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Serviço social e os movimentos sociais
A atuação do assistente social, mediado por seu conselho profissional, nos movimentos sociais.
Prof.ª Zilda Santos
1. Itens iniciais
Propósito
Compreender a atuação do assistente social no contexto dos movimentos sociais é importante para o
profissional identificar-se como ativista e gozador de seus efeitos. E, assim, potencializar seus usuários a
fazer parte desses movimentos, manter os direitos garantidos e conquistar novos direitos.
Objetivos
Analisar a atuação do assistente social no cenário dos direitos sociais e trabalhistas.
Reconhecer a importância dos conselhos de classe para a prática profissional.
Identificar a importância do conjunto CFESS/CRESS.
Reconhecer os desafios e as potencialidades do trabalho do assistente social no âmbito dos 
movimentos sociais.
Introdução
Os movimentos sociais são ações coletivas que acontecem na sociedade a fim de defender ou requisitar
melhorias para um bem comum. No Brasil, os movimentos sociais sempre foram importantes para pressionar o
Estado a implementar a proteção social.
Neste conteúdo, analisaremos o papel dos movimentos sociais na conquista dos direitos sociais e trabalhistas
e a atuação do assistente social nessa seara. A categoria do serviço social representa um movimento social
em si e atua diretamente em outros movimentos sociais. Por isso, veremos também o trabalho profissional
com direitos sociais e trabalhistas, a constituição dos conselhos de classe e sua importância para o processo
de trabalho e a atuação do Conselho Federal de Serviço Social (Cfess) e do Conselho Regional de Serviço
Social (Cress).
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Manifestação trabalhista promovida pelo Departamento
de Imprensa e Propaganda e realizada no Rio de
Janeiro, 1940.
1. Assistentes sociais e os direitos sociais e trabalhistas
O assistente social no cenário de lutas sociais
Neste vídeo, apresentamos elementos a partir da prática profissional que explicitam a relação entre os direitos
sociais e o serviço social.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Para falar da atuação do assistente social no contexto dos direitos sociais e trabalhistas faz-se necessário
retomar a importância dos movimentos sociais para as conquistas de tais direitos.
Os direitos trabalhistas foram conquistados a partir da luta por melhores condições de trabalho, limite de
carga horária semanal, gozo de férias e 13º salário.
Na década de 1940, ocorreu a homologação da
Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). O
Brasil vivenciava uma crise diante da pressão
da classe trabalhadora nesse período marcado
pela industrialização e pela urbanização de
certas regiões, mas sem acompanhar as
necessidades reais dos trabalhadores que
viviam em condições ruins e insalubres.
O trabalho é um direito social — assim como a
saúde, a educação e a assistência social —
homologado pela Constituição Federal de 1988.
O direito à saúde e à educação, por exemplo,
para ser efetivado, precisou de luta coletiva de
diversos setores da sociedade civil organizada.
Nesse cenário, houve a contribuição do serviço social enquanto categoria profissional que apoia os
movimentos sociais que buscam defender a efetivação da cidadania e da democracia. Essa defesa advém do
Projeto Ético-Político da profissão, uma vez que o assistente social faz parte da divisão sociotécnica do
trabalho com o trabalhador e como tal vende sua força de trabalho.
Raichelis (2011) traz a seguinte reflexão, que contribui para que se compreenda a atuação do assistente social
no contexto dos direitos sociais e trabalhistas:
O serviço social como profissão emerge na sociedade capitalista em seu estágio monopolista, contexto
em que a questão social, pelo seu caráter de classe, demanda do Estado mecanismos de intervenção
não apenas econômicos, mas também políticos e sociais. Sua institucionalização relaciona‑se assim à
progressiva intervenção do Estado no processo de regulação social, momento em que as sequelas e as
manifestações da questão social se põem como objeto de políticas sociais, em dupla perspectiva: seja
no sentido de garantir condições adequadas ao pleno desenvolvimento capitalista e a seus processos de
acumulação privada em benefício do grande capital monopolista; e, simultânea e contraditoriamente, no
sentido responder, por vezes antecipar‑se, às pressões de mobilização e de organização da classe
operária, que exige o atendimento de necessidades sociais coletivas e individuais derivadas dos
processos de produção e reprodução social.
(RAICHELIS, 2011, p. 423)
A atuação do assistente social é fundamentada nos direitos sociais, no aparato legal da profissão:
Código de Ética profissional Lei de Regulamentação da Profissão (Lei
nº 8.662/93)
Projeto Ético-Político
Vale ressaltar que todos foram alcançados depois da Constituição Federal de 1988, pois, assim como os
direitos sociais, o serviço social também nas décadas de 1970 e de 1980 passou por momentos de
transformações, o chamado movimento de reconceituação.
Em todos os espaços sócio-ocupacionais, o assistente social atua com direitos sociais, e por isso na sua
atuação deve ficar atento à rede de proteção social e conhecer sobre os serviços implementados nas áreas
dos direitos sociais. Contudo, há também a necessidade do conhecimento específico pertinente ao nicho de
atuação. O assistente social que atua na educação deve conhecer sobre política de educação, respaldar-se
nas diretrizes profissionais para atuação nessa área, bem como conhecer os demais direitos e serviços
públicos para que possa melhor orientar seus usuários. 
Dica
O compromisso para formação continuada é fundamental para dar conta dessa complexidade que exige
formação profissional e capacitação técnica e científica, uma vez que os direitos sociais são amplos e
interligados e estão presentes no cotidiano do assistente social. 
Os direitos trabalhistas, para além de serem um direito social, contemplam vários outros direitos fundamentais
para a vida, sobretudo em momentos de adoecimento e de velhice. Nesse contexto, as reformas ligadas aos
direitos trabalhistas afetam várias outras áreas dos direitos sociais. 
O assistente social deve reconhecer que as alterações no mundo trabalho também impactam seu
processo de trabalho no atendimento às demandas apresentadas em diversos nichos, além de seus
próprios vínculos empregatícios, salários e condições de trabalho.
Abordar a questão dos direitos sociais e trabalhistas no contexto da atuação do trabalho do assistente social
é reconhecer que esse profissional fez parte dessas conquistas e, dessa forma, faz parte dos movimentos
sociais que lutam para a manutenção e as melhorias delas.
