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Anatomia dos Dentes Permanentes e Decíduos 
da Teoria à Prática 
 
 
Anatomia dos Dentes Permanentes e 
Decíduos: da Teoria à Prática 
 
1ª Edição 
 
Selma Siessere 
Luiz Gustavo de Sousa 
Ligia Maria Napolitano Gonçalves 
Fernando José Dias 
Paulo Batista de Vasconcelos 
Hermano Teixeira Machado 
Chiarella Sforza 
Gianluca Tartaglia 
Marcelo Palinkas 
Saulo Fabrin 
Karina Fittipaldi Bombonato-Prado 
Marisa Semprini 
Simone Cecilio Hallak Regalo 
 
 
Departamento de Biologia Básica e Oral da Faculdade de Odontologia de 
Ribeirão Preto – FORP-USP 
 
 
Ribeirão Preto 
2020 
 
Biografia dos Autores 
 
 
Selma Siessere Graduada em Odontologia pela Universidade de São 
Paulo (1991), Mestre e Doutora em Reabilitação Oral pela Universidade 
de São Paulo (FORP/USP). Professora Associada 2 do Departamento de 
Biologia Básica e Oral da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto 
da Universidade de São Paulo (FORP/USP). Ribeirão Preto, Brasil. 
 
 
 
 
Luiz Gustavo de Sousa Graduado em Ciências Biológicas pelo Centro 
Universitário Barão de Mauá (1993). Especialista em Laboratório do 
Departamento de Biologia Básica e Oral da Faculdade de Odontologia 
de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FORP/USP). Ribeirão 
Preto, Brasil. 
 
 
 
Ligia Maria Napolitano Gonçalves Graduada em Odontologia pela 
Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP - 1995), Mestre em 
Odontopediatria (FORP/USP – 2012) e Doutora em Odontologia 
Restauradora (FORP/USP - 2017). Pós-doutoranda do Departamento de 
Biologia Básica e Oral da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto 
da Universidade de São Paulo (FORP/USP). Ribeirão Preto, Brasil. 
 
 
 
 Fernando José Dias Graduado em Odontologia pela Universidade de 
São Paulo (FORP/USP - 2006), Mestre em Biologia Oral pela 
Universidade de São Paulo (FORP/USP - 2010) e Doutor em Ciências 
Morfofuncionais pela Universidade de São Paulo (ICB/USP-2014). 
Professor Associado do Departamento de Odontologia Integral Adultos 
da Faculdade de Odontologia da Universidad de La Frontera (UFRO). 
Temuco, Chile. 
 
 
 
 
 
 Paulo Batista de Vasconcelos Graduado em Ciências Biológicas pelo 
Centro Universitário Barão de Mauá (1993). Especialista em 
Laboratório do Departamento de Biologia Básica e Oral da Faculdade 
de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo 
(FORP/USP). Ribeirão Preto, Brasil. 
 
 
 
 
Hermano Teixeira Machado Trabalha como fotógrafo profissional 
desde o ano de 1968, e no ano de 1982 foi contratado pela 
Coordenadoria do Campus da USP em Ribeirão Preto, para atender 
todas as unidades de ensino desse Campus, inclusive o Hospital das 
Clínicas, na Seção de Documentação Científica. Em 1992 foi 
transferido para a FORP-USP, local onde presta serviços de fotografia 
e vídeo aos docentes dessa unidade. 
 
 
 
 
 Chiarella Sforza Graduada em Medicina - Università Degli Studi di 
Milano (1986). Obteve seu Mestrado e Doutorado na Università degli 
Studi di Milano (Itália –1986) e sua residência em Medicina do Esporte 
pela mesma universidade (1989). Professora Titular de Anatomia 
Humana no Departamento de Ciências Biomédicas da Saúde da 
Università degli Studi di Milano, Itália. 
 
 
 
 
 Gianluca M. Tartaglia Graduado em Odontologia e Doutor em 
Ciências Morfológicas pela Universidade de Milão (Itália – 1996). 
Professor Adjunto em Odontologia no Departamento de Ciências 
Biomédicas, Cirúrgicas e Odontológicas da Università degli Studi di 
Milano, Itália. 
 
 
 Marcelo Palinkas Graduado em Odontologia pela Universidade de 
Ribeirão Preto – UNAERP (1992), Mestrado em Biologia Oral 
(FORP/USP), Doutorado em Odontologia Restauradora (FORP/USP). 
Professor nível A da Faculdade Anhanguera de Ribeirão Preto e 
Pesquisador Colaborador do Departamento de Biologia Básica e Oral 
da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São 
Paulo (FORP/USP), Ribeirão Preto, Brasil. 
 
 
 
 Saulo Fabrin Graduado em Fisioterapia pelo Claretiano Centro 
Universitário (2016), Mestre em Ciências pela Universidade de São 
Paulo (FMRP/USP). Professor do Curso de Fisioterapia no Claretiano 
Centro Universitário, Unifafibe e Especialização em Fisioterapia 
Cardiorrespiratória da Unaerp. Doutorando do Departamento de 
Biologia Básica e Oral da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto 
da Universidade de São Paulo (FORP/USP). Batatais, Brasil. 
 
 
 
 
 Karina Fittipaldi Bombonato Prado Graduada em Odontologia pela 
Universidade de São Paulo (1995), Mestre e Doutora em Reabilitação 
Oral pela Universidade de São Paulo (FORP/USP). Professora 
Associada 2 do Departamento de Biologia Básica e Oral da Faculdade 
de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo 
(FORP/USP). Ribeirão Preto, Brasil. 
 
 
 
 
 Marisa Semprini Graduada em Odontologia pela Universidade 
Júlio de Mesquita (1984), Mestre e Doutora em Reabilitação Oral 
pela Universidade de São Paulo (FORP/USP). Professora Titular do 
Departamento de Biologia Básica e Oral da Faculdade de 
Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo 
(FORP/USP). Ribeirão Preto, Brasil. 
 
 
 
 
 Simone Cecilio Hallak Regalo Graduada em Odontologia pela 
Universidade Estadual de Londrina (UEL - 1988), Mestre e Doutora 
em Biologia e Patologia Buco-Dental (FOP/UNICAMP). Professora 
Titular do Departamento de Biologia Básica e Oral da Faculdade de 
Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo 
(FORP/USP). Ribeirão Preto, Brasil. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SIESSERE, Selma 
Anatomia dos Dentes Permanentes e Decíduos: da Teoria à Prática 
_____________________________________________________________ 
© Direitos reservados para os Autores - Ribeirão Preto, junho de 2020 
Perse Portal de Publicação: www.perse.com.br 
 
Projeto Gráfico: Equipe FORP/USP 
Capa: Saulo Fabrin 
 
 
 
Endereço dos Autores: Departamento de Biologia 
Básica e Oral. Laboratório de Anatomia. Av. 
Bandeirantes, 3900 - Monte Alegre Ribeirão Preto-SP, 
Brasil. 
E-mail: selmas@forp.usp.br 
 
 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Índices para catálogo sistemático: 
 
1. Anatomia dentária : Ciências médicas 611.314 
Maria Alice Ferreira - Bibliotecária – CRB-8/7964 
 
Anatomia dos dentes permanentes e decíduos : da 
teoria à prática / [organização] Selma 
Siessere. – São Paulo : Perse, 2020. 
 
Vários autores. 
 Bibliografia 
ISBN 978-65-86045-58-1 
 
1. Anatomia 2. Dentes. 3. Dentes – Cuidados dentários 4. 
Dentes – Cuidados e higiene – Obras de divulgação 5. Dentes 
decíduos – Anatomia 6. Odontologia I. Siessere, Selma. 
 
20-38246 
 CDD-611.314 
 NLM-WU 101 
 
 
 
 
 
 
Prefácio 
 Para o estudante de Odontologia a disciplina de Anatomia Dental é de 
fundamental importância para o conhecimento das características 
morfológicas do elemento dental e estruturas adjacentes. Devemos lembrar 
que, para o estudo dos dentes, é importante observar as características 
anatômicas gerais do grupo estudado e as características específicas de cada 
dente, notando assim as semelhanças e diferenças entre eles. Isto facilita o 
estudo da Anatomia Dental e consequentemente o reconhecimento ou a 
identificação dos dentes. 
Na prática, quanto maior o conhecimento da anatomia de cabeça e 
pescoço maior será a habilidade do profissional quanto à utilização de 
técnicas anestésicas, assim como no caso da Anatomia Dental, quanto mais 
conhecimento se tem das características anatômicas dos dentes, maior será a 
habilidade do profissional em devolver a função e estética do paciente. Assim, 
na atividade clínica do cirurgião dentista, independente de sua especialidade, 
este conhecimento faz-se necessário para realização de um bom diagnóstico 
e tratamento de qualquer intervenção, desde a simples avulsão de um 
elementodo pré-molar superior. 
 
Figura 5.8: Face palatina do pré-molar superior. 
 
 
 
 
90 
 
Figura 5.9: Face mesial do pré-molar superior. 
 
 
Figura 5.10: Face distal do pré-molar superior. 
 
 
 
 
 91 
 Os dentes pré-molares geralmente são unirradiculares, com raiz 
geminada e muito achatada no sentido mésio-distal, com sulcos profundos 
quando não bifurcadas. 
 Nos dentes superiores é comum a raiz apresentar-se bifurcada, sendo 
uma delas palatina e a outra vestibular, e divergentes. A raiz apresenta-se 
cônica e achatada no sentido mésio-distal e a secção transversal é ovalada, 
em ambas as condições, simples ou bifurcada (Figura 5.11). 
Figura 5.11: Vista proximal da raiz do pré-molar superior. 
 
5.2 PRIMEIRO PRÉ-MOLAR SUPERIOR 
Coroa 
 É o quarto dente do arco relacionando-se pela face mesial com o 
canino e pela face distal com o segundo pré-molar. 
 É o mais volumoso do grupo dos pré-molares; sua coroa é achatada 
no sentido mésio-distal, e como já foi dito anteriormente, com forma de um 
cubo ou mesmo de um cilindro, devido à continuidade entre suas faces por 
meio de suas arestas muito arredondadas. A coroa é mais larga próximo à 
 
 
 
92 
 
margem oclusal e mais estreita ao nível do colo (Figura 5.12). Suas faces 
vestibular e palatina são praticamente paralelas e quando comparada com o 
canino a face vestibular do pré-molar é cerca de 1/4 mais curta. Nas faces 
proximais a maior convexidade encontra-se próximo da margem oclusal. Na 
cavidade bucal, quando observado no sentido vestíbulo-palatino, a coroa 
deste dente mostra-se verticalmente disposta. A cúspide vestibular apresenta-
se mais volumosa e mais alta que a palatina. 
Figura 5.12: Vista vestibular do primeiro pré-molar superior direito (14). 
 
Face Vestibular 
É convexa tanto no sentido vertical como no sentido transversal, 
porém a convexidade é sempre mais acentuada no sentido transversal. 
Os sulcos de desenvolvimento, que dividem a coroa em lóbulos são 
pouco visíveis, sendo o lóbulo mediano o de maior volume que se dirige do 
colo à cúspide. 
Quatro margens limitam a face vestibular: a margem cervical 
curvilínea, cuja convexidade está voltada para a raiz; as margens distal e 
mesial são arredondadas e divergentes em direção à margem oclusal; a 
 
 
 93 
margem oclusal é dupla por apresentar-se dividida pela cúspide em dois 
segmentos: o mesial (aresta transversal mesial) e o distal (aresta transversal 
distal), o que deixa a face vestibular com formato pentagonal (Figura 5.13). 
 
Figura 5.13: Face vestibular do primeiro pré-molar superior direito 
(14). 
 
 
Face Palatina 
 Comparada à face vestibular é menor, mais curta, mais estreita e por 
apresentar-se lisa, sem sulcos e lóbulos, com cúspide arredondada e sem 
limites com a face mesial e distal, mostra-se diferente daquela. Apresenta-se 
bastante convexa nos dois sentidos, vertical e transversal. No terço cervical 
apresenta uma bossa palatina; a partir desta saliência a face inclina-se para o 
lado vestibular (Figura 5.14). 
 
 
 
 
94 
 
Figura 5.14: Face palatina do primeiro pré-molar superior direito (14). 
 
Face Mesial 
 Pode ser inscrita num quadrilátero alongado no sentido vestíbulo-
lingual, convexa próximo da margem oclusal, achatada ou mesmo côncava 
junto ao colo, onde se continua com o sulco da raiz. É mais larga do que alta. 
 Quatro margens limitam esta face: a margem vestibular, arredondada 
e mais convexa no terço cervical; a margem palatina, mais baixa que a 
margem vestibular, é curvilínea e mais convexa na região cervical; a margem 
cervical é curvilínea e de concavidade voltada para a raiz; a margem oclusal 
tem o formato de acento circunflexo de ápice cortado, por onde passa a crista 
marginal (Figura 5.15). 
Figura 5.15: Face mesial do primeiro pré-molar superior direito (14). 
 
 
 
 95 
Face Distal 
 A face distal repete a mesma configuração da precedente, porém é 
menor e mais convexa em todos os sentidos e apresenta uma bossa distal mais 
pronunciada no terço oclusal (Figura 5.16). 
Figura 5.16: Face distal do primeiro pré-molar superior direito (14). 
 
Face Oclusal 
 Tem a forma de um trapézio, em consequência da convergência das 
faces mesial e distal em direção à face palatina, com grande base vestibular e 
pequena base palatina. Duas cúspides volumosas emergem dessa superfície, 
e a sensação de desvio da cúspide palatina para o lado mesial, se deve ao fato 
da face mesial ser menos convergente que a face distal no eixo vestíbulo-
palatino. Essas cúspides mostram-se cada uma como uma pirâmide de base 
quadrangular, com planos inclinados, lados separados por arestas 
arredondadas, ápice aguçado no dente jovem, sendo duas faces 
necessariamente oclusais e as outras duas vestibulares ou linguais de acordo 
com a cúspide observada. Cada cúspide apresenta quatro arestas: duas no 
 
 
 
96 
 
sentido vestíbulo-lingual (aresta axial vestibular ou palatina e aresta axial 
oclusal) e duas no sentido mésio-distal (aresta transversal mesial e aresta 
transversal distal). O sulco principal mésio-distal, retilíneo, que divide a 
superfície oclusal apresenta-se em posição para-central, deslocado mais para 
a face palatina, o que leva à diferença de tamanho das cúspides, vestibular 
mais volumosa que a palatina. Olhando o dente por uma de suas faces 
proximais observa-se que a cúspide vestibular é mais alta que a cúspide 
palatina. Esse sulco principal tem início e término em duas fossetas 
triangulares, a mesial e distal, e separando essas fossetas das faces proximais 
temos as cristas marginais que nesse dente apresentam-se delgadas. Pode-se 
ainda observar que, do sulco principal partem pequenos sulcos, que sobem 
pelas faces oclusais das cúspides vestibular e palatina (Figuras 5.17 e 5.18). 
Figura 5.17: Face oclusal do primeiro pré-molar superior direito (14). 
 
 
 
 
 97 
Figura 5.18: Face oclusal do primeiro pré-molar superior direito (14). 
 
Colo 
 É sinuoso e irregular, nos lados vestibular e palatino curva-se com 
convexidade voltada para raiz, nos lados mesial e distal, curva-se mais 
suavemente com concavidade voltada para a raiz. 
Raiz 
O primeiro pré-molar superior apresenta-se na maioria das vezes com 
duas raízes. Raízes duplas ou triplas (às vezes duas raízes vestibulares), a 
divisão não é completa, unidas ao nível da base constituem o bulbo radicular. 
Quando única, é muito achatada no sentido mésio-distal, e sua secção é 
ovalada, com as faces laterais marcadas por sulcos profundos. Quando a raiz 
é bifurcada, muito mais frequente, apresenta formato cônico, muito larga no 
 
 
 
98 
 
sentido vestíbulo-palatino em seu terço cervical (bulbo), dividindo-se em raiz 
vestibular e raiz palatina, sendo a palatina mais volumosa, mais cônica e com 
forte inclinação para o lado palatino. A característica de bifurcação radicular 
é o que diferencia o primeiro pré-molar superior do segundo pré-molar 
superior. A raiz também pode aparecer trifurcada. Nestes casos, a raiz palatina 
conserva-se cônica, enquanto as raízes mésio-vestibular e disto-vestibular 
apresentam-se muito achatadas e delgadas (Figura 5.19). 
Figura 5.19: Vista proximal das raízes do primeiro pré-molar superior 
direito (14). 
 
 
5.3 SEGUNDO PRÉ-MOLAR SUPERIOR 
Coroa 
O quinto dente do arco posiciona-se pelo lado distal do primeiro pré-
molar e mesial do primeiro molar. 
Sua coroa, menor que a do primeiro pré-molar, é também achatada no 
sentido mésio-distal, e com formato de cubo ou mesmo de cilindro, devido à 
continuidade entre suas faces por meio de suas arestas muito arredondadas. 
 
 
 99 
Muito semelhante ao primeiro pré-molar, além de mostrar-se menor, tem as 
formas mais arredondadas e detalhes de anatomia menos nítidos que este, 
lembrando que os pré-molares superiores têm volume decrescente no sentido 
mésio-distal (Figura 5.20). 
Na cavidade bucal, quando observadono sentido vestíbulo-palatino, a 
coroa deste dente mostra-se verticalmente disposta, e com as cúspides 
semelhantes em tamanho e aproximadamente na mesma altura. Observando-
se por uma das faces proximais, temos a visualização das cúspides num 
mesmo plano, portanto, na mesma altura, e muito semelhantes inclusive em 
tamanho. 
 
Figura 5.20: Vista vestibular do segundo pré-molar superior direito (15). 
 
 
 
 
 
 
100 
 
Face Vestibular 
Mesma conformação da face vestibular do primeiro pré-molar, porém 
menor, menos convexa e com as margens mais arredondadas; a margem 
oclusal apresenta a cúspide bem mais arredondada. Esta face é menos 
convexa que a do primeiro pré-molar devido a menor saliência do lóbulo 
mediano (Figura 5.21). 
 
Figura 5.21: Face vestibular do segundo pré-molar superior direito (15). 
 
 
 
 
 101 
Face Palatina 
Apresenta altura quase igual à face vestibular, característica 
importante, pois a ponta da cúspide palatina apresenta-se, na boca, mais baixa 
que a cúspide vestibular pela inclinação do dente no alvéolo, porém a 
distância cérvico-oclusal é praticamente igual para as duas cúspides. Bastante 
convexa, principalmente no sentido transversal, essa face mostra-se lisa e sem 
limites visíveis com as faces vizinhas (Figura 5.22). 
Figura 5.22: Face palatina do segundo pré-molar superior direito 
(15). 
 
Face Distal 
 Apresenta a forma quadrilátera e é bastante convexa (Figura 5.23). 
 
 
 
 
 
102 
 
Figura 5.23: Face distal do segundo pré-molar superior direito (15). 
 
Face Mesial 
 Também apresenta a forma quadrilátera. É menos convexa e maior 
que a face distal. Junto ao colo esta face é côncava (Figura 5.24). 
Figura 5.24: Face mesial do segundo pré-molar superior direito (15). 
 
 
 
 103 
Face Oclusal 
 Muito semelhante à face oclusal do primeiro pré-molar, vale apontar 
as diferenças entre esses dois elementos. O sulco principal mésio-distal, aqui 
se apresenta também retilíneo, porém mais central, de tamanho menor e mais 
irregular que o sulco principal do primeiro pré-molar. Estando mais central, 
divide a face de modo que as cúspides tenham volume quase iguais e sejam 
bem semelhantes, e sendo menor faz com que as cristas marginais sejam mais 
espessas (Figura 5.25). 
Figura 5.25: Face oclusal do segundo pré-molar superior direito (15). 
 
 
 
 
 
104 
 
Colo 
É semelhante em tudo ao do primeiro pré-molar superior permanente. 
Raiz 
 A raiz é simples na maioria dos segundos pré-molares, mas bem 
sulcada, e achatada no sentido mésio-distal. Este fato é bem evidenciado por 
meio do corte feito na parte média da raiz, que assim assume a forma elíptica 
com o grande eixo no sentido vestíbulo-lingual. Em grande parte das vezes a 
raiz é retilínea, porém pode apresentar variações com encurvamento distal, 
mesial e até mesmo lingual (Figura 5.26). 
Figura 5.26: Vista vestibular da raiz do segundo pré-molar superior direito 
(15). 
 
5.4 PRIMEIRO PRÉ-MOLAR INFERIOR 
Coroa 
Os pré-molares inferiores são bastante diferentes dos pré-molares 
superiores pelo aspecto mais circular de sua coroa e pela diferença de volume 
das cúspides. O primeiro pré-molar inferior é menor que o segundo pré-molar, 
 
 
 105 
lembrando que a série é crescente no sentido mésio-distal na arcada inferior. 
A coroa desse dente possui aspecto característico, com a face vestibular 
mostrando-se fortemente inclinada para o lado lingual (Figura 5.27). 
 
Figura 5.27: Vista vestibular do primeiro pré-molar inferior esquerdo (34). 
 
Face Vestibular 
A face vestibular pode ser inscrita num pentágono. A cúspide 
vestibular é quase duas vezes mais volumosa que a cúspide lingual. No terço 
cervical percebe-se uma bossa vestibular proeminente e a partir dela, a face 
fica mais plana e muito inclinada para a lingual. Nessa face os sulcos, e os 
segmentos ou lóbulos, são menos visíveis, mas ainda perceptíveis. Sendo 
limitada por quatro margens, a cervical aparece bastante convexa para a raiz, 
a distal mostra-se menor e mais inclinada que a mesial, e a margem oclusal 
ou livre é formada por dois segmentos, sendo o distal maior e mais inclinado 
(Figura 5.28). 
 
 
 
 
 
106 
 
Figura 5.28: Face vestibular do primeiro pré-molar inferior esquerdo (34). 
 
Face Lingual 
É convexa e bem menor que a vestibular, podendo atrofiar-se tanto 
que chega a transformar-se num cíngulo, em semelhança ao dos dentes 
anteriores, caracterizando a identificação do dente. Nessa face, a bossa lingual 
localiza-se no terço médio (Figura 5.29). 
 
Figura 5.29: Face lingual do primeiro pré-molar inferior esquerdo (34). 
 
 
 
 107 
Faces Proximais 
As faces mesial e distal podem ser inscritas num trapézio irregular 
pela grande inclinação que as margens livres apresentam no sentido da face 
lingual. Nessas faces a bossa fica no terço oclusal e apresentam-se muito 
convergentes para a raiz (Figura 5.30). 
Figura 5.30: Face mesial do primeiro pré-molar inferior esquerdo (34). 
 
 
Face oclusal 
Apresenta contorno circular, às vezes oval, com sulco principal mésio-
distal acentuadamente curvo, de concavidade voltada para o lado vestibular. 
Em posição pára-central, separa a face oclusal em duas cúspides: uma 
vestibular maior e mais nítida, e outra lingual menor, menos desenvolvida, 
chegando a desaparecer, sendo nesses casos substituída por um tubérculo. 
Observa-se com muita frequência a presença de uma ponte de esmalte bem 
visível, unindo as duas cúspides na parte média, modificando o sulco 
principal que se apresentará então como duas fossetas profundas triangulares 
mesial e distal. A cúspide vestibular tem em média o dobro do volume da 
 
 
 
108 
 
cúspide lingual, o que coloca essa cúspide vestibular em forte inclinação para 
lingual (Figura 5.31). 
Figura 5.31: Face oclusal do primeiro pré-molar inferior esquerdo (34). 
 
 
Raiz 
Única na maioria das vezes, a raiz pode ser bífida ou dupla devido ao 
achatamento no sentido mésio-distal, e à presença frequente dos dois sulcos, 
mesial e distal (Figura 5.32). Em corte transversal a raiz apresenta-se com 
formato oval. 
 
 
 
 109 
Figura 5.32: Vista mesial da raiz do primeiro pré-molar inferior esquerdo 
(34). 
 
 
5.5 SEGUNDO PRÉ-MOLAR INFERIOR 
Coroa 
 O segundo pré-molar inferior é mais volumoso do que o primeiro pré-
molar, com coroa maior. Apresenta menor inclinação da sua face oclusal em 
sentido lingual pelo maior desenvolvimento da cúspide lingual. Sua face 
oclusal apresenta variações devido à conservação dos restos de sua primitiva 
molarização (Figura 5.33). 
 
 
 
 
 
 
110 
 
Figura 5.33: Vista vestibular do segundo pré-molar inferior esquerdo (35). 
 
Face Vestibular 
A face vestibular é muito semelhante à do primeiro pré-molar inferior, 
porém mais larga e mais curta. Convexa em todos os sentidos, de forma 
pentagonal, com a margem livre menos aguda e mais baixa (Figura 5.34). 
 
