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Gabriela B. Lucchese Teratogênese CONCEITOS BÁSICOS Teratogênese: É o estudo das interferências causadas por um ou mais agentes. É uma herança multifatorial – causados por multifatores, como os genéticos e ambientais. Teratógeno: É qualquer agente capaz de produzir um defeito congênito ou aumentar a incidência de um defeito na população. Princípios a considerar: 1. Composição genética do embrião e da mãe 2. Etapa do desenvolvimento (Períodos Críticos) 3. A dosagem da droga ou do composto químico 4. Tempo de exposição 5. Modo de ação 6. Via de incorporação 7. Efeito colateral de metabólitos ou derivados do teratogênico. 8. Forma de manifestação. Por exemplo: morte celular, mal formação anatômica e funcional, alteração metabólica, retardo de crescimento, perturbação ou mecanismo de sinalização molecular. PERÍODOS DE EXPOSIÇÃO 1ª e 2ª semana: abortamento precoce 3ª a 9ª semana (período embrionário): mal formações. Esse é o período crítico! 9ª a 38ª semanas (período fetal): alterações na maturação e redução do crescimento intrauterino. Obs: IDADE GESTACIONAL = IDADE DE FERTILIZAÇÃO + 2 SEMANAS O período mais crítico do desenvolvimento é quando a diferenciação celular e morfogênese estão em seus pontos máximos. Período crítico para o desenvolvimento encefálico: 3ª a 16ª semanas No período organogênico, os órgãos e tecidos que estão se formando são facilmente perturbados por teratógenos causando grandes defeitos congênitos. Os defeitos fisiológicos (por ex na orelha externa) ou distúrbios mentais (por ex o retardo na desenvolvimento mental) são provavelmente resultado da perturbação do desenvolvimento fetal. Períodos e consequências: Fenda Labial: 5ª a 6ª semanas (período embrionário) Olhos: 4ª a 38ª semanas (período embrionário e fetal) Mobile User Gabriela B. Lucchese Tecido Nervoso: 3ª a 38ª semanas (período embrionário e fetal) CATERGORIAS FARMACOLÓGICAS NA GRAVIDEZ É um tipo de classificação de fármacos para identificar os riscos potenciais ao feto durante o uso de determinados medicamentos durante a gravidez Categoria na gravidez A Não há evidência de risco em mulheres. Estudos bem controlados não revelam problemas no primeiro trimestre de gravidez e não há evidências de problemas nos segundo e terceiro trimestres. Categoria na gravidez B Não há estudos adequados em mulheres. Em experiência em animais não foram encontrados riscos, mas foram encontrados efeitos colaterais que não foram confirmados nas mulheres, especialmente durante o último trimestre de gravidez. Categoria na gravidez C Não há estudos adequados em mulheres. Em experiências animais ocorreram alguns efeitos colaterais no feto, mas o benefício do produto pode justificar o risco potencial durante a gravidez. Categoria na gravidez D Há evidências de risco em fetos humanos. Só usar se o benefício justificar o risco potencial. Em situação de risco de vida ou em caso de doenças graves para as quais não se possam utilizar drogas mais seguras, ou se estas drogas não forem eficazes. Categoria na gravidez X Estudos revelaram anormalidades no feto ou evidências de risco para o feto. Os riscos durante a gravidez são superiores aos potenciais benefícios. Não usar em hipótese alguma durante a gravidez. TERATÓGENOS QUANTO MENOR A IDADE GESTACIONAL, MAIOR A LESÃO E MAIOR O RISCO DE MALFORMAÇÕES. Álcool Gera Síndrome do Alcoolismo fetal, sendo causada por: -Intoxicação direta: o álcool atravessa diretamente a placenta sem ser metabolizado