O papel do assistente social na implementação dos
direitos
Neste vídeo, mostramos como o cotidiano do assistente social deve estar focado na implementação e na
garantia de direitos.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
O processo de trabalho do assistente social é constantemente desafiador, tendo que lidar com questões
como: contratos temporários, baixos salários, ausência de concursos e de oferta de serviços públicos,
condições precárias de trabalho, demandas complexas etc.). Outro desafio é a ausência do Estado na oferta
de proteção social. Nesse sentido, é importante considerar a conjuntura da sociedade brasileira — um país
capitalista que sofre constantes influências nos cenários político, econômico, social e cultural, os quais
impactam o trabalho do assistente social.
Desde a homologação dos direitos sociais e trabalhistas, existe uma contracorrente que tenta
acabar com esses direitos, sob a ideologia do neoliberalismo, que prevê a presença do mercado no
direcionamento do Estado na proteção social.
O neoliberalismo prediz que os gastos sociais devem ser cortados pelo Estado, que o Estado deve investir no
setor econômico. Contudo, em um país com tamanha desigualdade social como o Brasil, é impossível realizar
essa implementação, uma vez que as reformas nos direitos sociais já conquistadosimpactam negativamente
aqueles que dependem da proteção social do Estado. Nesse contexto, o Conselho Federal de Serviço Social
(Cfess) afirma que:
Assistente social realizando um atendimento em uma
das unidades do Creas, Belém, 2019.
O/a assistente social possui uma formação profissional que o/a habilita teórica, técnica e politicamente
para atuar nas expressões da questão social, em suas diferentes formas de manifestação. As condições
objetivas de vida da classe trabalhadora, marcadas pela fome, desemprego, violência, exclusão do
acesso aos direitos como saúde, previdência, moradia, educação, transporte e assistência social,
constituem a base material de sua intervenção profissional. Por isso, sua atuação exige competências
que vão desde o reconhecimento crítico de necessidades sociais não contempladas no campo dos
direitos até a formulação e a gestão de políticas sociais e formas de mobilização e de organização
política.
(CFESS, 2011, p. 2)
O CFESS reconhece os desafios do cotidiano profissional e por isso tenta direcionar o trabalho por meio de
documentos oficiais sobre a atuação do assistente social nas diversas áreas do direito social.
O assistente social é um profissional generalista, ou seja, que compreende a realidade social a partir de uma
visão ampla; que considera os aspectos sociais, políticos, culturais e econômicos, bem como as promessas
constitucionais e a conjuntura da sociedade capitalista.
Pensar nos desafios profissionais é reconhecer que o
assistente social é formado para contribuir para efetivação
dos direitos sociais, e não para os desmontes deles — ainda
que esses desmontes impactem diretamente no seu
processo de trabalho, tanto por este ser um trabalhador
como por essa situação contribuir para o agravamento da
desigualdade social.
Podemos ilustrar os desafios nessa seara dos desmontes
com a Reforma Trabalhista de 2017, que atingiu diretamente
os direitos trabalhistas já conquistados, sob uma promessa
de aumento do campo de trabalho que não se efetivou. Para
os demais direitos sociais, como saúde, educação e
assistência social, temos o exemplo da Emenda Constitucional 95/2016, que estabelece um novo regime fiscal
e congela o teto de gastos para áreas sociais.
A partir disso, tem-se a limitação de investimento, por exemplo, na área de ciência e tecnologia, que é
fundamental para a sociedade brasileira. Além disso, a pandemia da covid-19, presente ainda nos tempos
atuais, tornou esse cenário ainda mais desafiador, uma vez que, junto com a crise sanitária, o Brasil teve uma
crise social que evidenciou a situação de desproteção no país.
Ato público de assistentes sociais realizado em Brasília, 2017.
Apesar de a atuação do assistente social nos contextos dos direitos sociais e trabalhistas ser desafiadora
nesse cenário de desproteção social, o profissional deve lutar pela defesa desses direitos conforme prevê seu
Código de Ética Profissional. É importante considerar que a participação social pode ser potencializada pelo
assistente social no atendimento aos seus usuários.
Portanto, o contexto desafiador não pode ser motivo para não atuação conforme os princípios éticos
profissionais. É sempre importante reconhecer o valor da luta coletiva na defesa dos direitos sociais, pois foi
assim que se alcançaram as conquistas.
O assistente social é fundamental nesse cenário, por ser um profissional capacitado em fazer com que os
outros compreendam de forma crítica a realidade social e em oferecer estratégias de enfrentamento que vão
ao encontro dos princípios constitucionais e éticos da profissão.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Sobre a prática do assistente social de potencializar a população usuária dos seus serviços a participar dos
movimentos sociais, é possível afirmar que
A
relaciona-se aos movimentos terem sido importantes para as conquistas dos direitos desfrutados hoje.
B
ocorre quando esses profissionais atuam na gestão de recursos humanos.
C
é considerada antiética, uma vez que a participação social deve ser voluntária.
D
qualquer prática relacionada aos direitos sociais e trabalhistas deve ser implementada pelos operadores do
direito.
E
como as demais práticas do cotidiano desse profissional, relaciona-se aos ideais das instituições que o
contratam.
A alternativa A está correta.
A potencialização que o assistente social pode realizar em seus atendimentos, na perspectiva dos direitos
sociais e trabalhistas, parte do princípio de que esses direitos foram conquistados por meio dos
movimentos sociais. Hoje, os movimentos sociais são fundamentais para manter e melhorar esses direitos,
na busca por sua efetivação.
Questão 2
O assistente social sofre impactos da situação de desmontes sociais no que diz respeito à prática profissional
e à sua relação de trabalho. Nesse sentido, em que consiste o desafio de seu processo de trabalho?
A
Na burocracia; contudo, por esse profissional ter estabilidade, consegue enfrentar de forma tranquila.
B
Em condições precárias de trabalho, contratos temporários, baixo salário, ausência de concursos e de ofertas
de serviços públicos e demandas complexas.
C
Na complexidade do cumprimento de sua função de executar as políticas sociais.
D
Na dificuldade em entender as demandas, uma vez que esse profissional também gera demandas.
E
Na ineficiência e na fragilidade do acompanhamento das demandas, porque as transformações societárias
ocorrem de forma constante.
A alternativa B está correta.
O processo de trabalho do assistente social é desafiador, porque ele está inserido na divisão sociotécnica
do trabalho e também devido à desproteção social. Esses fatores impactam tanto na forma como esse
profissional é contratado, salário e condições de trabalho, como também nas demandas serem
apresentadas de forma mais complexa.
Posto de atendimento de assistência social em
Cajamar, 2018.
