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Libras é uma língua natural completa, assim como as línguas orais, mas não funciona da mesma forma porque pertence à modalidade visual-espacial. Enquanto as línguas faladas usam a voz e a audição, a Libras utiliza mãos, expressões faciais e movimentos corporais, percebidos pela visão. Sua estrutura gramatical também é diferente: a “fonologia” de Libras é formada por parâmetros visuais (configuração de mão, movimento, ponto de articulação, orientação da palma e expressões não manuais), e não por sons. A morfologia usa o espaço para indicar sujeito, objeto e direção, além de classificadores. A sintaxe é mais flexível e utiliza o espaço para organizar as informações. Além disso, Libras permite simultaneidade — vários elementos gramaticais podem ser expressos ao mesmo tempo — e apresenta maior iconicidade. Assim, Libras é tão complexa quanto qualquer língua oral, mas se diferencia por sua estrutura visual, espacial e corporal, própria da experiência linguística da comunidade surda.