Figura 5.34: Face vestibular do segundo pré-molar inferior esquerdo (35). 
 
 
 
 
 111 
Face Lingual 
A face lingual é menor e mais convexa que a vestibular, apresentando 
variações de acordo com o número de cúspides, ou seja, uma ou duas cúspides 
linguais. Quando esta face apresenta uma única cúspide, a margem livre 
mostra uma única ponta muito arredondada. Quando apresenta duas cúspides, 
a margem livre é subdividida por um pequeno sulco divisório originário da 
face oclusal, em dois segmentos: mesial (mais volumoso) e distal (ou disto-
lingual). Apresenta a bossa lingual no terço médio (Figura 5.35). 
 
Figura 5.35: Face lingual do segundo pré-molar inferior esquerdo (35). 
 
 
 
 
112 
 
Faces Proximais 
As faces mesial e distal são quadriláteras, mais altas do que largas. 
Apresentam-se convexas em todos os sentidos e côncavas junto ao colo. 
Mostram bossa pronunciada próximo da face oclusal (Figura 5.36). 
 
Figura 5.36: Face mesialdo segundo pré-molar inferior esquerdo (35). 
 
 
Face oclusal 
Esta face apresenta um contorno circular (quando bicuspidados) ou 
quadrilátero (dente tricuspidado). No conjunto essa face apresenta-se oblíqua 
para baixo no sentido vestíbulo-lingual. O sulco principal mésio-distal é bem 
visível, curvo ou em formato semilunar de concavidade voltada para o lado 
vestibular. Apresenta-se em posição pára-central com início e término em 
 
 
 113 
duas fossetas proximais triangulares, e se for único, o dente é bicuspidado 
(Figura 5.37). Quando aparece outro sulco perpendicular a este em sentido à 
face lingual do dente, este se torna tricuspidado (cúspides vestibular, mésio-
lingual e disto-lingual). 
Figura 5.37: Face oclusal do segundo pré-molar inferior esquerdo 
bicuspidado (35). 
 
 
 
 
 
 
 
114 
 
Raiz 
Única, na maioria das vezes, achatada no sentido mésio-distal, 
apresenta-se mais cônica e mais alargada que a raiz do primeiro pré-molar 
inferior. Sulcos quando presentes são menos evidentes e divisões apicais são 
raras (Figura 5.38). 
 
Figura 5.38: Vista vestibular da raiz do segundo pré-molar inferior 
esquerdo (35). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 115 
CAPÍTULO 6 - DENTES MOLARES 
 
6.1 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS DENTES MOLARES 
PERMANENTES 
Os dentes molares são assim denominados devido a sua função, ou 
seja, a de moer ou triturar os alimentos. Também possuem a função de apoiar 
as paredes laterais da boca (bochecha). 
 São os dentes mais complexos, em número de doze, sendo seis para 
cada arco. Situados ao lado distal dos pré-molares, são designados, segundo 
o lugar que ocupam no arco, e no sentido mésio-distal, de primeiro, segundo 
e terceiro molares, representando, respectivamente o sexto, sétimo e oitavo 
dentes. 
 A coroa é volumosa tanto nos molares superiores quanto nos 
inferiores, sendo que os molares superiores são suportados por três raízes e 
os inferiores por duas. Nos molares superiores a coroa é alargada no sentido 
vestíbulo-palatino; nos molares inferiores a coroa é alargada no sentido 
mésio-distal (Figura 6.1). Na espécie humana, o volume dos molares é 
decrescente no sentido mésio-distal. 
Figura 6.1: Vista vestibular do molar superior. 
 
 
 
 
116 
 
6.2 MOLARES SUPERIORES – MORFOLOGIA GERAL 
 Os molares superiores são em número de seis, três para cada hemi-
arco. Apresentam volume decrescente no sentido mésio-distal, e distinguem-
se em primeiro, segundo e terceiro molares. 
 A forma da coroa é irregularmente cúbica e quando vista pela face 
oclusal pode ser inscrita num paralelogramo. As margens mesial e distal são 
quase paralelas. As dimensões da coroa são sempre maiores no sentido 
vestíbulo-palatino do que no sentido mésio-distal. As faces proximais, 
vestibular e palatina são bastante convergentes para a raiz, ocasionando um 
maior estrangulamento do colo, ainda mais acentuado pela grande 
divergência das raízes. 
 A face vestibular é trapezoidal cujo lado maior corresponde à margem 
oclusal. Esta face é mais larga do que alta, quase duas vezes mais larga que 
o pré-molar (Figura 6.2). 
Figura 6.2: Face vestibular do molar superior. 
 
 
 
 117 
É convexa tanto no sentido vertical como no sentido horizontal. Nesta 
encontramos um sulco que separa a face em dois lóbulos, sendo o mésio-
vestibular o mais volumoso. É limitada por quatro margens mais ou menos 
arredondadas e mais ou menos nítidas: a margem cervical, curvilínea, de 
convexidade voltada para a raiz; a margem oclusal é em forma de V invertido, 
as margens mesial e distal são divergentes para a margem oclusal, mais ou 
menos arredondadas e continuam-se sem limites precisos com as faces mesial 
e distal. No encontro das várias margens formam-se ângulos diedros e 
triedros, sempre arredondados, dos quais o ângulo distal e o mesial são os 
mais característicos (Figura 6.3). 
Figura 6.3: Face vestibular do molar superior. 
 
 
 
 
118 
 
 A face palatina tem conformação parecida com a face vestibular, mas 
possui mais convexidade e tem dimensões menores. Esta regra somente não 
é considerada para o primeiro molar superior, pois a face palatina deste dente 
é maior que a vestibular. Possui um sulco curvilíneo chamado de palatino que 
se estende da margem oclusal até o terço médio desta face não terminando 
em fosseta triangular. Este sulco divide as cúspides mésio-palatina da disto-
palatina e divide a face palatina em duas porções com volumes diferentes das 
quais a mesial é a mais volumosa. A margem cervical é curvilínea com 
convexidade voltada para a raiz; a margem oclusal é mais irregular que a da 
face vestibular, e dividida em duas porções pelo sulco palatino que 
correspondem às duas cúspides palatinas (Figura 6.4); as margens proximais 
são bastante parecidas com as da face vestibular convergindo sempre para a 
raiz, podendo ser invadidas pelo sulco intercuspídico. 
Figura 6.4: Face palatina do molar superior. 
 
 
 
 119 
 A face mesial é mais larga do que alta, convexa até a região do colo 
onde se apresenta escavada. Possui a forma de um trapézio com base maior 
voltada para a cervical (Figura 6.5). A margem cervical é a maior desta face, 
apresentando dois segmentos curvos de concavidade radicular. A margem 
vestibular é convexa, porém, não tanto quanto a margem palatina. A margem 
oclusal é composta pela crista marginal e suas extremidades são as porções 
proximais das cúspides vestibular e palatina 
Figura 6.5: Face mesial do molar superior. 
 
 A face distal tem conformações parecidas com a face mesial, porém é 
mais convexa e de dimensões menores (Figura 6.6). 
Figura 6.6: Face distal do molar superior. 
 
 
 
 
120 
 
A face oclusal ou livre é a mais rica em detalhes anatômicos, as 
margens proximais têm dimensões maiores que as margens vestibular e 
palatina, com exceção do primeiro molar que tem a margem palatina maior 
que as proximais. É composta de cúspides, sulcos principais e secundários, 
fóssulas, arestas, cristas marginais e ponte de esmalte (Figura 6.7). 
 
Cúspides 
Alguns segundos e terceiros molares superiores possuem somente três 
cúspides das quais duas se concentram na vestibular e uma na palatina, sendo 
esta última simples. Mas os molares superiores em geral possuem quatro 
cúspides, das quais duas são vestibulares e duas palatinas. Geralmente a 
cúspide mésio-vestibular possui o maior volume das quatro. Cada cúspide 
tem a forma de uma pirâmide quadrangular composta de quatro faces, um 
ápice, quatro arestas, quatro ângulos triedros, e oito ângulos diedros. Sempre 
dois dos planos inclinados que formam as faces da pirâmide são oclusais e os 
outros dois se localizam nas faces vestibulares e palatinas. Ainda podemos 
encontrar o tubérculo anômalo, cuja denominação antiga era “Tubérculo de 
Carabelli”, desenvolvido a partir da cúspide mésio-palatina, comumente 
encontrado no primeiro molar superior. 
 
Fóssulas e sulcos 
A união das cúspides lado a lado formam os sulcos e as fóssulas, 
dependendo do posicionamento das cúspides é aonde vão se localizar os 
sulcos e fóssulas. Mas como as cúspides têm uma disposição parecida nos 
molares superiores os sulcos geralmente possuem o mesmo posicionamento 
e conformação. Em média os primeiros molares possuem um sulco principal 
mésio-distal que divide as cúspides vestibulares das palatinas, se estendendo 
 
 
 121 
da crista marginal mesial até a crista marginal distal e suas extremidades são 
marcadas por fóssulas. Os outros sulcos mais importantes partem deste sulco 
principal e se dirigem ou para a face vestibular, como é o caso do sulco 
vestíbulo-oclusal que divide as cúspides vestibulares percorrendo o trajeto 
que parte de uma fóssula central, formada a partir do encontro destes dois 
sulcos, e percorre quase retilineamente em direção à face vestibular se 
estendendo até o terço médio desta face, e também o sulco disto-palatino quese inicia em uma fóssula resultante da união deste sulco ao sulco principal e 
percorre uma direção à face palatina sempre posicionada na porção distal da 
face oclusal. Além destes sulcos percebemos a presença de sulcos secundários 
e terciários. 
 
Cristas marginais 
As duas cristas marginais são dispostas nos extremos distais e mesiais 
unindo as cúspides vestibulares às cúspides palatinas. 
 
Ponte de esmalte 
É uma formação resultante do encontro das arestas axiais e planos 
inclinados das cúspides disto-vestibular e mésio-palatina ligeiramente 
interrompida pelo sulco principal, geralmente disposta em diagonal. Em geral 
está bastante marcada nos primeiros molares superiores em função do volume 
mais acentuado e da evidência destas cúspides nestes dentes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
122 
 
Figura 6.7: Face oclusal do molar superior. 
 
 
Raízes 
Geralmente os molares superiores possuem três raízes, divergentes ou 
fusionadas. Duas raízes são localizadas na vestibular e uma das raízes é 
localizada na região palatina. A raiz palatina é a mais volumosa e a mais longa 
de todas, geralmente curvada para a vestibular, a raiz mésio-vestibular é a 
mais volumosa das vestibulares e a que esta mais sujeita aos desvios e 
curvaturas, a raiz disto-vestibular geralmente é a mais achatada, mais curta e 
reta (Figuras 6.8 e 6.9). 
 
 
 
 
 
 123 
Figura 6.8: Vista vestibular das raízes do molar superior. 
 
Figura 6.9: Vista palatina das raízes do molar superior. 
 
 
6.3 PRIMEIRO MOLAR SUPERIOR 
A forma da coroa do primeiro molar superior é de um cubo com base 
larga, portanto, a coroa deste dente tem as distâncias vestíbulo-palatina e 
mésio-distal maiores que a distância cérvico-oclusal. Em média, é um dente 
maior que o segundo molar adjacente a ele, inclusive é o mais volumoso do 
arco superior (Figura 6.10). 
 
 
 
124 
 
Figura 6.10: Vista vestibular do primeiro molar superior direito (16). 
 
 
Coroa 
Face vestibular: Tem a forma que lembra um trapézio com a base mais 
larga voltada para a oclusal, mas com todas as suas arestas convexas (Figura 
6.11). 
Figura 6.11: Face vestibular do primeiro molar superior direito (16). 
 
Esta face é delimitada por quatro margens; uma margem cervical 
formada por duas linhas curvadas suavemente com convexidade voltada para 
a raiz do dente, originadas da divisão das duas raízes vestibulares; duas 
 
 
 125 
margens proximais mesial e distal com direção bastante convergente para a 
raiz, das quais a mesial é a maior e a menos inclinada; a margem oclusal que 
tem a forma de dois picos em “V” cujas extremidades muitas vezes 
pontiagudas são as porções vestibulares das cúspides vestibulares. Desta 
forma, a porção oclusal desta face é dividida em dois lobos, o mesial maior 
que o distal, e estes lobos são formados justamente pela existência de um 
sulco vestibular que nunca atinge a margem cervical em extensão (Figura 
6.12). Este dente possui mais uma particularidade que o torna único e 
complexo, a sua face vestibular é menor em extensão que a face palatina, 
conceito que contraria o princípio adotado em todos os outros dentes. 
 
Figura 6.12: Face vestibular do primeiro molar superior direito (16). 
 
 
 
 
 
126 
 
Face Palatina: Esta face tem sua convexidade mais acentuada que a 
face vestibular, mas também possui a forma de um trapézio com base mais 
larga voltada para a oclusal. Também possui um sulco palatino que dá origem 
a dois lobos, dos quais o lobo mesial é bem mais volumoso que o distal. As 
margens proximais são convergentes para a raiz sendo a distal mais 
arredondada e menor que a mesial (Figura 6.13). Esta face possui em sua 
maioria a presença do tubérculo anômalo, que se localiza em altura no terço 
médio desta face e em largura na direção da cúspide mesial (Figura 6.14). 
Algumas vezes este tubérculo se reduz a uma simples depressão nesta região; 
várias teorias foram lançadas com a finalidade de descobrir a causa da 
formação deste tubérculo, mas o que se tem certeza é de que é uma formação 
que favorece a mastigação por aumentar a área de contato da face oclusal e 
que pelas mudanças nos hábitos alimentares dos seres humanos, pode ser que 
ele desapareça da anatomia dos primeiros molares superiores. 
 
Figura 6.13: Face palatina do primeiro molar superior direito (16). 
 
 
 
 127 
Figura 6.14: Tubérculo anômalo na cúspide mésio-palatina do primeiro 
molar superior direito (16). 
 
 
Face mesial: irregularmente trapezoidal, é a face mais larga, tem a 
margem oclusal marcada por uma concavidade central e a margem cervical 
composta por duas linhas convexas para a oclusal das quais sua união é 
originada pela separação das raízes vestibular e palatina. A margem vestibular 
é mais plana no terço oclusal e no médio e convexa no terço cervical, já a 
margem palatina é mais curva e convexa, de dimensões menores que a 
vestibular (Figura 6.15). 
 
 
 
 
 
 
 
128 
 
Figura 6.15: Face mesial do primeiro molar superior direito (16). 
 
 
Face distal: apresenta forma semelhante a da face mesial, porém é de 
menor tamanho e mais convexa. 
Face oclusal: Tem a forma um trapézio irregular, visto de frente esta 
face apresenta a parte maior do trapézio voltada para o lado palatino, contrário 
ao que acontece nos outros dentes (Figura 6.16). 
 
 
 
 129 
Figura 6.16: Face oclusal do primeiro molar superior direito (16). 
 
É formada por quatro cúspides, mésio-vestibular, mésio-palatina, 
disto-vestibular e disto-palatina. A continuidade das cúspides mésio-palatina 
e disto-vestibular constituem a ponte de esmalte. As cúspides do primeiro 
molar superior possuem volumes variados, das quais a cúspide mésio-palatina 
é a mais volumosa e por consequência a disto-palatina é a menor. A redução 
da cúspide disto-palatina é um indício de evolução, pois em alguns casos ela 
se reduz a um pequeno tubérculo, no segundo molar ela fica ainda menor e 
no terceiro molar ela quase sempre não existe. Com exceção desta cúspide as 
outras apresentam planos inclinados oclusais delimitados por arestas axiais 
bem marcadas que têm origem nas pontas destas cúspides e se dirigem 
obliquamente para os sulcos intercuspídicos. Na superfície dos planos ou 
 
 
 
130 
 
vertentes oclusais se encontram sulcos ou pelo menos depressões que 
enriquecem ainda mais a anatomia desta face (Figura 6.17). 
 
Figura 6.17: Face oclusal do primeiro molar superior direito (16). 
 
 
Os sulcos intercúspidicos que separam as quatro cúspides do primeiro 
molar superior apresentam a forma de um H muito irregular. O sulco 
intercuspídico vestíbulo-oclusal separa as duas cúspides vestibulares, parte de 
uma fosseta oclusal e termina em uma pequena fosseta vestibular no terço 
oclusal da face vestibular do dente; o sulco mésio-central separa a cúspide 
mésio-vestibular da mésio-palatina possui uma trajetória que se origina na 
fosseta central e termina na fosseta triangular mesial. O sulco intercuspídico 
 
 
 131 
vestíbulo-oclusal e o mésio-central constituem uma haste vertical do H. O 
sulco intercuspídico disto-palatino apresenta uma curva de concavidade 
distal. Este representa a outra haste vertical do H. Este sulco separa a cúspide 
disto palatina da ponte de esmalte e se origina em uma fosseta triangular distal 
e termina em direção oblíqua na face palatina. Outro sulco raso, 
frequentemente pouco marcado, que é interrompido pela ponte de esmalte, 
separa as fossetas central e distal, constitui a haste horizontal do H (Figura 
6.18). 
Figura 6.18: Face oclusal do primeiro molar superior direito (16). 
 
 
 
 
 
132 
 
Colo 
Nas faces proximais é ligeiramente curvo com concavidade voltada 
para a raiz e nas faces vestibular e palatina é aproximadamente horizontal 
(Figuras. 6.19 e 6.20). 
 
Figura 6.19: Face mesial do primeiro molar superior direito (16). 
 
 
Figura 6.20: Face vestibular doprimeiro molar superior direito (16). 
 
 
 
 
 133 
Raízes 
Como já citado anteriormente, este dente possui três raízes bem 
distintas das quais duas são vestibulares e uma palatina. A raiz palatina é a 
mais volumosa, tem forma cônica, secção transversal circular, e é inclinada 
para a palatina. Já as raízes vestibulares são bem menos volumosas, possuem 
um achatamento mésio-distal acentuado, das quais a raiz mésio-vestibular é 
a mais volumosa e a mais achatada. As raízes vestibulares possuem forma de 
triângulo e se ocorrerem desvios no trajeto de alguma das raízes, ele ocorre 
com mais frequência nestas raízes vestibulares e são mais concentrados no 
terço apical (Figuras. 6.21 e 6.22). 
 
Figura 6.21: Vista palatina das raízes do primeiro molar superior direito 
(16). 
 
 
 
 
134 
 
Figura 6.22: Vista vestibular das raízes do primeiro molar superior direito 
(16). 
 
 
6.4 SEGUNDO MOLAR SUPERIOR 
Coroa 
É um dente que possui variações de forma em função da evolução do 
ser humano: algumas pessoas ainda possuem este dente com a forma idêntica 
a do primeiro molar superior somente com variação do tamanho que é 
diminuído; outras possuem uma das variações de forma deste dente que 
consiste em ter três cúspides em função da eliminação da cúspide disto-
palatina; enquanto outras possuem ainda uma terceira variação que consiste 
em um achatamento muito forte do sentido mésio-palatino para o sentido 
 
 
 135 
disto-vestibular distorcendo a forma de um segundo molar típico (Figura 
6.23). 
Figura 6.23: Vista vestibular do segundo molar superior direito (17). 
 
Face vestibular: Possui a mesma conformação da face vestibular do 
primeiro molar superior, ou seja, apresenta forma trapezoidal com diminuição 
nas dimensões e com convexidade um pouco mais acentuada (Figura 6.24). 
Nas coroas mais achatadas ou de compressão, esta face não apresenta sulco 
interlobar e sim uma saliência ou crista arredondada. 
Figura 6.24: Face vestibular do segundo molar superior direito (17). 
 
 
 
 
136 
 
Face palatina: Também possui a mesma configuração da face palatina 
do primeiro molar superior (forma de trapézio). A cúspide disto-palatina se 
reduz a um pequeno tubérculo, possui convexidade bem mais acentuada que 
a face palatina do primeiro molar superior. O tubérculo anômalo raramente 
está presente nesta face do segundo molar superior (Figura 6.25). 
 
Figura 6.25: Face palatina do segundo molar superior direito (17). 
 
 
Faces proximais: possuem o mesmo modelo das faces proximais do 
primeiro molar superior com algumas particularidades, sendo menores e mais 
frequentemente invadidas pelo sulco oclusal principal (Figura 6.26). 
 
 
 
 137 
Figura 6.26: Face mesial do segundo molar superior direito (17). 
 
Face oclusal: tem o mesmo formato e anatomia do primeiro molar 
superior, mas é modificada em função das variações que o segundo molar 
sofre como já citadas anteriormente. A forma tricuspidada é a mais comum 
de todas com incidência de 50% aproximadamente; nesta variação ocorre o 
deslocamento para distal da cúspide mésio-palatina e a continuidade do sulco 
oclusal principal da fosseta mesial para a fosseta distal. Na forma 
tetracuspidada, com incidência de ocorrência de 30 a 40%, a forma da face 
oclusal é idêntica a forma da face oclusal do primeiro molar superior, com 
exceção da ponte de esmalte, que normalmente não está presente e do menor 
volume da cúspide disto-palatina (Figura 6.27). Na forma achatada ou de 
compressão, com incidência de 10%, torna confusa a interpretação da forma 
 
 
 
138 
 
das cúspides e do posicionamento dos sulcos. Em qualquer uma das formas 
as cristas marginais estão sempre presentes e bem marcadas. 
 
Figura 6.27: Face oclusal do segundo molar superior direito (17). 
 
 
Colo 
É semelhante ao do primeiro molar, porém mais achatado mésio-
distalmente. 
Raízes 
São parecidas com as do primeiro molar superior, mas tem menos 
incidência de se inclinarem e se curvarem. Existe uma tendência à fusão das 
raízes mésio-vestibular e palatina (Figuras 6.28 e 6.29). 
 
 
 
 139 
Figura 6.28: Vista vestibular das raízes do segundo molar superior direito 
(17). 
 
 
Figura 6.29: Vista palatina das raízes do segundo molar superior direito 
(17). 
 
 
 
 
 
140 
 
6.5. TERCEIRO MOLAR SUPERIOR 
Coroa 
Pode ser considerado o dente que mais apresenta variações de forma 
de todos os outros. Encontra-se terceiros molares com até quatro cúspides 
enquanto também é constante a presença de terceiros molares conoides, ou 
seja, constituídos simplesmente por uma única cúspide (Figura 6.30). 
Figura 6.30: Vista vestibular do terceiro molar superior direito (18). 
 
Face vestibular: Possui as mesmas características das faces 
vestibulares dos outros dois molares apresentados (forma de um trapézio de 
maior lado para a oclusal) (Figura 6.31). 
Figura 6.31: Face vestibular do terceiro molar superior direito (18). 
 
 
 
 141 
Face palatina: É uma face bastante convexa, de tamanho menor que a 
vestibular e possui as mesmas características da face palatina do segundo 
molar (Figura 6.32). 
Figura 6.32: Face palatina do terceiro molar superior direito (18). 
 
Faces proximais: A face distal é bem menor e mais convexa que a 
mesial, mas ambas têm as mesmas configurações das faces proximais dos 
primeiros molares (forma trapezoidal) com redução de suas dimensões 
(Figura 6.33). 
Figura 6.33: Face mesial do terceiro molar superior direito (18). 
 
 
 
 
142 
 
Face oclusal: Apresenta grandes variações na sua forma, podendo ser: 
como a face oclusal do primeiro molar; como as faces oclusais do segundo 
molar (tetracuspidado com cúspide disto-palatina reduzida; tricuspidada ou 
comprimida); bicuspidada como a face oclusal do pré-molar; achatada mésio-
distalmente com uma fosseta central, de onde partem inúmeros sulcos e, além 
disso, pode ser cônica e pequena (Figura 6.34). 
 
Figura 6.34: Face oclusal do terceiro molar superior direito (18). 
 
 
 
 
 143 
Colo 
É bastante achatado no sentido mésio-distal. 
Raízes 
Geralmente as raízes se apresentam fusionadas e o número pode variar 
desde uma única raiz até cinco ou mais raízes. Também podem estar isoladas 
(Figuras 6.35 e 6.36). 
 
 
Figura 6.35: Vista vestibular das raízes do terceiro molar superior direito 
(18). 
 
 
 
 
 
144 
 
6.6 MOLARES INFERIORES – MORFOLOGIA GERAL 
São dentes que possuem uma coroa cúbica, mas irregular e varia esta 
forma quando o dente apresenta anomalia, problema mais frequente nos 
terceiros molares. A coroa destes dentes é mais larga no sentido mésio-distal 
que no sentido vestíbulo-lingual (Figura 6.37). 
Figura 6.37: Vista vestibular do molar inferior. 
 