2. Construção dos conselhos de classe
Contextualizando o surgimento dos conselhos de classe
Neste vídeo, explicamos a importância e a relação dos conselhos de classe com a regulamentação da
profissão de assistente social.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Os conselhos de classes são fundamentais para a organização da categoria profissional. São esses conselhos
que estruturam as normativas que regem a profissão, bem como dão suporte jurídico e político diante dos
acontecimentos do cotidiano profissional.
Toda profissão regulamentada tem o seu conselho de classe, o qual irá direcionar a prática profissional de
forma ética e jurídica. Os conselhos de classes são fundamentais para luta da categoria profissional no avanço
da defesa dos direitos e dos deveres dos profissionais.
É preciso considerar a função normativa dos conselhos, que é fiscalizar a prática profissional, mas também
contribuir para melhoria das condições de trabalho.
Um exemplo disso é o fato de, no código de
ética profissional do assistente social, ter sido
estabelecida, entre as condições de trabalho, a
necessidade de uma estrutura física para
atendimento que preserve o sigilo profissional.
Quando tal condição não é atendida, o
profissional e/ou o usuário podem acionar o
conselho profissional.
O serviço social tem como conselhos de classe
o Conselho Regional de Serviço Social (Cress) e
o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS),
os quais fiscalizam e acompanham o cotidiano
profissional da área. O Decreto nº 994, de 15 de
maio de 1962, regulamentou a profissão do
assistente social no Brasil e criou esses conselhos.
É necessário considerar as mudanças ocorridas dentro da categoria do serviço social que
representaram sua maturidade teórica e metodológica. Essas mudanças tiveram como protagonista
o seu conselho de classe, que organizou encontros para discussões e reflexões críticas da atuação
do profissional.
Vale destacar que, concomitante a esse cenário, o Brasil vivenciava mudanças na conjuntura da sociedade,
entre elas o fim do período da ditadura militar e o surgimento de diversos movimentos sociais que lutaram
pelos direitossociais homologados pela Constituição Federal de 1988. Essas transformações de cunho social,
econômico, político e estrutural impactaram o direcionamento para mudança do serviço social numa
perspectiva mais crítica, uma vez que o Projeto Ético-Político da profissão prevê o apoio aos movimentos
sociais que buscam uma sociedade mais justa e humanitária.
Manifestação dos sindicatos pela Constituinte em Brasília, 1987.
A respeito da trajetória do contexto histórico do serviço social no Brasil, é importante ressaltar a primeira
escola que foi criada em 1936 inicialmente sobre influência da Igreja Católica sob viés caritativo e
assistencialista. A regulamentação da profissão ocorreu nesse momento, e a criação dos conselhos de classe
posteriormente, em 1962.
Ao reconhecer o pertencimento à divisão sociotécnica do trabalho, a profissão se organiza por meio de
normativas para acompanhar o processo de trabalho. 
O conselho de classe torna-se fundamental na organização desse processo de mudanças
denominado movimento de reconceituação.
Entre as diretrizes dos conselhos de classe para disciplinar, normatizar e fiscalizar está a ética, que é
fundamental para direcionar a profissão na sua relação com os usuários, com as instituições que o contratam
e com outros profissionais.
Oliveira e Chaves (2017) trazem as seguintes contribuições:
A ética passa a ser entendida no movimento dinâmico da história, determinado pelas relações sociais de
produção. Dessa forma, o código de ética compõe-se não apenas de elementos que embasam a
formação profissional no campo do dever ser, mas de elementos referentes ao exercício profissional. O
compromisso com a classe trabalhadora se apresenta como o princípio da nova ética, que a partir desse
código aponta para a necessidade de superação da visão acrítica, que se coloca acima dos interesses
de classe e acredita em valores universais. Esse entendimento contido no código configura uma
oposição ao neotomismo, aproximando-se do pensamento marxiano, defendido pela vertente de
intenção de ruptura, cuja politização demarca o posicionamento da prática profissional, voltada aos
interesses dos usuários, entendidos como sujeitos históricos pertinentes a uma classe social.
(OLIVEIRA; CHAVES, 2017, p. 155)
Os conselhos de classe direcionam a sua organização para atender às necessidades sociais na tentativa de
contribuir para o enfrentamento das desigualdades sociais e, no caso do serviço social, para se fortalecer
como classe trabalhadora.
Os conselhos de classes direcionam e organizam as profissões regulamentadas no Brasil e são fundamentais
para a defesa tanto do profissional como dos usuários. É importante destacar que os conselhos de classes
sofrem influência dos contextos econômico, político, social e cultural, uma vez que o direcionamento da
sociedade influencia diretamente no fazer profissional.
Objetivos e avanços dos conselhos de classe
Cfess e os desafios da profissão
Neste vídeo, pontuamos como o suporte dos conselhos de classe são fundamentais para que o profissional do
serviço social enfrente os desafios da profissão.
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Os conselhos de classe têm como objetivos disciplinar, normatizar e fiscalizar as profissões regulamentadas.
O seu surgimento ocorreu a partir da década de 1950 no Brasil, juntamente com o processo de
regulamentação de algumas profissões. Além disso, é possível reconhecer que os conselhos trazem diretrizes
para atuação profissional e realizam intervenções, por exemplo, quando há entendimento equivocado do fazer
profissional.
Como exemplo de diretrizes para atuação profissional, o CFESS tem documentos que direcionam o fazer
profissional do assistente social nas áreas da saúde, da educação e na política de assistência social. Confira:
Parâmetros para atuação do assistente
social na saúde.
Subsídios para atuação do assistente
social na política de educação.
Parâmetros para atuação do assistente
social na política de assistência social.
Esses documentos são fundamentados no(a): Código de Ética Profissional; Lei de Regulamentação da
Profissão; Projeto Ético-Político; Política Nacional da Saúde; Política Nacional de Educação; Estatuto do Idoso
e Estatuto da Criança e Adolescente, por exemplo. Também consideram os contextos social, econômico,
político e cultural e a participação social.
Isso ilustra o avanço dos conselhos profissionais em poder participar mais ativamente da realidade dos
profissionais e dialogar com usuários, propondo estratégias de enfrentamento que vão ao encontro das reais
necessidades deles.
É importante considerar nesse cenário os desafios enfrentados pelos conselhos de classe, como a sua
manutenção e a influência de ideologias que contradizem seus princípios éticos e profissionais. Sobre esses
desafios, os quais estão interligados com os desafios profissionais, Freitas (2021) aponta:
Ato público realizado por assistentes sociais durante o
15º CBAS, em Olinda, 2016.
