, em especial naquelas onde ocorrem
infecções experimentais. Cada instalação deve adotar um manual de biossegurança ou de operações onde
estejam identificados os riscos e especificados as práticas e os procedimentos para minimizar ou eliminar as
exposições a esses riscos.
Atenção
Escolha corretamente o modelo animal para oseu estudo! Faça uma extensa pesquisa bibliográfica a
respeito do tema da pesquisa. Uma vez escolhido o modelo, tenha em mente os 3Rs, a legislação e os
guias do CONCEA. 
Responsabilidades éticas e de garantia do bem-estar
animal
Podemos definir o bem-estar animal como um estado em que existe o equilíbrio físico e psíquico dele com o
seu ambiente. Por isso, a constante promoção de condições para a permanência do bem-estar animal é
primordial. Qualquer proposta de atividade, seja em ensino seja pesquisa científica, deve considerar a relação
entre o custo do sofrimento animal e o benefício dos resultados advindos da atividade.
A nova Diretriz Brasileira para Cuidado e a Utilização de Animais em Atividades de Ensino ou de Pesquisa
Científica (DBCA), presente na RN CONCEA nº 55/2022, tem como finalidade apresentar os princípios e as
condutas para o cuidado e o manejo ético de animais produzidos, mantidos ou utilizados em atividades de
ensino ou pesquisa científica, por meio de orientações voltadas a instituições, CEUAs, professores,
pesquisadores e todos os demais atores envolvidos nessas atividades.
Segundo a DBCA, as atividades que utilizam animais só podem ser realizadas quando forem essenciais para
as seguintes situações, confira!
 
Obter e estabelecer informações relevantes para a compreensão da biologia humana ou de outros
animais.
Realizar manutenção e melhoria da saúde e bem-estar humano ou de outros animais.
Melhorar o manejo ou a criação de animais.
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Monitoramento de instalação para manutenção de
suínos jovens.
Obter e estabelecer informações relevantes para a compreensão, a manutenção ou a melhoria do
ambiente natural.
Atingir objetivos educacionais que não podem ser alcançados utilizando nenhuma outra prática que
não inclua o uso de animais.
Nesse contexto, a DBCA apresenta orientações gerais para o uso animal ser devidamente justificado, estando
baseado no princípio do 3Rs, dentre outras. Segundo esse documento: “É competência de todos os usuários,
no planejamento ou na condução das atividades de ensino ou pesquisa científica, considerar que os animais
são seres sencientes e que seu bem-estar é fator essencial” (CONCEA, 2013).
Você sabe o que é um ser senciente? É um ser consciente, ou seja, capaz de sentir dor, angústia, felicidade,
alegria, raiva etc. Por isso, quando estresse, dor e sofrimento são esperados em determinada atividade,
devem ser previstas estratégias para minimizar ou controlar esses efeitos.
As instituições também são orientadas a manter o bom funcionamento da sua CEUA e a disponibilizar
recursos para que seja possível obedecer aos atos normativos vigentes sobre a estrutura, os padrões
ambientais, o manejo adequado e o enriquecimento ambiental para os animais. Para isso, o monitoramento
diário dos animais deve ser realizado pelo coordenador e/ou RT da instalação em que eles estiverem alojados.
A responsabilidade pelo bem-estar do animal também é compartilhada com o professor/pesquisador que o
utiliza.
Para registrar essas práticas, a CEUA deve estabelecer
programa de inspeção e manter registro do
acompanhamento individual das atividades com animais em
andamento na instituição. Cabe à CEUA inspecionar as
áreas onde os animais são mantidos, no mínimo, uma vez ao
ano. Observando qualquer ação não compatível com o
autorizado, a CEUA deve garantir o impedimento das
atividades até que a situação seja remediada.
Dor e estresse
O monitoramento diário é essencial para constatar sinais de
dor, sofrimento e estresse nos animais. O comportamento das espécies utilizadas deve ser conhecido por
todos os envolvidos nas atividades a fim de que seja possível perceber algum desvio comportamental, assim
como indícios de dor, de sofrimento e de estresse. O alívio das condições de dor, estresse e sofrimento não
previstos deve prevalecer sobre a continuidade e conclusão das atividades.
Veja agora quais são os principais indicadores a serem observados!
 