 A face vestibular tem a forma de um trapézio irregular cujo lado maior 
é o oclusal. Possui convexidade em todas as direções, mas com ênfase nesta 
característica no terço cervical desta face (Figura 6.38). 
Figura 6.38: Face vestibular do molar inferior. 
 
 
 
 145 
É muito inclinada para a lingual e possui sulcos que se originam na 
face oclusal e terminam no terço médio da face vestibular. A margem cervical 
é muito semelhante a dos molares superiores, as margens proximais são 
convergentes para a raiz e arredondadas, a margem oclusal também tem 
morfologia semelhante à dos molares superiores apresentando duas incisuras, 
ao invés de uma como no molar superior, no seu contorno para acompanhar 
as arestas das três cúspides vestibulares (Figura 6.39). 
Figura 6.39: Face vestibular do molar inferior. 
 
 
 A face lingual tem características bastante semelhantes à face 
vestibular, porém é menor e bem mais convexa. Assim como a face 
vestibular, esta face também é inclinada para a lingual, mas em menor grau. 
A margem oclusal possui uma única incisura provocada pela invaginação do 
sulco ocluso-lingual (Figura 6.40). 
 
 
 
 
146Figura 6.40: Face lingual do molar inferior. 
 
 
 As faces proximais são trapezoidais e têm como maior lado a região 
cervical. São convexas em todos os sentidos, porém suavemente escavadas 
próximo ao colo. A margem vestibular tem o terço cervical bastante convexo 
e o terço oclusal e médio chegam a ser planos e bastante inclinados para a 
lingual. A margem lingual é inclinada para a lingual e mais convexa que a 
vestibular. A margem oclusal tem uma conformação de V com braços bem 
abertos e as pontas deste “V” formam as extremidades proximais das cúspides 
vestibulares e linguais. A face mesial é um pouco maior e menos convexa que 
a face distal. Estas faces podem ser invadidas por sulcos principais ou 
secundários originários da face oclusal (Figuras 6.41 e 6.42). 
 
 
 
 147 
Figura 6.41: Face mesial do molar inferior. 
 
 
Figura 6.42: Face mesial do molar inferior. 
 
 
 
 
148 
 
 A face oclusal tem também a forma de um trapézio de grande lado 
vestibular, mas sempre com as margens vestibular e lingual maiores que as 
margens proximais (Figura 6.43). 
 
Figura 6.43: Face oclusal do molar inferior. 
 
 
Cúspides 
São em número de quatro ou cinco cúspides, sendo a menor a disto-
vestibular. Quando o molar inferior possui cinco cúspides, três são voltadas 
para a face vestibular e duas para a face lingual. Assim como descrito nos 
molares superiores as cúspides formam os sulcos (Figura 6.44). 
Sulcos e fóssulas 
Este grupo de dentes também possui um sulco principal ou mésio-
distal que se inicia e termina em fóssulas triangulares mesiais e distais. Este 
sulco é um pouco mais sinuoso em função do número de cúspides que este 
dente possui, quanto maior o número de cúspides maior a sinuosidade deste 
sulco. Deste sulco principal partem os sulcos que tomam direção para a 
 
 
 149 
vestibular e que irão separar as cúspides vestibulares e os sulcos que tomam 
direção para a lingual e que irão separar as cúspides linguais. No encontro 
destes sulcos com o sulco principal se formam fóssulas triangulares que 
também dão a característica topográfica da face oclusal deste dente (Figura 
6.44). 
Figura 6.44: Face oclusal do molar inferior. 
 
Colo 
O colo destes dentes apresenta as mesmas características dos molares 
superiores. 
 
 
 
 
150 
 
Raízes 
Estão em número de duas, uma posicionada na mesial e outra na distal. 
São achatadas no sentido mésio-distal e alargadas no sentido vestíbulo-
lingual. A raiz distal é menos volumosa e elas podem ser retilíneas, 
divergentes ou convergentes (Figura 6.45). Nas faces proximais são 
observados sulcos mais ou menos profundos que podem conduzir até a 
divisão da raiz. 
 
Figura 6.45: Vista vestibular das raízes do molar inferior. 
 
 
6.7 PRIMEIRO MOLAR INFERIOR 
Coroa 
É o dente mais volumoso da dentição humana, geralmente possui 
cinco cúspides. É o dente com a anatomia coronária mais complexa, em 
 
 
 151 
especial a face oclusal. A coroa deste dente tem a altura menor que a largura 
vestíbulo-lingual e estas duas dimensões são menores que a largura mésio-
distal (Figura 6.46). 
Figura 6.46: Vista vestibular do primeiro molar inferior esquerdo (36). 
 
Face vestibular: Tem o formato de um trapézio com base maior 
voltada para a oclusal (Figura 6.47). 
 
Figura 6.47: Face vestibular do primeiro molar inferior esquerdo 
(36). 
 
O terço cervical desta face é o que apresenta maior nível de 
convexidade, enquanto os outros dois terços apresentam pouca convexidade 
 
 
 
152 
 
tornando estas porções quase planas. Ela apresenta dois sulcos que dividem a 
porção oclusal desta face em três porções; uma mesial a mais volumosa 
formando o lobo mesial, uma média que recebe a denominação de lobo 
mediano e uma distal, formando o lobo distal, com o menor volume das três. 
O sulco mesial divide o lobo mesial do mediano, percorre a face vestibular 
desde a margem oclusal até o terço médio da face vestibular terminando em 
uma fóssula triangular. O sulco distal ou disto-vestibular que é bem menor 
em extensão, menos profundo e nunca termina em fóssula como o sulco 
mesial (Figura 6.48). 
Figura 6.48: Face vestibular do primeiro molar inferior esquerdo (36). 
 
 
 
 153 
Esta face é delimitada por quatro margens: 
A margem oclusal ou livre é a mais complexa, pois recebe os 
contornos das arestas vestibulares das três cúspides vestibulares que este 
dente possui; a sua porção mesial é a maior em comprimento e se estende até 
aproximadamente a porção mediana da face vestibular quando se fala do 
sentido mésio-distal. Esta margem sofre incisura profunda de ambos os sulcos 
vestíbulo-mesial e vestíbulo-distal. 
A margem distal e mesial são praticamente planas até o terço oclusal 
onde se tornam bastante convexas. Entre as duas margens proximais, a 
margem mesial é maior que a distal. 
A margem cervical é mais curta que a margem oclusal, possui 
ondulações no seu contorno, é em semicírculo com concavidade voltada para 
a coroa e possui um prolongamento na sua porção mediana que tende a se 
estender para as raízes (Figura 6.49). 
Figura 6.49: Face vestibular do primeiro molar inferior esquerdo (36). 
 
 
 
 
154 
 
Face lingual: É semelhante a face vestibular, de forma também 
trapezoidal, mas possui convexidade maior e possui um sulco raso que se 
origina da face oclusal e corta esta face, sem terminar em fóssula. É 
delimitada por quatro margens: margem oclusal com o contorno das arestas 
das duas cúspides linguais formando o limite superior dos dois lobos 
existentes nesta face lingual e que dão corpo às cúspides linguais das quais a 
mesial é a maior, a margem cervical é de contorno menos sinuoso que o 
contorno desta margem da face vestibular e as margens proximais são bem 
parecidas com estas mesmas margens da face vestibular (Figura 6.50). 
Figura 6.50: Face lingual do primeiro molar inferior esquerdo (36). 
 
Faces proximais: A face mesial é plana e ligeiramente côncava no 
terço cervical, é muito convexa no terço oclusal. A margem oclusal que 
delimita esta face tem a forma de um V com porção vestibular maior que a 
lingual. A margem vestibular é quase plana no terço oclusal e muito convexa 
no terço cervical. A margem lingual desta face é suavemente convexa em 
 
 
 155 
quase toda sua extensão e inclinada para o lado lingual. A margem cervical é 
curva de concavidade voltada para a raiz (Figura 6.51). A face distal possui 
as mesmas características da mesial, mas com dimensões menores. 
Figura 6.51: Face mesial do primeiro molar inferior esquerdo (36). 
 
 
Face oclusal: Tem a forma de um trapézio de base maior voltada para 
a vestibular, e a margem mesial tem maior extensão que a margem distal que 
delimitam esta face (Figura 6.52). 
Figura 6.52: Face oclusal do primeiro molar inferior esquerdo (36). 
 
 
 
 
156 
 
A margem vestibular é convexa para a vestibular e possui duas 
depressões na sua extensão originadas pela continuidade dos sulcos oclusais 
contidos nesta face. A margem lingual é convexa para a lingual e possui uma 
convexidade na sua porção mediana que se originou do sulco oclusal que esta 
face possui (Figura 6.53). 
 
Figura 6.53: Face oclusal do primeiro molar inferior esquerdo (36). 
 
Esta face possui em sua maioria cinco cúspides, três vestibulares e 
duas linguais. A cúspide mésio-vestibular é a mais volumosa e apresenta 
morfologia bem parecida com as cúspides dos outros molares. Existem casos 
deste dente possuir somente quatro cúspides. Os sulcos são: intercuspídico 
mésio-distal, ocluso-vestíbulo-mesial, ocluso-lingual e ocluso-vestíbulo-
distal. O sulco intercuspídico mésio-distal ou mais conhecido como sulco 
principal separa as cúspides vestibulares das linguais, tem origem na fóssula 
 
 
 157 
triangular mesial e termina na fóssula triangular distal percorrendo toda a 
extensão da face oclusal com trajeto sinuoso, em forma de “W”.O sulco 
intercuspídico ocluso-vestíbulo-mesial ou vestíbulo-central separa a cúspide 
mésio-vestibular da cúspide vestíbulo-mediana, é perpendicular ao mésio-
distal e se estende da depressão triangular oclusal, localizada praticamente no 
centro desta face, até o terço médio da face vestibular cortando a margem 
vestibular da face oclusal com extremidade em forma de fossa triangular 
localizada na face vestibular. O sulco disto-vestibular é localizado na distal 
do sulco anterior e separa as cúspides vestíbulo-mediana da disto-vestibular. 
O sulco ocluso-lingual é perpendicular ao sulco principal e se direciona para 
a face lingual sem terminar em uma fossa triangular, separa as cúspides 
mésio-lingual da disto-lingual (Figura 6.54). 
Figura 6.54: Face oclusal do primeiro molar inferior esquerdo (36). 
 
 
 
 
158 
 
Colo 
Nas faces proximais é ligeiramente curvo com concavidade voltada 
para a raiz e nas faces vestibular e lingual é aproximadamente horizontal 
(Figura 6.55). 
Figura 6.55: Faces distal e vestibular do primeiro molar inferior esquerdo 
(36). 
 
Raízes 
É um dente birradicular as quais estão posicionadas uma na mesial e 
outra na distal. Elas são achatadas no sentido mésio-distal sendo que a raiz 
mesial é mais larga e comprida que a distal (Figura 6.56). A raiz mesial é 
curvada para a distal 84% dos casos e a raiz distal é reta em 73,5% dos casos. 
Figura 6.56: Vista vestibular das raízes do primeiro molar inferior esquerdo 
(36). 
 
 
 
 159 
6.8 SEGUNDO MOLAR INFERIOR 
É um dente menor que o primeiro, é tetracuspidado em grande parte 
dos casos (Figura 6.57). 
Figura 6.57: Vista vestibular do segundo molar inferior direito (47). 
 
 
Coroa 
Face vestibular: Tem forma de trapézio, formada por duas cúspides 
das quais a maior é a mesial, possui um sulco vestibular que se origina na face 
oclusal e que percorre a face vestibular terminando no terço médio desta face 
em uma fóssula triangular. Na face vestibular o 1/3 oclusal inclina-se 
fortemente para a lingual (Figura 6.58). 
Figura 6.58: Face vestibular do segundo molar inferior direito (47). 
 
 
 
 
160 
 
As margens proximais são bastante convexas sendo que a distal é 
menor e mais convexa que a mesial (Figura 6.59). 
 
Figura 6.59: Face vestibular do segundo molar inferior direito (47). 
 
 
Face lingual: é menor que a face vestibular, mas possui as mesmas 
características com um pouco mais de convexidade. O sulco lingual é um 
pouco menos marcado e não termina em fóssula triangular (Figura 6.60). 
 
 
 
 161 
Figura 6.60: Face lingual do segundo molar inferior direito (47). 
 
Faces proximais: Apresentam convexidade ao nível do terço oclusal e 
são planas ou côncavas ao nível do terço cervical, podem ser invadidas pelo 
sulco intercuspídico (Figura 6.61). A face distal é menor e mais convexa que 
a mesial. 
Figura 6.61: Face mesial do segundo molar inferior direito (47). 
 
 
 
 
162 
 
Face oclusal: Em geral é tetracuspidada; duas cúspides estão 
localizadas na vestibular e duas na lingual. Em ordem decrescente de volume 
temos: a cúspide mésio-lingual (mais volumosa) e em seguida as cúspides 
mésio-vestibular, disto-vestibular e a disto-lingual (menos volumosa). Esta 
face é marcada por duas fossetas triangulares, situadas na mesial e na distal e 
uma fosseta no centro com formato de losango. Os sulcos presentes nesta face 
são os sulcos mésio-distal e o vestíbulo-lingual que se cruzam 
perpendicularmente (aspecto de cruz) (Figura 6.62). 
 
Figura 6.62: Face oclusal do segundo molar inferior direito (47). 
 
 
 
 
 163 
Colo 
É semelhante ao do primeiro molar inferior. 
 
Raízes 
São semelhantes as do primeiro molar inferior, com a diferença que 
são mais finas (Figura 6.63). A raiz mesial é curvada para distal em 53% dos 
casos e a raiz distal é reta em 58% dos casos. Na figura 6.63 as raízes não 
seguem este padrão. 
 
Figura 6.63: Vista vestibular das raízes do segundo molar inferior direito 
(47). 
 
 
6.9 TERCEIRO MOLAR INFERIOR 
São dentes com dimensões bastante variáveis. As modificações de 
forma são bastante parecidas com as apresentadas no terceiro molar superior 
(Figura 6.64). Muitas pessoas atualmente já possuem agenesia deste dente, e 
a grande maioria da população possui este dente impactado. É um dente que 
 
 
 
164 
 
muitas vezes não irrompe por formação na direção contrária à da direção do 
arco dental. 
 
Figura 6.64: Vista vestibular do terceiro molar inferior esquerdo (38). 
 
 
Coroa 
Face vestibular: Apresenta a forma de um trapézio, podendo 
apresentar um ou dois sulcos, dependendo do número de cúspides (Figura 
6.65). Geralmente possui cinco cúspides se assemelhando bastante ao 
primeiro molar. Também pode apresentar quatro cúspides se assemelhando 
bastante ao segundo molar inferior. 
Figura 6.65: Face vestibular do terceiro molar inferior esquerdo (38). 
 
 
 
 165 
Face lingual: Semelhante à do primeiro e segundo molares inferiores, 
com bastante convexidade (Figura 6.66). 
 
Figura 6.66: Face lingual do terceiro molar inferior esquerdo (38). 
 
Faces proximais: Apresentam convexidade ao nível do terço oclusal e 
são planas ou côncavas ao nível do terço cervical (Figura 6.67). 
 
Figura 6.67: Face mesial do terceiro molar inferior esquerdo (38). 
 
 
 
 
166 
 
Face oclusal: Possui as mesmas características de um segundo molar 
inferior quando apresenta quatro cúspides e de um primeiro molar inferior 
quando apresenta cinco cúspides, mas pode apresentar até oito cúspides. Os 
sulcos são um pouco menos retilíneos que os dos primeiros e segundos 
molares e os sulcos secundários são muito mais presentes (Figura 6.68). 
Figura 6.68: Face oclusal do terceiro molar inferior esquerdo (38). 
 
Colo 
Apresenta-se semelhante ao do colo do primeiro molar inferior 
quando é de forma típica. 
 
Raízes 
Geralmente as raízes apresentam-se reunidas em um único cone, mas 
também podemos encontrá-las fusionadas parcialmente e até mesmo 
 
 
 167 
completamente separadas. O desvio disto-lingual é bastante frequente bem 
como as dilacerações (Figura 6.69). 
Figura 6.69: Vista vestibular das raízes do terceiro molar inferior esquerdo 
(38). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
168 
 
CAPÍTULO 7 - DENTES DECÍDUOS 
 
7.1 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS DENTES DECÍDUOS 
A denominação de dentes decíduos é originada do latim “decidere” 
que significa cair, mas também são conhecidos como dentes de leite, 
temporários, caducos ou da primeira infância e constituem a dentição da 
criança. 
A partir aproximadamente dos 5 meses de idade, a criança inicia a fase 
da mastigação, assim os dentes começam a surgir devido esta necessidade 
fisiológica e finalizam sua erupção aos 3 anos de idade, com um total de 10 
dentes na arcada superior e 10 dentes na arcada inferior. Deste modo, a 
criança totaliza 20 dentes até uns 6 anos de idade, onde se inicia a formação 
do primeiro molar inferior permanente ou também conhecido como molar dos 
6 anos, erupcionando posteriormente ao segundo molar decíduo. 
Concomitante a este fato, inicia-se a troca dos dentes anteriores decíduos 
pelos dentes permanentes, sendo que se finaliza a troca total dos decíduos aos 
12 anos de idade, aproximadamente, com a erupção dos segundos molares 
permanentes, faltando apenas a erupção dos terceiros molares permanentes 
caso estes existam, pois atualmente estes dentes estão praticamente extintos 
ou quando aparecem podem não estar presentes nos quatro quadrantes 
existindo assim a anodontia (ausência) em algum dos arcos. 
Os dentes decíduos possuem as mesmas denominações dos dentes 
permanentes, isto é, são divididos em grupos de incisivos, caninos e molares. 
Não existe o grupo dos pré-molares na dentição decídua. Mesmo com formas 
semelhantes aos dentes permanentes, os decíduos apresentam o eixo 
longitudinal, sentido cérvico-oclusal, menor doque o eixo transversal, sentido 
mésio-distal. 
 
 
 169 
A coloração branca azulada ou branca leitosa que ocorre devido a 
menor mineralização destes dentes, é uma característica que lhe deu a 
denominação popular de dentes de leite. A coroa destes dentes possui 
coloração uniforme. Morfologicamente são muito semelhantes aos 
permanentes no que se refere ao grupo de incisivos e caninos. O primeiro 
molar decíduo não se assemelha a nenhum molar da arcada permanente, não 
sendo o que ocorre com o segundo molar decíduo que possui as mesmas 
características dos primeiros molares permanentes. 
O dente decíduo apresenta-se menos mineralizado que o dente 
permanente, menos duro, menos resistente, com menor porcentagem de cálcio 
o que determina a tonalidade azulada exibida na coroa destes dentes. 
Os dentes decíduos são menores que os permanentes e a relação 
volumétrica entre eles faz com que o permanente seja 1/3 mais volumoso que 
os decíduos (Figura 7.1). 
Figura 7.1: Incisivo Central Superior Decíduo Direito (51) e Incisivo 
Central Superior Permanente Esquerdo (21). 
 
 
 
 
170 
 
Estes dentes de leite apresentam um aspecto globoso da coroa, com 
espessamento do esmalte cervical determinando um maior estrangulamento 
ao nível do colo, conferindo a estes dentes um aspecto tosco característico. O 
colo é muito estrangulado, pois o esmalte mantendo a mesma espessura que 
possui nas faces laterais da coroa, termina de maneira brusca ao nível da linha 
cervical, provocando a formação de uma saliência mais ou menos evidente, 
um colar de esmalte, conferindo à coroa uma exuberância em sua face 
vestibular (Figura 7.2). 
 
Figura 7.2: Estrangulamento do colo (setas) do Incisivo Central Superior 
Decíduo Direito (51). 
 
 
Os dentes permanentes possuem maior sensibilidade aos estímulos do 
que os dentes decíduos, isso devido a maior riqueza das terminações nervosas 
existentes nos permanentes. Outra característica singular dos dentes decíduos 
é a suscetibilidade frente às agressões de agentes infecciosos ou mesmo 
 
 
 171 
terapêuticos. Nos dentes decíduos o processo carioso evolui muito mais 
rapidamente podendo comprometer a integridade pulpar precocemente, fato 
este que leva mais tempo nos dentes permanentes por causa de sua maior 
mineralização e também por possuírem revestimento amelodentínico mais 
espesso. 
 As raízes dos dentes temporários são proporcionalmente maiores que 
as raízes dos dentes permanentes, mais delgadas e divergentes nos dentes 
multirradiculares, possuindo em sua forma definitiva ápices pontiagudos e 
orifícios radiculares puntiformes. 
Quando os ápices radiculares começam a sofrer o processo de 
reabsorção notam-se raízes irregulares determinando a formação de espículas 
dentinárias características deste período da evolução dental. 
Quanto à forma das raízes dos dentes decíduos, observa-se nos dentes 
unirradiculares um ápice mais agudo e a raiz com desvio para a vestibular a 
partir do terço apical e, às vezes, a partir do terço médio. Esta situação pode 
ser explicada pelo posicionamento lingual/palatino e apical do germe do dente 
permanente. Nos dentes multirradiculares, as raízes dos dentes decíduos são 
mais planas e divergentes que os dentes permanentes, esta situação pode ser 
explicada devido estas raízes alojarem os germes dos dentes permanentes 
(Figura 7.3). 
Outra característica importante nos decíduos é a ocorrência da 
bifurcação radicular em pleno terço cervical, próximo ao colo, enquanto nos 
dentes permanentes a bifurcação radicular ocorre na união do terço médio 
com o cervical ou apenas no terço médio. 
 
 
 
 
 
 
172 
 
Figura 7.3: Divergência das raízes do Primeiro Molar Inferior Decíduo 
Esquerdo (74). 
 
 
Especificamente com relação ao posicionamento da raiz palatina, nos 
dentes permanentes estas estão situadas praticamente no centro da face 
palatina da coroa, o que não ocorre nos decíduos onde a raiz palatina situa-se 
mais distalmente em relação à coroa. 
As câmaras pulpares nos dentes decíduos apresentam-se maiores 
proporcionalmente aos dentes permanentes, bem como um maior calibre de 
seus canais radiculares. 
 
7.2 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS DENTES INCISIVOS 
DECÍDUOS 
Os incisivos decíduos totalizam um número de oito com as mesmas 
características morfológicas dos permanentes, sendo quatro incisivos 
centrais, dois superiores e dois inferiores e quatro incisivos laterais, dois 
superiores e dois inferiores. 
 
 
 173 
A posição deste grupo de dentes no alvéolo é mais vertical se 
comparada ao mesmo grupo dos permanentes. O incisivo central superior, 
numa normo-oclusão, oclui com o incisivo central inferior e com a metade 
mesial do incisivo lateral inferior. O incisivo lateral superior oclui com o seu 
homônimo inferior e mais metade mesial do canino inferior. 
Desta forma como ocorre nos dentes incisivos permanentes, os dentes 
de leite superiores são mais volumosos e dispõem-se no arco dental de 
maneira decrescente no sentido mésio-distal, enquanto os inferiores de modo 
contrário, dispõem-se de maneira crescente, no mesmo sentido. A relação de 
tamanho entre os incisivos superiores e inferiores mostra os decíduos 
superiores mais volumosos que os decíduos inferiores. 
 
Coroa 
A coroa dos dentes incisivos decíduos possui aspecto cuneiforme 
semelhante à coroa dos dentes incisivos permanentes, porém, a face vestibular 
dos decíduos é mais larga do que alta, observando o inverso nos dentes 
permanentes (Figura 7.4). 
Figura 7.4: Coroa do Incisivo Central Superior Decíduo. 
 
 
 
 
174 
 
Face Vestibular 
Esta face pode ser inscrita num trapézio de maior lado oclusal. A face 
vestibular é lisa e convexa, com sulcos de desenvolvimento pouco acentuados 
separando lóbulos discretamente e com a mesma disposição dos incisivos 
permanentes (Figura 7.5). 
Figura 7.5: Face vestibular do Incisivo Central Superior Decíduo. 
 
 
Face Lingual/Palatina 
Esta face também pode ser inscrita num trapézio de maior lado oclusal, 
sendo côncava nos dois terços oclusais e limitada por cristas marginais bem salientes. 
Os sulcos de desenvolvimento e a divisão lobular são altamente discretos (Figura 
7.6). 
Figura 7.6: Face palatina do Incisivo Central Superior Decíduo. 
 
 
 
 175 
Faces Proximais 
Estas faces possuem formato triangular, com lados e ângulos 
arredondados, com maior convexidade no terço oclusal. As margens que a 
delimitam são arredondadas e continuam de maneira discreta nas faces 
vizinhas. A margem cervical possui a forma de um “V”, de abertura voltada 
para a raiz (Figura 7.7). 
Figura 7.7: Face proximal do Incisivo Central Superior Decíduo. 
 