No período de pandemia, um dos maiores desafios trazidos por assistentes sociais foram as precárias
condições de trabalho e os parcos recursos para seu desenvolvimento, tendência anterior ao período de
emergência sanitária e que se agrava neste momento. Menciona-se ausência de EPIs e condições
sanitárias, e redução de equipes com afastamento de profissionais dos chamados grupos de risco.
Menciona-se também aumento de situações de assédio moral, sobretudo a profissionais que participam
de espaços coletivos e de denúncia às situações precárias de trabalho e de atendimento. Relata-se que
profissionais que se posicionam sobre projetos em disputa em meio à pandemia, por vezes recebem
acusação como se estivessem agindo de maneira “desumana”, com evocação de legitimidade no período
de crise e calamidade para reforçar requisições conservadoras ao trabalho de assistentes sociais,
buscando esteio em argumentos que trazem à baila concepções como “bem comum” ou “empatia”. A
“desumanidade” tem como parâmetro a concepção de humanismo cristão.
(FREITAS, 2021, p. 668)
Todas essas situações levaram o Conselho Federal de Serviço Social a se manifestar em defesa do
profissional e dos usuários. Esses desafios postos no cotidiano profissional levantam a questão da
importância dos conselhos profissionais para o enfrentamento de dilemas que vão contra os princípios éticos
e profissionais.
A fim de saber quais os caminhos éticos seguir para enfrentar tal situação, os profissionais devem estar a par
do aparato normativo do serviço social, como: Código de Ética profissional, Lei de Regulamentação da
Profissão e Projeto Ético-político profissional.
Além do contexto da pandemia de covid-19, outro desafio
profissional são as reformas nas legislações trabalhistas e
previdenciárias, que afetam o processo de trabalho do
assistente social, já que esse faz parte da divisão
sociotécnica do trabalho, ou seja, pertence à classe
trabalhadora.
Portanto, os desafios e os objetivos dos conselhos de
classe (no caso do serviço social, CFESS e CRESS) voltam-
se a dar conta da complexidade que envolve trabalho
profissional e realidade social. Esses conselhos são
fundamentais para a respectiva categoria profissional e
representam a materialização de suas conquistas, uma vez
que se faz necessário disciplinar a profissão e torná-la efetiva na sociedade. No caso do serviço social, apesar
dos grandes avanços na profissão, por meio da perspectiva crítica,é possível perceber que o campo ainda
hoje carrega a identidade dos seus primórdios (ideologia cristã). Nesse contexto, o CFESS e o CRESS tornam
efetiva a profissão como crítica e propositiva, em defesa da democracia e dos direitos sociais.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Os conselhos de classe são fundamentais para as profissões regulamentadas. Sobre a atuação desses
conselhos, é possível afirmar que
A
fiscalizam e punem os profissionais; já as instituições que contratam o profissional são fiscalizadas pelo
Estado.
B
fiscalizam se as profissões seguem as normativas conformedeterminadas pelo Estado.
C
estruturam as normativas que regem a profissão, bem como dão suporte jurídico e político diante dos
acontecimentos do cotidiano.
D
disciplinam as profissões de forma conservadora para atender aos interesses do capitalismo.
E
formalizam acordos, que podem gerar conflitos de interesses, para melhorar o cotidiano profissional.
A alternativa C está correta.
Os conselhos de classe foram criados para normatizar, disciplinar e fiscalizar as profissões, tendo também
o papel fundamental de dar suporte, por meio de normativas, para os acontecimentos que fazem parte do
cotidiano profissional, os quais desafiam o fazer profissional.
Questão 2
No caso do serviço social, representam a categoria o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e os
Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS). Sobre eles, é correto afirmar que
A
orientam a profissão a partir da ideologia cristã.
B
constroem suas normativas a partir dos princípios neoliberais.
C
fiscalizam o fazer do profissional quando há prejuízo para a instituição.
D
disciplinam a categoria a partir de uma perspectiva crítica aos princípios neoliberais.
E
reproduzem a perspectiva assistencialista da profissão.
A alternativa D está correta.
O CFESS e o CRESS orientam a profissão sob uma perspectiva crítica de enfrentamento às ideologias do
neoliberalismo. Buscam estimular uma prática profissional que contribua para ampliação da cidadania e da
democracia.
3. Objetivos, avanços e desafios do CFESS/CRESS
Objetivos do conjunto CFESS/CRESS
Neste vídeo, destacamos a presença e a importância dos instrumentos normativos do serviço social no
cotidiano do assistente social.
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O conjunto CFESS/CRESS representa o conselho profissional do assistente social e tem papel fundamental
para a defesa e a legitimação da categoria profissional. Criado em 1950, esse conjunto tem o objetivo de
normatizar e fiscalizar o exercício profissional do serviço social nas relações com usuários, com os
profissionais de outras categorias e com a instituição que o contrata.
Os CFESS/CRESS são autarquias públicas e têm como objetivo orientar, disciplinar, normatizar,
fiscalizar e defender o fazer profissional do assistente social. Suas atribuições e competências estão
contidas na Lei nº 8662/1993 e no Código de Ética profissional.
O código do assistente social estabelece as seguintes atribuições do conjunto:
Art. 1º Compete ao Conselho Federal de Serviço Social: a- zelar pela observância dos princípios e das
diretrizes deste código, fiscalizando as ações dos conselhos regionais e a prática exercida pelos
profissionais, instituições e organizações na área do serviço social; b- introduzir alteração neste código,
através de uma ampla participação da categoria, num processo desenvolvido em ação conjunta com os
conselhos regionais; c- como Tribunal Superior de Ética Profissional, firmar jurisprudência na
observância deste código e nos casos omissos. […] Compete aos conselhos regionais, nas áreas de suas
respectivas jurisdições, zelar pela observância dos princípios e das diretrizes deste código, e funcionar
como órgão julgador de primeira instância
(CFESS, 1993, n. p.)
O conjunto tem um papel fundamental para dar visibilidade profissional à sociedade, a partir de orientações,
construções de documentos norteadores para o fazer profissional, documentos que instruem a formação
profissional, a supervisão de estágio, dentre outras particularidades que envolvem a categoria do serviço
social.
Durante a pandemia de covid-19, observou-se a importância desse conjunto no posicionamento em defesa do
fazer profissional, uma vez que houve equívoco no entendimento do fazer profissional, sendo um deles
determinar ao assistente social a comunicação do óbito.
Evento promovido pelo CRESS em Natal, 2018.