Mudanças no padrão físico e/ou de sono.
Alterações no padrão de higiene e/ou comportamento exploratório.
Alterações do apetite e/ou da sede.
Comportamento agressivo ou anormal.
Comportamento depressivo.
Modificação da expressão facial.
Postura ou movimentos anormais.
Resposta aversiva à palpação de determinada área.
Vocalização anormal.
Alteração da temperatura corporal e/ou da função cardiovascular ou respiratória.
Ocorrência de vômitos e/ou defecação anormal.
Perda de peso corporal.
Ocorrência de hemorragias.
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Sobredosagem de agentes anestésicos via
intraperitoneal para eutanásia de camundongo.
Abortamento.
Diurese anormal.
Qualquer alteração deve ser registrada e medidas devem ser tomadas de forma imediata para deter ou
diminuir sequelas, como a recapacitação dos envolvidos nas atividades, o aumento da frequência de
monitoramento em atividades com maior grau de invasividade, o uso de métodos apropriados para eutanásia,
o uso de tranquilizantes, analgésicos e anestésicos, dentre outras.
Um mesmo animal não deve ser utilizado em mais de uma atividade, assim como o uso sequencial de um
animal não pode gerar desconforto ou sofrimento a ele e deve ser realizado somente quando for clara a
contribuição para a redução do número de animais utilizados. A utilização sequencial de animais deve
considerar os possíveis efeitos cumulativos dos procedimentos realizados e seu grau de invasividade.
Contenção cervical indicada para camundongos.
O manejo, a contenção e o confinamento adequados é outro ponto importante para evitar dor, sofrimento e
estresse. O uso de tranquilizantes ou anestésicos para contenção e imobilização deve observar as
peculiaridades de cada espécie. Prolongados períodos de contenção e/ou confinamento não são
recomendados e, caso seja estritamente necessário para o projeto, as avaliações das necessidades biológicas
devem ser mais frequentes e o animal deve ser removido ou a contenção deve ser modificada para minimizar
o impacto negativo sobre o seu bem-estar.
Destinação de animais, eutanásia e descarte
A proposta enviada para a aprovação da CEUA deve informar qual será o destino dos animais ao término dos
procedimentos. As possibilidades para destinação de animais são as seguintes: retorno aos locais de origem,
encaminhamento para pessoas idôneas ou entidades protetoras de animais devidamente legalizadas,
assegurando o bem-estar dos animais, ou submissão à eutanásia.
A eutanásia é regulamentada pela RN CONCEA nº 37/2018 e
os procedimentos devem ser realizados por profissionais
capacitados e supervisionados pelo RT médico-veterinário.
As técnicas utilizadas devem estar de acordo com o estágio
de desenvolvimento do animal e com as características da
sua espécie. É imprescindível estabelecer o ponto final
humanitário.
A morte humanitária deve estar de acordo com o Guia
Brasileiro de Produção, Manutenção ou Utilização de
Animais para Atividades de Ensino ou Pesquisa Científica do
CONCEA ou outra normativa que a substitua.
Segundo a RN CONCEA nº 37/2018, o ponto final humanitário é o momento no qual o encerramento
é antecipado para que a dor, o desconforto ou o distresse do animal sejam evitados, aliviados ou
finalizados por ações como a adoção de tratamento para aliviar a dor, o desconforto ou o distresse;
• 
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a interrupção de um procedimento doloroso; a exclusão do animal do estudo; ou a morte humanitária
do animal.
O ambiente para a realização da eutanásia deve ser silencioso e longe de outros animais. A morte deve ser
confirmada antes do descarte do corpo, que deve estar de acordo com os atos normativos vigentes, como a 
Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010).
Sempre que possível, os tecidos e outras estruturas do cadáver devem ser compartilhados entre professores
e pesquisadores em consonância com o princípio da redução do uso de animais.
O guia e seus capítulos
O Guia Brasileiro para Produção, Manutenção ou Utilização de Animais em Atividades de Ensino ou de
Pesquisa Científica objetiva orientaras práticas relacionadas às atividades de ensino e pesquisa que utilizam
animais não humanos, sempre tendo o bem-estar animal como ponto de partida e levantando questões éticas
importantes.
O não cumprimento das recomendações encontradas no guia pode incorrer em sanções
administrativas, bem como em sanções penais, caso sejam configurados maus tratos aos animais.
O guia apresenta definições teóricas sobre conceitos importantes e abrange técnicas de produção,