 
Margem Incisal 
A margem incisal tem uma borda cortante nos dentes que ainda não 
foram desgastados e transformam-se numa faceta retilínea e inclinada para a 
distal nos dentes desgastados numa normo-oclusão (Figura 7.8). 
 
 
 
 
176 
 
Figura 7.8: Margem incisal do Incisivo Central Superior Decíduo. 
 
 
Colo 
O colo é bem delimitado e como o esmalte da coroa possui a mesma 
espessura em toda sua face, termina abruptamente na linha cervical formando 
um colar de esmalte, dependendo do dente considerado ou lado observado. 
Raiz 
A raiz é cônica de lados e ângulos arredondados, com sulcos 
radiculares principalmente na face vestibular da raiz, semelhante ao 
permanente. É característica comum a estes dentes a presença de um desvio 
constante da raiz para o lado vestibular, verdadeiro acotovelamento do terço 
apical devido a presença do folículo dental do germe do dente permanente 
(Figura 7.9). O ápice radicular apresenta-se com um único forame, circular e 
muito regular nos dentes em desenvolvimento ou já evoluídos, porém, nos 
dentes em processo de reabsorção o ápice radicular apresenta-se cheio de 
reentrâncias e saliências como verdadeiras espículas dentinárias. 
 
 
 
 177 
Figura 7.9: Vista vestibularda raiz do Incisivo Central Superior Decíduo. 
 
 
7.3 INCISIVO CENTRAL SUPERIOR DECÍDUO 
O incisivo central superior decíduo é o primeiro dente a erupcionar no 
arco superior, sendo o mais volumoso da série dos incisivos. Este dente é 
muito parecido com o incisivo central superior permanente, apesar de seu 
aspecto rústico. 
Coroa 
A coroa deste dente tem a forma de uma cunha, sendo mais larga do 
que alta e bastante achatada no sentido vestíbulo-palatino (Figura 7.10). 
 
 
 
178 
 
Figura 7.10: Vista proximal do Incisivo Central Superior Decíduo Direito 
(51). 
 
 
Face vestibular 
Esta face tem a forma de trapézio, de maior lado voltado para a 
margem incisal, sendo muito convexa em todos os sentidos, principalmente 
junto ao colo. Existem sulcos de desenvolvimento como nos dentes 
permanentes, que dividem o dente em lóbulos (mesial, mediano e distal), 
porém, estes são menos salientes apesar de mostrarem a mesma disposição e 
volume proporcionais ao tamanho do dente decíduo. 
Existem quatro margens que delimitam esta face: a margem cervical 
curvilínea e muito bem delimitada com um colar de esmalte bem definido; a 
margem incisal inicialmente retilínea nos dentes sem desgastes, possuindo 
 
 
 179 
três dentículos separados por duas incisuras pouco profundas invadindo as 
faces vestibular e lingual desaparecendo na altura do terço incisal; a margem 
distal é muito curta e convexa formando um ângulo com a margem incisal 
bastante arredondado; a margem mesial é mais reta e longa se comparada com 
a distal (Figura 7.11). 
Figura 7.11: Face vestibular do Incisivo Central Superior Decíduo Direito 
(51). 
 
 
Face Palatina 
Esta face é menor que a vestibular com sulcos e lóbulos pouco nítidos; 
apresenta-se na forma de um trapézio de maior lado voltado para a cervical, 
sendo esta porção mais convexa, devido a presença do cíngulo, e seus outros 
dois terços incisais possuem uma forma mais escavada. Nesta face, a margem 
cervical merece destaque pelo grande desenvolvimento do colar de esmalte, 
 
 
 
180 
 
embora este seja em menor proporção que o da face vestibular (Figuras 7.12 
e 7.13). 
Figura 7.12: Face palatina do Incisivo Central Superior Decíduo Direito 
(51). 
 
 
Figura 7.13: Face palatina do Incisivo Central Superior Decíduo Direito 
(51). 
 
 
 
 181 
Faces proximais 
Estas faces apresentam-se forma triangular com lados e ângulos 
arredondados, são planas ou côncavas próximo ao colo e bastante convexas 
no terço incisal. Suas margens apresentam as mesmas características dos 
permanentes, exceto quanto a maior saliência do colar de esmalte no terço 
cervical (Figura 7.14). 
 
Figura 7.14: Face mesial do Incisivo Central Superior Decíduo Direito 
(51). 
 
 
Margem lncisal 
A margem incisal em dentes jovens caracteriza-se por três dentículos, 
separados por duas linhas pouco profundas delimitando os lóbulos dos dentes 
 
 
 
182 
 
em mesial, mediano e distal, tanto na face vestibular como na face palatina. 
Com o desgaste fisiológico que acontece nos dentes, esta margem vai se 
transformando em uma faceta retangular, biselada no sentido palatino e com 
leve inclinação oblíqua para a face distal, tornado o ângulo distal muito 
arredondado e o mesial agudo e vivo (Figura 7.15). 
 
Figura 7.15: Margem incisal do Incisivo Central Superior Decíduo Direito 
(51). 
 
 
Colo 
O colo é caracterizado por uma linha sinuosa côncavo-convexa muito 
evidenciada nas faces vestibular e palatina, onde o colar do esmalte é muito 
evidente. Nas faces proximais, o colo configura um V de abertura angular 
voltada para a raiz (Figura 7.16). 
 
 
 
 
 183 
Raiz 
A raiz deste dente é única, cônica com ligeiro achatamento no sentido 
vestíbulo-palatino. Numa vista vestibular, a raiz inclina-se ligeiramente para 
o lado distal; numa vista proximal, a raiz mostra um acotovelamento do terço 
apical voltada para o lado vestibular (Figura 7.16). 
Figura 7.16: Vista mesial do Incisivo Central Superior Decíduo Direito 
(51). 
 
 
 
 
 
184 
 
7.4 INCISIVO LATERAL SUPERIOR DECÍDUO 
O incisivo lateral superior decíduo é o segundo dente do arco superior 
e menos volumoso que o incisivo central superior decíduo. Situa-se 
distalmente ao incisivo central e mesialmente ao canino superior decíduo. 
Coroa 
A coroa deste dente possui formato caniniforme, sendo mais alta do 
que larga e com achatamento no sentido vestíbulo-palatino (Figura 7.17). 
Face vestibular 
A face vestibular do incisivo lateral superior decíduo possui lóbulos e 
sulcos pouco nítidos em comparação ao incisivo central superior decíduo e 
apresenta-se bastante convexa, com formato trapezoidal (Figura 7.17). 
Figura 7.17: Face vestibular do Incisivo Lateral Superior Decíduo Direito 
(52). 
 
 
Face palatina 
As cristas marginais deste dente são bem delimitadas tornando esta 
face bastante estreita e escavada (Figura 7.18). 
 
 
 
 185 
Figura 7.18: Face palatina do Incisivo Lateral Superior Decíduo Direito 
(52). 
 
Faces proximais 
Estas faces se assemelham às faces dos incisivos centrais superiores, 
porém possuem menores proporções (Figura 7.19). 
Figura 7.19: Face mesial do Incisivo Lateral Superior Decíduo Direito (52). 
 
 
 
 
 
 
186 
 
Margem incisal 
Esta margem pode apresentar dentículos como nos incisivos centrais 
superiores decíduos, porém, em menores proporções e tem na sua porção 
média, uma verdadeira cúspide que rapidamente se desgasta dando ao dente 
um aspecto caniniforme. Com o desgaste fisiológico desta face, a margem 
incisal torna-se uma faceta plana, inclinada obliquamente para a distal e 
biselada no sentido palatino (Figura 7.20). 
 
Figura 7.20: Margem incisal do Incisivo Lateral Superior Decíduo Direito 
(52). 
 
 
Colo 
O colo é caracterizado por uma linha sinuosa côncavo-convexa muito 
evidenciada nas faces vestibular e palatina, onde o colar de esmalte é muito 
evidente, porém de dimensões menores que os incisivos centrais superiores 
decíduos (Figura 7.21). 
 
 
 
 187 
Figura 7.21: Linha de colo nas faces vestibular e mesial do Incisivo Lateral 
Superior Decíduo Direito (52). 
 
Raiz 
A raiz é cônica e achatada mésio-distalmente, caracterizada pelo 
desvio do terço apical para o lado vestibular e distal. 
 
7.5 INCISIVO CENTRAL INFERIOR DECÍDUO 
O incisivo central inferior decíduo, geralmente é o primeiro dente a 
irromper na arcada dental de uma criança, ele é o menor do grupo dos 
incisivos e o menos volumoso da série inferior. De maneira geral possui as 
mesmas características do incisivo central inferior permanente, guardada as 
devidas proporções de tamanho. 
Este dente oclui apenas com o incisivo central superior decíduo, o qual 
o recobre no terço incisal da face vestibular, na normo oclusão. Sua face 
vestibular é quase vertical e no sentido vestíbulo-lingual a raiz inclina-se 
ligeiramente para a distal. 
 
 
 
188 
 
Coroa 
A coroa deste dente é muito alongada no sentido longitudinal e 
achatada no sentido transversal, ou seja, mésio-distal. 
Face vestibular 
A forma desta face é de um trapézio bastante alongado, com pouca 
convexidade em toda sua extensão, exceto ao nível do colo onde existe uma 
maior convexidade em virtude do colar de esmalte (Figura 7.22). 
Figura 7.22: Face vestibular do Incisivo Central Inferior Decíduo Esquerdo 
(71). 
 
 
 
Face lingual 
A face lingual também possui um formato de um trapézio, porém 
menor que a face precedente e apresenta-se mais escavada (Figura 7.23). 
 
 
 
 189 
Figura 7.23: Face lingual do Incisivo Central Inferior Decíduo Esquerdo 
(71). 
 
 
Faces proximais 
As faces proximais possuem forma triangular, de lados e ângulos 
arredondados (Figura 7.24). 
 
Figura 7.24: Face mesial do Incisivo Central Inferior Decíduo Esquerdo 
(71). 
 
 
 
 
190 
 
Margem incisal 
Esta margem pode apresentar dentículos como nos incisivos centraissuperiores, porém, em menores proporções. Com o desgaste fisiológico desta 
face, a margem incisal apresenta um bisel na vestibular, pois o arco superior 
envolve o inferior. 
Colo 
O colo é caracterizado por uma linha sinuosa côncavo-convexa muito 
evidenciada nas faces vestibular e lingual e possui um forte achatamento no 
sentido mésio-distal. 
 
Raiz 
A raiz é longa e achatada mésio-distalmente, sendo muito sulcada em 
suas faces proximais. Sua secção transversal é oval e o seu terço apical é 
muitas vezes desviado para o lado disto-vestibular (Figura 7.25). 
 
Figura 7.25: Vista vestibular do Incisivo Central Inferior Decíduo Esquerdo 
(71). 
 
 
 
 191 
7.6 INCISIVO LATERAL INFERIOR DECÍDUO 
O incisivo lateral inferior decíduo é mais volumoso que o incisivo 
central inferior decíduo e localiza-se distalmente a este. Sua face vestibular é 
ligeiramente inclinada para a região lingual e sua raiz desviada para a face 
distal. 
Coroa 
A coroa deste dente é muito alongada no sentido longitudinal e 
achatada no sentido mésio-distal, semelhante ao incisivo central inferior, 
porém, possui um maior volume. 
Numa vista vestibular, nota-se que as margens proximais são 
divergentes para a margem incisal, característica diferencial entre este dente 
e o seu antecessor, que apresenta estas margens mais paralelas. 
Face vestibular 
A forma desta face é de um trapézio bastante alongado, com pouca 
convexidade em toda sua extensão, exceto ao nível do colo onde existe uma 
maior convexidade em virtude do colar de esmalte (Figura 7.26). 
 
Figura 7.26: Face vestibular do Incisivo Lateral Inferior Decíduo Direito 
(82). 
 
 
 
 
192 
 
Face lingual 
A face lingual também possui um formato de um trapézio, porém 
menor que a face precedente e apresenta-se mais escavada (Figura 7.27). 
Figura 7.27: Face lingual do Incisivo Lateral Inferior Decíduo 
Direito (82). 
 
 
 
Faces proximais 
As faces proximais possuem forma triangular, de lados e ângulos 
arredondados (Figura 7.28). 
Figura 7.28: Face distal do Incisivo Lateral Inferior Decíduo Direito (82). 
 
 
 
 193 
Margem incisal 
A característica diferencial deste dente com o seu antecessor é o 
arredondamento do ângulo distal da margem livre, apesar de ser bem menos 
acentuado que o incisivo lateral superior decíduo (Figura 7.29). 
 
Figura 7.29: Margem incisal (seta: arredondamento do ângulo distal) do 
Incisivo Lateral Inferior Decíduo Direito (82). 
 
 
Colo 
O colo é caracterizado por uma linha sinuosa côncavo-convexa muito 
evidenciada nas faces vestibular e lingual, onde o colar de esmalte é muito 
evidente. 
 
Raiz 
A raiz é cônica e bastante achatada no sentido mésio-distal, com o 
terço apical muitas vezes desviado para o lado vestíbulo-distal. 
 
 
 
 
194 
 
Figura 7.30: Vista vestibular da raiz reabsorvida do Incisivo Lateral 
Inferior Decíduo Direito (82). 
 
 
 
7.7 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS DENTES CANINOS 
DECÍDUOS 
Os caninos decíduos são os terceiros dentes do arco dental. Em 
número de quatro, dois são implantados no arco superior e dois no arco 
inferior. Localizam-se distalmente aos incisivos laterais e mesialmente aos 
primeiros molares decíduos. O canino inferior decíduo oclui com o terço 
mesial do canino superior decíduo. 
 
 
 
 
 195 
Coroa 
A coroa dos caninos decíduos apresenta-se com forma de lança e 
bastante volumosa (Figura 7.31). 
 
Face vestibular 
A face vestibular dos caninos apresenta a forma de um pentágono de 
lados e ângulos arredondados. Possui grande convexidade e uma saliência 
bastante pronunciada ao nível do terço cervical o qual constitui o colar de 
esmalte. As quatro margens que delimitam esta face são muito arredondadas. 
A margem incisal apresenta dois sulcos muito curtos e visíveis que dividem 
os três lóbulos desta face. No lóbulo mediano existe uma ponta aguçada que 
se continua nas faces vestibular e lingual/palatina, sendo este o mais 
volumoso de todos (Figura 7.31). 
 
Figura 7.31: Face vestibular do Canino Superior Decíduo. 
 
 
 
 
 
196 
 
Face lingual/palatina 
A face lingual/palatina é escavada nos dois terços incisais e é convexa 
junto a região do colo. Apresenta um cíngulo desenvolvido na margem 
cervical que pode ser bipartido (Figura 7.32). 
Figura 7.32: Face palatina do Canino Superior Decíduo. 
 
Faces proximais 
As faces proximais apresentam a forma de um triângulo com lados e 
ângulos arredondados, sendo a face distal menor e mais convexa (Figura 
7.33). 
Figura 7.33: Face proximal do Canino Superior Decíduo. 
 
 
 
 197 
Margem incisal 
A margem incisal é bem característica com uma ponta bastante 
aguçada na porção central do lóbulo mediano que se desgasta facilmente com 
o tempo (Figura 7.34). 
 
Figura 7.34: Margem incisal do Canino Superior Decíduo. 
 
Colo 
O colo é representado por uma linha sinuosa de convexidade voltada 
para a raiz ao nível da face vestibular e lingual/palatina e em forma de “V” 
nas faces proximais, com abertura angular radicular. 
Raiz 
Quando seccionada transversalmente apresenta uma forma 
prismático-triangular com bordas e ângulos arredondados apresentando três 
faces: a mésio-lingual e a disto-lingual bastante sulcadas e a face vestibular 
(Figura 7.35). A raiz deste dente normalmente apresenta-se voltada para o 
lado distal e vestibular devido a pressão exercida pelo folículo do germe do 
dente permanente. 
 
 
 
 
198 
 
Figura 7.35: Raiz sulcada do Canino Superior Decíduo. 
 
 
 7.8 CANINO SUPERIOR DECÍDUO 
 
O canino superior é o terceiro dente do arco e o primeiro a se articular 
com a maxila, totalizando dois se encontra um de cada lado do plano sagital 
mediano. No sentido vestíbulo-palatino apresenta uma leve inclinação para a 
face vestibular e no sentido mésio-distal inclina-se ligeiramente para a face 
distal. 
 
Coroa 
A coroa do canino superior apresenta uma forma de lança, possuindo 
uma mesma proporção em sua altura e largura, o que lhe confere um aspecto 
abaulado, vista pela face vestibular (Figura 7.36). 
 
 
 
 
 199 
Figura 7.36: Coroa em forma de lança do Canino Superior Decíduo Direito 
(53). 
 
 
Face vestibular 
A face vestibular é convexa em todos os sentidos, principalmente no 
terço cervical, onde se localiza uma bossa semelhante ao tubérculo dos 
molares. Apresenta a forma de pentágono de lados e ângulos arredondados 
(Figura 7.37). Os sulcos, apesar de pouco nítidos, dividem esta face em três 
lóbulos, dos quais o mediano é o maior e onde está localizada a cúspide do 
dente. A margem cervical é curva e convexa para a raiz; a margem incisal 
possui forma de “V”, quando não desgastada, é a maior de todas, sendo 
caracterizada por duas pequenas incisuras que dividem esta face em três 
segmentos de tamanhos diferentes. A margem mesial é convexa, inclinada e 
convergente para a raiz. A margem distal é mais curta, mais inclinada e 
também mais convexa que a mesial (Figura 7.38). 
 
 
 
 
200 
 
Figura 7.37: Face vestibular do Canino Superior Decíduo Direito (53). 
 
 
Figura 7.38: Margem incisal do Canino Superior Decíduo Direito 
(53). 
 
 
 
 201 
Face palatina 
Esta face é semelhante a vestibular, porém de tamanho menor em 
todos os sentidos. Junto ao terço cervical é a região onde se encontra a maior 
convexidade, com o cíngulo proeminente. Nos outros dois terços incisais 
verifica-se a presença de uma saliência mediana, e lateralmente a esta, dois 
sulcos pouco nítidos. Apresenta inclinação para a face vestibular (Figura 
7.39). 
 
Figura 7.39: Face palatina do Canino Superior Decíduo Direito (53). 
 
 
 
 
 
 
202 
 
Faces proximais 
As faces proximais apresentam maior largura do que altura e possuem 
formato triangular, de lados e ângulos arredondados. A face distal é menor e 
mais convexa (Figura 7.40). 
 
Figura 7.40: Face mesial do Canino Superior Decíduo Direito (53). 
 
 
Margemdental até a cirurgia para a colocação de implante ou ainda, de uma 
simples restauração a uma reabilitação total da cavidade oral. Esses são 
alguns dos argumentos que justificam a dedicação do aluno no estudo 
morfológico destas estruturas. 
Objetivando facilitar o reconhecimento e a diferenciação dos dentes, 
bem como dos acidentes anatômicos, é que este livro foi elaborado. Este foi 
redigido tendo por base os livros textos especializados na área, todos 
referenciados ao final, mas de forma mais objetiva e com várias ilustrações 
coloridas, tornando o estudo mais atraente para o estudante de Odontologia. 
Agradecimentos 
 
À Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de 
São Paulo. 
Agradecemos ao Fotógrafo Hermano Teixeira Machado por 
fotografar todos os dentes que ilustraram esse livro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dedicatória 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dedicamos esse livro às nossas famílias, colegas e aos estudantes de 
Odontologia. 
 
SUMÁRIO 
CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO ....................................................................................... 13 
1.1 TERMOS APLICADOS AO ESTUDO ANATÔMICO DOS DENTES ............ 16 
CAPÍTULO 2 - MORFOLOGIA DOS DENTES PERMANENTES ............................ 22 
2.1 GENERALIDADES ................................................................................................... 22 
CAPÍTULO 3 - DENTES INCISIVOS PERMANENTES ............................................. 36 
3.1 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS DENTES INCISIVOS ................................... 36 
3.2 INCISIVO CENTRAL SUPERIOR ........................................................................... 44 
3.3 INCISIVO LATERAL SUPERIOR ........................................................................... 51 
3.4 INCISIVO CENTRAL INFERIOR ............................................................................ 56 
3.5 INCISIVO LATERAL INFERIOR ............................................................................ 62 
CAPÍTULO 4 - DENTES CANINOS PERMANENTES ............................................... 67 
4.1 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS DENTES CANINOS ..................................... 67 
4.2 CANINO SUPERIOR ................................................................................................ 75 
4.3 CANINO INFERIOR ................................................................................................. 79 
CAPÍTULO 5 - DENTES PRÉ-MOLARES PERMANENTES .................................... 84 
5.1 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS DENTES PRÉ-MOLARES ........................... 84 
5.2 PRIMEIRO PRÉ-MOLAR SUPERIOR ..................................................................... 91 
5.3 SEGUNDO PRÉ-MOLAR SUPERIOR ..................................................................... 98 
5.4 PRIMEIRO PRÉ-MOLAR INFERIOR .................................................................... 104 
5.5 SEGUNDO PRÉ-MOLAR INFERIOR .................................................................... 109 
CAPÍTULO 6 - DENTES MOLARES ........................................................................... 115 
6.1 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS DENTES MOLARES PERMANENTES ... 115 
6.2 MOLARES SUPERIORES – MORFOLOGIA GERAL .......................................... 116 
6.3 PRIMEIRO MOLAR SUPERIOR ........................................................................... 123 
6.4 SEGUNDO MOLAR SUPERIOR ........................................................................... 134 
6.5. TERCEIRO MOLAR SUPERIOR .......................................................................... 140 
6.6 MOLARES INFERIORES – MORFOLOGIA GERAL .......................................... 144 
6.7 PRIMEIRO MOLAR INFERIOR ............................................................................ 150 
6.8 SEGUNDO MOLAR INFERIOR ............................................................................ 159 
6.9 TERCEIRO MOLAR INFERIOR ............................................................................ 163 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO 7 - DENTES DECÍDUOS .......................................................................... 168 
7.1 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS DENTES DECÍDUOS ................................ 168 
7.2 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS DENTES INCISIVOS DECÍDUOS ............ 172 
7.3 INCISIVO CENTRAL SUPERIOR DECÍDUO ...................................................... 177 
7.4 INCISIVO LATERAL SUPERIOR DECÍDUO ...................................................... 184 
7.5 INCISIVO CENTRAL INFERIOR DECÍDUO ....................................................... 187 
7.6 INCISIVO LATERAL INFERIOR DECÍDUO ....................................................... 191 
7.7 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS DENTES CANINOS DECÍDUOS .............. 194 
7.8 CANINO SUPERIOR DECÍDUO ........................................................................... 198 
7.9 CANINO INFERIOR DECÍDUO ............................................................................ 204 
7.10 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS DENTES MOLARES DECÍDUOS .......... 209 
7.11 PRIMEIRO MOLAR SUPERIOR DECÍDUO ....................................................... 210 
7.12 SEGUNDO MOLAR SUPERIOR DECÍDUO ....................................................... 218 
7.13 PRIMEIRO MOLAR INFERIOR DECÍDUO ....................................................... 219 
7.14 SEGUNDO MOLAR INFERIOR DECÍDUO ....................................................... 227 
CAPÍTULO 8 - CAVIDADE PULPAR .......................................................................... 230 
8.1 GENERALIDADES ................................................................................................. 230 
8.2 CAVIDADES PULPARES DOS DENTES PERMANENTES ............................... 239 
8.3 CAVIDADES PULPARES DOS DENTES DECÍDUOS ........................................ 248 
REFERÊNCIAS ............................................................................................................... 250 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 13 
CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO 
 
Antes de iniciarmos o estudo dos dentes permanentes, devemos 
definir o que significa dente e, além disso, dar algumas definições básicas 
importantes para este estudo. 
 Os dentes são órgãos mineralizados, resistentes, esbranquiçados e 
implantados em osso próprio, os ossos alveolares, anexados à maxila e à 
mandíbula. Dispõem-se em duas fileiras harmônicas, superior e inferior, 
formando as arcadas dentárias. Estas arcadas e os respectivos ossos suportes 
separam a cavidade da boca em vestíbulo e cavidade da boca propriamente 
dita. 
 