Tal situação levou à discussão sobre a
compreensão do fazer profissional pelas
instituições que contratam o assistente social.
Nesse contexto, os CFESS/CRESS, ao longo
dos anos, têm promovido eventos (encontros,
congressos, seminários) que discutem o fazer
profissional e os seus desafios, além de
construir documentos que o direcionam.
É importante, então, que os profissionais
conheçam os instrumentos normativos da
profissão (Código de Ética, Lei nº 8662/93 e
Projeto Ético-Político) e busquem implementá-
los na prática profissional para superar os
desafios do cotidiano profissional e lutar contra ideologias que contradizem os princípios éticos do assistente
social.
Os CFESS/CRESS normatizam os cursos de graduação do serviço social e o processo de trabalho do
assistente social. No atual cenário, existem dois aspectos importantes para reflexão:
O impacto da reforma trabalhista
Contribui para a precarização do trabalho na
forma de desregulamentação, contratos
precários, baixos salários, alta demanda e
aumento da complexidade das demandas.
A redução da oferta de vagas de
concurso público
Prejudica não somente o profissional de
assistência social como também o usuário dos
serviços públicos.
Desde a criação do conjunto e a luta para melhoria da categoria profissional, reconhece-se os avanços
conquistados no decorrer dessas décadas, principalmente no que diz respeito às normativas que impactam
diretamente o fazer profissional.
O conjunto CFESS/CRESS deve ser considerado pelo profissional não apenas um órgão fiscalizador que irá
punir, mas um órgão que irá proteger, reconhecendo que essa fiscalização é fundamental para o exercício
profissional.
Vale destacar ainda o compromisso ético-político da categoria profissional, com os usuários e com a
sociedade, de prezar pela qualidade dos serviços prestados e pela ética profissional.
Avanços e desafios do conjunto CFESS/CRESS
Neste vídeo, apresentamos o caráter crítico, propositivo e normatizador da profissão, a partir do conjunto
CFESS/CRESS.
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Pensar nos avanços e nos desafios do conjunto é reconhecer que ele sofre impacto dos contextos social,
econômico, político e cultural; que esse conjunto está inserido numa sociedade capitalista com ideologias
contraditórias aos princípios éticos do serviço social. Nesse cenário, os desafios estão no processo de
trabalho da profissão, entre eles o desrespeito à Lei nº 12.317/2010, que regulamenta a jornada de trabalho de
30 horas semanais, e a ausência de uma legislação que defina o teto para pagamento desse profissional.
Os dois exemplos citados ilustram os desafios do conjunto CFESS/CRESS em propor condições de trabalho
com qualidade ao profissional, e isso leva à discrepância salarial dentro da categoria profissional, bem como à
diferença das condições de trabalho.
Atendimento à população em situação de rua e
vulnerabilidade social realizado no Centro POP em
Belém, 2019.
Ressalta-se, ainda, o impacto do agravamento
das desigualdades sociais para a categoria
profissional. No contexto de desproteção
social, a ausência do Estado por meio de
políticas públicas e sociais contribui para
ausência de respostas às demandas sociais,
tornando-as cada vez mais complexas.
O CFESS (2012) traz a seguinte reflexão:
A vida social está, na sua totalidade, submetida cada vez mais ao domínio e aos objetivos de
acumulação do capital. Diante disso, as relações sociais vêm passando por profundas transformações,
que colocam na ordem do dia a necessidade de conhecer as múltiplas determinações da realidade. Do
ponto de vista da formação e do exercício profissional, as questões a serem refletidas e aprofundadas
pelo serviço social se encontram nos campos da economia, da política e da cultura. As transformações
societárias em curso resultam das necessidades do capital de se recuperar de sua própria crise, e esse
movimento tem empreendido reconfigurações da relação entre Estado e sociedade, o
redimensionamento das lutas sociais e o aprofundamento da “questão social”, assim como a destruição
de diversos direitos e das políticas públicas correspondentes, atingindofrontalmente os espaços sócio-
ocupacionais da profissão, além de ampliar a precarização das condições de vida da população.
(CFESS, 2012, p. 7-8)
Esse cenário descreve a realidade social, que é complexa e de difícil intervenção, principalmente no contexto
de desmontes dos direitos sociais. O assistente social deve ter compromisso com a ampliação do acesso aos
direitos sociais e reprimir toda ação contrária a essa implementação.
Isso impacta o direcionamento do conjunto, uma vez que esses órgãos defendem a categoria profissional. É
diante desses desafios que o assistente social deve buscar o apoio da categoria profissional como meio de
construir estratégias de enfrentamento e, assim, fortalecê-la.
Ressaltam-se, também, as conquistas do conjunto ao longo dos anos, como a homologação de normativas
que envolvem o trabalho profissional. Dentre essas normativas, estão:
Reconhecimento do assistente social como profissional de saúde.
Regulamentação da jornada de trabalho.
Contribuição para o aumento de vagas nos serviços públicos, destacando-se o trabalho realizado para
organização de concurso no Instituto Nacional de Serviço Social (INSS).
Construção de documentos que trazem diretrizes para o fazer profissional nas áreas da educação, da
saúde e da política de assistência social.
Construção de grupo de trabalho.
É importante mencionar ainda a presença do conjunto em discussões sobre racismo, homofobia, trabalho
infantil, entre outros temas relevantes ao cenário social. O compromisso com a educação permanente busca
oferecer cursos de curta duração aos profissionais com temas fundamentais para a prática profissional e
reunir profissionais para discussões e reflexões da realidade profissional. Além disso, mantém eventos no
Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais (CBAS) e na Executiva Nacional de Estudantes de Serviço Social
(Enesso), os quais são encontros fundamentais para a categoria profissional refletir sua prática. 
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Marcha unificada da Jornada Nacional de Lutas em
Brasília, 2018.
Apesar das conquistas elencadas, a luta em defesa da
profissão é contínua. Essa trajetória também representa a
superação da vinculação do serviço social aos ideais da
igreja católica. O conjunto CFESS/CRESS ilustra o caráter
crítico, propositivo e normatizador da profissão, além de
fortalecer a categoria profissional.
Os desafios e os avanços da profissão e do conjunto fazem
parte do contexto de uma sociedade capitalista, em que há
desigualdades sociais e desproteção social, tornando o
trabalho do assistente social mais árduo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
No contexto da criação do conjunto CFESS/CRESS, na década de 1950, o serviço social era uma profissão de
caráter assistencialista e seguia os princípios da ideologia cristã. Com base na análise de sua trajetória e do
contexto atual, é possível afirmar que:
A
o conjunto realiza a fiscalização do trabalho profissional do assistente social a partir da ideologia cristã.