manutenção e utilização a serem empregadas nas instalações e pelos profissionais que realizam atividades
com animais para a melhoria do bem-estar animal, do aprendizado e do desenvolvimento científico.
Produção, manutenção, manejo, uso e destinação dos animais
Neste vídeo, apresentaremos as principais determinações do guia em relação à produção, à manutenção, ao
manejo, ao uso e à destinação dos animais.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
O termo eutanásia significa morte sem dor ou sofrimento (do grego eu – bom - e thanatos – morte). Portanto,
as técnicas de eutanásia devem respeitar as seguintes premissas:
A
Serem humanitárias, causando terror ou sofrimento ao animal.
B
Impressionar ou sensibilizar as pessoas que assistem ao ato.
C
Ter um tempo mínimo para a perda da consciência.
D
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/45769/pdfs/lei_12305_2010.pdf
Ser um método de fácil aplicação, ação rápida e alto custo.
E
Oferecer perigo ao profissional que o execute.
A alternativa C está correta.
Seja qual for o método eleito para se praticar a eutanásia, ele deve sempre ser executado por profissional
habilitado ou por técnicos treinados e sob supervisão. O local onde se realizará a eutanásia deve ser
afastado e separado de salas ou alojamentos de outros animais. Outro procedimento importante é a
avaliação da dor e do estresse a que o animal está submetido. Para isso, é indispensável que o profissional
responsável pela eutanásia conheça o comportamento do animal e suas respostas fisiológicas. Dentre as
premissas a serem atendidas, estão que as práticas sejam humanitárias, não causando terror ou sofrimento
ao animal; não impressionem ou sensibilizem as pessoas que assistem ao ato; permitam um tempo mínimo
para a perda da consciência; não produzam alterações que prejudiquem a interpretação das lesões; sejam
um método de fácil aplicação, ação rápida e baixo custo; não provoquem espalhamento de sangue pelo
local a fim de evitar contaminações; e não ofereçam perigo ao profissional que as execute.
Questão 2
Antes de realizarmos uma atividade de ensino ou de pesquisa que utilize animais não humanos, devemos
submeter o projeto de pesquisa ou atividade pedagógica à CEUA da instituição. Esse projeto deve conter
várias informações importantes para ajudar a deliberação da CEUA. Marque a alternativa que indica uma
informação importante para constar no projeto:
A
O modelo animal escolhido não precisa ser informado.
B
O número de vezes que o pesquisador/professor já utilizou o animal.
C
O sexo, a idade e o número de animais a serem utilizados não são importantes.
D
O ponto final humanitário.
E
A destinação dos animais utilizados é dispensável.
A alternativa D está correta.
O modelo animal deve ser informado no projeto, bem como a justificativa embasada teoricamente da
escolha. Características como sexo, idade e linhagem podem afetar a resposta a ser observada na
atividade e, por isso, também devem estar no projeto. O número de animais utilizados deve estar presente
e justificado, assim como sua destinação após o uso, incluindo o ponto final humanitário. A escolha da
quantidade dos animais deve sempre estar alinhada com a política dos 3Rs. Nenhuma atividade deve ser
iniciada antes do parecer positivo da CEUA, por isso nenhum animal pode ser utilizado antes da aprovação
por esta Comissão.
4. Conclusão
Considerações finais
A produção, a manutenção e a utilização de animais em ensino e em pesquisa científica necessitam de um
amplo conhecimento, que vai além da metodologia aplicada nos projetos de pesquisa ou de aulas práticas em
si, mas está associado com todas as variáveis que envolvem as questões éticas e legais relacionadas com
esse tema.
O conhecimento sobre essas questões ajuda a manter não somente a qualidade das práticas realizadas, mas
também contribui para garantir o bem-estar dos animais utilizados.
Por isso, a capacitação de todo pessoal envolvido em atividades de ensino e pesquisa científica que utilizam
animais não humanos deve ser realizada, conforme o determinado pela RN CONCEA n° 49/2021, para que seja
garantido o bem-estar dos animais envolvidos e para que as ações éticas e o respeito para com esses animais
sejam praticados por professores, pesquisadores, alunos e demais envolvidos.
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Ouça e confira como se deu a evolução legal e ética acerca do uso de animais não humanos em ensino e
pesquisa no mundo.
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Confira as indicações que separamos especialmente para você!
 