Classificação por grupos de dentes 
Dentição decídua: 
• Incisivos 
• Caninos 
• Molares 
 
Dentição permanente: 
• Incisivos 
• Caninos 
• Pré-molares 
• Molares 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
 
Número de dentições 
O Homem é difiodonte, ou seja, possui dois tipos de dentições, a 
decídua e a permanente. 
Número de dentes 
Dentição decídua: 20 dentes e 3 grupos dentais (incisivos, caninos e 
molares). 
Dentição permanente - 32 dentes e 4 grupos dentais (incisivos, 
caninos, pré-molares e molares). 
Localização dos dentes 
Os dentes são fixados nos alvéolos dos processos alveolares da 
mandíbula no caso dos dentes inferiores, e da maxila nos dentes superiores 
(Figuras 1.1 e 1.2). A articulação gonfose é um termo utilizado na anatomia 
que significa a articulação específica entre os dentes e seus respectivos 
alvéolos dentais. 
Figura 1.1: Corte longitudinal dos dentes implantados em mandíbula 
macerada. 
 
 
 
 
 15 
Figura 1.2: Corte transversal do processo alveolar em maxila 
macerada. 
 
Função dos dentes 
As funções dos dentes são: apreensão, mastigação, proteção, 
sustentação de tecidos moles, articulação das palavras e estética. 
Notação dental 
 A notação dental é um sistema de código ou numeração para os dentes. 
Para o registro dos dentes utilizamos o sistema de doisincisal 
A margem incisal é bem característica com uma ponta bastante 
aguçada na porção central do lóbulo mediano, que é um pouco deslocada para 
a face distal, e que se desgasta facilmente com o tempo, tornando- se uma 
faceta plana. 
 
 
 
 203 
Figura 7.40: Margem incisal do Canino Superior Decíduo Direito (53). 
 
Colo 
O colo é observado como uma linha sinuosa de convexidade voltada 
para a raiz nas faces vestibular e palatina e em forma de “V” nas faces 
proximais com abertura angular radicular. A linha de colo neste dente é maior 
se comparada a do grupo dos incisivos (Figura 7.41). 
 
Figura 7.41: Linha de colo do Canino Superior Decíduo Direito (53). 
 
 
 
 
204 
 
Raiz 
A raiz é frequentemente desviada ao nível do terço apical para o lado 
vestibular. Esta ainda se apresenta cônica, com secção ovalar ou triangular e 
suas faces proximais são sulcadas (Figura 7.42). 
Figura 7.42: Raiz sulcada do Canino Superior Decíduo Direito (53). 
 
 7.9 CANINO INFERIOR DECÍDUO 
O canino inferior apresenta menor volume quando comparado ao 
canino superior decíduo. É o terceiro dente do arco, num total de dois, se 
encontram um de cada lado do plano sagital mediano, sendo este implantado 
na mandíbula. Este dente, no sentido vestíbulo-lingual, apresenta uma suave 
inclinação para a face lingual. 
Coroa 
A coroa do canino inferior decíduo também apresenta uma forma de 
lança, porém, ao contrário do canino superior decíduo, é mais alta do que 
larga. A face vestibular apresenta suave inclinação para a face lingual. De um 
modo geral, possui as mesmas características que o canino superior decíduo, 
porém, menos acentuadas (Figura 7.43). 
 
 
 
 205 
Figura 7.43: Coroa do Canino Inferior Decíduo Direito (83). 
 
Face vestibular 
A face vestibular possui convexidade em todos os sentidos e apresenta 
a forma de pentágono de lados e ângulos arredondados, com os sulcos pouco 
delimitados. O lóbulo mediano é o maior e onde está localizada a cúspide do 
dente. As margens são arredondadas e curvilíneas, sendo a cervical curva de 
convexidade voltada para a raiz; a livre com forma de “V” é a maior de todas; 
a mesial é convexa, inclinada e convergente para a raiz e a distal é mais curta, 
mais inclinada e também mais convexa que a mesial (Figura 7.44). 
 
Figura 7.44: Face vestibular do Canino Inferior Decíduo Direito (83). 
 
 
 
 
206 
 
Face lingual 
Esta face apresenta a mesma conformação que a vestibular, sendo 
menor em todos os sentidos. Junto ao terço cervical é a região onde se 
encontra mais convexa, com a presença do cíngulo, que é menos proeminente 
que o do canino superior decíduo (Figura 7.45). 
Figura 7.45: Face lingual do Canino Inferior Decíduo Direito (83). 
 
Faces proximais 
As faces proximais são mais altas do que largas, possuem formato 
triangular, de lados e ângulos arredondados. A face distal é menor e mais 
convexa (Figura 7.46.1). 
Figura 7.46.1: Face mesial do Canino Inferior Decíduo Direito (83). 
 
 
 
 207 
Margem incisal 
A margem incisal é bem característica com uma ponta bastante 
aguçada na porção central do lóbulo mediano que se desgasta facilmente com 
o tempo, possuindo neste dente uma inclinação para a face lingual devido a 
própria oclusão com os dentes superiores (Figura 7.46.2). 
Figura 7.46.2: Margem incisal do Canino Inferior Decíduo Direito (83). 
 
Colo 
O colo é observado como uma linha sinuosa de convexidade voltada 
para a raiz ao nível da face vestibular e lingual e em forma de “V” nas faces 
proximais, mesial e distal, com abertura angular radicular (Figuras 7.47 e 
7.48). 
Figura 7.47: Linha de colo na face lingual do Canino Inferior Decíduo 
Direito (83). 
 
 
 
 
208 
 
Figura 7.48: Linha de colo na face mesial do Canino Inferior Decíduo 
Direito (83). 
 
Raiz 
A raiz do canino inferior é mais curta do que a do canino superior, 
sempre única, achatada no sentido mésio-distal e frequentemente sulcada nas 
faces proximais. O terço apical da raiz é desviado para o lado vestibular 
(Figura 7.49). 
Figura 7.49: Raiz sulcada do Canino Inferior Decíduo Direito (83). 
 
 
 
 
 209 
7.10 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS DENTES MOLARES DECÍDUOS 
Os molares decíduos são os maiores dentes da arcada da criança. Os 
primeiros molares não possuem semelhanças com outros molares da arcada 
permanente, como é o caso do segundo molar decíduo que se assemelha ao 
primeiro molar permanente. 
A posição destes dentes no arco dental é correspondente à localização 
do primeiro e segundo pré-molares permanentes, encontrando-se na face 
distal dos caninos. Os molares decíduos estão dispostos na arcada dental de 
maneira crescente no sentido mésio-distal, inversamente ao que acontece nos 
dentes permanentes. 
Quanto à forma, os molares são irregularmente cúbicos, com a coroa 
bastante alongada no sentido mésio-distal e de pouca altura no sentido 
longitudinal (Figura 7.50). 
Figura 7.50: Vista da face vestibular do Segundo Molar Inferior Decíduo 
Esquerdo (75) 
 
 
 
 
210 
 
 Nos molares superiores as raízes são dispostas como nos dentes 
permanentes, em número de três sendo uma raiz palatina e duas vestibulares, 
a mésio-vestibular e a disto-vestibular. Nos molares inferiores existe uma raiz 
mesial e uma raiz distal. 
 
7.11 PRIMEIRO MOLAR SUPERIOR DECÍDUO 
O primeiro molar decíduo se encontra localizado distalmente ao 
canino superior e mesialmente ao segundo molar superior decíduo, sendo o 
quarto dente do arco dental e é menos volumoso que o segundo molar 
decíduo. 
A inclinação do primeiro molar superior decíduo, no sentido 
vestíbulo-palatino é praticamente vertical. No sentido mésio-distal sua coroa 
inclina-se discretamente para a face vestibular. 
Em relação à oclusão normal deste dente, as cúspides vestibulares 
ultrapassam as cúspides vestibulares dos primeiros molares inferiores. 
Coroa 
A coroa possui a forma de um cubo irregular, apresentando-se mais 
larga no sentido mésio-distal. Sua face oclusal torna-se maior que a face 
cervical devido ao grande estrangulamento do colo. 
Face vestibular 
A face vestibular pode ser inscrita num trapézio de maior base para a 
oclusal, sendo irregularmente convexa (Figura 7.51). Quatro margens 
delimitam este dente: a margem cervical apresenta-se ondulada e à medida 
que transcorre para a face mesial se dirige obliquamente para cima, deixando 
esta face mais alta que a distal (Figura 7.52). Todas as margens apresentam-
se convexas, porém, ao nível do ângulo triedro mésio-vestíbulo-cervical 
existe uma maior convexidade onde se localiza o tubérculo molar, 
 
 
 211 
característicos destes dentes (Figura 7.53). A margem distal desta face é 
bastante convexa e menor que a margem mesial, sendo esta última mais alta 
e menos convexa e ligeiramente inclinada para o lado distal. A margem 
oclusal é bastante irregular e apresenta dois segmentos discretos que divide 
esta face em mesial e distal, sendo a primeira maior que a segunda no sentido 
transversal. 
Figura 7.51: Face vestibular do Primeiro Molar Superior Decíduo Esquerdo 
(64). 
 
 
 
 
 
212 
 
Figura 7.52: Margem cervical do Primeiro Molar Superior Decíduo 
Esquerdo (64). 
 
 
 
Figura 7.53: Tubérculo molar do Primeiro Molar Superior Decíduo 
Esquerdo (64). 
 
 
 
 213 
Face palatina 
Esta face é menor e mais convexa que a face vestibular. Suas margens 
são muito parecidas com as da face vestibular (Figura 7.54). 
Figura 7.54: Face palatina do Primeiro Molar Superior Decíduo Esquerdo 
(64). 
 
Faces proximais 
Apresentam-se com forma de trapézio sendo mais largas ao nível da 
região cervical. A face distal é mais convexa e menor que a face mesial 
(Figura 7.55). 
Figura 7.55: Face distal do Primeiro Molar Superior Decíduo Esquerdo 
(64). 
 
 
 
 
214 
 
Face oclusal 
Esta face apresenta-se com formato de um trapézio de margens e 
ângulos arredondados com a base maiorvoltada para a face vestibular. 
Este dente apresenta três cúspides, duas voltadas para a face vestibular 
e uma para a face palatina (Figura 7.56). 
 
Figura 7.56: Face oclusal do Primeiro Molar Superior Decíduo Esquerdo 
(64). 
 
Cúspides 
As cúspides do primeiro molar decíduo superior apresentam-se, como 
já relatado anteriormente, em número de três, sendo a palatina a maior e mais 
volumosa; a disto-vestibular é a menor e menos volumosa e a de dimensão 
intermediária é a mésio-vestibular (Figura 7.57). 
 
 
 
 
 
 215 
Figura 7.57: Cúspides do Primeiro Molar Superior Decíduo Esquerdo (64). 
 
Fóssulas 
No primeiro molar superior decíduo existem as fóssulas principais 
triangulares e as acessórias, sendo as primeiras encontradas nas regiões 
mesial e distal, e as segundas, nos pontos de cruzamento dos sulcos. 
Sulcos 
São observados sulcos principal e secundário. O principal encontra-se 
no sentido mésio-distal, é para-central e retilíneo. Da fóssula distal, parte um 
sulco em direção à face vestibular e este por ser raso, não termina em fóssula. 
Com menor frequência, da fóssula mesial, pode partir um sulco, também em 
direção à face vestibular. Os sulcos secundários são pouco profundos e muito 
irregulares sendo evidenciados apenas logo após sua erupção, pois à medida 
que começa a oclusão normal existe um desgaste dos mesmos e estes 
praticamente desaparecem (Figura 7.58). 
 
 
 
216 
 
Figura 7.58: Sulcos e fóssulas do Primeiro Molar Superior Decíduo 
Esquerdo (64). 
 
Cristas marginais 
Assim como ocorre nos dentes molares permanentes, a crista marginal 
na porção mesial é mais volumosa que na porção distal. Estas também 
apresentam maior volume na porção vestibular do que na porção palatina 
(Figura 7.59). 
Figura 7.59: Cristas marginais do Primeiro Molar Superior Decíduo 
Esquerdo (64). 
 
 
 
 217 
Colo 
O colo é caracterizado por uma linha sinuosa, alargada no sentido 
vestíbulo-palatino e achatada no sentido mésio-distal. Nas faces vestibular e 
palatina possui convexidade voltada para a raiz e nas faces proximais possui 
convexidade voltada para a face oclusal. 
Raiz 
Os primeiros molares superiores decíduos possuem três raízes longas, 
delgadas e achatadas, sendo uma palatina (mais volumosa e voltada para o 
lado distal) e duas vestibulares, uma mésio-vestibular (forma triangular e 
maior que a distal) e outra disto-vestibular. As respectivas faces 
interradiculares são profundamente sulcadas no sentido longitudinal (Figura 
7.60). 
Figura 7.60: Vista vestibular das raízes do Primeiro Molar Superior 
Decíduo Esquerdo (64). 
 
 
 
 
 
218 
 
7.12 SEGUNDO MOLAR SUPERIOR DECÍDUO 
O segundo molar superior decíduo é maior que o primeiro molar 
superior decíduo e possui as mesmas características do primeiro molar 
superior permanente. É o quinto dente do arco dental e o último da série dos 
decíduos. No lugar dele irromperá o segundo pré-molar superior. Este dente 
inclina-se suavemente para a vestibular no sentido mésio-distal. Na normo-
oclusão, oclui apenas com o segundo molar inferior decíduo, pelo menos até 
a erupção do primeiro molar permanente. 
Coroa 
A coroa, em todas as faces, é cópia fiel do primeiro molar superior 
permanente, guardada as devidas proporções de tamanho (Figura 7.61). 
 
Figura 7.61: Vista oclusal da coroa do Segundo Molar Superior Decíduo 
Esquerdo (65). 
 
Colo 
O colo é semelhante ao primeiro molar superior decíduo, com maiores 
dimensões. 
 
 
 
 219 
Raiz 
As três raízes são longas e escavadas, assim como as do primeiro 
molar superior decíduo. A raiz palatina e disto-vestibular são normalmente 
unidas. Entre as três raízes forma-se uma verdadeira fossa que aloja o folículo 
do segundo pré-molar permanente (Figura 7.62). 
Figura 7.62: Vista palatina do Segundo Molar Superior Decíduo Esquerdo 
(65). 
 
 
 
7.13 PRIMEIRO MOLAR INFERIOR DECÍDUO 
O primeiro molar inferior decíduo está localizado junto à face distal 
do canino inferior decíduo e face mesial do segundo molar inferior decíduo, 
sendo o primeiro molar inferior decíduo menos volumoso que o segundo 
molar inferior decíduo. 
 
 
 
220 
 
Na boca, no sentido vestíbulo-lingual, sua face vestibular inclina-se 
fortemente para o lado lingual, semelhante ao que ocorre com os 
permanentes. No sentido mésio-distal a coroa se posiciona verticalmente. 
Em normo-oclusão sua cúspide mésio-vestibular oclui com a metade 
distal do canino superior e a cúspide disto-vestibular oclui com a cúspide 
mésio-vestibular do primeiro molar superior. 
Coroa 
A coroa possui uma forma elíptica, com faces e margens 
arredondadas, porém esta coroa é completamente diferente dos outros 
molares (Figura 7.63). 
 
Figura 7.63: Vista vestibular do Primeiro Molar Inferior Decíduo Esquerdo 
(74). 
 
 
 
 221 
Face vestibular 
A face vestibular do primeiro molar inferior decíduo possui formato 
irregularmente trapezoidal, com o seu maior lado voltado para a face oclusal 
(Figura 7.64). Esta face é convexa tanto no sentido transversal como 
longitudinal, apresentando próximo de sua parte média um sulco raso que a 
divide em dois lóbulos, distal e mesial, sendo este último o mais volumoso. 
Neste dente há uma importante convexidade próxima ao nível da margem 
cervical, junto ao ângulo triedro vestíbulo-cérvico-mesial, chamada de 
tubérculo molar (Tubérculo de Zuckerkandl) (Figura 7.65). A face vestibular 
inclina-se consideravelmente, a partir do terço cervical, para a lingual. Em 
relação às margens, a margem oclusal pode apresentar um sulco raso, que 
separa as duas cúspides vestibulares em mésio-vestibular (maior) e disto 
vestibular (menor). Um segundo sulco também pode existir na margem 
oclusal. A margem cervical é ondulada, saliente e inclinada superiormente 
para a distal. A margem distal é muito curta e convexa e a mesial é bastante 
arredondada e quase vertical. 
Figura 7.64: Face vestibular do Primeiro Molar Inferior Decíduo 
Esquerdo (74). 
 
 
 
 
222 
 
Figura 7.65: Vista mesial do Primeiro Molar Inferior Decíduo Esquerdo 
evidenciando o tubérculo molar na face vestibular (74). 
 
 
Face lingual 
Esta face é bem menor que a face vestibular e mais convexa, porém 
com menor inclinação. Nesta face ainda se encontra um sulco mais profundo 
no terço oclusal e que se torna raso ao nível do terço médio, dividindo esta 
face em duas cúspides linguais, onde a mésio-lingual é maior que a disto-
lingual. A margem cervical é ondulada, discreta e com uma ponta que se 
direciona para as raízes deste dente. As demais margens são parecidas com as 
margens da face vestibular (Figura 7.66). 
 
 
 
 223 
Figura 7.66: Face lingual do Primeiro Molar Inferior Decíduo Esquerdo 
(74). 
 
 
Faces proximais 
As faces proximais são inclinadas em direção à região cervical e 
possuem formas trapezoidal de maior lado voltado para a cervical. Tanto a 
face mesial como a distal são convexas, porém na face distal a convexidade é 
maior. Com relação às margens, a oclusal apresenta-se sulcada na porção 
média; a cervical é curva de concavidade voltada para a raiz e mais alta do 
lado lingual do que do vestibular; a lingual é convexa no terço mediano e 
levemente inclinada para lingual; a vestibular, é convexa no terço oclusal, a 
partir daí é retilínea e depois é bastante inclinada para o lado lingual (Figura 
7.67). 
 
 
 
224 
 
Figura 7.67: Face mesial do Primeiro Molar Inferior Decíduo Esquerdo 
(74). 
 
 
Face oclusal 
Esta face possui uma forma elíptica, sendo a porção vestibular mais 
desenvolvida do que a lingual. Apresenta quatro cúspides, duas vestibulares 
e duas linguais, cujo volume, em ordem decrescente é o seguinte: cúspide 
mésio-lingual, mésio-vestibular, disto-vestibular e por fim a disto-lingual. 
Existem duas fóssulas principais junto às cristas marginais mesial e distal, 
sendo a crista marginal mesial mais saliente se assemelhandoem alguns casos 
a um tubérculo (Figura 7.68). Nesta face há três sulcos principais, o mésio-
distal, que separa as cúspides vestibulares das linguais e que algumas vezes é 
interrompido por uma ponte de esmalte; o ocluso-vestibular e o ocluso-lingual 
que é menos nítido (Figura 7.69). 
 
 
 225 
Figura 7.68: Cristas marginais na face oclusal do Primeiro Molar Inferior 
Decíduo Esquerdo (74). 
 
 
Figura 7.69: Ponte de esmalte na face oclusal do Primeiro Molar Inferior 
Decíduo Esquerdo (74). 
 
 
 
 
 
 
226 
 
Colo 
O colo é caracterizado por uma linha sinuosa, alargado no sentido 
vestíbulo-lingual e achatado no sentido mésio-distal. Nas faces vestibular e 
lingual possui convexidade voltada para a raiz e nas faces proximais possui 
convexidade voltada para a face oclusal (Figuras 7.70 e 7.71). 
Raiz 
O primeiro molar inferior decíduo apresenta duas raízes longas, 
sulcadas e delgadas, sendo uma mesial, mais desenvolvida, e outra distal. São 
geminadas e fortemente achatadas no sentido mésio-distal. As raízes 
divergem fortemente a partir do bulbo e convergem no terço apical (Figuras 
7.70 e 7.71). 
 
Figura 7.70: Vista vestibular do Primeiro Molar Inferior Decíduo Esquerdo 
(74). 
 
 
 
 
 
 227 
Figura 7.71: Vista mesial do Primeiro Molar Inferior Decíduo Esquerdo 
(74). 
 
 
7.14 SEGUNDO MOLAR INFERIOR DECÍDUO 
O segundo molar inferior decíduo é mais volumoso que o seu 
antecessor, sendo o quinto dente do arco dental. Situa-se distalmente ao 
primeiro molar inferior e é o último dente do arco decíduo. 
Quanto a sua localização na cavidade bucal, possui no sentido 
vestíbulo-lingual uma inclinação para a face lingual, já no sentido mésio-
distal apresenta-se praticamente vertical. Numa normo-oclusão a sua face 
oclusal oclui com a porção distal do primeiro molar superior e toda a extensão 
da face oclusal do segundo molar superior. 
Coroa 
A coroa deste dente é muito semelhante ao primeiro molar 
permanente, guardada as devidas proporções de tamanho. No sentido mésio-
distal é alongada e é achatada no sentido vestíbulo-lingual (Figura 7.72). A 
 
 
 
228 
 
fundamental diferença deste dente para o primeiro molar permanente está na 
presença do tubérculo molar (Figura 7.73). 
Figura 7.72: Face vestibular do Segundo Molar Inferior Decíduo Esquerdo 
(75). 
 
Figura 7.73: Vista distal do Segundo Molar Inferior Decíduo Esquerdo 
evidenciando o tubérculo molar na face vestibular (75). 
 
 
 
 
 229 
Colo 
O colo deste dente apresenta as mesmas características dos demais, 
exceto na presença de uma saliência maior na linha cervical. 
Raiz 
As raízes também são semelhantes aos primeiros molares 
permanentes, sendo uma mesial e outra distal. São de formato triangular, 
longas e achatadas no sentido mésio-distal. Apresentam-se divergentes no 
terço cervical e convergentes próximo ao terço apical. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
230 
 
CAPÍTULO 8 - CAVIDADE PULPAR 
 
8.1 GENERALIDADES 
A polpa dental, é o único tecido mole do dente, e está contido no 
interior dos tecidos mineralizados numa cavidade denominada cavidade 
pulpar. Guardada a devida proporção, a cavidade pulpar apresenta a 
configuração da forma exterior do dente. 
A cavidade pulpar é constituída pela dentina coronária e pela dentina 
radicular, sendo dividida em duas partes: a câmara coronária e o canal 
radicular, partes estas que apresentam continuidade (Figura 8.1). 
 
Figura 8.1: Vista da cavidade pulpar em corte longitudinal do Incisivo 
Central Inferior Esquerdo (31). 
 
 
 
 
 231 
A cavidade pulpar comunica-se com a região externa por meio do 
forame apical, que é um orifício localizado no ápice radicular. O forame 
apical nem sempre se localiza no ápice da raiz, podendo ser deslocado, único 
ou acompanhado de outros de menor calibre. Por meio dos forames apicais, 
principal e acessórios é que penetram vasos e nervos que se dirigem para a 
polpa. 
Como citado anteriormente, uma das partes da câmara pulpar é a 
câmara coronária e esta apresenta um teto, um assoalho e as paredes 
vestibular, lingual/palatina, mesial e distal (Figuras 8.2 e 8.3). 
 
Figura 8.2: Vista do teto da câmara coronária em corte transversal do 
Segundo Molar Superior Direito (17). 
 
 
 
 
232 
 
Figura 8.3: Vista do assoalho da câmara coronária em corte transversal do 
Segundo Molar Superior Direito (17). 
 
O teto da câmara coronária por corresponder à face oclusal dos dentes 
posteriores e à margem incisal dos dentes anteriores, apresenta elevações 
correspondentes às cúspides ou às margens incisais, elevações estas 
denominadas cornos pulpares (Figura 8.4). 
O assoalho da câmara pulpar situa-se ao nível do colo. Neste origina-
se os prolongamentos radiculares da cavidade pulpar. No caso do dente ser de 
uma única raiz, a abertura para o canal radicular é ampla, centralizada e de 
fácil acesso. Nos dentes multirradiculares, existe dentina entre as várias 
aberturas que dão entrada aos canais radiculares. 
As outras paredes da câmara coronária recebem as mesmas 
denominações das faces da coroa. 
 
 
 233 
Figura 8.4: Vista das paredes da câmara coronária em corte longitudinal do 
Terceiro Molar Inferior Direito (48). 
 
O canal radicular continua-se com a câmara coronária, sendo a 
cavidade contida no interior da raiz dentária, abrindo–se no ápice dental, por 
meio do forame apical. 
Nos dentes unirradiculares é único e nos multirradiculares é um canal 
para cada raiz. Devido ao achatamento mésio-distal das raízes pode ocorrer 
uma duplicidade de canais. 
 
 
 
234 
 
Podemos classificar os canais radiculares em seis tipos principais: 
canal simples, bifurcado, fusionado, colateral ou paralelo, reticular ou 
plexiforme e atrésico. 
Canal principal: acompanha a direção da raiz e pode ser retilíneo ou 
curvilíneo (Figura 8.5). 
Figura 8.5: Desenho esquemático representativo do canal principal. 
 