B
o conjunto segue diretrizes da doutrina capitalista, uma vez que sua existência está condicionada à avaliação
socioeconômica.
C
o conjunto trabalha na contracorrente da democracia e da cidadania porque privilegia os ideais do capital.
D
o conjunto mantém o caráter conservador da sua criação nos tempos atuais para assegurar a identidade da
profissão.
E
o conjunto fiscaliza e normatiza a profissão com base na perspectiva crítica, que representa a maturidade da
profissão.
A alternativa E está correta.
Apesar de o conjunto CFESS/CRESS ter sido criado na década de 1950, período em que o serviço social
seguia a ideologia cristã, nos tempos atuais fundamenta sua ação na perspectiva crítica, considerando que
houve o movimento de reconceituação, que trouxe a maturidade profissional.
Questão 2
O conjunto CFESS/CRESS representa um avanço para a categoria profissional, pois contribui para que ela se
fortaleça na sociedade. Quanto aos avanços e desafios do conjunto, é possível afirmar que
A
é considerada um avanço a participação na luta por diversos direitos que envolve a sociedade e a categoria
profissional.
B
um grande desafio está em lidar com a categoria profissional, por predominar a formação conservadora da
categoria.
C
um dos avanços é a participação no aperfeiçoamento dos ideais do neoliberalismo na sociedade brasileira.
D
os avanços estão relacionados à recuperação do caráter assistencialista, mantendo o ideal originário da
profissão.
E
os desafios estão presentes no interesse do conjunto em defender a ideologia de mercado em detrimento dos
direitos sociais.
A alternativa A está correta.
O conjunto tem importância para a categoria profissional na defesa dos princípios éticos da profissão,
diante dos ideais conservadores, da política de mercado e do neoliberalismo. Esse conjunto participou e
participa na luta dos diversos direitos sociais, como o direito da mulher, o que representa um avanço para a
categoria profissional.
4. Serviço social e os movimentos sociais
O vínculo do serviço social com os movimentos sociais
Neste vídeo, apresentamos o papel do serviço social frente ao Estado, atuando diretamente sobre a proteção
social.
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A atuação do serviço social sempre esteve vinculada aos movimentos sociais; esse é um dos compromissos
da profissão oficializado nos princípios éticos do Código de Ética profissional e no Projeto Ético-Político. O
serviço social é compromissado com todo movimento social que defenda a democracia e a cidadania. E,
independentemente do espaço sócio-ocupacional que ocupe, esse profissional tem capacidade de
potencializar os usuários dos seus serviços para a participação social.
O assistente social está sempre envolvido na luta de classes para realizar a mediação, e a sua
defesa é da classe trabalhadora, à qual pertence. Por isso, atuar nos movimentos sociais é atuar na
defesa dos direitos e da proteção social.
A própria categoria profissional é protagonista de diversos movimentos sociais, assim como os que ocorreram
na década de 1970, período em que o serviço social passou pelo processo de maturidade teórica e
metodológica. Esse processo, denominado movimento de reconceituação, aconteceu no interior da categoria
profissional e discutiu questões éticas, teóricas e metodológicas da profissão. Os principais resultados dessa
luta foram o Código de Ética Profissional de 1993, a Lei nº 8.662/93 (regulamenta a profissão) e o Projeto
Ético-Político.
Comentário
Vale lembrar que, nos primórdios, as conquistas dos direitos sociais partiram da luta coletiva de vários
movimentos sociais dos diversos setores da sociedade. E essa luta se mantém, uma vez que, desde a
sua homologação na Constituição Federal de 1988, existe um movimento na contracorrente que defende
o desmonte desses direitos. 
Desde 1988, o Brasil assiste ao importante papel dos movimentos sociais na defesa da manutenção e melhoria
dos direitos já conquistados. Por isso, a participação social é fundamental para fiscalizar a implementação de
recursos e sinalizar demandas da sociedade.
Seminário promovido pelo Cress em Belo Horizonte,
2018.
O assistente social deve também incentivar a
participação dos usuários nos conselhos e nas
conferências, bem como participar deles. Vale
ressaltar a importância da participação de
profissionais nos conselhos, nas conferências e
em movimentos sociais, pois a sua capacidade
técnica e científica contribui para uma análise
crítica da realidade social e na abordagem da
perspectiva de direito.
Gonçalves e Alagoano (2020) afirmam, sobre a
contribuição do serviço social em movimentos
sociais, que:
O sentido da intervenção profissional junto aos movimentos sociais, presente nas produções analisadas,
desenvolve-se no campo das ações educativas, as quais são compreendidas como processo mobilizador
e de formação política.
(GONÇALVES; ALAGOANO, 2020, p. 78)
A realidade mostra que o assistente social participa dos movimentos sociais com o compromisso da defesados direitos, entendendo que essa intervenção é fundamental para desenvolver um caráter crítico, que
reconheça a importância da presença do Estado na proteção social, principalmente para superar ranços de
ações assistencialistas e conservadoras, sobretudo a ideologia capitalista.
A participação do assistente social nos movimentos sociais contribui para ampliação dos espaços sócio-
ocupacionais, com destaque para o aumento do número de vagas em instituições públicas.
O trabalho do assistente social, portanto, é fortalecer a dimensão crítica de seu fazer e defender os direitos
sociais, a ampliação da democracia e a cidadania, conforme os princípios éticos da profissão. O que
contribuirá para o alcance de forma emancipatória dos objetivos da luta de classe.
Atenção
Devemos sempre lembrar à sociedade da importância dos movimentos sociais, e ilustrar os benefícios e
as conquistas alcançados a partir deles — por exemplo, evidenciar os direitos sociais e as lutas
coletivas, e a necessidade da presença do Estado no direcionamento das políticas públicas. Nesse
sentido, reconhece-se a aproximação do serviço social com os movimentos sociais a partir do
movimento de reconceituação da profissão. 
Apesar de a prática nos mostrar a importância da presença do assistente nesses espaços, bem como suas
ações, a literatura ainda é falha na produção de conhecimento sobre a intervenção do serviço social nos
movimentos sociais. Como ainda existe pouca produção teórica sobre esse assunto, é importante buscar
leituras normativas e instrutivas contidas no site do Conselho Federal de Serviço Social para melhor direcionar
a atuação profissional nos movimentos sociais.