Pesquise e conheça mais sobre o Guia para Instalações e Cuidados com Animais de Laboratório - O Guia
(Guide for Laboratory Animal Facilities and Care - The Guide).
 
Leia a Declaração Universal dos Direitos Animais da UNESCO.
 
Pesquise e leia a publicação ARRIVE (Animal Research: Reporting of In Vivo Experiments) dos NC3Rs.
 
Conheça a lista dos métodos alternativos reconhecidos pelo CONCEA acessando o site do Ministério da
Ciência, Tecnologia e Inovação
 
Assista ao vídeo The 3Rs publicado no site NC3Rs.
 
Assista ao vídeo The importance of good experimental design and the consequences of getting it wrong 
publicado no site NC3Rs.
Referências
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 1988.
 
BRASIL. Lei nº 9.605 de 1998. Lei de Crimes Ambientais. Brasília, 1998.
 
BRASIL. Lei nº 11.794 de 8 de outubro de 2008. Regulamenta o inciso VII do § 1º do art. 225 da Constituição
Federal, estabelecendo procedimentos para o uso científico de animais. Brasília: Diário Oficial [da] República
Federativa do Brasil, Brasília, 2008.
 
BRASIL. Decreto nº 6.899 de 15 de julho de 2009. Regulamentação da Lei nº 11.794, de 8 de outubro de 2008,
que dispõe sobre procedimentos para o uso científico de animais. Brasília: Diário Oficial [da] República
Federativa do Brasil, 2009.
 
CLIPPINGER, A. J. et al. Pathway-based predictive approaches for non-animal assessment of acute inhalation
toxicity. Toxicology in Vitro, v. 52, p. 131-145, 2018.
 
CONSELHO NACIONAL DE CONTROLE DE EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL. CONCEA. Resolução Normativa nº 18.
Reconhece métodos alternativos ao uso de animais em atividades de pesquisa no Brasil, nos termos da
Resolução Normativa nº 17, de 03 de julho de 2014, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília,
2014.
 
CONSELHO NACIONAL DE CONTROLE DE EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL. CONCEA. Diretriz Brasileira para o
Cuidado e a Utilização de Animais para Fins Científicos e Didáticos - DBCA. Ministério da Ciência, Tecnologia e
Inovação: Brasília, 2013.
 
CONSELHO NACIONAL DE CONTROLE DE EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL. CONCEA. Resolução Normativa nº 24.
Dispõe sobre os procedimentos para abertura de processo administrativo no Conselho Nacional de Controle
de Experimentação Animal - CONCEA para apuração de infração administrativa. Diário Oficial da União,
Brasília, 2015.
 
CONSELHO NACIONAL DE CONTROLE DE EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL. CONCEA. Resolução Normativa nº 25.
Baixa o Capítulo "Introdução Geral" do Guia Brasileiro de Produção, Manutenção ou Utilização de Animais para
Atividades de Ensino ou Pesquisa Científica do Conselho Nacional de Controle e Experimentação Animal -
CONCEA. Diário Oficial da União, Brasília, 2015.
 
CONSELHO NACIONAL DE CONTROLE DE EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL. CONCEA. Resolução Normativa nº 30.
Diário Oficial da União, Brasília, 2016.
 
CONSELHO NACIONAL DE CONTROLE DE EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL. CONSELHO NACIONAL DE CONTROLE
DE EXPERIMENTAÇÃOANIMAL. CONCEA. Resolução Normativa nº 31. Reconhece método alternativo ao uso
de animais em atividades de pesquisa no Brasil. Diário Oficial da União, Brasília, 2016.
 
CONSELHO NACIONAL DE CONTROLE DE EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL. CONCEA. Resolução Normativa nº 37.
Baixa a Diretriz da Prática de Eutanásia do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal –
CONCEA. Diário Oficial da União, Brasília, 2016.
 
CONSELHO NACIONAL DE CONTROLE DE EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL. CONCEA. Resolução Normativa nº 49.
Dispõe sobre a obrigatoriedade de capacitação do pessoal envolvido em atividades de ensino e pesquisa
científica que utilizam animais. Diário Oficial da União, Brasília, 2021.
 