 
Canal bifurcado: é frequente nos dentes com achatamento da raiz. O 
canal bifurcado pode ser completo ou incompleto. O completo apresenta a 
divisão total do canal principal, e estes se abrem em dois orifícios 
independentes (Figura 8.6). O incompleto é subdividido por dentina e o canal 
apresenta-se irregular e de difícil acesso. 
 
 
 235 
Figura 8.6: Desenho esquemático representativo de canal bifurcado 
completo. 
 
Canal fusionado: é representado pela união de dois canais radiculares, 
sendo esta união total ou parcial. É frequente em dentes com fusão das raízes 
ou com raízes achatadas mésio-distalmente. 
Canal colateral: é um canal de menor diâmetro que o canal principal; 
corre paralelamente a este e abre-se por meio de um forame apical 
independente do forame apical principal ou une-se a este último antes do 
término no ápice da raiz (Figura 8.7). 
Canal reticular: apresenta vários canalículos que se comunicam além 
dos canais paralelos que surgem ao lado do canal principal (Figura 8.7). 
 
 
 
236 
 
Figura 8.7: Desenho esquemático representativo de canal principal, 
colateral e reticular. 
 
Canal atrésico: é um canal que se estreitou devido à deposição de 
dentina exagerada. Pode terminar em fundo cego ou num forame apical muito 
estreito (Figura 8.8). 
Além destes tipos principais, encontramos outros canalículos de 
calibre bem menores, e muitas vezes numerosos, que são classificados em: 
canal adventício, secundário, acessório, recorrente, intercanal e delta apical. 
Canal adventício: se origina do principal no terço cervical ou médio 
da raiz e abre-se em uma das paredes radiculares (Figura 8.8). 
Canal secundário: se origina do principal, no terço apical, e abre-se 
próximo ao ápice (Figura 8.8). 
 
 
 237 
Canal acessório: se origina num canal secundário e abre-se no terço 
apical da raiz, podendo ser simples ou bifurcado (Figura 8.8). 
Intercanal: une o canal principal ao canal colateral (Figura8.8). 
Figura 8.8: Desenho esquemático representativo dos canais principal, 
atrésico, adventício, secundário, acessório e intercanal. 
 
 
Canal recorrente: se origina no canal principal, percorre certo trecho 
da raiz e desemboca no mesmo canal principal (Figura 8.9). 
Delta apical: são vários canalículos que partem do canal principal no 
terço apical, originando a abertura de vários orifícios menores, em 
substituição ao forame apical principal (Figura 8.9). 
 
 
 
238 
 
Figura 8.9: Desenho esquemático representativo de canal recorrente e delta 
apical. 
 
 
A morfologia dos canais radiculares é variada e complexa e estes 
podem se apresentar cilíndricos, cônicos, achatados ou mesmo não 
apresentarem nenhuma destas formas. Próximo ao ápice radicular, as paredes 
do canal principal apresentam configuração variável: podem ser convergentes 
até o forame apical, constringindo de maneira progressiva a luz do canal 
radicular; podem ser paralelas, como por exemplo nos dentes jovens, sendo a 
luz do canal igual em toda a sua extensão; podem também ser divergentes, 
 
 
 239 
como por exemplo nos dentes jovens, ou em adultos incompletamente 
desenvolvidos. 
Imediatamente após a erupção do dente, o ápice radicular é amplo e 
dilatado, porém com a aposição de dentina e cemento, ocorre o seu rápido 
fechamento e a conversão num canal que permite a passagem do feixe 
vásculo-nervoso. 
Quanto à morfologia dos forames apicais, incluindo-se tanto o 
principal como os acessórios, estes podem se apresentar circulares, elípticos, 
ovais, semilunares, triangulares ou em fenda. 
 
8.2 CAVIDADES PULPARES DOS DENTES PERMANENTES 
 
Incisivo Central Superior 
Câmara coronária: apresenta-se achatada no sentido vestíbulo-lingual 
e alargada no sentido mésio-distal. Não há um limite nítido entre câmara 
coronária e canal radicular devido à continuidade entre estas partes (Figura 
8.10). Nos cortes de direção vestíbulo-lingual a câmara coronária é afilada na 
extremidade incisal e próximo ao colo do dente é alargada devido à presença 
do cíngulo. 
Canal radicular: apresenta a forma cilíndrica ou cônica alongada, 
diminuindo gradativamente até o forame apical (Figura 8.10). Devido à 
grande percentagem de raízes retilíneas, o canal radicular deste dente é 
facilmente acessado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
240 
 
Figura 8.10: Vista da cavidade pulpar em corte longitudinal do Incisivo 
Central Superior Direito (11). 
 
 
Incisivo Lateral Superior 
Câmara coronária: apresenta-se achatada no sentido vestíbulo-lingual 
e alargada no sentido mésio-distal semelhante ao incisivo central superior, 
porém com tamanho bem menor. Assim como no incisivo central superior, 
não há um limite nítido entre câmara coronária e canal radicular. Nos cortes 
de direção vestíbulo-lingual a câmara coronária é afilada na extremidade 
incisal e próximo ao colo do dente é alargada devido à presença do cíngulo. 
Canal radicular: apresenta a forma cônica e é achatado no sentido 
mésio-distal. Muitas vezes o canal é retilíneo, com tendência para curvar-se 
para a face distal. 
 
 
 
 
 
 241 
Incisivo Central Inferior 
Câmara coronária: apresenta-se semelhante ao incisivo central 
superior. É larga no sentido vestíbulo-lingual, constituindo uma verdadeira 
fenda e no sentido mésio-distal é estreita (Figura 8.11). 
Canal radicular: é fortemente achatado no sentido mésio-distal e 
alargado no sentido vestíbulo-lingual (Figura 8.11). Não é raro encontrar a 
bifurcação do canal radicular que terminam em forames apicais diferentes. 
Dependendo do grau de achatamento da raiz, em secção transversal, pode 
apresentar a forma de um 8. 
Figura 8.11: Vista da cavidade pulpar em corte longitudinal do Incisivo 
Central Inferior Esquerdo (31). 
 
Incisivo Lateral Inferior 
Apresenta as mesmas características da câmara coronária e do conduto 
radicular do incisivo central inferior. 
Canino Superior 
Câmara coronária: é ampla e única; separa-se do canal radicular por 
um estrangulamento ao nível de colo (Figura 8.12). 
 
 
 
242 
 
Canal radicular: é o mais longo de todos os dentes e quase sempre é 
retilíneo. É largo nos terços cervical e médio e afilado no terço apical (Figura 
8.12). Na maioria dos casos é de secção transversal oval tornando-se 
arredondado no terço apical. 
 
Figura 8.12: Vista da cavidade pulpar do Canino Superior Direito (13). 
 
 
Canino Inferior 
Câmara coronária: é muito parecida com a do canino superior, 
diferindo-se por se apresentar menos escavada na região do cíngulo. 
Canal radicular: é menor que o canal radicular do canino superior. É 
frequente a presença de duas raízes e, portanto, de dois canais radiculares 
independentes devido ao maior grau de achatamento da raiz ou presença de 
sulcos profundos nas faces mesial e distal da raiz. Pode apresentar a forma 
ovalada, achatada lateralmente ou de 8, quando seccionado transversalmente. 
 
 
 
 
 243 
Primeiro Pré-molar Superior 
Câmara coronária: no sentido mésio-distal é irregularmente cúbica e 
achatada. O teto apresenta uma convexidade na parte média (correspondendo 
ao sulco principal mésio-distal da face oclusal) e dois prolongamentos junto 
das margens laterais, sendo o prolongamento vestibular um pouco maior que 
o palatino (Figuras 8.13 e 8.14). A presença de assoalho depende da presença 
de mais de um canal principal, pois, quando unirradicular a câmara não possui 
assoalho. 
Canal radicular: na maioria das vezes são em número de dois. 
Excepcionalmente são únicos ou triplos. Entre os dois canais, o vestibular é 
sempre o menor. São sinuosos e com o ápice desviado para o lado distal 
(Figuras 8.13 e 8.14). Apresenta a forma ovalada quando seccionado 
transversalmente. 
 
Figura 8.13: Vista da cavidade pulpar em corte longitudinal (terço mesial) 
do Primeiro Pré-molar Superior Esquerdo (24). 
 
 
 
 
244 
 
Figura 8.14: Vista da cavidade pulpar em corte longitudinal (terço distal) 
do Primeiro Pré-molar Superior Esquerdo (24). 
 
 
Segundo Pré-molar Superior 
Câmara coronária: é semelhante à câmara coronária do primeiro pré-
molar superior. Não apresenta assoalho pois se continua com um único canal 
radicular. 
Canal radicular: geralmente único, fortemente achatado no sentido 
mésio-distal e bifurcado. Os ramos podem se unir ou se manterem bifurcados. 
Em secção transversal os canais possuem a forma oval. 
 
 
 
 
 245 
Primeiro Pré-molar Inferior 
Câmara coronária: é irregularmente cúbica, possuindo seis faces. 
Apresenta uma única fóssula no lado vestibular, devido ao pequeno 
desenvolvimento da cúspide lingual. O teto é convexo e não há assoalho 
devido à continuidade entre a câmara coronária e o canal radicular que é 
único. 
Canal radicular: é único, estreito tanto no sentido vestíbulo-lingual 
como no sentido mésio-distal. Em secção transversal o canal possui a forma 
oval. 
Segundo Pré-molar Inferior 
Câmara coronária: é bastante semelhante a do primeiro pré-molar 
inferior, porém é maior e achatada no sentido mésio-distal. O teto apresenta 
dois cornos: o vestibular e o lingual sendo este último menos acentuado. 
Canal radicular: geralmente é único e achatado tanto no sentido 
vestíbulo-lingual como no sentido mésio-distal. A presença de dois ou três 
canais depende do número de raízes deste dente. O delta apical é frequente. 
Em secção transversal o canal possui a forma oval. 
Primeiro Molar Superior 
Câmara coronária: é ampla e apresenta a forma de um cubo irregular 
e por meio de um estrangulamento na região de colo delimita-se do canal 
radicular. O teto é convexo, sendo o corno vestibular mais baixo e mais 
pontiagudo que o palatino quando observado num corte vestíbulo-palatino. O 
assoalho apresenta a forma de um trapézio e é menor que o teto. Também é 
fortemente convexo na parte média e este apresenta ao nível dos ângulos 
mesial, distal e palatino as aberturas de comunicaçãocom os canais 
radiculares. 
 
 
 
246 
 
Canais radiculares: são geralmente em número de três e apresentam-
se na forma de um triângulo isósceles com o ápice voltado para o lado palatino 
e a base vestibular delimitada pelos dois canais vestíbulo-mesial e vestíbulo-
distal. 
 1 - Canal palatino: é bastante amplo, cilíndrico e muitas vezes 
retilíneo. É ligeiramente inclinado para o lado distal e de fácil acesso. 
 2 - Canal vestíbulo-mesial: seu acesso é mais difícil devido ao seu 
achatamento no sentido mésio-distal. Muitas vezes o canal mésio-vestibular 
bifurca-se total ou parcialmente. Frequentemente apresenta curvatura de 
concavidade mesial. 
 3 - Canal vestíbulo-distal: é delgado e curvo no sentido inverso ao 
canal vestíbulo-mesial. 
Segundo Molar Superior 
Câmara coronária: quando apresenta quatro cúspides apresenta forma 
semelhante à do primeiro molar superior. Quando apresenta três cúspides a 
câmara coronária apresenta forma triangular. Quando o segundo molar se 
apresenta achatado no sentido vestíbulo-palatino, sua câmara coronária 
apresenta a forma de elipse. No corte vestibular apresenta pequeno corno 
distal, enquanto o corno mesial é amplo e bastante baixo. 
Canal radicular: apresentam-se semelhantes aos canais do primeiro 
molar superior, sendo muito rara a bifurcação do canal mésio-vestibular. 
Terceiro Molar Superior 
Câmara coronária: devido à variação da sua morfologia apresenta uma 
variada morfologia da câmara coronária sendo também mais ampla quando 
comparada a dos outros molares. 
Canal radicular: geralmente são únicos devido a bi ou trigeminação 
das raízes, sendo bastante largos e de secção circular. Se os terceiros molares 
 
 
 247 
apresentam raízes independentes os canais radiculares também o são, 
podendo também apresentar anastomose entre si. 
Primeiro Molar Inferior 
Câmara coronária: apresenta um grande volume e forma cúbica. O 
assoalho é convexo na parte média apresentando a abertura dos canais 
radiculares com forma de um triângulo de ápice voltado para o lado distal. 
Canal radicular: possui três canais, sendo um distal e dois mesiais. Às 
vezes apresenta dois canais distais, totalizando quatro. 
 Canais mesiais: apresentam uma abertura muito pequena, são curvos 
no sentido mésio-distal. Podem ter uma origem única e se tornarem 
independentes. Quando independentes podem se unir próximo ao ápice 
desembocando num forame apical comum. 
 Canal distal: é bastante achatado no sentido mésio-distal, curvo, 
amplo e de fácil acesso. 
Segundo Molar Inferior 
Câmara coronária: apresenta uma câmara coronária mais ampla que o 
primeiro molar inferior, porém bastante semelhante a este último. O assoalho 
pode apresentar a abertura de dois ou três canais. 
Canal radicular: geralmente em número de três, sendo dois mesiais e 
um distal, formando um triângulo, mas o número pode variar. Os canais 
mesiais podem estar fusionados, não havendo o triângulo, apenas duas 
aberturas. 
Terceiro Molar Inferior 
Câmara coronária: quando o terceiro molar inferior apresenta 
morfologia variada a câmara coronária também apresenta variação da 
morfologia, caso contrário é semelhante à câmara coronária dos outros 
molares (Figura 8.15). 
 
 
 
248 
 
Canal radicular: pode apresentar um, dois ou três canais (Figura 8.15). 
Quanto maior o número de canais, menor a dimensão dos mesmos. 
Figura 8.15: Vista da cavidade pulpar em corte longitudinal do Terceiro 
Molar Inferior Direito (48). 
 
 
8.3 CAVIDADES PULPARES DOS DENTES DECÍDUOS 
A cavidade pulpar dos dentes decíduos apresenta morfologia 
semelhante a dos dentes permanentes, porém, o canal radicular é de menor 
calibre. 
Dentes Anteriores 
Apresentam canais de forma simples, com frequentes complicações 
apicais e canais acessórios ou secundários. Nos incisivos inferiores é 
frequente a bifurcação do canal radicular devido à presença de sulcos nas 
faces mesial e distal da raiz. 
 
 
 249 
Dentes Molares 
Apresentam canais variados, podendo haver ramificações apicais, 
canais em fundo cego, ramificações colaterais e canais acessórios ou 
secundários. 
Tanto os molares superiores como os molares inferiores apresentam quatro 
canais, sendo para o molar superior um canal palatino, um disto-vestibular e 
dois canais na raiz mésio-vestibular, e para os molares inferiores dois canais 
na raiz mésio-vestibular e dois canais na raiz disto-vestibular. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
250 
 
REFERÊNCIAS 
 
Della Serra, O; Ferreira, FV. Anatomia Dental. 3a. Ed. São Paulo: Artes 
Médicas, 1981. 
DuBrul, EL. Anatomia Oral de Sicher e DuBrul. Editora Artmed, 1991. 
Figún, ME; Garino, RR. Anatomia Odontológica Funcional e Aplicada. 
Editora Artmed, 2003. 
Picosse, M. Anatomia Dentária. Editora Sarvier, 1979. 
Sicher, H; Tandler, J. Anatomia para Dentistas. Editora Atheneu, 1981. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 251 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1dígitos proposto pela 
Federação Dentária Internacional (FDI). Este sistema consiste em linhas 
gerais em numerar os dentes permanentes e decíduos, com dois algarismos 
arábicos, os quais representam cada elemento de uma hemiarcada. Os dentes 
permanentes correspondem às dezenas de 11 a 18 e de 21 a 28, para os dentes 
superiores; de 31 a 38, e de 41 a 48, para os dentes inferiores. Os números 
dispõem-se em forma de fração, correspondendo os numeradores aos dentes 
superiores e os denominadores aos dentes inferiores (Figura 1.3). 
 
 
 
 
 
 
16 
 
Figura 1.3: Notação dental por dois dígitos da dentição permanente. 
 
Para os dentes decíduos, as dezenas iniciam-se em 51 e terminam em 
85, assim distribuídos em cada hemiarcada (Figura 1.4): 
Figura 1.4: Notação dental por dois dígitos da dentição decídua. 
 
1.1 TERMOS APLICADOS AO ESTUDO ANATÔMICO DOS DENTES 
Os termos aplicados ao estudo dos dentes, da mesma forma que os 
acidentes anatômicos, permitem identificar e descrever o elemento dental e 
também podem ser classificados em elevações ou depressões. 
Cúspides: são elevações, que de forma geral, apresentam volume 
variado e quanto mais próximas do plano medial mais volumosas serão. As 
cúspides são denominadas de acordo com a relação que apresentam com as 
faces proximais (mesias e distais) e livres (vestibulares e linguais ou 
palatinas) (Figura 1.5). 
 
 
 
 
 
 17 
Figura 1.5: Cúspides mésio-palatina (MP); mésio-vestibular (MV); disto-
vestibular (DV) e disto palatina (DP) do primeiro molar superior 
permanente. 
 
 
 
Do ponto de vista geométrico as cúspides são comparáveis a uma 
pirâmide de base quadrangular apresentando uma base voltada para cervical, 
um ápice voltado para oclusal, quatro facetas ou vertentes (planos inclinados), 
sendo duas voltadas para a face oclusal que fazem parte desta face 
denominadas facetas ou vertentes triturantes ou oclusais e duas voltadas para 
as faces livres das coroas e denominadas facetas livres ou lisas, localizando-
se no lado lingual/palatino ou vestibular. Em uma mesma cúspide, as facetas 
triturantes são separadas das facetas livres pelas arestas transversais, de 
direção mésio-distal, e as facetas livres e triturantes mesiais são separadas das 
 
 
 
18 
 
suas homônimas distais pelas arestas axiais, de direção vestíbulo-lingual 
(Figura 1.6). 
Figura 1.6: Representação das facetas triturantes (T) e livres ou lisas (L), 
arestas transversais (em preto) e axiais (em vermelho) da cúspide mésio-
vestibular do primeiro molar superior permanente. 
 
 
Sulcos: São depressões lineares mais ou menos pronunciadas, 
existentes nas faces das coroas dentais resultantes da fusão das cúspides ou 
ainda como pequenas ranhuras nas facetas oclusais das cúspides. Dividem-se 
em: 
• Sulcos Principais: Se originam a partir da fusão de lóbulos ou 
cúspides. São vestígios deixados por essas fusões. São de 
comprimentos variáveis, apresentam-se de forma curvilínea ou 
retilínea. Originam-se de uma fosseta principal e se dirigem a outra 
fosseta principal ou secundária, pode ainda continuar-se pelas faces 
livres. 
 
 
 19 
• Sulcos Secundários ou Acessórios: São depressões menos marcadas, 
que partem das fossetas secundárias para delimitar bordas marginais 
ou lóbulos. São de número variado e não apresentam denominações 
específicas. Os sulcos encontrados na face oclusal podem continuar 
pelas faces livres de todos os molares. Nas faces linguais dos 
incisivos e caninos superiores se encontram sulcos que separam o 
lóbulo e as cristas marginais da depressão lingual. 
 
Fóssulas ou Fossetas: São depressões circunscritas à pequenas 
regiões, situadas nos cruzamentos ou términos de sulcos principais. 
Aparecem com maior frequência nas faces oclusais dos dentes posteriores e 
faces vestibulares dos molares superiores. São denominadas de acordo com 
as suas localizações em: fossetas ou fóssulas em forma de losango ou 
triângulo mesial, distal, etc. 
Fissuras ou Cicatrículas: Entende-se por fissuras, as depressões do 
esmalte, existentes no fundo dos sulcos. Nesse caso, não há presença de 
esmalte em sua parte profunda. Essa falha do esmalte é determinada pela falta 
de coalescência dos prismas, nos locais de união dos lóbulos e cúspides. 
Nesses locais a dentina fica exposta aos fluídos bucais e consequentemente, 
facilmente acometida pelos processos cariosos. 
Cristas Marginais: São elevações de secção triangular ou cilindroide, 
que aparecem nas faces oclusais dos pré-molares e molares e faces linguais 
dos incisivos e caninos. Nos dentes anteriores e posteriores as cristas 
marginais se apresentam em número de duas e denominam-se cristas 
marginais mesial e distal. Nada mais são que a união das arestas transversais 
de cúspides opostas, constituindo um anel de esmalte que dá grande 
resistência às faces oclusais ou às faces lingual/palatina. 
 
 
 
20 
 
Ponte de Esmalte: São saliências de esmalte de secção transversal 
triangular, resultantes da união de arestas longitudinais ou axiais de cúspides 
opostas, V e L. Essas cristas chegam a interromper o sulco principal e 
aparecem com maior frequência na face oclusal do 1° Molar Superior e face 
oclusal do 1° Pré-molar Inferior. 
Tubérculos: São saliências de esmalte que apresentam as mais 
diversas localizações. Eles diferem das cúspides, por não possuírem formas 
nem localizações constantes, ou seja, podem aparecer em qualquer face das 
coroas dentais, ao contrário das cúspides que têm formas piramidais e se 
localizam nas faces oclusais dos dentes posteriores. Estes tubérculos são 
comuns nas cúspides mésio-palatinas dos primeiros molares superiores 
permanentes e no terço cervical das faces vestibulares dos primeiros molares 
inferiores decíduos. 
Fossas: são depressões amplas, de profundidade variável, existentes 
nas faces linguais dos incisivos, sendo estas delimitadas pelas cristas 
marginais e cíngulo. 
Cíngulos: São saliências do esmalte encontradas nos terços cervicais 
das faces palatinas ou linguais dos dentes anteriores (incisivos e caninos). 
Esses acidentes anatômicos representam cúspides em involução ou atrofia. 
Os cíngulos podem aparecer divididos em duas ou três partes, por pequenos 
sulcos secundários. 
Periquimáceas: São pequenas ondulações horizontais localizadas nos 
terços cervicais das faces vestibulares dos dentes anteriores. Ocorrem devido 
às estrias de Retzius durante a formação do esmalte. São importantes na 
refração da luz que incide sobre as coroas. Nos trabalhos artificiais essas 
periquimáceas dão naturalidade aos trabalhos protéticos, principalmente. 
 
 
 21 
Ameias: São espaços em forma de pirâmides, localizadas entre dentes 
do mesmo arco, visíveis por oclusal ou incisal. Estes espaços piramidais terão 
suas bases voltadas para vestibular ou lingual, dependendo da ameia 
considerada. 
Espaços Interdentais: Denominam-se espaços interdentais, as áreas 
situadas entre as faces proximais de dois dentes adjacentes, quando analisadas 
no sentido cérvico-incisal ou cérvico-oclusal. Estes espaços têm forma 
piramidal, de base cervical e em condições normais da cavidade oral acham-
se preenchidos pelas papilas gengivais. 
Ponto de Contato: é o local onde as faces proximais de dois dentes 
adjacentes de mesmo arco se tocam quando analisados no sentido (vertical). 
Esses pontos se localizam nos ápices das pirâmides que representam o espaço 
interdental. Com a mastigação e consequentemente abrasão das bordas 
incisais e faces oclusais esses pontos sofrem pequenos desgastes, 
transformando-se em pequenas áreas ou facetas de contato, com aspectos 
ovoides. Essas pequenas áreas de contato têm fundamental importância na 
manutenção da saúde gengival, protegendo as papilas do impacto dos 
alimentos, além de manterem os dentes em equilíbrio nos arcos dentais. 
Forame Cego: orifício com fundo cego, resultante do prolongamento 
daporção superior da fossa palatina sob o cíngulo. 
Bossa ou Tuberosidade: áreas elevadas com maior espessura de 
esmalte localizadas no terço cervical das faces vestibulares e no terço 
oclusal/incisal das faces proximais. 
 
 
 
 
 
 
 
22 
 
CAPÍTULO 2 - MORFOLOGIA DOS DENTES PERMANENTES 
 
2.1 GENERALIDADES 
Do ponto de vista anatômico e descritivo, o dente é formado por três 
porções distintas: a coroa, o colo, e a raiz ou raízes (Figura 2.1). 
 
Figura 2.1: Porções de um dente. 
 
Coroa 
A coroa é a porção visível do dente quando implantado no alvéolo. A 
sua superfície é lisa, polida e brilhante, propriedades advindas do esmalte 
dental que, além do mais, lhe confere grande resistência. 
 