Os movimentos sociais e a sociedade brasileira
Neste vídeo, destacamos a importância do assistente social no contexto dos movimentos sociais como
instrumentos de pressão organizados pelos direitos sociais.
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Os movimentos sociais têm destaque na sociedade tanto no Brasil como no mundo. É a partir desses
movimentos que o mundo assiste a conquistas de direitos até então oprimidos e violados.
No Brasil, os movimentos sociais têm um papel fundamental na direção da sociedade. O país viveu momentos
de opressão no período da ditadura militar, nos quais não era permitida a luta por melhorias na sociedade.
Contudo, após o período iniciado em 1964, a sociedade brasileira assiste à proliferação de diversos
movimentos sociais.
Entre os movimentos existentes no Brasil, os que tiveram protagonismo nos direitos sociais conquistados hoje
são:
Movimento Estudantil Movimento Feminista
Movimento Negro Movimento Trabalhista
Movimento dos Trabalhadores Rurais
Sem Terra
Movimento da Reforma Sanitária
Todos esses movimentos sociais tiveram, e ainda têm, um papel fundamental para sociedade, uma vez que foi
por meio deles que se alcançou a proteção social, que direcionou a organização da sociedade, sobretudo na
direção contrária à ideologia capitalista.
Os movimentos sociais hoje continuam com um papel muito importante na luta pela defesa dos direitos já
conquistados. Na luta pela melhoria dos serviços públicos e na luta para erradicação da pobreza e da
desigualdade, esses movimentos sociais ainda fiscalizam a implementação das políticas, os orçamentos e
sinalizam as reais necessidades da sociedade.
Devido às mudanças ocorridas na sociedade — com destaque para a década de 1990 e a Constituição Federal
de 1988, que definiu a participação social como direito — vê-se a institucionalização dos movimentos sociais.
Nessa perspectiva, Gohn (2011) afirma que:
Os movimentos sociais dos anos 1970/1980, no Brasil, contribuíram decisivamente, via demandas e
pressões organizadas, para a conquista de vários direitos sociais, que foram inscritos em leis na nova
Constituição Federal de 1988. A partir de 1990, ocorreu o surgimento de outras formas de organização
popular, mais institucionalizadas — como os Fóruns Nacionais de Luta pela Moradia, pela Reforma
Urbana, o Fórum Nacional de Participação Popular etc. Os fóruns estabeleceram a prática de encontros
nacionais em larga escala, gerando grandes diagnósticos dos problemas sociais, assim como definindo
metas e objetivos estratégicos para solucioná-los. Emergiram várias iniciativas de parceria entre a
sociedade civil organizada e o poder público, impulsionadas por políticas estatais, tais como a
experiência do Orçamento Participativo, a política de Renda Mínima, o Bolsa Escola etc. Todos atuam em
questões que dizem respeito à participação dos cidadãos na gestão dos negócios públicos. A criação de
uma Central dos Movimentos Populares foi outro fato marcante nos anos 1990, no plano organizativo;
estruturou vários movimentos populares em nível nacional, tal como a luta pela moradia, assim como
buscou uma articulação e criou colaborações entre diferentes tipos de movimentos sociais, populares e
não populares.
(GOHN, 2011, p. 342)
É possível reconhecer a importância da organização e da institucionalização dos movimentos sociais para sua
melhor efetividade. Por outro lado, faz-se necessária a capacitação dessas organizações numa perspectiva de
direitos e da responsabilização do Estado frente às expressões da questão social.
Em paralelo ao desenvolvimento dos movimentos sociais e à sua institucionalização a partir da década de
1990, houve também o crescimento do terceiro setor, que surge a partir ausência do Estado em prover a
proteção social. Nessa direção, políticas sociais são implementadas por instituições que não conseguem
atender a toda a demanda da sociedade, exercendo papel que cabe ao Estado.
A lacuna de omissão do Estado no oferecimento da proteção social garantida na Constituição
Federal de 1988 faz com que os movimentos sociais sejam fundamentais para cobrar a efetivação
dos direitos e apontar caminhos para os gestores a fim de resolver tal situação.
Os movimentos sociais são importantes para organização da sociedade na busca pela efetivação dos direitos
sociais e na defesa contra situações desmontes, que se observam principalmente a partir de cortes
orçamentários. A sociedade civil é o melhor termômetro para analisar a efetivação ou não dos direitos sociais.
Verificando o aprendizado
Questão 1
O Projeto Ético-Político do serviço social defende o apoio da categoria aos movimentos sociais. Sobre a
atuação do assistente social nos movimentos sociais, é possível afirmar que
A
o assistente social atua nos movimentos sociais na perspectiva de fiscalização para manter a ordem da
sociedade.
B
o assistente social atua nos movimentos sociais para implementar os princípios da ideologia capitalista.
C
a atuação do assistente social nos movimentos sociais tem perspectiva crítica a fim de potencializar a busca
para a efetividade da democracia.
D
o assistente social atua nos movimentos sociais de forma fragmentada, ou seja, apenas quando é solicitado.
E
a atuação do assistente social nos movimentos sociais é marcada por conflitos, uma vez que o profissional
defende princípios conservadores.
A alternativa C está correta.
O assistente social atua nos movimentos sociais de diversas formas — na assessoria e na consultoria,
como participante do movimento, na potencialização dos usuários em participar —, fundamentado numa
perspectiva crítica de defesa da ampliação da democracia e da cidadania, e de luta pela efetivação dos
direitos estabelecidos na Constituição Federal de 1988.
Questão 2
No Brasil e no mundo, a conquista dos direitos sociais se deu a partir de muita luta coletiva, que teve papel
fundamental, por exemplo, na efetivação da Constituição Federal de 1988. É possível afirmar que, no contexto
atual, os movimentos sociais
A
são frutos de uma sociedade capitalista, resultado dos esforços dos donos de capitais em ofertar melhor
qualidade de vida à sociedade.
B
são fundamentais na direção da sociedade, com importância na manutenção e na melhoria dos direitos já
conquistados.
C
representam um desafio para sociedade brasileira, pois causamdesorganização da sociedade.
D
são resultado de uma ideologia conservadora que busca defender interesses particulares em detrimento de
interesses coletivos.
E
representam uma sociedade fragilizada que não aceita as ideologias do capitalismo e do neoliberalismo, as
quais fazem parte do desenvolvimento do mundo.
A alternativa B está correta.