CONSELHO NACIONAL DE CONTROLE DE EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL. CONCEA. Resolução Normativa nº 50.
Dispõe sobre os critérios e procedimentos para emissão, extensão, revisão, suspensão, reativação, renovação
e cancelamento do Credenciamento Institucional para Atividades com Animais em Ensino ou Pesquisa - CIAEP
das instituições que produzem, mantém ou utilizam animais em atividades de ensino ou pesquisa científica, a
vinculação dos centros públicos ou privados que utilizam animais em atividades de ensino a instituições
credenciadas pelo Conselho Nacional de Controle de Experimental Animal - Concea. Diário Oficial da União,
Brasília, 2021.
 
CONSELHO NACIONAL DE CONTROLE DE EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL. CONCEA. Resolução Normativa nº 51.
Dispõe sobre a instalação e o funcionamento das Comissões de Ética no Uso de Animais - CEUAs e dos
biotérios ou instalações animais. Diário Oficial da União, Brasília, 2021.
 
CONSELHO NACIONAL DE CONTROLE DE EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL. CONCEA. Resolução Normativa nº 52.
Dispõe sobre os formulários unificados para solicitação de autorização para uso de animais em ensino ou
pesquisa científica e sobre a autorização e certificação pelas Comissões de Ética no Uso de Animais – CEUAs.
Diário Oficial da União, Brasília, 2021.
 
CONSELHO NACIONAL DE CONTROLE DE EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL. CONCEA. Resolução Normativa nº 53.
Dispõe sobre restrições ao uso de animais em ensino, em complemento à Diretriz Brasileira para o Cuidado e a
Utilização de Animais em Atividades de Ensino ou de Pesquisa Científica - DBCA. Diário Oficial da União,
Brasília, 2021.
CONSELHO NACIONAL DE CONTROLE DE EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL. CONCEA. Resolução Normativa nº 54.
Dispõe sobre o reconhecimento de métodos alternativos ao uso de animais em atividades de ensino e
pesquisa científica e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 2021.
 
CONSELHO NACIONAL DE CONTROLE DE EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL. CONCEA. Resolução Normativa nº 55.
Atualiza o texto da Diretriz Brasileira para o Cuidado e a Utilização de Animais em Atividades de Ensino ou de
Pesquisa Científica – DBCA. Diário Oficial da União, Brasília, 2021.
 
FILIPECKI, A.; LABARTHE, N.; CAVALHEIRO, M. Trabalho Legal: procedimentos e regulamentos para uso de
animais em ensino ou pesquisa. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2016.
 
KRELL, A. J.; LIMA, M. V. C. A vedação constitucional de práticas cruéis contra animais e a correta
interpretação das normas legais sobre vivissecção pelas comissões de ética no uso de animais. Revista
Brasileira de Direito Animal. v. 10, n. 19, p. 113-153, 2015.
	Capacitação para o uso de animais não humanos em atividades de ensino e pesquisa | Discente
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Aspectos históricos e éticos no uso de animais não humanos em ensino e pesquisa científica
	Histórico do uso de animais não humanos em ensino e pesquisa
	Reduce
	Refine
	Replace
	Curiosidade
	Os 3Rs: ética, bioética, dignidade e bem-estar animal
	Substituição (Replacement)
	Total
	Parcial
	Redução (reduction)
	Saiba mais
	Refinamento (Refinement)
	Atenção
	Método alternativo: significado e importância
	Comentário
	Importância dos 3Rs e dos métodos alternativos
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Aspectos legais no uso de animais não humanos em ensino e pesquisa científica
	Histórico da legislação brasileira
	Projeto/proposta de lei (PL)
	Lei
	Decreto
	Atos normativos
	Curiosidade
	A Lei Arouca, seu decreto e a criação do CONCEA
	Atenção
	CIUCA e o CIAEP
	Comentário
	Penalidades e fiscalização
	A CEUA
	Solicitação de autorização para desenvolvimento de um projeto
	Atenção
	Principais questões sobre a atuação do CONCEA e das CEUAs
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Cuidado e prática na produção, manutenção ou utilização de animais não humanos para atividades de ensino ou pesquisa científica
	Modelos animais
	Atenção
	Responsabilidades éticas e de garantia do bem-estar animal
	Dor e estresse
	Destinação de animais, eutanásia e descarte
	O guia e seus capítulos
	Produção, manutenção, manejo, uso e destinação dos animais
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referências

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