 
 23 
 Esquematicamente, uma coroa qualquer pode ser comparada a um 
cubo (Figura 2.2). Semelhante configuração francamente admissível para os 
dentes molares, não deixa de ser verdadeira para os caninos e incisivos. A 
disposição cuneiforme das coroas destes dentes invalidaria toda e qualquer 
semelhança com as coroas cúbicas, se não se admitisse a atrofia do segmento 
posterior ou lingual dos mesmos, representado apenas por um simples 
tubérculo. 
Figura 2.2: Conformação cuboide dos molares. 
 
 
Os dentes, como todos os órgãos pares, são assimétricos. A assimetria 
atinge não só o conjunto do dente, mas também todos os seus detalhes, 
particularidades estas que permitem diferenciar com certeza, o lado a que 
!
 
 
 
24 
 
pertence um dente, mas complicam infinitamente o estudo de sua morfologia. 
Os dentes são formas biológicas e como tal exibem somente superfícies 
curvas mais ou menos acentuadas, sendo impossível precisar os limites de 
uma determinada face (faces: paredes da coroa dentária que se orientam de 
maneira diferente; também recebem os nomes de faces os lados das raízes 
dentárias); não se pode representar uma face qualquer, sem ao mesmo tempo 
visualizarmos uma porção maior ou menor das faces vizinhas. Porém, a fim 
de facilitar o estudo dos dentes, estes são descritos face por face, como se 
estas fossem planas e se reunissem por arestas e ângulos vivos. 
 A comparação da coroa dental a um cubo permite definir nesta a 
presença de seis faces, oito ângulos triedros (ângulo: união de duas ou três 
superfícies dentárias), doze ângulos diedros (arestas ou margens – dispostas 
entre duas faces contíguas). 
 São faces da coroa: vestibular, lingual, mesial, distal, oclusal/incisal e 
cervical. 
• Face vestibular: todos os dentes, anteriores ou posteriores, superiores 
ou inferiores, têm uma superfície voltada sempre para o vestíbulo da 
boca. Abreviadamente é designada pela letra V (Figura 2.3). 
Figura 2.3: Face vestibular do incisivo central superior. 
 
 
 
 25 
• Face lingual/palatina: é a face oposta à face vestibular. Está sempre 
voltada para a cavidade da boca propriamente dita. Para melhor 
acentuar as relações desta face com as estruturas vizinhas, a maioria 
dos autores utiliza os seguintes termos: face palatina para os dentes 
superiores e face lingual para os dentes inferiores. Estas se abreviam 
com as letras P e L respectivamente (Figuras 2.4 e 2.5). 
Figura 2.4: Face palatina do incisivo central superior. 
 
Figura 2.5: Face lingual do incisivo central inferior. 
 
 
 
 
26 
 
• Faces proximais: corresponde ao conceito de faces que estão próximas 
ou em contato na mesma arcada. As faces proximais são duas: mesial 
e distal. A face mesial é a superfície de qualquer dente voltada para o 
plano sagital mediano da face, que passa entre os incisivos centrais. 
Este plano divide as arcadas dentárias em dois segmentos, direito e 
esquerdo. Abrevia-se a face mesial com a letra M (Figura 2.6). A face 
distal é a face que se opõe à face mesial, pois está mais distante do 
plano mediano. Difere da mesial por ser mais convexa. Nesta relação 
entre faces de contato mesial e distal temos como exceção os incisivos 
centrais que mantêm contato entre si somente pelas faces mesiais, lado 
a lado da linha sagital mediana, e os terceiros molares, cujas faces 
distais são livres. Abrevia-se com a letra D (Figura 2.7). 
 
Figura 2.6: Face mesial do incisivo central superior. 
 
 
 
 27 
Figura 2.7: Face distal do incisivo central superior. 
 
• Face oclusal/incisal: é a que mantém relações diretas com as faces 
semelhantes do arco oposto. As faces oclusais, as mais complexas de 
todas, têm como correspondentes nos dentes anteriores, as margens 
cortantes dos incisivos e caninos. Nestes dentes, a terminologia mais 
condizente com suas funções é margem incisal. Abrevia-se face 
oclusal com a letra O e incisal com a letra I (Figura 2.8). 
 
Figura 2.8: Face distal do incisivo central superior. 
 
 
 
 
28 
 
• Face cervical: é a que se opõe à face oclusal. É uma face virtual, 
representada por um plano de secção passando pelo colo (zona 
limítrofe entre a coroa e a raiz) do dente. Abrevia-se com a letra C 
(Figura 2.9). 
 
Figura 2.9: Face cervical do canino superior. 
 
 
As faces mesial, distal, vestibular e lingual, apesar de diferentes nas várias 
categorias de dentes, variam apenas pelas dimensões relativas dos elementos 
que a constituem, e por alguns detalhes morfológicos. No entanto, quando 
comparamos as coroas dos incisivos e caninos com as dos pré-molares 
observa-se que elas são diferentes, particularmente por suas faces oclusais. 
Esta face da coroa adaptada a um papel mecânico particular, modifica-se 
consideravelmente na sua configuração. São, por isso, as faces oclusais, as 
que sofrem as modificações mais profundas. 
 
 
 29 
Direção das faces das coroas 
 A direção das faces das coroas obedece a um plano geral de construção 
geométrica que é a mesma em todos os dentes. 
No sentido vertical as faces livres, vestibular ou palatina/ lingual 
convergem em direção à margem incisal ou face oclusal (Figura 2.10). 
 
Figura 2.10: Faces livres com convergência para a face oclusal. 
 
No sentido horizontal ambas as faces livres, vestibular ou palatina/ 
lingual convergem em direção distal (Figura 2.11). 
 
 
 
 
 
 
30 
 
Figura 2.11: Faces livres com convergência para a face distal. 
 
No sentido vertical, as faces proximais (mesial e distal) convergem 
em direção cervical. O maior diâmetro mésio-distal está no terço incisal ou 
oclusal (ponto de contato) (Figura 2.12). 
 
Figura 2.12: Faces proximais com convergência para a região cervical. 
 
 
 
 31 
No sentido horizontal: as faces de contato, mesial e distal convergem 
para lingual/palatina (Figura 2.13). 
 
Figura 2.13: Faces proximais com convergência para a face palatina. 
 
 
Divisão das faces da coroa em terços 
 Qualquer das faces livres da coroa (vestibular e lingual) pode ser 
dividida em terços, não só no sentido da altura (cérvico-oclusal) como 
também no sentido da largura (mésio-distal). Deste modo, as faces vestibular 
e lingual, no sentido vertical, apresentam os seguintes terços: terço oclusal 
(incisal para os incisivos), terço mediano (ou inter-cérvico-oclusal) e terço 
cervical (ou gengival). No sentido mésio-distal, isto é, na largura, estas faces 
podem ainda ser divididas em terço mesial, terço inter-mésio-distal e terço 
distal (Figura 2.14). 
 
!
 
 
 
32 
 
Figura 2.14: Divisão em terços da face vestibular. 
 
 
As faces proximais (mesial e distal) recebem a mesma denominação 
estabelecida para a face vestibular ou lingual e podem ser divididas na altura 
em terço oclusal, terço mediano e terço cervical. No sentido da largura, isto 
é, no sentido vestíbulo-lingual/palatino em terço vestibular, terço vestíbulo-
lingual/palatino e terço lingual/palatino (Figura 2.15). 
 
 
 33 
Figura 2.15: Divisão em terços da face proximal. 
 
 
 As faces oclusais de pré-molares e molares podem ser divididas no 
sentido mésio-distal em terço mesial, terço inter-mésio-distal e terço distal, e 
no sentido vestíbulo-lingual/palatinoem terço vestibular, terço inter-
vestíbulo-lingual/palatino e terço lingual/palatino (Figura 2.16). 
 
 
 
 
 
34 
 
Figura 2.16: Divisão em terços da face oclusal. 
 
 
Colo 
 Como já citado anteriormente, o colo é a zona limítrofe entre a coroa 
e a raiz. É uma linha convencional, onde tomam contato a substância própria 
da coroa e da raiz. A linha de colo é uma linha sinuosa, de aspecto variável, 
segundo o dente considerado. É muito acidentada nos incisivos, atenua-se 
ligeiramente, a partir dos caninos, para tornar-se quase retilínea nos molares. 
 
 
 
 
 35 
Raiz 
 Fixa o dente no seu osso alveolar. Sua conformação geralmente é 
cônica, possui cor amarelada, sem brilho e encontra-se alojada em cavidade 
própria no interior do osso. A raiz é mais longa que a coroa e sofre maior 
número de variações morfológicas. A raiz nem sempre é única. De acordo 
com o tipo de dente, ela pode ser dupla ou tripla, como acontece com os dentes 
situados mais posteriormente nas arcadas dentárias. Também pode ser 
dividida em terços: terço cervical ou basal (porção radicular correspondente 
ao colo), terço médio (representado pelo corpo, ou seja, porção intermediária 
entre a base e o vértice) e terço apical (é a porção do vértice ou ápice, ou seja, 
extremidade da raiz) (Figura 2.17). 
 No ápice ou na sua proximidade há um orifício principal, o forame 
apical, por onde passam vasos e nervos pulpares. Outros orifícios menores 
também situados no terço apical da raiz são denominados de forames 
acessórios. Nestes também passam vasos e nervos. 
 
Figura 2.17: Divisão em terços da raiz. 
 
 
 
 
36 
 
CAPÍTULO 3 - DENTES INCISIVOS PERMANENTES 
 
3.1 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS DENTES INCISIVOS 
Os dentes incisivos estão situados na parte mediana dos arcos dentais. 
Esta denominação deriva da palavra latina incidere que significa cortar, e que 
bem caracteriza a função exercida por estes dentes. Além de cortar os 
alimentos como duas lâminas de tesoura, os incisivos também têm por função 
possibilitar a fala (pronúncia das consoantes dentais), ajudar no apoio dos 
lábios mantendo uma aparência estética e ajudar a guiar a mandíbula 
posteriormente durante a fase final de oclusão, imediatamente antes do 
contato dos dentes posteriores. 
 Os incisivos são dentes simples e unirradiculares, em número de oito, 
sendo quatro superiores (dois incisivos centrais e dois incisivos laterais) e 
quatro inferiores (dois incisivos centrais e dois incisivos laterais). Geralmente 
os incisivos centrais superiores possuem tamanhos maiores que os incisivos 
laterais superiores e nos incisivos inferiores o inverso acontece, os incisivos 
laterais inferiores são maiores que os incisivos centrais inferiores. 
 A forma geral da coroa dos incisivos é de uma cunha ou prisma 
quadrangular, adaptada para a especial função de cortar os alimentos (Figura 
3.1). A coroa apresenta seis faces. Cada uma destas faces é delimitada por 
margens mais ou menos salientes, recebendo a mesma denominação das faces 
que lhe estão mais próximas. O encontro de duas margens forma um ângulo 
diedro, mais ou menos arredondado, segundo o dente em questão. 
 
 
 
 
 
 
 37 
Figura 3.1: Vista mesial da coroa do Incisivo Superior. 
 
 A face vestibular é trapezoidal, com eixo vertical ligeiramente maior 
que o transversal, de lados e ângulos arredondados e alarga-se perto da 
margem incisal. É convexa tanto no sentido vertical como no sentido 
transversal. Nesta encontramos sulcos de desenvolvimento que separam 
lóbulos mais ou menos desenvolvidos. É limitada por quatro margens mais 
ou menos arredondadas e mais ou menos nítidas: a margem cervical, 
curvilínea, de convexidade voltada para a raiz; a margem oclusal retilínea ou 
ondulada (denticulada), margens mesial e distal retilíneas, divergentes para a 
margem incisal e mais ou menos arredondadas, continuam-se sem limites 
precisos com as faces mesial e distal. No encontro das várias margens 
formam-se ângulos diedros e triedros, sempre arredondados, dos quais o 
ângulo distal e o mesial são os mais característicos (Figura 3.2). 
 
 
 
38 
 
Figura 3.2: Face vestibular do Incisivo Superior. 
 
 
A face lingual/palatina é geralmente menor que a vestibular, 
irregularmente quadrilátera ou trapezoidal e alargada junto à margem incisal. 
É mais ou menos escavada e esta escavação seguida ou não de um 
prolongamento em um fundo cego constitui respectivamente, a fossa lingual 
e o forame cego. A fossa palatina/lingual é limitada do lado cervical e dos 
lados proximais, por margens mais ou menos nítidas e é aberta ao nível da 
margem incisal do dente onde ela se alarga (Figuras 3.3 e 3.4). 
 A face lingual/palatina é limitada por três pilares de reforço: as cristas 
marginais mesial e distal que se unem ao nível da margem cervical a um 
terceiro pilar, no ponto correspondente ao atrofiado lobo lingual, onde 
formam o cíngulo, que é uma saliência um tanto acentuada na face 
lingual/palatina dos dentes anteriores. O cíngulo pode apresentar-se sulcado 
e dividido em duas metades ou com uma ou mais saliências que se prolongam 
em toda a face lingual/palatina. 
 
 
 39 
 Também é limitada por quatro margens como a face vestibular 
(Figuras 3.3 e 3.4). 
Figura 3.3: Face palatina do Incisivo Superior. 
 
 
 
 
 
 
40 
 
Figura 3.4: Face lingual do Incisivo Superior. 
 
 
 As faces proximais são triangulares e mais ou menos convexas nos 
sentidos longitudinal e transversal. As margens que as delimitam são 
arredondadas e continuam-se com as faces vizinhas. Os ângulos são agudos e 
arredondados. A margem cervical é em forma de V, de ápice voltado para a 
margem incisal e sua angulação é um pouco maior que noventa graus (Figura 
3.5). 
 
 
 
 41 
Figura 3.5: Face mesial do Incisivo Superior. 
 
 A margem incisal é cortante nos dentes jovens ou com pouco desgaste. 
Quando desgastada esta margem transforma-se em uma verdadeira face. Nos 
primeiros anos de vida é provida de três pequenos tubérculos denominados 
dentículos e estes são separados por dois sulcos (Figura 3.6). Com o tempo 
de uso, os dentículos se desgastam e a margem incisal, de sinuosa e ondulada, 
transforma-se numa pequena faceta plana. 
 
Figura 3.6: Margem incisal do Incisivo Superior. 
 
 
 
 
42 
 
 O colo dos dentes incisivos é representado por uma linha sinuosa 
irregular que ao nível das faces vestibular e lingual, é semicircular, de 
convexidade voltada para a raiz. Nas faces proximais, o colo configura um V 
de abertura angular voltada para a raiz. A reunião destas várias porções forma 
uma linha contínua denominada linha de colo (Figuras 3.7 a 3.10). 
 
Figura 3.7: Face vestibular do Incisivo Superior. 
 
Figura 3.8: Face palatina do Incisivo Superior. 
 
 
 
 43 
Figura 3.9: Face mesial do Incisivo Superior. 
 
Figura 3.10: Face distal do Incisivo Superior. 
 
 Os dentes incisivos são unirradiculares e raramente podem apresentar 
duas raízes. As raízes apresentam geralmente uma forma cônica, 
frequentemente achatadas no sentido mésio-distal, podendo conter sulcos, 
mais ou menos profundos, indícios de sua divisão. O ápice (extremidade da 
raiz) é quase sempre arredondado e inclina-se para o lado distal (Figura 3.11). 
 
 
 
44 
 
Na extremidade da raiz encontra-se um orifício principal, denominado forame 
apical. 
Figura 3.11: Vista vestibular da raiz do Incisivo Superior. 
 
3.2 INCISIVO CENTRAL SUPERIOR 
Coroa 
 É o mais característico e o maior do grupo dos incisivos, com coroa 
volumosa. São em número de dois e estão dispostos lado a lado da linha 
mediana. 
 Na cavidade da boca, quando observado no sentido vestíbulo-palatino, 
a coroa deste dente mostra-se quase verticalmente disposta. Tem como os 
demais, um aspecto cuneiforme quando observado por uma de suas faces 
proximais (Figura 3.12). 
 
 
 45 
Numa oclusão normal o incisivo centralsuperior relaciona-se com o 
incisivo central inferior e a metade mesial do incisivo lateral inferior. 
 
 
Figura 3.12: Vista mesial do Incisivo Central Superior Direito (11). 
 
 
Face Vestibular 
É alargada, apresenta a forma de um trapézio onde o maior lado é 
incisal e o menor lado é cervical. Esta face apresenta pouca desproporção 
entre largura e altura. A face vestibular é convexa tanto no sentido vertical 
como no sentido transversal, porém a convexidade é sempre mais acentuada 
no sentido transversal. Esta convexidade não é uniforme, pois no sentido 
longitudinal alcança o seu máximo junto ao terço cervical, determinando o 
 
 
 
46 
 
aparecimento de uma bossa vestibular. A convexidade diminui 
progressivamente à medida que se aproxima da margem incisal, até tornar-se 
plana. Disto resulta que a metade ou os dois terços incisais da face vestibular 
mostram-se, muitas vezes, completamente planos (Figura 3.13). 
 
Figura 3.13: Face vestibular do Incisivo Central Superior Direito (11). 
 
 
Nos dentes recém-irrompidos observamos sulcos longitudinais, 
denominados sulcos de desenvolvimento, que dividem a coroa em três 
segmentos desiguais ou lóbulos denominados lóbulo mesial (maior volume), 
lóbulo mediano (menor volume) e lóbulo distal (volume médio). Os sulcos e 
lóbulos são mais bem visualizados na metade inferior da coroa, 
desaparecendo à medida que se aproximam da margem cervical. 
Quatro margens limitam a face vestibular: a margem cervical, bastante 
curvilínea, cuja convexidade está voltada para a raiz; a margem distal oblíqua 
 
 
 47 
e convergente para a raiz, mais inclinada e menor que a margem mesial; 
margem mesial, igualmente oblíqua para a raiz, porém bem menos inclinada 
que a margem distal; a margem incisal, mais ou menos retilínea nos dentes 
jovens e que vai se tornando inclinada para o lado distal à medida que o dente 
continua a sofrer a ação do desgaste. Estas margens continuam-se entre si 
formando ângulos arredondados. O ângulo distal formado pelo encontro da 
margem incisal com a distal é arredondado enquanto o mesial formado pelo 
encontro da margem incisal com a mesial é mais aguçado, quase em ângulo 
reto (Figura 3.14). 
 
Figura 3.14: Face vestibular do Incisivo Central Superior Direito (11). 
 
 
Face Palatina 
 Também pode ser inscrita num trapézio cujo lado maior é o incisal. 
Apresenta-se bastante escavada nos 2/3 inferiores de sua extensão, 
constituindo a fossa palatina. A fossa palatina é limitada superiormente pelo 
cíngulo e lateralmente por duas cristas marginais discretas. O cíngulo pode 
 
 
 
48 
 
adotar diversos aspectos, indo desde a forma sulcada até os bipartidos ou 
tripartidos que se prolongam na fossa palatina. As cristas marginais são largas 
ao nível do cíngulo e vão se tornando estreitas à medida que se aproximam 
da margem incisal. Em alguns casos, aparece o forame cego. Nesta face 
também encontramos quatro margens e quatro ângulos (Figura 3.15). 
 
Figura 3.15: Face palatina do Incisivo Central Superior Direito (11). 
 
Face Mesial 
 Pode ser inscrita num triângulo de base cervical e ápice incisal. 
Apresenta maior convexidade no terço incisal do dente, sendo que nos dois 
terços restantes apresentam-se quase planas. É maior e mais plana que a face 
distal (Figura 3.16). 
 
 
 
 
 
 49 
Figura 3.16: Face mesial do Incisivo Central Superior Direito (11). 
 
 Três margens limitam esta face: margem vestibular, convexa no terço 
cervical, plana e vertical no restante de sua extensão; a margem palatina, 
côncavo-convexa, com a concavidade ocupando os dois terços incisais da 
margem; a margem cervical é curvilínea e de concavidade voltada para a raiz 
(Figura 3.17). 
 
Figura 3.17: Face mesial do Incisivo Central Superior Direito (11). 
 
 
 
 
50 
 
 
Face Distal 
 A face distal repete a mesma configuração da precedente, porém é 
menor e mais convexa em todos os sentidos. 
Margem Incisal 
 Nos dentes jovens a margem incisal é provida de três dentículos e estes 
são separados por dois sulcos. Com o tempo de uso, os dentículos se 
desgastam e a margem incisal, de sinuosa e ondulada, transforma-se numa 
pequena faceta plana e inclinada para distal. 
Colo 
 É sinuoso e irregular. Semicircular de convexidade voltada para a raiz 
nas faces vestibular e palatina. Apresenta-se conformado em V, de ápice 
arredondado, nas faces proximais. 
Raiz 
 A raiz é cônica, volumosa, relativamente curta, com um certo grau de 
achatamento mésio-distal, apresentando aspecto triangular quando vista em 
corte. Suas faces são em número de três: a face vestibular, convexa nos dois 
sentidos; as faces mésio-palatina e disto-palatina, aproximadamente planas e 
convergentes para o lado palatino. A raiz no sentido mésio-distal, na sua 
grande maioria, inclina-se discretamente para o lado distal, enquanto no 
sentido vestíbulo-palatino, inclina-se fortemente para o lado palatino (Figura 
3.18). 
 
 
 
 
 
 
 51 
Figura 3.18: Vista vestibular da raiz do Incisivo Central Superior Direito 
(11). 
 
 
3.3 INCISIVO LATERAL SUPERIOR 
Coroa 
 São em número de dois e estão localizados do lado distal dos centrais e 
mesial dos caninos. Na cavidade da boca, a face vestibular da coroa mostra-se menos 
verticalizada quando comparada com o incisivo central. A coroa pode exibir aspectos 
morfológicos diversos, porém as formas típicas apresentam coroa cuneiforme, com 
uma tendência na sua extremidade distal de apresentar uma conformação de lança à 
semelhança do canino (Figura 3.19). 
 
 
 
 
 
 
52 
 
Figura 3.19: Vista vestibular do Incisivo Lateral Superior Esquerdo (22). 
 
Face Vestibular 
Apresenta a forma de um trapézio cujo ângulo distal é bem mais arredondado 
que o incisivo central. Os sulcos são mais rasos e os lóbulos menos proeminentes 
quando comparados ao incisivo central. A convexidade geral da face é mais 
acentuada que nos incisivos centrais devido às suas dimensões mais reduzidas 
(Figura 3.20). 
Figura 3.20: Face vestibular do Incisivo Lateral Superior Direito 
(12). 
 
 
 
 53 
Das margens que delimitam esta face, a cervical é a mais convexa por 
apresentar um raio de curvatura menor; a incisal é bastante inclinada para cima e 
para o lado distal, apresentando-se com dois segmentos: um mesial, pouco inclinado, 
e um distal bem mais inclinado, dando a esta metade do dente o seu aspecto 
tipicamente caniniforme. A margem distal é bastante inclinada e menor, enquanto a 
mesial tende mais para vertical, ou seja, sua inclinação é discreta. 
O ângulo mesial desta face é agudo, ligeiramente arredondado, diferindo do 
ângulo mesial do incisivo central que é sempre mais vivo. O ângulo distal é muito 
arredondado e obtuso (Figura 3.21). 
 
Figura 3.21: Face vestibular do Incisivo Lateral Superior Direito (12). 
 
 
 
 
 
54 
 
Face Palatina 
 É acentuadamente côncava e muito irregular devido sua dimensão ser menor 
que a face lingual do incisivo central. A fossa lingual é bastante profunda, bem 
limitada pelas cristas marginais e pelo cíngulo proeminente. O cíngulo é de 
conformação bastante variável como descrito para o incisivo central. O forame cego 
é mais frequente que no incisivo central (Figura 3.22). 
Figura 3.22: Face palatina do Incisivo Lateral Superior Direito (12). 
 
 
Face Mesial 
 Apresenta forma triangular com lado e ângulos arredondados. A face mesial 
é maior e menos inclinada que a distal, discretamente convexa em toda a sua 
extensão, exceto junto ao colo, onde pode apresentar ligeira escavação (Figura 3.23). 
 
 
 55 
Figura 3.23: Face mesial do Incisivo Lateral Superior Direito (12). 
 
Face Distal 
 É semelhante à face mesial, porém é menor e mais convexa. 
Margem Incisal 
 É muito reduzida nos dentes sem desgaste, configurando uma 
verdadeira margem. Pode assemelhar-se à margem incisal do incisivo central. 
Mas em outros dentes separece com a do dente canino, devido à grande 
inclinação do segmento distal desta margem. Quando isto acontece, notam-se 
dois segmentos bem distintos: um mesial, quase horizontal, e um distal, 
bastante inclinado, existindo entre ambos um ângulo arredondado. 
Colo 
É semelhante ao incisivo central, porém, com raios de curvaturas 
menores, e com um maior achatamento no sentido mésio-distal. 
 