pela mãe -Intoxicação indireta: é metabolizado e vai pro bebê na forma de acetaldeido. Consequências pré-natais: microcefalia, alterações faciais e defeitos congênitos no coração, no tubo neural e renal. Consequências pós-natais: retardo no desenvolvimento, déficit neurológico e problemas de aprendizado. Obs: O período suscetível do desenvolvimento encefálico cobre a maior parte da gestação. Por isso, o melhor conselho é abster-se totalmente do álcool durante a gravidez. TERAPÊUTICA ▸ Não há remédios ou substâncias que agem diretamente na disfunção neurológica. ▸ Intervenções farmacológicas sob as consequência do dano no sistema nervoso. Mobile User Gabriela B. Lucchese ▸ Acompanhamento multiprofissional (psicopedagogo, psicólogo e psiquiatra em casos mais extremos). ▸ Acompanhamento familiar Citomegalovírus É uma infecção viral que pertence à família do herpesvírus em que a transmissão ocorre por fluidos corporais e também pelo leite materno. Transmissão: Por transmissão vertical da mulher grávida para o feto ou durante o parto; Por via sexual. Nesse caso, ele é considerado causador de infecção sexualmente transmissível; Transfusão sanguínea Via respiratória Fluidos Corporais Infecção no primeiro trimestre de gravidez = Aborto espontâneo Em fase posterior a gravidez = RCIU e anomalias fetais graves O vírus atravessa a placenta, principalmente se for a primeira infecção, devido a mãe não ter memoria imunológica. Causa: parto prematuro, microcefalia, surdez, retardo mental e epilepsia. TERAPÊUTICA ▸Infelizmente não há cura, mas existe tratamentos antivirais para evitar que o vírus seja transmitido da mãe para o feto. ▸ Uso de preservativos ▸Durante a gestação a mãe pode realizar ultrassom ou amniocentese. Obs: principal causa de retardo mental em crianças e o citomegalovírus nunca abandona o organismo da pessoa infectada. Ele permanece em estado latente e qualquer baixa na imunidade do hospedeiro pode reativar a infecção. Obs2: “Esta é a principal causa de infecção congênita com morbidadeao nascimento.” Zika - O Vírus atinge a placenta e o liquido amniótico, chegando ao bebê e causandoa Síndrome congênita da Zika – microcefalia, calcificação cerebral, restrição de crescimento intrauterino, alterações esqueléticas, alterações nos olhos e na audição e alterações na massa cinzenta cerebral. Obs: Estudos recentes indicam também uma ligação entre o Zika virus e a Síndrome de Guillain-Barré, doença autoimune que se manifesta depois de infecções por vírus ou bactérias e ataca os nervos periféricos, que perdem a bainha de mielina. Essa desordem do sistema imune provoca fraqueza muscular e paralisia que, nos casos mais graves, podem pôr em risco a vida. PREVENÇÃO -Aplique os repelentes na área exposta da pele e sobre a roupa; -Mantenha as janelas e portas fechadas, especialmente de manhã cedo e no fim da tarde ou coloque https://drauziovarella.uol.com.br/infectologia/herpesvirus/ Gabriela B. Lucchese telas para dificultar a entrada dos mosquitos; -Verifique, com frequência, se não existem condições para a proliferação dos mosquitos Aedes aegipty, nos arredores de sua casa. Especialmente em meses quentes e úmidos. CONSEQUÊNCIAS CLÍNICAS Microcefalia Hidrocefalia – aumento anormal do fluido cefalorraquidiano dentro da cavidade craniana. Síndrome Congênita do Zika Vírus – malformações na cabeça, movimentos involuntários, convulsões, irritabilidade e disfunção do tronco cerebral, com problemas de deglutição, contraturas de membros, anormalidades de audição