Os movimentos sociais são fundamentais para direção da sociedade, na defesa do aperfeiçoamento e da
manutenção dos direitos sociais conquistados nos movimentos anteriores, e também na luta pela criação
de novos direitos. Um dos seus princípios é ir na contracorrente das ideologias do capitalismo, do
neoliberalismo e do conservadorismo, uma vez que sua base é uma perspectiva crítica fundamentada na
luta coletiva.
5. Conclusão
Considerações finais
O serviço social está interligado aos movimentos sociais desde o surgimento da profissão e, fundamentado
nos princípios do Código de Ética profissional, da Lei nº 8662/93 e do Projeto Ético-Político, posicionou-se
tanto em mudanças no interior da própria categoria como em apoio a outras lutas em defesa da democracia.
Por meio do seu conhecimento técnico e científico, o assistente social fortalece a população usuária a se fazer
presente nesse cenário de luta coletiva.
Foi possível reconhecer a importância dos movimentos sociais para a sociedade na conquista dos direitos
normatizados pela Constituição Federal de 1988 e na luta para implementação desses direitos. Hoje, os
movimentos sociais foram institucionalizados, uma vez que a participação social é um direito social. A partir
dessa premissa, a sociedade civil organizada, por meio dos conselhos e das conferências, pode participar da
gestão dos direitos sociais, sobretudo de sua implementação e da fiscalização de recursos.
A interlocução entre o serviço social e os movimentos sociais se dá a partir da organização da profissão por
meio do seu conselho profissional, que o representa e se junta aos movimentos sociais organizados na defesa
da ampliação da cidadania. Os conselhos de classe — no caso do serviço social, o conjunto CFESS/CRESS —
têm papel fundamental na normatização, na fiscalização e na direção da profissão na sociedade.
É fundamental que o assistente social esteja sempre se atualizando acerca da discussão sobre o serviço
social e os movimentos sociais, em especial por meio dos organismos de classe.
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Aqui, você ouve um resumo com destaque para os pontos mais relevantes sobre a relação do assistente
social com os movimentos sociais, seus objetivos e desafios.
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Leia o artigo A relação do serviço social com os movimentos sociais na Contemporaneidade, de Maristela Dal
Moro e Morena Gomes Marques, que analisa a atual produção acadêmica desse campo.
 
O artigo Movimentos sociais e serviço social: Uma análise das publicações sobre o tema, de Maria Guimarães
e Morena Marques, é um importante instrumento para que você compreenda a presença da produção teórica
na área.
 
Assista ao vídeo O SUS do Brasil, disponível no canal da Fiocruz, que conta a história das conquistas da saúde
pública no Brasil que ocorreram por meio de movimentos sociais.
 
No ensaio Alguns conselhos para aqueles que genuinamente querem ajudar os pobres, do Economista Hans F.
Sennholz, é possível perceber como há o risco de excluir a responsabilidade pessoal no enfrentamento às
desigualdades sociais.
 
O artigo Movimentos sociais em ação: Repertórios, escolhas táticas e performances, de Matheus Mazzilli
Pereira e Camila Farias da Silva, analisa exatamente esses três aspectos que, segundo eles, caracterizam as
especificidades dos movimentos sociais.
Referências
CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL. CFESS. Código de Ética Profissional do Assistente Social. CFESS,
1993. Consultado na internet em: 31 jan. 2023.
 
CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL. CFESS. Política de Educação Permanente do conjunto Cfess/
Cress. CFESS, 2012. Consultado na internet em: 31 jan. 2023.
 
CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL. CFESS. Trabalhar na assistência social em defesa dos direitos da
seguridade social: contribuições do conjunto Cfess e Cress ao debate sobre definição de trabalhadores da
assistência social. CFESS, 2011. Consultado na internet em: 31 jan. 2023.
 
DOS SANTOS, E. B.; SOUZA, E. B. P.; PIMENTEL, R. C. O serviço social e a reforma trabalhista de 2017: Uma
reflexão do papel do assistente social contra os desmontes dos direitos trabalhistas. Brazilian Journal of
Development, v. 6, n. 6, p. 36834-36848, 2020.
 
FREITAS, R. M. de. Serviço Social, Política de Assistência Social e Pandemia Covid-19: Desafios e
apontamentos. Revista Libertas, 2021.
 
GOHN, M. G. Movimentos sociais na contemporaneidade. Revista Brasileira de Educação, v. 16, n. 47, p.
333-361, 2011.
 
GONÇALVES, T. C.; ALAGOANO, V. M. Serviço social e movimentos sociais. Revista Serviço Social em
Perspectiva, v. 1, n. 1, p. 66-82, 2020.
 
OLIVEIRA, E. M. A. P. de; CHAVES, H. L. A. 80 anos do Serviço Social no Brasil: Marcos históricos balizados nos
códigos de ética da profissão. Serviço Social & Sociedade, n. 128, p. 143-163, 2017.
 
RAICHELIS, R. O assistente social como trabalhador assalariado: desafios frente às violações de seus direitos.
Serviço Social & Sociedade, n. 107, p. 420-437, 2011.
	Serviço social e os movimentos sociais
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Assistentes sociais e os direitos sociais e trabalhistas
	O assistente social no cenário de lutas sociais
	Conteúdo interativo
	Código de Ética profissional
	Lei de Regulamentação da Profissão (Lei nº 8.662/93)
	Projeto Ético-Político
	Dica
	O papel do assistente social na implementação dos direitos
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Construção dos conselhos de classe
	Contextualizando o surgimento dos conselhos de classe
	Conteúdo interativo
	Objetivos e avanços dos conselhos de classe
	Cfess e os desafios da profissão
	Conteúdo interativo
	Parâmetros para atuação do assistente social na saúde.
	Subsídios para atuação do assistente social na política de educação.
	Parâmetros para atuação do assistente social na política de assistência social.
	Verificando o aprendizado
	3. Objetivos, avanços e desafios do CFESS/CRESS
	Objetivos do conjunto CFESS/CRESS
	Conteúdo interativo
	O impacto da reforma trabalhista
	A redução da oferta de vagas de concurso público
	Avanços e desafios do conjunto CFESS/CRESS
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Serviço social e os movimentos sociais
	O vínculo do serviço social com os movimentos sociais
	Conteúdo interativo
	Comentário
	Atenção
	Os movimentos sociais e a sociedade brasileira
	Conteúdo interativo
	Movimento Estudantil
	Movimento Feminista
	Movimento Negro
	Movimento Trabalhista
	Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
	Movimento da Reforma Sanitária
	Verificando o aprendizado
	5. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
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