 
 
56 
 
Raiz 
 A raiz é relativamente mais longa que a do incisivo central superior, 
porém, mais delgada e frequentemente achatada no sentido mésio-distal. Este 
fato é bem evidenciado por meio do corte feito na parte média da raiz, que 
assim assume a forma ovalar. Possui as faces mesial e distal que são 
ligeiramente convexas e que apresentam sulcos laterais com maior frequência 
que o incisivo central. O desvio distal do ápice radicular evidencia-se mais 
neste dente. Algumas vezes, verifica-se o desvio disto-palatino da raiz (Figura 
3.24). 
Figura 3.24: Vista vestibular da raiz do Incisivo Lateral Superior Direito 
(12). 
 
3.4 INCISIVO CENTRAL INFERIOR 
Coroa 
São em número de dois e estão dispostos lado a lado da linha mediana, 
correspondem aos incisivos centrais superiores, com os quais ocluem 
inteiramente. Este é o menor dente humano, sendo bem mais simples e mais 
simétrico que o seu homólogo do arco superior. A sua coroa é bastante 
 
 
 57 
achatada no sentido vestíbulo-lingual e apresenta a forma de cinzel ou de 
cunha. 
 Na cavidade da boca, quando observado no sentido vestíbulo-lingual, 
a face vestibular da coroa deste dente é acentuadamente inclinada para o lado 
lingual. 
Face Vestibular 
Apresenta a forma de um trapézio alongado de grande base incisal ou 
de um triângulo isósceles. É ligeiramente convexa no sentido vestíbulo-
lingual e mésio-distal, possuindo também maior convexidade no terço 
cervical, no qual se observa uma discreta bossa vestibular. A partir do terço 
cervical, a superfície torna-se plana e inclinada para o lado lingual. Tal 
inclinação faz com que, na oclusão dentária normal, as faces vestibulares 
inferiores fiquem recobertas pelas faces palatinas dos dentes superiores. Esta 
inclinação da face vestibular dos dentes inferiores para o lado lingual é 
característica comum de todo e qualquer dente do arco inferior (Figura 3.25). 
Figura 3.25: Face vestibular do Incisivo Central Inferior Direito (41). 
 
Os sulcos de desenvolvimento e os lóbulos desta face são muito 
discretos (Figura 3.26). 
 
 
 
58 
 
 
Figura 3.26: Face vestibular do Incisivo Central Inferior Esquerdo (31). 
 
 
 
Das quatro margens que delimitam esta face, a cervical é semicircular, 
de convexidade voltada para a raiz e de pequeno raio de curvatura. As 
margens proximais são discretamente convergentes para a raiz, e a mesial é 
menor que a distal (o inverso do que acontece com os outros dentes), em 
virtude do desgaste ser mais acentuado nesta metade da margem incisal. No 
dente sem desgaste, a margem incisal é quase retilínea. Os ângulos mesial e 
distal desta face são sempre retos ou agudos, mesmo com o desgaste 
acentuado da margem incisal, fato este que permite diferenciá-lo do incisivo 
lateral inferior (Figura 3.27). 
 
 
 
 
 59 
Figura 3.27: Face vestibular do Incisivo Central Inferior Direito (41). 
 
 
Face Lingual 
 É semelhante à face vestibular, quase da mesma altura, porém mais 
estreita. Nesta pode-se observar uma fossa lingual pouco profunda, limitada 
por cristas marginais pouco salientes e por um cíngulo pouco desenvolvido, 
praticamente nunca se constitui o forame cego. Os sulcos de desenvolvimento 
e os lóbulos desta face são ainda mais discretos que os da face vestibular 
(Figura 3.28). 
 
 
 
 
 
60 
 
Figura 3.28: Face lingual do Incisivo Central Inferior Direito (41). 
 
 
Face Mesial 
 É triangular e alongada, de lados e ângulos arredondados e de base 
muito larga voltada para o colo do dente. É plana no sentido vertical e convexa 
no sentido transversal. Esta face é menor (pelo menos nos dentes desgastados) 
e menos inclinada que a distal (Figura 3.29). 
 
 
 
 
 61 
Figura 3.29: Face mesial do Incisivo Central Inferior Direito (41). 
 
Face Distal 
 Apresenta as mesmas características que a face mesial, porém é mais 
convexa e de configuração mais nítida. 
Margem Incisal 
 É representada por uma simples margem retilínea nos dentes jovens e 
com pouco desgaste. Transforma-se numa faceta plana e oblíqua para o lado 
mesial no dente desgastado. Esta margem é biselada para o lado vestibular, 
ao contrário do que acontece com os incisivos superiores onde o bisel aparece 
do lado palatino. Este fato ocorre na normo oclusão dos arcos dentais. 
Colo 
 É muito achatado no sentido mésio-distal, e de aspecto ovalar, quando 
visto em secção transversal. Semelhante ao colo dos outros incisivos, o deste 
dente mostra curvas mais fechadas, isto é, com raios de curvatura menores. 
 
 
 
 
62 
 
Raiz 
 É pequena, alargada no sentido vestíbulo-lingual, bastante achatada 
no sentido mésio-distal e sulcada. Os sulcos mesial e distal são tão evidentes 
que muitas vezes chegam a separar a raiz, parcial ou totalmente, em dois 
segmentos, vestibular e lingual. Apresenta um discreto desvio distal (Figura 
3.30). 
Figura 3.30: Vista lingual da raiz do Incisivo Central Inferior Direito (41). 
 
 
3.5 INCISIVO LATERAL INFERIOR 
Coroa 
São em número de dois e estão dispostos lateralmente aos centrais. 
São maiores que os incisivos centrais e apresentam bastante semelhança com 
estes. A sua coroa é maior que a do incisivo central e também apresenta a 
forma de cinzel ou de cunha. 
 
 
 63 
 Na cavidade da boca, quando observado no sentido vestíbulo-lingual, 
a face vestibular da coroa deste dente é pouco mais inclinada para o lado 
lingual que a face correspondente do incisivo central. 
Face Vestibular 
É convexa no sentido mésio-distal, mais larga próximo à margem 
incisal mostrando as mesmas características da face vestibular do incisivo 
central inferior (Figura 3.31). 
Figura 3.31: Face vestibular do Incisivo Lateral Inferior Direito (42). 
 
É acentuadamente inclinada para lingual a partir do terço cervical. 
Apresenta a sua metade distal semelhante ao segmento mesial do canino 
inferior. Os sulcos de desenvolvimento e os lóbulos desta face são um pouco 
mais evidentes que no incisivo central. Observa-se com nitidez, e isto 
constitui seguro meio de diferenciação entre os dois incisivos inferiores, que 
o ângulo distal da margem incisal é sempre arredondado e obtuso, enquanto 
o mesial é reto. Das margens que delimitam esta face, a incisal apresenta dois 
 
 
 
64 
 
segmentos bem distintos: um mesial, quase horizontal, e um distal, menor e 
bastante inclinado, existindo entre ambos uma ponta mais ou menos marcada 
(Figura 3.32). 
 
Figura 3.32: Face vestibular do Incisivo Lateral Inferior Direito (42). 
 
 
Face Lingual 
 É ligeiramente mais escavada que a do incisivo central inferior, mas seus 
detalhes são pouco nítidos (Figura 3.33). 
 
 
 
 
 65 
Figura 3.33: Face lingual do Incisivo Lateral Inferior Direito (42). 
 
Face Mesial 
 É triangular, de lados e ângulos arredondados. É maior e mais plana que a 
face distal (Figura 3.34) 
 
Figura 3.34: Face mesial do Incisivo Lateral Inferior Direito (42). 
 
 
 
 
66 
 
 
Face Distal 
 Também é triangular, de lados e ângulos arredondados. É menor e 
mais convexa que a face mesial. 
Margem Incisal 
 Esta margem cortante não é retilínea no dente jovem, porém, com o 
desgaste progressivo, a inclinação distal vai aumentando a ponto de separá-la 
em dois segmentos distintos, dando o formato de “V”, sendo o segmento 
distal maior e mais inclinado que o mesial. Esta margem é um pouco mais 
larga que a margem incisal do incisivo central inferior. 
Colo 
 Apresenta um ligeiro aumento nos raios de curvatura da linha de colo 
se comparadoao incisivo central inferior. 
Raiz 
 É maior que a do incisivo central. Também é achatada no sentido 
mésio-distal e sulcada lateralmente. O desvio distal é bem notado, ou seja, é 
mais acentuado que no incisivo central inferior (Figura 3.35). 
Figura 3.35: Vista lingual do Incisivo Lateral Inferior Direito (42). 
 
 
 
 67 
CAPÍTULO 4 - DENTES CANINOS PERMANENTES 
 
4.1 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS DENTES CANINOS 
 Os dentes caninos, superiores e inferiores, completam com os 
incisivos o grupo dos dentes anteriores. Localizam-se distalmente ao incisivo 
lateral e mesialmente ao primeiro pré-molar, ou seja, são os terceiros dentes 
a partir da linha mediana. Sua denominação deriva da palavra latina canis que 
significa cão, pela analogia que apresentam com os dentes pontiagudos deste 
animal. Na espécie humana tem por função cortar alimentos que exijam 
grande força mastigatória e esse trabalho é facilitado pela forma de sua coroa 
que, com o ápice da margem incisal, atua como ponta aguda e dilacerante. 
Além disso, juntamente com os incisivos ajudam a apoiar o lábio e os 
músculos faciais. Os caninos atuam como indicadores importantes na 
oclusão. Sua sobreposição vertical profunda serve como um mecanismo 
protetor, aliviando os dentes posteriores das forças horizontais excessivas e 
potencialmente prejudiciais durante os movimentos de lateralidade da 
mandíbula (oclusão protegida pelos caninos). 
 São os dentes humanos mais longos. As pontas mais ou menos 
aguçadas que se encontram em suas margens incisais, ultrapassam o plano 
dos demais dentes, assim como sua raiz atinge tal volume que determina na 
maxila e na mandíbula, saliências vestibulares nítidas, conhecidas por 
eminência canina. São em número de quatro, sendo dois superiores e dois 
inferiores. Os quatro caninos são, justificadamente, denominados de alicerces 
dos arcos dentais, porque estão localizados nos cantos da boca ou dos arcos 
dentais. 
 A forma geral da coroa dos caninos é de uma lança, quando vista pela 
face vestibular ou lingual/palatina. A coroa pode ser alongada ou alargada, 
 
 
 
68 
 
segundo se trate de um dente superior ou inferior, assumindo no seu aspecto 
geral a forma cônica (Figura 4.1). Como qualquer outro dente, a coroa 
apresenta seis faces. 
Figura 4.1: Vista vestibular do canino inferior. 
 
 A face vestibular é pentagonal e convexa em todos os sentidos 
(Figuras 4.2 e 4.3). 
Figura 4.2: Face vestibular do canino inferior. 
 
 
 
 69 
Figura 4.3: Face vestibular do canino inferior. 
 
Nesta encontramos sulcos de desenvolvimento bem evidentes que 
separam três lóbulos de volume desigual, denominados mesial, mediano e 
distal. Na parte mediana existe uma crista longitudinal que termina na ponta 
da cúspide. A face vestibular é limitada por quatro margens, sendo as 
proximais arredondadas e convergentes para a raiz, apresentando-se a distal 
mais inclinada e menor. A margem cervical é curva, de convexidade voltada 
para a raiz e a este nível a face vestibular é mais convexa que em qualquer 
outro ponto. A margem incisal é dividida, por uma ponta mediana e aguçada, 
em dois segmentos de comprimento desigual, denominadas arestas 
transversais: a distal maior e mais inclinada e a mesial menor e menos 
inclinada. O ângulo distal é muito arredondado e mais próximo da margem 
 
 
 
70 
 
cervical, enquanto o mesial é mais vivo e mais distante da margem cervical 
(Figura 4.4). 
Figura 4.4: Face vestibular do canino inferior. 
 
 A face palatina/lingual também tem forma pentagonal, discretamente 
menor que a face vestibular e irregularmente convexa devido à presença dos 
três lóbulos (saliências), que são separados por sulcos, dos quais o mediano é 
o mais desenvolvido. As cristas marginais mesial e distal, confluem para o 
cíngulo, que é bem volumoso. A face lingual apresenta o forame cego quando 
o cíngulo é bem desenvolvido e destaca-se desta, deixando um 
prolongamento em fundo cego. As margens proximais, arredondadas e pouco 
salientes, convergem para o colo dental. A margem incisal é muito mais 
arredondada e menor que a correspondente da face vestibular (Figura 4.5). 
 
 
 
 71 
Figura 4.5: Face palatina do canino superior. 
 
As faces proximais são de forma triangular, de lados e ângulos 
arredondados, convexas no sentido vestíbulo-lingual que se acentua no terço 
incisal. A face distal é menor e mais convexa que a face mesial, 
particularmente ao nível do ângulo distal onde se desenvolve uma bossa 
acentuada. A face mesial mostra-se mais plana, menos escavada no terço 
cervical e com modelado mais discreto que o da face distal (Figura 4.6). 
Figura 4.6: Face mesial do canino inferior. 
 
 
 
 
72 
 
A margem incisal tem aspecto de lança apresentando-se em forma de 
V, com segmentos mesial e distal desiguais, sendo a porção distal maior e 
mais inclinada, enquanto o segmento mesial é mais plano. A ponta na margem 
incisal desaparece rapidamente devido ao desgaste natural destes dentes 
(Figura 4.7). 
Figura 4.7: Face vestibular do canino inferior. 
 
O colo é curvo, formado por uma linha sinuosa e irregular, de 
convexidade voltada para a raiz, ao nível das faces vestibular e lingual, em 
forma de V, de ramos muito abertos, ao nível das faces proximais (Fig. 4.8 a 
4.11). 
Figura 4.8: Face vestibular do canino inferior. 
 
 
 
 73 
Figura 4.9: Face lingual do canino inferior. 
 
 
Figura 4.10: Face mesial do canino inferior. 
 
 
 
 
 
 
74 
 
Figura 4.11: Face distal do canino inferior. 
 
A raiz do canino é a maior de todas as raízes dentárias. Seu volume é 
tal que faz saliência bem acentuada na face vestibular do osso alveolar, 
chegando às vezes, a perfurar a delgada camada compacta desse osso. É 
cônica com discreto grau de achatamento mésio-distal (Figura 4.12). A raiz 
apresenta sulcos mais ou menos profundos situados nas faces proximais. 
 
Figura 4.12: Vista vestibular da raiz do canino inferior. 
 
 
 
 75 
4.2 CANINO SUPERIOR 
Coroa 
Este dente possui a forma de lança e é o mais longo e mais robusto do 
arco, ultrapassando os dentes vizinhos em altura, tanto pela coroa como pela 
raiz. A implantação deste dente no processo alveolar determina na face 
vestibular do osso, a formação de uma saliência chamada bossa canina. Situa-
se na boca, no sentido vestíbulo-lingual praticamente na posição vertical e a 
raiz é fortemente inclinada para o lado palatino. 
A coroa do canino, quando vista pela face vestibular, apresenta-se 
com aspecto de lança, destinada a perfurar ou dilacerar os alimentos. O maior 
diâmetro está na junção do terço médio com o terço cervical (Figura 4.13). 
Figura 4.13: Vista vestibular do canino superior esquerdo. 
 
 
 
 
76 
 
 Face Vestibular 
A face vestibular é limitada por quatro margens. 
A margem cervical, semicircular, de pequeno raio de curvatura, é de 
convexidade voltada para raiz. A margem mesial divergente no sentido 
oclusal, é convexa e desce até os três quartos da altura da coroa. A margem 
distal, mais convexa mais divergente menos longa, desce até dois terços da 
altura da coroa. A margem livre é em forma de V, bem aberto e desiguais 
sendo a porção distal mais inclinada, deslocando a cúspide do dente para o 
lado mesial. Os ângulos são arredondados e obtusos, sendo o distal mais 
arredondado e mais próximo da margem cervical (Figura 4.14). 
Figura 4.14: Face vestibular do canino superior esquerdo. 
 
 
 
 77 
Face Palatina 
A face palatina é ligeiramente menor que a face vestibular em virtude 
da convergência das faces mesial e distal para a região palatina. Possui a 
forma pentagonal, o cíngulo bem desenvolvido na região central do terço 
cervical e as cristas marginais mesial e distal que convergem para o cíngulo. 
Quanto às margens proximais, as observações são as mesmas que foi dito na 
face oposta (Figura 4.15). 
Figura 4.15: Face palatina do caninosuperior direito. 
 
 
Face Mesial 
A face mesial é triangular, de lados e ângulos arredondados, de base 
voltada para o colo e convexa no sentido vestíbulo-lingual. O plano da face 
mesial forma com o plano mesial da raiz um ângulo obtuso, de abertura 
 
 
 
78 
 
mesial. A borda cervical em forma de “V” possui abertura angular maior que 
90 graus (Figura 4.16). 
Figura 4.16: Face mesial do canino superior esquerdo. 
 
 
Face Distal 
É muito semelhante a face mesial, porém menor e mais convexa 
particularmente ao nível do ângulo distal onde se desenvolve uma bossa mais 
acentuada. 
Margem Incisal 
Esta face ou margem tem aspecto de lança, com forma em V e com 
segmentos desiguais. A porção distal dessa margem é maior e mais inclinada, 
enquanto o segmento mesial é mais plano. 
Raiz 
É a maior raiz dentária, seu volume é tal que faz saliência na face 
vestibular do osso alveolar. É cônica com discreto grau de achatamento 
mésio-distal, com discretos sulcos mesial e distal. Apresenta desvio distal e o 
 
 
 79 
ângulo que se forma entre ela e a face distal da coroa torna-se fácil saber a 
que lado o dente pertence. As faces vestibular e palatina são semelhantes e as 
proximais são largas, planas e mais sulcadas (Figura 4.17). 
Figura 4.17: Vista palatina da raiz do canino superior direito. 
 
 
4.3 CANINO INFERIOR 
Coroa 
O canino inferior, de volume menor que o superior, apresenta forma 
mais alongada devido à diferença ou falta de proporção entre as medidas da 
coroa, sendo a distância mésio-distal bem menor que a do canino superior 
enquanto a distância cérvico-incisal é quase igual (Figura 4.18). 
 
 
 
80 
 
Figura 4.18: Vista vestibular do canino inferior direito. 
 
 
Face Vestibular 
Como ocorre nos demais dentes inferiores, essa face apresenta uma 
acentuada inclinação lingual. As características dessa face são semelhantes as 
do canino superior onde a maior diferença está no aspecto mais alongado 
dessa face, o qual facilita o diagnóstico diferencial entre os caninos superiores 
e inferiores. Esta face é convexa nos dois sentidos, longitudinal e transversal, 
sendo no nível cervical onde encontra-se sua maior convexidade (Figura 
4.19). 
 
 
 
 
 81 
Figura 4.19: Face vestibular do canino inferior direito. 
 
 
Face lingual 
Essa face difere muito pouco da face vestibular, sendo um pouco mais 
estreita e os acidentes anatômicos mais discretos, porém verifica-se a 
presença do cíngulo, das cristas marginais, da fossa lingual e dos sulcos de 
desenvolvimento (os quais são pouco marcados). Guardadas as devidas 
proporções, pode-se afirmar que a face lingual do canino inferior simula a 
face lingual dos incisivos inferiores (Figura 4.20). 
 
 
 
82 
 
Figura 4.20: Face lingual do canino inferior direito. 
 
 
Faces Proximais 
Triangulares e ligeiramente convexas no terço incisal, são escavadas 
no restante. O canino inferior apresenta a margem cervical mais baixa no lado 
lingual que no lado vestibular (Figura 4.21). 
Figura 4.21: Face mesial do canino inferior direito. 
 
 
 
 
 83 
Margem Incisal 
A margem incisal tem aspecto de V, porém o que a distingue da 
margem incisal do canino superior é a grande inclinação para a face 
vestibular, que é acentuada pelo desgaste observado na normo-oclusão. 
Raiz 
A raiz do canino inferior é menor e mais achatada que a do superior, 
não raro verifica-se a existência de bifurcação do ápice radicular devido ao 
maior grau de achatamento mésio–distal ou até mesmo duas raízes (Figura 
4.22). 
 
Figura 4.22: Vista lingual da raiz do canino inferior direito. 
 
 
 
 
 
 
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CAPÍTULO 5 - DENTES PRÉ-MOLARES PERMANENTES 
 
5.1 CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS DENTES PRÉ-MOLARES 
Os dentes pré-molares ou bicuspidados estão situados atrás dos 
caninos e à frente dos primeiros molares constituindo elementos de transição 
entre os dentes anteriores unicuspidados e unirradiculares e os molares 
multicuspidados e multirradiculares. Partindo da linha média para o lado 
distal recebem a denominação de primeiro e segundo pré-molares. Os pré-
molares irrompem em substituição aos molares decíduos. Assim como os 
molares, estes dentes têm por função a trituração dos alimentos e apoiar as 
paredes laterais da boca (bochecha). 
 São em número de oito, sendo dois para cada hemiarcada. Dispõem-
se em volume decrescente no sentido mésio-distal para a arcada superior, e 
em volume crescente no mesmo sentido para a arcada inferior, ou seja, os 
primeiros pré-molares superiores são maiores em volume que os segundos 
pré-molares superiores, na arcada inferior os primeiros pré-molares inferiores 
são menores em volume que os segundos pré-molares inferiores. 
 A forma geral da coroa dos pré-molares é a resultante da fusão de dois 
cones, um palatino e outro vestibular unidos pelas cristas marginais mesial e 
distal (Figura 5.1). Apresentam forma cuboidal e como todos os outros dentes 
também apresentam seis faces. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Figura 5.1: Vista proximal do pré-molar superior. 
 
 A face vestibular tem a forma de uma lança, é convexa e lisa, 
semelhante à face vestibular do canino com sulcos de desenvolvimento e 
lóbulos menos evidentes (Figura 5.2). 
Figura 5.2: Vista vestibular do pré-molar superior. 
 
 
 
 
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É limitada por quatro margens arredondadas: a margem cervical, 
curvilínea, de convexidade voltada para a raiz; a margem oclusal que 
apresenta a forma de um V composta por dois segmentos desiguais, e as 
margens mesial e distal que são divergentes para a margem oclusal (Figura 
5.3). 
Figura 5.3: Face vestibular do pré-molar superior. 
 
 
A face lingual/palatina apresenta o formato de um pentágono, com 
convexidade tanto no sentido transversal como no sentido longitudinal, sendo 
mais acentuada no sentido transversal. As quatro margens que limitam esta 
face são menos perceptíveis que as da face vestibular, por serem mais 
arredondadas (Figura 5.4). 
 
 
 
 
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Figura 5.4: Face palatina do pré-molar superior. 
 
 As faces proximais apresentam formato quadrilátero, com lados e 
ângulos arredondados, convexas próximo à margem oclusal e planas próximo 
à margem cervical. Cada uma é limitada por quatro margens: cervical, 
ligeiramente curva com concavidade voltada para a raiz; vestibular e lingual 
côncavas, e a margem oclusal que é dividida em dois segmentos os quais 
correspondem às cúspides vestibular e lingual. As faces proximais são 
semelhantes, porém a face distal apresenta-se menor, mais convexa e com 
características mais evidentes (Figura 5.5). 
Figura 5.5: Face distal do pré-molar superior. 
 
 
 
 
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 A face oclusal apresenta duas cúspides de volume variável de acordo 
com o elemento considerado. 
As cúspides desenvolvidas têm o formato de uma pirâmide 
quadrangular com ápice (ponta da cúspide), base, arestas (transversais e 
axiais) e planos inclinados. Separando as cúspides vestibular e lingual, há um 
sulco principal, disposto no sentido mésio-distal com concavidade vestibular, 
que pode apresentar-se retilíneo ou curvilíneo e mais ou menos profundo. Este 
sulco termina junto das cristas marginais, determinando o aparecimento das 
fossetas triangulares mesial e distal. Deste sulco principal partem sulcos 
secundários superficiais que ou desaparecem próximo às margens das faces 
proximais ou as invadem. As cristas marginais são bem evidentes e unem as 
duas cúspides vestibular e lingual (Figura 5.6). 
Figura 5.6: Face oclusal do pré-molar superior. 
 
 
 
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 O colo dos dentes pré-molares é representado por uma linha irregular 
curvilínea côncavo-convexa de acordo com as faces em questão e é mais 
sinuoso que o dos molares. Nas faces vestibular e palatina/lingual é de 
convexidade voltada para a raiz e nas faces proximais é de concavidade 
voltada para a raiz (Figuras 5.7 a 5.10). 
Figura 5.7: Face vestibular