e visão e anomalias cerebrais (ventricomegalia e calcificação intracraniana); Disrafia espinhal – problemas no fechamento do tubo neural. Diabetes Os grupos mais comuns de medicamentos para tratar (via oral) Diabetes Mellitus Tipo 2 são: -Sulfonilureias -Metiglinidas -Biguanidas (ex: Metformina) -Inibidores da AlfaGlicosidase -Glitazonas -Inibidores da SGLT2 Os que estão em vermelho são contraindicados na gravidez. BEBÊS POSSUEM MAIORES CHANCES DE TER OBESIDADE NA PUBERDADE, MACROSSOMIA FETAL (EXCESSO DE PESO NOS RECÉM NASCIDOS.), HIPO/HIPERGLICEMIA, DISFUNÇÕES METABÓLICAS PÓS PARTO E ANOMALIAS DO SNC. AS MÃES POSSUEM MAIS RISCO DE TER DOENÇA VASCULAR, RCIU INSUFICIÊNCIAUTEROPLACENTÁRIA, PRÉ-ECLÂMPSIA E ECLAMPSIA. IMPACTO DO CONTROLE INADEQUADO DA GLICEMIA NO FETO: - Espinha bífida - Microcefalia - Mielomelingocele - Fístula Tratoesofágica - Atresia Estomacal -Embriopatias diabéticas, como anencefalia -cardiopatias congênitas -Síndrome da Regressão Caudal MAIOR RISCO DE CONCEPÇÃO DE BEBÊ MACROSSÔMICO Devido à alta glicemia, o feto se aproveita do excesso de glicose no sangue da mãe, nutrindo-se e acumulando tecido adiposo. Por consequência, seu tamanho aumenta causando complicações no momento do parto. TERAPÊUTICA Mobile User Gabriela B. Lucchese -Alimentação saudável, baixa ingestão de carboidratos para o melhor controlede sua glicemia. -Recomendação de exercício físico, para regular o peso e evitar outras complicações relacionadas ao organismo materno -Suplementação de ácido fólico para a prevenção de malformações de fechamento do túbulo neural (30 dias antes da gravidez – 3 meses de gestação) Obs: É necessário orientar a paciente a buscar um controle adequado de sua insulina de modo a evitar os medicamentos hipoglicemiantes orais, pelo alto índice de contra-indicação. Maconha e controle de ansiedade Ansiolíticos para controle de ansiedade -O uso de diazepam na gravidez aumenta a chance da criança apresentar lábio leporino e fenda palatina -Primeiro trimestre: as consequências podem ser hérnia inguinal, estenose pilórica e defeitos cardíacos congênitos Segundo trimestre: hemangioma e defeitos vasculares Recomendação: evitar suspensão abrupta do medicamento, pois pode gerar crises convulsivas e abortamento; suspensão pelo menos no terceiro trimestre Uso de Carbonato de Lítio para estabilizar humor -Interromper o tratamento Caso o uso seja de extrema necessidade: deve-se tomar cuidado com a dosagem de lítio no sangue e interromper o tratamento uma semana antes do parto, evitando intoxicação do Neonato Uso de Anticonvulsionantes e Sedativos (Barbituratos e fenobarbital) -Aumento de malformações congênitas, principalmente cardiopatas -Síndrome de abstinência fetal RECOMENDAÇÕES -Evitar interrupções abruptas do medicamento -Redução cuidadosa, caso possível, até um mínimo aconselhável, principalmente durante o primeiro trimestre da gravidez Maconha para controle de ansiedade -Aborto espontâneo: principalmente no 1º trimestre -Deslocamento de placenta -Baixo peso do bebê ao nascer -Bebê com função pulmonar prejudicada ao nascer -THC atravessa placenta e pode afetar desenvolvimento neurológico do feto RECOMENDAÇÕES Recomendação inicial: interromper o tratamento com ansiolíticos Mobile User Gabriela B. Lucchese Sugestão: medicina integrativa e complementar Fitoterapia, acupuntura, yoga Insistência em utilizar ansiolíticos durante o período gestacional: 1.Avaliar custo-benefício 2. Dose reduzida do medicamento 3. Não recorrer a maconha e álcool